Scielo RSS <![CDATA[Kriterion: Revista de Filosofia]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0100-512X20180003&lang= vol. 59 num. 141 lang. <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[DA UNIDADE/DIFERENÇA À MODALIDADE: A ARQUEOLOGIA DA ONTOLOGIA NO PENSAMENTO DE GIORGIO AGAMBEN]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300651&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMO Um retorno ao ser aparece na contemporaneidade como uma via teórica importante para se pensar as possibilidades de uma política e de uma ética livres das conformações legadas pela história do Ocidente. É nesse sentido que Giorgio Agamben desenvolve em "O uso dos corpos" o que chamará de uma arqueologia da ontologia, buscando verificar se o acesso a uma ontologia ainda é possível nos dias de hoje. Partindo de Aristóteles, passando pela escolástica, até chegar a Heidegger, Agamben evidencia como a divisão binária do ser - em duas experiências contrapostas e ao mesmo tempo dependentes - mantém-se como uma aporia no pensamento e na práxis ocidental. A ontologia, como lugar originário da articulação histórica entre linguagem e mundo, é então percorrida por suas fraturas, levando o filósofo a propor uma nova leitura do ser a partir do que entende como ontologia modal. A partir dessas ideias, busca-se investigar como essa articulação medial entre essência e existência, ser e ente, comum e singular - constituída sempre em devir - propiciaria uma nova perspectiva do ser, na qual ontologia e ética se confundem.<hr/>ABSTRACT A return to the being emerges in the contemporaneity as an important theoretical way to think about the possibilities of a politics and an ethics free from the legacy bequeathed by the Western history. In this sense, Giorgio Agamben develops, in the book "The use of the bodies", what he calls an archaeology of ontology, seeking to verify if the access to an ontology is still possible nowadays. Starting from Aristotle, passing by the Scholastics, until arriving at Heidegger, Agamben highlights how the binary division of being - in two opposed and, at same time, dependent experiences - remains an aporia in Western thought and praxis. The ontology, as the origin of the historical articulation between language and world, is then traversed by its fractures, leading the philosopher to propose a new reading of the being from what he understands as modal ontology. From these ideas, we intend to investigate how this medial articulation between essence and existence, being and entity, common and singular -always founded in a becoming - would provide a new perspective of the being in which ontology and ethics end up mixed. <![CDATA[A TEORIA DO SIGNIFICADO DE JAKOB VON UEXKÜLL COMO UM CASO DE TRADUÇÃO RADICAL]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300671&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMO No segundo capítulo de "Word and Object", Quine procura mostrar o quanto da linguagem pode ser esclarecida em termos estimulantes, bem como a limitação da tradução a partir de diferentes esquemas conceituais. O autor apresenta a tese de indeterminação da tradução por meio de uma situação de tradução radical. O objetivo deste artigo é apresentar de que modo Quine desenvolve a tradução radical e destacar os conceitos de informações colaterais, significado estimulativo e esquema conceitual. Em seguida, procuraremos mostrar que a teoria do significado de Jakob Von Uexküll é um caso exemplar da tese de indeterminação da tradução: os processos de significação entre diferentes organismos vivos correspondem a um processo de tradução radical que se depara com dificuldades semelhantes àquelas que levam à indeterminação da tradução segundo Quine.<hr/>ABSTRACT In the second chapter of "Word and Object", Quine seeks to show how much of language can be elucidated in stimulatory terms as well as the limitation of translating from different conceptual schemas. He introduces the thesis of indeterminacy of translation by means of a radical translation situation. This paper aims to present the way in which Quine develops the radical translation and to point out the concepts of collateral information, stimulus meaning and conceptual schema. Following that, we will seek to show that Jakob von Uexküll's theory of meaning is an exemplary case of the thesis of indeterminacy of translation: the processes of meaning by different living organisms correspond to a radical translation process that faces the difficulties similar to those that lead to the indeterminacy of the translation, according to Quine. <![CDATA[LA RESPONSABILIDAD DE SÍ - EL FUNDAMENTO MATERIAL DE LA ÉTICA LEVINASIANA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300687&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMEN La interpretación principal de la obra de Levinas sostiene que es una filosofía de la Responsabilidad por el Otro y que en esa Responsabilidad Ética acontece la subjetivación del sujeto en cuanto ruptura con el ser. En este sentido, el artículo mostrará una responsabilidad egoísta implicada en la filosofía juvenil de Levinas, afirmando con ello la posibilidad de pensar el fundamento donde la Responsabilidad Ética es posible. En otras palabras, se rescata la importancia de la materialidad dentro de la empresa de evasión o salida radical del ser que Levinas desarrollará a lo largo de su obra.<hr/>ABSTRACT The main interpretation of Levinas's work affirms that it is a philosophy of the Responsibility for the Other and that in this Ethical Responsibility occurs the subjectivation of the subject as a rupture with Being. In this sense, the aim of this article is to show that there is a selfish responsibility implied in the young Levinas, thus affirming the possibility of thinking about the ground where Ethical Responsibility is possible. In other words, the importance of the materiality within the philosophical project of the escape or the radical departure of Being that Levinas will develop throughout his work is rescued. <![CDATA[ALGUMAS DIMENSÕES DA "DIFERENÇA": O ITINERÁRIO DE GILLES DELEUZE NO ARTIGO "A CONCEPÇÃO DA DIFERENÇA EM BERGSON"]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300705&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMO O objetivo do presente trabalho consiste em explicitar o itinerário ou linha argumentativa de Gilles Deleuze no artigo intitulado "A concepção da diferença em Bergson", de 1954. Postula-se que nesse trabalho de 1954, Deleuze exponha a noção de 'diferença', que está presente na obra de Henri Bergson, por meio da relação entre três dimensões: metodológica, cosmológica e ontológica. Para tanto, caracteriza-se o conjunto do pensamento de Deleuze em relação à História da Filosofia. Em seguida, identifica-se o percurso das pesquisas de Deleuze sobre a obra de Bergson no contexto de sua versão para a História da Filosofia. Por fim, explicita-se o itinerário de Deleuze no artigo de 1954: "A concepção da diferença em Bergson".<hr/>ABSTRACT The purpose of this paper is to explain the itinerary or argumentative line of Gilles Deleuze in the article named "The conception of difference in Bergson" of 1954. It is postulated that in this work of 1954, Deleuze exposes the notion of "difference", which is present in the work of Henri Bergson, through the relation between three dimensions: the methodological, cosmological and ontological ones. For that purpose, the whole of Deleuze's thought in relation to the History of Philosophy is characterized. Then, we identify the course of Deleuze's research on Bergson's work in the context of his version for the History of Philosophy. Finally, we explain the itinerary of Deleuze in the article of 1954: "The conception of difference in Bergson". <![CDATA[RADICAL ENACTIVISM AND SELF-KNOWLEDGE]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300723&lng=&nrm=iso&tlng= ABSTRACT I propose a middle-ground between a perceptual model of self-knowledge, according to which the objects of self-awareness (one's beliefs, desires, intentions and so on) are accessed through some kind of causal mechanism, and a rationalist model, according to which self-knowledge is constituted by one's rational agency. Through an analogy with the role of the exercises of sensorimotor abilities in rationally grounded perceptual knowledge, self-knowledge is construed as an exercise of action-oriented and action-orienting abilities. This view satisfies the privileged access condition usually associated with self-knowledge without entailing an insurmountable gap between self- knowledge and knowledge of other minds.<hr/>RESUMO Proponho um meio-termo entre um modelo perceptual de autoconhecimento, segundo o qual os objetos de autoconhecimento (as crenças, desejos, intenções e assim por diante) são acessadas mediante um tipo de mecanismo causal, e um modelo racionalista, segundo o qual o autoconhecimento é constituído pela agência racional. Por analogia ao papel que o exercício de habilidades sensório-motoras desempenham no conhecimento perceptual racionalmente fundado, autoconhecimento é entendido como um exercício de habilidades que são orientadas pela e orientam a ação. Essa imagem satisfaz a condição de acesso privilegiado que geralmente é associada ao autoconhecimento sem implicar uma lacuna intransponível entre autoconhecimento e conhecimento de outras mentes. <![CDATA[<em>SUPERAR LA</em> HYBRIS <em>DEL HUMANISMO</em>. <em>TESIS PARA UN POSTHUMANISMO DE LA</em> KÉNOSIS <em>DESPUÉS DE HEIDEGGER</em>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300745&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMEN Frente a la hybris de la subjetividad que culmina en el proyecto moderno-humanista, surge la necesidad de pensar de otra manera la esencia del hombre ya sin el lastre de toda la tradición filosófica occidental. Este viraje que Heidegger imprime al pensar se explica aquí desde lo que denomino tesis para la reconstrucción de un posthumanismo en la perspectiva de la kénosis y que se resume en: la superación de las leyes de la gramática y el acento en el decir poético; el reconocimiento del mientras tanto de la existencia humana finita siempre en camino; y, por último, el preciso abajamiento del pensar tal y como corresponde no ya a la incontestable potestad del señor del ente sino a la esencial pobreza del pastor.<hr/>ABSTRACT Before the hybris of subjectivity that culminates in the modern-humanist project, there arises the need to think the essence of man, in another way, a way already without the burden of the entire western philosophical tradition. This turn that Heidegger gives to thinking is here explained from what I call: thesis for the reconstruction of post-humanism in the perspective of kenosis, which can be summarized as overcoming the laws of grammar and accent in the poetic saying, recognition of a meanwhile of the finite human existence always on its way and, finally, the precise reduction of thinking as it corresponds not to the power of the lord of the being but to the essential shepherd’s poverty. <![CDATA[A CONCEPÇÃO MAQUIAVELIANA DE NECESSIDADE POLÍTICA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300765&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMO Poucos conceitos na obra de Maquiavel se repetem com tanta insistência quanto o de necessità - e os termos correlatos como necessario(e), necessitato(i) etc. - obrigando-nos a reconhecer nele uma categoria de especial significação. Trata-se, sem dúvida, de um conceito que, na obra do florentino, abarca um espectro muito amplo de sentidos diversos, que vão desde o mais usual ao mais teórico e político. O presente estudo procurará distinguir esses diferentes usos que Maquiavel faz do termo, particularmente nas obras "O Príncipe" e "Discursos sobre a primeira década de Tito Lívio", antecedendo-o de uma analise crítica acerca da maneira segundo a qual a tradição interpretou o significado de necessità na obra de Maquiavel.<hr/>ABSTRACT Few concepts in Machiavelli's work are so insistently repeated as the concept of necessità - as well as its correlated terms such as necessario(e), necessitato(i), etc. -, forcing us into the acknowledging in his work a category of special significance. It is undoubtedly a concept that embraces, in his work, a very wide spectrum of diverse senses, which come from the most common up to the most theoretical and political of those senses. The present investigation will try to distinguish such different uses of the term, as used by Machiavelli, particularly in the works "The Prince" and "Discourses on the First Ten Books of Titus Livy", preceded by a critical analysis on the way by which tradition has interpreted the meaning of necessità in Machiavelli's work. <![CDATA[UMA ABORDAGEM FILOSÓFICA DO CAPITALISMO É POSSÍVEL? LIMITES E POSSIBILIDADES DE RENOVAÇÃO DA FILOSOFIA SOCIAL CONTEMPORÂNEA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300789&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMO Neste artigo, procuraremos contribuir, dentro dos limites de um trabalho dessa natureza, para uma nova orientação para a filosofia social contemporânea. Com efeito, num primeiro momento mostraremos que a filosofia social recente tem se notabilizado pela análise de experiências negativas, com um acento no processo de formação da subjetividade, assim como pelo foco no diagnóstico de patologias sociais relacionadas aos padrões subjetivos de autorrealização pessoal. Num segundo momento, salientaremos que o problema é que, nesse quadro, o próprio social pode eventualmente aparecer como algo tão-somente negativo, ameaçador, deficitário e gerador de patologias. Ora, acreditamos que o desafio de captar igualmente a causa das patologias, os poderes e a perspectiva do dominante, e não somente os efeitos deletérios por eles gerados e a perspectiva dos dominados, pode ser melhor enfrentado por meio da temática do capitalismo como fenômeno social. É por isso que iremos esboçar, em linhas gerais, num terceiro momento, algumas diretrizes básicas - uma abordagem praxeológica e "normativa" - para que a filosofia social simultaneamente mantenha suas conquistas fundamentais e avance no sentido de dar conta diretamente do social capitalista como causa de patologias.<hr/>ABSTRACT In this paper, we will seek to contribute, within the limits of a work of this nature, to a new orientation for contemporary social philosophy. In fact, in a first moment we will show that the recent social philosophy has been notable for the analysis of negative experiences, with an emphasis on the process of subjectivity formation, as well as for the focus on the diagnosis of social pathologies related to the subjective patterns of personal self-achievement. In a second moment, we will point out that the problem is that, in this context, the social itself may eventually appear as something exclusively negative, threatening, deficient and generating pathologies. However, we believe that the challenge of capturing equally the cause of the pathologies, powers and the perspective of the dominant, and not only the deleterious effects generated by them and the perspective of the dominated, can be better dealt with through the theme of capitalism as a social phenomenon. That is why we will outline, in a third way, some basic guidelines - a praxeological and normative approach - so that social philosophy may simultaneously maintain its fundamental conquests and advances in order to directly account for the capitalist social as cause of pathologies. <![CDATA[OS LIMITES DOS AUTOSSACRIFÍCIOS SEGUNDO MONTAIGNE]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300809&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMO O texto propõe, inicialmente, uma aproximação entre as visões de Aristóteles e Montaigne sobre a virtude da coragem, com especial atenção ao problema da morte heroica. Então, são apresentados alguns pontos de diferenciação do filósofo francês em relação ao legado aristotélico para, enfim, mostrar que uma das restrições especificamente montaignianas sobre a legitimidade de um ato de coragem acarreta uma limitação à ação do próprio Estado, o que deve ser julgado um elemento essencial à formação do pensamento político moderno.<hr/>ABSTRACT At first, the article proposes an approximation between Aristotle's and Montaigne's views on the virtue of courage, with special attention to the problem of heroic death. Then, some distinguishing points of the French philosopher from the Aristotelian legacy are presented, in order to show, finally, that one of the specifically Montaignean restrictions on the legitimacy of an act of courage entails a limitation to the action of the State itself; which must be considered an essential element to the shaping of Modern political thought. <![CDATA[LOPARIC, ALMEIDA E CHAGAS: SOBRE O FACTUM DA RAZÃO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300827&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMO Na "Kritik der praktischen Vernunft", os conceitos do factum da razão e do sentimento de respeito pela lei moral geram grandes divergências interpretativas. O presente artigo tem como objetivo apresentar as interpretações de Zeljko Loparic, Guido Antônio de Almeida e Flávia Carvalho Chagas.<hr/>ABSTRACT In "Kritik der praktischen Vernunft", the concepts of factum of reason and of feeling of respect for the moral law generate great interpretative divergences. This paper aims to present the interpretations of Zeljko Loparic, Guido Antônio de Almeida and Flávia Carvalho Chagas. <![CDATA[LA MEMORIA IMPEDIDA EN PAUL RICOEUR]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300849&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMEN El objetivo del presente artículo será sostener que la memoria impedida, carente de una dimensión simbólica y ‘sustraída del tiempo', tratada en "La memoria, la historia, el olvido" plantea un límite originalmente no contemplado a la solución narrativa de la aporía del tiempo presentada en "Tiempo y narración". Sin embargo, observamos varios elementos que llevan a desdibujar la diferencia entre la memoria impedida y la manipulada. Nuestra hipótesis es que el recurso a la metapsicología freudiana, y específicamente, su concepto de trabajo, le impiden a Ricoeur desarrollar cabalmente este límite. Recurriremos a las tesis de Certeau acerca de la escritura histórica como gesto sepultural, para ahondar en este límite y determinar las vías para superarlo.<hr/>ABSTRACT The objective of this paper is to argue that an impeded memory, devoid of a symbolic dimension and "subtracted from time", treated in "Memory, History, Forgetting" poses a limit not originally contemplated in the narrative solution of the aporia of time, as presented in "Time and Narrative". However, we find several elements that lead to blur the difference between impeded and manipulated memory. Our hypothesis is that by resourcing to Freudian metapsychology, and specifically its concept of work, prevents Ricoeur from fully developing this limit. We turn to Certeau's theses about historical writing as a sepulture gesture, to develop this limit and determine the ways to overcome it. <![CDATA[UM CORPO QUE EXPERIMENTA E AVALIA: A ÉTICA EM DELEUZE À LUZ DA “GRANDE IDENTIDADE” SPINOZA-NIETZSCHE]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300867&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMO A ética é um tema constante na obra de Gilles Deleuze, ainda que aparentemente não figure como assunto principal de nenhum de seus livros. Isso se explica, pois, para ele, a filosofia prática, formada pela ética e pela política, é coextensiva a toda a filosofia. Por um lado, não há um aspecto puramente teórico ou especulativo da filosofia; por outro lado, a ética não é uma dentre outras disciplinas filosóficas, mas a sua dimensão prática e sempre presente, não havendo qualquer motivo para que seja tratada em separado. Sendo assim, abordar a ética em Deleuze exige percorrer todos os seus escritos e escolher uma chave de leitura. Aqui, pretende-se explorar como Deleuze lança as bases para a sua própria concepção de ética a partir da grande identidade Spinoza-Nietzsche produzida por ele. Propõe-se uma fórmula para a ética em Deleuze: um corpo que experimenta e avalia. Dessa fórmula, destaca-se o primeiro eixo a ser trabalhado: a ética deleuziana como ética do corpo. O segundo eixo é a importante oposição entre ética e moral. O terceiro, a relação entre ética e ontologia. E o quarto e último eixo, a formação ética como aprendizado contínuo.<hr/>ABSTRACT Ethics is a constant theme in Gilles Deleuze’s philosophy, even though it does not seem to figure as the main subject in his books. This happens because, according to him, practical philosophy - formed both by ethics and politics - is coextensive to philosophy as a whole. On the one hand, there is no purely theoretical or speculative philosophy; on the other hand, ethics is not one amongst other philosophical disciplines, but its practical and always present dimension, there being no reason to be treated separately. Thus, to approach ethics in Deleuze’s thought means to go through all his writings to choose one key. The aim of this paper is to explore how Deleuze launches what he calls a great Spinoza-Nietzsche identity as the key, the basis for his conception of ethics. A formula is proposed for ethics in Deleuze’s philosophy: a body that experiments and evaluates. From this formula, a first axis to be worked is highlighted: Deleuzean ethics as a body ethics. The second axis lies on the important opposition between ethics and morals. A third axis is the relation between ethics and ontology. Finally, a fourth and last axis is ethical formation understood as continuous apprenticeship. <![CDATA[“FIZ DE MINHA VONTADE DE SAÚDE, DE <em>VIDA</em>, MINHA FILOSOFIA...”. NIETZSCHE E O PROBLEMA DA MEDICINA EM “ECCE HOMO”]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300891&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMO Em “Ecce Homo”, Nietzsche apresenta-se ao mesmo tempo como terapeuta e enfermo. Se nos seus escritos ele concebe o filósofo como médico da cultura, nesse livro é também como paciente que comparece. Compreender as razões que o levaram a proceder dessa maneira em “Ecce Homo”, é o problema que presidirá este trabalho. Tomando como ponto de partida a análise dos primeiros capítulos do livro, contamos de início esclarecer a dupla condição de seu autor: a de terapeuta e enfermo, explorando em particular sua ideia de se tomar em mãos. Examinando o último capítulo à luz dessas análises, estaremos então em condições de nos perguntar sobre o que permite a Nietzsche passar da condição de médico de si mesmo à de médico da cultura. Esperamos elucidar desse modo a relação intrínseca que ele afirma existir entre suas concepções de filosofia e vida.<hr/>ABSTRACT In “Ecce Homo”, Nietzsche presents himself, at the same time, both as a doctor and a sufferer. If in his writings he conceives the philosopher as the physician of the culture, in this book he also appears as a patient. The present paper aims at questioning about the reasons which led Nietzsche to adopt this way of doing in “Ecce Homo”. Taking the analysis of the first chapters of this book as a start point, we intend to clarify, first of all, its authors’ dual condition as both a doctor and a sufferer, particularly exploring his idea of taking himself in hand. Then examining the last chapter of the book in the light of these analyses, we attempt to find out what allows Nietzsche to make the transition from his condition of being his own doctor to the condition of physician of the culture. Thereby, we aim at elucidating the fundamental relationship between Nietzsche’s conceptions of philosophy and of life. <![CDATA[IMAGINAIRE, VIE ET HYSTERIE CHEZ MERLEAU-PONTY]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300905&lng=&nrm=iso&tlng= RESUME Dans cet article, j’aborde la perspective idéaliste de la « Phénoménologie de la perception » pour montrer que, dans cet ouvrage, l’expérience du corps propre est décrite à partir de la vision du cogito. Pour expliciter cet idéalisme, j’analyse la principale voix donnée au corps au début de la pensée de Merleau-Ponty: la voix pathologique. Les troubles de Schneider rendent explicite son impuissance symbolique, et cette impuissance est vraiment l’impuissance du corps. Le sujet malade est un être soumis à la normativité immédiate de la vie, raison par laquelle il peut découvrir à chaque moment la finitude et la fragilité de l’existence. J’évoque par contre les notes du cours au Collège de France, de 1954-1955, sur la passivité et les cours sur la Nature, de 1957-1958, lorsque Merleau-Ponty examine la vie et la naissance du sens à partir d’une perspective tout à fait différente. J’analyse aussi la lecture qu’il a faite du « cas Dora » pour montrer que le philosophe trouve dans l’hystérie une expérience symbolique très particulière. Cette expérience exige la compréhension de la puissance symbolique du corps propre, l’abandon de la position idéaliste et la découverte du pouvoir de l’hystérique de narrer l’expérience de l’être.<hr/>ABSTRACT In this article, I approach the idealistic perspective of the “Phenomenology of Perception” to show that in that work the experience of the body is described from a vision of the cogito. To explain this idealism, I asses the main voice given to the body in the beginning of the thought of Merleau-Ponty: the pathological voice. Schneider’s disturbances make explicit its symbolic powerlessness, and that powerlessness is in fact the body’s powerlessness. The sick is a being submitted to the immediate normativity of life, reason by which he can find out at every moment the finitude and fragility of existence. On the other hand, I evoke the course notes from Collège de France, of 1954-1955, about passivity, and the courses about Nature, of 1957-1958, when Merleau-Ponty analyses life and the birth in the sense from an entirely different perspective. Also, I analyze the reading of what he to “case Dora” to show that the philosopher finds in hysteria a very particular symbolic experience. This experience requires understanding the symbolic power of the body itself, the abandonment of the idealist position and the discovery of the power of the hysteric of narrating the experience of being. <![CDATA[<em>HANNAH ARENDT CONTRA A</em> DIFFERENTIA SPECIFICA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300921&lng=&nrm=iso&tlng= RESUMO O presente artigo apresenta a crítica arendtiana à differentia specifica. Mostra-se aqui que o procedimento de definir ser humano por meio da differentia specifica constitui um dos elementos totalitários que Arendt afirma existir na tradição. Em um percurso que vai do projeto de pesquisa elaborado por Arendt, em 1952, às primeiras páginas de A condição humana, o artigo mostra como o problema da differentia specifica se vincula a Marx e Heidegger e termina oferecendo a Arendt a possibilidade de elaborar de maneira nova e mais profunda a sua crítica ao totalitarismo.<hr/>ABSTRACT This article shows Hannah Arendt’s critique of differentia specifica. I claim here that the traditional procedure of defining human being through his differentia specifica regarding other animals is one of the totalitarian elements of tradition, as states Arendt. Starting with the research project written by Arendt in 1952 and finishing at the first pages of The Human Condition, I intend to show how the problem of differentia specifica is related to Marx and Heidegger, and opens to Arendt the possibility to elaborate a brand new and deeper way to fight totalitarianism. <![CDATA[PRIORITARIANISM WITHOUT CONSEQUENTIALISM]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000300943&lng=&nrm=iso&tlng= ABSTRACT According to prioritarianism, an influential theory of distributive justice, we have a stronger (non-egalitarian) reason to benefit people the worse off these people are (Parfit 2012). Many authors have adopted a consequentialist version of prioritarianism. On this account, we have a consequentialist reason to benefit the worse off because the state of affairs where the worse off gains a given amount of utility is more valuable than the state of affairs where the better off gains roughly the same amount of utility. In this paper, we argue that the consequentialist approach to prioritarianism is problematic. However, it doesn't follow that the prioritarian doctrine per se is groundless. We then suggest that we can make sense of prioritarianism by appeal to a contractualist approach.<hr/>RESUMO De acordo com o prioritarianismo, uma teoria influente da justiça distributiva, temos um motivo forte (não igualitário) para beneficiar as pessoas, por piores que tais pessoas sejam (Parfit, 2012). Diversos autores têm adotado uma versão consequencialista de prioritarianismo. Nesse sentido, temos um motivo consequencialista para beneficiar ainda que piores por causa do estado de coisas em que os piores que ganham uma dada quantidade de utilidade são mais valiosos do que o estado de coisas em que os melhores ganham aproximadamente a mesma quantidade de utilidade. Neste artigo, argumentamos que a abordagem consequencialista ao prioritarianismo é problemática. Entretanto, não se acompanha que a doutrina prioritarista seja, por si, sem base. Então sugerimos do que podemos fazer algum sentido no prioritarianismo por apelo a uma abordagem contraditória.