Scielo RSS <![CDATA[Jornal de Pediatria]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0021-755720100006&lang=en vol. 86 num. 6 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Biliary atresia in Brazil</b>: <b>where we are and where we are going</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b><i>Mycoplasma pneumoniae</i></b><b> pneumonia, bacterial pneumonia and viral pneumonia</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600002&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>Use of stem cells in perinatal asphyxia</b>: <b>from bench to bedside</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600003&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVOS: Apresentar evidências científicas recentes sobre os efeitos do transplante com células-tronco em modelos animais de lesão cerebral hipóxico-isquêmica neonatal e abordar os aspectos translacionais relevantes à aplicação clínica da terapia celular nesse contexto. FONTES DOS DADOS: Para a seleção dos artigos, utilizou-se a base de dados PubMed e Scopus. O critério de seleção de artigos foi a especificidade em relação ao tema estudado, preferencialmente a partir do ano de 2000. Também foram revisados artigos clássicos de anos anteriores que se aplicavam ao propósito desta revisão. SÍNTESE DOS DADOS: Células-tronco de diferentes fontes exógenas podem exibir propriedades neuroprotetoras em modelos experimentais de hipóxia-isquemia neonatal. Na maioria dos experimentos animais, os benefícios morfológicos e funcionais observados foram independentes da diferenciação neural, sugerindo mecanismos de ação associados, tais como a liberação de fatores tróficos e a modulação inflamatória. CONCLUSÕES: Baseado nos estudos experimentais analisados, a terapia celular pode tornar-se uma promissora abordagem terapêutica no tratamento de crianças com encefalopatia hipóxico-isquêmica. No entanto, estudos adicionais necessitam ser realizados a fim de elucidar os possíveis mecanismos de ação dessas células e definir estratégias clínicas seguras e efetivas.<hr/>OBJECTIVES: To present recent scientific evidence on the effects of stem cell transplantation in animal models of neonatal hypoxic-ischemic brain injury and address the translational relevance of cell therapy for clinical application in this context. SOURCES: The PubMed and Scopus databases were used to select articles. The selection criterion was the specificity of articles regarding the subject studied, preferably articles published from 2000 onward. We also reviewed classic articles from previous years that were applicable to this review. SUMMARY OF THE FINDINGS: Stem cells from different exogenous sources may exhibit neuroprotective properties in experimental models of neonatal hypoxia-ischemia. In most animal experiments, the morphological and functional benefits observed were independent of neural differentiation, suggesting associated mechanisms of action, such as the release of trophic factors and inflammatory modulation. CONCLUSIONS: Based on the experimental studies analyzed, cell therapy may become a promising therapeutic approach in the treatment of children with hypoxic-ischemic encephalopathy. However, further studies are warranted to elucidate potential mechanisms of action of these cells and to define safe and effective clinical strategies. <![CDATA[<b>Transitioning adolescents living with HIV/AIDS to adult-oriented health care</b>: <b>an emerging challenge</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600004&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Revisar a literatura sobre transição de adolescentes da pediatria para a clínica de adultos, com enfoque na clínica da AIDS, discutindo o tema no contexto das doenças crônicas. FONTES DOS DADOS: A pesquisa bibliográfica utilizou os bancos de dados MEDLINE e LILACS (1990-2010), selecionando artigos disponíveis em inglês ou francês. SÍNTESE DOS DADOS: A transição de adolescentes com doenças crônicas, sempre atendidos por pediatras, para os serviços de adultos, tem sido uma crescente preocupação nas diversas especialidades pediátricas. Mais recentemente, jovens vivendo com HIV/AIDS estão atingindo essa fase e apresentando diversas dificuldades. Os estudos avaliados nessa revisão discutem alguns tópicos relevantes, como: a diferença entre transferência, um evento isolado, e transição, um processo gradual; os modelos utilizados nos diversos serviços; a importância de a transição ser feita de maneira planejada e individualizada; a necessidade de ampla interação entre as equipes pediátricas e os serviços de adultos; a importância da participação conjunta dos adolescentes, familiares e profissionais de saúde; as barreiras e os fatores que favorecem uma transição bem-sucedida; as necessidades e particularidades dos adolescentes com HIV/AIDS nesse momento importante de mudanças. CONCLUSÕES: Vários autores concordam que a transição de adolescentes para os serviços de adultos deva ser um processo gradual, não determinado apenas pela idade. É preciso um planejamento que envolva adolescentes, familiares e equipe dos serviços pediátricos e de adultos. No entanto, há pouca evidência que privilegie um modelo específico de transição, o que lança o desafio para a realização de mais estudos prospectivos sobre o tema, especialmente em grupos de maior vulnerabilidade, como o de adolescentes vivendo com HIV/AIDS.<hr/>OBJECTIVE: To review the literature on transition from pediatric to adult-oriented health care and discuss this issue in the specific context of chronic conditions. SOURCES: MEDLINE and LILACS were searched for relevant English and French-language articles published between 1990 and 2010. SUMMARY OF THE FINDINGS: The transition of adolescents with chronic diseases from pediatric care to adult-oriented services has been a growing concern among pediatric specialties. In recent years, young people living with HIV/AIDS have begun to reach adulthood, giving rise to several challenges. The studies reviewed herein discuss such relevant topics as: the difference between transfer, an isolated event, and transition, a gradual process; the transition models used in different services; the importance of transitioning in a planned and individualized manner; the need for comprehensive interaction between pediatric and adult-oriented care teams; the importance of joint participation of adolescents, their families, and health professionals in the process; barriers to and factors that promote successful transitions; and the special needs of adolescents with HIV/AIDS in this important period of life. CONCLUSIONS: Several authors agree that transitioning adolescents to adult-oriented health care should be a gradual process not determined by age alone. It requires a plan established with ample dialogue among adolescents, their families, and pediatric and adult care teams. However, there is little evidence to support any specific model of health care transition. This should prompt researchers to conduct more prospective studies on the theme, especially in more vulnerable groups such as adolescents living with HIV/AIDS. <![CDATA[<b>Biliary atresia</b>: <b>the Brazilian experience</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600005&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Avaliar as características epidemiológicas, clínicas e prognósticas de crianças com atresia biliar. MÉTODOS: Dados sobre portoenterostomia, transplante hepático (TxH), idade no último seguimento e sobrevida foram coletados dos prontuários de pacientes acompanhados em seis centros no Brasil (1982-2008) e comparados em relação às décadas do procedimento cirúrgico. RESULTADOS: Dos 513 pacientes, 76,4% foram submetidos a portoenterostomia [idade: 60,0-94,7 (82,6±32,8) dias] e 46,6% foram submetidos a TxH. Em 69% dos casos, o TxH foi realizado após a portoenterostomia, enquanto em 31% dos casos o TxH foi realizado como cirurgia primária. Os pacientes da região Nordeste foram submetidos a portoenterostomia mais tardiamente do que as crianças das regiões Sul (p = 0,008) e Sudeste (p = 0,0012), embora, mesmo nas duas últimas regiões, a idade no momento da portoenterostomia tenha sido superior ao desejável. Ao longo das décadas, houve aumento progressivo do número de TxH realizados. A sobrevida global foi de 67,6%. A sobrevida aumentou nas últimas décadas (anos 1980 versus 1990, p = 0,002; anos 1980 versus 2000, p < 0,001; anos 1990 versus 2000, p < 0,001). A sobrevida de 4 anos pós-portoenterostomia, com ou sem TxH, foi de 73,4%, inversamente correlacionada à idade no momento da portoenterostomia (80, 77,7, 60,5% para < 60, 61-90, &gt; 90 dias, respectivamente). Os pacientes transplantados apresentaram taxas de sobrevida mais elevadas (88,3%). A sobrevida de 4 anos com fígado nativo foi de 36,8%, inversamente correlacionada à idade no momento da portoenterostomia (54, 33,3, 26,6% para < 60, 61-90, &gt; 90 dias, respectivamente). CONCLUSÕES: Este estudo multicêntrico demonstrou que o encaminhamento tardio das crianças portadoras de atresia biliar ainda é um problema no Brasil, influenciando a sobrevida destes pacientes. Estratégias que proporcionam o encaminhamento precoce estão sendo desenvolvidas com o objetivo de reduzir a necessidade de transplante hepático nos primeiros anos de vida.<hr/>OBJECTIVE: To evaluate epidemiological, clinical and prognostic characteristics of children with biliary atresia. METHODS: Data regarding portoenterostomy, liver transplantation (LTx), age at last follow-up and survival were collected from the records of patients followed up in six Brazilian centers (1982-2008) and compared regarding decades of surgery. RESULTS: Of 513 patients, 76.4% underwent portoenterostomy [age: 60-94.7 (82.6±32.8) days] and 46.6% underwent LTx. In 69% of cases, LTx followed portoenterostomy, whereas in 31% of cases LTx was performed as the primary surgery. Patients from the Northeast region underwent portoenterostomy later than infants from Southern (p = 0.008) and Southeastern (p = 0.0012) Brazil, although even in the latter two regions age at portoenterostomy was higher than desirable. Over the decades, LTx was increasingly performed. Overall survival was 67.6%. Survival increased over the decades (1980s vs. 1990s, p = 0.002; 1980s vs. 2000s, p < 0.001; 1990s vs. 2000s, p < 0.001). The 4-year post-portoenterostomy survival, with or without LTx, was 73.4%, inversely correlated with age at portoenterostomy (80, 77.7, 60.5% for < 60, 61-90, &gt; 90 days, respectively). Higher survival rates were observed among transplanted patients (88.3%). The 4-year native liver survival was 36.8%, inversely correlated with age at portoenterostomy (54, 33.3, 26.6% for < 60, 61-90, &gt; 90 days, respectively). CONCLUSIONS: This multicenter study showed that late referral for biliary atresia is still a problem in Brazil, affecting patient survival. Strategies to enhance earlier referral are currently being developed aiming to decrease the need for liver transplantation in the first years of life. <![CDATA[<b>Clinical, radiographic and hematological characteristics of <i>Mycoplasma pneumoniae</i> pneumonia</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600006&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Descrever as características clínicas, hematológicas e radiológicas de crianças hospitalizadas por pneumonia causada pelo Mycoplasma pneumoniae. MÉTODO: Participaram deste estudo, 190 crianças de 3 meses a 16 anos, hospitalizadas por pneumonia radiologicamente comprovada. Os pacientes foram divididos em dois grupos, a saber: 95 crianças com pneumonia por Mycoplasma pneumoniae, diagnosticada pelo método de ensaio imunoenzimático (ELISA); e 95 crianças com pneumonia causada por outros agentes etiológicos. A partir de um sistema de pontuação validado, os achados clínicos, hematológicos e radiológicos dos dois grupos foram comparados para diferenciar as pneumonias por Mycoplasma pneumoniae (grupo 1) das pneumonias causadas por outros agentes etiológicos (grupo 2), divididas em bactérias (n = 75) e vírus (n = 20). RESULTADOS: Pneumonia por Mycoplasma pneumoniae foi mais frequente em crianças do sexo feminino (p < 0,01), com média de idade maior (p < 0,01), tosse seca (p < 0,01) e manifestações extrapulmonares (p < 0,01). As variáveis clínicas, hematológicas e radiológicas da pneumonia por Mycoplasma pneumoniae (média do escore = 6,95) tiveram uma pontuação intermediária entre os escores obtidos para as pneumonias bacterianas (média do escore = 8,27) e virais (média do escore = 0,90). CONCLUSÃO: Os resultados sugerem que o sistema de pontuação empregado pode contribuir para o diagnóstico presuntivo de pneumonia por Mycoplasma pneumoniae e auxiliar na sua diferenciação dos quadros pneumônicos determinados por outros agentes etiológicos.<hr/>OBJECTIVE: To describe the clinical, hematological and radiographic characteristics of children hospitalized for Mycoplasma pneumoniae pneumonia. METHOD: The study population consisted of 190 children between 3 months and 16 years old, hospitalized for radiographically confirmed pneumonia. Patients were divided into two groups, to wit: 95 children with Mycoplasma pneumoniae pneumonia, as diagnosed using the enzyme-linked immunosorbent assay (ELISA) method; and 95 children with pneumonia caused by other etiologic agents. Using a validated scoring system, the clinical, hematological and radiographic findings of both groups were compared to differentiate Mycoplasma pneumoniae pneumonia (group 1) from pneumonia caused by other etiologic agents (group 2), itself divided into two groups, bacterial (n = 75) and viral (n = 20). RESULTS: Mycoplasma pneumoniae pneumonia was found most often in girls (p < 0.01), older children (p < 0.01), and patients with dry cough (p < 0.01) and extrapulmonary manifestations (p < 0.01). The clinical, hematological and radiographic variables of Mycoplasma pneumoniae pneumonia (mean score = 6.95) scored between those found in bacterial (mean score = 8.27) and viral pneumonia (mean score = 0.90). CONCLUSION: Results suggest that the scoring system can contribute to the presumptive diagnosis of Mycoplasma pneumoniae pneumonia and help differentiate pneumonic status caused by other etiologic agents. <![CDATA[<b>Relationship between iron deficiency and anemia in children younger than 4 years</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600007&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Avaliar a prevalência de anemia, deficiência de ferro e anemia por deficiência de ferro em uma coorte de crianças. MÉTODOS: Estudo de coorte aninhado a um ensaio de campo randomizado. As crianças foram selecionadas ao nascimento na maternidade do único hospital público da cidade de São Leopoldo (RS), Brasil. O presente estudo avaliou o estado nutricional de ferro (hemoglobina e ferritina sérica) quando essas crianças apresentavam idade de 12-16 meses e, posteriormente, na idade de 3-4 anos. A anemia foi definida pela concentração de hemoglobina < 11,0 g/dL; a deficiência de ferro, por ferritina sérica < 15,0 µg/L; e a anemia por deficiência de ferro, pela presença de concentrações de hemoglobina < 11,0 g/dL com deficiência de ferro. RESULTADOS: Na idade de 12-16 meses, a prevalência geral de anemia, deficiência de ferro e anemia por deficiência de ferro foi de 63,7, 90,3 e 58,8%, respectivamente. Esses valores, para a faixa etária de 3-4 anos, foram de 38,1, 16,1 e 7,4%, respectivamente. Na idade de 12-16 meses, 95% dos casos de anemia foram associados à deficência de ferro, e na idade de 3-4 anos, apenas 19,3% dos casos. CONCLUSÕES: Observou-se que a deficiência de ferro foi a principal causa da anemia no segundo ano de vida, porém não na idade de 3-4 anos. Assim, enfatiza-se que a anemia em crianças de idade pré-escolar pode ter outras etiologias e merece avaliações cuidadosas.<hr/>OBJECTIVE: To evaluate the prevalence of anemia, iron deficiency and iron deficiency anemia in a cohort of children. METHODS: A cohort study nested in a randomized field trial. Children were recruited at birth at the maternity unit of the only public hospital in the city of São Leopoldo, southern Brazil. This study assessed iron status (hemoglobin and serum ferritin) when children were 12-16 months old and later at the age of 3-4 years. Anemia was defined as hemoglobin concentration < 11.0 g/dL; iron deficiency as serum ferritin < 15.0 µg/L; and iron deficiency anemia as hemoglobin concentration < 11.0 g/dL with iron deficiency. RESULTS: At age 12-16 months, the overall prevalence of anemia, iron deficiency and iron deficiency anemia was 63.7, 90.3 and 58.8%, respectively. The values for age group 3-4 years were 38.1, 16.1 and 7.4%, respectively. At age 12-16 months, 95% of anemia cases were associated with iron deficiency against only 19.3% of cases at age 3-4 years. CONCLUSIONS: Iron deficiency was the main cause of anemia in the second year of life, but not at age 3-4 years. Thus, we point out that anemia in preschool children may have other causes and deserves careful assessment. <![CDATA[<b>Prevalence of intestinal parasitoses in children at the Xingu Indian Reservation</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600008&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Avaliar a prevalência da parasitose intestinal em crianças indígenas de 2 a 9 anos. MÉTODOS: Para a realização do exame protoparasitológico, foram convidadas todas as crianças de 2 a 9 anos, de seis aldeias localizadas no Médio e Baixo Xingu: Pavuru, Moygu, Tuiararé, Diauarum, Capivara e Ngojwere. Para a conservação das amostras de fezes, foi utilizado o kit coletor Paratest® (Diagnostek, Brasil). As amostras foram transportadas para São Paulo. A pesquisa de helmintos e protozoários foi feita através do método de Hoffman, com posterior pesquisa de ovos e cistos por microscopia óptica. Foram feitas duas coletas com intervalo de 1 ano. RESULTADOS: Não houve diferença significativa entre as idades médias das crianças provenientes das seis aldeias. Resultaram positivas para a presença de parasitas, 97,5% (198/202) e 96,1% (98/102) na primeira e segunda coletas, respectivamente, sem associação estatística entre a idade. Realizaram o exame parasitológico de fezes nos 2 anos, 89/102 (87,3%). Após 1 ano, não houve diferença na proporção de pacientes infestados por protozoários (93,3% em 2007 contra 93,3% em 2008, McNemar = 0,01, p = 0, 1) ou por helmintos (37,1% em 2007 contra 38,2% em 2008, McNemar = 0,03, p = 0,85). Houve diferença significativa quanto à prevalência de Entamoeba coli em 2007 (43,8%) e 2008 (61,8%) (McNemar's Chi 6,1; p = 0,0135). Não houve diferenças significativas quanto aos outros parasitas após comparação dos dois resultados. CONCLUSÃO: A alta prevalência de parasitose intestinal foi compatível com o alto índice de contaminação ambiental dessa comunidade.<hr/>OBJECTIVE: To evaluate the prevalence of intestinal parasitoses in Native Brazilian children from 2 to 9 years old. METHODS: A search for ova and parasites was conducted in the stools of children between 2 to 9 years old living in six indigenous villages located in the Middle and Lower Xingu River, to wit: Pavuru, Moygu, Tuiararé, Diauarum, Capivara, and Ngojwere. The study utilized the Paratest kit® (Diagnostek, Brazil) to preserve collected stools. Fecal samples were shipped to the Laboratory of the Pediatric Gastroenterology Division of the UNIFESP/EPM, in São Paulo, for analysis. The search for ova and parasites was performed utilizing the Hoffman method, and later through optical microscopic evaluation. Fecal samples were collected one year apart from each other. RESULTS: There were no significant statistical differences between the mean ages of the children from the six indigenous villages studied. The search for ova and parasites found positive results for the stools of 97.5% (198/202) and 96.1% (98/102) of children in the first and second collections, respectively. There was no statistical association with the children's age. The search performed one year later found no differences in the proportion of parasites identified in the first collection for protozoa (93.3% in 2007 versus 93.3% in 2008, McNemar = 0.01, p = 0.1) or for helminths (37.1% in 2007 versus 38.2% in 2008, McNemar = 0.03, p = 0.85). There were significant differences in prevalence of Entamoeba coli between 2007 (43.8%) and 2008 (61.8%) (McNemar Chi 6.1; p = 0.0135). There were no significant differences for other parasites when comparing the results of the two studies. CONCLUSION: The high prevalence of intestinal parasitosis matched the elevated rates of environmental contamination in this indigenous community. <![CDATA[<b>Physical fitness and associations with anthropometric measurements in 7 to 15-year-old school children</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600009&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Analisar a associação da aptidão física relacionada à saúde com os indicadores demográficos e antropométricos de crianças de três escolas do município de Botucatu (SP). MÉTODOS: A amostra deste estudo transversal foi de 988 escolares do ensino fundamental, do 2º ao 9º ano (faixa etária de 7 a 15 anos). As avaliações realizadas foram antropométricas (peso, estatura, circunferência abdominal e dobras cutâneas tricipital e subescapular) e de aptidão física relacionada à saúde (flexibilidade: teste de sentar e alcançar; força/resistência abdominal: teste abdominal em 1 minuto; e resistência aeróbia: teste de correr/andar por 9 minutos). Para a análise dos dados, utilizou-se estatística descritiva, teste t de Student, qui-quadrado ou exato de Fisher e regressão logística com nível de significância de 5%. RESULTADOS: As aptidões físicas estudadas foram significativamente influenciadas por idade (todas), sexo (força/resistência abdominal), obesidade (todas), adiposidade corpórea (flexibilidade, força/resistência abdominal) e adiposidade abdominal (força/resistência abdominal e resistência aeróbia). O sexo feminino mostrou-se mais propenso à inaptidão de força/resistência abdominal, enquanto que a obesidade e a hiperadiposidade abdominal predispõem os escolares à inaptidão de força/resistência abdominal e resistência aeróbia. O excesso de adiposidade corpórea aumentou as chances de ocorrência da flexibilidade do tronco fraca. CONCLUSÕES: As inaptidões físicas foram relacionadas ao sexo feminino, à obesidade e à hiperadiposidade abdominal. Programas de mudança do estilo de vida nas escolas, voltados à aptidão física e à adequação alimentar, preencheriam os objetivos de promoção da eutrofia e da maior aptidão física desses escolares.<hr/>OBJECTIVE: To analyze associations between health-related physical fitness and the anthropometric and demographic indicators of children at three elementary schools in Botucatu, SP, Brazil. METHODS: The sample for this cross-sectional study was 988 elementary school students, recruited from the second to ninth grades (an age range of 7 to 15 years). The children underwent anthropometric assessment (weight, height, waist circumference and tricipital and subscapular skin folds) and were tested for health-related physical fitness (flexibility: sit and reach test; abdominal strength/stamina: 1-minute abdominal test; and aerobic stamina: 9-minute running/walking test). Data were analyzed using descriptive statistics plus Student's t test, the chi-square test or Fisher's exact test and logistic regression with a significance level of 5%. RESULTS: The physical fitness levels observed were significantly influenced by age (all levels), sex (abdominal strength/stamina), obesity (all levels), body adiposity (flexibility, abdominal strength/stamina) and abdominal adiposity (abdominal strength/stamina and aerobic stamina). Females were more prone to be unfit in abdominal strength/stamina. Both obesity and excessive abdominal adiposity predisposed children to be unfit in abdominal strength/stamina and aerobic stamina. Excess body adiposity increased the likelihood of poor trunk flexibility. CONCLUSIONS: Unhealthy physical fitness levels were related to female sex, obesity and excessive abdominal adiposity. Implementing programs designed to effect lifestyle changes to achieve physical fitness and healthy nutrition in these schools would meet the objectives of promoting healthy body weight and increased physical fitness among these schoolchildren. <![CDATA[<b>Persistent operational challenges lead to non-reduction in maternal-infant transmission of HIV</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600010&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Determinar os obstáculos à efetiva redução da transmissão materno-infantil do HIV em Campos dos Goytacazes (RJ). MÉTODOS: Estudo de coorte, com acompanhamento médico de gestantes com diagnóstico confirmado de infecção pelo HIV e de seus bebês, atendidos no Serviço Municipal de Atendimento Especializado de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, no período de janeiro de 2004 a abril de 2007; coleta de informações relativas às variáveis de exposição e desfecho a partir dos prontuários; determinação de frequências das variáveis e análise bivariada entre os fatores de exposição e o desfecho; cálculo de riscos relativos de transmissão materno-infantil do HIV associados às variáveis de exposição, com intervalo de confiança de 95%; e avaliação de significância estatística de associações de risco. RESULTADOS: Foram acompanhados 78 binômios, sendo de 7,7% a taxa de transmissão materno-infantil do HIV. As variáveis que mostraram associações estatisticamente significantes com a transmissão materno-infantil do HIV foram: a não utilização de antirretrovirais para profilaxia ou tratamento na gestação (RR = 21,00; IC95% 2,64-166,74, p = 0,001); e o diagnóstico materno após a gestação (RR = 6,80; IC95% 1,59-29,17, p = 0,025). Novas gestações em mulheres com outros filhos já expostos ao HIV ocorreram em 19,12% dos casos. CONCLUSÕES: Não houve redução da taxa de transmissão materno-infantil do HIV no período de 2004-2007 em relação ao triênio anterior. Foram caracterizados como obstáculos determinantes desta não redução: a baixa cobertura pela testagem anti-HIV no pré-natal, impossibilitando tratamento ou profilaxia materna eficiente; e o uso incorreto do teste rápido na admissão para o parto.<hr/>OBJECTIVE: To determine impediments to the effective reduction of maternal-infant transmission of HIV in the municipality of Campos dos Goytacazes, RJ, Brazil. METHODS: This is a cohort study, with medical follow-up, of pregnant women with confirmed diagnosis of HIV infection, and their infant children, assisted at the Municipal Specialized Service of Sexually Transmitted Diseases/AIDS from January 2004 to April 2007. Information regarding exposure and outcome variables was collected from their medical records. Frequencies of variables were determined and bivariate analysis performed for exposure factors and transmission of HIV. Relative risks of HIV transmission associated with exposure variables were calculated using 95% confidence intervals. Statistical significance of risk associations was evaluated. RESULTS: Seventy-eight mother-child pairs were studied; the rate of maternal-infant transmission of HIV was 7.7%. Variables showing significant association with maternal-infant transmission of HIV were the non-utilization of antiretrovirals for prophylaxis or treatment during pregnancy (RR = 21.00; 95%CI 2.64-166.74, p = 0.001) and diagnosis of maternal disease after pregnancy (RR = 6.80; 95%CI 1.59-29.17, p = 0.025). New pregnancies in women with other children also exposed to HIV occurred in 19.12% (15/78) of cases. CONCLUSIONS: There was no reduction in the rate of maternal-infant transmission of HIV in the period 2004-2007 in relation to the preceding triennium. The following were recognized as impediments to the effective reduction of maternal-infant transmission of HIV: low prenatal screening coverage of maternal HIV infection, impairing maternal treatment or prophylaxis; and the incorrect use of the rapid screening test at admission for delivery. <![CDATA[<b>Early-onset neonatal sepsis</b>: <b>cord blood cytokine levels at diagnosis and during treatment</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600011&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Avaliar parâmetros clínicos, laboratoriais e citocinas séricas em 55 neonatos que desenvolveram sepse precoce. MÉTODOS: Avaliamos os parâmetros clínicos dos neonatos relacionados com sepse precoce. No dia do diagnóstico de sepse e 48 horas após, foram realizados o leucograma diferencial e a dosagem de proteína C reativa e glicemia. As citocinas IL-1β, IL-10, IL-6 e TNF-α foram determinadas no sangue do cordão, no dia do diagnóstico de sepse, 48 e 96 horas após o início do tratamento. RESULTADOS: O tempo de internação dos neonatos foi inversamente proporcional ao peso no nascimento. Os parâmetros clínicos foram variados, especialmente a temperatura corpórea. Alterações de glicemia foram frequentes, principalmente a hipoglicemia. A alteração de hemograma mais prevalente foi a leucopenia, devido principalmente à neutropenia. Os níveis de proteína C reativa se mostraram correlacionados com o índice neutrofílico. Observamos uma correlação positiva entre os níveis de TNF-α e IL-10 entre o curso da sepse precoce e os níveis observados no cordão umbilical. CONCLUSÕES: As alterações clínicas e laboratoriais entre os neonatos com sepse são variadas. Neonatos que apresentam elevações no padrão de citocinas no momento do parto permanecem com seus níveis elevados durante o processo infeccioso.<hr/>OBJECTIVE: To assess clinical and laboratory parameters and serum cytokine levels in 55 neonates who developed early-onset sepsis. METHODS: Clinical parameters associated with early-onset neonatal sepsis were assessed. White blood cell differential and serum C-reactive protein and glucose levels were measured upon diagnosis of sepsis and 48 hours later. IL-1β, IL-10, IL-6, and TNF-α levels were measured in cord blood samples obtained on the day of diagnosis and from samples collected 48 and 96 hours after treatment onset. RESULTS: Among newborns with early-onset sepsis, the length of hospital stay was inversely correlated with birth weight. Clinical parameters varied widely, especially body temperature. Blood glucose changes - particularly hypoglycemia - were common. Leukopenia, usually due to neutropenia, was the most prevalent change in blood cell count. C-reactive protein levels correlated with the immature-to-total neutrophil ratio. Serum TNF-α and IL-10 levels measured early in the course of sepsis were positively correlated with those detected in cord blood. CONCLUSIONS: Clinical and laboratory parameters varied widely among neonates with sepsis in this sample. In neonates who presented with increased cytokine levels at birth, this abnormality persisted throughout the infectious process. <![CDATA[<b>Factors associated with infant death after apparent life-threatening event (ALTE)</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600012&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Identificar, na admissão dos lactentes com após eventos com aparente risco de morte (apparent life-threatening event, ALTE), fatores que possam indicar maior risco de evolução para o óbito. MÉTODOS: Estudo transversal retrospectivo, descritivo e analítico com lactentes menores de 12 meses, com evento súbito de cianose, palidez, hipotonia e/ou apneia, atendidos na unidade de emergência de hospital universitário de nível terciário. Para avaliação da associação, determinaram-se os valores de odds ratio bruto e ajustado por regressão logística (método stepwise forward Wald). RESULTADOS: Foram avaliados 145 pacientes com idade média de 105 dias (mediana = 65 dias). Onze (7,6%) evoluíram para óbito, com idade média de 189 dias (mediana = 218 dias), enquanto que a idade média dos sobreviventes foi de 98 dias (mediana = 62 dias) (p = 0,003). Atividades que precederam o evento, antecedente de prematuridade e número de episódios não apresentaram associação com o óbito. Apresentou relação significativa o relato de palidez pelos observadores. Entre os 11 lactentes, 3 apresentaram melhora imediata e espontânea; já 8 pacientes [27,6%; p < 0,001; OR = 14,3 (IC95% 3,51-58,3)] não tiveram melhora espontânea. Os diagnósticos de doença do trato respiratório e do sistema cardiocirculatório também foram significantes. Na análise multivariada, mostraram significância estatística: não melhora imediata e espontânea [p = 0,015; OR = 6,06 (IC95% 1,02-35,94)] e diagnóstico de doença do sistema cardiocirculatório [p = 0,047; OR = 164,27 (IC95% 7,34-3.673,78)]. CONCLUSÃO: Os lactentes que apresentaram ALTE tiveram maior risco de óbito quando presentes na faixa etária acima dos 6 meses e quando os eventos tiveram duração prolongada, principalmente quando ocorreram como manifestação de doenças do sistema cardiocirculatório.<hr/>OBJECTIVE: To detect factors associated with greater risk of death in infants after an apparent life-threatening event (ALTE). METHODS: This cross-sectional, retrospective, descriptive and analytic study evaluated infants younger than 12 months who had a sudden event of cyanosis, pallor, hypotonia or apnea and were seen in the emergency department of a tertiary university hospital. Forward stepwise logistic regression (Wald) was used to calculate and adjust odds ratios to evaluate associations. RESULTS: Mean age of the 145 patients included in the study was 105 days (median = 65 days). Eleven (7.6%) died, and their mean age was 189 days (median = 218 days). Mean age of survivors was 98 days (median = 62 days) (p = 0.003). Activity before the event, prematurity and number of events were not associated with death. A significant association was found with pallor. Of the 11 infants, 3 had spontaneous resolution of ALTE, whereas 8 patients [27.6%; p < 0.001; OR = 14.3 (95%CI 3.51-58.3)] did not. The associations with respiratory or cardiovascular disease were also significant. In multivariate analysis, immediate spontaneous resolution [p = 0.015; OR = 6.06 (95%CI 1.02-35.94)] and diagnosis of cardiovascular disease [p = 0.047; OR = 164.27 (95%CI 7.34-3.673.78)] remained statistically significant. CONCLUSION: Infants who experienced an ALTE had a higher risk of subsequent death when their age was greater than 6 months and the event had a long duration, particularly when ALTE was associated with cardiovascular disease. <![CDATA[<b>Determinants of physical inactivity among urban adolescents</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600013&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Investigar fatores determinantes da inatividade física entre adolescentes de 15 a 19 anos na cidade do Recife (PE). MÉTODO: O estudo foi caso-controle, envolvendo 597 adolescentes de 15 a 19 anos, estudantes de escolas particulares, selecionadas por conveniência. Os critérios de exclusão foram adolescentes com doenças que interferissem ou impossibilitassem a avaliação antropométrica, que estavam em tratamento medicamentoso ou dietético para sobrepeso ou que haviam modificado sua atividade física nos últimos 30 dias. Eles foram recrutados de acordo com a atividade física, determinada pelo International Physical Activity Questionnaire: casos - inativos (sedentários e insuficientemente ativos); e controles - ativos (ativos e muito ativos). Os adolescentes informaram quantas horas diárias assistiam televisão e usavam computador para identificar o número de horas sedentárias/dia. A antropometria (peso e estatura) dos adolescentes foi aferida pela técnica de Gibson; assim, foi calculado o índice de massa corporal. O peso, a estatura e a escolaridade das mães foram autorreferidos. Os dados foram analisados por análise múltipla de regressão logística, utilizando o programa SPSS, versão 11.5, objetivando controlar variáveis de confusão. RESULTADOS: Adolescentes do sexo feminino tiveram risco cerca de duas vezes maior de serem inativos (odds ratio = 1,94; intervalo de confiança de 95% = 1,35-2,79) em relação àqueles do sexo masculino. Assistir televisão mais de 1 hora/dia foi de maior risco para inatividade física em relação a menos de 1 hora/dia (odds ratio = 1,55; intervalo de confiança de 95% = 1,01-2,39). CONCLUSÃO: Inatividade física em adolescentes foi associada com o sexo feminino e maior tempo diário assistindo televisão.<hr/>OBJECTIVE: To investigate determinants of physical inactivity among adolescents aged 15 to 19 years in the city of Recife, northeastern Brazil. METHOD: This case-control study involved 597 private school students aged 15 to 19 years selected by convenience sampling. Exclusion criteria were adolescents with diseases that interfered with or hindered anthropometric measurements, who were being treated with drugs or diet for excess weight or who had changed their physical activity over the past 30 days. The students were recruited according to physical activity, as determined by the International Physical Activity Questionnaire: cases - inactive (sedentary or insufficiently active); and controls - active (active and very active). The adolescents reported the number of hours per day of television watching and computer use to identify the number of sedentary hours/day. Anthropometry (weight and height) of the adolescents was measured by Gibson's technique and used to calculate the body mass index. Weight, height and educational level of mothers were self-reported. Data were analyzed by multiple logistic regression, using the SPSS software, version 11.5, in order to control for confounding variables. RESULTS: Female adolescents were twice as likely to be inactive (odds ratio = 1.94; 95% confidence interval = 1.35-2.79) compared to male adolescents. Watching television for more than 1 hour/day showed increased risk for physical inactivity compared to less than 1 hour/day (odds ratio = 1.55; 95% confidence interval = 1.01-2.39). CONCLUSION: Physical inactivity among adolescents was associated with females and longer time spent per day watching television. <![CDATA[<b>Stress ulcer prophylaxis in pediatric intensive care units</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600014&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Avaliar a utilização de profilaxia para úlcera de estresse (UE), em pacientes internados, de cinco unidades de terapia intensiva pediátrica (UTIP) de Porto Alegre (RS). MÉTODOS: Estudo multicêntrico, prospectivo, transversal, observacional. Foram avaliados os prontuários dos pacientes internados em dia definido para visitação, entre abril de 2006 e fevereiro de 2007, excluindo os avaliados em visitas anteriores e aqueles com hemorragia digestiva alta na admissão. Foram avaliados a idade, o gênero, o diagnóstico na admissão, a gravidade da doença, o uso de profilaxia para UE, a sua justificativa e o medicamento profilático utilizado como primeira escolha. As variáveis foram descritas como frequências absoluta e relativa, ou média e desvio padrão/mediana, e intervalo interquartil (IQ). Os testes qui-quadrado de Pearson, de tendência linear, ou exato de Fisher foram utilizados para avaliar as associações. O nível de significância adotado foi de 5%, sendo estatisticamente significativo p < 0,05. RESULTADOS: Foram avaliados 398 pacientes, sendo 57% do gênero masculino. A mediana de idade foi de 16 meses (IQ4-65) e mediana de permanência em UTIP foi de 4 dias (IQ1-9). O principal motivo de internação foi doença respiratória (32,7%). Usaram profilaxia 77,5% dos pacientes, variando de 66 a 91%; a ventilação mecânica (22,3%) foi a justificativa mais prevalente, seguida de rotina informal do serviço (21,4%). Apenas uma das UTIP tinha protocolo assistencial para profilaxia de UE. A ranitidina foi o medicamento mais empregado (84,5%). CONCLUSÕES: O uso de profilaxia para UE foi prática frequente nas UTIP avaliadas, sendo a ranitidina a droga de escolha. Entre as justificativas, a ventilação mecânica e o uso baseado em rotinas institucionais foram as mais prevalentes.<hr/>OBJECTIVE: To assess use of stress ulcer prophylaxis in patients admitted to five pediatric intensive care units (PICUs) in Porto Alegre, Brazil. METHODS: This was a multicenter, prospective, cross-sectional observational study. PICUs were visited on randomly defined days between April 2006 and February 2007, and the medical records of admitted patients were reviewed. Patients whose records had been previously assessed were excluded, as were those with upper gastrointestinal bleeding on admission. Data were collected on age, gender, admission diagnosis, severity of illness, administration of stress ulcer prophylaxis, rationale for prophylaxis, and first-line prophylactic agent of choice. Variables were described as absolute and relative frequencies, mean and standard deviation, or median and interquartile range as appropriate. Pearson's chi-square test for linear trend or Fisher's exact test were used to assess possible associations. The level of significance was set at 5% (p < 0.05). RESULTS: 398 patients (57% male) were assessed [median age, 16 months (IQR 4-65); median length of PICU stay, 4 days (IQR 1-9)]. Respiratory illness was the main reason for admission (32.7%). Most patients received stress ulcer prophylaxis (77.5%; range, 66-91%). Mechanical ventilation (22.3%) was the most common rationale provided, followed by informal routine use of prophylaxis (21.4%). Only one of the participating PICUs had a specific care protocol for use of stress ulcer prophylaxis. Ranitidine was the most commonly used drug (84.5% of cases). Evidence of minor gastrointestinal bleeding was found in 3% of patients; none had clinically significant bleeds. CONCLUSIONS: Administration of stress ulcer prophylaxis is a common practice in the participating PICUs, with ranitidine the most commonly used drug. Among the various rationales provided, mechanical ventilation and informal routine use were the most prevalent. <![CDATA[<b>Pediatric neurotoxocariasis with concomitant cerebral, cerebellar, and peripheral nervous system involvement</b>: <b>case report and review of the literature</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572010000600015&lng=en&nrm=iso&tlng=en OBJETIVO: Alertar a comunidade pediátrica às consequências neurológicas da toxocaríase e descrever o primeiro caso pediátrico de neurotoxocaríase com acometimento simultâneo do cérebro, cerebelo e sistema nervoso periférico. DESCRIÇÃO: Relatamos um caso de neurotoxocaríase em criança do sexo masculino, 5 anos de idade, previamente hígido, com sintomas incomuns e acometimento multifocal dos sistemas nervosos central e periférico. Discutimos o diagnóstico diferencial e fazemos uma breve revisão da literatura. Desde o início da década de 1950, menos de 50 casos de neurotoxocaríase foram descritos, a maioria em adultos. COMENTÁRIOS: A toxocaríase é uma das helmintíases mais comuns em humanos. A neurotoxocaríase, porém, é uma patologia rara, especialmente na população pediátrica. Embora a toxocaríase costume seguir um curso autolimitado, sem envolvimento do sistema nervoso central, as manifestações neurológicas podem ser devastadoras quando ocorrem. A neurotoxocaríase deve fazer parte do diagnóstico diferencial de pacientes pediátricos com sintomas neurológicos atípicos e eosinofilia no líquor. Se diagnosticada e tratada precocemente, é possível evitar as sequelas neurológicas a longo prazo.<hr/>OBJECTIVES: To alert pediatricians to the neurologic consequences of toxocariasis and to describe the first pediatric case of neurotoxocariasis with concomitant cerebral, cerebellar and peripheral nervous system involvement. DESCRIPTIONS: We report a case of neurotoxocariasis in a previously healthy 5-year-old boy with unusual symptoms and multi-site involvement of both the central and peripheral nervous system. Differential diagnoses are discussed and the relevant literature is reviewed. Since the early 1950s, fewer than fifty cases have been described, mostly in adult patients. COMMENTS: Although human toxocariasis is one of the most common zoonotic helminth infections, neurotoxocariasis is a rare condition, especially in pediatric patients. Although toxocariasis usually presents as a self-limiting disease with no central nervous system involvement, when it does occur, it can be devastating. Neurotoxocariasis should be added to the differential diagnosis of pediatric patients with unusual neurologic symptoms accompanied by high levels of eosinophils in the cerebrospinal fluid. Early diagnosis and treatment can prevent long-term neurologic sequelae.