Scielo RSS <![CDATA[Revista de Antropologia]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0034-770120050001&lang=en vol. 48 num. 1 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<B>Fazendo pessoas e fazendo roças entre os Panará do Brasil Central</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100001&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo, o valor panará de disposição e sociabilidade (suakiin) é contrastado com seu oposto, falta de disposição e retraimento social (suangka), para mostrar como a vida codiana panará é constituída. Caracterizadas como condições físicas, sociais e morais, a disponibilidade intersubjetiva ou a falta de vigor são centrais à criação da socialidade cotidiana entre os Panará. O papel dessas relações afetivas é, então, analisado com base na criação dos filhos e no cultivo de roças, processos que, em determinados aspectos, podem ser tidos como relacionados entre si. Em particular, demonstra-se que certas práticas pré e pós-natais têm correspondência com práticas que cercam o plantio, o cultivo e a colheita do amendoim.<hr/>In this paper the Panará value of energy and sociability (suakiin) is contrasted with its opposite, lack of energy, social withdrawal (suangka), in order to show how Panará daily life is constituted. Characterised as physical, social and moral conditions, intersubjective availability or lack thereof are central to the creation of everyday sociality among Panará people. The role of such affective relations is then analysed with regard to child rearing and gardening, processes, which in certain respects can be seen to be related to one another. In particular it is argued that certain pre- and post-natal practices find their parallel in practices surrounding the planting, growing and harvesting of peanuts. <![CDATA[<B>O que se diz, o que se escreve</B>: <B>etnografia e trabalho de campo no sertão de Pernambuco</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100002&lng=en&nrm=iso&tlng=en A partir de certa reação negativa suscitada pela publicação de uma etnografia sobre brigas de família no sertão do Pajeú (Pernambuco), propõe-se uma abordagem da reflexividade de um trabalho antropológico, inspirada teoricamente em uma historicização do lugar do trabalho de campo e da etnografia na disciplina e empiricamente através de uma visão retrospectiva das condições específicas de realização dessa pesquisa. O mesmo caso produziu também efeitos de ordem pragmática, operando deslocamentos inesperados na relação entre pesquisadores e pesquisados, perceptíveis, por exemplo, no idioma utilizado nas trocas agonísticas de acusação e defesa, e que proporcionaram novas perspectivas com respeito às condições de sociabilidade que se diz descrever.<hr/>In this paper, from certain negative reaction to the publication of an ethnography about family feuds in the hinterland of the River Pajeú (state of Pernambuco, Brazil), we propound an approach on reflexivity of the anthropological work inspired, theoretically, by the historicization of the place of fieldwork and ethnography inside the discipline and, empirically, through a retrospective sight of the specific conditions in which that research was made. The same case produced also pragmatic effects, which operated unexpected displacements in the relationship between researcher and subject of research. These displacements were perceptible, for instance, in the idiom used in the agonistic exchanges of accusation and defense; they also provided new perspectives regarding the conditions of sociability that we intended to describe. <![CDATA[<B>Apartheid brasileiro</B>: <B>raça e segregação residencial no Rio de Janeiro</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo descrevo os eventos políticos principais que, em julho de 2001, levaram à instalação de portões e câmeras em volta do Jacarezinho, a segunda maior favela do Rio de Janeiro, e as imediatas reações negativas a essas medidas na imprensa - especialmente jornais e redes de TV. Analiso essas reações a partir de dados etnográficos que tenho coletado desde junho de 2001 no Rio de Janeiro, quando iniciei um trabalho de colaboração com ativistas negras/os que, com a ajuda de ex-membros do grupo Panteras Negras (EUA), ousaram desafiar a polícia, os traficantes de drogas e, de fato, setores mais amplos da sociedade. Através da análise da cobertura dos jornais sobre o "condomínio-favela" e dos debates públicos que se seguiram, demonstro como tais discursos, ainda que de forma freqüentemente tácita, desumanizam negras/os ao associá-las/os ao crime, à corrupção e às favelas - bairros das classes trabalhadoras considerados como o local onde futuras gerações de negras/os perigosas/os continuarão a aterrorizar a imaginação e a vida daquelas pessoas que não moram em favelas. Concluo o artigo com uma avaliação da literatura acadêmica sobre cidades brasileiras e sugiro que é necessário dar atenção às formas como raça e espaço urbano interagem se a pesquisa nessa área pretende compreender e dialogar com ativistas moradores de favelas que não têm outra saída a não ser confrontar sua contínua desumanização.<hr/>Based on ethnographic data collected since June 2001 in Rio de Janeiro, this article analyzes newspaper coverage of the political events that led to the installation of gates and cameras around Jacarezinho, the city's second largest favela. It draws on a literature on Brazilian cities, and suggests that closer attention must be given to how urban space and race are imposed, politicized, challenged, and transformed. In the case of Rio, such processes reveal forms of spatial segregation by race not unlike that of South Africa and the United States. <![CDATA[<B>O urbano em questão na antropologia</B>: <B>interfaces com a sociologia</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100004&lng=en&nrm=iso&tlng=en O artigo aborda temas em torno da dimensão urbana na antropologia, explorando diálogos de fronteira entre tal disciplina e a sociologia em três momentos específicos: o primeiro sobre as décadas iniciais da Escola de Chicago, época de definição de uma pauta de pesquisas etnográficas sobre a cidade e a cultura urbana, com investigações pioneiras sobre a segregação socioespacial, com ênfase no conceito de gueto; no segundo, analisam-se interfaces entre a antropologia e a sociologia urbanas em São Paulo, nas décadas de 1970 e 1980, em torno do tema da periferia, com a produção de pesquisas marcadas pela polarização entre os conceitos de cultura e ideologia; finalmente, enfocam-se desafios contemporâneos à antropologia urbana, buscando-se retomar tópicos de um diálogo disciplinar que ocorre apenas implicitamente, bem como reaver o tema da periferia, tendo em vista fenômenos recentes que implicam tomá-la simultaneamente como espacialidade, processo e conjunto polifônico de representações nativas.<hr/>The article deals with subjects regarding the urban sphere in anthropology by exploring dialogues between this discipline and sociology in three specific moments. The first one refers to the initial decades of the so-called Chicago School, which defined an agenda of ethnographic researches about the city and urban culture, so that there appeared the first investigations about social and spatial segregation concerned mainly with the concept of ghetto. The second one is related to the interfaces between urban anthropology and sociology in São Paulo of the decades of 1970 and 1980 regarding the issue of periphery. These researches were characterized by a polarization between the concepts of culture and ideology. At last the article focuses on present challenges to urban anthropology. One tries, on one hand, to recover topics related to a dialogue between anthropology and sociology which nowadays occurs only implicitly. On the other hand, one revisits the issue of periphery by having in mind recent phenomena that imply analyzing it simultaneously as a spatial order, a process and a polyphonic set of native representations. <![CDATA[<B>Entre o previsível e o contingente</B>: <B>etnografia do processo de decisão sobre uma política de ação afirmativa</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo apresenta uma etnografia do processo de decisão sobre o estabelecimento de ações afirmativas na Universidade Federal do Paraná, enfocando particularmente as sessões do Conselho Universitário que culminaram com a aprovação de um Plano de Metas de Inclusão Racial e Social na instituição. Ao situar empiricamente o tema das cotas nas universidades, torna-se possível incorporar novos elementos à reflexão sobre as políticas públicas de ação afirmativa, bem como identificar princípios subjacentes à dinâmica da formulação de normas institucionais numa instância específica do setor público. A análise do material etnográfico sugere uma aproximação com a lógica do sacrifício, tal como descrita por Marcel Mauss.<hr/>This article presents an ethonographic account of the process of deliberation about affirmative actions at Universidade Federal do Paraná. The empirical approach of this controversial issue intends to bring new elements to the debate concerning the adoption of affirmative actions by brazilian public universities. At the same time, effort is made to identify the main principles underlying the establishment of institutional norms in that context. The analysis of ethnographic data suggests connections between the deliberation about affirmative actions and the logic of sacrifice as described by Marcel Mauss. <![CDATA[<B>Chimpanzés possuem cultura?</B> <B>Questões para a antropologia sobre um tema "bom para pensar"</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100006&lng=en&nrm=iso&tlng=en O texto propõe uma reflexão sobre a crescente utilização da idéia de cultura, nos últimos anos, para definir alguns aspectos do comportamento de chimpanzés, considerando as características e os contextos, bem como as questões que esse tipo de procedimento coloca para as ciências sociais, a partir de uma antropologia das idéias e do conhecimento.<hr/>The text proposes a reflection about the growing use of culture's idea, in the last years, to define some aspects of chimpanzees behavior, considering its characteristics and contexts, as well as the questions that this kind of procedure poses to the Social Sciences toward an Anthropology of Ideas and Knowledge's . <![CDATA[<B>Iglesia y cuestión social</B>: <B>la intervención de la Iglesia Católica en la construcción de demandas de educación, tierra y vivienda en el Gran Buenos Aires</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100007&lng=en&nrm=iso&tlng=en En este trabajo nuestro objetivo es analizar las modalidades de intervención de agencias de la Iglesia Católica en la construcción territorializada de demandas sectoriales de sectores populares del conurbano bonaerense, mostrando su relación con la transformación de las políticas sociales del Estado hacia el asistencialismo y la terciarización durante las últimas décadas. Para ello presentaremos comparativamente dos casos de estudio, encarados desde un enfoque etnográfico: la construcción de demandas educativas y su progresiva integración en estructuras referenciadas en el marco del Obispado de San Isidro; y la intervención de la Vicaría de Pastoral Social del Obispado de Quilmes en los conflictos sociales entre organizaciones de tierra y vivienda y el estado local. De esta manera nuestro propósito es visibilizar los límites y posibilidades que suponen estas formas de intervención de la Iglesia Católica sobre la recomposición de formas organizativas del campo popular, marcando tanto las especificidades locales e históricas de cada diócesis como la lógica común que las atraviesa y orienta.<hr/>The aim of this paper is to analyse the types of intervention of Catholic Church agencies in the building of territorially grounded sectorial demands made by popular stratum from Buenos Aires outskirts, relating these demands to the transformation of social public policies into assistencialismo [clientelistic policy] and outsourcing in the past decades. To accomplish it, we will present and compare two case studies from an ethnographic standpoint: the building of educational demands and its progressive integration into structures binded to the bishopric of San Isidro; and the intervention of the Vicariate of Quilmes bishopric's Social Pastoral in the social conflicts involving organizations for land and home and the local government. Thus, our purpose is to show the limits and possibilities of these types of intervention by the Catholic Church in the recomposition of popular organizational forms and to stress local and historical specificities of each diocese, as well as their common logic, which guide them. <![CDATA[<B>Contágio, doença e evitação em uma associação de ex-bebedores: o caso dos Alcoólicos Anônimos</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100008&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo deste artigo é analisar a construção da noção de doença alcoólica em uma associação de ex-bebedores: os Alcoólicos Anônimos (A.A.). A partir de pesquisa etnográfica realizada com familiares e membros do grupo Sapopemba de A.A., localizado em bairro da periferia da cidade de São Paulo, no Brasil, enfatiza-se o papel dessa entidade como um espaço privilegiado para o estudo antropológico da experiência do alcoolismo, a partir de uma perspectiva êmica, isto é, tal como ela é vivenciada e gerida por aqueles que se reconhecem como "doentes alcoólicos em recuperação", ao mesmo tempo em que se destaca a possibilidade de "contágio" da doença alcoólica, ligada às representações construídas sobre o álcool e o alcoolismo. Com efeito, o alcoolismo é entendido como uma doença física e moral que, além de atingir o indivíduo considerado doente, também afeta o conjunto das relações sociais - familiares e profissionais - , nas quais ele está envolvido. Como conseqüência, analisa-se o modelo terapêutico de A.A. como um "sistema de evitações", que permite ao doente alcoólico construir uma ordem de sentido, no interior da qual se opera a construção simbólica da experiência da doença, cujo objetivo é possibilitar o controle da doença alcoólica e o resgate dos laços sociais na família e no trabalho - , perdidos no tempo do alcoolismo ativo.<hr/>The major aim of this article is to analyse the construction of the notion of alcoholic illness in an association of ex-drinkers: the Alcoholics Anonymous (A.A.). Basead on an ethnographic research carried with members of the Sapopemba A.A. group (located in a neighbourhood in the outskirts of S. Paulo City, Brazil) and family members, the role of this agency is stressed as a privileged place for anthropological study on alcoholism from an emic perspective, i.e., such as it is lived and managed by those who recognise themselves as "recovering alcoholic patients". At the same time, the possibility of "contagion" of the alcoholic illness is stressed, linked to representations built on alcohol and alcoholism. In fact, alcoholism is understood as a physical and moral illness which, besides hitting the person considered as ill, also affects the set of social relationships - both family and professional - in which he/she is involved. As a consequence, the A.A. therapeutic model is analysed as an "avoidance system" which allows the alcoholic person to build an order of senses inside which the symbolic construction of the experience of the illness is operated, the purpose of which is to enable control of the alcoholic illness and to recuperate social bonds both within the family and at work - that got lost at the times of active alcoholism. <![CDATA[<B>Horizontes imaginativos e o aquém e além</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100009&lng=en&nrm=iso&tlng=en O autor desenvolve as noções de horizontes imaginativos e de liminaridade, travessia, meio-termo, fundamentos de uma proposta de antropologia da imaginação. Lança seu olhar às dimensões ignoradas da experiência, embora considere imprecisão e obscuridade como componentes necessários a toda experiência, ao pensamento e à percepção. Indica as diferentes concepções do entre, pensando, por exemplo, os tempos e espaços intersticiais (ma) na estética tradicional japonesa ou o barzakh no misticismo sufi. Questiona os nossos pressupostos quanto à natureza das relações, mediante uma releitura da teoria da liminaridade de Victor Turner.<hr/>In this paper, the author develops the notions of imaginative horizons as well as of betwixt and between, liminality and crossing; grounded on them, he propounds an anthropology of the imagination. Despite considering fuzziness, shadowiness as a necessary component of all experience, thought and perception, he focuses on ignored dimensions of reality. Examining the interstitial spaces and times (ma) in traditional Japanese aesthetics or the notion of barzakh in Sufi mysticism, the author stresses different conceptions of the between. Finally, through a rereading of Victor Turner's theorization of the liminal, he calls in question our presuppositions about the nature of relations. <![CDATA[Sentidos de la antropologia, antropologia de los sentidos]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100010&lng=en&nrm=iso&tlng=en O autor desenvolve as noções de horizontes imaginativos e de liminaridade, travessia, meio-termo, fundamentos de uma proposta de antropologia da imaginação. Lança seu olhar às dimensões ignoradas da experiência, embora considere imprecisão e obscuridade como componentes necessários a toda experiência, ao pensamento e à percepção. Indica as diferentes concepções do entre, pensando, por exemplo, os tempos e espaços intersticiais (ma) na estética tradicional japonesa ou o barzakh no misticismo sufi. Questiona os nossos pressupostos quanto à natureza das relações, mediante uma releitura da teoria da liminaridade de Victor Turner.<hr/>In this paper, the author develops the notions of imaginative horizons as well as of betwixt and between, liminality and crossing; grounded on them, he propounds an anthropology of the imagination. Despite considering fuzziness, shadowiness as a necessary component of all experience, thought and perception, he focuses on ignored dimensions of reality. Examining the interstitial spaces and times (ma) in traditional Japanese aesthetics or the notion of barzakh in Sufi mysticism, the author stresses different conceptions of the between. Finally, through a rereading of Victor Turner's theorization of the liminal, he calls in question our presuppositions about the nature of relations. <![CDATA[Que Tchan é Esse? Indústria e produção musical no Brasil dos anos 90]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100011&lng=en&nrm=iso&tlng=en O autor desenvolve as noções de horizontes imaginativos e de liminaridade, travessia, meio-termo, fundamentos de uma proposta de antropologia da imaginação. Lança seu olhar às dimensões ignoradas da experiência, embora considere imprecisão e obscuridade como componentes necessários a toda experiência, ao pensamento e à percepção. Indica as diferentes concepções do entre, pensando, por exemplo, os tempos e espaços intersticiais (ma) na estética tradicional japonesa ou o barzakh no misticismo sufi. Questiona os nossos pressupostos quanto à natureza das relações, mediante uma releitura da teoria da liminaridade de Victor Turner.<hr/>In this paper, the author develops the notions of imaginative horizons as well as of betwixt and between, liminality and crossing; grounded on them, he propounds an anthropology of the imagination. Despite considering fuzziness, shadowiness as a necessary component of all experience, thought and perception, he focuses on ignored dimensions of reality. Examining the interstitial spaces and times (ma) in traditional Japanese aesthetics or the notion of barzakh in Sufi mysticism, the author stresses different conceptions of the between. Finally, through a rereading of Victor Turner's theorization of the liminal, he calls in question our presuppositions about the nature of relations. <![CDATA[Negritude sem etnicidade: o local e o global nas relações raciais e na produção cultural negra do Brasil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012005000100012&lng=en&nrm=iso&tlng=en O autor desenvolve as noções de horizontes imaginativos e de liminaridade, travessia, meio-termo, fundamentos de uma proposta de antropologia da imaginação. Lança seu olhar às dimensões ignoradas da experiência, embora considere imprecisão e obscuridade como componentes necessários a toda experiência, ao pensamento e à percepção. Indica as diferentes concepções do entre, pensando, por exemplo, os tempos e espaços intersticiais (ma) na estética tradicional japonesa ou o barzakh no misticismo sufi. Questiona os nossos pressupostos quanto à natureza das relações, mediante uma releitura da teoria da liminaridade de Victor Turner.<hr/>In this paper, the author develops the notions of imaginative horizons as well as of betwixt and between, liminality and crossing; grounded on them, he propounds an anthropology of the imagination. Despite considering fuzziness, shadowiness as a necessary component of all experience, thought and perception, he focuses on ignored dimensions of reality. Examining the interstitial spaces and times (ma) in traditional Japanese aesthetics or the notion of barzakh in Sufi mysticism, the author stresses different conceptions of the between. Finally, through a rereading of Victor Turner's theorization of the liminal, he calls in question our presuppositions about the nature of relations.