Scielo RSS <![CDATA[Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0004-273020110008&lang= vol. 55 num. 8 lang. <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Pediatric Endocrinology 2011</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800001&lng=&nrm=iso&tlng= <![CDATA[<b>Clinical and molecular aspects of congenital isolated hypogonadotropic hypogonadism</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800002&lng=&nrm=iso&tlng= O hipogonadismo hipogonadotrófico isolado (HHI) congênito caracteriza-se pela falta completa ou parcial de desenvolvimento puberal em decorrência de defeitos na migração, síntese, secreção ou ação do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH). Baixas concentrações de esteroides sexuais e valores reduzidos ou inapropriadamente normais de gonadotrofinas hipofisárias (LH e FSH) definem, do ponto de vista laboratorial, essa condição clínica. A secreção dos demais hormônios hipofisários encontra-se normal, bem como a ressonância magnética de região hipotalâmica-hipofisária, demonstrando a ausência de uma causa anatômica. Alterações olfatórias, como anosmia ou hiposmia, podem estar associadas ao HHI, caracterizando a síndrome de Kallmann. Uma lista crescente de genes está envolvida na etiologia do HHI, sugerindo a heterogeneidade e a complexidade da base genética dessa condição. Distúrbios na rota de migração dos neurônios secretores de GnRH e dos neurônios olfatórios formam a base clínico-patológica da síndrome de Kallmann. Mutações nos genes KAL1, FGFR1/FGF8, PROK2/PROKR2, NELF, CHD7, HS6ST1 e WDR11 foram associadas a defeitos de migração neuronal, causando a síndrome de Kallmann. É notável que defeitos nos genes FGFR1, FGF8, PROKR2, CHD7 e WDR11 foram também associados ao HHI sem alterações olfatórias (HHI normósmico), porém em menor frequência. Adicionalmente, defeitos nos KISS1R, TAC3/TACR3 e GNRH1/GNRHR foram descritos exclusivamente em pacientes com HHI normósmico. Neste trabalho, revisaremos as características clínicas, hormonais e genéticas do HHI.<hr/>Congenital isolated hypogonadotropic hypogonadism (IHH) is characterized by partial or complete lack of pubertal development due to defects in migration, synthesis, secretion or action of gonadotropin-releasing hormone (GnRH). Laboratory diagnosis is based on the presence of low levels of sex steroids, associated with low or inappropriately normal levels of pituitary gonadotropins (LH and FSH). Secretion of other pituitary hormones is normal, as well magnetic resonance imaging of the hypothalamohypophyseal tract, which shows absence of an anatomical defects. When IHH is associated with olfactory abnormalities (anosmia or hyposmia), it characterizes Kallmann syndrome. A growing list of genes is involved in the etiology of IHH, suggesting the heterogeneity and complexity of the genetic bases of this condition. Defects in olfactory and GnRH neuron migration are the etiopathogenic basis of Kallmann syndrome. Mutations in KAL1, FGFR1/FGF8, PROK2/PROKR2, NELF, CHD7, HS6ST1 and WDR11 are associated with defects in neuronal migration, leading to Kallmann syndrome. Notably, defects in FGFR1, FGF8, PROKR2, CHD7 and WDR11 are also associated with IHH, without olfactory abnormalities (normosmic IHH), although in a lower frequency. Mutations in KISS1R, TAC3/TACR3 and GNRH1/GNRHR are described exclusively in patients with normosmic IHH. In this paper, we reviewed the clinical, hormonal and genetic aspects of IHH. <![CDATA[<b>New perspectives in the diagnosis of pediatric male hypogonadism</b>: <b>the importance of AMH as a Sertoli cell marker</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800003&lng=&nrm=iso&tlng= Sertoli cells are the most active cell population in the testis during infancy and childhood. In these periods of life, hypogonadism can only be evidenced without stimulation tests, if Sertoli cell function is assessed. AMH is a useful marker of prepubertal Sertoli cell activity and number. Serum AMH is high from fetal life until mid-puberty. Testicular AMH production increases in response to FSH and is potently inhibited by androgens. Serum AMH is undetectable in anorchidic patients. In primary or central hypogonadism affecting the whole gonad and established in fetal life or childhood, serum AMH is low. Conversely, when hypogonadism affects only Leydig cells (e.g. LHβ mutations, LH/CG receptor or steroidogenic enzyme defects), serum AMH is normal or high. In pubertal males with central hypogonadism, AMH is low for Tanner stage (reflecting lack of FSH stimulus), but high for the age (indicating lack of testosterone inhibitory effect). Treatment with FSH provokes an increase in serum AMH, whereas hCG administration increases testosterone levels, which downregulate AMH. In conclusion, assessment of serum AMH is helpful to evaluate gonadal function, without the need for stimulation tests, and guides etiological diagnosis of pediatric male hypogonadism. Furthermore, serum AMH is an excellent marker of FSH and androgen action on the testis.<hr/>As células de Sertoli são a população de células mais ativa nos testículos durante a primeira e segunda infância. Neste período, o hipogonadismo só pode ser evidenciado sem o uso de testes estimulatórios se a função das células de Sertoli for avaliada. O AMH é um marcador útil do número e da atividade das células de Sertoli no período pré-puberal. A concentração sérica de AMH é alta da metade da vida fetal até a metade da puberdade. A produção de AMH pelos testículos aumenta em resposta ao FSH e é potencialmente inibida por androgênios. O AMH sérico não é detectável em pacientes anorquídicos. No hipogonadismo central ou primário afetando a gônada inteira, ou estabelecido na vida fetal ou infância, a concentração de AMH sérica é baixa. Por outro lado, quando o hipogonadismo afeta apenas as células de Leydig (por exemplo, nas mutações, LHβ, defeitos do receptor de LH/CG ou das enzimas esteroidogênicas), a concentração de AMH sérico é normal ou alta. Em meninos púberes com hipogonadismo central, a concentração de AMH é baixa para o estágio na escala de Tanner (refletindo a falta de estímulo pelo FSH), mas alta para a idade (indicando a falta do efeito inibidor da testosterona). O tratamento com FSH provoca um aumento do AMH sérico, enquanto a administração de hCG aumenta os níveis de testosterona, que fazem a downregulation do AMH. Em conclusão, a concentração sérica de AMH é útil na avaliação da função gonadal, excluindo a necessidade de testes estimulatórios, e direciona o diagnóstico etiológico do hipogonadismo pediátrico masculino. Além disso, o AMH sérico é um marcador excelente da ação do FSH e dos androgênios nos testículos. <![CDATA[<b>Therapeutic update on the treatment of craniopharyngiomas</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800004&lng=&nrm=iso&tlng= O craniofaringioma é uma neoplasia de natureza benigna, pouco frequente, responsável por 1% a 3% de todos os tumores intracranianos, sendo a mais frequente neoplasia intracraniana não neuroepitelial na criança. Geralmente o tumor é restrito à região selar e ao III ventrículo, mas, em decorrência da infiltração e frequente aderência ao sistema nervoso central, apresenta comportamento clínico muitas vezes desfavorável, sendo classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como grau I, caracterizado como tumor de baixo ou incerto potencial de malignização. As sequelas endocrinológicas ganham destaque devido ao importante impacto na qualidade de vida dos pacientes, na maioria das vezes crianças. O hipopituitarismo e a obesidade hipotalâmica são complicações frequentes, sendo o tratamento desse tumor um grande desafio para endocrinologistas e neurocirurgiões. A combinação da cirurgia, radioterapia e aplicação de drogas e radioisótopos intratumorais tem como objetivo maximizar as chances de cura e tentar minimizar as sequelas pós-operatórias, mas, mesmo assim, a recidiva ainda é frequente. A escolha da modalidade de tratamento mais adequado para os craniofaringiomas é uma decisão difícil e que deve sempre ser individualizada para cada paciente. Com o objetivo de explorar as múltiplas opções terapêuticas para o craniofaringioma, foi realizada revisão na literatura com ênfase nas possibilidades terapêuticas e complicações inerentes ao tratamento dessa patologia.<hr/>Craniopharyngioma is an uncommon benign neoplasm, accounting for 1%-3% of all intracranial tumors, and the most common non-neuroepithelial intracranial neoplasm in childhood. Usually, the tumor is confined to the sellar region and the third ventricle, but due to frequent infiltration and adherence to the central nervous system, it often has an unfavorable clinical behavior. Therefore, it is classified by the World Health Organization (WHO) as a tumor of low or uncertain malignant potential. Endocrine after effects, mainly hypothalamic hypopituitarism, obesity and diabetes insipidus are highlighted due to their important impact on the quality of life of patients, mostly children. Optimal treatment of this tumor is a major challenge for neurosurgeons and endocrinologists. The combination of surgery, radiation, and application of radioisotopes and intratumoral drugs, aims at maximizing the chances of cure with minimal complications. Yet, recurrence is still frequent. Choosing the best treatment modality for craniopharyngiomas is a difficult decision, and it should always be specific for each case. In order to explore the multiple therapeutic options for craniopharyngiomas, we reviewed the literature with emphasis on the therapeutic possibilities and complications inherent to the treatment of this disease. <![CDATA[<b>Current situation of neonatal screening for congenital hypothyroidism</b>: <b>criticisms and perspectives</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800005&lng=&nrm=iso&tlng= O hipotireoidismo congênito (HC) é uma das causas mais frequentes de deficiência mental passível de prevenção. Esforços devem ser utilizados na sua detecção e no tratamento precoces. O atraso no diagnóstico e no tratamento resultará em sequela neurocognitiva. A triagem neonatal mudou a evolução natural dessa enfermidade. O nível de corte do TSH utilizado é 10 mUI/l. No Brasil, a triagem neonatal é realizada há três décadas. Atualmente todos os estados brasileiros e o Distrito Federal a realizam. Analisando os últimos dados do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), observamos que existe uma diferença enorme entre os Serviços de Referência nos vários estados. A cobertura do PNTN é de 81,61% dos recém-nascidos. Apenas 56,94% colheram a amostra até sete dias de vida. Os tempos médios da coleta até a chegada da amostra ao laboratório, da realização da dosagem do TSH, da liberação do resultado e reconvocação das crianças suspeitas estão fora do preconizado, culminando numa idade média de início de tratamento muito acima da ideal. Isso resulta na impossibilidade de cumprimento do principal objetivo da triagem, que é o início precoce do tratamento para a prevenção de sequelas. Estudos recentes têm sugerido mudança do nível de corte do TSH para 6 mUI/l para reduzir os falso-negativos. Medidas devem ser adotadas para que os índices ideais do PNTN sejam atingidos.<hr/>Congenital hypothyroidism (CH) is one of the most common treatable causes of mental retardation. Efforts should be done in its early detection and treatment. Delays in diagnosis and treatment will result in impaired neurocognitive outcomes. Neonatal screening changed the natural history of this disease. The cutoff value for TSH is 10 mUI/L. In Brazil, neonatal screening has been done for three decades. Currently, it is performed in all Brazilian States and the Brazilian Federal District. Looking at recent data on the National Program for Neonatal Screening (NPNS) we can see a huge difference in the results among Brazilian States. NPNS involved 81.61% of the newborns. Only in 56.94% of the cases, samples were collected from newborns up to 7 days of life. Mean time of collection to arrival of the specimen in the lab, TSH determination, release of results and summoning the patient are far longer than the ideal times, causing a delay in early treatment to prevent neurological sequelae. Recent studies have suggested that changing TSH cutoff values to 6 mUI/L may reduce false negative results. Strategies should be adopted to achieve the goals established by the NPNS. <![CDATA[<b>Growth of preterm-born children</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800006&lng=&nrm=iso&tlng= Crianças nascidas prematuras podem passar por um período de restrição do crescimento logo após o nascimento. A normalização do crescimento tem início nos primeiros meses de vida, podendo ocorrer de forma lenta e progressiva. Muitas vezes essas crianças mantêm-se mais baixas e com menor peso durante toda a infância quando comparadas àquelas nascidas a termo. Em alguns casos, a recuperação completa só ocorre na adolescência. Entretanto, algumas crianças não conseguem recuperar totalmente o ganho de peso e altura, e adultos nascidos prematuros apresentam maior risco de baixa estatura. O comprometimento do crescimento é mais significativo naquelas nascidas prematuras e pequenas para a idade gestacional. Fatores como estatura-alvo, peso ao nascimento, idade gestacional, intercorrências neonatais e escolaridade materna interferem no potencial de crescimento. Especial atenção deve ser dada aos nascidos prematuros durante todo o período de crescimento.<hr/>Children born prematurely might experience a period of growth restriction just after birth. Catch-up growth begins during the first months of life and can be slow and progressive. These children may remain shorter and thinner throughout infancy and childhood compared to children born at term. In some cases, complete catch-up growth occurs only during adolescence. However, some children do not completely recover growth, and adults born prematurely are at increased risk of short stature. Impaired growth is more frequent in those born preterm and small for gestational age. Factors such as target height, birth weight, gestational age, neonatal morbidities and maternal education interfere in growth potential. Special attention should be given to children born preterm during the whole growth period. <![CDATA[<b>Mutations in insulin-like growth factor receptor 1 gene (<i>IGF1R</i>) resulting in intrauterine and postnatal growth retardation</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800007&lng=&nrm=iso&tlng= Aproximadamente 10% das crianças nascidas pequenas para a idade gestacional (PIGs) não apresentam recuperação espontânea do crescimento. As causas desse déficit de crescimento pré-natal e sua manutenção após o nascimento ainda não são completamente conhecidas na maioria dos casos. Nos últimos oito anos, diversas mutações inativadoras e deleções do gene IGF1R em heterozigose foram relatadas, indicando o papel de defeitos no eixo IGFs/IGF1R como causa do déficit de crescimento. Postula-se que pelo menos 2,5% das crianças nascidas PIGs possam apresentar defeitos no gene IGF1R. O quadro clínico desses pacientes apresenta grande variabilidade quanto à gravidade do retardo de crescimento e aos parâmetros hormonais. Nos casos mais evidentes, os pacientes apresentam microcefalia, déficit cognitivo leve e valores elevados de IGF-1, associados à baixa estatura de início pré-natal. Esta revisão abordará os aspectos clínicos, moleculares e do tratamento da baixa estatura com hrGH de crianças com mutações no IGF1R.<hr/>Approximately 10% of children born small-for-gestational age (SGA) do not show spontaneous growth catch-up. The causes of this deficit in prenatal growth and its maintenance after birth are not completely known, in most cases. Over the past eight years, several heterozygous inactivating mutations and deletions in IGF1R gene have been reported, indicating the role of defects in the IGFs/IGF1R axis as a cause of growth deficit. It has been hypothesized that at least 2.5% of children born SGA may have IGF1R gene defects. The clinical presentation of these patients is highly variable in the severity of growth retardation and hormonal parameters. In the most evident cases, patients have microcephaly, mild cognitive impairment and high levels of IGF-1, associated with short stature of prenatal onset. This review will describe the clinical, molecular and treatment of short stature with hrGH of children with mutations in the IGF1R gene. <![CDATA[<b>Endocrine diseases, perspectives and care in Turner syndrome</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800008&lng=&nrm=iso&tlng= Turner syndrome is a frequent chromosome disorder in clinical practice. It is characterized by short stature, gonadal dysgenesia and multisystemic involvement, responsible for a high morbidity and reduced life expectancy. The aim of the present paper is to describe the endocrinopathies and major problems at different ages, and to present suggestion for follow-up care in these patients.<hr/>A síndrome de Turner é uma doença cromossômica frequente na prática clínica. É caracterizada pela baixa estatura, disgenesia gonadal e alterações em diversos sistemas, o que leva a uma alta morbidade e diminuição da expectativa de vida. O objetivo do presente estudo é descrever as endocrinopatias e outros problemas em cada idade e apresentar uma sugestão de cuidados e segmentos dessas pacientes. <![CDATA[<b>Adverse effects of growth hormone replacement therapy in children</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800009&lng=&nrm=iso&tlng= Human growth hormone (hGH) replacement therapy has been widely available for clinical purposes for more than fifty years. Starting in 1958, hGH was obtained from cadaveric pituitaries, but in 1985 the association between hGH therapy and Creutzfeldt-Jakob disease was reported. In the same year, the use of recombinant hGH (rhGH) was approved. Side effects of rhGH replacement therapy in children and adolescents include rash and pain at injection site, transient fever, prepubertal gynecomastia, arthralgia, edema, benign intracranial hypertension, insulin resistance, progression of scoliosis, and slipped capital femoral epiphysis. Since GH stimulates cell multiplication, development of neoplasms is a concern. We will review the side effects reported in all rhGH indications.<hr/>A terapia de reposição de hormônio de crescimento (hGH) tem sido amplamente disponível para uso clínico por mais de 50 anos. Inicialmente, em 1958, hGH era obtido de hipófises de cadáveres, mas em 1985 foi relatada a associação entre terapia com hGH e doença de Creutzfeldt-Jakob. No mesmo ano o uso de hGH recombinante (rhGH) foi aprovado. Os efeitos adversos que crianças e adolescentes em terapia de reposição de rhGH podem apresentar incluem erupção cutânea e dor no local da aplicação, febre transitória, ginecomastia pré-puberal, artralgia, edema, hipertensão intracraniana benigna, resistência insulínica, progressão de escoliose e epifisiólise da cabeça do fêmur. Como o GH estimula a multiplicação celular, o desenvolvimento de neoplasias é uma preocupação. Neste artigo, revisaremos os possíveis efeitos adversos do rhGH em cada uma de suas indicações clínicas. <![CDATA[<b>The vitamin D endocrine system</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800010&lng=&nrm=iso&tlng= O sistema endocrinológico vitamina D é constituído por um grupo de moléculas secosteroides derivadas do 7-deidrocolesterol, incluindo a forma ativa 1,25-diidroxi-vitamina D (1,25(OH)2D), seus precursores e metabólitos, sua proteína transportadora (DBP), seu receptor nuclear (VDR) e as enzimas do complexo do citocromo P450 envolvidas nos processos de ativação e inativação dessas moléculas. Os efeitos biológicos da 1,25(OH)2D são mediados pelo VDR, um fator de transcrição ativado por ligante, presente em quase todas as células humanas, e que pertence à família de receptores nucleares. Além dos clássicos papéis de reguladora do metabolismo do cálcio e da saúde óssea, as evidências sugerem que a 1,25(OH)2D module direta ou indiretamente cerca de 3% do genoma humano, participando do controle de funções essenciais à manutenção da homeostase sistêmica, tais como crescimento, diferenciação e apoptose celular, regulação dos sistemas imunológico, cardiovascular e musculoesquelético, e no metabolismo da insulina. Pela influência crítica que esse sistema exerce em vários processos do equilíbrio metabólico sistêmico, é importante que os ensaios laboratoriais utilizados para sua avaliação apresentem alta acurácia e reprodutibilidade, permitindo que sejam estabelecidos pontos de corte que, além de serem consensualmente aceitos, expressem adequadamente o grau de reserva de vitamina D do organismo e reflitam os respectivos impactos clínico-metabólicos na saúde global do indivíduo.<hr/>The vitamin D endocrine system comprises a group of 7-dehydrocholesterol-derived secosteroid molecules, including its active metabolite 1,25-dihydroxy-vitamin D (1,25(OH)2D), its precursors and other metabolites, its binding protein (DBP) and nuclear receptor (VDR), as well as cytochrome P450 complex enzymes participating in activation and inactivation pathways of those molecules. The biologic effects of 1,25(OH)2D are mediated by VDR, a ligand-activated transcription factor which is a member of the nuclear receptors family, spread in almost all human cells. In addition to its classic role in the regulation of calcium metabolism and bone health, evidence suggests that 1,25(OH)2D directly or indirectly modulates about 3% of the human genome, participating in the regulation of chief functions of systemic homeostasis, such as cell growth, differentiation and apoptosis, regulation of immune, cardiovascular and musculoskeletal systems, and insulin metabolism. Given the critical influence of the vitamin D endocrine system in many processes of systemic metabolic equilibrium, the laboratory assays available for the evaluation of this system have to present high accuracy and reproducibility, enabling the establishment of cutoff points that, beyond being consensually accepted, reliably express the vitamin D status of the organism, and the respective clinical-metabolic impacts on the global health of the individual. <![CDATA[<b>Metabolic syndrome in children and adolescents</b>: <b>doubts about terminology but not about cardiometabolic risks</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800011&lng=&nrm=iso&tlng= A síndrome metabólica (SM) tem gerado enormes controvérsias, a iniciar-se pela terminologia. O próprio autor que sugeriu o termo, Gerald Reaven, recomenda que não o utilizemos, porque, como a síndrome é um apanhado de alterações metabólicas e três dessas alterações podem defini-la, fica sempre difícil saber-se a que conjunto de alterações estamos nos referindo quando conotamos o termo SM. Em crianças, a complicação é ainda maior, já que se fazem diferentes adaptações aos critérios propostos para adultos. De qualquer forma, independentemente da terminologia, os riscos cardiovasculares são bem estabelecidos e fica cada vez mais claro que as crianças, já em tenra idade, podem começar a ter alterações metabólicas preditivas de problemas mais sérios futuramente. Assim, o papel do endocrinologista pediátrico e do pediatra geral é de investigar essas crianças, especialmente se portadoras de sobrepeso ou obesidade, para detectar precocemente e intervir em condições que podem ser prevenidas na vida adulta. Essa é uma nova visão de uma abordagem pediátrica preventiva de problemas que, usualmente, só são diagnosticados em vida adulta. Nesta revisão, abordamos os aspectos de definição, epidemiologia, fisiopatologia e de complicações da SM em crianças e adolescentes.<hr/>Metabolic syndrome (MS) has been a condition involved in considerable controversy, starting with the terminology. Gerald Reaven himself, the author who proposed the term MS, advised against the use of this terminology because the definition implies in at least three metabolic alterations, and it is never clear to which group of alterations we are referring to when we say that a patient has MS. In children, the problem is even more complicated, since there are many different adaptations to the criteria used in adults. On the other hand, independent of the terminology, cardiovascular risks are well-established and it is very clear that even children may present metabolic disturbances which predict future metabolic problems. The role of the pediatric endocrinologist or the general pediatrician is to investigate, especially in overweight/obese children, conditions that if treated early, may prevent future complications that today, unfortunately, are being diagnosed only in adult life. In this review, we discuss problems on the definition, epidemiology, pathophysiology, and complications of MS in children and adolescents. <![CDATA[<b>Metabolic syndrome in children born small-for-gestational age</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800012&lng=&nrm=iso&tlng= Being born small-for-gestational age and a rapid increase in weight during early childhood and infancy has been strongly linked with chronic diseases, including metabolic syndrome, which has been related to intrauterine life environment and linked to epigenetic fetal programming. Metabolic syndrome includes waist circumference > 90th percentile for age, sex and race, higher levels of blood pressure, triglycerides and fasting glucose, and low levels of HDL-cholesterol. Insulin resistance may be present as early as 1 year of age, and obesity and/or type 2 diabetes are more prevalent in those born SGA than those born AGA. The programming of adaptive responses in children born SGA includes an association with increased blood pressure, changes in endothelial function, arterial properties and coronary disease. Early interventions should be directed to appropriate maternal nutrition, before and during pregnancy, promotion of breast feeding, and prevention of rapid weight gain during infancy, and to promote a healthy lifestyle.<hr/>Crianças nascidas pequenas para a idade gestacional (PIG) e um rápido ganho de peso durante a primeira e segunda infâncias estão fortemente ligados à ocorrência de doenças crônicas, incluindo a síndrome metabólica, o que está relacionado ao ambiente intrauterino e a alterações epigenéticas da programação fetal. A síndrome metabólica envolve uma circunferência abdominal > ao percentil 90 para a idade, sexo e raça, níveis mais altos de pressão sanguínea, triglicérides e glicose em jejum, e níveis baixos de HDL-colesterol. A resistência à insulina pode estar presente já no primeiro ano de vida, e a obesidade e/ou o diabetes tipo 2 são mais prevalentes em crianças nascidas PIG do que naquelas nascidas AIG. A programação de respostas adaptativas em crianças nascidas PIG inclui uma associação com uma pressão sanguínea mais alta, alterações na função endotelial e propriedades arteriais, e doença coronariana. Intervenções precoces devem ser direcionadas à nutrição apropriada, antes e durante a gravidez, promoção da amamentação e prevenção de ganho rápido de peso durante a infância e promoção de um estilo de vida saudável. <![CDATA[<b>A rational approach to the diagnosis of polycystic ovarian syndrome during adolescence</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800013&lng=&nrm=iso&tlng= Polycystic ovarian syndrome (PCOS) is a lifelong disorder characterized by hyperandrogenism and ovulatory dysfunction, with a wide spectrum of clinical symptoms and signs. Three different sets of diagnostic criteria have been established in order to define this disease in adult women, but there is controversy regarding the use of these criteria in adolescence. During puberty, the adult criteria for ovulatory dysfunction does not seem applicable, because an irregular menstrual pattern and a decreased ovulatory rate is a physiologic event during this period of life. Also, a higher prevalence of polycystic ovarian morphology (PCOM) may be observed during this period, so PCOM is not a useful criterion to define PCOS in young women. These findings suggest that a key factor to diagnose to PCOS during adolescence is hyperandrogenism. In addition, since PCOM is not clearly associated with hyperandrogenism during this period of life, the term "polycystic ovarian syndrome" during adolescence creates confusion and may be misleading.<hr/>A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma desordem que afeta pacientes por toda a vida e é caracterizada por hiperandrogenismo e disfunção ovariana, com um amplo leque de sintomas e sinais clínicos. Três diferentes conjuntos de critérios diagnósticos foram estabelecidos para definir essa doença em mulheres adultas, mas existem controvérsias relacionadas ao uso desses critérios na adolescência. Durante a puberdade, o critério de disfunção ovariana usado em adultos não parece aplicável, porque um padrão menstrual irregular e uma menor taxa de ovulação são eventos fisiológicos nesse período da vida. Além disso, uma maior prevalência de morfologia ovariana policística (MOP) pode ser observada nesse período, de forma que a MOP não é um critério útil para se definir a SOP em mulheres jovens. Esses achados sugerem que o hiperandrogenismo é um fator-chave para o diagnóstico da SOP na adolescência. Além disso, como a MOP não está claramente associada com o hiperandrogenismo durante esse período da vida, o termo "síndrome dos ovários policísticos" durante a adolescência cria confusão e pode ser errôneo. <![CDATA[<b>Childhood adrenocortical tumors</b>: <b>from a clinical to a molecular approach</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800014&lng=&nrm=iso&tlng= Tumores do córtex adrenal (TCA) são mais frequentes em crianças, mas podem ocorrer em qualquer faixa etária. São classificados como funcionantes, não funcionantes (predominam no adulto), e mistos. O diagnóstico é baseado na avaliação clínica, hormonal e exames de imagem. Em crianças, o método de escolha para diferenciar entre benigno ou maligno é a classificação baseada no estadiamento do tumor. Alguns marcadores moleculares merecem destaque: além de mutações inativadoras no gene supressor tumoral TP53, há evidências de envolvimento do IGF2 em 90% de TAC malignos, e mutações no éxon 3 do gene CTNNB1 foram encontradas em 6% dos TAC pediátricos. Além disso, microRNAs podem atuar como reguladores negativos da expressão gênica e participar da tumorigênese adrenocortical. Métodos para análise da expressão gênica permitem identificar TCA com prognóstico bom ou ruim, e espera-se que esses estudos possam facilitar o desenvolvimento de drogas para tratar pacientes de acordo com as vias de sinalização específicas que estiverem alteradas.<hr/>Adrenocortical tumors (ACT) are more frequent during childhood, but they can appear at any age. ACTs can be classified in functioning, nonfunctioning (mainly observed in adults) and mixed. The diagnosis is based on clinical, biochemical findings and imaging. In children, in order to classify ACT as benign or malignant, tumor staging classification is recommended. Regarding molecular markers some studies should be taken into account: besides TP53 mutations, previous studies have also provided evidences of IGF2 involvement in 90% of the malignant ACT. Mutations altering exon 3 of CTNNB1 gene have been found in 6% of childhood ACTs. In addition, microRNAs can act as negative regulators of gene expression by targeting mRNA controlling cell growth, differentiation and apoptosis and have been implicated in adrenal tumorigenesis. High-throughput methods to analyze genome-wide expression have been developed over the last decade and identified a subset of tumors with good or poor prognosis. In the future, these studies can provide the basis of specific drug development, which can treat patients according to specific altered signaling pathway. <![CDATA[<b>Multifunctional role of steroidogenic factor 1 and disorders of sex development</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800015&lng=&nrm=iso&tlng= Disorders of sex development (DSD) involve several conditions that result from abnormalities during gonadal determination and differentiation. Some of these disorders may manifest at birth by ambiguous genitalia; others are diagnosed only at puberty, by the delayed onset of secondary sexual characteristics. Sex determination and differentiation in humans are processes that involve the interaction of several genes such as WT1, NR5A1, NR0B1, SOX9, among others, in the testicular pathway, and WNT4, DAX1, FOXL2 and RSPO1, in the ovarian pathway. One of the major proteins in mammalian gonadal differentiation is the steroidogenic nuclear receptor factor 1 (SF1). This review will cover some of the most recent data on SF1 functional roles and findings related to mutations in its coding gene, NR5A1.<hr/>Os distúrbios do desenvolvimento sexual (DDS) envolvem várias condições que resultam de anormalidades que podem acontecer tanto na determinação como durante a diferenciação gonadal. Algumas dessas doenças podem se manifestar ao nascimento principalmente por genitália ambígua, outras são diagnosticadas apenas na puberdade por atraso no aparecimento de características sexuais secundárias. A determinação e a diferenciação do sexo em seres humanos são processos que envolvem interações entre vários genes nas vias testicular, tais como NR5A1, NR0B1, WT1, SOX9, entre outros, e ovariana, tais como WNT4, DAX1, FOXL2 e RSPO1. Uma das principais proteínas na diferenciação gonadal de mamíferos é o fator esteroidogênico e receptor nuclear 1 (SF1). Esta revisão cobrirá alguns dos dados mais recentes sobre os papéis funcionais de SF1 e as últimas descobertas relacionadas a mutações em seu gene, NR5A1. <![CDATA[<b>Update on diagnosis and monitoring of cystic fibrosis-related <i>diabetes mellitus</i> (CFRD)</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800016&lng=&nrm=iso&tlng= Cystic fibrosis (CF) is the most common recessive autosomal disease among Caucasian. Children with CF have benefitted from advances in medical and nutritional treatments, and this can be gleaned from the improvement in the survival of these patients. The increase in the survival rate brought with it the appearance of co-morbidities related to CF. Nowadays cystic fibrosis-related diabetes (CFRD) is considered the most common complication associated with CF. It can appear as early as infancy or adolescence, and its prevalence can be as high as 50% in adult patients. Because of its high prevalence, difficulties in early detection and the risks involved, in recent years several studies and consensuses have focused on this condition, adding information about the epidemiology, pathophysiology, prognosis and treatment of CFRD. The main aspects of these new concepts, as well as the current recommendations for its diagnosis and follow-up, will be presented in this study.<hr/>Fibrose cística (FC) é a doença autossômica recessiva mais comum nos caucasianos. Avanços no tratamento da FC acarretaram aumento na sobrevida dos pacientes, que trouxe o aparecimento de comorbidades relacionadas à doença. Atualmente, o diabetes relacionado à fibrose cística (DRFC) é considerado a complicação mais comum associada à FC, podendo aparecer já na infância ou adolescência, chegando a atingir até 50% dos pacientes adultos. Em virtude da alta prevalência, das dificuldades de diagnosticar precocemente e das graves consequências para os pacientes, nos últimos anos vem crescendo a preocupação com a detecção e o tratamento precoces do DRFC. Vários grupos têm se dedicado a procurar evidências e desenvolver consensos com o objetivo de orientar o diagnóstico e o acompanhamento dessa comorbidade. Neste artigo apresentamos os principais aspectos dessa evolução, bem como as atuais recomendações no acompanhamento de pacientes com DRFC. <![CDATA[<b>Neonatal cholestasis in congenital pituitary hormone deficiency and isolated hypocortisolism</b>: <b>characterization of liver dysfunction and follow-up</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800017&lng=&nrm=iso&tlng= INTRODUCTION: Neonatal cholestasis due to endocrine diseases is infrequent and poorly reco-gnized. Referral to the pediatric endocrinologist is delayed. OBJECTIVE: We characterized cholestasis in infants with congenital pituitary hormone deficiencies (CPHD), and its resolution after hormone replacement therapy (HRT). SUBJECTS AND METHODS: Sixteen patients (12 males) were included; eleven with CPHD, and five with isolated central hypocortisolism. RESULTS: Onset of cholestasis occurred at a median age of 18 days of life (range 2-120). Ten and nine patients had elevated transaminases and γGT, respectively. Referral to the endocrinologist occurred at 32 days (range 1 - 72). Remission of cholestasis occurred at a median age of 65 days, whereas liver enzymes occurred at 90 days. In our cohort isolated, hypocortisolism was a transient disorder. CONCLUSION: Cholestasis due to hormonal deficiencies completely resolved upon introduction of HRT. Isolated hypocortisolism may be a transient cause of cholestasis that needs to be re-evaluated after remission of cholestasis.<hr/>INTRODUÇÃO: A colestase neonatal causada por doenças endócrinas é pouco frequente e reconhecida. Existe um atraso no encaminhamento dos pacientes a um endocrinologista pediátrico. OBJETIVO: Caracterizamos a colestase em recém-nascidos com deficiências congênitas de hormônio hipofisário (DCHH) e sua resolução após a terapia de reposição hormonal (TRH). SUJEITOS E MÉTODOS: Dezesseis pacientes (12 do sexo masculino) foram incluídos; sete com DCHH, e cinco com hipocortisolismo central isolado. RESULTADOS: O início da colestase ocorreu aos 18 dias de vida (variação 2-120). Dez e nove pacientes apresentaram elevação das transaminases e γGT, respectivamente. A consulta com um endocrinologista aconteceu aos 32 dias (variação 1-72). A remissão da colestase ocorreu em uma idade mediana de 65 dias, enquanto a remissão das enzimas hepáticas aconteceu aos 90 dias. Na coorte isolada, o hipocortisolismo foi uma desordem transitória. CONCLUSÃO: A colestase causada por deficiências hormonais foi completamente resolvida após a introdução da TRH. O hipocortisolismo pode ser uma causa transitória da colestase e precisa ser reavaliado após a remissão da colestase. <![CDATA[<b>TSH neurosecretory dysfunction (TSH-nd) in Down syndrome (DS)</b>: <b>low risk of progression to Hashimoto's thyroiditis</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800018&lng=&nrm=iso&tlng= INTRODUCTION: Patients with Down syndrome (DS) often have elevated TSH (hypothalamic origin), which is called TSH neurosecretory dysfunction (TSH-nd). In these cases, there is slight elevation in TSH (5-15 µUI/mL), with normal free T4 and negative thyroid antibodies (AB). OBJECTIVE: To recognize the risk of progression to Hashimoto's thyroiditis (HT). SUBJECTS AND METHODS: We retrospectively analyzed 40 DS patients (mean age = 4.5 years), followed up for 6.8 years. RESULTS: HT was diagnosed in 9/40 patients, three early in monitoring, and six during evolution. In 31/40 patients, TSH-nd diagnosis remained unchanged over the years, with maximum TSH values ranging from 5 to 15 µUI/mL. In this group, free T4 also remained normal and AB were negative. There was a significant TSH reduction (p = 0.017), and normal TSH concentrations (< 5.0 µUI/mL) were observed in 29/31 patients, in at least one moment. No patient had TSH &gt; 15 µUI/mL. CONCLUSION: DS patients with TSH-nd present low risk of progression to HT (10% for females and 6% for males).<hr/>INTRODUÇÃO: Pacientes com síndrome de Down (SD) geralmente apresentam TSH elevado (de origem hipotalâmica), uma desordem chamada de disfunção neurossecretora de TSH (TSH-nd). Nesses casos, há uma leve elevação do TSH (5-15 µUI/mL), com T4 livre normal e anticorpos antitireoide (AB) negativos. OBJETIVO: Reconhecer o risco de progressão para a tireoidite de Hashimoto (HT). SUJEITOS E MÉTODOS: Analisamos retrospectivamente 40 pacientes com SD (idade média = 4,5 anos), acompanhados por 6,8 anos. RESULTADOS: A HT foi diagnosticada em 9/40 pacientes, três logo no início da avaliação e seis durante a evolução. Em 31/40 dos pacientes, o diagnóstico de TSH-nd permaneceu estável durante os anos, com valores máximos de TSH variando de 5 a 15 µUI/mL. Neste grupo, o T4 livre também permaneceu normal e os AB foram negativos. Houve uma redução significativa do TSH (p = 0,017), e concentrações normais de TSH (< 5,0 µUI/mL) foram observadas em 29/31 pacientes, em pelo menos um momento. Nenhum paciente apresentou TSH &gt; 15 µUI/mL. CONCLUSÃO: Pacientes com SD e TSH-nd apresentam baixo risco de progressão para a HT (10% para o sexo feminino e 6% para o sexo masculino). <![CDATA[<b>Weight-adjusted neonatal 17OH-progesterone cutoff levels improve the efficiency of newborn screening for congenital adrenal hyperplasia</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800019&lng=&nrm=iso&tlng= OBJECTIVE: To evaluate weight-adjusted strategy for levels of neonatal-17OHP in order to improve newborn screening (NBS) efficiency. SUBJECTS AND METHODS: Blood samples collected between 2-7 days of age from 67,640 newborns were evaluated. When N17OHP levels were &gt; 20 ng/mL, and a second sample was requested. We retrospectively analyzed neonatal-17OHP levels measured by Auto DELFIA- B024-112 assay, grouped according to birth-weight: G1: < 1,500 g, G2: 1,501-2,000 g, G3: 2,000-2,500 g and G4: &gt; 2,500 g. 17OHP cutoff values were determined for each group using the 97.5th, 99th, 99.5th and 99.8th percentiles. RESULTS: 0.5% of newborns presented false-positive results using the cutoff level &gt; 20 ng/mL for all groups. Neonates of low birthweight made up 69% of this group. Seven full-term newborns presented congenital adrenal hyperplasia (CAH) and, except for one of them, 17OHP levels were &gt; 120 ng/mL. Only the 99.8th percentile presented higher predictive positive value (2%), and lower rate of false-positives in all groups. CONCLUSIONS: We suggest the use of 99.8th percentile obtained by weight-adjusted N17OHP values of healthy newborns to reduce the rate of false-positive results in NBS.<hr/>OBJETIVO: Avaliamos retrospectivamente os valores da 17OHP ajustados para o peso ao nascimento para melhorar a eficiência da triagem neonatal. SUJEITOS E MÉTODOS: 67.640 recém-nascidos com amostras coletadas entre 2-7 dias de vida. Uma segunda amostra foi solicitada na presença de testes com valores da 17OHP &gt; 20 ng/mL. 17OHP dosada pelo método DELFIA- B024-112 e correlacionada com o peso ao nascimento: G1 < 1.500 g, G2 1.501-2.000 g, G3 2.000-2.500 g e G4 &gt; 2.500 g. Pontos de corte da 17OHP foram determinados para cada grupo usando os percentis 97,5th, 99th, 99,5th e 99,8th. RESULTADOS: Falso-positivos ocorreram em 5% dos resultados com o ponto de corte &gt; 20 ng/mL, dos quais 69% eram prematuros. Sete recém-nascidos apresentaram deficiência da 21-hidroxilase e, exceto em um, os valores da 17OHP foram &gt; 120 ng/mL. Somente o valor da 17OHP do 99,8th apresentou maior valor preditivo positivo (2%) e menor índice de falso-positivos. CONCLUSÕES: Sugerimos o valor da 17OHP do 99,8th ajustado para o peso ao nascimento para se reduzir a taxa de resultados falso-positivos da triagem neonatal. <![CDATA[<b>Optimal cutoff points for body mass index, waist circumference and HOMA-IR to identify a cluster of cardiometabolic abnormalities in normal glucose-tolerant Brazilian children and adolescents</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800020&lng=&nrm=iso&tlng= OBJECTIVE: The aim of this study was to establish the best cutoff values for waist circumference (WC), body mass index (BMI) and HOMA-IR (HR) to identify a cluster (> 3) of cardiovascular risk factors (CVRF) in normal glucose-tolerant (NGT) Brazilian children and adolescents. SUBJECTS AND METHODS: Cross-sectional study of 319 individuals (aged 10 to 19y) from a southern Brazilian city. Gender-specific receiver-operating characteristics (ROC) curves were constructed to assess cutoffs values of BMI (kg/m², WC (cm), and HR. RESULTS: The areas under the ROC curves to detect a cluster of CVRF were 0.92, 0.93 and 0.68 (females), and 0.93, 0.93 and 0.89 (males), for WC, BMI and HR, respectively. The cutoff values were 83.0 and 80.5 cm (WC), 22.7 and 20.4 kg/m2 (BMI), and 1.65 and 1.95 (HR), for females and males, respectively, to detect the cluster of CVRF. CONCLUSION: These values of BMI, WC-) and (HR) detected a high proportion of NGTt Brazilian children and adolescents with a cluster of CVRF.<hr/>OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi estabelecer os melhores valores de corte para circunferência abdominal (CA), índice de massa corpórea (IMC) e HOMA-IR (HR) para identificação da concomitância de um conjunto de fatores de risco cardiovascular (> 3) em crianças e adolescentes brasileiros com tolerância normal à glicose (TNG). SUJEITOS E MÉTODOS: Estudo transversal realizado em uma cidade do sudeste do Brasil com 319 indivíduos de 10 a 19 anos de idade. Curva ROC para cada gênero foi utilizada para estabelecimento dos valores de IMC (kg/m²), CA (cm) e HRR. RESULTADOS: As áreas sob as curvas ROC para detectar o conjunto de fatores cardiovascular foram 0,92, 0,93 e 0,68 (meninas) e 0,93, 0,93 e 0,89 (meninos) para CA, IMC e HR, respectivamente. Os valores de corte foram 83,0 e 80,5 cm (CA), 22,7 e 20,4 kg/m² (IMC) e 1,65 e 1,95 (HR), para meninas e meninos, respectivamente, para detecção do grupo de fatores de risco cardiovascular. CONCLUSÃO: Esses valores de IMC,CA e HR detectaram uma porcentagem significativa de crianças e adolescentes brasileiros com TNG e elevado risco cardiovascular. <![CDATA[<b>Metabolic evaluation of young women with congenital adrenal hyperplasia</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800021&lng=&nrm=iso&tlng= OBJECTIVE: To evaluate insulin resistance and lipid profile in women with congenital adrenal hyperplasia (CAH) caused by classical 21-hydroxylase deficiency (21OHD), and their association with body mass index (BMI) and corticosteroid dosage. SUBJECTS AND METHODS: We assessed BMI, waist circumference, current glucocorticoid dosage, glucose, insulin and lipid profile in eighteen young women (mean ± SD, 19.3 ± 3.0 years) with 21OHD CAH. RESULTS: BMI was normal in 12 patients, 5 of them were overweight, and 1 was obese. Waist circumference was high in 7 patients. Fasting insulin and HOMA-IR were elevated in seven and eight patients, respectively. Total cholesterol and triglycerides were high in only two patients, and HDL-cholesterol was low in four. Insulin resistance was not associated with BMI, waist circumference or glucocorticoid dose. CONCLUSIONS: Young women with 21OHD CAH had infrequent dyslipidemia, but had a higher prevalence of insulin resistance and central obesity, that were independent of BMI or corticosteroid dosage.<hr/>OBJETIVO: Avaliar a presença de resistência insulínica e dislipidemia em mulheres com hiperplasia adrenal congênita (HAC) por deficiência da 21-hidroxilase (21OHD) e investigar a associação com índice de massa corporal (IMC) e dose de glicocorticoide prescrita. PACIENTES E MÉTODOS: Em 18 mulheres jovens (média ± DP, 19,3 ± 3,0 anos), avaliamos IMC, circunferência abdominal, dose de glicocorticoide, glicemia, insulinemia e perfil lipídico. RESULTADOS: O IMC foi normal em 12 pacientes; 5 apresentavam sobrepeso e 1 apresentou obesidade. Circunferência abdominal estava aumentada em 7 pacientes. Insulinemia de jejum e HOMA-IR estavam elevados em 7 e 8 pacientes, respectivamente. Apenas 2 pacientes apresentaram aumento de colesterol total ou de triglicérides e 4, diminuição dos níveis de HDL-colesterol. Resistência insulínica não apresentou associação com IMC, circunferência abdominal ou dose de glicocorticoide prescrita. CONCLUSÃO: Mulheres jovens com CAH 21OHD apresentaram pouca dislipidemia, mas tiveram alta prevalência de resistência insulínica e obesidade central, independentemente do IMC e da dose de glicocorticoide prescrita. <![CDATA[<b>Early traits of metabolic syndrome in pediatric post-cancer survivors</b>: <b>outcomes in adolescents and young adults treated for childhood medulloblastoma</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800022&lng=&nrm=iso&tlng= OBJECTIVE: To analyze traits of metabolic syndrome (MetS) in medulloblastoma survivors. SUBJECTS AND METHODS: Sixteen childhood medulloblastoma survivors aged 18.0 (4.4) years, with history of craniospinal radiation therapy (RT) were compared with nine control subjects matched by age, gender, and body mass index, according to fat distribution, metabolic and cardiovascular variables. RESULTS: Medulloblastoma patients showed increases in waist circum-ference and its relationships (all p < 0.05), and HOMA1-IR (p = 0.006), which were modified by growth hormone (GH) secretion status. However, these increases were within normal range. CONCLUSIONS: Adolescent and young adult survivors of medulloblastoma showed centripetal fat deposition and decreased insulin sensitivity, associated with GH status. Pediatric brain tumor survivors following RT should be monitored for the diagnosis of MetS traits predisposing to cardiovascular disease.<hr/>OBJETIVO: Analisar características que predispõem para síndrome metabólica (SM) em sobreviventes de meduloblastoma. SUJEITOS E MÉTODOS: Dezesseis sobreviventes de meduloblastoma pediátrico, 18,0 (4,4) anos, história de radioterapia (RT) cranioespinhal, comparados a nove controles pareados por idade, sexo e índice de massa corporal, de acordo com distribuição de gordura, variáveis metabólicas e cardiovasculares. RESULTADOS: Pacientes com meduloblastoma mostraram aumento da cintura e relações (todos p < 0,05) e HOMA1-IR (p = 0,006), modificados pela secreção do hormônio de crescimento (GH), mas dentro dos limites de normalidade. CONCLUSÕES: Sobreviventes adolescentes e adultos jovens de meduloblastoma apresentaram deposição centrípeta de gordura e diminuição da sensibilidade à insulina, associados ao estado do GH. Sobreviventes de tumor cerebral pediátrico que receberam RT devem ser monitorados para diagnosticar fatores para SM predispondo à doença cardiovascular. <![CDATA[<b>Near-final height in patients with congenital adrenal hyperplasia treated with combined therapy using GH and GnRHa</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800023&lng=&nrm=iso&tlng= INTRODUCTION: Intrinsic limitations of glucocorticoid therapy in patients with congenital adrenal hyperplasia (CAH) determine frequent loss in final height. The association of secondary central precocious puberty and early epiphyseal fusion is also frequent. In these conditions, GnRHa treatment alone or in combination with GH has been indicated. OBJECTIVES: This is a retrospective study, describing the estatural findings of CAH patients with significant decrease in height prediction, who were submitted to combined GH plus GnRHa therapy up to near-final height. SUBJECTS AND METHODS: We studied 13 patients, eight females and five males, eight with the classical and five with the nonclassical form of the disorder. Treatment with hydrocortisone (10-20 mg/m²/day) or prednisolone (3-6 mg/kg/day) was associated with GnRHa (3.75 mg/months) for 4.0 (1.5) years, and GH (0.05 mg/kg/day) for 3.6 (1.4) years. RESULTS: Stature standard deviation score for bone age improved significantly after GH treatment, becoming similar to target height at the end of the second year of GH treatment. CONCLUSION: We conclude that combined GH plus GnRHa therapy can be useful in a subset of CAH patients with significant reduction of predicted final height associated with poor hormonal control and central precocious puberty.<hr/>INTRODUÇÃO: As limitações intrínsecas da terapia com glicocorticoides em pacientes com hiperplasia adrenal congênita (HAC) frequentemente determinam menor altura final. Também é frequente a associação de puberdade precoce central secundária e fusão epifisária precoce. Nessas condições, tem sido indicado o tratamento com GnRHa sozinho ou em combinação com o GH. OBJETIVOS: Este é um estudo retrospectivo que descreve os achados de altura em pacientes com HAC que apresentavam diminuição significativa na altura predita e que foram submetidos ao tratamento combinado de GH com GnRHa até a altura quase normal. SUJEITOS E MÉTODOS: Estudamos 13 pacientes, oito do sexo feminino e cinco do sexo masculino, oito com a forma clássica e cinco com a forma não clássica da doença. O tratamento com hidrocortisona (10-20 mg/m²/dia) ou prednisolona (3-6 mg/kg/day) foi associado com GnRHa (3,75 mg/meses) por 4,0 (1,5) anos, e GH (0,05 mg/kg/dia) por 3,6 (1,4) anos. RESULTADOS: O escore de desvio-padrão da estatura para a idade óssea melhorou significativamente após o tratamento com GH, tornando-se similar à altura normal ao final do segundo ano desse tratamento. CONCLUSÃO: Concluímos que o tratamento de combinação com GH e GnRHa pode ser útil em um subgrupo de pacientes com HAC que apresentem redução significativa da altura final predita, associado com controle hormonal inadequado e puberdade central precoce. <![CDATA[<b>Absolute measurement of androgen receptor mRNA in peripheral blood mononuclear, preputial skin and urethral mucosa cells of control individuals with phimosis using qRT-PCR</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800024&lng=&nrm=iso&tlng= INTRODUCTION: Androgen actions are exerted upon the androgen receptor (AR), and complete genital virilization of normal 46,XY individuals depends on adequate function and expression of the AR gene in a tissue-specific manner. OBJECTIVE: Standardization of normal ARmRNA in androgen-sensitive tissues. MATERIALS AND METHODS: In this study, we determined the quantitative amounts of ARmRNA in peripheral blood mononuclear, urethral mucosa and preputial skin cells of control subjects with phimosis by using RT-PCR. RESULTS: The mean (SD) values of AR expression in blood, urethra and prepuce were: 0.01 (0.01); 0.43 (0.32); 0.31 (0.36), respectively. CONCLUSION: The AR expression is low in blood and equivalent in urethral mucosa and preputial skin, which may be useful in the diagnosis of individuals with abnormal external genitalia.<hr/>INTRODUÇÃO: As ações androgênicas são exercidas por meio do receptor androgênico (AR), e a completa virilização genital de indivíduos 46,XY normais depende de adequada expressão do gene AR de forma tecido específica. OBJETIVO: Padronizar valores normais de ARmRNA em tecidos sensíveis aos andrógenos. MATERIAIS E MÉTODOS: Neste estudo, determinamos as quantidades de ARmRNA em células mononucleares do sangue periférico e em células da mucosa uretral e pele do prepúcio de indivíduos controles com fimose, utilizando RT-PCR. RESULTADOS: A média (dp) dos valores de expressão do AR em sangue, uretra e prepúcio foram: 0,01 (0,01); 0,43 (0,32); 0,31 (0,36), respectivamente. CONCLUSÃO: A expressão do AR é baixa em sangue periférico e equivalente em mucosa uretral e pele prepucial, sendo sua quantificação útil no diagnóstico de indivíduos com alterações da genitália externa. <![CDATA[<b>Biosimilars</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302011000800025&lng=&nrm=iso&tlng= Although common themes permeate the environment across continents and particular divergences as to how to proceed exist between different regulatory agencies, it seems that policies are still in flux. Not all polices will suffice to fit all dissimilar biologics, and these in place or being developed may, in turn, change to accommodate new or unexpected developments. Consideration for accelerated approval for those compounds that do not present complex questions should be considered.The regulatory agencies should be more forthcoming, the industry sector exercise social responsibility, and the public should have realistic expectations.<hr/>Embora haja temas comuns no ambiente dos diferentes continentes e divergências particulares sobre como proceder entre diferentes agências regulatórias, parece que as decisões políticas ainda caminham. Nem todas as políticas serão suficientes para acomodar todos os diferentes produtos biológicos, e as políticas atuais ou em desenvolvimento podem, por sua vez, mudar para acomodar novos e inesperados desenvolvimentos. Deve-se considerar a aprovação mais rápida para aqueles compostos que não apresentem questões complexas. As agências regulatórias deveriam ser mais acessíveis, as indústrias deveriam exercitar sua responsabilidade social e o público deveria ter expectativas realísticas.