Open-access PARASITÓIDES DA SUBFAMÍLIA EUCOILINAE (HYMENOPTERA: CYNIPOIDEA: FIGITIDAE) COLETADOS EM UM REMANESCENTE DE MATA DE CERRADO EM ITUMBIARA, GO

PARASITOIDS OF THE SUBFAMILY EUCOILINAE (HYMENOPTERA: CYNIPOIDEA: FIGITIDAE) COLLECTED IN A REMNANT OF THE THICK WOOD IN ITUMBIARA, GOIÁS, BRAZIL

RESUMO

Com esse trabalho, pretende-se conhecer as espécies de Eucoilinae coletados num remanescente de mata, utilizando-se a armadilha “Malaise”, em Itumbiara, Goiás. A armadilha Malaise captura os insetos por interceptação. Após 14 coletas foram encontrados: 1 espécimen de Dicerataspis sp., 3 espécimens de Dettmeria sp., 1 espécimen de Odonteucoila sp., 1 espécimen de Paraganaspis egeria, 10 espécimens de Steleucoela sp., 1 espécimen de Trybliographa sp. e 2 espécimens de Zaeucoila unicarinata. Este trabalho registra a primeira ocorrência de Dicerataspis sp., Tribliographa sp., e Zaeucoila unicarinata no Estado de Goiás e Steleucoela sp., no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE:
Cynipoidea; parasitóide; Eucolinae; Malaise; Goiás.

ABSTRACT

With this work it is intended to get acquainted with Eucoilinae collected in a remnant of thick wood by the trap “Malaise” in Itumbiara, Goiás. The trap “Malaise” captures the insects by interceptation. After 14 collects were collected: 1 specimen of Dicerataspis sp., 3 specimens of Dettmeria sp., 1 specimen of Odonteucoila sp., 1 specimen of Paraganaspis egeria, 10 specimens of Steleucoela, 1 specimen of Trybliographa sp. and 2 specimens of Zaeucoila unicarinata. This work registers the first occurrence of Dicerataspis sp., Trybliographa sp., and Zaeucoila unicarinata to the State of Goiás and Steleucoela sp. to Brazil

KEY WORDS:
Cynipoidea; parasitoids; Eucolinae; Malaise; Goiás.

INTRODUÇÃO

Os Eucoilinae são uma subfamília que apesar de cosmopolita, é pouco conhecida e contém cerca de 1000 espécies e 70 gêneros espalhados pelo mundo (NORDLANDER, 1984; Ioriatti, 1995). São endoparasitóides primários coinobiontes de estágios imaturos dípteros ciclorráfos, inclusive fitófagos e encontram-se em grande número ao redor de estrumes, de carcaças em decomposição e locais ricos em dípteros na região Neotropical (QUINLAN 1979, FERGUNSON, 1988; GAULD & BOLTON, 1988; RONQUIST, 1994; RONQUIST, 1995; DIAZ & GALLARDO, 1996). Pertencem à superfamília Cynipoidea, que possui aproximadamente 3000 espécies reunidas em 225 gêneros (RONQUIST, 1995; MARRONE, 1998, GUIMARÃES et al., 1999).

Várias espécies de Eucoilinae parasitam larvas de moscas das famílias Tephritidae, Lonchaeidae, Muscidae, Sepsidae, Sarcophagidae, Sphaeroceridae, Agromyzidae, Drosophilidae, Chloropodiae Phoridae, Neriidae e Anthomyiidae (CERVENKA & MOON, 1991; IORIATTI, 1995; WARTHON et al., 1998; GUIMARÃES et al., 1999; MARCHIORI & LINHARES, 1999a, MARCHIORI & LINHARES, 1999b, MARCHIORI et al., 2000).

Agem como controladores naturais dessas pragas. Os espécimens dessa família já foram utilizados em vários programas de controle de moscas-dasfrutas em todo o mundo (GUIMARÃES et al., 1999).

Com esse trabalho, pretendemos conhecer as espécies de Eucoilidae coletadas em remanescente de mata de cerrado utilizando-se a armadilha “Malaise”, em Itumbiara, Goiás.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado na mata da Fazenda da Faculdade de Agronomia, situada próximo às margens do rio Paranaíba, distando 5 quilômetros do centro de Itumbiara, GO. A fazenda possui uma área de aproximadamente 12 alqueires. A mata é constituída por espécies típicas do cerrado (arbustiva-arbórea), ocupando uma área de 3 alqueires.

A armadilha Malaise captura os insetos por interceptação. Elas são construídas utilizando-se bandas de tecido de cor preta que interceptam os insetos conduzindo-os através de duas bandas de cor branca até a parte superior onde há dois frascos plásticos (200mL) ligados entre si por uma tampa de rosca. No frasco de baixo há líquido fixador (solução de Dietrich: 600 mL de álcool 96º, 300 mL de água destilada, 100mL de formol a 40% e 20 mL de ácido acético) onde os insetos acabam por cair ficando aí fixados. Estes frascos foram posicionados para o norte para atrair melhor os parasitóides. Os insetos atraídos cairam nessa mistura sendo coletados quinzenalmente com o uso de peneira fina e fixados em álcool a 70% para posterior identificação.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Durante o período de fevereiro a setembro de 2000, utilizando-se a armadilha “Malaisa”, coletaram-se 20 exemplares da subfamília Eucoilinae. Como apresenta a Tabela 1, Steleucoela sp. foi a espécie mais abundante com 50,0%. O número de fêmeas (35,0%) foi menor que o de machos (65,0%) numa proporção aproximada de 2:1

Para GUIMARÃES et al. (1999), A. pelleranoi apresenta ampla distribuição no Brasil. Em levantamento realizado por esse autor sobre eucoilíneos no Brasil, essa espécie foi a mais abundante representando 29,93% de todos os Eucoilinae associados às larvas de moscas frugívoras (Diptera: Tephritidae). Trata-se de espécie também encontrada em larvas da família Lonchaeidae (Diptera) (WHARTON et al., 1998).

Tabela 1
Parasitóides coletados em um remanescente de mata, da Fazenda do Curso de Agronomia no município de Itumbiara, de janeiro a setembro de 2000.

Maes (1989) encontrou, na Nicarágua, espécies de Zaeucoila sp. em pupas de Anastrepha sp. (Diptera: Tephritidae) e provavelmente se comportam como parasitóides de Agromyzidae (Diptera). Zaeucoila Ashmead pertence a um grupo de gêneros que, em conjunto, reúnem 32 espécies, todas endêmicas na região Neotropical e que se comportam como parasitóides de estágios imaturos de Diptera Cyclorrapha. Zaeucoila unicarinata é encontrada na Argentina e Brasil, no Estado do Rio de Janeiro (DÍAZ & GALLARDO, 1997).

Dettmeria sp foi coletada em pupários de Euxesta sp. (Diptera: Otitidae) (BORGMEIER, 1935). VALICENTE (1986) encontrou na região de Sete Lagoas, MG, Dettmeria euxestaeBorgmeier (1935) parasitando Euxesta eluta Loew , 1868 com 29% de parasitismo.

O gênero Odonteucoila apresenta mais de 10 espécies na região Neotropical: México, Costa Rica, Panamá, Trinidad, Venezuela, Suriname, Equador, Peru, Paraguai, Brasil e Argentina. Provavelmente está restrita a essa região (NORDLANDER, 1982).

DÍAZ & GALLARDO (1996b) encontrou Paraganaspis egeria em pupas de Sarcophagula occidua (F.) (Diptera: Sarcophagidae) na Argentina. Segundo esses autores, tal espécie, no Brasil, é encontrada nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

As espécies do gênero Dicerataspis provavelmente comportam-se como parasitóides de larvas de Drosphilidae (WARTHON et al., 1998 ) e Tephritidae (WARTHON et al., 1998; GUIMARÃES et al., 1999). Membros desse gênero criam-se em uma variedade de frutos (Ficus, Psidium, Carica e Anacardium) associados com várias espécies na região Holoártica (WARTHON et al., 1998). IORIATTI (1995) coletou dois machos a partir de pêssegos num pomar no Município de Rio Claro, SP. Tribliographa foi encontrada parasitando larvas de Neosilba sp. (Diptera: Lonchaeidae) em pimenta e também de Tephritidae (IORIATTI, 1995; WARTHON et al., 1998; GUIMARÃES et al., 1999). No trabalho de GUIMARÃES et al. (1999) essa espécie apresentou uma das menores distribuição geográfica, ocorrendo apenas no Estado de São Paulo.

No gênero Steleucoela até o momento só foi encontrada uma espécie Steleucoela piriformis na Nicaragua (KIEFER, 1908). Em Itumbiara, GO, foram coletados apenas exemplares machos desse gênero. Sua biologia até o momento não é conhecida.

Este trabalho registra a primeira ocorrência de Dicerataspis sp., Tribliographa sp. e Zaeucoila unicarinata para o Estado de Goiás e Steleucoela sp. para o Brasil.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    20 Set 2024
  • Data do Fascículo
    Jan-Jun 2001

Histórico

  • Recebido
    06 Nov 2000
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