Scielo RSS <![CDATA[Revista Brasileira de Educação Médica]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0100-550220170003&lang=en vol. 41 num. 3 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Like and Share - A New Time for Medical Education]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300361&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[Competencies Proposed in the Medical Curriculum: the Graduate's Perception]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300364&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais para cursos de Medicina trouxeram novos delineamentos de formação e desenvolvimento de habilidades e competências que instrumentalizam o médico para sua atuação. Objetivo: Identificar a percepção do egresso quanto à aquisição de competências e habilidades previstas no projeto pedagógico do curso de Medicina. Métodos: Estudo transversal com 229 egressos do curso de Medicina, entre 2005 e 2012, da Universidade Anhanguera-Uniderp de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, por meio de questionário autoaplicável, no período de abril a julho de 2013, contendo 34 competências e habilidades, avaliadas por meio da escala do tipo Likert. Resultados: Quanto à aquisição de competências gerais, observaram-se respostas ″bom″ ou ″muito bom″ para a maioria dos itens pesquisados. Para a competência referente à comunicação, os maiores índices de respostas “muito bom” foram nos domínios “ser capaz de interagir e se articular com outros profissionais de saúde” (60%) e “ser capaz de manter a confidencialidade das informações” (68%). Em relação às competências específicas, a maior parte dos egressos referiu como “bom” ou ″muito bom″ a aquisição da maioria dos domínios. Observou-se ainda que os domínios “utilizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos validados cientificamente″ e ″dominar os conhecimentos de fisiopatologia, do tratamento e reabilitação das doenças de maior prevalência″ tiveram os maiores índices de respostas ″bom″, 62% e 59%, respectivamente. No que se refere à aquisição de competências complementares, os domínios referentes às práticas gerais e específicas, tais como “estabelecer relação médico-paciente”, “realizar exame físico correlacionando com as referências anatômicas” e “realizar exame físico geral e segmentar”, atingiram maior percentual de respostas positivas (bom ou muito bom). Já os domínios referentes à “realização de exame especial neurológico”, “realização do exame especial ortopédico” e “imobilização de fraturas” apresentaram respostas ruins e regulares, que, somadas, corresponderam a 49%, 69% e 83%, respectivamente. Conclusões: O estudo serviu de base para mudanças no curso, fornecendo subsídios para melhoria da qualidade de ensino e respondendo às necessidades do acadêmico na graduação.<hr/>ABSTRACT Introduction: The Brazilian Education Guidelines for medical courses brought new designs for the education and development of abilities and competencies that qualify physicians for their practice. Objective: To identify the perception of graduates on the acquisition of abilities and competencies considered in the pedagogical project of a medical course. Methods: A cross-sectional study was developed with 229 graduates from a medical program carried out between 2005 and 2012, at Universidade Anhanguera-Uniderp in Campo Grande, in the state of Mato Grosso do Sul. The study involved the application of a self-administered questionnaire including 34 competencies and abilities, assessed through a Likert scale, from April to July 2013. Results: Regarding the acquisition of general competences, “good” or “very good” answers were found for most of the studied items. For the competency regarding communication, most of the “very good” answers were found in the domains “being capable of interacting with other health professionals” (60%) and “being capable of maintaining information confidentiality” (68%). As for specific competencies, the majority of the graduates referred to the acquisition of most domains as “good” or “very good”. The domains “using scientifically validated therapeutic and diagnostic procedures” and “mastering knowledge in physiopathology, treatment and rehabilitation of prevalent diseases” had the highest indices of “good” answers, 62% and 59%, respectively. As regards the acquisition of complementary competencies, the domains concerning general and specific practices, such as “establishing a physician-patient relationship”, “performing a physical exam correlating it to anatomical references” and “performing a general and segmentary physical exam” achieved a greater percentage of positive answers (good or very good). The domains regarding “performing a special neurological exam”, “performing a special orthopedic exam” and “immobilizing fractures” presented negative and regular answers, which when combined corresponded to 49%, 69% and 83%, respectively. Conclusions: The present study served as a basis for changes in the course, providing resources for improving the quality of education and meeting the graduates’ needs. <![CDATA[Role-Play Preceded by Fieldwork in the Teaching of Pharmacology: from “Raw Sap” to “Elaborated Sap”]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300372&lng=en&nrm=iso&tlng=en ABSTRACT Background: The task of teaching abilities, attitudes and knowledge, which can sometimes be complex, related to the safe and efficient use of medications, stands as a great challenge faced by medical schools nowadays. The role of the prescriber, therefore, who promotes the rational use of medication at undergraduate level gains importance in professional training, with a direct impact on public healthcare. In this context, the implementation of teaching methods that allow an active, critical and reflexive medical training for students is desirable in order to enable them to develop the skills required to manage the main pharmacological classes used by the general practitioner. We intend to describe and analyze role-play preceded by fieldwork as an educational strategy. Methods: Following the fieldwork regarding the utilization of the main pharmacological classes used in primary healthcare, 5-6 groups of students prepared scripts and staged role-plays involving practical aspects of pharmacokinetics, pharmacodynamics, side effects, and potential drug interactions regarding the main drug types. The intervention was assessed using students’ responses to questionnaires coupled with Likert scales, the Dundee Ready Education Environment Measure (DREMM) and semi-structured interviews. There was a correlation between participation in teaching practice and performance in multiple-choice questions in the final course evaluation. Results: All students felt involved and motivated in the activity. 78.5% strongly agreed and 19% partially agreed that the method allowed reflection on knowledge, abilities and attitude, all important to professional practice regarding rational therapeutic prescribing. The DREMM revealed a score of 129.23, consistent with a more positive learning environment in a reliable sample (Cronbach's alpha=0.86). Analysis of the open interviews allowed us to infer that the students considered the method efficient, dynamic, fun, and enjoyable, which enabled greater understanding and consolidation of the content. The strategy was considered stimulating regarding group activities, with active participation. Furthermore, it allowed students an opportunity to experience their future professional reality. The main weaknesses found were the unequal involvement of individuals in some groups and the great length of time spent in the preparation of activities. In the final exam, the students who participated in the intervention had, on average, a higher performance than those who did not take part in it. However, there was no statistically significant difference. Discussion: Role-play preceded by fieldwork proved to be a promising pedagogical strategy and may be used in other basic sciences.<hr/>RESUMO Introdução: A tarefa de ensinar habilidades, atitudes e conhecimentos, às vezes complexos, relativos ao uso seguro e efetivo de medicamentos representa hoje um grande desafio para as escolas médicas, motivo por que o ordenamento de prescritores que promovam o uso racional de medicamentos em nível de graduação assume importante papel na formação profissional, impactando diretamente o cuidado à saúde da população. Nesse contexto, a implementação de métodos de ensino que permitam uma formação ativa, crítica e reflexiva dos estudantes é desejável, a fim de que estes desenvolvam competências para manejar as principais classes farmacológicas utilizadas pelo médico generalista. Objetivo: Descrever e analisar o role-play precedido por trabalho de campo como estratégia pedagógica para o ensino de Farmacologia Clínica no curso médico. Métodos: Após trabalho de campo sobre a utilização das principais classes farmacológicas utilizadas na Atenção Primária em Saúde, grupos de cinco a seis estudantes prepararam e encenaram roteiros envolvendo aspectos práticos de farmacocinética, farmacodinâmica, efeitos adversos e potenciais interações medicamentosas relativas aos medicamentos utilizados. A intervenção foi avaliada por meio das respostas dos estudantes a questionários acoplados a escalas Likert, ao Dundee Ready Education Environment Measure (DREMM) e a entrevista semiestruturada. Verificou-se a correlação entre a participação na prática de ensino e o desempenho em questões de múltipla escolha na avaliação final do curso. Resultados: Todos os estudantes se sentiram envolvidos e motivados para a atividade. Concordaram fortemente 78,5% e concordaram parcialmente 19% em que o método permitiu a reflexão sobre conhecimentos, habilidades e atitudes importantes para a prática profissional no tocante à prescrição terapêutica racional. O DREEM revelou escore de 129,23, compatível com um ambiente de aprendizagem mais positivo do que negativo, numa amostra confiável (alfa de Cronbach = 0,86). A análise das entrevistas abertas permitiu inferir que os estudantes consideraram o método eficiente, dinâmico, divertido e prazeroso, possibilitando maior compreensão e fixação do conteúdo. A estratégia foi considerada estimuladora para a realização de atividades em grupo, participação ativa, além de possibilitar o contato com a futura realidade profissional. As principais fragilidades apontadas foram o envolvimento desigual de componentes de alguns grupos e o significativo tempo despendido na preparação das atividades. Os estudantes que participaram da intervenção tiveram desempenho na avaliação final da disciplina, em média, superior aos que não participaram, mas sem diferença estatisticamente significativa. Conclusão: O role-play precedido por trabalho de campo demonstrou ser uma estratégia pedagógica promissora, promovendo aprendizagem ativa e significativa em Farmacologia, com possibilidade de utilização em outras ciências básicas. <![CDATA[Translation, Adaptation, Validation and Evaluation for use in Brazil of a British Inventory to Assist in the Choice of Medical Specialty]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300379&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O objetivo deste estudo foi traduzir, validar e avaliar um instrumento britânico de auxílio à escolha da especialidade médica. Esse instrumento processa as respostas a 130 questões e fornece uma classificação de 59 especialidades médicas, em ordem decrescente de recomendação, em função do ajuste do perfil do candidato às características das especialidades. As dez primeiras recomendações são consideradas positivas, e as dez últimas, negativas. A tradução e a adaptação semântica seguiram os passos técnicos recomendados para esse tipo de trabalho, resultando no instrumento em português denominado SCIB (Special Choice Inventory - Brasil). A melhor versão das questões traduzidas foi escolhida. Em seguida, o instrumento foi aplicado a 120 médicos brasileiros (85 médicos especialistas e 35 médicos residentes), representando 38 diferentes especialidades. Foi também aplicado a 79 estudantes dos dois últimos anos do curso de graduação em Medicina. Os participantes da amostra de médicos responderam a um questionário no qual indicavam duas outras especialidades que cogitariam exercer além da atual, bem como outras três que dificilmente exerceriam. O instrumento foi considerado adequado ou muito adequado à realidade brasileira por 85,8% (103/120) dos médicos e por 73,4% (58/79) dos estudantes. Entre estes últimos, 60,8% (48/79) consideraram a escala útil ou muito útil. Os resultados da aplicação do SCIB permitiram verificar que a concordância global das recomendações positivas do instrumento foi de 67,5% (81/120) com a especialidade atualmente exercida e de 72,5% (87/120) com as especialidades que os participantes cogitaram exercer. A concordância entre as recomendações negativas da escala e as especialidades que os médicos dificilmente exerceriam foi de 87,5% (105/120). Os dados das etapas de tradução e adaptação do instrumento original trouxeram elementos para a validação de face, de conteúdo e semântica do instrumento. As respostas dos 120 médicos e os dados da reaplicação da escala a 40 deles permitiram verificar que o SCIB tem homogeneidade, consistência interna e reprodutibilidade satisfatórias. Em conclusão, a tradução e a adaptação de uma escala britânica de auxílio à escolha da especialidade médica no Brasil foram bem-sucedidas. O instrumento resultante teve desempenho muito satisfatório quando aplicado a médicos especialistas e residentes. O SCIB deve, então, constituir uma promissora ferramenta de apoio na escolha da especialidade médica, além de poder ser utilizado na investigação científica nessa área.<hr/>ABSTRACT The purpose of this study was to translate, validate and evaluate a British specialty choice inventory. This tool processes the answers to 130 items and returns a 59-medical specialty ranking, in decreasing order of recommendation, based on the candidate's profile adjustments to specialty characteristics. The top 10 and the bottom 10 recommendations are considered positive and negative ones, respectively. Translation and semantic adaptation followed the standard procedures described in the specialized literature, and resulted in a Brazilian Portuguese version named SCIB (Special Choice Inventory — Brasil). The best version of each translated item was chosen. SCIB was then applied to 120 Brazilian physicians (85 specialists and 35 residents) representing 38 different specialties. SCIB was also applied to 79 senior medical students. Participant physicians indicated in a structured questionnaire two specialties they could have chosen apart from the current one, as well as three specialties they would unlikely choose. SCIB was regarded as adequate or very adequate to the Brazilian conditions by 85.8% (103/120) of the physicians and 73.4% (58/79) of the students. Among the latter, 60.8% (48/79) regarded the inventory useful or very useful. For the physicians, SCIB positive recommendations included their current specialty in 67.5% (81/120) of the cases, and any of the specialties they could have chosen in 72.5% (87/120) of the cases. SCIB negative recommendations included any of the specialties that participants would unlikely choose in 87.5% (105/120) of the cases. The translation and adaptation procedures provided data for SCIB validation concerning the face, content and semantic aspects. Answers from the 120 physicians and data from a test-retest study involving 40 participants showed that SCIB has satisfactory levels of homogeneity, internal consistency and reproducibility. In conclusion, translation and adaptation for use in Brazil of the Sci59, a British inventory for assisting medical specialty choice, was successful and resulted in the, SCIB, a tool whose performance was very satisfactory. SCIB can thus be seen as a promising tool for assisting medical specialty choice, as well as for research in this field. <![CDATA[Medical Doctors’ Knowledge of Libras in the Federal District and Deaf Patient Health Care]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300390&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas escolas médicas é pouco difundido, e este cenário pode dificultar o atendimento de importante parcela da população: o paciente surdo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência, sendo parte de um grupo conhecido como vulneráveis. A surdez está entre as deficiências mais prevalentes, e no contexto do atendimento médico a dificuldade em atender integralmente o paciente surdo constitui um problema de saúde pública relevante, mas pouco abordado. O objetivo do presente estudo foi avaliar o conhecimento de Libras por médicos do Distrito Federal e sua percepção frente ao atendimento de pacientes surdos. Assim, foi realizado um estudo observacional transversal e descritivo com aplicação de questionários a 101 médicos escolhidos ao acaso, atuantes no Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal. Foram entrevistados médicos de 24 especialidades, com idade média de 41 anos. Deles, 92,1% já atenderam um paciente surdo e 76,2% consideraram o conhecimento de Libras importante para sua prática médica, mas apenas um relatou conhecimento básico na língua. Quanto ao sentimento do médico no atendimento, houve predomínio de incerteza e desconforto. Um número significativo de médicos já realizou atendimento de pacientes surdos em sua prática profissional no SUS, e a maioria considerou o conhecimento de Libras relevante, especialmente os médicos com menos de 55 anos de idade. Possivelmente, o sentimento de desconforto no atendimento decorre do predominante desconhecimento da língua pelos médicos e da conseguinte dificuldade durante o atendimento. Destaca-se a importância da implantação ou ampliação do estudo de Libras antes ou durante a formação médica e dos demais cursos da área de saúde. A conscientização dos profissionais de saúde perante o atendimento integral do paciente surdo é um passo fundamental na implementação efetiva do ensino de Libras de forma especializada no ensino superior, resultando em maior confiança e qualidade na relação médico-paciente.<hr/>ABSTRACT In medical schools, the teaching of Brazilian Sign Language (Libras) is limited and this scenario may result in difficulties when dealing with an important portion of the population: the deaf. According to the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), nearly 24% of the Brazilian population has some kind of deficiency; belonging to what are known as vulnerable groups. Deafness is among the most prevalent deficiencies, and the medical practice being unable to attend a deaf patient is a public health problem that requires further discussion. The objective of the present study was to evaluate medical doctors’ knowledge of Libras and their perception of attending to a deaf patient. A cross-sectional and descriptive study was designed and 101 medical doctors of the Brazilian Public Health System (Sistema Único de Saúde, SUS) were randomly chosen in the Federal District and answered a structured survey. We interviewed medical doctors with a mean age of 41 years from 24 different medical specialties. 92.1% of them had seen at least one deaf patient in their clinical practice. 76.2% of them considered the knowledge of Libras relevant to their practice, but only one declared basic knowledge of the language. Most of the medical doctors reported uncertainty and discomfort when attending a deaf patient. A significant number of doctors had already seen a deaf patient in their clinical practice, and most considered the knowledge of Libras important, especially those under the age of 55 years. The feeling of discomfort when dealing with a deaf patient possibly arises from not knowing Libras and being unable to communicate with the patient properly. We emphasize the importance of learning Libras before or during medical school and other health-related courses. Being aware that the deaf patient deserves full health assistance is fundamental, and it may improve specialized learning of Libras and consequently result in a better doctor-patient relationship. <![CDATA[Team-Based Learning: Successful Experience in a Public Health Graduate Program]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300397&lng=en&nrm=iso&tlng=en ABSTRACT Background: In the review of curriculum matrices, the elaboration of learning strategies that combine theory and practice is extremely important, allowing the building of new concepts and learning methods by the students. Team-based learning (TBL) is growing in academic centers and refers to the pedagogic strategy grounded in constructivism. The aim of this research was to describe the application of TBL in a Public Health graduate program. Methods: TBL was applied in a class with 22 students in the discipline “Quantitative Research in Health” of the Public Health graduate program (Master degree) at the University of Fortaleza, Brazil, in 2016. The discipline was structured in 8 lessons, approaching the thematic of quantitative research. Before each class the students were required to study the contents at home, a test was done for each subject in the beginning of each class (individually and then in teams of 5 or 6 students) and then a brief review was performed by the professor, where the students could ask questions and solve any doubt. At the end of the semester an evaluation questionnaire was applied with objective questions and a qualitative survey. Results: The application of TBL was done in a class with 22 students of the Public health Master Program, aged 22 to 36 years, and 83.3% were female. The method was well received by the students. All the evaluations and discussions went on without any problem. There were some complaints about the requirement to study at home prior to the classes. Students’ evaluation of the discipline and the TBL method was satisfactory with answers’ average score of 4.7 (scale 0-5). The lowestscore was achieved by the question number 11 (4.3) about the students motivation for their study at home. The comparison with the evaluation of the previous semester (where a traditional method was applied) evidenced higher scores for the TBL method. Conclusions: The application of TBL was satisfactory and the main difficulty presented by students was the requirement for previous study at home. TBL was better evaluated than the traditional method.<hr/>RESUMO Introdução: Na revisão das matrizes curriculares, a elaboração de estratégias que combinem teoria e prática é extremamente importante, permitindo que os estudantes construam novos conceitos e métodos de aprendizagem. O objetivo deste estudo foi descrever a aplicação do método Aprendizagem Baseada em Equipes (ABE) num programa de pós-graduação em Saúde Coletiva. Metodologia: O método foi aplicado numa turma de 22 alunosda disciplina “Investigação Quantitativa em Saúde” do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (mestrado) da Universidade de Fortaleza em 2016. A amostra foi constituída por36 pós-graduandos. A disciplina foi estruturada em oito aulas sobre temas de pesquisa quantitativa. Antes de cada aula, os alunos eram solicitados a estudar os conteúdos em casa, sendo feito um teste para cada assunto no início de cada aula (individualmente e em seguida em equipes de cinco a seis alunos); então, o professor fazia uma revisão breve sobre o assunto, quando os estudantes poderiam fazer perguntas e tirar dúvidas. Após as aulas, no final do semestre, foi aplicado um questionário de avaliação das atividades desenvolvidas, com questões objetivas e um item qualitativo. Resultados: A aplicação da ABE foi feita numa turma de 22 alunos do mestrado em Saúde Coletiva, com idades entre 22 e 36 anos, sendo 83,3% do sexo feminino. O método foi bem recebido pelos estudantes. Todas as avaliações e discussões ocorreram sem problemas. Houve reclamações sobre a necessidade de estudar em casa antes das aulas. Na avaliação realizada pelos alunos, o valor médio das respostas foi de 4,7 (escala 0-5). A questão sobre as motivações para estudar em casa foia de menor valor: 4,3 (escala de 0-5). Considerações finais: A implementação da metodologia ABE foi muito satisfatória, e a maior dificuldade apresentada foi a solicitação de estudo prévio do conteúdo da aula. <![CDATA[Maliandi's Bioethics in undergraduate medicine Courses]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300402&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Este artigo sublinha a patente deficiência dos currículos de Medicina em relação às Ciências Humanas e defende que o estudo da Bioética — disciplina que procura integrar as Ciências Humanas às Ciências Biológicas — poderá ajudar a preencher essa nociva lacuna. Apresentamos a Bioética Convergente de Ricardo Maliandi e Oscar Thüer como um valioso arcabouço teórico capaz de auxiliar o médico a protagonizar a resolução dos conflitos éticos inerentes à sua prática profissional, sem incorrer em unilateralidade. Comparamos sua fundamentação teórica com a conhecida proposta, também principialista, de Beauchamp e Childress, apontando as vantagens daquela em relação a esta. Exemplificamos sua aplicabilidade com a análise de potenciais conflitos éticos inferidos de informações obtidas em prontuário de uma paciente internada no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Universitário Antônio Pedro. Para a realização dessa análise, buscamos, na literatura médica, dados probabilísticos em relação ã doença em questão (neoplasia de esôfago com fístula traqueoesofageana complicada por choque séptico pulmonar), ressaltando que esses dados podem ajudar na melhor compreensão do prognóstico, sem que por isso possam ser utilizados como respaldo da equipe médica para decisões unilaterais de limitação terapêutica. A literatura médica também nos brindou com propostas de condução de casos difíceis do ponto de vista ético, como o da paciente em tela. Escolhemos uma delas (Azoulayet al.12), reconhecendo e demonstrando sua compatibilidade com a Bioética Convergente de Maliandi e Thüer. Trata-se de um ensaio teórico sobre limitação terapêutica, no qual procuramos unir a fundamentação da literatura à aplicabilidade em um caso real de paciente crítica. Acreditamos que este artigo poderá ser um ponto de partida para a difusão da Ética Convergente — trabalho de toda a vida do filósofo Ricardo Maliandi, explicitada, no que tange à Bioética, com auxílio do médico Oscar Thüer — nos cursos de Medicina, trazendo mais segurança e menos solidão ao difícil processo de tomada de decisão inerente à relação médico-paciente ou médico-família, em especial no que se refere à atenção médica no fim da vida.<hr/>ABSTRACT This article points out the deficiency of medical courses in relation to Humanities and argues that the study of Bioethics — a discipline that seeks to integrate the Human and Biological Sciences — can help fill this harmful gap. We present the Convergent Bioethics of Ricardo Maliandi and Oscar Thüer as a valuable theoretical framework able to help physicians to solve or minimize ethical conflicts inherent to their professional practice, without undue unilateralism. Comparing its theoretical foundation with the well-known proposal of Beauchamp and Childress we point out the advantages of the former. We showcase its applicability with the analysis of potential ethical conflicts inferred from information obtained from medical records of a patient admitted tothe Intensive Care Unit of the Hospital Universitário Antônio Pedro. To that end, medical literature was studied in search of probabilistic data about the disease in question (esophageal cancer with fistula, complicated by pulmonary septic shock), noting that these data can help toward gaining a better understanding of the prognosis, but cannot be used by the medical team as support for unilateral decisions about therapeutic limitations. Reading Azoulay's work regarding patients with diseases with poor prognosis who eventually find themselves in intensive care, we highlight his proposal for difficult cases from an ethical point of view, recognizing and demonstrating its compatibility with the Convergent Bioethics of Maliandi and Thüer. This is a theoretical essay on therapeutic limitation, in which we seek to link the literature's foundation to real-case applicability of a critical patient. We believe that this article could be a starting point for the dissemination of Convergent Ethics - developed by the philosopher Ricardo Maliandi and explained with the aid of the physician Oscar Thüer as refers to bioethics — in medical courses, bringing more security and less loneliness in the difficult decision-making process inherent to the relationship between physicians and patient/family, particularly with regard to end of life medical care. <![CDATA[Ethics and Professionalism in Social Media: The Online Behaviour of Medical Students]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300412&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Novo tipo de relação entre médicos e pacientes vem surgindo após a expansão e abrangência das redes sociais. Assim, é necessário rever aspectos da formação de estudantes de Medicina, além de avaliar os benefícios e riscos da utilização dessas redes, no intuito de preservar a confiança e cumplicidade na relação médico-paciente. Objetivos: Descrever o comportamento on-line de estudantes de Medicina, bem como suas opiniões sobre o uso de redes sociais, além de conhecer aspectos da formação médica sobre ética e profissionalismo. Métodos: Estudo transversal realizado em hospitais de ensino de três escolas médicas em Recife (PE) entre 2015 e 2016. Um questionário autoaplicável elaborado pelos pesquisadores foi respondido por 260 estudantes de Medicina dos dois últimos anos do curso (internato). Ao mesmo tempo, os planos de ensino de cada instituição foram analisados separadamente. Os dados obtidos foram analisados por meio dos testes estatísticos Qui-Quadrado de Pearson, teste Exato de Fisher, Kruskal-Wallis e McNemar. Para a parte do questionário do tipo escala Likert foi calculado o ranking médio das respostas dos participantes, assim como o Alpha de Cronbach. O projeto foi submetido à apreciação ética com posterior aprovação e todos os participantes concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: Entre os estudantes, 41,5% (108) afirmaram ter postado fotos ou vídeos mostrando consumo de bebidas alcoólicas ou cigarro e 32,3% (84) postaram fotos ou vídeos com pacientes em rede social. Foi observada diferença estatisticamente significativa (p&lt;0,001) entre as instituições pesquisadas quanto à postagem de fotos ou vídeos com pacientes, uma vez que os estudantes da instituição III relataram menor postagem (14,3% ou 12 participantes). Na análise das respostas dos estudantes das três instituições, foi observada relação de tendência inversa entre “postagem de fotos ou vídeos com pacientes” e “abordagem de profissionalismo on-line na graduação”. Na instituição III, onde menor quantidade de estudantes relatou postagens em rede social com pacientes, maior quantidade deles relatou abordagem de questões sobre profissionalismo on-line na graduação (26,2% ou 22 participantes). Entre os pesquisados, 79% (205) concordaram em que certos conteúdos do perfil pessoal do Facebook do médico podem difamar a reputação deste. Em relação à abordagem de questões sobre profissionalismo on-line na graduação médica, 80,8% (210) dos participantes disseram que não tiveram essa abordagem. Na análise dos planos de ensino, apenas a instituição III apresentou um eixo curricular de desenvolvimento profissional e abordagem teórica formal sobre conceitos de ética durante o internato. Conclusão: Um número expressivo de estudantes pesquisados teve comportamentos contrários ao preconizado pelo Código de Ética Médica, resoluções do Conselho Federal de Medicina e guidelines estrangeiras de comportamento em rede social. É possível que a abordagem do profissionalismo e da ética na formação acadêmica tenha repercussão nos comportamentos de estudantes de Medicina na rede social. Estudos que poderiam estabelecer relação de causa e efeito são necessários para confirmar se há relação entre comportamentos on-line de estudantes e abordagem de ética e profissionalismo na graduação. Por fim, observa-se, nas escolas médicas pesquisadas, escassez da abordagem do tema profissionalismo on-line.<hr/>ABSTRACT A new type of doctor-patient relationship is emerging due to the widespread use of social media. Therefore, a review of certain aspects of medical education is needed in order to preserve the trust and cooperation of the doctor-patient relationship. Objectives: To describe the online behaviour of medical students, their opinions the use of social media and to understand aspects of undergraduate medical training regarding ethics and professionalism. Methods: This was a cross-sectional study with a sample of 260 medical students enrolled in the fifth and sixth years at three medical schools in Recife, Pernambuco, Brazil. The data were collected between August 2015 and July 2016 at the teaching hospitals of each medical school. This paper reports the results from a structured questionnaire composed by the authors about online ethics and professionalism and answered by the students. The obtained data were analysed by means of the following statistical tests: Pearson's Chi-square, Fisher's exact test, Kruskal-Wallis and McNemar tests. For the Likert scale-type part of the questionnaire average ranking was calculated for student responses. Cronbach Alpha was also calculated. The study was approved by the Ethics on Research Committee. Informed consent was obtained from all participants. In order to ensure the confidentiality of the results, the medical schools had their names omitted. Results: A total of 84 students (32.3%) reported that they had posted pictures or videos with patients and 108 (41.5%) had posted pictures or videos with alcoholic drinks or cigarettes. A statistically significant difference (p&lt;0.001) was found between the three medical schools relative to students posting pictures or videos with patients. The students from institution number III were the least likely to post photos or videos with patients or with alcoholic drinks or cigarettes, according to their answers to the questionnaire. Furthermore, institution number III also had the highest number of students that reported having addressed issues of online professionalism in medical training (26.2%/22). Analysing the three institutions separately an inverse relationship was found between “posting photos or videos with patients” and “online professionalism during undergraduate training”. Among those surveyed, 79% (205) agreed that some content published by doctors on Facebook might harm the doctor's reputation. Students reported having had no discussions concerning online professionalism during their undergraduate course in 80.8% of the cases. Analysing the curriculum from the three medical schools, only institution number III was found to offer specific content regarding professional development and formally addressed theories regarding concepts of ethics during the medical residency. Conclusion: When we consider the recommendations found in the Code of Medical Ethics, resolutions published by the Brazilian Federal Medical Council (BFMC), and foreign guidelines, it was evident that a large number of students had posted inappropriate content online. A failure to adequately address ethics and professionalism as part of academic training may well play a part in issues related to the behaviour of medical students on social meda. More research into online behaviour and ethics/professionalism taught as part of undergraduate training is needed to infer causal relationships. Finally, it could be concluded that online professionalism was a topic that was scarcely addressed in the curricula of the surveyed medical schools <![CDATA[Development of a Curriculum for Simulated Training of a Laparoscopic anastomosis]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300424&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Introdução: Os programas de simulação permitem um ambiente seguro e eficiente para a aquisição de habilidades cirúrgicas, e o currículo estruturado para realizar um treinamento simulado de uma anastomose intestinal é um exercício educacional valioso para residentes do segundo ano. No momento, inexiste um currículo de treinamento padronizado que possa ser utilizado no ensino da cirurgia laparoscópica básica e avançada por meio da confecção de uma gastroenteroanastomose. Objetivo: Desenvolver um currículo sistematizado para treinamento por simulação de uma anastomose cirúrgica laparoscópica. Métodos: Estudo experimental longitudinal e de caráter quantitativo. A amostra foi de 12 residentes de Cirurgia Geral oriundos de quatro hospitais. O treinamento consistiu na confecção de dez anastomoses, divididas igualmente em cinco sessões e ocorridas num período de seis semanas. A anastomose entre um estômago e um intestino sintéticos por laparoscopia foi realizada numa caixa preta com fios de seda. No final do treinamento, os residentes utilizaram um questionário com a escala de Likert para avaliar o currículo de treinamento proposto. Resultados: Os participantes do treinamento pontuaram muito bem o currículo de treinamento proposto, tendo como itens mais bem avaliados a necessidade de ter o treinamento inserido no hospital de ensino e fazer parte da carga horária obrigatória. Os quesitos com pior avaliação foram as pinças e fios utilizados. Houve redução do tempo operatório, que se aproximou daquele dos experts. Conclusão: Um currículo estruturado para a simulação de uma anastomose gastrojejunal laparoscópica pode ter em sua programação a participação em 20 anastomoses, sendo dez como cirurgião principal e dez como cirurgião assistente. A distribuição dos procedimentos deve ocorrer em cinco sessões, com intervalo aproximado de uma semana e duração de seis semanas. O treinamento com órgãos sintéticos e uma caixa preta deve ser obrigatório, acessível e acompanhado por um cirurgião experiente que forneça um feedback individualizado.<hr/>ABSTRACT Introduction: Simulation programs allow a safe and efficient environment for acquiring surgical skills, and astructured curriculum for simulated bowel anastomosis training provides a valuable educational exercise for second year medical residents. Presently, there is no standardized training curriculum which can be used to teach basic and advanced laparoscopic surgery through the preparation of a gastroenteroanastomose. Objective: To develop a systematized curriculum for training by simulation of a laparoscopic surgical anastomosis. Methods: A longitudinal and quantitative experimental study. The sample consisted of twelve general surgery residents from four hospitals. The training consisted of proceeding ten anastomoses divided equally into five sessions and it took place over a six-week period. Laparoscopy-assisted anastomosis between asynthetic stomach and synthetic bowel was performed in a black box with silk threads. At the end of the training, a Likert scale-basedquestionnaire was answered by the residents to evaluate the proposed training curriculum. Results: The training participants scored the proposed training curriculum very well. The items that recorded the highest evaluation were the need for the training to be offered at the teaching hospital and for it to be a compulsory element of the work. The lowest scoring items were the tweezers and wires used. A reduction in the operation time was observed, taking it close to that achieved by specialist surgeons. Conclusion: A structured curriculum for the simulation of a laparoscopic gastrojejunal anastomosis should foresee participation in 20 anastomoses, 10 as the main surgeon and 10 as the assistant surgeon. The procedures should be distributed over 5 sessions, with an approximate interval of 1 week and over the course of a 6-week period. Training using synthetic organs and a black box should be mandatory, accessible and accompanied by an experienced surgeon who provides individualized feedback. <![CDATA[The Psychological Distress Suffered by Medical Students at a Brazilian Public University from the Viewpoint of their Teachers]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300432&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O sofrimento psíquico do estudante de Medicina é conhecido e já estudado. O papel do professor em detectar dificuldades geradoras de sofrimento psíquico em seus alunos e saber como lidar com elas é fundamental para a prevenção desse sofrimento. Entretanto, nem sempre os professores estão preparados para esses desafios. Objetivo: Estudar a percepção dos docentes do curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em relação ao sofrimento psíquico de seus alunos. Método: Estudo transversal quantitativo realizado com os docentes do ciclo profissional do curso de Medicina da UFMG. A amostra de 102 docentes foi obtida por sorteio aleatório e dividida em quatro estratos: masculino até dez anos de docência, masculino com mais de dez anos, feminino com até dez anos de docência e feminino com mais de dez anos. Foi elaborado um questionário autoaplicativo de 28 itens com cinco opções da escala de Likert. Para análise dos dados foram construídos quatro indicadores: indicador de percepção de sofrimento psíquico (IPSP), indicador de compromisso do professor com as dificuldades emocionais do estudante (ICDE), indicador de atuação frente ao sofrimento psíquico (IAPS) e indicador geral (IG). Realizou-se análise dos quartis e calculou-se a diferença entre os grupos utilizando testes não paramétricos. Cinco questões não incluídas nos indicadores foram analisadas separadamente. Resultados: Dos 102 sorteados, 79 docentes responderam e sete se negaram a participar da pesquisa. Foi constatada preocupação com o sofrimento psíquico dos estudantes, variável entre os estratos. Para o IG, as professoras com mais tempo de docência obtiveram a mediana mais elevada em relação aos homens com menos tempo (p&lt;0,05). Para os demais indicadores, apesar da diferença entre os quartis, a comparação das medianas não mostrou diferenças estatisticamente significativas. Para as perguntas não incluídas nos indicadores, do total de professores, 85% já tiveram alunos com dificuldades emocionais. Os homens, com maior frequência, afirmaram desconhecer a existência de problemas emocionais entre os estudantes. Houve desconhecimento das instâncias de acolhimento psicólogico aos estudantes por 16,5% dos professores. A ocorrência de bullying na FMUFMG não foi percebida por mais de 50% dos professores. Apenas 28% admitiram que seus atos ou atitudes teriam desencadeado sofrimento psíquico no estudante. Ao se perguntar sobre apoio ao professor, 75,9% desejavam uma instância de apoio emocional ao professor. Conclusão: Este estudo, apesar das limitações, é inédito ao avaliar a percepção do docente do curso de Medicina em relação ao sofrimento psíquico dos estudantes. Tempo de docência e sexo feminino parecem exercer um papel importante na percepção do docente sobre o sofrimento psíquico do estudante. Parcela significativa de professores desconhece a existência das instâncias de apoio psicológico aos estudantes. Situações de assédio e bullying na escola médica permanecem negadas por muitos docentes.<hr/>ABSTRACT The psychological distress suffered by medical students is well-known. The role of the teaching staff in detecting difficulties causing students psychological distress and their knowledge of how to handle them is fundamental for preventing such problems. However, medical teachers are not always prepared to deal with these challenges. Objective: To study the perception of the teaching staff of the medical school at the Universidade Federal de Minas Gerais (FMUFMG) concerning the psychological distress of the students. Method: A cross-sectional quantitative study carried out with the faculty of the UFMG medical school. The sample of 102 teachers was obtained by random draw and divided into four groups: males with up to ten (10) years of teaching, males with more than ten (10) years, females with up to ten (10) years of teaching, and females with more than ten (10)years. A self-applied 28-item questionnaire with a 5-point Likert scale from strongly agree to strongly disagree was prepared. For the data analysis four indicators were elaborated: psychological distress perception indicator (IPSP), commitment of the teacher to the student emotional difficulties indicator (ICDE), performance in the face of psychological distress indicator (IAPS) and a general indicator (IG). Quartile analysis was carried out and the difference among the groups was calculated using nonparametric tests. Five questions that were not included in the indicators were independently analyzed. Results: Seven teachers refused to participate and 79 answers were collected. The results showed varying degrees of concern among the groups in relation to the psychological distress of students. For the IG, the female teachers with longer teaching experience obtained a higher median in relation to the men with less teaching experience (p&lt;0.05). For the other indicators, despite the difference between the quartiles, the comparison of the medians showed no statistically significant differences. For questions not included in the indicators, it was shown that 85% of the sample had perceived psychological distress among their students. Male teachers more frequently deny psychological distress among students. 16.5% of the teachers did not know of any instances of institutional psychological care. The occurrence of bullying failed to be noted by more than 50% of the teachers. Only 28% of the teachers admitted that their actions or attitudes could precipitate a student's psychological distress. When questioned about emotional support for teachers, 75.9% would appreciate some institutional support. Conclusion: The present study, despite its limitations, is unique in assessing the perception of the medical teaching staff in relation to the psychological distress of the students. Teaching experience and being female seem to play an important role in the teacher's perception of psychological distress among students. A significant portion of the teaching staff ignores the existence of psychological support programs for students. <![CDATA[Profile of the Main Authors of the Brazilian Journal of Medical Education between 2006 and 2015: Perspectives for a New Future?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300442&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO As mudanças sociais pelas quais o Brasil passou nos últimos anos foram acompanhadas de mudanças na formação médica, que passa a ser, ela própria, objeto de pesquisa. De fato, as iniciativas de incentivo à formação de profissionais para atuação no ensino em saúde têm aumentado a produção científica na educação médica. Para compreender este campo de pesquisa, é importante conhecer o perfil de seus pesquisadores. No Brasil, um indicativo deste perfil poderia ser inferido com base nas características dos principais autores de artigos publicados no periódico especializado da área, a Revista Brasileira de Educação Médica (RBEM), na última década. Assim, para compreender a educação médica enquanto campo de pesquisa, realizamos um estudo bibliométrico para caracterizar o perfil dos principais autores da RBEM no período de 2006 a 2015. Foram identificados todos os autores de comunicações científicas publicadas na RBEM, incluindo para análise aqueles com pelo menos cinco publicações na revista no período. Suas informações profissionais foram extraídas de seus currículos publicados na Plataforma Lattes. Os dados foram analisados de forma descritiva. Foram identificados 2.191 autores, tendo-se analisado 39. Entre os autores analisados, 64,1% são médicos, e outros são psicólogos, pedagogos, enfermeiros e cientistas sociais. A maioria (71,8%) concluiu a graduação entre 1970 e 1989. Quase 90% dos autores têm doutorado, sendo que 46,2% concluíram o doutorado na década de 2000; 41% dos autores realizaram algum curso de especialização em ensino, principalmente nas décadas de 1990 e 2000; 76,9% dos autores estão no Sudeste, com 48,7% em São Paulo. O intervalo médio entre a publicação do primeiro artigo científico e o primeiro artigo em educação médica foi de mais de 22 anos entre os formados na década de 1970, enquanto para os formados na década de 1990 esse intervalo foi de 8,5 anos. Comparando os dados obtidos com referenciais bibliométricos e com uma perspectiva histórico-fatual da educação médica no Brasil, apontamos a consolidação da educação médica como campo de pesquisa, com a profissionalização específica crescente de seus investigadores.<hr/>ABSTRACT The social changes that Brazil has faced in the last years were accompanied by changes in medical education in such a way that it became a research object. Actually the initiatives to improve the human sources to work in health sciences education have led to an increase in the scientific output in medical education. Knowing the researchers' profile is important to understand medical education as a scientific field. Among us, in Brazil, their profiles could be inferred through the analyses of the main authors of articles published in the Brazilian Journal of Medical Education (RBEM) in the last ten years, because it is the national leading specialized journal in medical education. Therefore, in order to understand this field of investigation we performed a bibliometric study to characterize the main authors' profile of the RBEM from 2006 to 2015. We added all authors of scientific communications published in the period and we analyzed those with at least five publications. Their professional information was extracted from the Lattes Platform. Data were assessed descriptively. We identified 2,191 different authors and included thirty nine. Among the included authors, 64.1% are physicians and the others are psychologists, pedagogues, nurses and sociologists. The majority of authors (71.8%) completed graduation between 1970 and 1989. Almost 90% have a PhD degree and 46.2% acquired it in the 2000s. Forty one percent of the authors accomplished some specialization training in the field of education, mainly between 1990 and 2000. The majority of the authors (76.9%) are in the Southeast region of Brazil, especially in the state of São Paulo (48.7%). The mean interval from the first scientific publication to the first scientific publication in medical education was 22 years among the authors graduated in the 1970s. On the other hand, this interval decreased to 8.5 years for those graduated in the 1990s. We compared our data to other bibliometric data and to a historical perspective of Brazilian medical education in such a way that we can conclude that there is a consolidation of medical education as a research field with increasing specific professionalization of the interested investigators. <![CDATA[Medical Humanities – Methodology Used in the Medical Course of Centro Universitário Lusíada (Unilus)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000300449&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Na atualidade, não há mais dúvidas sobre a importância das ciências humanas e humanidades no currículo médico, isto já é consenso. É necessário retomar, pelo menos parcialmente, a capacidade de empatia e comunicação dos futuros médicos, a exemplo do que se tinha outrora, além do olhar sistêmico para que os pacientes possam se sentir mais bem acolhidos, o que é muito bem ilustrado no texto da médica Tatiana Bruscky, produzido pela Ria Slides: “Onde andará o meu doutor”4. No entanto, ainda não foi encontrada uma forma sistematizada de trabalhar esses conceitos, apesar das iniciativas que vêm ocorrendo no Brasil, principalmente após 2014, visto que as Diretrizes Curriculares para os cursos de graduação em Medicina inseriram ainda mais aspectos relacionados à comunicação médico-paciente. Introduzir esses assuntos e discussões no ensino dos cursos de Medicina é uma tarefa difícil, pois, quase sempre, dosar teoria e prática e tornar as disciplinas que as compõem atrativas e valorizadas pelos alunos são um grande desafio. Não existem parâmetros claros e nem descrições pormenorizadas das metodologias utilizadas, apenas breves relatos. Este artigo aborda, detalhadamente, uma das formas de ensinar humanidades no curso de Medicina do Centro Universitário Lusíada (Unilus), descrevendo a metodologia passo a passo, a experiência e alguns resultados desde a sua implantação em 2010, com uma estação denominada Comunicação, pertencente à disciplina de Habilidades Práticas. Ela é desenvolvida nos três primeiros anos, sendo que no primeiro o foco é a comunicação entre médico, paciente e familiares em situações diversas de consulta; no segundo ano, é a comunicação de más notícias, enquanto no terceiro o enfoque são os cuidados na comunicação do pré e pós-operatório. Por meio de simulações, os alunos conseguem treinar e refletir sobre uma vasta gama de casos e contextos, dos mais simples aos mais complexos. O intuito é compartilhar a didática aplicada e estimular a discussão e a troca de experiências entre profissionais interessados e comprometidos com a excelência na formação médica.<hr/>ABSTRACT At the present there is no longer any doubt about the importance of human sciences and humanities in the medical curriculum. This is already a consensus. It is necessary to resume at least partially the ability of future doctors to empathize and communicate as in the past in addition to the systemic view so that patients can feel better welcomed which is very well illustrated in the text of the doctor Tatiana Bruscky produced by Ria Slides: “Onde andará o meu doutor”4. However, finding a systematized way of working on these concepts still does not exist despite the initiatives that have been taking place in Brazil, especially after 2014, since the Curriculum Guidelines for undergraduate courses in Medicine have inserted even more aspects related to this medical / patient communication. Introducing these subjects and discussions in the teaching of medical courses is a difficult task since almost always dosing theory and practice and making the disciplines attractive and valued by the students is a great challenge. There are no clear parameters or detailed descriptions of the methodologies used only brief reports. This article seeks to address in detail one of the ways of teaching humanities in the Centro Universitário Lusíada (Unilus) medical course, describing the step-by-step methodology, experience and some results since its implementation in 2010 with a Station called Communication belonging to the discipline of Practical Skills. It is developed in the first three years. In the first year the focus is the communication between doctor and patient/family in different consultation situations. The second year is the communication of bad news while in the third the focus is the communication of pre and postoperative. In that way students can train and reflect through simulations a wide range of cases and contexts from the simplest to the most complex. The purpose is to share applied didactics and stimulate the discussion and exchange of experience among interested professionals committed to excellence in medical education.