Scielo RSS <![CDATA[Kriterion: Revista de Filosofia]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0100-512X20130002&lang=en vol. 54 num. 128 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>Nietzsche and transcendental argument</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=en My plan is to examine Nietzsche's view of (what is I think) the most characteristically Kantian kind of argument, what's now often called 'transcendental argument'. I understand this as an argument in which a concept or principle or value is justified as a 'condition of the possibility' of something indisputable (or indispensable). I will look at Nietzsche's critique of this pattern of argument in Kant, but also at the ways he still uses such arguments himself, in all three of the sectors of Kant's critique: theoretical, practical, aesthetic.<hr/>Planejo examinar a visão de Nietzsche sobre o que creio seja o tipo de argumento mais kantiano, o que é atualmente chamado de 'argumento transcendental'. Eu o entendo como um argumento no qual um conceito, ou princípio, ou valor seja justificado como uma 'condição da possibilidade' de algo indisputável (ou indispensável). Aprofundar-me-ei na crítica que Nietzsche estabelece sobre esse padrão de argumento em Kant, mas também nas formas em que ele mesmo se utiliza de tais argumentos, em todos os três setores da crítica de Kant: a teórica, a prática e a estética. <![CDATA[<b>As objeções de Nietzsche ao conceito de coisa em si</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Entre os temas kantianos discutidos por Nietzsche, o tradicional problema do estatuto da coisa em si é particularmente relevante para a formulação de sua própria filosofia. Por esse motivo, a compreensão de Nietzsche desse problema também se tornou um dos assuntos mais debatidos e controversos entre seus intérpretes. De forma geral, tende-se a identificar na filosofia de Nietzsche uma trajetória que o levaria da admissão de um conceito de coisa em si em sua juventude até uma negação, em sua filosofia madura, da coisa em si, considerada como uma concepção contraditória. A discordância entre os comentadores surge quando se pergunta se o conceito de coisa em si que Nietzsche nega é exatamente aquilo que Kant entendia por coisa em si. Nosso trabalho pretende discutir essa questão a partir do estudo de três objeções de Nietzsche ao conceito de coisa em si, levando em consideração os aspectos históricos do problema e as soluções oferecidas pela literatura secundária.<hr/>Among the Kantian issues discussed by Nietzsche, the traditional problem of the status of the thing-in-itself is particularly relevant to the formulation of his own philosophy. For this reason, Nietzsche's comprehension of this problem has also become one of the most debated and controversial subjects among his interpreters. There is a general trend among them to identify in Nietzsche's philosophy a path that would lead him from the assumption of a concept of thing-in-itself in his youth to a denial of the thing-in-itself, in his late philosophy, what is regarded as a contradictory conception. The disagreement among them takes place when it is called into question if the concept of thing-in-itself that Nietzsche denies is exactly what Kant meant by thing-in-itself. My purpose is to discuss this issue by means of a study of three objections made by Nietzsche to the concept of thing-in-itself, taking the historical aspects of the problem, as well as the solutions offered by the secondary literature, into consideration. <![CDATA[<b>O devir e o lugar da filosofia</b>: <b>alguns aspectos da recepção e da crítica de Nietzsche ao idealismo transcendental via Afrikan Spir</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=en A recepção de Nietzsche da filosofia transcendental de Kant é intermediada por diversos autores de diferentes tendências filosóficas que se viam em continuidade com o projeto kantiano de uma filosofia crítica. Um desses autores é Afrikan Spir, filósofo que levou a cabo um programa de renovação da filosofia crítica que ia na contramão da tendência hegemônica na segunda metade do século XIX de naturalização do kantismo. A influência de Spir na construção de algumas das teses epistemológicas centrais do pensamento de Nietzsche é variada, assim como sua importância no que tange à recepção e à crítica nietzscheana ao idealismo transcendental. Nietzsche se apropriou e reinterpretou várias teses e temas presentes na reformulação da teoria kantiana do transcendental proposta por Spir. O objetivo do presente trabalho é investigar o alcance e a importância dessa apropriação e suas consequências para a crítica de Nietzsche ao transcendentalismo. Esta crítica é formulada a partir do pensamento do devir, que constitui a base do seu programa de uma filosofia histórica.<hr/>Nietzsche's reception of Kant's transcendental philosophy is mediated by various authors from different philosophical tendencies who saw themselves in continuity with the kantian project of critical philosophy. One of these authors is Afrikan Spir, a philosopher who undertook a program of renovation of critical philosophy that went against the tendency of naturalization of kantianism which was hegemonic in the second half of the 19th century. Spir's influence on some of Nietzsche's central epistemological theses is variegated, as well as his importance concerning Nietzsche's reception and criticism of transcendental idealism. Nietzsche appropriated and reinterpreted many theses and themes that featured Spir's reformulation of Kant's theory of the transcendental. The objective of this paper is to investigate the reach and the importance of this appropriation and their consequences for Nietzsche's criticism of transcendentalism. This critique is formulated on the basis of the thought of becoming, which provides, on its part, the basis for his program of a historical philosophy. <![CDATA[<b>Teses sobre o estatuto subjetivo do significar e comunicar em Kant e Nietzsche</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200005&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente artigo tem por objetivo, na primeira parte, explorar algumas teses gerais apresentadas por recente pesquisa de Josef Simon acerca do estatuto da linguagem na filosofia de Kant, em especial no que tange ao modo de significar e comunicar presente nas reivindicações de verdade dos juízos. Em segundo lugar, pretende-se pontuar a crítica de Nietzsche a um modo de significar e comunicar ao qual denomina "gregário", contrapondo-o a uma comunicação e significação "individualizada". Como apontamos no final, a visada interlocução entre Kant e Nietzsche acerca do significar e comunicar se dará segundo um aspecto central: o fator subjetivo presente em qualquer reivindicação discursiva da razão.<hr/>The present article aims, in the first part, to explore some general theses presented by recent research of Josef Simon concerning the status of language in Kant's philosophy, especially regarding the mode of signification and communication present in the claims for truth of judgment. In the second part, it is intended to point out Nietzsche's critique of a mode of meaning and communication, which he calls "gregarious", confronting it to "individualized" communication and meaning. As it is pointed out in the conclusion, the intended dialogue between Kant and Nietzsche on this theme occurs according to a central aspect: the subjective factor present in any discursive claim of human reason. <![CDATA[<b>Funções regulativas em Kant e Nietzsche</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200006&lng=en&nrm=iso&tlng=en A presença de Kant e possível influência na filosofia de Nietzsche é motivo de muita controvérsia. Se em seus primeiros escritos Nietzsche é claramente influenciado por Kant, os textos do período maduro não deixam perceber com clareza o teor do diálogo que neles se estabelece, uma vez que Nietzsche assume uma postura radical contra Kant. Essa postura esconde justamente que, em meio aos rompimentos diante do idealismo transcendental, Nietzsche permanece devedor de Kant. Um aspecto dessa dívida é a noção de ficção regulativa. Pretendemos, assim, mostrar, primeiramente, que a concepção de Nietzsche de que a falsidade de um juízo não constitui uma objeção contra ele é um traço decisivo de seu pensamento antidogmático e, em seguida, defender que esse antidogmatismo tem ascendência na concepção de Kant de princípios regulativos.<hr/>The presence of Kant and its possible influence in Nietzsche's philosophy is a controversial issue. If in his early writings Nietzsche is clearly influenced by Kant, his mature period texts no longer allow anyone to see clearly the content of the dialog established therein, once Nietzsche assumes a radical view against Kant. This view hides that, regardless the disruptions done in face of the transcendental Idealism, Nietzsche remains debtor to Kant. An aspect of this debt is the notion of regulative fiction. We intend, thus, to show: first, that Nietzsche's conception that the falsity of a judgment does not constitute an objection to itself is a decisive trace of his anti-dogmatic thought and, secondly, to argue that this anti-dogmatism has ascendancy in Kant's conception of regulative principles. <![CDATA[<b>Nietzsche and Neo-Kantian historiography</b>: <b>points of contact</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200007&lng=en&nrm=iso&tlng=en Nas universidades alemãs do período em que Nietzsche esteve intelectualmente ativo, a tradição kantiana foi amplamente substituída por duas escolas independentes e que, desde então, têm sido rotuladas de "neokantismo". Este artigo apresenta quatro teses principais da filosofia da história neokantiana, mostra como elas são uma decorrência de sua adaptação da tradição kantiana e como Nietzsche se envolve criticamente com os mesmos temas na formação de sua própria teoria histórica. Embora não haja uma influência muito direta entre estas escolas, o contraste com a tradição neokantiana nos permite situar melhor a filosofia da história de Nietzsche em seu contexto apropriado.<hr/>In the German academies of Nietzsche's period of writing, the Kantian tradition was largely displaced in favor of two independent schools that have since been labeled "Neo-Kantianism." This paper presents four key theses about philosophy of history from four Neo-Kantian thinkers, how they follow from their adaptation of the Kantian tradition, and how Nietzsche critically engaged the very same issues in the formation of his own historical theory. Although there is little direct influence between orthodox Neo-Kantianism and Nietzsche, their comparison on these points will illuminate their unique adaptations of the Kantian tradition. <![CDATA[<b>Kant, Nietzsche and the idealization of friendship into nihilism</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200008&lng=en&nrm=iso&tlng=en A amizade ainda é possível em condições niilistas? Kant e Nietzsche são fases importantes na história da idealização de amizade, o que inevitavelmente conduz ao problema do niilismo. O próprio Nietzsche afirma que, por um lado, apenas algo como a amizade pode nos salvar em nossa condição niilista mas que, por outro, precisamente a amizade foi desmascarada e se tornou impossível baseada nas mesmas condições. Parece que estamos presos no paradoxo niilista de não nos ser permitido acreditar na possibilidade do que não podemos prescindir. A imaginação literária, desde o século XIX, parece nos tornar ainda mais céticos. Talvez Beckett forneça uma ilustração de uma maneira que se adapta bem à afirmação de Nietzsche de que apenas "os mais moderados, aqueles que não necessitam de quaisquer artigos extremos de fé", serão capazes de lidar com o niilismo.<hr/>Is friendship still possible under nihilistic conditions? Kant and Nietzsche are important stages in the history of the idealization of friendship, which leads inevitably to the problem of nihilism. Nietzsche himself claims on the one hand that only something like friendship can save us in our nihilistic condition, but on the other hand that precisely friendship has been unmasked and become impossible by these very conditions. It seems we are struck in the nihilistic paradox of not being allowed to believe in the possibility of what we cannot do without. Literary imagination since the 19th century seems to make us even more skeptical. Maybe Beckett provides an illustration of a way out that fits well to Nietzsche's claim that only "the most moderate, those who do not require any extreme articles of faith" will be able to cope with nihilism. <![CDATA[<b>Travando uma guerra contra a guerra</b>: <b>Nietzsche contra Kant acerca do conflito</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo examina e compara Kant e Nietzsche enquanto pensadores do conflito. Argumenta-se no § 1 que, para ambos os filósofos, o conflito desempenha um papel essencial e construtivo em vários domínios de seu pensamento, e que ambos nos oferecem um rico conjunto de insights sobre as qualidades produtivas do conflito. Contudo, Kant não é capaz de formular um conceito genuinamente afirmativo do conflito que faça jus aos prodigiosos poderes produtivos por ele descritos. Em vez disso, ele promove uma guerra de extermínio (Vernichtungskrieg) filosófica contra toda guerra, destinada a negá-la em favor de uma reivindicação absoluta pela paz ('paz perpétua'). Como nos mostra a análise de "Zum ewigen Frieden" no § 2, a possibilidade de ação construtiva requer a eliminação da guerra em favor da paz perpétua por meio do Estado de Direito, e o conflito é, na melhor das hipóteses, produtor de sua própria negação. A parte final do artigo se volta para Nietzsche em busca de um modelo conceitual que permita uma compreensão genuinamente afirmativa do conflito e seus potenciais produtivos. A filosofia da vida de Nietzsche é uma ontologia do conflito que culmina em um ideal de maximização da tensão baseado em um equilíbrio de poderes mais ou menos equânimes. Argumenta-se que a noção nietzschiana de afirmação da vida nos compromete com uma posição que se situa entre a guerra kantiana e o direito cosmopolita, focando a nossa atenção nas relações antagônicas que se estabelecem tanto no interior quanto entre uma pluralidade de ordenamentos jurídicos.<hr/>This article examines and compares Kant and Nietzsche as thinkers of the conflict. It is argued in paragraph one that conflict plays a fundamental and constructive role for both philosophers in several domains of their thought, and that both of them offer us a rich set of insights on the productive qualities of conflict. However, Kant is unable to formulate a genuinely affirmative concept of conflict that does justice to the prodigious productive powers described by him. Instead, he promotes a termination philosophical war (Vernichtungskrieg) against all war intended to negate it in favor of an absolute vindication for peace ('perennial peace'). As evidenced by "Zum ewigen Frieden" analysis in paragraph two, the possibility of a constructive action requires the elimination of war for the perennial peace through the Rule of Law, and conflict is, at its best, producer of its own negation. The closing part of the article turns to Nietzsche in search of a conceptual model to genuinely understand conflict and its productive potential. Nietzsche's life philosophy is an ontology of conflict that culminates in an ideal of maximizing tension based on a balance of more or less equitable powers. It is argued that Nietzsche's notion of affirmation of life commits us to a position that is between Kantian war and the cosmopolitan law, bringing to our attention the antagonistic relations within and among a plurality of legal systems. <![CDATA[<b>On the institution of the moral subject</b>: <b>on the commander and the commanded in Nietzsche's discussion of law</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200010&lng=en&nrm=iso&tlng=en O artigo discute como Nietzsche compreende a instituição da lei e da moral em distinção a Kant e à tradição cristã. Ele argumenta que Nietzsche é, em grande medida, inspirado pela mudança de paradigma em direção a um pensamento biológico evolutivo, introduzido por diversos de seus colegas ao final do século XIX, entre os quais F. A. Lange, que vê esta mudança como uma sóbria alternativa científico-materialista a Kant. Em Nietzsche, a imperativa moral kantiana é substituída pela noção de uma moralidade emergente graças a processos civilizatórios históricos ou pré-históricos, impostos a um ser humano de mente débil sem quaisquer disposições racionais inerentes a obedecer à Lei. Ela também é um processo que, em vez de universalizar o ser humano, o cinde em uma dualidade, em que uma parte obedece a antigos e imediatos interesses próprios, e a outra parte obedece a novos 'comandos', que lhe foram gritados 'aos ouvidos' por um chamado 'comandante'. A obediência à lei conduz a duas formas radicalmente diferentes em Nietzsche: indivíduos servis e medíocres precisam ser expostos à disciplina e à punição, para adotar a Lei; enquanto os chamados indivíduos 'soberanos' são capazes de impor a lei a si mesmos. A figura do 'soberano' vem consequentemente sendo o motivo de vigoroso debate, especialmente quanto à tradição anglo-saxônica em pesquisa por Nietzsche, uma vez que seu aparente 'respeito pela lei' e 'senso de dever' reiteram típicas qualidades kantianas. Em relação a essas discussões, sugiro que o 'soberano' de Nietzsche (em um contexto) seja idêntico ao 'comandante' (em outros contextos). Quando o 'soberano', como tal, impõe a lei a si mesmo e aos demais, sua ação é convencional e arbitrária (como a linguagem em Saussure), e é mais irracional que racional, como em Kant. Sua vontade não é uma vontade boa, nem uma vontade racional, com visão para a autonomia humana. Seu comando de si mesmo e dos outros é performativo, portanto, sem valor de verdade (como atos ilocucionários de fala em Austin e Searle).<hr/>The article discusses how Nietzsche understands the institution of law and morals in distinction to Kant and the Christian tradition. It argues that Nietzsche to a large extent is inspired by the paradigm-shift toward a evolutionary biological thinking introduced by several of his peers in the late 19th century, among else F. A. Lange, who sees this shift as a sobering scientific-materialistic alternative to Kant. In Nietzsche, the Kantian moral imperative is replaced with a notion of a morality emerging thanks to historical, or pre-historical, civilizational processes, imposed on a feebleminded human without any inherent rational dispositions to obey Law. It is also a process, which rather than universalizing the human, splits it in a duality where one part obeys old immediate self-interests and another part obeys new 'commands,' having been shouted 'into the ear' by a so-called 'commander.' The compliance with law takes two radically different forms in Nietzsche: servile and mediocre individuals need to be exposed to discipline and punishment in order to adopt Law; while so-called 'sovereign' individuals are able to impose law upon themselves. The figure of the 'sovereign' has consequently been an issue for vigorous debate in especially the Anglo-Saxon tradition of Nietzsche research, since his apparent 'respect for law' and 'sense of duty' reiterate typical Kantian qualities. Relating to these discussions, I suggest that Nietzsche's 'sovereign' (in one context) is identical his 'commander' (in other contexts). When the 'sovereign' as such imposes law upon himself and others, his act is conventional and arbitrary (like language in Saussure), and is rather irrational than rational as in Kant. His will is not a good will, nor a rational will with a vision of human autonomy. His command of himself and others is a performative, thus without truth-value (like illocutionary speech-acts in Austin and Searle). <![CDATA[<b>Eternal recurrence in a Neo-Kantian context</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200011&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste ensaio, argumento que qualquer um que adotasse um falsificacionismo do tipo que tenho atribuído a Nietzsche se sentiria atraído pela doutrina do eterno retorno. Para Nietzsche, pensar o 'vir a ser' revelado por meio dos sentidos significa falsificá-lo por meio do 'ser'. Mas o eterno retorno oferece a possibilidade de pensar o 'vir a ser' sem falsificação. Em seguida, argumento que qualquer um que mantenha o falsificacionismo de Nietzsche veria na ação humana um conflito entre o 'ser' e o 'vir a ser', de modo semelhante ao que ocorre no juízo empírico. À luz desse conflito apenas o eterno retorno ofereceria a possibilidade de afirmar a vida de modo verdadeiro. Para concluir, discuto de que maneira tal leitura do eterno retorno resolve uma série de enigmas que têm atormentado os intérpretes.<hr/>In this essay, I argue that someone who adopted a falsificationism of the sort that I have attributed to Nietzsche would be attracted to the doctrine of eternal recurrence. For Nietzsche, to think the becoming revealed through the senses means falsifying it through being. But the eternal recurrence offers the possibility of thinking becoming without falsification. I then argue that someone who held Nietzsche's falsificationism would see in human agency a conflict between being and becoming similar to that in empirical judgment. In the light of this conflict only the eternal recurrence would offer the possibility of truly affirming life. I end by discussing how this reading of the eternal recurrence solves a number of puzzles that have bedeviled interpreters. <![CDATA[<b>"Quem tem razão, Kant ou Stendhal?" uma reflexão sobre a crítica de Nietzsche à estética de Kant</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200012&lng=en&nrm=iso&tlng=en O artigo é uma reflexão sobre o modo como, na "Genealogia da Moral", Nietzsche repensa "o problema estético" a partir da oposição entre a concepção kantiana do belo como predicado de um juízo "desinteressado" e a concepção stendhaliana do belo como efeito de uma "cristalização" e uma "promessa de felicidade". A chave do pensamento de Nietzsche neste contexto está no conceito de "embriaguez" (Rausch), por um lado, como termo-chave para designar a "pré-condição fisiológica" da arte, mas, por outro, como um processo de espiritualização dos instintos ou das pulsões que as interioriza e intensifica. Esta espiritualização distingue-se da contemplação desinteressada porque não nos des-afecta e porque é, em grande medida, uma espiritualização da sexualidade, mas não deixa, por isso, de implicar uma reavaliação dos valores e uma ampliação do horizonte do humano. É por isso que a arte pode ser pensada como um "contra-movimento" que afirma a vida e combate o "ideal ascético" e o "niilismo europeu".<hr/>The present article is a reflection on the way how, in "Genealogy of Morals", Nietzsche rethinks "the aesthetic issue" based on the opposition between Kant's conception of beauty as a predicate of a "disinterested" judgment and the stendhaliana conception of beauty as the effect of a "crystallization" and a "promise of happiness". The key to the thought of Nietzsche's in this context resides on the concept of "intoxication" (Rausch) on the one hand, as a key-term to designate the "pre-physiological condition" of art, but on the other hand, as a process of spiritualisation of the instincts or of the drives, which internalizes and intensifies them. This spiritualization is distinguished from disinterested contemplation for it does not dis-affects us, and because it is by large a spiritualization of sexuality, without renouncing to imply a revaluation of the values and a widening on the horizon of the human. That is why art can be thought of as a "counter-movement" that affirms life and fights the "ascetic ideal" and the "European nihilism". <![CDATA[<b>Musicofobia, musicofilia e filosofia</b>: <b>Kant e Nietzsche sobre a música</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2013000200013&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente estudo propõe-se questionar a alegada musicofobia de Kant comparando-a com a bem conhecida musicofilia de Nietzsche. A partir da análise das considerações, à primeira vista tão díspares, de ambos os filósofos sobre a música, procurar-se-á mostrar que tal disparidade é apenas aparente, pois, quer para Kant, quer para Nietzsche, a experiência de ouvir música relaciona-se de modo profundo com a experiência de pensar.<hr/>This paper aims to question Kant's alleged musicophobia by comparing it with Nietzsche's well-known musicophilia. By analysing the considerations of both philosophers about music, it will try to show that their opposition is only apparent inasmuch as, both for Kant as well as for Nietzsche, the experience of listening to music has deep affinities with the experience of thinking.