Scielo RSS <![CDATA[Kriterion: Revista de Filosofia]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0100-512X20200002&lang=pt vol. 61 num. 146 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[DECONSTRUCCIÓN DE LO TRÁGICO. LA LITERATURA COMO APUESTA FILOSÓFICA Y POLÍTICA EN LACOUE- LABARTHE Y DERRIDA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200275&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMEN El presente artículo pretende definir y comparar las distintas “deconstrucciones de lo trágico” de Lacoue-Labarthe y Derrida con vistas a precisar los términos a través de los cuales han concebido la relación entre filosofía y literatura y marcar la diferencia con la que abordan el poder de lo negativo propio de la instancia trágica. El estudio de esos focos permite también aclarar el rendimiento político de la cuestión literaria en ambos autores, enfatizando las distintas herencias (griega o abrahámica) a la que se refieren y las distancia que estas herencias producen en sus respectivos planteamientos.<hr/>ABSTRACT This article aims to define and compare the different “deconstructions of the tragic” of Lacoue-Labarthe and Derrida in order to clarify the terms through which they have conceived the relationship between philosophy and literature, and in order to precise the difference in approaching the power of the negative, that is a distinctive instance of the tragic. The study of these notions also makes it possible to clarify the political impact of the literary issue in both authors, emphasizing the different inheritances (Greek or Abrahamic) to which they refer and the distance that these inheritances produce in their respective approaches. <![CDATA[A OPINIÃO PÚBLICA NAS DEMOCRACIAS ESPETACULARES CONEXÕES (IM)PERTINENTES DA GOVERNAMENTALIDADE BIOPOLÍTICA DE FOUCAULT E OS DISPOSITIVOS ACLAMATÓRIOS DA SOBERANIA EM AGAMBEN*]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200293&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O presente ensaio apresenta uma análise crítica das atuais democracias que se esvaziaram do poder deliberativo do demos para se tornarem, cada vez mais, democracias espetaculares. Inicialmente, seguindo os estudos de Foucault, analisam-se as implicações da governamentalidade sobre a democracia, principalmente a partir da emergência da opinião pública como técnica da razão de Estado. Posteriormente, relacionam-se os estudos de Foucault com as teses de Agamben a respeito da burocracia e a hierarquia, a fim de compreendermos como estas pesquisas desembocam no conceito de democracias espetaculares defendido por Agamben.<hr/>ABSTRACT This essay presents a critical analysis of the current democracies that have emptied themselves of the deliberative power of the demos to become, more and more, spectacular democracies. Initially, following Foucault's studies, we analyze the implications of governmentality on democracy, especially from the emergence of public opinion as a technique of reason of state. Later, Foucault's studies are related to Agamben's theses on bureaucracy and hierarchy, in order to understand how these researches lead to the concept of spectacular democracies defended by Agamben. <![CDATA[SUJEIÇÃO, SUBJETIVAÇÃO E MIGRAÇÃO: RECONFIGURAÇÕES DA GOVERNAMENTALIDADE BIOPOLÍTICA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200319&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O artigo estuda, em um primeiro momento, os processos de sujeição e subjetivação nos trabalhos de Michel Foucault e sua relação com a dupla dimensão, moral e material, da governamentalidade. Se em sua dimensão moral a produção de sujeições tem como contraponto os processos éticos de subjetivação, já em sua dimensão material predomina o governo biopolítico do meio vital no qual populações são reguladas e sujeitadas em detrimento das possibilidades de subjetivação. A ênfase do governo biopolítico é especialmente observável entre as populações deslocadas em busca de sobrevivência. Em um segundo momento evoca-se, para além de Foucault, uma modalidade de população problematizada como objeto de recorrente normalização nos últimos decênios, constituída pelos migrantes de sobrevivência. O estudo percorre os traços do governo biopolítico dessa população, especialmente as reconfigurações dos processos de sujeição que a regulam. Conclui-se que ela apresenta poucas possibilidades de empreender processos de subjetivação como resistência às formas de sujeição operadas pela governamentalidade biopolítica.<hr/>ABSTRACT At first, the article studies the processes of subjection and subjectivation in the works of Michel Foucault and their relationship with the double dimension, moral and material, of governmentality. If in its moral dimension the production of subjections has as its counterpoint the ethical processes of subjectivation, in its material dimension what predominates, in turn, is the biopolitical government of the vital means in which populations are regulated and subjected to the detriment of the possibilities of the subjectivation. The emphasis of the biopolitical government is especially noticeable among displaced populations seeking survival. In a second moment, besides Foucault, a modality of population that has been problematized as object of recurrent normalization in the last decades, made up by survival migrants, is evoked. The study goes through the traits of the biopolitical government of that population, especially the reconfigurations of the subjection processes that regulate it. We conclude that it presents few possibilities to undertake subjectivation processes as resistance to the forms of subjection operated by the biopolitical governmentality. <![CDATA[THOUGHT IN THE SERVICE OF INTUITION: HEIDEGGER’S APPROPRIATION OF KANT’S SYNTHETIC A PRIORI IN DIE FRAGE NACH DEM DING]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200339&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt ABSTRACT There is general agreement that Kant’s thought strongly influenced Heidegger’s. Nevertheless, there is still much work to be done in order to fully appreciate this influence. A central theme to disclose the relation between these authors is the role they give to the transcendental. In this paper I show that Kant’s account of intuition is the focus of Heidegger’s interpretation of Kant in his Die Frage nach dem Ding, since Heidegger interprets Kant’s treatment of intuition as a delimiting of the modern mathematical tendency to determine everything out of pure reason alone. I argue that this interpretation is at the basis of Heidegger’s appropriation of Kant’s synthetic a priori in this work, the aim of which is to take this notion away from the sphere of the objects of mathematical physical science, and place it in the realm of everyday experience. I claim that Heidegger thinks that this move can only be accomplished by removing universality and necessity (epistemic certainty) from Kant’s a priori. Finally, I show that Heidegger’s appropriation of Kant’s synthetic a priori goes together with and illuminates his understanding of transcendence as das Zwischen, ‘the between us and things’.<hr/>RESUMO É consenso geral que o pensar de Kant influenciou fortemente o pensar de Heidegger. Porém, há ainda muito trabalho a fazer para se conseguir apreciar essa influência plenamente. Um tema crucial para conseguir expor a relação entre esses dois autores é o rol que ambos dão ao transcendental. Neste artigo, vou mostrar que o tratamento que Kant faz da intuição é o foco da interpretação que Heidegger oferece acerca de Kant em sua obra Die Frage nach dem Ding, dado que Heidegger interpreta o jeito como Kant trabalha a intuição como uma delimitação da tendência matemática moderna a determiná- lo tudo pelo só uso da razão pura. Argumento que essa interpretação está na base da apropriação que Heidegger faz do sintético a priori kantiano nesta obra, cujo fim é tirar essa noção fora da esfera dos objetos da ciência físico- matemática e posicioná-la no reino da experiência cotidiana. Sustento que Heidegger pensa que isto só pode ser alcançado ao eliminar a necessidade e a universalidade (certeza epistêmica) do a priori kantiano. Finalmente, mostro que a apropriação que Heidegger faz do sintético a priori kantiano vai junto e ilumina sua compreensão da transcendência como o das Zwischen, ‘o entre nós e as coisas’. <![CDATA[O PROBLEMA DA EXTENSÃO DO CONHECIMENTO NA HIPÓTESE REGULACIONISTA DA ILUMINAÇÃO EM AGOSTINHO DE HIPONA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200363&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O objetivo deste artigo é analisar o problema da extensão e do conteúdo da iluminação uma vez que se adote a interpretação regulacionista para a teoria do conhecimento de Agostinho. O regulacionismo, tese defendida por Etienne Gilson, afirma que a iluminação divina do intelecto humano diz respeito ao caráter necessário dos conhecimentos alcançados pela inteligência, e não sobre o conteúdo do conhecimento; assim, a iluminação não teria por função auxiliar na formação de conceitos, mas teria a função de julgar a adequação desses conceitos à verdade. Entretanto, interpretações desse tipo trazem um problema quanto à autonomia cognitiva humana, já que o intelecto seria constrangido externamente em relação ao seu conhecimento. Trataremos, ainda, da crítica sobre a exagerada ênfase na epistemologia que a hipótese regulacionista reverbera. Por fim, e de acordo com o regulacionismo, buscaremos dar uma resposta coerente ao problema da extensão do conhecimento oriundo da iluminação, respeitando tanto a singularidade do raciocínio humano quanto a primazia do conhecimento divino.<hr/>ABSTRACT The aim of this article is to analyze the issue of the extension and the content of the illumination once the regulationist interpretation for the theory of knowledge of Augustine is adopted. Regulationism, a thesis advocated by Etienne Gilson, states that the divine illumination of the human intellect concerns the necessary character of the knowledge attained by intelligence, not the content of knowledge; Thus, illumination would not have it as an auxiliary function in the formation of concepts, but would have the function of judging the adequacy of these concepts to the truth. However, interpretations of this kind bring with it a problem regarding human cognitive autonomy, given the intellect would be constrained externally in relation to its knowledge. We will also deal with the criticism about the exaggerated emphasis on epistemology in which the regulationist hypothesis reverberates. Finally, and according to regulationism, we will seek to give a coherent answer to the issue of the extension of knowledge from illumination, respecting both the uniqueness of human reasoning and the primacy of divine knowledge. <![CDATA[MÍMESIS E IDENTIDAD POLÍTICA. UNA PROBLEMATIZACIÓN ADORNIANA DE LA DEMOCRACIA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200381&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMEN Este trabajo busca hacer un aporte a la discusión actual en teoría política, específicamente, a las categorías a través de las cuales se indaga la democracia. Con este fin, se propone una crítica a la noción de “identidad política”, la cual avanza por dos caminos: el principal retoma la crítica de Adorno a la lógica identificante y a la relación sujeto-objeto que ella entraña. Sobre esta base se problematiza esa relación sujeto-sujeto que es el lazo político. Como una suerte de excursus de este camino principal, se avanzará en una crítica inmanente del uso que de dicha noción se realiza en una de las filosofías políticas hoy preponderantes: la teoría postfundacionalista. Para ello se realizará una lectura interna de la propuesta de Chantal Mouffe, en tanto representante de dicha teoría, cuya labor se concentra en la indagación de la lógica democrática, tarea en la cual el concepto de identidad juega un papel clave. Por ambas vías se apunta a señalar que la categoría de identidad política contiene la tendencia a cancelar el pluralismo y, con éste, la democracia. Frente a ello se postula una manera distinta de problematizar el lazo político, a través de la noción de mímesis.<hr/>ABSTRACT This work seeks to make some contribution to the current discussion in political theory, specifically, to the categories through which democracy is studied. With this goal in mind, a critique of the notion of “political identity” is proposed, which proceeds in two ways: the main one takes up Adorno’s criticism of the identifying logic and the subject-object relationship that it entails. On this basis, the subject-subject relationship that is the political link is problematized. As a sort of excursus of this main path, we will proceed to an immanent critique about how this notion is used by one of the main political philosophy lines nowadays: the Post-Foundational Theory. To this purpose, an internal reading of the proposal of Chantal Mouffe is made, because she is a representative of that theory, whose work is focused on the investigation of democratic logics, and gives to the concept of identity a key role. In both ways, it is pointed out that the category of political identity contains the tendency to cancel pluralism and, with it, democracy. Against this, a different way of problematizing the political link is postulated, through the notion of mimesis. <![CDATA[“THE BEING OUTSIDE OF BEING, WITHIN BEING”. THE QUESTION OF HUMAN CONSCIOUSNESS IN NOVALIS’ “FICHTE-STUDIEN”]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200403&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt ABSTRACT The question of human consciousness is a crucial part of Novalis’ aim of construing a self-critique of the I, or critique of human identity, as it is proposed in his “Fichte-Studien” (1795-1796). Namely, this question is an intermediary stage in said critique, serving as proof for Novalis’ theory of the opposites, the fundamental stage, and his position on philosophizing, the final stage of this endeavor, which will be at the basis of his whole philosophical system; and as such, it is a topic of great importance, as it is not only a link in a chain of thought which aims at proving the organicity or living heterogeneity - and not Fichte’s machine-like homogeneity - of the human but is also a key topic towards the resolution of Novalis’problem of philosophy as an existential problem. Given this, the present article intends to situate the question of human consciousness in the framework of Novalis’greater scope of a critique of the I; and from then, to comment on Novalis’own position on the problem of human consciousness, as it is stated in the formula “Consciousness is the Being outside of Being, within Being”; a position which further separates the young poet from Fichte, as it renders him closer and closer to other young idealists, such as Hölderlin or Schelling.<hr/>RESUMO A questão da consciência humana é uma parte crucial no intento novaliano de construir uma autocrítica do Eu, ou crítica da identidade humana, como ela é proposta nos seus “Fichte-Studien” (1795-1796). Designadamente, esta questão constitui um estado intermédio em tal crítica, servindo como prova da teoria dos contrários de Novalis, o estádio fundamental desta, e a posição de Novalis sobre o filosofar, o estádio final da sua empresa, a qual está na base de todo o seu sistema filosófico; e, como tal, é um tópico de grande importância, visto ser não só um elo em uma linha de pensamento que visa provar a organicidade ou heterogeneidade viva - e não a maquinal homogeneidade de Fichte - do humano, mas também um tópico-chave tendo em vista a resolução da questão novaliana da filosofia enquanto problema existencial. Assim sendo, o presente artigo propõe-se situar a questão da consciência humana no contexto maior da crítica da identidade de Novalis; e, a partir daí, comentar a posição de Novalis sobre o problema da consciência humana, como ele surge exposto na fórmula “A consciência é o Ser fora do Ser, no Ser”; uma posição que decisivamente separa o jovem poeta de Fichte, enquanto o aproxima de outros jovens idealistas, tais como Hölderlin ou Schelling. <![CDATA[A <em>SOPHÍA</em> EM <em>METAPH</em>. A2: DA CIÊNCIA DAS CAUSAS PRIMEIRAS OU PRINCÍPIOS À CIÊNCIA DIVINA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200427&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Tendo por base a ligeiramente controversa idéia de que a caracterização de sophía como a “ciência das causas primeiras ou princípios” seja a formulação cardeal de ciência suprema na “Metafísica” de Aristóteles, neste artigo examinamos Metaph. A2, o capítulo que contém tal caracterização. Em primeiro lugar, seguimos a análise aristotélica dos pontos de vista ordinários acerca da sophía e do sophós, análise que culmina na referida descrição de sophía. Em seguida, examinamos como a concepção de sophía como ciência de causas absolutamente primeiras leva o filósofo a considerá-la como uma ciência que pode ser descrita apropriadamente como divina, sendo também o tipo mais elevado de conhecimento ao qual a filosofia pode aspirar.<hr/>ABSTRACT Based on the somewhat controversial idea that the characterization of sophía as the “science of first causes or principles” is the pivotal formulation of the supreme science in the Aristotle’s “Metaphysics”, in this paper we scrutinize Metaph. A2, the chapter which contains such a characterization. Firstly, we follow the Aristotelian analysis of the commonly held views on sophía and the sophós, an analysis which culminates in the aforementioned description of sophía. Then we examine how the conception of sophía as the science of absolutely first causes leads the philosopher to regard it as a science that can be properly described as divine, being also the highest kind of knowledge which philosophy can aspire to. <![CDATA[SOBRE A PERCEPÇÃO EM PLOTINO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200463&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO A percepção sensível é a faculdade cognitiva da alma, que recebe, por meio dos órgãos dos sentidos, um conjunto de características dos objetos, tais como altura, largura, cor, cheiro, som, e também aquilo que pode nos afetar, como, por exemplo, a dor proveniente de uma queimadura, ou o prazer causado por uma melodia. Compreender o processo perceptivo, em relação aos seus diferentes tipos de objetos - afecções, qualidades e impressões - é o escopo deste estudo.<hr/>ABSTRACT Sensible perception is the cognitive faculty of the soul that receives, through sensorial organs, a set of characteristics of the objects, such as height, width, color, odor, sound, and also that which can affect us as, for instance, the pain that arises from being burnt or the pleasure caused by a melody. Understanding the perceptive process in relation with its different kinds of objects - affections, qualities, and impressions - is the aim of this study. <![CDATA[A IDEOLOGIZAÇÃO DE “ROUSSEAU” NO TEATRO DA REVOLUÇÃO FRANCESA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200481&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O objetivo deste artigo é ressaltar o impacto das manifestações dos sans-culottes nas ruas de Paris entre 1792 e 1794 e da politização do debate público sobre a ideologização de Rousseau. De fato, no teatro da Revolução Francesa a mobilização do povo parisiense representa a referência “real” das discussões e polêmicas que se desenvolvem acerca da soberania e expressão da vontade popular. A este respeito, as divergências na teoria e na publicística lidam basicamente com a questão da legitimidade, da oportunidade e dos efeitos possíveis da ação desse povo - que ocupa as ruas de Paris - sobre os destinos das nações e as formas constitucionais dos Estados europeus. Assim, estes debates desenvolvem-se produzindo confrontações, fraturas e cisões, inclusive no interior da sociedade jacobina, marcando sua radicalização em nome de “Jean-Jacques”. O eco desta identificação reverbera até hoje. Sendo assim, esta experiência continua influenciando (até inconscientemente) nosso imaginário da política, sobretudo em momentos de crise.<hr/>ABSTRACT This paper aims to analyze the effects of sans-culottes movement and that of politicization of the public sphere during the French Revolution on Rousseau ideologization. Thus, the mobilization of Parisian people represented the real material reference for all discussions on popular sovereignty and expression of popular will. The front line was produced by different interpretations on the legitimacy, opportunity, and possible effects of such mobilization on European Nations’ destinies and their constitutional assets. The development of such debates produced confrontations and scissions within the Jacobinist movement. Jacobinism radicalization was conceived and developed “in the name of Jean-Jacques”. The echo of Jacobinist identification with Rousseau still reverberates in our imaginary. Thus, this experience is still influencing (even unconsciously) our way of thinking politics. That is the reason why Rousseau comes back on public discussion in times of crisis. <![CDATA[CLAUDE BERNARD, BERGSON E O CONHECIMENTO DA VIDA COMO PROBLEMA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200501&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O objetivo deste artigo é apresentar, tomando por referência a filosofia de Henri Bergson (1859-1941) e a fisiologia experimental de Claude Bernard (1813-1878), dois esforços análogos, ainda que sem relação direta em suas origens, em face de imperativos que se colocam ao sujeito do conhecimento que se ocupa da vida. Tentaremos mostrar, autorizados pelo próprio Bergson, no interior de determinada prática científica representada pela fisiologia experimental de Claude Bernard, uma atitude diante dos fatos orgânicos que não é o monopólio de uma filosofia que se ocupa da verificação das condições e dos limites do conhecimento da vida, problemática que, na filosofia francesa do século XX, encontra em L’Évolution créatrice (1907) uma expressão incontornável.<hr/>ABSTRACT The purpose of this article is to present, taking as reference Henri Bergson’s philosophy (1859-1941) and Claude Bernard’s (1813-1878) experimental physiology, two analogous efforts, despite a lack of direct relation in terms of their origins, resulting from some obligations posed to the subject of knowledge who takes life as a matter of theoretical analysis. Authorized by Bergson himself, we will try to show, within a scientific practice represented by Claude Bernard’s experimental physiology, an attitude towards organic facts that is not the monopoly of a philosophy which seeks to elucidate the conditions and limits of life knowledge, a theoretical problem which, in the twentieth century French philosophy finds in the Creative Evolution (1907) its essential expression. <![CDATA[WHY DO WE NEED THE NOTION OF WILL?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2020000200523&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt ABSTRACT It is commonly held that the goals at which an action aims are specified by the pro-attitude/belief pairs in light of which the action seems appealing to the agent. I argue that the existence of multiple-incentives cases (i.e., cases in which the agent has more than one incentive to act but in which her motive corresponds to only one of these incentives) shows this thesis to be false. In order to account for such cases we have to ascribe to agents the capacity to actively determine the goals at which their actions aim. I refer to this capacity as the agent’s “will”. Agents endowed with a will are capable not only of determining their own behavior but also their motives. I conclude that the existence of multiple-incentives cases shows that agents have this capacity.<hr/>RESUMO É comumente sustentado que os fins visados por uma ação são especificados pelos pares atitude/crença à luz dos quais a ação parece atrativa para o agente. Eu argumento que a existência de casos de múltiplos incentivos (isto é, casos nos quais o agente tem mais de um incentivo para agir mas nos quais seu motivo corresponde a apenas um desses incentivos) mostra que essa tese é falsa. De maneira a dar conta desses casos devemos atribuir a agentes a capacidade de determinar ativamente os fins visados por suas ações. Refiro-me a essa capacidade como a “vontade” do agente. Agentes dotados de vontade são capazes não apenas de determinar seu próprio comportamento mas também seus motivos. Concluo que a existência de casos de incentivos múltiplos mostra que agentes têm essa capacidade.