Open-access O reforço da vigilância epidemiológica na atenção primária à saúde no combate à hanseníase: reflexões da doença no contexto brasileiro, 2025

Resumo

Não se aplica

Palavras-chave
Hanseníase; Serviços de Vigilância Epidemiológica; Centros de Saúde; Atenção Primária à Saúde; Epidemiologia

Abstract

Not applicable.

Keywords
Hansen’s disease; Epidemiologic Surveillance Services; Health Centers; Primary Health Care; Epidemiology

O estudo de Barros (1) traz dados robustos e ricos em detalhes que alertam para o cenário da hanseníase no Brasil e o cumprimento do plano estratégico do Ministério da Saúde para enfrentamento à hanseníase no período 2024-2030. No estudo, verifica-se que, de fato, houve redução dos números, das proporções e das taxas de detecção da doença no Piauí (1). No entanto, se considerarem as especificidades e a complexidade da hanseníase, é relevante fazer algumas reflexões sobre esses resultados.

A taxa média de detecção anual de casos novos de hanseníase no Piauí foi de 36,5/100 mil habitantes. No Brasil, essa taxa foi de 9,67/100 mil habitantes, sendo superior para casos novos de hanseníase multibacilar (22,5/100 mil habitantes). Esse achado representou risco de manutenção da endemicidade da doença, visto que os casos multibacilares constituem o grupo disseminador da doença, caso não estejam sendo tratados (2).

Segundo os resultados de Barros (1), apesar de haver tendência decrescente para detecção de novos casos de hanseníase em menores de 15 anos de idade, essa taxa ainda é de 10,7/100 mil habitantes. Esse índice chama a atenção, considerando-se os preceitos da Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate à doença, a qual estabelece que a existência de casos novos de hanseníase em pessoas com menos de 15 anos indica continuidade da cadeia de transmissão (3).

Se considerarem os achados de Barros (1), estudo no qual as taxas de incidência de novos casos de hanseníase estão presentes, pode significar um grande desafio para a saúde pública, não apenas do Piauí, mas sim de todo o país, que pode se distanciar da missão de certificar-se como “Um Brasil sem hanseníase”.

Globalmente, as principais estratégias para o enfrentamento da hanseníase são a implementação de pesquisas básicas sobre a doença, a garantia do fornecimento de medicamentos, o enfretamento ao estigma e à discriminação e a manutenção da capacidade de detectar casos novos de hanseníase na Atenção Primparia à Saúde (APS) (4).

Uma das primeiras estratégias a ser considerada nesse contexto é compreender que não há resposta oportuna e imediata à hanseníase, caso se mantenha a vigilância epidemiológica desintegrada das unidades básicas de saúde, lugar onde se faz a identificação, testagem e oferta de tratamento a esses pacientes.

No combate à hanseníase, os gestores de saúde poderiam instituir, nos serviços de APS, núcleos de epidemiologia com profissionais responsáveis pelo processo de investigação, tratamento e desfecho dessa doença. Sem dúvidas, essa iniciativa traria ao Brasil o status de situação não endêmica preconizado pela OMS.

Referências bibliográficas

  • 1 Barros ICA, Sousa CCM, Silva NRF, Mascarenhas MDM. Characterization of cases and epidemiological and operational indicators of leprosy: analysis of time series and spatial distribution, Piauí state, Brazil, 2007-2021. Epidemiol Serv Saude. 2024;33:e2023090.
  • 2 Lastória JC, Abreu MAMM. Leprosy: review of the epidemiological, clinical, and etiopathogenic aspects – Part 1. An Bras Dermatol. 2014;89(2):205-18.
  • 3 Brasil. Ministério da Saúde. Estratégia Nacional para Enfrentamento à Hansen’siase 2024-2030 [Internet]. 1. ed. Brasília: MS; 2024 [cited 2025 May 16]. 62 p. Available from: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/Hansen’siase/estrategia-nacional-para-enfrentamento-a-Hansen’siase-2024-2030/view
    » https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/Hansen’siase/estrategia-nacional-para-enfrentamento-a-Hansen’siase-2024-2030/view
  • 4 World Health Organization. Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy. New Delhi: WHO; 2017. 106 p.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    04 Ago 2025
  • Data do Fascículo
    2025
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