Objetivo Avaliar a associação entre fatores sociodemográficos, presença de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas e tipos de morte jurídica ocorridas no estado do Ceará
Métodos Estudo transversal, realizado com base em dados de necropsia e exames toxicológicos em vítimas de casos registrados pela Perícia Forense do Ceará, entre 2015 e 2019.
Resultados Foram avaliados 4.198 casos; 55,6% foram positivos para substâncias lícitas e/ou ilícitas, com maior frequência de benzodiazepínicos (22,4%) e cocaína (21,7%), no sexo masculino (45,0%), adultos jovens (58,7%), solteiros (49,0%) e com baixa escolaridade (52,8%). Os benzodiazepínicos (29,5%) e antidepressivos tricíclicos (15,6%) foram associados a suicídios; cocaína (28,1%) e maconha (27,1%), a homicídios; e cocaína (28,2%) e antidepressivos tricíclicos (5,9%), às mortes suspeitas.
Conclusão Fatores sociodemográficos se associaram ao uso de substâncias psicoativas com tipos de morte. Benzodiazepínicos e cocaína foram as substâncias mais frequentes em casos de suicídio e homicídio, respectivamente.
Palavras-chave
Violência; Toxicologia Forense; Medicina Legal; Drogas de Abuso; Mortalidade; Estudo Transversal
Principais resultados A presença de cocaína e maconha se associaram a maior risco de homicídios, enquanto os benzodiazepínicos e os antidepressivos tricíclicos se associaram a maior risco de suicídios.
Implicações para os serviços O estudo enfatiza a necessidade de políticas preventivas contra o uso de drogas, bem como tratamento e reinserção de usuários, e medidas de segurança para redução da violência, visando à saúde pública e à justiça social.
Perspectivas Estudos adicionais são necessários para avaliar a causalidade entre substâncias psicoativas e mortes violentas.