Scielo RSS <![CDATA[Jornal de Pediatria]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0021-755720190003&lang=pt vol. 95 num. lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Eventos impactantes sobre o crescimento]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Sono e desenvolvimento pondero-estatural]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objectives: To describe the association between sleep duration and weight-height development in children and adolescents. Source of data: A non-systematic search in the MEDLINE database was performed using the terms anthropometry, body composition, overweight, obesity, body mass index, growth, length, short stature, sleep, children, and infants and adolescents, limited to the last 5 years. The references cited in the revised articles were also reviewed, when relevant. Synthesis of data: Sleep disorders are prevalent in the pediatric population. Among them, insomnia, which leads to a reduction in total sleep time, is the most prevalent disorder. Evidence found in the current literature allows the conclusion that sleep time reduction has a role in the current pandemic of overweight and obesity. Studies associating sleep deprivation and deficit in height growth are still insufficient. Conclusions: The association between shorter sleep duration and risk of overweight and obesity is well established for all pediatric age groups. However, more evidence is needed to establish an association between insufficient sleep duration and height growth deficit. Pediatricians should include the encouragement of healthy sleep habits in their routine guidelines as an adjuvant in the prevention and management of excess weight.<hr/>Resumo Objetivos: O objetivo deste artigo é descrever a associac¸ão entre a durac¸ão de sono e o desenvolvimento pondero-estatural entre crianc¸as e adolescentes. Fontes de dados: Foi realizada uma busca não-sistemática na base de dados MEDLINE utilizando os termos antropometria, composic¸ão corporal, sobrepeso, obesidade, índice de massa corporal, crescimento, comprimento, baixa estatura, sono, crianc¸as, lactentes e adolescentes, limitadas aos últimos cinco anos. As referências citadas nos artigos revisados também foram, conforme relevância, revisados. Síntese dos dados: Distúrbios do sono são prevalentes na população pediátrica. Dentre eles, a insônia, que cursa com redução do tempo total de sono, é a mais prevalente. Evidências presentes na literatura atual permitem apontar que a redução do tempo de sono tem um papel na pandemia atual de sobrepeso e obesidade. Os estudos que associam a privação de sono com déficit no crescimento estatural ainda são insuficientes. Conclusões: A associação entre menor duração de sono e risco para sobrepeso e obesidade está bem estabelecida para todas as faixas etárias da pediatria. Entretanto, maiores evidências são necessárias para que se possa estabelecer uma associação entre duração insuficiente de sono e déficit no crescimento estatural. O médico pediatra deve incluir nas suas orientações de rotina o estímulo a hábitos de sono saudáveis como coadjuvante na prevenção e manejo do excesso de peso. <![CDATA[O impacto da asma e seu tratamento no crescimento: revisão baseada em evidências]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objectives: To assess the impact of asthma and its treatment (inhaled corticosteroids and other control medications) on growth. Data sources: The authors searched PubMed (up to August 24, 2018) and screened the reference lists of retrieved articles. Systematic reviews and meta-analysis were selected. If there was no such article, the authors selected either randomized clinical trials or observational studies. Data synthesis: A total of 37 articles were included in this review. The findings from 21 studies suggest that asthma per se, especially more severe and/or uncontrolled cases, can transitorily impair child's growth. Two Cochrane reviews of randomized clinical trials showed a small mean reduction in linear growth (-0.91 cm/year for beclomethasone, -0.59 cm/year for budesonide, and -0.39 cm/year for fluticasone) in the first year of treatment with inhaled corticosteroids in prepubertal children with persistent asthma. The effects were likely to be molecule- and dose-dependent. A recent review showed that most of "real-life" observational studies had not found significant effects of inhaled corticosteroids on growth in asthmatic children. Fifteen studies showed that the maintenance systemic corticosteroids could cause a dose-dependent growth suppression in children with severe asthma, but other controllers (cromones, montelukast, salmeterol, and theophylline) had no significant adverse effects no growth. Conclusions: Severe and/or uncontrolled asthma can transitorily impair child's growth. Regular use of inhaled corticosteroids may cause a small reduction in linear growth in children with asthma, but the well-established benefits of inhaled corticosteroids in controlling asthma outweigh the potential adverse effects on growth. Use of the minimally effective dose of inhaled corticosteroids and regular monitoring of child's height during inhaled corticosteroids therapy are recommended.<hr/>Resumo Objetivos: Avaliar o impacto da asma e seu tratamento (corticosteroides inalados e outros medicamentos de controle) no crescimento. Fontes de dados: Uma busca foi feita no PubMed (até 24 de agosto de 2018) e foram triadas as listas de referência dos artigos recuperados. Revisões sistemáticas e metanálises foram selecionadas. Se não houvesse tal artigo, ensaios clínicos randomizados ou estudos observacionais eram selecionados. Síntese dos dados: Trinta e sete artigos foram incluídos nesta revisão. Os achados de 21 estudos sugerem que a asma por si só, especialmente os casos mais graves e/ou descontrolados, podem prejudicar o crescimento da criança. Duas revisões Cochrane de ensaios clínicos randomizados mostraram uma pequena redução média no crescimento linear (−0,91 cm/ano para beclometasona, −0,59 cm/ano para budesonida e −0,39 cm/ano para fluticasona) no primeiro ano de tratamento com corticosteroides inalados em crianças pré-púberes com asma persistente. Os efeitos pareciam ter efeito dose- e molécula-dependente. Uma revisão recente mostrou que a maioria dos estudos observacionais da "vida real" não encontrou efeitos significativos dos corticosteroides inalados no crescimento de crianças asmáticas. Quinze estudos mostraram que a manutenção de corticosteroides sistêmicos poderia causar uma supressão do crescimento dose-dependente em crianças com asma grave, mas outros controladores (cromonas, montelucaste, salmeterol e teofilina) não tiveram efeitos adversos significativos no crescimento. Conclusões: A asma grave e/ou descontrolada pode prejudicar o crescimento da criança. O uso regular de corticosteroides inalados pode causar uma pequena redução no crescimento linear em crianças com asma, mas os benefícios bem estabelecidos dos corticosteroides inalados no controle da asma superam os potenciais efeitos adversos no crescimento. Recomenda-se o uso de doses minimamente eficazes de corticosteroides inalados e o monitoramento regular da altura da criança durante a terapia com corticosteroides inalados. <![CDATA[Manejo pós-natal da falha de crescimento em crianças nascidas pequenas para a idade gestacional]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objectives: To discuss the etiology and growth consequences of small size at birth and the indications, effects, and safety of biosynthetic growth hormone therapy in children born small for gestational age. Source of data: A comprehensive and non-systematic search was carried out in the PubMed, LILACS, and SciELO databases from 1980 to the present day, using the terms "small for gestational age," "intrauterine growth restriction," and "growth hormone". The publications were critically selected by the authors. Data synthesis: Although the majority of children born small for gestational age show spontaneous catch-up growth during the first two years of life, some of them remain with short stature during childhood, with high risk of short stature in adult life. Treatment with growth hormone might be indicated, preferably after 2-4 years of age, in those small for gestational age children who remain short, without catch-up growth. Treatment aims to increase growth velocity and to reach a normal height during childhood and an adult height within target height. Response to growth hormone treatment is variable, with better growth response during the pre-pubertal period. Conclusions: Treatment with growth hormone in short children born small for gestational age is safe and effective to improve adult height. Efforts should be done to identify the etiology of small size at birth before treatment.<hr/>Resumo Objetivos: Discutir a etiologia e as consequências para o crescimento e as indicações, os efeitos e a segurança da terapia com hormônio de crescimento biossintético em crianças pequenas para idade gestacional. Fonte dos dados: Uma busca abrangente e não sistemática foi feita nas bases de dados PubMed, LILACS e SciELO de 1980 até a presente data, com os termos "small for gestational age" (pequeno para a idade gestacional), "intrauterine growth restriction" (restrição de crescimento intrauterino) e "growth hormone" (hormônio do crescimento). As publicações foram selecionadas criticamente pelos autores. Síntese dos dados: Embora a maioria das crianças nascidas pequenas para idade gestacional apresente recuperação espontânea do crescimento durante os dois primeiros anos de vida, algumas delas permanecem com baixa estatura durante a infância, com alto risco de baixa estatura na vida adulta. O tratamento com hormônio de crescimento pode ser indicado, preferencialmente após os dois aos quatro anos, naquelas crianças sem recuperação espontânea do crescimento e com baixa estatura. Seus objetivos são aumentar a velocidade de crescimento e atingir uma altura normal durante a infância e uma altura adulta dentro da altura-alvo. A resposta ao tratamento com hormônio de crescimento é variável, com melhor resultado se iniciado durante o período pré-puberal. Conclusões: O tratamento com hormônio de crescimento em crianças baixas nascidas pequenas para idade gestacional é seguro e eficaz para melhorar a estatura adulta. Esforços devem ser feitos para identificar a etiologia do nascimento pequenas para idade gestacional antes do tratamento. <![CDATA[Repercussões da infecção por Zika sobre o crescimento]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objectives: To present the currently available evidence of the effects of congenital Zika virus infection on infant growth, to discuss possible intervening factors, and to describe preliminary data on this growth in a cohort of exposed children. Source of data: Non-systematic review in PubMed, BVS, CAPES, Scopus, Web of Science, Cochrane and Google Scholar databases in the last 5 years, using the terms infection/disease by Zika virus and growth/nutrition/nutritional status/infant nutrition and nutritional needs. Additionally, the anthropometric data of the first 2.5 years of a cohort of children exposed to the Zika virus during pregnancy were reviewed. Synthesis of data: Both intrauterine growth restriction and low birth weight were reported in series of cases of children with congenital Zika syndrome. The postnatal growth deficit of these children appears to be directly proportional to the degree of neurological impairment. The etiology is multifactorial, and nutritional and non-nutritional factors are probably involved. The data from the present cohort show that the head circumference evolution depends on this measurement at birth and that weight-height growth has a trend toward lower weight and length in children with congenital microcephaly and normocephalic at birth who develop some neurological abnormality. Conclusions: The few existing data suggest that, in children with congenital Zika, the greater the degree of neurological impairment, the greater the impact on growth, whether or not associated with microcephaly at birth.<hr/>Resumo Objetivos: Apresentar as evidências atualmente disponíveis das repercussões da infecção congênita pelo vírus Zika no crescimento infantil, discutir possíveis fatores intervenientes e descrever dados preliminares desse crescimento em uma coorte de crianças expostas. Fonte dos dados: Revisão não sistemática nos portais de banco de dados PubMed, BVS, Capes, Scopus, Web of Science, Cochrane e Google Scholar nos últimos cinco anos, com o uso dos termos infecção/doença pelo vírus Zika e crescimento/nutrição/status nutricional/nutrição infantil e necessidades nutricionais. Além disso, foram revistos os dados antropométricos dos primeiros dois anos e meio de uma coorte de crianças expostas ao vírus Zika durante a gestação. Síntese dos dados: Tanto a restrição do crescimento intrauterino como o baixo peso ao nascer têm sido relatados em séries de casos de crianças com síndrome de Zika congênita. O déficit de crescimento pós-natal dessas crianças parece ser diretamente proporcional ao grau de comprometimento neurológico. A etiologia é multifatorial, com fatores nutricionais e não nutricionais provavelmente envolvidos. Os dados de nossa coorte mostram que a evolução do perímetro cefálico é dependente do valor dessa medida ao nascimento e que o crescimento pondero-estatural apresenta uma tendência de menor peso e comprimento em crianças com microcefalia congênita e normocefálicas ao nascimento, mas com alguma anormalidade neurológica evolutiva. Conclusões: Os poucos dados existentes sugerem que em crianças com Zika congênita, o impacto sobre o crescimento será tanto maior quanto maior for o grau de comprometimento neurológico, associado ou não à microcefalia ao nascimento. <![CDATA[Padrões de crescimento pós-natal do recém-nascido prematuro: como avaliar]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objectives: There are several factors that influence the postnatal growth of preterm infants. It is crucial to define how to evaluate the growth rate of each preterm child and its individual trajectory, the type of growth curve, either with parameters of prescriptive curves for healthy preterm infants with no morbidities or, in the case of preterm infants and their "bundle of vulnerabilities", growth curves that may represent how they are actually growing, with the aim of directing appropriate nutritional care to each gestational age range. Data sources: The main studies with growth curves for growth monitoring and the appropriate nutritional adjustments that prioritized the individual trajectory of postnatal growth rate were reviewed. PubMed and Google Scholar were searched. Data synthesis: The use of longitudinal neonatal data with different gestational ages and considering high and medium-risk pregnancies will probably be essential to evaluate the optimal growth pattern. Conclusions: Prioritizing and knowing the individual growth trajectory of each preterm child is an alternative for preterm infants with less than 33 weeks of gestational age. For larger preterm infants born at gestational age &gt;33 weeks, the Intergrowth 21st curves are adequate.<hr/>Resumo Objetivos: Inúmeros são os fatores que influenciam o crescimento pós-natal de prematuros. É fundamental a definição de como avaliar velocidade de crescimento de cada criança nascida prematura e sua trajetória individual, o tipo de curva de crescimento, seja com parâmetros de curvas prescritivas para prematuros saudáveis e sem morbidades ou no caso de um prematuro e seu "pacote de vulnerabilidades", curvas de crescimento que possam representar como eles realmente crescem, com a finalidade de direcionar o cuidado nutricional apropriado a cada faixa de idade gestacional. Fonte de dados: Foram revisados os principais estudos com curvas de crescimento na monitoração do crescimento e nos ajustes nutricionais apropriados que priorizaram a trajetória individual da velocidade de crescimento pós-natal. Foram consultados PubMed e Google Scholar. Síntese dos dados: O uso de dados neonatais longitudinais com diferentes idades gestacionais e considerando gestações de alto e médio risco provavelmente será fundamental para avaliar o padrão ótimo de crescimento. Conclusões: Priorizar e conhecer a trajetória individual de crescimento de cada criança nascida prematura é opção para prematuros com menos de 33 semanas. Para prematuros maiores, nascidos com idade gestacional acima de 33 semanas, as curvas Intergrowth 21 st são adequadas. <![CDATA[Repercussões dos erros inatos da imunidade sobre o crescimento]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objectives: This study aimed to review the literature on the repercussions of the different inborn errors of immunity on growth, drawing attention to the diagnosis of this group of diseases in patients with growth disorders, as well as to enable the identification of the different causes of growth disorders in patients with inborn errors of immunity, which can help in their treatment. Data sources: Non-systematic review of the literature, searching articles since 2000 in PubMed with the terms "growth", "growth disorders", "failure to thrive", or "short stature" AND "immunologic deficiency syndromes", "immune deficiency disease", or "immune deficiency" NOT HIV. The Online Mendelian Inheritance in Man (OMIN) database was searched for immunodeficiencies and short stature or failure to thrive. Data summary: Inborn errors of immunity can affect growth in different ways, and some of them can change growth through multiple simultaneous mechanisms: genetic syndromes; disorders of the osteoarticular system; disorders of the endocrine system; reduction in caloric intake; catabolic processes; loss of nutrients; and inflammatory and/or infectious conditions. Conclusions: The type of inborn errors of immunity allows anticipating what type of growth disorder can be expected. The type of growth disorder can help in the diagnosis of clinical conditions related to inborn errors of immunity. In many inborn errors of immunity, the causes of poor growth are mixed, involving more than one factor. In many cases, impaired growth can be adjusted with proper inborn errors of immunity treatment or proper approach to the mechanism of growth impairment.<hr/>Resumo Objetivos: Revisão da literatura sobre as repercussões dos diferentes erros inatos da imunidade sobre o crescimento, chamar a atenção para o diagnóstico desse grupo de doenças em pacientes que apresentem desordens do crescimento, assim como permitir que se identifiquem as diferentes causas de alterações do crescimento em pacientes com erros inatos da imunidade, o que pode auxiliar em seu manejo. Fonte dos dados: Revisão não sistemática da literatura, com busca de artigos desde 2000 no Pubmed com os termos "growth" ou "growth disorders" ou "failure to thrive" ou "short stature" AND "immunologic deficiency syndromes" ou "immune deficiency disease" ou "imune deficiency" NOT HIV. E buscas na base OMIN (Online Mendelian Inheritance in Man) por imunodeficiências e baixa estatura ou falha no crescimento ("failure to thrive"). Síntese dos dados: Há diferentes modos pelos quais os erros inatos da imunidade podem afetar o crescimento e alguns deles podem alterar o crescimento por múltiplos mecanismos simultâneos: síndromes genéticas; afecções do aparelho osteoarticular; afecções do sistema endócrino; redução de aporte calórico; processos catabólicos: perda de nutrientes, assim como afecções inflamatórias e/ou infecciosas. Conclusões: O tipo de erros inatos da imunidade permite prever que tipo de alteração no crescimento devemos esperar. O tipo de alteração no crescimento pode auxiliar no diagnóstico de condições clínicas associadas aos erros inatos da imunidade. Em muitos erros inatos da imunidade, as causas do crescimento deficiente são mistas, envolvem mais de um fator. Em muitos casos, o prejuízo do crescimento pode ser corrigido com o adequado tratamento dos erros inatos da imunidade ou adequada abordagem do mecanismo que causa o prejuízo do crescimento. <![CDATA[Crescimento linear e metabolismo ósseo em pacientes pediátricos com doença inflamatória intestinal]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objective: To review the pathophysiology and evaluation methods of linear growth and bone mineral density in children and adolescents diagnosed with inflammatory bowel disease. Source of data: Narrative review carried out in the PubMed and Scopus databases through an active search of the terms: inflammatory bowel disease, growth, failure to thrive, bone health, bone mineral density, and children and adolescents, related to the last ten years, searching in the title, abstract, or keyword fields. Synthesis of findings: Inflammatory bowel diseases of childhood onset may present as part of the clinical picture of delayed linear growth in addition to low bone mineral density. The presence of a chronic inflammatory process with elevated serum levels of inflammatory cytokines negatively interferes with the growth rate and bone metabolism regulation, in addition to increasing energy expenditure, compromising nutrient absorption, and favoring intestinal protein losses. Another important factor is the chronic use of glucocorticoids, which decreases the secretion of growth hormone and the gonadotrophin pulses, causing pubertal and growth spurt delay. In addition to these effects, they inhibit the replication of osteoblastic lineage cells and stimulate osteoclastogenesis. Conclusion: Insufficient growth and low bone mineral density in pediatric patients with inflammatory bowel disease are complex problems that result from multiple factors including chronic inflammation, malnutrition, decreased physical activity, late puberty, genetic susceptibility, and immunosuppressive therapies, such as glucocorticoids.<hr/>Resumo Objetivo: Revisar a fisiopatologia e os métodos de avaliação do crescimento linear e densidade mineral óssea em crianças e adolescentes com diagnóstico de doença inflamatória intestinal. Fontes dos dados: Revisão narrativa a partir de pesquisa nas bases de dados PubMed e Scopus por meio de busca ativa dos termos inflammatory bowel disease, growth, failure to thrive, bone health, bone mineral density, children e adolescents nos últimos dez anos e com busca nos campos título, resumo ou palavra-chave. Resumo dos achados: As doenças inflamatórias intestinais com início na infância podem apresentar como parte do quadro clínico atraso do crescimento linear, além de baixa densidade mineral óssea. A presença de processo inflamatório crônico com elevados níveis séricos das citocinas inflamatórias interfere negativamente na velocidade do crescimento e na regulação do metabolismo ósseo, além de aumentar o gasto energético, comprometer a absorção de nutrientes e favorecer perdas proteicas intestinais. Outro fator importante é o uso crônico de glicocorticoides, que diminuem a secreção de hormônio do crescimento e dos pulsos das gonadotrofinas e ocasionam atraso puberal e no estirão do crescimento. Além desses efeitos, inibem a reprodução das células da linhagem osteoblástica e estimulam a osteoclastogênese. Conclusão: A insuficiência do crescimento e a baixa densidade mineral óssea em pacientes pediátricos com doença inflamatória intestinal são problemas complexos e que decorrem de múltiplos fatores, inclusive inflamação crônica, desnutrição, diminuição da atividade física, puberdade tardia, suscetibilidade genética a terapias imunossupressoras, como os glicocorticoides. <![CDATA[Crescimento e respiradores orais<sup>,</sup>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objective: To assess the relationship between mouth breathing and growth disorders among children and teenagers. Data source: Search on MEDLINE database, over the last 10 years, by using the following terms: "mouth breathing", "adenotonsilar hypertrophy", "allergic rhinitis", "sleep disturbance" AND "growth impairment", "growth hormone", "failure to thrive", "short stature", or "failure to thrive". Data summary: A total of 247 articles were identified and, after reading the headings, this number was reduced to 45 articles, whose abstracts were read and, of these, 20 were deemed important and were included in the review. In addition of these articles, references mentioned in them and specific books on mouth breathing deemed important were included. Hypertrophy of palatine and/or pharyngeal tonsils, whether associated with allergic rhinitis, as well as poorly controlled allergic rhinitis, are the main causes of mouth breathing in children. Respiratory sleep disorders are frequent among these patients. Several studies associate mouth breathing with reduced growth, as well as with reduced growth hormone release, which are reestablished after effective treatment of mouth breathing (clinical and/or surgical). Conclusions: Mouth breathing should be considered as a potential cause of growth retardation in children; pediatricians should assess these patients in a broad manner.<hr/>Resumo Objetivo: Avaliar a relação entre respiração oral e distúrbios do crescimento entre crianças e adolescentes. Fonte de dados: Busca na base de dados do MEDLINE, nos últimos 10 anos, com o emprego dos seguintes termos: "mouth breathing" ou "adenotonsilar hypertrophy", ou "allergic rhinitis" ou sleep disturbance" AND "growth impairment" ou "growth hormone" ou "failure to thrive" ou "short stature" ou "failure to thrive". Síntese dos dados: Foram identificados 247 artigos, que após a leitura dos títulos foram reduzidos a 45, cujos resumos foram lidos e desses 20 foram considerados de importância e integraram a revisão. Além desses, referências por eles citadas e livros-texto específicos sobre respiração oral considerados importantes foram incluídos. A hipertrofia de tonsilas palatinas e/ou faríngeas, associada ou não à rinite alérgica, assim como a rinite alérgica mal controlada, é a principal causa de respiração oral na criança. Distúrbios respiratórios do sono são frequentes entre esses pacientes. Vários estudos associam a respiração oral à redução do crescimento, bem como à redução de liberação de hormônio do crescimento, que são restabelecidos após o tratamento efetivo da respiração oral (clínico e/ou cirúrgico). Conclusões: A respiração oral deve ser cogitada como possível causa de retardo de crescimento em crianças e cabe ao pediatra a tarefa de investigar esses pacientes de forma mais abrangente. <![CDATA[Efeitos da atividade física sobre o crescimento de crianças]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objective: To describe the current scientific knowledge on the effects of physical exercise on the growth of children and adolescents since intrauterine life. Source of data: A search was carried out in the Medline, Embase, Scielo, and Cochrane databases of studies published from 1990 to 2018. The authors included studies with different designs: clinical trials, cohort, cross-sectional and review studies. Synthesis of data: Studies that addressed the subject of physical exercise or physical activity, and weight-height growth or bone or muscle tissue growth were identified. These studies were analyzed, classified, and presented by age group: fetuses, preterm newborns, preschoolers, schoolchildren, and adolescents. It was observed that almost all studies indicated the safety of physical exercises, of mild to moderate intensity, for pregnant women, as well as children and adolescents, including both aerobic and anaerobic exercises. The retrieve studies did not demonstrate that the practice of physical exercises or certain sports, especially basketball and floor gymnastics, influenced the linear growth of children or adolescents. Some studies showed an increase in bone and muscle tissue growth in child and adolescent athletes. Conclusions: Despite the small number of studies with adequate methodology, especially randomized clinical trials, evidence appears to indicate that physical exercise is safe for both the pregnant woman and the child, from fetal life to adolescence. Physical exercise does not appear to impair the child's linear growth and contributes to the ideal shaping of bone and muscle tissues, ensuring possible beneficial effects throughout life.<hr/>Resumo Objetivo: Descrever o conhecimento científico atual sobre os efeitos do exercício físico no crescimento das crianças e adolescentes desde a vida intrauterina. Fonte dos dados: Pesquisa nas bases de dados Medline, Embase, Scielo e Cochrane que envolveu estudos publicados desde 1990 até 2018. Foram incluídos estudos com diferentes desenhos: ensaios clínicos, coorte, transversais e revisões. Síntese dos dados: Foram identificados estudos que abordaram o tema, exercício físico ou atividade física e crescimento pondero-estatural ou dos tecidos ósseo ou muscular. Os estudos foram analisados, classificados e apresentados por faixa etária: fetos, recém-nascidos pré-termos, pré-escolares, escolares e adolescentes. Observou-se que quase todos os estudos apontaram para a segurança do exercício físico de leve a moderada intensidade, tanto para a gestante como para a criança e o adolescente, inclusive tanto os exercícios aeróbicos como os anaeróbicos. Os estudos identificados não comprovaram que a prática de exercícios físicos ou determinados esportes, em especial o basquete e a ginástica de solo, exerciam influência no crescimento linear das crianças ou adolescentes. Alguns estudos demonstraram um maior crescimento do tecido ósseo e muscular em crianças e adolescentes atletas. Conclusões: Apesar do pequeno número de estudos com metodologia adequada, em especial ensaios clínicos randomizados, as evidências parecem indicar que o exercício físico seja seguro, tanto para a gestante como para a criança, desde a vida fetal até adolescência. O exercício físico não parece comprometer o crescimento linear da criança e contribui para moldar de forma ideal os tecidos ósseo e muscular e assegurar possíveis efeitos benéficos ao longo da vida. <![CDATA[Crescimento da criança em amamentação exclusiva]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300011&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objective: To address the growth of full-term children in the first 6 months of life in exclusive breastfeeding. Source of data: A non-systematic review was carried out by searching the MEDLINE/PubMed, Web of Science, and Cochrane Library databases and the World Health Organization website for articles and documents on the growth of exclusively breastfed infants and their monitoring. Those documents considered to be the most relevant by the author were selected. Data synthesis: Exclusively breastfeed infants show differentiated growth when compared to formula-fed infants. Weight loss in the first four days of life is due more to loss of fat mass rather than lean mass, including body water, and is usually lower in exclusively breastfed infants. In turn, the time for recovery of the birth weight may be longer in these infants. Formula-fed infants gain weight and increase their BMI more rapidly in the first three to six months of life than infants in exclusive or predominant breastfeeding due to a progressive increase in lean mass. The World Health Organization growth curves, which use the growth pattern of breastfed children as their standard, are used to monitor growth. Conclusions: Exclusively breastfed infants have differentiated growth when compared with formula-fed infants. This should be considered when monitoring the infant's growth. It should be emphasized that the growth pattern currently used as reference is that of the exclusively breastfed infant.<hr/>Resumo Objetivo: Abordar o crescimento da criança nascida a termo nos primeiros seis meses de vida em amamentação exclusiva. Fonte dos dados: Foi feita revisão não sistemática tendo sido consultadas as bases de dados MEDLINE/PubMed, Web of Science, Cochrane Library e site da Organização Mundial da Saúde, em busca de artigos e documentos versando sobre o crescimento da criança em amamentação exclusiva e o seu monitoramento. Foram selecionados aqueles julgados mais relevantes pela autora. Síntese dos dados: As crianças em amamentação exclusiva apresentam crescimento diferenciado quando comparadas com crianças alimentadas com fórmulas infantis. A perda de peso nos primeiros 4 dias de vida se deve mais à perda de massa gorda do que de massa magra, incluindo a água corporal, e costuma ser menor nas crianças amamentadas exclusivamente. Por outro lado, o tempo para a recuperação do peso de nascimento pode ser maior nessas crianças. As crianças alimentadas com fórmulas ganham peso e aumentam o seu IMC mais rapidamente nos primeiros 3 a 6 meses do que as crianças em amamentação exclusiva ou predominante, devido a um aumento progressivo da massa magra. Para o monitoramento do crescimento utilizam-se as curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde, que adota como padrão o crescimento das crianças amamentadas. Conclusões: A criança em amamentação exclusiva apresenta crescimento diferenciado em comparação com as crianças alimentadas com fórmulas infantis. Isso deve ser levado em consideração durante o monitoramento do crescimento da criança. Ressalta-se que o padrão de crescimento adotado como referência atualmente é o da criança amamentada exclusivamente. <![CDATA[Disfunção entérica ambiental e crescimento]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300012&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objective: To describe the current indicators of environmental enteric dysfunction and its association with linear growth deficit and the height-for-age anthropometric indicator. Data sources: Narrative review with articles identified in PubMed and Scopus databases using combinations of the following words: environmental, enteric, dysfunction, enteropathy, and growth, as well as the authors’ personal records. Data synthesis: In the last 15 years, new non-invasive markers have been investigated to characterize environmental enteric dysfunction; however, the best tests to be used have not yet been identified. There is evidence that, in environmental enteric dysfunction, a systemic inflammatory process may also occur as a consequence of increased intestinal permeability, in addition to intestinal mucosa abnormalities. Bacterial overgrowth in the small intestine and changes in fecal microbiota profile have also been identified. There is evidence indicating that environmental enteric dysfunction can impair not only full growth but also the neuropsychomotor development and response to orally administered vaccines. It is important to emphasize that the environmental enteric dysfunction is not a justification for not carrying out vaccination, which must follow the regular schedule. Another aspect to emphasize is the greater risk for those children who had height impairment in early childhood, possibly associated with environmental enteric dysfunction, to present overweight and obesity in adulthood when exposed to a high calorie diet, which has been called “triple burden.” Conclusions: According to the analyzed evidence, the control of environmental enteric dysfunction is very important for the full expression of growth, development, and vaccine response in the pediatric age group.<hr/>Resumo Objetivo: Descrever os indicadores atuais da disfunção entérica ambiental e sua relação com déficit de crescimento linear e com o indicador antropométrico estatura-idade. Fontes dos dados: Revisão narrativa com artigos identificados no PubMed e Scopus com o uso de combinações das seguintes palavras: environmental, enteric, dysfunction, enteropathy e growth e dos arquivos pessoais dos autores. Síntese dos dados: Nos últimos 15 anos, vem sendo pesquisados novos marcadores não invasivos para caracterizar disfunção entérica ambiental. No entanto, ainda não foram identificados os melhores testes a serem usados. Existem evidências de que na disfunção entérica ambiental, além das anormalidades da mucosa intestinal, pode ocorrer também processo inflamatório sistêmico em consequência da maior permeabilidade intestinal. Sobrecrescimento bacteriano no intestino delgado e mudança no perfil da microbiota fecal também estão sendo identificados. Evidências indicam que a disfunção entérica ambiental pode comprometer não somente o pleno crescimento como também comprometer o desenvolvimento neuropsicomotor e a resposta de vacinas administradas por via oral. É importante destacar que a disfunção entérica ambiental não é justificativa para não fazer a vacinação, que deve seguir o calendário normal. Um outro aspecto a ser ressaltado é o risco maior dessas crianças que tiveram comprometimento da estatura na infância precoce, possivelmente associado à disfunção entérica ambiental, apresentarem na idade adulta excesso de peso e obesidade quando expostas a uma dieta rica em calorias, o que tem sido chamado “triple burden”. Conclusões: De acordo com as evidências analisadas, o controle da disfunção entérica ambiental é muito importante para plena expressão do crescimento, desenvolvimento e resposta vacinal na faixa etária pediátrica. <![CDATA[Influência da terapia antirretroviral no padrão de crescimento em crianças e adolescentes vivendo com HIV/Aids]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572019000300013&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Objective: Weight and height growth impairment is one of the most frequent manifestations in HIV-infected children and may be the first sign of disease, being considered a marker of disease progression and an independent risk factor for death. The aim of this review is to evaluate the influence of antiretroviral therapy on the growth pattern of children and adolescents living with HIV/AIDS. Source of data: A non-systematic review was carried out in the PubMed database, with the terms "HIV", "Weight and height growth", "ART" and "children". The most relevant publications were selected. Data Synthesis: Antiretroviral therapy has significantly reduced morbidity and mortality in HIV-infected children and is clearly associated with recovery of weight and height-for-age Z-scores, especially when started early, in the asymptomatic child still without weight-height impairment. Therapeutic strategies involving the GH/IGF-1 axis, especially for children with growth impairment, are still being studied. Conclusions: HIV-infected children show early weight-height impairment; antiretroviral therapy improves the anthropometric profile of these children.<hr/>Resumo Objetivo: O acometimento do desenvolvimento pondero-estatural é uma das manifestações mais frequentes nas crianças infectadas pelo HIV e pode ser o primeiro sinal de doença, é considerado um marcador de progressão para doença e um fator de risco independente para morte. O objetivo desta revisão é avaliar a influência da terapia antirretroviral no padrão de crescimento em crianças e adolescentes vivendo com HIV/Aids. Fonte dos dados: Foi feita uma revisão não sistemática na base de dados PubMed, com os termos “HIV”, “desenvolvimento pondero estatural”, “TARV” e “crianças”. Foram selecionadas as publicações mais relevantes. Síntese dos dados: A terapia antirretroviral reduziu substancialmente a morbimortalidade em crianças infectadas pelo HIV e está claramente associada à recuperação do escore-z de peso e de estatura para idade, principalmente quando iniciada precocemente, na criança assintomática e ainda sem comprometimento pondero-estatural. Estratégias terapêuticas que envolvem o eixo GH/IGF-1, principalmente para crianças com comprometimento do crescimento, ainda estão em estudo. Conclusões: As crianças infectadas pelo HIV apresentam comprometimento pondero-estatural precoce e a terapia antirretroviral melhora o perfil antropométrico dessas crianças.