Scielo RSS <![CDATA[Kriterion: Revista de Filosofia]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0100-512X20150001&lang=es vol. 56 num. 131 lang. es <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[DUNS SCOTUS, ESCOTISTAS E O DEBATE EM TORNO À EXTENSÃO PREDICATIVA IN <em>QUID</em> DA NOÇÃO DE ENTE NO SÉCULO XIV]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100007&lng=es&nrm=iso&tlng=es O objetivo de meu texto consiste em reconstruir um aspecto da recepção da compreensão de Duns Scotus sobre a noção de ente em dois autores pertencentes à geração que imediatamente o sucedeu: no franciscano Guilherme de Alnwick e em seu confrade Francisco de Meyronnes. O problema que surge nessa primeira recepção de Scotus pode ser assim resumido: uma vez que tenhamos aceitado que a noção de ente é simultaneamente unívoca, primeira, a mais geral e a mais simples das noções, como podemos evitar a ameaça de se ter de conceder que a ciência de tal noção – que a metafísica, noutras palavras – não seja capaz de se distinguir claramente de uma investigação que não lida necessariamente com realidades extramentais? Ou, pondo a questão em outros termos: não nos vemos depois de Scotus condenados a ter de escolher entre uma noção de ente como uma noção real ou como uma noção perfeitamente geral? Veremos que, tratando da mesma questão, Alnwick e Meyronnes seguem diferentes caminhos, cada um deles com seus custos e méritos.<hr/>The aim of my text is to reconstruct the reception of Duns Scotus's comprehension of the notion of being between two authors belonging to the generation which immediately follows his: the Franciscan William of Alnwick and his confrere Francis of Meyronnes. The issue that arises in this early reception of Scotus's can be summarized as follows: once we have accepted that the notion of being is simultaneously univocal, primary, the most general and the simplest possible notion, how can we avoid the threat of having to concede that the science of such a notion – that metaphysics, in other words – is not capable of distinguishing itself clearly from an investigation that does not necessarily have to do with extramental realities? Or, rephrasing the question: after Scotus, are we not condemned to having to choose between the notion of being as a real notion or the notion of being as a perfectly general notion? We shall see that, addressing the same issue, Alnwick and Meyrones follow different paths, each one with its own costs and its own merits. <![CDATA[OS PROCESSOS DE AQUISIÇÃO DOS TERMOS DO SILOGISMO SEGUNDO A INVESTIGAÇÃO NOÉTICA DE AVICENA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100025&lng=es&nrm=iso&tlng=es Tendo em vista o desacordo entre os comentadores contemporâneos acerca do modo pelo qual o intelecto teorético conhece no "Kitāb al-nafs" de Avicena, investigo se esta atividade se realiza por um sentido interno que é auxiliado pelo intelecto a fim de abstrair a forma material ou se é uma atividade exclusiva do intelecto que não depende das formas materiais, mas apenas da intuição das formas inteligíveis. Contudo, algumas passagens das seções V.5 e V.6, nas quais são descritas a atividade conjunta entre intelecto e os sentidos internos e a sua atividade própria, conduzem à conclusão segundo a qual são necessários dois elementos para que o conhecimento seja realizado: a unificação da multiplicidade e a multiplicação da unidade; em outras palavras, não é suficiente que o intelecto, em conjunto com as faculdades estimativa e cogitativa, conceitualize os termos menor e maior do silogismo, mas ele também precisa intuir o termo médio.<hr/>There is a disagreement among contemporary commentators about Avicena's view of the theoretical intellect in "Kitāb alnafs". Is its activity performed by an internal sense helped by the intellect, or is it a activity proper of the intellect independently of material forms? Some passages of V.5 and V.6 suggest that both elements are necessary to the knowledge: unifying the multiplicity and multiplying the unity; in others words, it is not enough that the intellect conceptualizes the minor and major terms of the syllogism, it also needs to intuit the middle term. <![CDATA[THE CONCEPT OF 'NATURE' IN ARISTOTLE, AVICENNA AND AVERROES]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100045&lng=es&nrm=iso&tlng=es This study is concerned with 'nature' specifically as the subject-matter of physics, or natural science, as described by Aristotle in his "Physics". It also discusses the definitions of nature, and more specifically physical nature, provided by Avicenna (d. 1037) and Averroes (d. 1198) in their commentaries on Aristotle's "Physics". Avicenna and Averroes share Aristotle's conception of nature as a principle of motion and rest. While according to Aristotle the subject matter of physics appears to be nature, or what exists by nature, Avicenna believes that it is the natural body, and Averroes holds that the subject matter of physics or natural science consists in the natural things, in what constitutes a slight shift in focus.<hr/>O presente artigo trata da 'natureza' enquanto objeto da física, ou da ciência natural, tal como descrita por Aristóteles na "Física". Também trata das definições da natureza, especificamente a natureza física, fornecidas por Avicena (m. 1037) e Averróis (m. 1198) nos seus comentários à "Física" de Aristóteles. Avicena e Averróis partilham da conceção da natureza de Aristóteles enquanto princípio de movimento e repouso. Enquanto para Aristóteles o objeto da física parece ser a natureza, ou aquilo que existe por natureza, Avicena defende que é o corpo natural, e Averróis afirma que o objeto da física, ou ciência natural, consiste nas coisas naturais, apresentando uma ênfase algo diferente. <![CDATA[O <em>ENS TERTIO ADIACENS</em> DE GERARDO ODON E O REALISMO PROPOSICIONAL]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100057&lng=es&nrm=iso&tlng=es O artigo aborda o tratado lógico de Geraldo Odon "De duobos communissimis principiis scientiarum" focando na noção de ens tertio adiacens: o ente significado pela totalidade da proposição e seu verificador. Odon o identifica ao sujeito dos princípios de não-contradição e terceiro excluído. O ens tertio adiacens também corresponde ao primeiro objeto adequado do intelecto e ao sujeito da lógica, a qual é entendida como a primeira ciência. Na segunda parte do artigo, localizamos Odon no debate historiográfico do realismo proposicional, ao lado de Walter Burley.<hr/>This paper deals with Geraldus Odonis' logical treatise "De duobus communissimis principiis scientiarum" by focusing on the concept of 'ens tertio adiacens': the being signified by the totality of the proposition and its truthmaker; Odonis identifies it to the subject of the principles of noncontradiction and excluded middle. The ens tertio adiacens also corresponds to the first adequate object of the intellect and to the subject of logic, which is understood as the first science. In the second part of the paper, we place Odonis in the historiographical debate of propositional realism, alongside Walter Burley. <![CDATA[<em>HABITUS</em> E VIRTUDE EM PEDRO ABELARDO: UMA DUPLA HERANÇA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100075&lng=es&nrm=iso&tlng=es Pedro Abelardo apresenta na sua obra uma teoria da virtude de natureza, à primeira vista, aristotélica. Ao que parece, essa concepção também contém diferentes elementos estoicos, que não se opõem necessariamente à visão do Estagirita. Todavia, o essencial da interpretação da Escola do Pórtico acerca da virtude difere da explicação dada por Aristóteles. No presente estudo, pretendemos examinar, primeiro, a índole da virtude como habitus na obra de lógica de Abelardo. Nesse caso, não há dúvida de que predomina a influência aristotélica. Em seguida, indicamos outras particularidades da virtude encontradas, desta vez, em tratados éticos e teológicos do nosso protagonista, as quais se revelam antes de caráter estoico. Em suma, projetamos identificar as diferentes fontes antigas e os principais intermediários latinos usados por Abelardo para elaborar a sua própria teoria da virtude. Trata-se de deixar clara a influência filosófica dominante em Abelardo sobre essa questão da virtude, já que este lógico não pode harmonizar teses substancialmente inconciliáveis.<hr/>Peter Abelard in his work presents a theory of virtue, which is, at first sight, of Aristotelian nature. It seems that this view also contains different Stoic elements, but they are not necessarily opposed to Stagirite's vision. However, the essentials of the Stoa School about virtue differ from the explanation given by Aristotle. In this paper, we intend to examine, first, the nature of virtue as habitus in Abelard's work on logic. In this case, there is no doubt that Aristotle's influence on this topic predominates. Next, we specify other features related to virtue found, this time, in ethical and theological treatises of our protagonist that appear to be basically Stoic. In short, we want to identify the different ancient sources and the main Latin mediators used by Abelard to elaborate his own theory of virtue. In other words, we would like to shed light on the predominant philosophical authority on Abelard's theory of virtue since this logician cannot harmonize theses that are fundamentally irreconcilable. <![CDATA[TOMÁS DE AQUINO E A ESSÊNCIA ABSOLUTAMENTE CONSIDERADA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100095&lng=es&nrm=iso&tlng=es O presente artigo propõe uma interpretação deflacionista para a doutrina da essência absolutamente considerada (EAC), apresentada por Tomás de Aquino no opúsculo "De ente et essentia". O norte do trabalho é a análise das expressões reduplicativas que são constantemente utilizadas pelo Doutor Angélico para designar as EAC's. Portanto, pretendo mostrar que a EAC é a consideração dos predicados essenciais, que se predicam das expressões reduplicadas, diferentemente da noção acidental de existência. Por isso, a EAC não existe nem no intelecto nem na realidade, o que, dito em outras palavras, significa apenas que "existir no intelecto" e "existir na realidade" são predicados acidentais em relação às essências apreendidas abstrativamente pela mente.<hr/>This paper proposes a deflationist interpretation of the doctrine of the Nature as such, which Thomas Aquinas exposes in his work "De ente et essentia". The aim of this paper is to provide an analysis of reduplicative expressions used by Aquinas to refer nature as such. Hence, I will show that the nature as such is the consideration of the essential properties predicated by the reduplicative expressions, diverse from the accidental notion of 'existence'. Consequently, nature as such does not exist in the intellect and do not exist in reality, for in other words 'existing in the intellect' and 'existing in the reality' are accidental predicates when attributed to essences grasped by the mind. <![CDATA[A HERANÇA GRECO-ÁRABE NA FILOSOFIA DE MAIMÔNIDES: PROFECIA E IMAGINAÇÃO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100107&lng=es&nrm=iso&tlng=es Para elaborar sua profetologia, Maimônides retoma conceitos relativos às teorias do intelecto de Al-Fārābī e de Avicena, que, por sua vez, se baseiam nas noções sobre a alma de Aristóteles. Dessa perspectiva, a Revelação divina deve ser considerada um fato natural inserido na totalidade da natureza criada por Deus. Compreender a Revelação significa, portanto, compreendê-la a partir do homem, uma vez que o profeta, apesar de se tratar de alguém que se destaca do conjunto da humanidade, é sempre um ser humano, possuidor de uma natureza humana. Desse modo, a doutrina da profecia – central no "Guia dos Perplexos" ‒ é elaborada a partir da natureza humana à luz da filosofia racional greco-árabe. Os falāsifa – filósofos muçulmanos helenizantes – já ensinavam que a profecia é possível graças a certa perfeição da natureza humana (leia-se intelecto). Esse ensinamento está fundamentado na teoria do intelecto apresentada por Aristóteles em "De Anima" III, 5, 430a 10 et seq. Contudo, para os filósofos de expressão árabe (inclusive Maimônides), a profecia é resultante de certas condições físicas e psíquicas determinadas pelo fluxo necessário das emanações, cuja teoria deriva da "Teologia Pseudo-Aristotélica", um tratado neoplatônico atribuído ao Estagirita que, durante a Idade Média, circulou amplamente nos ambientes filosóficos tanto dos judeus quanto dos muçulmanos. Na cosmovisão neoplatônica adotada por eles, o intelecto do profeta reflete a luz e o conhecimento divino derramado pelo fluxo emanatório (fayḍ) do Ser primeiro no mundo celeste, composto pelas dez inteligências separadas, suas almas e esferas. No processo emanatório, a faculdade da imaginação do profeta recebe da última inteligência, o Intelecto Agente, as verdades dos preceitos positivos e culturais da religião, que a imaginação transforma em alegorias e símbolos a serem transmitidos para a humanidade. Maimônides faz da imaginação a pedra de toque de sua profetologia.<hr/>To elaborate his prophetology, Maimonides uses concepts relating to Al-Fārābī and Avicenna's theories of the intellect which, in turn, are based on Aristotle's notions of the soul. Within this perspective, divine Revelation should be considered a natural fact within the totality of nature created by God. Understanding Revelation therefore means understanding it from a human standpoint, since the prophet ‒ despite being a figure who is set apart from the rest of humanity – is always a human being, with a human nature. Thus, the doctrine of prophecy ‒ central to "The Guide of the Perplexed" ‒ is elaborated based on human nature in light of the rational Greco-Arabic philosophy. The falāsifa – the Hellenizing Muslim philosophers – taught that prophecy is possible thanks to certain perfection of the human nature (in other words, the intellect). This teaching is based on the theory of the intellect, as presented by Aristotle in "De Anima" III, 5, 430a 10 et seq. Therefore, for the philosophers of Arabic expression (including Maimonides), prophecy is the result of certain physical and psychic conditions determined by the necessary flow of emanations, whose theory is derived from the "Pseudo-Aristotelian Theology", a Neoplatonic treatise attributed to the Stagyrite which, in the Middle Age, widely circulated in the philosophical milieu, among both Jewish and Muslim. In the Neoplatonic cosmic vision which they adopted, the prophet's intellect reflects the divine light and knowledge overflowing from the emanatory flow (fayḍ) from the first Being in the celestial world, which is composed of the ten separate intelligences, their souls and their spheres. In the emanatory process, the prophet's faculty of imagination receives from the ultimate intelligence, the Active Intellect, the truths of the positive and cultural precepts of religion, which the imagination transforms into allegories and symbols to be transmitted to humanity. Maimonides makes the imagination the cornerstone of his prophetology. <![CDATA[IL CONCETTO AGOSTINIANO DI FUTURO: "CONFESSIONES", XI]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100129&lng=es&nrm=iso&tlng=es O objetivo deste artigo é examinar o conceito agostiniano de futuro tal como aparece em "Confissões", XI. Buscaremos mostrar que a noção de futuro é tanto uma parte constitutiva quanto uma expressão própria do conceito agostiniano de tempo. Vamos analisar inicialmente a reflexão agostiniana concernente à criação do mundo e à pergunta acerca do ser do tempo. Em seguida, vamos examinar o conceito de instante e sua natureza cinética. A terceira parte tratará da reflexão agostiniana sobre a medida do tempo, isto é, sobre o tempo como objeto de quantificação. Finalmente, voltaremos à noção agostiniana de futuro e sua ligação com o conceito de movimento.<hr/>The aim of this paper is to examine the emergence of the Augustinian concept of future in "Confessions" XI. We will argue that the notion of future is both an essential element and a specific expression of Augustine's concept of time. Firstly, we will focus on the Augustinian reflections about the creation of the world and the question whether time is a being or not. The notion of instant and its kinetic nature will be the center of our concerns in the second part of the paper. In the third part, we will examine Augustine's reflections about the measurement of time, that is, about time as object of quantification. Finally, we will be back to the notion of future and its connection with the concept of movement. <![CDATA[DUNS ESCOTO E A VERDADE NAS COISAS: UM ESTUDO DE "QUESTÕES SOBRE A METAFÍSICA" VI, Q.3]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100149&lng=es&nrm=iso&tlng=es No livro VI de suas "Questões sobre a Metafísica", João Duns Escoto desenvolve um complexo estudo sobre a verdade. Para tanto, ele distingue dois modos de verdade: a "verdade na coisa" e a "verdade no intelecto". Pretendo aqui me voltar para a primeira dessas duas noções, interpretando uma curta passagem daquela obra à luz de outros textos do Doutor Sutil – um procedimento sugerido por aquelas próprias questões.<hr/>In the 6th book of his "Questions on Metaphysics", John Duns Scotus develops a complex study on the truth. To do so, he distinguishes between two modes of truth: a "truth in the thing" and "a truth in the intellect". Here I intend to turn to the first of these notions, reading a short passage of that work in the light of some other texts by the Subtle Doctor – a procedure suggested by those very questions. <![CDATA[A INTERAÇÃO ENTRE A FORMA E A MATÉRIA EM TOMÁS DE AQUINO E AS INTERAÇÕES DO SISTEMA CARTESIANO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100173&lng=es&nrm=iso&tlng=es Este artigo explora a relação que Descartes estabelece com as noções de forma e de matéria do aristotelismo escolástico ao tratar da interação entre as substâncias nas correspondências com Elisabeth, Gassendi e Arnauld. Partindo do exemplo do peso utilizado por Descartes em diversas cartas, traça-se uma relação de identidade entre a noção de forma em Tomás de Aquino e de pensamento em Descartes, assim como se traça a crítica à noção de forma, entendida como qualidade oculta, para os corpos inanimados. Por fim, explora-se a interpretação ocasionalista do sistema cartesiano e a relevância dos movimentos celestes para a explicação dos movimentos naturais em Tomás de Aquino.<hr/>This paper deals with the relation that Descartes points between his system and concepts of matter and form from Aristotelian scholasticism. The resemblance arises when Descartes treats interaction among substances in correspondences with Elisabeth, Gassendi and Arnauld. Beginning with the example of the scholastic concept of weight, used many times by Descartes, this article traces an identity between concepts of form in Thomas Aquinas and of thought in Descartes, as well as traces his criticism on the concept of form, understood as hidden qualities, to inanimate bodies. Finally, this paper investigates Cartesian occasionalism as well as the importance of celestial movements for a better comprehension of nature in Thomas Aquinas. <![CDATA[CONSIDERAÇÕES SOBRE A PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS ELABORADA POR HASDAI CRESCAS (1340-1411)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100191&lng=es&nrm=iso&tlng=es Neste artigo,é exposto e discutido o caminho percorrido por Hasdai Crescas (1340-1411), filósofo judeu medieval que viveu em Barcelona, na elaboração de sua prova para a existência de Deus, formulada com base em sua crítica às provas apresentadas por Maimônides (1138-1204) no "Guia dos Perplexos". A crítica de Crescas parte da formulação de um conceito geral de existência aplicável tanto ao ser necessário quanto aos seres contingentes. Outro aspecto interessante em seu caminho para a elaboração da prova da existência de Deus é a distinção que ele faz entre quididade e existência no ser necessário, posição única entre os medievais e que introduz um importante aspecto de imanência em sua ideia de Deus, distinguindo-a radicalmente daquela defendida por Maimônides.<hr/>This article presents and discusses the path followed by Hasdai Crescas (1340-1411), medieval Jewish philosopher who lived in Barcelona for the elaboration of his proof for existence of God, formulated from his critique of the evidence presented by Maimonides (1138-1204) in the "Guide of the Perplexed". Crescas's critique starts with the formulation of a general concept of existence applicable to both the necessary being as to the contingent beings. Another interesting aspect of his way to formulate his proof is Crescas's distinction between existence and quiddity in the necessary being, a unique position among the medieval philosophers that introduces an important aspect of immanence in his idea of God, which radically differs from that advocated by Maimonides. <![CDATA[POR QUE AGOSTINHO NÃO É UM FILÓSOFO MEDIEVAL (E POR QUE É IMPORTANTE COMPREENDER ISSO)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100213&lng=es&nrm=iso&tlng=es Agostinho é um filósofo medieval ou um filósofo antigo? Alguns autores defendem que ele é um filósofo medieval porque desempenhou um papel central na absorção da filosofia grega num quadro teórico cristão. Sua importância na constituição do pensamento cristão é sem dúvida enorme, mas não fornece um bom argumento para uma tese sobre a periodização em história da filosofia. Agostinho é um filósofo antigo porque pertence ao mundo antigo, não ao mundo medieval, e esta fronteira histórica corresponde à queda do Império Romano do Ocidente. Os fatos que parecem sustentar ambas as respostas são bem conhecidos, o que deve ser ajustado, portanto, é a pergunta: o que explica modificações amplas pelas quais a filosofia passou ao longo tempo? Os mecanismos envolvidos nessas modificações podem ser compreendidos uma vez que vemos a filosofia como parte da cultura, e parece claro haver uma ruptura muito importante entre os séculos V e XI. Mais interessante do que saber em que período classificar Agostinho é podermos colocar perguntas mais explicativas sobre essas mudanças: como tradições filosóficas nascem e morrem? Minha proposta é utilizar o modelo da epidemiologia da cultura, de Dan Sperber, para responder esta pergunta.<hr/>Is Augustine a medieval or an ancient philosopher? Some authors advogate that he is a medieval philosopher because he played a crucial role in the absorption of Greek Philosophy into the Christian theorethical framework. While this is certainly true, it does not give us a proper way to understand the periodization of the history of philosophy. Augustine is an ancient philosopher because he belongs to the ancient world, and not to the medieval world, and the frontier is roughly established by the fall of Western Roman Empire. The facts that seem to ground both answers are well known, we should therefore have a better grasp of the question: what explains the large changes of philosophy along its history? These changes may be better understood once we see philosophy as part of the culture, and it seems clear that there are huge cultural differences between the 5th and the 11th centuries. More interesting than classifying Augustine as a medieval or as an ancient author, however, is asking better questions concerning the history of philosophy: how do philosophical traditions born and die? My proposal is to use Dan Sperber's model on the epidemiology of culture to answer this question. <![CDATA[A ORGANIZAÇÃO POLÍTICA NO SÉCULO XIV SEGUNDO O "TRATADO SOBRE A MOEDA" DE NICOLE ORESME]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100239&lng=es&nrm=iso&tlng=es Este artigo mostra como Oresme orienta o leitor do "Tratado" a pensar a organização da vida política no processo histórico do século XIV a partir do estudo sobre a alteração da moeda.<hr/>This paper shows how Oresme guides the reader of his "Treatise" to a thought in order to connect the organization of political life in the historical process of the 14th Century based on the study on the change in money. <![CDATA[THE FORMAL AND THE FORMALIZED: THE CASES OF SYLLOGISTIC AND SUPPOSITION THEORY]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100253&lng=es&nrm=iso&tlng=es As a discipline, logic is arguably constituted of two main sub-projects: formal theories of argument validity on the basis of a small number of patterns, and theories of how to reduce the multiplicity of arguments in non-logical, informal contexts to the small number of patterns whose validity is systematically studied (i.e. theories of formalization). Regrettably, we now tend to view logic 'proper' exclusively as what falls under the first sub-project, to the neglect of the second, equally important sub-project. In this paper, I discuss two historical theories of argument formalization: Aristotle's syllogistic theory as presented in the "Prior Analytics", and medieval theories of supposition. They both illustrate this two-fold nature of logic, containing in particular illuminating reflections on how to formalize arguments (i.e. the second sub-project). In both cases, the formal methods employed differ from the usual modern technique of translating an argument in ordinary language into a specially designed symbolism, a formal language. The upshot is thus a plea for a broader conceptualization of what it means to formalize.<hr/>Pode-se dizer que, enquanto disciplina, a lógica é caracterizada por dois subprojetos: teorias formais da validade de argumentos, baseadas em um número reduzido de esquemas e padrões formais, e teorias de como reduzir a multiplicidade de argumentos em contextos informais, não lógicos, ao pequeno número de padrões formais cuja validade é estudada de maneira sistemática no âmbito do primeiro subprojeto. O segundo subprojeto corresponde à noção de formalização de argumentos. Infelizmente, a tendência atual é de considerar como sendo a lógica propriamente dita exclusivamente o que se encaixa no primeiro subprojeto, em detrimento do segundo subprojeto, igualmente importante. Neste artigo, duas teorias históricas sobre a formalização de argumentos são analisadas: a teoria da silogística apresentada por Aristóteles nos "Primeiros Analíticos" e teorias medievais da suposição. Ambas ilustram o caráter duplo da lógica, que envolve dois subprojetos distintos, e contêm reflexões sofisticadas sobre como formalizar argumentos. Em ambos os casos, os métodos formais utilizados se diferenciam dos métodos atuais de tradução de um argumento em linguagem vernacular para um simbolismo especialmente formulado, ou seja, uma linguagem formal. Em conclusão, o artigo pode ser visto como a defesa de uma conceitualização mais abrangente do que significa 'formalizar' um argumento. <![CDATA[OMNIS HOMO DE NECESSITATE EST ANIMAL: <em>SIGNIFICACIÓN Y REFERENCIA VACÍA EN LA SEGUNDA MITAD DEL SIGLO 13</em>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100271&lng=es&nrm=iso&tlng=es A questão "se uma elocução (palavra/termo/nome) perde seu significado com a destruição das coisas (quer dizer, as coisas significadas)"surge como uma questão sobre o valor-verdade de declarações com um termo vazio como sujeito, a saber, como um subproblema do sofisma "Se 'omnis homo de necessitate est animal' é verdade quando não há homem algum (=OHNEA)". Neste trabalho, trarei as discussões conforme elas se apresentam em "De signis" IV.2 de Roger Bacon, em "Quaestiones logicales", q. 2–3 de Peter John Olivi, no OHNEA de Boethius of Dacia, e no OHNEA de Anonymus Alani. Tais textos nos apresentam quatro modos diversos de nos relacionarmos com a questão sobre significação para OHNEA e, assim, com quatro posições diferentes sobre a relação entre significação e referência vazia. Usarei Anonymus Alani como o fio conductor de minha análise, inserindo outras posições onde tal se fizer relevante.<hr/>The question 'whether an utterance (word/term/name) loses its signification with the destruction of things (i.e. things signified)' is raised as a question about the truth-value of assertions with an empty term as a subject, namely as a sub-problem of the sophism 'Whether "omnis homo de necessitate est animal" is true when no man exists (=OHNEA)'. In this paper, I shall introduce the discussions as they are present in Roger Bacon's "De signis" IV.2, Peter John Olivi's "Quaestiones logicales", q. 2–3, Boethius of Dacia's OHNEA, and Anonymus Alani's OHNEA. These texts present us with four different ways of relating the question about signification to OHNEA, and therefore with four different positions regarding the relation between signification and empty reference. I shall use Anonymus Alani as the guiding thread of my analysis, inserting other positions where it is relevant. <![CDATA[A "EPÍSTOLA SOBRE O INTELECTO", DE AL-KINDI]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100291&lng=es&nrm=iso&tlng=es A questão "se uma elocução (palavra/termo/nome) perde seu significado com a destruição das coisas (quer dizer, as coisas significadas)"surge como uma questão sobre o valor-verdade de declarações com um termo vazio como sujeito, a saber, como um subproblema do sofisma "Se 'omnis homo de necessitate est animal' é verdade quando não há homem algum (=OHNEA)". Neste trabalho, trarei as discussões conforme elas se apresentam em "De signis" IV.2 de Roger Bacon, em "Quaestiones logicales", q. 2–3 de Peter John Olivi, no OHNEA de Boethius of Dacia, e no OHNEA de Anonymus Alani. Tais textos nos apresentam quatro modos diversos de nos relacionarmos com a questão sobre significação para OHNEA e, assim, com quatro posições diferentes sobre a relação entre significação e referência vazia. Usarei Anonymus Alani como o fio conductor de minha análise, inserindo outras posições onde tal se fizer relevante.<hr/>The question 'whether an utterance (word/term/name) loses its signification with the destruction of things (i.e. things signified)' is raised as a question about the truth-value of assertions with an empty term as a subject, namely as a sub-problem of the sophism 'Whether "omnis homo de necessitate est animal" is true when no man exists (=OHNEA)'. In this paper, I shall introduce the discussions as they are present in Roger Bacon's "De signis" IV.2, Peter John Olivi's "Quaestiones logicales", q. 2–3, Boethius of Dacia's OHNEA, and Anonymus Alani's OHNEA. These texts present us with four different ways of relating the question about signification to OHNEA, and therefore with four different positions regarding the relation between signification and empty reference. I shall use Anonymus Alani as the guiding thread of my analysis, inserting other positions where it is relevant. <![CDATA[LIZZINI, O. "AVICENNA" [COL. PENSATORI]. ROMA: CAROCCI ED., 2012. 339 P.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000100297&lng=es&nrm=iso&tlng=es A questão "se uma elocução (palavra/termo/nome) perde seu significado com a destruição das coisas (quer dizer, as coisas significadas)"surge como uma questão sobre o valor-verdade de declarações com um termo vazio como sujeito, a saber, como um subproblema do sofisma "Se 'omnis homo de necessitate est animal' é verdade quando não há homem algum (=OHNEA)". Neste trabalho, trarei as discussões conforme elas se apresentam em "De signis" IV.2 de Roger Bacon, em "Quaestiones logicales", q. 2–3 de Peter John Olivi, no OHNEA de Boethius of Dacia, e no OHNEA de Anonymus Alani. Tais textos nos apresentam quatro modos diversos de nos relacionarmos com a questão sobre significação para OHNEA e, assim, com quatro posições diferentes sobre a relação entre significação e referência vazia. Usarei Anonymus Alani como o fio conductor de minha análise, inserindo outras posições onde tal se fizer relevante.<hr/>The question 'whether an utterance (word/term/name) loses its signification with the destruction of things (i.e. things signified)' is raised as a question about the truth-value of assertions with an empty term as a subject, namely as a sub-problem of the sophism 'Whether "omnis homo de necessitate est animal" is true when no man exists (=OHNEA)'. In this paper, I shall introduce the discussions as they are present in Roger Bacon's "De signis" IV.2, Peter John Olivi's "Quaestiones logicales", q. 2–3, Boethius of Dacia's OHNEA, and Anonymus Alani's OHNEA. These texts present us with four different ways of relating the question about signification to OHNEA, and therefore with four different positions regarding the relation between signification and empty reference. I shall use Anonymus Alani as the guiding thread of my analysis, inserting other positions where it is relevant.