Scielo RSS <![CDATA[Revista Brasileira de Política Internacional]]> vol. 58 num. 2 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> <![CDATA[Reviewing horizontalization: the challenge of analysis in Brazilian foreign policy]]> Abstract This article presents the increasing demands over the Brazilian Ministry of Foreign Affairs (Itamaraty) for opening its doors to other actors. This discussion will be followed by relevant theoretical and methodological analysis. We will defend the need to overcome problems related to: 1) conceptual vagueness about what the concept of participation means; 2) lack of clarity in the baseline to which comparisons are made; 3) fragile empirical basis; 4) limitations on the use of sources; and 5) how to understand the impact exerted by systemic forces.<hr/>Resumo Este artigo apresenta as demandas crescentes sobre o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) para abrir as suas portas para outros atores. Esta discussão será seguida de uma análise teórica e metodológica relevante. Vamos defender a necessidade de superar problemas relacionados a: 1) imprecisão sobre o conceito de participação; 2) falta de clareza na linha de base para que as comparações sejam feitas; 3) bases empíricas frágeis; 4) limitações sobre o uso de fontes; e 5) como entender o impacto exercido pelas forças sistêmicas. <![CDATA[Discourses of cyberspace securitization in Brazil and in the United States]]> Abstract This paper uses the framework of the Copenhagen School to understand the process of securitization of cyberspace, exploring how something in such sphere becomes a threat. Seeking to contribute to the debate, this study analyses the securitization discourses of Brazil and of the United States from Hansen and Nissenbaum's (2009) theorization about the existence of a specific sector for cybersecurity. To comprehend the securitization of cyberspace in these terms allows not only to identify distinct levels of securitization, but also to capture the dynamics of cyber threats, distinguishing them from those existent in other sectors, as well as to trace distinctions between tendencies of securitization and militarization.<hr/>Resumo O presente artigo utiliza o quadro proposto pela Escola de Copenhagen para compreender a securitização do ciberespaço, explorando como algo nessa esfera se torna ameaça. Buscando-se contribuir no debate, analisa-se os discursos de securitização de Brasil e de Estados Unidos a partir da teorização de Hansen e Nissenbaum (2009) sobre a existência de um setor específico à segurança cibernética. Compreender a securitização do ciberespaço nesses termos, além de permitir identificar graus distintos de securitização, também permite capturar as dinâmicas das ameaças cibernéticas, distinguindo-as daquelas existentes em outros setores, bem como traçar distinções entre tendências de securitização e militarização. <![CDATA[Reshaping European Union development policy: collective choices and the new global order]]> Abstract The European Union (EU) is one of the world´s leading donors in official development assistance (ODA) to give a strong weight in the relationship with recipient partner countries, in particular with those that are more dependent on it. Besides the material weight of its funding, the EU has retained historical ties and influence in diplomatic, political and economic terms in many of its ODA recipient partner countries (particular in Sub-Saharan Africa). Since the 2000s, the EU development policy has not only undergone major structural changes in its institutional framework but also has started to face a new international aid scenario. This paper explores why a normative-based EU development policy is being challenged by reformed EU institutions and a new global order, and how the EU is attempting to respond to this context in face of the deepest recession since the end of the Second World War.<hr/>Resumo A União Europeia (UE) é um dos maiores doadores mundiais de ajuda pública ao desenvolvimento (APD) a conferir um peso importante à sua relação com os países parceiros beneficiários, em particular com aqueles que são mais dependentes da ajuda concedida. Além do peso material do seu financiamento, a UE mantém laços históricos e influência diplomática, política e econômica em muitos dos países receptores de ajuda ao desenvolvimento (particularmente os da África Subsaariana). Desde os anos 2000, a política de desenvolvimento da UE não só tem sofrido grandes mudanças estruturais em seu quadro institucional, mas também começou a enfrentar um novo cenário de ajuda internacional. Este artigo explora os motivos pelos quaius a política de apoio ao desenvolvimento está sendo desafiada por instituições da própria UE, e como a organização está tentando responder a esse desafio, no contexto da mais profunda recessão econômica desde o fim da Segunda Guerra Mundial. <![CDATA[Pope Francis and the challenges of inter-civilization diplomacy]]> Abstract This article addresses the role of Pope Francis in the interfaith and inter-civilization dialogue of the Holy See. Specifically, it analyses the main aspects of diplomatic relations between the Holy See and Russia, China, Islamic countries and Israel, and provides perspectives on the inter-civilization diplomacy of the Holy See during the current pontificate.<hr/>Resumo Este artigo aborda o papel do Papa Francisco nos diálogos interreligiões e inter-civilizacionais da Santa Sé. Especificamente, se pretende analisar os principais aspectos das relações diplomáticas entre a Santa Sé e a Rússia, a China, os países islâmicos e Israel, e oferece perspectivas sobre a diplomacia inter-civilizações da Santa Sé no atual pontificado. <![CDATA[Forty Years of the United Nations General Assembly Resolution 3379 (XXX) on Zionism and Racism: the Brazilian Vote as an instance of United States - Brazil Relations]]> Abstract In 1975, Brazil voted in favor of the United Nations General Assembly resolution 3379 (XXX), equating Zionism with a form of racism. Focusing on the decision-making process of president Ernesto Geisel's (1974-1979) foreign policy, "responsible pragmatism", this article discusses how the ultimate decision to vote in favor of resolution was taken taking into account mainly US-Brazil relationship.<hr/>Resumo Em 1975, o Brasil votou a favor da resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas 3379 (XXX), que equiparou o sionismo a uma forma de racismo. Centrando-se no processo decisório da Política Externa do "Pragmatismo Responsável" desenvolvida pelo governo do Presidente Ernesto Geisel (1974-1979), este artigo discute como a decisão final para votar a favor da resolução foi tomada tendo em conta principalmente as relações entre o Brasil e os Estados Unidos. <![CDATA[Public opinion and foreign policy in João Goulart's Brazil (1961-1964): Coherence between national and foreign policy perceptions?]]> Abstract This paper analyses public opinion during the João Goulart government in Brazil (1961-1964), focusing on public perceptions on domestic and foreign policies. We employ a recently declassified public opinion survey conducted on behalf of United States Information Agency (USIA) in urban areas. We found that the Brazilian public opinion was somewhat coherent, supporting redistributive reforms domestically and a neutralist approach in foreign affairs.<hr/>Resumo O artigo analisa a opinião pública durante o governo de João Goulart no Brasil (1961-1964), focando nas percepções sobre políticas nacional e internacional. Emprega-se uma pesquisa de opinião pública recentemente liberada feita a pedido da United States Information Agency (USIA) em áreas urbanas. Conclui-se que a opinião pública era razoavelmente coerente, apoiando reformas domésticas distributivas e uma abordagem neutralista em questões internacionais. <![CDATA[Interests and Values in Obama's foreign Policy: Leading from Behind?]]> Abstract This study will exam the relative importance of values and interests in Obama's foreign policy, focusing on crucial cases: the military actions related to Afghanistan, Iraq, Libya, Non-Syria, Al-Qaeda and ISIL. We will argue that his "leading from behind" strategy is not very distant from the foreign and defense strategies of his post-Cold War predecessors, by which democracy is seen as an assurance to security. According to Obama's strategy, Americans will only provide support for the building of democracy in the target countries, while this task should be performed by the locals themselves. Americans will provide military training to the new governments as well so they can be responsible for their own security, including preventing regrouping of terrorists in their soil. If Obama opposes the imposing of democracy by the use of force, empirical data shows that his administration is "not prepared to accept" any option that threats US security or American liberal-democratic values, bringing in this way values and interests very close to each other.<hr/>Resumo Este trabalho examina a importância relativa de valores e interesses na política externa de Obama, focando-se em casos críticos: as ações militares relacionadas a Afeganistão, Iraque, Líbia, não-Síria, Al-Qaeda e ISIL. Argumenta-se que sua estratégia de "leading from behind" não é muito diferente das estratégias de política externa e de defesa de seus predecessores no pós-Guerra Fria, nas quais a democracia é vista como garantia de segurança. De acordo com a estratégia de Obama, os americanos apenas apoiariam indiretamente a construção da democracia nos países-alvo, enquanto esta tarefa deveria ser realizada pelos próprios habitantes locais. Eles também proveriam treinamento militar para que os novos governos se tornassem responsáveis por sua própria segurança, o que incluía prevenir que grupos terroristas se reagrupassem em seus territórios. Se Obama se opõe à imposição da democracia pelo uso da força, os dados empíricos mostram que sua administração "não está disposta a aceitar" qualquer alternativa que ameace a segurança ou os valores liberais democráticos dos Estados Unidos, juntando desta maneira valores e interesses em sua política externa. <![CDATA[The 1623 Plan for Global Governance: the obscure history of its reception]]> Abstract In the present article we analyze the characteristics and the reception of the first plan for global governance, the New Cyneas by Émeric Crucé. With this goal in mind, we examine the history of its readings and the possible influence on the Duke of Sully's project for European confederation, the case most often cited by historians of ideas. Our analysis takes into consideration the 17th century reception, the scant dissemination of the work and the possible causes of its limited impact. Our conclusions support, on the one hand, the novelty of Crucé's principal ideas, and on the other, their limited impact over the time with the exception of the period surrounding the creation of the League of Nations.<hr/>Resumo Neste artigo vamos analisar as características e a recepção do primeiro plano para a governança global, o Novo Cyneas, de Émeric Crucé. Examinaremos a história de suas leituras e da possível influência que o Novo Cyneas teria exercido sobre o duque de Sully na definição do projeto de confederação europeia, o caso mais frequentemente citado pelos historiadores de ideias. A nossa análise leva em consideração a repercussão no século XVII, a escassa difusão da obra e as possíveis causas de seu impacto limitado. Nossas conclusões indicam, por um lado, a novidade das principais ideias de Cruce, e, por outro, o seu impacto limitado ao longo do tempo, com exceção do período próximo à criação da Liga das Nações.