Scielo RSS <![CDATA[Kriterion: Revista de Filosofia]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0100-512X20150002&lang=pt vol. 56 num. 132 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[ARTE E CIDADE. CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS SOBRE ARTE E VALOR NA SOCIEDADE DE CLASSES]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200317&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O tema do artigo é a relação arte e cidade, mediante o qual busca-se estudar a conformação do valor da arte numa sociedade de classes. Sua estrutura parte de um recorte da pesquisa em curso no âmbito do estágio sênior na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires entre 2013 e 2014. O texto se desenvolve em tópicos de temáticas complementares onde são analisadas as categorias estatuto social da cidade, a mercadoria arte, a alienação e a banalização da criatividade com as dimensões econômico-política, estético-ideológica e moral-educativa da arte que se encontram engendradas historicamente na totalidade das relações sociais de produção configuradas na cidade.<hr/>ABSTRACT The theme of this paper is the relationship between art and city, through which we seek to study the conformation of the value of art in a society of classes. Its structure is a piece of a research in progress under the senior stage in the College of Philosophy and Letters of the University of Buenos Aires between 2013 and 2014. The text develops into topics where additional subjects are analysed categories of city bylaws, merchandise art, alienation and the banalization of creativity with the aesthetic-ideological, economic-political and moral educational dimensions of art that are historically engendered in the totality of social relations of production set in the city. <![CDATA[A "RECENSÃO A AENESIDEMUS" E A GÉNESE DA DOUTRINA DA CIÊNCIA DE FICHTE]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200335&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O presente ensaio aborda o período anterior às obras tidas como as diferentes reescrições da Doutrina da Ciência, de J. G. Fichte, e aí tenta não só perceber a origem da necessidade de um princípio da identidade, como ela surge aquando das primeiras ocorrências do mesmo, mas também discernir os primeiros passos de todo o problema da possibilidade (ou não) de um princípio absoluto de toda a filosofia, que sempre animaria a empresa. O foco em questão é a «Aenesidemus-Rezension», onde Fichte junta a sua voz ao aceso diálogo já anteriormente entabulado por K. L. Reinhold e G. E. Schulze, e, na necessidade de repensar o princípio da consciência do primeiro, e as críticas a este feitas pelo segundo, é trazido à convicção da necessidade de um novo princípio absoluto; mas onde, e é este o fulcro do presente ensaio, Fichte percebe a insuficiência filososófica do sistema reinholdiano como uma insuficiência de linguagem, e portanto todo o problema como um problema que depende intimamente de uma apoditicidade linguística, e daí parte para a proposta de uma nova terminologia nacional, uma linguagem filosófica sistematicamente certa e inequívoca, à altura de um sistema filosófico regido por um princípio absoluto – um problema que viria a ocupar as cogitações de toda a geração de jovens pensadores em torno do professor de Jena.<hr/>ABSTRACT This essay approaches the period prior to the works considered as the different versions of the Doctrine of Science, by J. G. Fichte, and aims not only at discerning the origin of the need for a principle of identity, but also at retracing the first steps of the whole problem of the possibility of an absolute principle of all philosophy. The focus shall be the «Aenesidemus-Rezension», where Fichte joins his voice to the heated argument previously struck by K. L. Reinhold and G. E. Schulze, and, urged to rethink Reinhold's principle of consciousness and the criticism raised by Schulze, is brought to believe the necessity for a new absolute principle; but where, and this is the fundamental idea of this essay, Fichte realizes the philosophical insufficiency of Reinhold's system as a language-related insufficiency, and therefore the whole problem as one intimately dependent on a linguistic apodicticity, and moves on to propose a new national terminology, a systematically certain and unequivocal philosophical language, which might meet the demands of a philosophical system ruled by an absolute principle – a problem which would soon be in the agenda of a whole generation of young idealists around the Professor of Jena. <![CDATA[BRUNO BAUCH AND THE COMPREHENSIBILITY OF NATURE]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200355&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt ABSTRACT The aim of this paper is to discuss how Bruno Bauch deals with the problem of the coordination between empirical concepts and spatiotemporal objects. We shall argue that Bauch reformulates the Kantian distinction between concepts and intuitions by means of a philosophical consideration of differential calculus and that he thereby explains the possibility of such coordination, avoiding certain difficulties of the Kantian doctrine.<hr/>RESUMO O propósito deste trabalho é discutir como o neokantismo de Bruno Bauch trabalha o problema da coordenação de conceitos e objetos espaço-temporais. Sustentaremos que Bauch reformula a distinção kantiana de conceitos e intuições mediante uma consideração filosófica do cálculo diferencial e que, assim, explica a possibilidade de tal coordenação, evitando certas dificuldades da doutrina de Kant. <![CDATA[THE SKEPTICAL CARTESIAN BACKGROUND OF HUME'S "OF THE ACADEMICAL OR SCEPTICAL PHILOSOPHY" (FIRST INQUIRY, SECTION 12)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200371&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt ABSTRACT In section XII of the First Inquiry, Hume refers to the two Hellenistic schools of skepticism (Academic and Pyrrhonian) to present his own view of skepticism, which, however, depends on the ancient skeptics mainly indirectly. Hume's view of skepticism depends crucially on Descartes and post-Cartesian philosophers such as Pascal, Huet, Foucher and Bayle, who reacted skeptically to major Cartesian doctrines but followed one version or other of Descartes's methodical doubt. Although all these post-Cartesian philosophers are relevant in section XII, I focus on the topics in which Descartes himself-besides his skeptical followers-seems directly relevant. After an introductory section (I) on Julia Annas' and Richard Popkin's views of Hume's relation to, respectively, ancient and modern skepticism, I turn to section XII and examine what Hume calls (II) "consequent skepticism about the senses," (III) "antecedent skepticism," and (IV) "Academic skepticism."<hr/>RESUMO Na seção XII da Primeira Investigação, Hume refere-se a duas escolas céticas antigas (academia e pirronismo) ao apresentar sua própria visão do ceticismo que, entretanto, depende do ceticismo antigo somente secundária e indiretamente. A compreensão humiana do ceticismo depende principalmente de Descartes e de filósofos pós-cartesianos como Pascal, Huet, Foucher e Bayle que reagiram ceticamente às principais doutrinas cartesianas, mas seguiram uma versão ou outra da dúvida metódica de Descartes. Embora todos estes filósofos sejam relevantes na seção XII, examinarei os tópicos da seção nos quais Descartes (além dos céticos modernos citados) parece ser diretamente visado. Após uma seção introdutória (I) sobre as leituras de Julia Annas e Richard Popkin da relação de Hume com, respectivamente, o ceticismo antigo e o moderno, examino o que Hume chama na seção XII da Investigação de (II) "ceticismo consequente sobre os sentidos", (III) "ceticismo antecedente" e (IV) "ceticismo acadêmico". <![CDATA[DISCRIMINAÇÃO PRIVADA E O SEGUNDO PRINCÍPIO DA JUSTIÇA DE RAWLS]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200393&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O artigo examina se há alguma incompatibilidade entre práticas de discriminação privada (por exemplo, a discriminação no emprego e em associações, como clubes) e as duas partes do segundo princípio da justiça de Rawls, o princípio da equitativa igualdade de oportunidades (PEIO) e o princípio da diferença (PD). Argumento que a discriminação no trabalho e em outras áreas importantes para o desenvolvimento das aptidões inatas (como a educação e a saúde) somente atenta contra o PEIO quando tem como efeito geral o de tornar substancialmente desiguais as chances de cidadãos com similares aptidões inatas e motivação exercerem determinadas ocupações. Comento também algumas dificuldades para considerar vedados pelo PEIO dois casos comuns de discriminação, a discriminação baseada em qualidade de reação e a discriminação por indicadores. Em relação ao PD, defendo que a proibição à discriminação privada se relaciona ao bem primário das bases sociais do autorrespeito e está circunscrita aos casos de discriminação degradante, como tal entendida, de acordo com Hellman (2008), aquela cujo sentido expressivo é o de negar o igual status moral das pessoas pertencentes a um certo grupo.<hr/>ABSTRACT This paper investigates the incompatibility between practices of private discrimination (for example, discrimination at work and in private associations) and the two parts of Rawls' second principle of justice, the fair equality of opportunity (FEO) and the difference principle (DP). I submit that discrimination at workplace and other sectors that are crucial for the development of natural talents (such as education and health care) only violates FEO when possessing the general effect of rendering substantially unequal the occupational chances of citizens with similar innate talents and motivation. I also point to some difficulties in proscribing, according to FEO, two common instances of discrimination, reaction qualification and proxy discrimination. Regarding the DP, my main statement is that a ban on private discrimination is related to the primary good of the social bases of self-respect and is circumscribed to instances of demeaning discrimination, defined, according to Hellman (2008), as discrimination whose expressive meaning is denying people belonging to a given group their equal moral status. <![CDATA[EXPERIENCIA ESTÉTICA DESPUÉS DE ADORNO. REFLEXIONES EN TORNO A WELLMER, BERTRAM Y REBENTISCH<sup>*</sup>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200413&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMEN Este artículo dialoga con tres importantes reflexiones estéticas procedentes de la filosofía alemana contemporánea. En primer lugar, se ocupa del trabajo de Albrecht Wellmer, representante de la “segunda generación de la Teoría Crítica”; en segundo lugar, se refiere al abordaje del actual profesor de estética en Berlín, Georg W. Bertram; y, en última instancia, indaga los aportes de Juliane Rebentisch, coeditora de la nueva versión de la Zeitschrift für Sozialforschung. Si bien los planteos de estos autores presentan matices diversos, todos ellos son, de uno u otro modo, herederos de un incisivo proceso de reconsideración crítica de la teoría estética de Theodor W. Adorno que viene desarrollándose desde los años setenta. La intención del artículo es reconstruir la modalidad de crítica planteada por estos tres autores y explorar a partir de ello algunas líneas de desarrollo para un estética postadorniana.<hr/>ABSTRACT This work dialogues with three important reflections on aesthetics, originating in contemporary German philosophy. First, the work of Albrecht Wellmer, representative of the "second generation of the Critical Theory," is analyzed. Second, the approach of the current professor of Aesthetics in Berlin, Georg W. Bertram, and ultimately the contributions of Juliane Rebentisch, co-editor of the new version of the "Zeitschrift für Sozialforschung". While the proposals of these authors have different nuances, they are all, in one way or another, heirs of a long process of critical review of the aesthetic theory of Theodor W. Adorno in development since the seventies. <![CDATA[FERNANDO PESSOA E O PROBLEMA DA METAFÍSICA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200433&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O presente artigo visa elucidar a tematização que Fernando Pessoa apresenta da questão da metafísica, à luz dos escritos filosóficos deixados por este autor no seu espólio. No espólio de Fernando Pessoa, conservado na Biblioteca Nacional de Portugal, existe uma multiplicidade de projetos e fragmentos de cariz filosófico sobre metafísica dos quais resultaram uma pluralidade de escritos relativos ao sentido da noção de ser. Assim, através de uma análise dos diversos projetos pessoanos consagrados à questão da metafísica, pretendemos clarificar as sucessivas soluções apresentadas por Fernando Pessoa para a problemática do ser.<hr/>ABSTRACT This article intends to elucidate Fernando Pessoa's thematization about the issue of metaphysics, in the light of the philosophical writings left by that author in his literary estate. In Pessoa's Archive, kept in the National Library of Portugal, one finds a multiplicity of philosophical projects and fragments about metaphysics, which are in the origin of a plurality of writings concerning the meaning of the notion of being. Thus, through the analysis of Pessoa's several projects devoted to the issue of metaphysics, we aim to clarify the various solutions presented by Fernando Pessoa for the issue of being. <![CDATA[DIALÉTICA NEGATIVA E MATERIALISMO DIALÉTICO: DA SUBJETIVIDADE DECOMPOSTA À OBJETIVIDADE PERVERTIDA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200451&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O trabalho apresenta uma discussão polêmica, complexa e enigmática para a teoria do conhecimento: a elaboração da dialética negativa na concepção da teoria crítica frankfurtiana – sobretudo, adorniana – na interface com a dialética materialista, do marxismo. Do estudo emerge uma proposta de reestruturação do universo objetivo no sentido de indicar elementos subjetivos – por intermédio da teoria psicanalítica – como possibilidade de superação do estado da alienação ampla: intelectual, política, cultural e humana. Trata de confrontar aspectos metodológicos, teóricos e subjetivos em âmbito social amparado por uma perspectiva crítica. As contribuições, para além dos embates entre o idealismo clássico e o materialismo moderno, atravessam, entre outras, as perspectivas heideggeriana, hegeliana, kantiana, freudiana, marxiana e adorniana, visando apresentar fundamentos epistemológicos e teóricos que embasam a teoria crítica ao tempo que identifica diferenças e convergências entre o materialismo sócio-histórico dialético e a dialética negativa; componentes relevantes para compreender a incursão desta teoria no âmbito das diversas áreas do conhecimento.<hr/>ABSTRACT This paper presents a controversial, complex and enigmatic discussion for knowledge theory: the development of the concept of negative dialectic Frankfurtian critical theory – especially Adornian – on the interface with the materialist dialectics of Marxism. From this study emerges a restructuring proposal of the objective universe as to indicate subjective elements – through psychoanalytic theory – as a possibility to overcome the alienation state: intellectual, political, cultural and human. It is about confronting methodological, theoretical and subjective aspects of the social field supported by a critical perspective. The contributions, beyond the clashes between classical idealism and modern materialism cross, among others, the Heidegger, Hegel, Kant, Freud, Marx and Adorno's perspectives, aiming to present epistemological and theoretical foundations that underlie critical theory at the time that it identifies differences and convergences between historical social dialectic materialism and the negative dialectic; relevant components to understand the incursion of this theory in the context of various areas of knowledge. <![CDATA[FILOSOFIA DA ARTE E ARTE DE FILOSOFAR. ARTE, LINGUAGEM E RELIGIÃO EM FICHTE E SCHELLING (1807-1812)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200473&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Este trabalho desenvolve aspectos da controvérsia entre Fichte e Schelling em relação aos elementos estéticos, linguístico-filosóficos e da filosofia da religião de ambos, que é foco das "Investigações sobre a liberdade humana de Schelling", assim como das exposições da doutrina da ciência e da ética do Fichte tardio (1810-1813). As divergências entre Fichte e Schelling não envolvem apenas problemas especulativos, mas sim variadas implicações e consequências dos seus sistemas filosóficos, que podem ser destacadas por uma análise da função da analogia nos dois autores. A analogia é uma figura que agrega a estética, a filosofia da linguagem e a filosofia da religião nos dois autores; ela é um significante que põe o problema do significado, ou seja, põe o problema da relação entre finito e infinito (Schelling) e da relação entre saber absoluto e saber particular (Fichte). Essa relação vai ser investigada a partir de algumas passagens das "Investigações" de Schelling (§2); num segundo momento, será analisada a função do conceito de analogia e de símbolo nesse contexto (§3); e, no final, a diferente compreensão da Igreja como símbolo do absoluto na "Filosofia da arte" de Schelling e na "Doutrina moral" fichtiana de 1798 e 1812 (§4).<hr/>ABSTRACT This paper develops elements of the controversy between Fichte and Schelling regarding aesthetics, philosophy of language and philosophy of religion starting from Schelling's "Inquiry on human freedom" and Fichte's late presentation of the "Wissenschaftslehre" (1810-1813). The polemics between Fichte and Schelling is not just a speculative one, but it involves different implications and consequences of their philosophical systems, which can be deepened through an analysis of the role of analogy by the two authors. Analogy is a figure that combines aesthetics, philosophy of language and philosophy of religion; it is a significant that puts the problem of meaning, i.e., puts the problem of the relationship between finite and infinite (Schelling) and the relationship between absolute and factual knowledge (Fichte). This relationship will be investigated starting from some passages of the "Inquiry on human freedom" (§2); then the function of the concept of analogy and symbol in this context will be analysed (§3) and, at last, a different understanding of the church as a symbol of the absolute in "Schelling's Philosophy of art" and Fichtes's "System of ethics" of 1798 and 1812 (§4). <![CDATA[JUSTIFYING LIBERAL RETRIBUTIVE JUSTICE: PUNISHMENT, CRIMINALIZATION, AND HOLISTIC RETRIBUTIVISM]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200495&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt ABSTRACT In this article I explore whether liberal retributive justice should be conceived of either individualistically or holistically. I critically examine the individualistic account of retributive justice and suggest that the question of retribution – i.e., whether and when punishment of an individual is compatible with just treatment of that individual – must be answered holistically. By resorting to the ideal of sensitive reasons, a model of legitimacy at the basis of our best normative models of democracy, the article argues that in modern liberal democracies, punishment of an offender A for f is compatible with just treatment of A only if punishment of an individual for f can be legitimate in A's and A's fellow citizens' eyes. Only once retributive justice is understood in this holistic fashion the imposition of punishment can be made compatible with just treatment of individuals.<hr/>RESUMO Neste artigo, exploro se justiça retributiva liberal deve ser concebida ou individualista ou de forma holística. Examino criticamente a conta individualista da justiça retributiva e sugiro que a questão da retribuição – quando a punição de um indivíduo é compatível com o tratamento justo desse indivíduo – deve ser respondida de forma holística. Recorrendo ao ideal de razões sensíveis, um modelo de legitimidade na base dos nossos melhores modelos normativos de democracia, argumento que, nas democracias liberais modernas, a punição de um delinquente A para φ é compatível com o tratamento justo de A só se punição de um indivíduo para φ pode ser legítimo aos olhos de A e seus concidadãos. Uma vez que a justiça retributiva é entendida dessa forma holística, a imposição da pena pode ser compatível com o tratamento justo de indivíduos. <![CDATA[AU COMMENCEMENT ÉTAIT LA MÉTAPHORE: UNE INTUITION PRÉCOCE DE NIETZSCHE SUR LA PRIMAUTÉ DE LA MÉTAPHORE COMME MATRICE COGNITIVE]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200521&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RÉSUMÉ Cette étude met en perspective le précédent constitué par les travaux précoces du jeune Nietzsche où ce dernier fait valoir la force structurante de la métaphore comme matrice des facultés cognitives. Nous offrons d’abord une brève esquisse des postulats et des acquis des grammaires cognitives associées aux travaux d’Eleanor Rosch, ensuite de George Lakoff et Mark Johnson, ainsi qu’à la notion d’inscription corporelle de l’esprit développée par Francesco Varela. Cet exercice sert de propédeutique à une série de lectures tangentes mobilisant divers angles d’approche appelés à faciliter noter évaluation des contributions de Nietzsche au domaine de la cognition. Les travaux examinés nous situent dans la période contemporaine de la publication de son premier grand ouvrage, La naissance de la tragédie (1872) : les notes pour le cours intitulé Présentation de la rhétorique ancienne (Darstellung der antiken Rhetorik), prononcé au semestre d’hiver 1872-1873 à l’Université de Bâle, ensuite ses Theoretische Studien, datant de l’été 1873, avec un renvoi aux développements plus tardifs dans le Gai Savoir (1882). La thèse de Nietzsche peut être résumée comme suit : tous les éléments de l’appareil catégorial et du régime conceptuel à l’aide desquels nous appréhendons la réalité, a fortiori la notion de vérité qui en est le garant, sont le « précipité » ou le résidu d’un faisceau de métaphores qui constituent la force structurante des facultés cognitives. Si chez Kant nous n’avons accès qu’aux phénomènes et non au noumène, chez Nietzsche nous n’avons affaire qu’à des perspectives ou des points de vues alors que la réalité nous est monnayée sous forme de vérités qui sont des fictions ou des métaphores usées. Il ressort de cet examen que le tropisme endogène de la langue constitue une force majeure dans l’implémentation d’une conceptualité qui a la vertu d’oblitérer sa préhistoire et de se ménager un statut qui est incessamment implosé par le reflux de l’imagination créatrice nourrie par la force métaphorique qui répond à une impulsion foncière que Nietzsche associe à une « force artiste » (Kunstkraft) qui tend à démultiplier les perspectives dont la généalogie se conjugue à l’exponentiel.<hr/>ABSTRACT This paper highlights the precedent, managed by the precocious insights of the young Nietzsche who advocated the structuring force of the metaphor as the matrix of cognitive powers. We first provide a short sketch of the postulates and gains of cognitive grammars. We examine the guidelines of the works on cognitive research led by great Eleanor Rosch, George Lakoff and Mark Johnson, as well as the concept of embodied mind developed by Francesco Varela. This summary survey is a crash introduction to a series of angular readings from a large array of perspectives on Nietzsche's early contributions to the field of cognition. The works prospected are contemporary of the publication of Nietzsche first great work, "The Birth of the Tragedy" (1872), including his notes for the lecture course on rhetoric taught at the University of Basel during the winter semester, in 1872-73, then his "Theoretische Studien", written during summer 1873, with a consideration of later developments in his "Gay Science" (1882). The overall thesis advocated by Nietzsche in these works could be summarized as follows: all the elements of the categorical apparatus and the conceptual framework by which we assess reality, a fortiori the notion of truth which vouches for it, are the "precipitate" or the residue of a cluster of metaphors which constitute the structuring force of cognitive powers. The instinct of conservation and a subtle form of dissimulation lead to the elision of the tropic dynamics of language to the benefit of a literalism bound to a structuring amnesia. If for Kant we get access only to phenomena and not to noumenon, for Nietzsche we always deal with perspectives or points of view, whilst reality is traded to us by mean of truths which are mere fictions or worn out metaphors. So we come to acknowledge that the endogenous tropism displayed by language uses constitutes a major force in the implementation of conceptuality, that last one being eager to absorb its own prehistory into oblivion and to endow itself a status which is in close to timelessly imploded by the ebb of creative imagination fuelled by sheer metaphoric force, a spontaneous impulsion that Nietzsche ties to an "artistic force" (Kunstkraft) which tends to multiply the perspectives whose genealogy is driven by an exponential factor. <![CDATA[MENTAL FILES AND METAFICTIVE UTTERANCES]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200541&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt ABSTRACT Metafictive utterances raise a kind of intuitions (intuitions of truthfulness) that pose a problem for a view that combines a referentialist approach to proper names with an antirealist stance on fictional characters. In this article I attempt to provide a solution to this problem within the framework of mental files. According to my position, metafictive utterances literally express an incomplete proposition while pragmatically conveying a complete one, which accounts for the intuitions of truthfulness. The proposition pragmatically conveyed is ‘metarepresentational', I'll argue, in the sense that it is about a mental representation or mental file.<hr/>RESUMO As emissões metafictivas despertam intuições de verdade, as quais representam um problema para uma teoria que combine uma posição referencialista quanto aos nomes próprios com um compromisso antirrealista quanto às personagens de ficção. O objetivo deste artigo é proporcionar uma solução para este problema no âmbito da teoria de arquivos mentais. De acordo com a posição desenvolvida, enquanto as emissões metafictivas expressam literalmente uma proposição incompleta, comunicam pragmaticamente uma proposição completa, a qual explica as intuições de verdade. A proposição pragmaticamente comunicada, argumentarei, é "metarrepresentacional", no sentido de que é sobre uma representação mental ou arquivo mental. <![CDATA[MORALIDADE, JUSTIFICAÇÃO E COERÊNCIA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200557&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Neste artigo pretendemos mostrar as vantagens do modelo epistemológico coerentista quando aplicado ao universo moral. O ponto de partida será apontar que a justificação da crença moral é dada pela coerência com um sistema coerente de crenças que é consistente e que isso pretende resolver o problema da dicotomia entre fato e valor. Posteriormente, apresentam-se as características centrais do coerentismo holístico e investiga-se o método do equilíbrio reflexivo. O próximo passo será fazer referência a três conhecidas objeções ao coerentismo, a saber: o problema do isolamento, os sistemas coerentes alternativos e a circularidade viciosa. Por fim, procuramos responder a essas objeções apelando para os seguintes argumentos: holismo social, razoabilidade e estabilidade social.<hr/>ABSTRACT In this paper we aim to demonstrate the advantages of the epistemological coherentist model when applied to the moral sphere. The starting point will be to show that the justification of moral belief is a matter of how beliefs fit together with a coherent system of beliefs that is consistent and that it tries to solve the issue of the fact/value dichotomy. Following this, we shall point out the core characteristics of the holistic coherentism and we will investigate the reflective equilibrium method. Next step is to show three standard objections to coherentism, namely, the isolation problem, the alternative coherent systems objection and the vicious circularity. Finally, we shall then try to respond these criticisms with the following arguments: social holism, reasonableness and social stability. <![CDATA[JURDJEVIC, M. "A great and wretched city. Promise and failure in machiavelli florentine political thought". Cambridge, Massachusetts, Londres: Harvard University Press, 2014. 295 p.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2015000200583&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Neste artigo pretendemos mostrar as vantagens do modelo epistemológico coerentista quando aplicado ao universo moral. O ponto de partida será apontar que a justificação da crença moral é dada pela coerência com um sistema coerente de crenças que é consistente e que isso pretende resolver o problema da dicotomia entre fato e valor. Posteriormente, apresentam-se as características centrais do coerentismo holístico e investiga-se o método do equilíbrio reflexivo. O próximo passo será fazer referência a três conhecidas objeções ao coerentismo, a saber: o problema do isolamento, os sistemas coerentes alternativos e a circularidade viciosa. Por fim, procuramos responder a essas objeções apelando para os seguintes argumentos: holismo social, razoabilidade e estabilidade social.<hr/>ABSTRACT In this paper we aim to demonstrate the advantages of the epistemological coherentist model when applied to the moral sphere. The starting point will be to show that the justification of moral belief is a matter of how beliefs fit together with a coherent system of beliefs that is consistent and that it tries to solve the issue of the fact/value dichotomy. Following this, we shall point out the core characteristics of the holistic coherentism and we will investigate the reflective equilibrium method. Next step is to show three standard objections to coherentism, namely, the isolation problem, the alternative coherent systems objection and the vicious circularity. Finally, we shall then try to respond these criticisms with the following arguments: social holism, reasonableness and social stability.