Scielo RSS <![CDATA[Kriterion: Revista de Filosofia]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0100-512X20180001&lang=en vol. 59 num. 139 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[POLITICS AND AESTHETICS IN RANCIÈRE AND LÉVINAS: SCENE OF DISSENSUS, FACE AND CONSTITUTION OF THE POLITICAL SUBJECT]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100007&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Neste artigo pretendemos refletir acerca da constituição do sujeito político a partir de dois conceitos específicos: rosto (Lévinas, Butler, Deleuze e Guattari) e cena de dissenso (Rancière, Habermas). Nosso argumento pretende evidenciar como, ao “aparecerem”, os indivíduos produzem uma cena polêmica de enunciação na qual se desencadeia um processo de subjetivação política e de criação de formas dissensuais de comunicação e performance que inventam modos de ser (Foucault), ver e dizer, configurando outras interfaces entre experiência estética e política. Tal processo potencializa a invenção de novas visualidades e interlocuções nas quais se inscreve o rosto, definido aqui como o vestígio de um lugar do outro que se transforma na promessa do meu próprio lugar, assumindo caráter político e comunicacional, num processo incessante de subjetivação política em que ética e estética se tangenciam.<hr/>ABSTRACT The aim of this article is to ponder on the constitution of the political subject from two specific concepts: the face (Lévinas, Butler, Deleuze and Guattari) and the scene of dissensus (Rancière, Habermas), in order to show how the “appearance” of the individuals can produce a controversial scene of dissensus, trigger a process of political subjectivation and the creation of dissensual forms of expression and communication that invent new ways of being (Foucault), seeing and saying, configuring new ways of collective enunciation and interconnections between aesthetic experience and politics. This is related to the invention of new visualities and interlocutions in which the face is inscribed. Face is defined here as the vestige of a place of the other that is transformed into the promise of my own place, assuming a political and communicational character, in an incessant process of political subjectivation where ethics and aesthetics are related. <![CDATA[EL ARTE COMO REALIDAD TRASFORMADA EN SU VERDAD. LA REHABILITACIÓN HERMENÉUTICA DE LA ESTÉTICA EN HANS-GEORG GADAMER]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100035&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Este artigo pretende mostrar que a arte só tem relevância estética para Gadamer quando é libertada da estética. Os conceitos que definem a compreensão estética da arte, subjetivismo, experiência, objetivismo, baseiam-se na noção central que caracteriza a estética: a diferenciação estética. A diferenciação estética implica uma diferença ontológica que isola o artístico e estabelece uma descontinuidade entre arte e realidade. A não diferenciação estética que Gadamer explica não só recupera a continuidade, mas afirma que a arte pertence à realidade na medida em que ela a transforma. Na arte cresce o ser do real no sentido de que a arte é a realidade mesma transformada em sua verdade.<hr/>ABSTRACT The aim of this article is to show that art has philosophical relevance for Gadamer solely insofar as it remains free from aesthetics. The concepts that define the aesthetic understanding of art, i.e. subjectivism, experience and objectivism, are built upon the central notion that characterizes aesthetics: the aesthetic differentiation. The aesthetic differentiation implies an ontological difference that isolates the artistic and establishes a discontinuity between art and reality. The aesthetic non-differentiation that Gadamer exposes does not only restore the continuity, but it also affirms that art belongs to reality insofar as it transforms it. In art grows the being of the real in the sense that art is the reality itself transformed in its own truth. <![CDATA[TECER IMAGENS ARTÍSTICAS: APARÊNCIA, EXPRESSÃO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100055&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO A fim de nos aproximarmos da singular constelação conceitual que nos permite falar de uma noção de imagem artística na estética adorniana - ainda que na margem do seu pensamento e muito menos manifesta do que na escrita de Walter Benjamin - partimos da conexão entre os conceitos de “aparência” e “expressão”, remetendo-nos à própria materialidade das obras de arte, da literatura à música, para uma maior nitidez teórico-crítica. O intuito de ressaltar a importância do conceito de imagem artística em Theodor W. Adorno visa tanto atualizar alguns pontos opacos de sua estética quanto conectar seu pensamento com o debate acerca da imagem na estética contemporânea, sobretudo em Jacques Rancière e Didi-Huberman.<hr/>ABSTRACT In order to approach the remarkable conceptual constellation that permits us to develop a notion of artistic image in Adorno's aesthetics - although not outstanding in the author's thought, and even less evident than in Walter Benjamin's writings - we depart from the connection between the concepts of “appearance” and “expression”, referring to the material quality of works of art in themselves, from literature to music, for broader theoretical and critical clearness. The intent of highlighting the importance of the concept of artistic image within Theodor W. Adorno's ideas, aims to both update some opaque points within the author's aesthetics and to connect his thought with the debate about the image in contemporary aesthetic theories, mostly in the works of Jacques Rancière and Didi-Hubermann. <![CDATA[ELEMENTOS DA TEORIA CRÍTICA DA DISSONÂNCIA DE THEODOR W. ADORNO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100077&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O presente artigo reconstrói e desenvolve os elementos fundamentais da teoria da dissonância elaborada por Theodor W. Adorno em sua filosofia da música. Parte-se de uma breve exposição do tratamento conferido pela musicologia histórica - com toda sua equivocidade autoconsciente e constitutiva - aos conceitos de dissonância e consonância para dele se depreender as linhas fundamentais de um tratamento filosófico da dissonância. Lançando mão dos recursos mobilizados por alguns teóricos da nova música, são reconstruídas, assim, as estações da teoria crítica da dissonância entre desnaturalização, emancipação e liquidação da dissonância. Por fim, defende-se a tese de uma interpretação dinâmica do uso e da percepção da dissonância segundo contextos socioestéticos determinados.<hr/>ABSTRACT This article reconstructs and develops the fundamental elements of Theodor W. Adorno’s theory of dissonance in his philosophy of music. It begins with a brief explanation on the treatment given by historical musicology, with all its self-conscious and constitutive equivocity, to the concepts of dissonance and consonance, in order to reveal the fundamental lines of a philosophical treatment of dissonance. Using the resources mobilized by some theorists of New Music, the article reconstructs the stations of the critical theory of dissonance among denaturation, emancipation and liquidation of dissonance. In its conclusion, it advances the thesis of a dynamic interpretation of the use and perception of dissonance according to given socio-aesthetic contexts. <![CDATA[ARTHUR DANTO E O PROBLEMA DA INTERPRETAÇÃO DE OBRAS DE ARTE]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100093&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO A definição de arte desenvolvida por Arthur Danto pressupõe que algo é uma obra de arte por ser o correlato de uma interpretação, inscrita em uma rede de significações históricas, teóricas e sociais, que lhe atribui o estatuto de obra de arte. Trata-se de uma definição essencialista que, no entanto, não se funda em algo que é percebido no objeto, mas no objeto percebido como arte. Levando em consideração que o conceito de “interpretação” é um dos pontos cardinais da definição de arte de Danto, aprofundo neste artigo uma investigação específica sobre o assunto. Argumento que o modo como o autor o desenvolve comporta uma ambiguidade, isto é, que há uma confusão entre dois sentidos de interpretação nos textos dantianos, e que seu papel fundamental na definição de arte é inseparável da contextualização histórico-social possibilitada pelo mundo da arte.<hr/>ABSTRACT Arthur Danto’s definition of art claims that something is a work of art because it is the subject of an interpretation that is inscribed in a network of historical, theoretical and social meanings, which is responsible for assigning the status of artwork. It is an essentialist definition which however, is not based on something that is perceived in the object, but on the object being perceived as art. In this paper, I develop a specific investigation about the concept of “interpretation”, taking into account that it is one of the cardinal points in Danto’s definition of art. I argue that the author develops this subject in an ambiguous way, in other words, that there is confusion between two different meanings of interpretation in his texts, and that its fundamental role in the definition of art is inseparable from the historical and social contextualization guaranteed by the artworld. <![CDATA[COMPOSIÇÕES ENFERMAS - DOENÇA, CRÍTICA E MÚSICA EM THOMAS MANN]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100109&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Nas obras de Thomas Mann, a doença não se coloca como um elemento simples do entrecho, mas sim como uma parte central da evolução da trama, especialmente no desenvolvimento dos personagens. No entanto, em suas obras, as figurações da saúde e da doença não são fixas, e, portanto, faz-se necessário buscar um núcleo de sentido a essas noções. Argumentamos que a contraposição fundamental entre os termos é a expressão de uma tensão entre o desenrolar da vida com suas expectativas normais e uma força disruptiva que abala essa estrutura. Trata-se de desenvolver os termos dessa contraposição, apresentando algumas imagens de seus romances, a partir do que poderemos expor a dimensão crítica da doença como noção filosófica. A seguir, apresentaremos alguns momentos do romance “Doutor Fausto”, de Mann, tendo por objetivo explorar a estrutura crítica dessa noção e a forma como opera. Finalmente, tomaremos a música, um dos temas centrais do romance de Mann, como modelo para a análise dessa crítica possível. A partir disso, poderemos apresentar os o limite dessa concepção de doença como dispositivo crítico, especialmente no debate artístico do século XX.<hr/>ABSTRACT In Thomas Mann’s works, illness cannot be seen as a simple plot element, but rather as a central part of the story’s evolution, especially concerning the characters’ development. However, the figurations of health and illness are not fixed and, therefore, it is necessary to seek a nucleus of meaning to these notions. We would argue that the fundamental contraposition between these terms is the expression of a tension between the unfolding of life with its normal expectations and a disruptive force that shakes this structure. It is a question of developing the terms of this contraposition, exploring some images of Mann’s novels, from which we can expose the critical dimension of illness as a philosophical concept. Then, we will present a few moments of Mann's Doctor Faust, in order to explore the critical structure of this notion and the way it operates. Finally, we will take music, one of the central themes of Mann's novel, as a model for the analysis of this possible criticism. Based on that, we can present the limits of this conception of illness as a critical device, especially within the artistic debate of the twentieth century. <![CDATA[MÚSICA INFORMAL: PERSPECTIVAS ATUAIS DO CONCEITO ADORNIANO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100133&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O ensaio “Vers une musique informelle” (1961) é uma das mais conhecidas (e talvez mal compreendidas) contribuições da reflexão musical de Adorno, certamente um dos maiores legados de sua filosofia da música. Este artigo procura, em um primeiro momento, especificar o sentido crítico da contribuição conceitual de Adorno, que visava à superação dos impasses e da alternativa entre pensamento motívico-temático e pensamento serial nas práticas composicionais de época. Em seguida, descreve a intenção propositiva de Adorno ao encaminhar uma “teoria material das formas”, teoria que, na realidade, havia sido concretizada na monografia sobre Mahler, publicada no ano anterior ao ensaio. Por fim, busca evidenciar a atualidade do conceito de música informal, questionando, por um lado, a leitura de Fredric Jameson e, por outro, examinando brevemente os procedimentos de dois compositores contemporâneos cujo teor remete ao conceito adorniano: Helmut Lachenmann e Wolfgang Rihm.<hr/>ABSTRACT Adorno’s essay “Vers une musique informelle” (1961) is one of the most well-known (and maybe one of the most misunderstood) contributions of his musical thought and also considered one of the most significant legacies of his philosophy of music. Initially, this article intends to specify the critical sense of Adorno’s conceptual contribution, which aimed the overcoming of the avant-garde compositional stalemate and the alternative between motivic-thematic thought and serialistic thought, at the time. Then, it describes the intention put forward by Adorno in his “material theory of forms”, a theory that had been fully developed in the monograph on Mahler, published just one year before the essay. Finally, the article tries to show some of the contemporary implications of the concept of informal music, by questioning, on the one hand, Fredric Jameson’s interpretation of the concept, and, on the other hand, briefly examining the methods of two contemporary composers that seemingly set this concept in motion: Helmut Lachenmann and Wolfgang Rihm. <![CDATA[NIETZSCHE, ADORNO E O WAGNERISMO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100157&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O artigo investiga alguns tópicos relacionados ao wagnerismo em determinadas obras de Nietzsche e Adorno. Também procura mostrar até que ponto a crítica a Wagner elaborada por Nietzsche foi assimilada por Adorno.<hr/>Abstract The article investigates some Wagnerism-related topics in some works of Nietzsche's and Adorno's. It also seeks to show to what extent the criticism of Wagner by Nietzsche was assimilated by Adorno. <![CDATA[“INTERPELAÇÃO FANTASMAGÓRICA”: COMPREENDER E SUBVERTER A ESTÉTICA DA VIDA COTIDIANA COM WALTER BENJAMIN E LOUIS ALTHUSSER]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100175&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Este artigo pretende introduzir o conceito de “interpelação fantasmagórica”. O esforço teórico se inspira nos conceitos de “fantasmagoria”, de Walter Benjamin, e de “interpelação ideológica”, de Louis Althusser. A proposta é aliar suas respectivas filosofias em processo a seus materialismos “antropológico” e “aleatório”, a fim de fazer uma análise sociopolítica da estética capitalista de hoje, tal como ela aparece na arquitetura pós-moderna e no design da vida cotidiana. Trata-se também de abrir novas perspectivas de resistências a normatividade do imaginário consumista com uma interpretação crítica das criações culturais (teatro, cinema...) que, conforme a inspiração dos autores, pode desvelar um novo sujeito capaz de surgir na cena da história.<hr/>ABSTRACT This article aims at presenting the concept of “phantasmagorical interpellation”. This theoretical effort is inspired from Walter Benjamin’s concept of “phantasmagoria” and Louis Althusser’s concept of “ideological interpellation”. The proposal is to connect their respective philosophical work-in-progress in their “anthropological” and “aleatory” materialisms for a socio-political analysis of today’s capitalist aesthetic as displayed in postmodern architecture and the design of everyday life. It is also to open new perspectives of resistance to the normativity of the consumer imaginary with a critical interpretation of cultural creations (theatre, cinema...) that, following the inspiration of both authors, could reveal a new subject of history able to suddenly appear on the scene of history. <![CDATA[O CORPO DAS MASSAS NA ERA DA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100195&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O problema das massas é uma questão moderna crucial e Walter Benjamin não cessou de abordá-lo. O fenômeno das massas surge com as grandes metrópoles e segue uma dinâmica concentracionária inteiramente nova. Além disso, a questão das massas é também correlata da relação a si que as técnicas modernas na era da reprodutibilidade técnica permitem. É o que ressalta Benjamin no fim de seu texto “A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica” a partir da questão da propaganda. A imagem filmada estrutura de modo inédito a percepção das massas que podem, pela primeira, vez se apreender como um todo em seus movimentos, gestos e comportamentos. A massa se torna um “material” a ser “trabalhado”, a ser “reproduzido”, segundo a visão fascista, ou a ser “transformado”, segundo a visão revolucionária. Este artigo propõe investigar os conceitos benjaminianos desenvolvidos nos anos 1930 para se pensar a arte tendo em vista esse plano de fundo histórico determinante para as suas teorizações.<hr/>ABSTRACT The problem of the masses is a crucial modern question, which was constantly approached by Walter Benjamin. The phenomenon of the masses emerges with the big cities and follows radical new concentrationary dynamics. Further, the advent of modern techniques of mechanical reproduction enables a new relationship of the masses to themselves. Benjamin underlines this issue through the question of the propaganda in his text “The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction”. The filmed image structures the perception of the masses that can, for the first time, apprehend themselves as a whole in their movements, gestures and behaviors. The masses become “material” to be worked on - to be “reproduced”, according to the fascist point of view, or to be “transformed”, according to the revolutionary point of view. This paper proposes to investigate the Benjaminian concepts developed during the 1930s to reflect on art while taking into account the historical background determining his theorizations. <![CDATA[A NEGAÇÃO DA OBRA: DERRIDA E LEITOR DE ARTAUD]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100215&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Em “A escritura e diferença”, Derrida apresenta uma crítica à interpretação de Blanchot sobre Artaud, sob o título “A palavra soprada”, na qual ressalta que a leitura blanchotiana foi tendenciosa. Seu incômodo se dá primeiramente pela comparação que Blanchot faz de Hölderlin e Artaud, por serem poetas que experimentaram a exigência poética e, por isso, tiveram suas obras interpretadas por um reducionismo da Psiquiatria. Para Derrida, esse duplo interpretativo, clínico e crítico, é decorrente de uma separação dualista há muito presente, uma diferença constitutiva da metafísica que gera todas as separações, inclusive a condição de comentário da clínica e da crítica. Assim, o que é exposto por Derrida é a deflagração de uma estrutura metafísica que suporta esses dualismos. O modo como Artaud percebeu esse limite de realização na escrita é o que Derrida tenta reconhecer como uma efração estrutural da diferença que há no nosso modo de se relacionar com a obra. Derrida refaz o caminho da obra de Artaud para mostrar como poderíamos superar essa ausência que acontece na relação do artista com a obra, do corpo e do espírito. E, por fim, demonstra a partir do próprio Artaud o reducionismo feito também por Blanchot.<hr/>ABSTRACT In his book “Writing and difference”, Derrida presents a critique of Blanchot’s interpretation of Artaud, under the title “La parole soufflé [The whispered word], in which he implies Blanchot's reading was biased. First, his discomfort occurs because of the comparison Blanchot makes of Hölderlin and Artaud, for both being poets that experimented the poetic demand and, because of that, had their works interpreted through a psychiatric reductionism. For Derrida, this clinical and critical double interpretive stems from a dualistic separation that has long been present, a constitutive difference of the metaphysics what creates all division, including the condition of commentary on clinic and critic. Hence, what is exposed by Derrida is the deflagration of a metaphysical structure that supports these dualisms. The way Artaud realized this limit of achievement in writing is what Derrida tries to recognize as a structural effraction of the difference that exists in our way of relating with the work. Derrida remakes the path of Artaud's work to show how we could overcome this absence that occurs in the relation between the artist and the work, the body and spirit. Finally, it shows - from Artaud himself - the reductionism made also by Blanchot. <![CDATA[LITERATURA, REFLEXÃO E SEMELHANÇA. UMA AFINIDADE ENTRE BENJAMIN E RICOEUR]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100235&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Este artigo constrói uma afinidade entre a noção benjaminiana de “semelhança não sensível” e o “trabalho da semelhança” do qual fala Ricœur a propósito da metáfora. Para isso pressupõe uma referência comum: o princípio kantiano das afinidades, que corresponde ao poder de produzir e de perceber ao mesmo tempo a diferença na identidade e a identidade na diferença, constituindo o modo de funcionamento do esquematismo em geral. Seguindo caminhos diferentes, Benjamin e Ricœur tematizam essa tensão comparativa que caracteriza a imaginação, examinando sua ação na construção poética e na reflexividade que lhe é inerente.<hr/>ABSTRACT The present article builds na affinity between the Benjamininan notion of “non-sensitive likeness” and the “work of likeness” talked about by Ricœur, regarding the metaphor. For that purpose he presupposes a common reference: Kant’s principle of affinities, which corresponds power of producing and noticing, at the same time, the difference in identity and the identity in difference, thus building the modus operandi of the schamtism in general. Following diverse paths, Benjamin and Ricœur thematize that comparative tension characteristic of imagination also examining its effect in poetic construction and in its inherent reflectivity. <![CDATA[ARTHUR DANTO E A EXPERIÊNCIA ESTÉTICA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100255&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O artigo, em um primeiro momento, reconstrói a separação realizada por Arthur Danto entre Estética e Filosofia da Arte. Essa separação se encontra no fundamento da ontologia dantiana e distancia sua tentativa de definir arte dos argumentos da tradição estética sobre a beleza e o gosto. A partir dessa reconstrução, dou um segundo passo e analiso como Arthur Danto discute com a experiência estética, do modo como é compreendida, principalmente, após Kant, e quais são as suas críticas e propostas para repensar a relação entre público e arte.<hr/>ABSTRACT The article, at first, retraces the detachment made by Arthur Danto between Aesthetics and Philosophy of Art. This detachment lies on the foundation of Danto’s ontology and differentiates its attempt to define art from the traditional aesthetics arguments on beauty and taste. From this reconstruction, I take a second step where I analyze how Arthur Danto discusses with aesthetic experience, the way it is understood, especially, after Kant, and what are his criticisms and proposals to rethink the relation between public and art. <![CDATA[DELEUZE AND FILM’S PHILOSOPHICAL VALUE]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100271&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Neste ensaio analiso as diferentes modalidades de pensamento que ocorrem entre a filosofia e as imagens em movimento partindo da distinção metafilosófica elaborada por Gilles Deleuze entre “pensar” e “filosofar”. Esta é uma distinção fundamental para a possível elaboração de uma filosofia do cinema, ou, pelo menos, para afirmar que “o cinema filosofa”, uma tese atualmente imersa num certo equívoco. Neste sentido, como possível resolução para tal mal-entendido, sugiro uma adequada designação deleuziana de “pensar com conceitos” e “pensar com imagens”, num processo recíproco fundamental entre o campo filosófico e o não filosófico das artes. Começando com uma introdução à noologia em Deleuze e uma descrição dessas ideias e do seu valor estético, prossigo com uma análise mais detalhada sobre imagens em movimento, metáforas e adaptação cinematográfica de modo a, dentro de uma abordagem pós-continental e pós-analítica, questionar se o cinema filosofa.<hr/>ABSTRACT In this essay I analyse the different modalities of thought that occur between philosophy and moving images, beginning with Gilles Deleuze’s metaphilosophical distinction between “thinking” and “philosophizing”. This is an essential distinction for the possible elaboration of a film philosophy, or at least one which claims that “film philosophizes,” a thesis that is nowadays immerged in a certain misconstruction. In this sense, I suggest, as a conceivable resolution to this misunderstanding, a more proper Deleuzian designation of “thinking with concepts” and “thinking with images,” in a fundamental reciprocal process between the philosophical and non-philosophical fields of the arts. Starting with an introduction to Deleuze’s noology and a description of these ideas and their aesthetic value, I proceed with a closer analysis of moving images, metaphors, and film adaptation in order to question, within a post-continental-analytic approach, whether film philosophizes. <![CDATA[O FIM DA ESTÉTICA E A NOVA CRÍTICA DE ARTE EM BENJAMIN]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100287&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O artigo pretende mostrar como o esforço de Benjamin no sentido de fundar uma nova crítica de arte remonta ao mesmo tempo ao primeiro Romantismo de Iena e à Filosofia de Hegel. Enquanto Hegel proclama o fim da estética e da obra de arte tradicional, os românticos, na figura de F. Schlegel e Novalis, apontam para a continuação de um discurso filosófico da arte que prescinde dos pressupostos tradicionais, utilizando-se de conceitos tais como crítica imanente e médium-de-reflexão. A partir disso, o artigo procura mostrar como essa dupla herança permanece ao longo das principais obras de Benjamin, com destaque para o “Drama trágico alemão” e a obra das “Passagens”, em cujo centro se situa o conceito de montagem. Por fim, recorrendo à influência marxista, o texto esboça algumas consequências políticas dessa crítica de arte que, desenvolvida desde a juventude, permanece nos textos de maturidade.<hr/>ABSTRACT The article aims to show how Benjamin's effort to found a new art criticism goes back to the first romanticism of Iena and to Hegel's philosophy. While Hegel proclaims the end of aesthetics and of the traditional work of art, the romantics, in the figure of F. Schlegel and Novalis, point to the continuation of a philosophical art discourse that ignores the traditional presuppositions, using concepts such as immanent criticism and medium-of-reflection. Based on that, this article seeks to show how this double heritage remains throughout the main works of Benjamin, especially the “German Tragic Drama” and the work of the “Passages”, at the center of which is the concept of montage. Finally, resorting to Marxist influence, the text outlines some political consequences of this art criticism that, developed from youth, remains in the texts of maturity. <![CDATA[AESTHETIC REGIME'S OCCUPATION OF REPRESENTATION]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2018000100309&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Esse artigo trata da relação entre a estética e a representação na teoria de Jacques Rancière. Segundo o autor, a representação é simultaneamente presente e proibida na estética moderna. Ela aparece como um parasita ou um intruso na produção artística. Rancière pergunta: sob quais condições a representação se torna proibida e o que significa a arte não representar? O eixo central da análise explora quais as consequências dessa configuração, com destaque para a política. Segundo Rancière, o conceito de partilha do sensível implica invariavelmente um regime de vida e, portanto, alguma forma de política. Sendo assim, a estética não se limita à arte, mas atinge a vida em seu sentido pleno. A relação entre estética e representação implica necessariamente um modo de vida no qual a representação se torna impossível em todos os sentidos.<hr/>ABSTRACT This article explores the relationship between aesthetics and representation in Jacques Rancière's theory. According to the author, representation is simultaneously present and prohibited in modern aesthetics. It appears as a parasite or an intruder in artistic production. Rancière asks: under what conditions is representation prohibited and what happens when art does not represent? The central axis in the analysis explores the consequences of this configuration, with emphasis on politics. According to Rancière, the concept of distribution of the sensible invariably implies a regime of life and, therefore, some sort of politics. Hence, aesthetics is not limited to arts, reaching life as a whole. The relationship between aesthetics and representation necessarily implies a mode of life where representation becomes impossible in all senses.