Open-access Evaluación de la cetamina racémica y del isómero S(+), asociados o no a bajas dosis de fentanil, en la balneoterapia del gran quemado

rba Revista Brasileira de Anestesiologia Rev. Bras. Anestesiol. 0034-7094 1806-907X Sociedade Brasileira de Anestesiologia Campinas, SP, Brazil JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS: El cuidado de la herida del gran quemado desencadena un estímulo doloroso muy intenso. Este estudio tuvo el objetivo de evaluar la seguridad y la eficacia de diferentes combinaciones de fármacos en la anestesia para balneoterapia. MÉTODO: Con la aprobación del Comité de Ética, fueron estudiados 200 procedimientos de balneoterapia en 87 grandes quemados adultos. En todos los casos se usó el midazolam. Se utilizaron frascos numerados de la cetamina, y cuando se usaron no se sabía si era racémica o S (+). Todas las mañanas, se hacía el sorteo para saber si los procedimientos de ese día serían comandados por el fentanil o no. Quedaron establecidos cuatro grupos: ISO/sf (isómero S(+) sin el fentanil), ISO/cf (isómero S(+) con el fentanil), RAC/sf (cetamina racémica sin el fentanil) y RAC/cf (cetamina racémica con el fentanil). Las dosis iniciales propuestas fueron: midazolam 0,06 mg.kg-1, cetamina 1,0 a 1,1 mg.kg-1, fentanil 0,8 ¼g.kg-1; las dosis adicionales se administraban conforme a lo necesario. RESULTADOS: En solo un caso hubo recuerdo de dolor durante la balneoterapia. En el grupo que recibió la cetamina S(+), la añadidura del fentanil no mostró ventajas. Asociado a la forma racémica, el fentanil redujo la dosis total y el número de bolo de la cetamina. La extensión de la superficie corporal quemada fue el principal determinante de la intensidad de dolor posprocedimiento. La menor intensidad de dolor posprocedimiento, fue el principal factor considerado por el paciente para su satisfacción por la anestesia recibida. CONCLUSIONES: Las cuatro diferentes combinaciones de fármacos fueron seguras y permitieron la ausencia de dolor durante la balneoterapia. Las características no vinculadas directamente a los anestésicos, tuvieron una mayor importancia en la definición del dolor posprocedimiento, que fue la principal característica considerada por el gran quemado para definir su satisfacción con la anestesia recibida. ARTIGO CIENTÍFICO Avaliação da cetamina racêmica e do isômero S(+), associados ou não a baixas doses de fentanil, na balneoterapia do grande queimado* Evaluación de la cetamina racémica y del isómero S(+), asociados o no a bajas dosis de fentanil, en la balneoterapia del gran quemado Fernando Antônio de Freitas Cantinho, TSAI; Antonio Carlos Pereira da Silva, TSAII IInstrutor Corresponsável CET/SBA Dr. Rodrigo Gomes Ferreira IIEx-Instrutor Responsável pelo CET/SBA Dr. Rodrigo Gomes Ferreira Endereço para correspondência RESUMO JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O cuidado da ferida do grande-queimado desencadeia estímulo doloroso muito intenso. Este estudo teve por objetivo avaliar a segurança e efetividade de diferentes combinações de fármacos na anestesia para balneoterapia. MÉTODO: Com a aprovação do Comitê de Ética, foram estudados 200 procedimentos de balneoterapia em 87 grandes queimados adultos. Em todos os casos foi empregado o midazolam. Foram utilizados frascos numerados da cetamina, não se conhecendo no momento do uso se era racêmica ou S(+). A cada manhã era sorteado se os procedimentos daquele dia seriam conduzidos com ou sem fentanil. Formaram-se quatro grupos: ISO/sf (isômero S(+) sem o fentanil), ISO/cf (isômero S(+) com o fentanil), RAC/sf (cetamina racêmica sem o fentanil) e RAC/cf (cetamina racêmica com o fentanil). As doses iniciais propostas foram: midazolam 0,06 mg.kg-1, cetamina 1,0 a 1,1 mg.kg-1, fentanil 0,8 μg.kg-1; as doses adicionais eram administradas conforme necessário. RESULTADOS: Em apenas um caso houve lembrança de dor durante a balneoterapia. No grupo que recebeu a cetamina S(+), o acréscimo do fentanil não evidenciou vantagens; associado à forma racêmica, o fentanil reduziu a dose total e o número de bolus da cetamina. A extensão da superfície corporal queimada foi a principal determinante da intensidade de dor pós-procedimento. A menor intensidade de dor pós-procedimento foi o principal fator considerado pelo paciente para sua satisfação pela anestesia recebida. CONCLUSÕES: As quatro diferentes combinações de fármacos mostraram-se seguras e permitiram ausência de dor durante a balneoterapia. Características não ligadas diretamente aos anestésicos mostraram-se de maior importância na definição da dor pós-procedimento, que foi a principal característica considerada pelo grande queimado para definir sua satisfação com a anestesia recebida. Unitermos: ANALGÉSICOS: cetamina; DOENÇAS: queimadura; TERAPÊUTICA: balneoterapia RESUMEN JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS: El cuidado de la herida del gran quemado desencadena un estímulo doloroso muy intenso. Este estudio tuvo el objetivo de evaluar la seguridad y la eficacia de diferentes combinaciones de fármacos en la anestesia para balneoterapia. MÉTODO: Con la aprobación del Comité de Ética, fueron estudiados 200 procedimientos de balneoterapia en 87 grandes quemados adultos. En todos los casos se usó el midazolam. Se utilizaron frascos numerados de la cetamina, y cuando se usaron no se sabía si era racémica o S (+). Todas las mañanas, se hacía el sorteo para saber si los procedimientos de ese día serían comandados por el fentanil o no. Quedaron establecidos cuatro grupos: ISO/sf (isómero S(+) sin el fentanil), ISO/cf (isómero S(+) con el fentanil), RAC/sf (cetamina racémica sin el fentanil) y RAC/cf (cetamina racémica con el fentanil). Las dosis iniciales propuestas fueron: midazolam 0,06 mg.kg-1, cetamina 1,0 a 1,1 mg.kg-1, fentanil 0,8 μg.kg-1; las dosis adicionales se administraban conforme a lo necesario. RESULTADOS: En solo un caso hubo recuerdo de dolor durante la balneoterapia. En el grupo que recibió la cetamina S(+), la añadidura del fentanil no mostró ventajas. Asociado a la forma racémica, el fentanil redujo la dosis total y el número de bolo de la cetamina. La extensión de la superficie corporal quemada fue el principal determinante de la intensidad de dolor posprocedimiento. La menor intensidad de dolor posprocedimiento, fue el principal factor considerado por el paciente para su satisfacción por la anestesia recibida. CONCLUSIONES: Las cuatro diferentes combinaciones de fármacos fueron seguras y permitieron la ausencia de dolor durante la balneoterapia. Las características no vinculadas directamente a los anestésicos, tuvieron una mayor importancia en la definición del dolor posprocedimiento, que fue la principal característica considerada por el gran quemado para definir su satisfacción con la anestesia recibida. INTRODUÇÃO O tratamento diário do grande queimado é desafiador. Os acidentes por queimadura atingem os mais diversos grupos da população em suas características de idade, sexo, raça, grupo social e doenças prévias associadas. Quando se estudam e tratam pacientes vítimas de queimaduras lida-se com as mais diversas variáveis. Idade avançada, maior extensão e profundidade da lesão térmica e queimadura de vias aéreas são algumas características que aumentam a mortalidade 1,2. Graves disfunções de um ou mais órgãos e sistemas se estabelecem evolutivamente entre aqueles pacientes de pior prognóstico 3. O tratamento efetivo do grande queimado exige trabalho multi e interdisciplinar, de preferência em Centro de Tratamento de Queimados (CTQ). A inserção da Anestesiologia entre essas disciplinas é útil e de fundamental importância em diversas etapas do tratamento. Além da variabilidade da resposta à dor entre os seres humanos, observa-se especial dificuldade em estimá-la no queimado 4. A dor varia em função do grau de lesão ocorrida na derme e pode até, nas áreas de lesão mais profunda, estar ausente devido à destruição dos receptores nociceptivos 5. É reconhecido que a abordagem mais adequada à dor pode ser fator que reduz a incidência da síndrome do estresse pós-traumático nesses pacientes 6. A balneoterapia realizada nos pacientes estudados vai além da troca de curativo e limpeza da ferida: a anestesia é aplicada no instante em que o grande queimado recebe seu banho diário. Com o paciente deitado sobre bancada de aço inoxidável, sua higiene com água corrente e solução degermante aborda toda a superfície do corpo, queimada ou não. Além disso, há frequentemente pequenos desbridamentos das áreas lesadas. A anestesia aplicada permite ainda outros procedimentos que seriam dolorosos, como exercícios de fisioterapia, drenagem de abscessos, biópsia de pele e retirada de pontos. Pode-se comparar a intensidade do estímulo doloroso provocado pelo simples cuidado da ferida por queimadura com o estímulo desencadeado em procedimentos cirúrgicos. Consequentemente, técnicas baseadas somente em doses de hipnóticos e opioides que dispensam suporte ventilatório deverão se mostrar insuficientes à adequada analgesia em diversas fases e circunstâncias do tratamento. Como os cuidados são habitualmente diários, a expectativa da dor poderá ser um problema maior que a própria dor 7,8. O presente estudo teve por objetivo complementar estudo anterior 9 e visou avaliar: 1) a efetividade e segurança de quatro diferentes combinações de fármacos na balneoterapia do grande queimado; 2) a intensidade da dor durante e após os procedimentos, bem como identificar variáveis mais importantes que interferem nessa intensidade; 3) o grau de satisfação dos grandes queimados com a anestesia recebida a cada dia e identificar variáveis que eles mais consideram para determinar tal satisfação. MÉTODO Com a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, foram avaliados em caráter prospectivo e duplamente encoberto 234 procedimentos de anestesia para balneoterapia, em 87 pacientes lúcidos e orientados, com idade entre 18 e 64 anos, todos internados em CTQ. Foram descartados 34 casos devido a irregularidades no preenchimento dos registros de pós-anestésico; portanto, os resultados basearam-se em amostra de 200 casos. Os pacientes eram de ambos os sexos, sendo as queimaduras promovidas por diferentes agentes e circunstâncias, alcançando distintos graus de profundidade e áreas de extensão. Os procedimentos foram realizados no período da manhã, em sala de banhos dentro do CTQ, com o paciente em jejum de pelo menos seis horas. Critérios de exclusão foram a instabilidade cardiovascular com necessidade de suporte com fármacos vasoativos, a insuficiência respiratória com ventilação mecânica e a incapacidade do paciente colaborar fornecendo as informações da avaliação pós-anestésica. Enquanto o paciente era trazido à sala de banhos e preparado pela enfermagem, havia troca de informações entre o anestesiologista e o médico do CTQ quanto às condições clínicas daquele grande queimado. Seguia-se a observação do paciente, avaliando-se o acesso venoso existente - ou providência de um novo - para o estabelecimento de linha de hidratação e administração de fármacos. O oxímetro de pulso (SpO2) foi o único monitor eletrônico regularmente utilizado. Durante a anestesia para balneoterapia foram usados apenas fármacos por via venosa. Suas doses iniciais foram propostas de acordo com estudo anterior 9. O midazolam foi utilizado, em todos os casos, em dose inicial de 0,06 mg.kg-1. A cada manhã era sorteado se os procedimentos daquele dia seriam conduzidos com ou sem fentanil; quando utilizado, a dose inicial do fentanil foi 0,8 μg.kg-1. A cetamina empregada foi fornecida em frascos numerados, em concentração de 50 mg.mL-1, não se conhecendo a sua forma química - racêmica ou S(+). Sua dose inicial foi de 1,0 mg.kg-1 quando se utilizava o fentanil e 1,1 mg.kg-1 quando o opioide não era utilizado. Durante a manutenção da anestesia, repetiam-se bolus de midazolam e/ou cetamina, de acordo com as manifestações de agitação ou dor, respectivamente. Alcançando-se dose de 0,1 mg.kg-1 do midazolam e havendo contínua agitação atribuída à cetamina, empregou-se o propofol em dose inicial de 0,4 mg.kg-1, com eventuais repetições de doses iguais à inicial ou menores, de acordo com a resposta obtida. Considerando-se que em todos os casos estudados foi usado o midazolam, formaram-se quatro grupos de acordo com a forma química da cetamina e com o uso ou não do fentanil: ISO/sf (isômero S(+) sem o fentanil), ISO/cf (isômero S(+) com o fentanil), RAC/sf (cetamina racêmica sem o fentanil) e RAC/cf (cetamina racêmica com o fentanil). Posteriormente e apenas para identificar entre duas variáveis qual a que mais influenciava a intensidade da dor após a balneoterapia, a mesma amostra de 200 casos foi dividida em dois novos grupos, independentes dos fármacos utilizados. O grupo só banho (n = 156) compreendeu os casos nos quais os pacientes submeteram-se apenas à limpeza de suas feridas e banho diários. No grupo banho + cirurgia (n = 44), aproveitando-se o efeito da anestesia, foram realizados pequenos procedimentos cirúrgicos, como desbridamentos (n = 39), drenagem de abscessos e retirada de pontos de autoenxertia. Em todos os casos, a dipirona em dose de 30 mg.kg-1 foi administrada durante a balneoterapia visando a analgesia pós-anestésica. No período da tarde, um médico que não havia participado da anestesia e, portanto, desconhecia os fármacos empregados naquela manhã, realizava a avaliação pós-anestésica. Entre as variáveis avaliadas encontram-se idade, peso, sexo, extensão de superfície corporal queimada (SCQ), tempo de internação, duração do procedimento, doses dos agentes anestésicos utilizados e necessidade do emprego de propofol. Na avaliação pós-anestésica, foram pesquisados: lembrança de dor durante a balneoterapia, intensidade de dor após o procedimento (escala analógica visual - VAS), lembrança de sonhos ou alucinações durante a anestesia; e grau de satisfação (em escala de 1 a 10) com a anestesia recebida naquele dia especificamente. O protocolo do estudo não preestabeleceu variáveis a serem sugeridas aos pacientes para que eles graduassem sua satisfação; eles livremente respondiam à indagação quanto à satisfação com a anestesia recebida a cada dia do estudo. Posteriormente, os autores cruzaram a variável satisfação com diversas outras variáveis para identificar qual entre elas teria maior correlação com a definição da satisfação do grande queimado com a anestesia recebida. Os registros impressos foram transcritos para banco de dados desenvolvido no programa Epi Info 6; a análise dos dados foi realizada com esse mesmo programa e também na sua versão 3.5 (de junho de 2008). Os dados paramétricos estão apresentados como média ± desvio padrão e foram comparados pela Análise de Variância (ANOVA); quando o teste de Bartlett indicava que as variâncias não eram homogêneas, o teste de Kruskal-Wallis foi observado. Os valores não paramétricos foram comparados pelo Qui-quadrado. Foi considerado p < 0,05 como indicativo de expressão estatística. RESULTADOS Os dados de sexo, idade, peso, SCQ, duração dos procedimentos, tempo de internação hospitalar, percentual de relato de alucinações e grau de satisfação dos pacientes com a anestesia recebida encontram-se na tabela I. A tabela II apresenta a dose total do midazolam e da cetamina, o número de bolus desses fármacos, o percentual de casos nos quais houve necessidade de emprego do propofol e sua dose total. A comparação dos grupos RAC/sf e RAC/cf evidenciou que o acréscimo do fentanil conseguiu reduzir o número de bolus e a dose total da cetamina racêmica. Quando o isômero S(+) foi usado, a comparação entre os grupos ISO/sf e ISO/cf mostrou que o acréscimo do fentanil não reduziu a dose total e o número de bolus da cetamina, não melhorou a intensidade da dor no período pós-procedimento e ainda depreciou a avaliação da satisfação com a anestesia recebida. As quatro diferentes combinações de anestésicos evidenciaram segurança e efetividade. Não foi observado nenhum caso no qual a SpO2 tenha caído abaixo de 90% ou que houvesse depressão respiratória necessitando de suporte ventilatório com pressão positiva. Não foi identificada instabilidade cardiovascular ou algum outro distúrbio sistêmico relacionados à anestesia. Em apenas um caso houve lembrança de dor durante a balneoterapia: um paciente de 28 anos, do grupo RAC/sf, com 50% de SCQ e nove dias de internação, referiu na avaliação pós-anestésica que durante a balneoterapia sentiu, por curto espaço de tempo, dor comparável ao grau 10 da VAS. Relatou ter percebido que foi administrado mais anestésico, voltando rapidamente ao estado de inconsciência; graduou a VAS após a balneoterapia em quatro e atribuiu grau sete à satisfação pela anestesia recebida. Houve grande variação na intensidade da dor descrita pelo paciente após a balneoterapia (Figura 1); não houve diferença entre os quatro grupos estudados. Havendo maior extensão de SCQ, há maior área de ferida a ser cuidada e, portanto, a sessão de balneoterapia tende a ser mais demorada. Na amostra estudada, essa tendência se confirmou (Figura 2). Observou-se que tanto a maior duração dos procedimentos (Figura 3A) como a maior área de SCQ (Figura 3B) estiveram relacionadas com maior grau de dor pós-procedimento. Buscou-se avaliar, então, qual entre as duas variáveis seria mais importante no agravamento dessa dor. Para tanto, a mesma amostra de 200 casos foi submetida a novo corte, independente dos fármacos utilizados, criando-se dois grupos especificamente para tal avaliação (Tabela III). O grupo banho + cirurgia apresentou duração muito superior àquela observada no grupo só banho. Não obstante, a intensidade da dor pós-procedimento foi semelhante entre os dois grupos. Portanto, em resposta à dúvida emanada da Figura 3, ficou evidente que a maior determinante da intensidade de dor pós-procedimento foi a extensão de SCQ, em vez da maior duração da sessão de balneoterapia. Outra variável correlacionada com a intensidade da dor pós-procedimento foi o tempo de internação, reflexo do tempo e estágio de evolução da ferida (Figura 4). O grau de satisfação atribuído à anestesia foi de 9,3 ± 1,2, percentil 25 de 9, mediana 10 e refletiu, em grande parte, a intensidade da dor pós-procedimento (Figura 5). O relato de alucinações foi mais frequente quando a cetamina racêmica foi empregada: 35% versus 25% com o emprego da S(+), porém não houve expressão estatística considerando-se os limites da amostra estudada (Tabela I). A ocorrência de alucinações não influenciou o grau de satisfação com a anestesia recebida. DISCUSSÃO De acordo com os objetivos firmados, este estudo definiu algumas importantes características: 1) As quatro diferentes combinações de fármacos estudadas permitiram que a limpeza diária da ferida do grande queimado fosse efetuada de forma segura e efetiva. O acréscimo do fentanil ao midazolam e cetamina S(+) não agregou vantagens à conduta anestésica; 2) Com apenas uma exceção em 200 casos, a dor durante o procedimento foi completamente eliminada. A dor pós-procedimento não variou significativamente de acordo com as diferentes combinações de fármacos estudadas. O acréscimo do fentanil ao midazolam e à cetamina S(+) ou racêmica não melhorou a intensidade da dor pós-procedimento. A extensão da SCQ caracterizou-se como a principal variável determinante da dor pós-procedimento; 3) Houve elevado grau de satisfação dos pacientes com a anestesia recebida. Como praticamente não houve lembrança de dor durante o procedimento, a menor intensidade de dor após a balneoterapia mostrou-se a principal característica que o paciente levou em consideração para definir sua maior satisfação com a anestesia recebida. O acréscimo do fentanil ao midazolam e cetamina S(+) influenciou negativamente o grau de satisfação do grande queimado com a anestesia recebida. A revisão da literatura indica escassez de descrição de técnicas analgésicas ou anestésicas a serem empregadas para a limpeza e curativo das feridas do grande queimado. Acupuntura 10, massagem 11, jogos de realidade virtual 12, hipnose ou outras abordagens psicológicas 13-16 são alternativas descritas. Alfentanil 17, fentanil 18, midazolam 19, propofol 20, 21, sevoflurano 22 e com maior destaque a cetamina 23-24 são fármacos empregados, quase sempre em associação 25. Na amostra estudada não se observou depressão respiratória de importância clínica; contudo deve ser enfatizado que ela ocorre, apesar da baixa frequência, sendo necessário que todo material de monitoração e reanimação esteja prontamente disponível. Na balneoterapia há uma característica muito peculiar: o paciente está invariavelmente descoberto e a observação direta do tórax e dos movimentos respiratórios é sempre facilmente alcançada. Observa-se ser comum a irregularidade dos movimentos torácicos preceder a diminuição da oximetria na identificação de problemas ventilatórios. O oxímetro de pulso sofre constante interferência pela movimentação do paciente durante o banho; pela vasoconstrição periférica, é comum não ser registrada correta leitura do pulso e, consequentemente, o valor numérico da oximetria apresentada não corresponde ao correto. Também por esses motivos, o emprego de outros monitores eletrônicos não é impossível, porém registros regulares e confiáveis de cardioscopia e pressão arterial não invasiva, por exemplo, só serão alcançados com o retardo na dinâmica da balneoterapia. Todo aparato de monitoração previsto em resolução do Conselho Federal de Medicina deve ser rigorosamente observado, tendo, portanto, de estar prontamente disponível; seu emprego efetivo durante o banho do grande queimado dependerá de diversas circunstâncias. É reconhecido que os agonistas opioides μ também desempenham atividade agonista em receptores NMDA 26, o que caracteriza ação oposta à cetamina nesses receptores. A questão não está esclarecida nas referências consultadas; todavia, parece possível que na balneoterapia do grande queimado o fentanil interfira com a ação da cetamina S(+) nos receptores NMDA, interagindo negativamente. Tal interação poderia explicar o melhor grau de satisfação (Kruskal-Wallis, p = 0,01) observado no grupo ISO/sf quando comparado com o ISO/cf. Esses dois grupos foram homogêneos quanto às outras variáveis estudadas que poderiam influenciar a avaliação pós-anestésica. A associação do propofol mostrou-se boa opção quando a dose do midazolam chegava a 0,1 mg.kg-1 e a agitação psicomotora atribuída à cetamina persistia. A excessiva sonolência pós-anestésica que poderia ser provocada por doses maiores do midazolam, retardando o retorno à nutrição, deve ser evitada. A intensidade da dor pós-procedimento diminuiu de acordo com o tempo de internação. Esse fato deve relacionar-se à menor estimulação de nociceptores à medida que a ferida desenvolve tecido de granulação e novo epitélio, ou seja, reduz-se a área cruenta; seria como se houvesse uma redução da SCQ e menor área de ferida a ser limpa. A anestesia empregada permite a prestação do melhor cuidado da ferida, sem que esse cuidado promova dor. Assim, os profissionais envolvidos podem concentrar-se na ferida a ser tratada e, somente assim, tratá-la de forma mais adequada 27. Estudar amostras de pacientes queimados significa estudar grupos de pacientes muito diversos entre si, mesmo quando eles são divididos homogeneamente quanto à idade, sexo, SCQ, tempo de internação, uso de fármacos, etc. O grande queimado apresenta tipicamente evolução dinâmica, na qual um intervalo pequeno de dias pode relacionar-se com marcantes alterações do seu quadro clínico e emocional; a dinâmica da sua fisiopatologia 28 certamente influencia a farmacocinética e a farmacodinâmica dos agentes empregados 5,29. Portanto, a obtenção de grupos semelhantes de pacientes queimados, nos quais apenas os fármacos variam, é muito difícil de ser alcançada. Há de se ter cautela na avaliação dos resultados aqui descritos, considerando-se a inexistência de estudos semelhantes nas bases de dados consultadas (Medline, LILACS, Biblioteca Cochrane); são necessários outros estudos clínicos. Mais especificamente, quanto à possível interação negativa do fentanil com a S(+) cetamina, seria prematuro afirmar tal existência. Todavia, quanto à condução da anestesia na sala de banhos, quanto ao grau de analgesia pós-procedimento e satisfação pela anestesia recebida, pode-se afirmar que o acréscimo do fentanil ao midazolam e à S(+) cetamina não oferece vantagens. Agradecimento: Os autores agradecem aos ex-residentes e médicos em especialização Andréa Barcellos Segatto, Diogo Leite Sampaio, Vágner Sprizão Ponce e Gustavo Cossich de Holanda Sales pela importante colaboração nas visitas pós-anestésicas, o que permitiu a correta avaliação das variáveis estudadas nesse período. Endereço para correspondência: Dr. Fernando Antônio de Freitas Cantinho Rua Professor Fernando Raja Gabaglia, 182/casa 1 Freguesia - Jacarepaguá 22750-660 Rio de Janeiro, RJ E-mail: fhbmcantinho@terra.com.br Apresentado 28 de setembro de 2008 Aceito para publicação em 28 de fevereiro de 2009 * Recebido da CET/SBA do Hospital do Andaraí, Rio de Janeiro, RJ 01. Blot S. Belgian 0utcome in Burn Injury Study Group - Development and validation of a model for prediction of mortality in patients with acute burn injury. Br J Surg 2009;96:111-117. Development and validation of a model for prediction of mortality in patients with acute burn injury Br J Surg 2009 111 117 96 Blot S 02. Gomez M, Wong DT, Stewart TE et al. - The FLAMES score accurately predicts mortality risk in burn patients. J Trauma 2008;65:636-645. The FLAMES score accurately predicts mortality risk in burn patients J Trauma 2008 636 645 65 Gomez M Wong DT Stewart TE 03. 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METHODS: After approval by the Ethics Commission, 200 procedures of balneotherapy in 87 major burn adult patients were evaluated. Midazolam was used in all cases. The vials of ketamine were numbered and, therefore, at the time of the use, one did not know whether racemic or S(+)ketamine was being used. Each morning it was decided by drawing lots whether fentanyl would be used or not in the procedures of that day. Patients were included in one of four groups: ISO/sf (S(+) isomer without fentanyl), ISO/cf (S(+) isomer with fentanyl), RAC/sf (racemic ketamine without fentanyl), and RAC/cf (racemic ketamine with fentanyl). The initial doses proposed were as follows: midazolam, 0.06 mg.kg-1; ketamine, 1.0 to 1.1 mg.kg-1; and fentanyl, 0.8 ¼g.kg1-1; additional doses were administered as needed. RESULTS: Only one patient recalled the pain of balneotherapy. In the group that received S(+)ketamine, the use of fentanyl did not bring additional advantages; however, when associated with racemic ketamine, fentanyl reduced the total dose and the number of ketamine boluses. The extension of body surface burned was the main determinant of the severity of post-procedure pain. Reduced pain severity was the main factor considered by patients when grading their satisfaction with the anesthesia. CONCLUSIONS: The four different drug combinations proved to be safe and guaranteed the absence of pain during balneotherapy. Characteristics not directly related to the anesthetics proved to be more important in the incidence of post-procedure pain, which was the main factor considered by major burn patient to define their satisfaction with the anesthesia used. ANALGESICS DISEASES THERAPY SCIENTIFIC ARTICLE Assessment of the use of racemic ketamine and its S(+)isomer, associated or not with low doses of fentanyl, in balneotherapy for major burn patients* Evaluación de la cetamina racémica y del isómero S(+), asociados o no a bajas dosis de fentanil, en la balneoterapia del gran quemado Fernando Antônio de Freitas Cantinho, TSA, M.D.I; Antonio Carlos Pereira da Silva, TSA, M.D.II IInstrutor Corresponsável CET/SBA Dr. Rodrigo Gomes Ferreira IIEx-Instrutor Responsável pelo CET/SBA Dr. Rodrigo Gomes Ferreira Correspondence to SUMMARY BACKGROUND AND OBJECTIVES: The care of the wounds of major burn patients triggers severe painful stimuli. The objective of this study was to assess the safety and efficacy of different drug combinations in anesthesia for balneotherapy. METHODS: After approval by the Ethics Commission, 200 procedures of balneotherapy in 87 major burn adult patients were evaluated. Midazolam was used in all cases. The vials of ketamine were numbered and, therefore, at the time of the use, one did not know whether racemic or S(+)ketamine was being used. Each morning it was decided by drawing lots whether fentanyl would be used or not in the procedures of that day. Patients were included in one of four groups: ISO/sf (S(+) isomer without fentanyl), ISO/cf (S(+) isomer with fentanyl), RAC/sf (racemic ketamine without fentanyl), and RAC/cf (racemic ketamine with fentanyl). The initial doses proposed were as follows: midazolam, 0.06 mg.kg-1; ketamine, 1.0 to 1.1 mg.kg-1; and fentanyl, 0.8 μg.kg1-1; additional doses were administered as needed. RESULTS: Only one patient recalled the pain of balneotherapy. In the group that received S(+)ketamine, the use of fentanyl did not bring additional advantages; however, when associated with racemic ketamine, fentanyl reduced the total dose and the number of ketamine boluses. The extension of body surface burned was the main determinant of the severity of post-procedure pain. Reduced pain severity was the main factor considered by patients when grading their satisfaction with the anesthesia. CONCLUSIONS: The four different drug combinations proved to be safe and guaranteed the absence of pain during balneotherapy. Characteristics not directly related to the anesthetics proved to be more important in the incidence of post-procedure pain, which was the main factor considered by major burn patient to define their satisfaction with the anesthesia used. Keywords: ANALGESICS: ketamine; DISEASES: burns; THERAPY: balneotherapy. RESUMEN JUSTIFICATIVA Y OBJETIVOS: El cuidado de la herida del gran quemado desencadena un estímulo doloroso muy intenso. Este estudio tuvo el objetivo de evaluar la seguridad y la eficacia de diferentes combinaciones de fármacos en la anestesia para balneoterapia. MÉTODO: Con la aprobación del Comité de Ética, fueron estudiados 200 procedimientos de balneoterapia en 87 grandes quemados adultos. En todos los casos se usó el midazolam. Se utilizaron frascos numerados de la cetamina, y cuando se usaron no se sabía si era racémica o S (+). Todas las mañanas, se hacía el sorteo para saber si los procedimientos de ese día serían comandados por el fentanil o no. Quedaron establecidos cuatro grupos: ISO/sf (isómero S(+) sin el fentanil), ISO/cf (isómero S(+) con el fentanil), RAC/sf (cetamina racémica sin el fentanil) y RAC/cf (cetamina racémica con el fentanil). Las dosis iniciales propuestas fueron: midazolam 0,06 mg.kg-1, cetamina 1,0 a 1,1 mg.kg-1, fentanil 0,8 μg.kg-1; las dosis adicionales se administraban conforme a lo necesario. RESULTADOS: En solo un caso hubo recuerdo de dolor durante la balneoterapia. En el grupo que recibió la cetamina S(+), la añadidura del fentanil no mostró ventajas. Asociado a la forma racémica, el fentanil redujo la dosis total y el número de bolo de la cetamina. La extensión de la superficie corporal quemada fue el principal determinante de la intensidad de dolor posprocedimiento. La menor intensidad de dolor posprocedimiento, fue el principal factor considerado por el paciente para su satisfacción por la anestesia recibida. CONCLUSIONES: Las cuatro diferentes combinaciones de fármacos fueron seguras y permitieron la ausencia de dolor durante la balneoterapia. Las características no vinculadas directamente a los anestésicos, tuvieron una mayor importancia en la definición del dolor posprocedimiento, que fue la principal característica considerada por el gran quemado para definir su satisfacción con la anestesia recibida. INTRODUCTION The daily treatment of major burn patients is challenging. Burn accidents affect different population groups regarding age, gender, race, social group, and associated diseases. When studying and treating burn patients, one has to deal with different variables. Advanced age, larger extension and depth of the thermal lesion, and burns of the airways are some of the characteristics that increase mortality 1,2. Patients with the worse prognosis develop severe dysfunctions of one or more organs and systems 3. Effective treatment of major burn patients requires multi- and interdisciplinary work, preferentially in a Burn Unit (BU). The inclusion of Anesthesiology among those disciplines is useful and fundamentally important in several steps of treatment. Besides the variability of response to pain among humans, it is especially difficult to estimate its severity in burn patients 4. Pain varies according to the degree of the dermal lesion, and it may even be absent in areas of deeper damage due to the destruction of nociceptive receptors 5. It is well known that the proper approach to pain can reduce the incidence of post-traumatic stress disorder in those patients 6. The balneotherapy performed in the study patients goes beyond the simple change of dressings and cleaning of the wound: anesthesia is administered at the moment of the daily bath of major burn patients. With the patient lying on a steel bunk, the entire body surface, burned or not, is cleaned with running water and cleaning solution. The wounds are also frequently debrided. The use of anesthesia allows the staff to carry out other procedures that would otherwise be painful, such as physical therapy, drainage of abscesses, skin biopsy, and removal of stitches. The intensity of the painful stimulus caused by treating a burn wound is comparable to that of surgical procedures. Consequently, techniques based just on hypnotics and opioids that do not require ventilatory support do not provide adequate analgesia in different treatment phases and circumstances. Since burn wounds require almost daily care, the expectation of pain is a greater problem than the pain itself 7,8. The objective of the present study was to complement a prior study9 and to assess: 1) the efficacy and safety of four different drug combinations in balneotherapy of major burn patients; 2) pain severity during and after the procedures, as well as to identify the most important variables that affect its severity; 3) the degree of satisfaction of major burn patients with the anesthesia and to identify the variables patients considered more important in the determination of their satisfaction. METHODS After approval by the Ethics on Research Committee, 234 anesthetic procedures for balneotherapy in 87 patients awake and oriented, ages 18 to 64 years admitted to the Burn Unit (BU), were evaluated in this prospective double-blind study. Thirty-four cases were excluded due to irregularities in post-anesthetic records; therefore, the results refer to 200 cases. Both genders were included in this study, and burns were caused by different agents and circumstances and were of different depths and extension. The procedures were performed in the morning, in the bathroom located in the BU, and patients were fasting for at least six hours. Exclusion criteria included cardiovascular instability requiring vasoactive drugs, respiratory failure with mechanical ventilation, and incapacity of the patient to provide the information required by the post-anesthetic evaluation. While the patient was brought to the bathroom and prepared by the nursing staff, the anesthesiologist and the BU physician exchanged information regarding the patient clinical condition. The patient was observed in order to determine whether a venous access was present or if a new one was necessary for administration of fluids and drugs. The pulse oximeter (SpO2) was the only electronic monitor used regularly. Only intravenous drugs were used in anesthesia for balneotherapy. The initial doses of those drugs were based on a prior study9. Midazolam was administered to all patients at an initial dose of 0.06 mg.kg-1. Each morning it was decided by drawing lots whether fentanyl would be used in the procedures carried out that day; when used, the initial dose of fentanyl was 0.8 μg.kg-1. Ketamine was provided in numbered vials, in concentrations of 50 mg.mL-1, and, therefore, the chemical form used - racemic or the S(+) isomer - was unknown. The initial dose of ketamine was 1.0 mg.kg-1 when used along with fentanyl, and 1.1 mg.kg-1 when the opioid was not used. During anesthesia maintenance, boluses of midazolam and/or ketamine were administered according to the manifestations of agitation or pain, respectively. Whenever the total dose of midazolam reached 0.1 mg.kg-1, and if the patient remained agitated, which was attributed to ketamine, propofol at an initial dose of 0.4 mg.kg-1 was used, and further doses were equal or lower than the initial dose, according to the response of the patient. Since midazolam was used in all patients, they were divided in four groups according to the chemical form of ketamine used and whether it was associated with fentanyl or not: ISO/sf (S(+) isomer without fentanyl), ISO/cf (S(+) isomer with fentanyl), RAC/sf (racemic ketamine without fentanyl), and RAC/cf (racemic ketamine with fentanyl). Afterwards, to identify among two variables which one had greater influence on pain severity after balneotherapy the same sample of 200 cases was further divided in two new groups, regardless of the drugs used. The balneotherapy group (n = 156) included patients who underwent daily cleaning of their wounds and bath. In the balneotherapy + surgery group (n = 44), small surgical procedures, such as debridement (n = 39), drainage of abscesses, and removal of autografts stitches were performed. Dypirone 30 mg.kg-1 was administered to all patients during balneotherapy for post-anesthetic analgesia. Post-anesthetic evaluation was carried out in the afternoon by a physician who did not participate in the anesthesia and, therefore, was unaware of the drugs used in the morning. Age, weight, gender, burned surface area (BSA), length of hospitalization, duration of the procedure, doses of anesthetic agents used, and the need to use propofol were the parameters evaluated. The following parameters were investigated in the post-anesthetic evaluation: recollection of the pain during balneotherapy, pain severity after the procedure (VAS - visual analogue scale), recollection of dreams or hallucinations experienced during anesthesia, and patient satisfaction (on a 1 to 10 scale) with the anesthesia received that day. The study protocol did not determine parameters to be suggested to the patient to grade their satisfaction; they answered freely when questioned about their degree of satisfaction with the anesthesia received each day during the study. Afterwards, the investigators compared patient satisfaction with the other parameters to identify which one of them better correlated with the definition of satisfaction by the patient. Printed records were transcribed to the data bank developed in the Epi Info 6 software, the same software version 3.5 (June 2008) was used to analyze the data. Parametric data are presented as mean ± standard deviation and Analysis of Variance (ANOVA) was used to compare them; whenever the Bartlett test indicated that variances were not homogeneous, the Kruskal-Wallis test was used. The Chi-square test was used for non-parametric data. A p < 0.05 was considered as statistically significant. RESULTS Table I shows the data regarding gender, age, weight, SAB, duration of the procedures, length of hospitalization, percentage of patients who reported hallucinations, and patient satisfaction with the anesthesia. Table II shows the total dose of midazolam and ketamine, the number of boluses of those drugs, and the percentage of cases that required propofol and the total dose used. By comparing both groups, RAC/sf and RAC/cf, it was evident that the use of fentanyl decreased the number of boluses and the total dose of racemic ketamine. When the S(+) isomer was used, fentanyl did not reduce the total dose and the number of boluses of ketamine, it did not decrease pain severity after the procedure, and it decreased patient satisfaction with the anesthesia. All four different anesthetic combinations proved to be safe and effective. A reduction in SpO2 below 90% or respiratory depression requiring ventilatory support with positive pressure was not observed. Cardiovascular instability or any other systemic imbalance related to anesthesia was not observed either. Only one patient recalled the pain during balneotherapy: a 28 years old patient in the RAC/sf group with 50% SAB, who had been hospitalized for nine days said during the post-anesthetic evaluation that during balneotherapy he experienced, for a short while, pain grade 10 in the VAS. He also noticed that more anesthetic was administered, which was followed by immediate loss of consciousness; according to him, the VAS after balneotherapy was equal to four and patient satisfaction equal to seven. Pain severity after balneotherapy varied considerably among the patients (Figure 1); differences among the four study groups were not observed. Greater SAB is associated with larger wound area and, therefore, balneotherapy tends to last longer. This tendency was confirmed in the study population (Figure 2). It was observed that longer procedures (Figure 3A) and larger SAB (Figure 3B) were associated with higher degrees of pain after the procedure. We tried to identify which of the two parameters was more important in determining an increase in pain severity. For such, the same 200 cases were divided again, regardless of the drugs used, in two groups specifically for this assessment (Table III). The procedure lasted longer in the bath + surgery group than in the bath group, but pain severity after the procedure was similar in both groups. Therefore, it was evident that the extension of SAB was a greater determinant of pain severity after the procedure. The length of hospitalization, a reflection of the time and stage of wound evolution (Figure 4), was another parameter related with pain severity after the procedure. Patient satisfaction with the anesthesia was 9.3 ± 1.2, the 25th percentile 9, and median of 10, and for the most part reflected pain severity after the procedure (Figure 5). Hallucinations were more frequent when racemic ketamine was used: 35% versus 25% with the S(+) isomer; however, considering the limitations of the study population, this was not statistically significant (Table I). The presence of hallucinations don't cause an adverse effect on patient satisfaction. DISCUSSION According to the objectives of the study, important characteristics were defined: 1) All four different drug combinations allowed the safe and effective cleaning of the wounds of major burn patients. Adding fentanyl to midazolam and S(+)ketamine did not bring further benefits; 2) With only one exception among 200 cases, pain during the procedure was completely eliminated. Pain after the procedure did not vary significantly among the four groups. Adding fentanyl to midazolam and S(+)-ketamine or racemic ketamine did not decrease pain severity after the procedure any further. The extension of SAB was the main determinant of post-procedural pain; and 3) Patients showed a high degree of satisfaction with the anesthesia received. Since pain recollection was almost completely absent, reduced pain severity after balneotherapy was the main factor to determine patient satisfaction. The addition of fentanyl to midazolam and S(+)ketamine had a negative influence in patient satisfaction. A review of the literature indicated that descriptions of analgesic or anesthetic techniques employed for wound cleaning and dressing changes in major burn patients are rare. Among the alternatives described we can mention acupuncture 10, massage 11, virtual reality games 12, and hypnosis or other psychological approaches 13-16. Among the drugs used more often, and almost always in associations 25, we can mention alfentanil 17, fentanyl 18, midazolam 19, propofol 20,21, sevoflurane 22, and, especially, ketamine 23-24. Clinically important respiratory depression was not observed in the study population; however, it should be emphasized that, despite the low incidence, it does happen and, therefore, all monitoring and resuscitation equipment should be readily available. Balneotherapy has a peculiar characteristic: the patient is invariably naked, facilitating direct observation of the thorax and respiratory movements. Irregular thoracic movements frequently precede a reduction in oxygenation, which helps to identify respiratory problems. The pulse oximeter is constantly affected by interferences caused by patient mobilization during the bath; and peripheral vasoconstriction leads to incorrect pulse readings and consequently the numeric value of oximetry shown does not reflect the status of the patient. For those reasons, the use of other electronic monitors is not impossible; however, regular and reliable cardioscope and non-invasive blood pressure readings, for example, can only be obtained with a delay in the dynamics of balneotherapy. All monitoring apparatuses foreseen in the resolution of the Federal Medical Board should be strictly observed and should, therefore, be readily available; the effective use of said apparatus during the bath of major burn patients depends on several circumstances. It is well known that μ opioid agonists have agonist activity in NMDA receptors 26, characterizing an opposite effect to that of ketamine in those receptors. This question was not resolved in the references consulted; however, it seems possible that, in balneotherapy for major burn patients, fentanyl interferes with the actions of S(+)ketamine on NMDA receptors with a negative interaction. Such interaction could explain the higher patient satisfaction (Kruskal-Wallis, p = 0.01) observed in the ISO/sf group when compared with the ISO/cf group. Those two groups were homogeneous regarding other parameters studied that could influence post-anesthetic evaluation. The use of propofol when the psychomotor agitation attributed to ketamine persisted and the total dose of midazolam reached 0.1 mg.kg-1 proved to be a good choice. Excessive post-anesthetic somnolence caused by higher doses of midazolam, which can delay the return to regular feeding, should be avoided. The severity of pain after the procedure decreased as a function of the length of hospitalization. This is possibly due to the decreased stimulation of nociceptors as the wound develops granulation tissue and new epithelium, i.e., the size of the crude area is reduced; this represents a reduction of SAB and a smaller wound area to be cleaned. The anesthesia used allowed better wound care without promoting the development of pain. Thus, the professionals involved can concentrate in the wound to be treated, providing adequate wound care 27. Studying populations of burn patients means to study a diverse group of patients even when they are homogeneously divided according to age, gender, SAB, length of hospitalization, use of drugs, and etc. Major burn patients typically present dynamic evolution in which a short interval, of a few days, can be associated with marked clinical and emotional changes; the pathophysiological dynamics 28 most certainly influences the pharmacokinetics and pharmacodynamics of the drugs used 5,29. Therefore, it is very difficult to obtain similar groups of burn patients in which only the drugs vary. Considering the lack of similar studies in the database consulted (Medline, LILACS, Cochrane Library), one should use caution when evaluating the results described here; further clinical studies are necessary. More specifically, it would be premature to state that there is a possible negative interaction between fentanyl and S(+)ketamine. However, regarding the anesthesia in the bathroom, the degree of post-procedure analgesia, and patient satisfaction with the anesthesia, one can say that the addition of fentanyl to midazolam and S(+)ketamine does not offer further advantage. Acknowledgements: The authors would like to acknowledge the help of former residents and fellows Andréa Barcellos Segatto, Diogo Leite Sampaio, Vágner Sprizão Ponce e Gustavo Cossich de Holanda Sales for their collaboration on the post-anesthesia evaluations, which allowed for the correct assessment of the parameters studied. REFERENCES
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