Scielo RSS <![CDATA[Revista Brasileira de Educação Médica]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0100-550220170004&lang=en vol. 41 num. 4 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[The Teaching of Clinical Skills and the Applicability of a Simplified Guide to Physical Examination in Undergraduate Medical Training]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400457&lng=en&nrm=iso&tlng=en ABSTRACT Introduction: Despite technological advances, anamnesis and physical examination remain the most important and effective diagnostic tools in a clinical case. However, many students complete their medical degree lacking these essential skills. The unstandardized character of the physical examination is considered one of the major hurdles in the teaching-learning of this practice. Objective: To evaluate the clinical skills of medical students and the applicability of a simplified physical examination guide for the improvement of these skills. Methods: This was an analytical and quantitative-approach study, which compared before-and-after information among general medicine student interns from January to February 2014. The students were trained with the simplified guide for a 3-week period. The students had their clinical examination evaluated in 13 items: vital signs, oral cavity examination, ophthalmoscopy, otoscopy, thyroid examination, cardiovascular, pulmonary, abdominal examination, lymph nodes, anthropometric measurements, ankle-brachial index (ABI), neurological examination, examination of the breast (female patients) or testicles (male patients). The result of each part of the examination was classified into three categories: complete assessment, partial assessment and absent assessment. Results: A total of 31 students participated. Significant improvement was found in almost all items in relation to the complete evaluation after training with the guide: cardiovascular system (3.23% versus 74.19%, before and after training, respectively, p &lt; 0.01), pulmonary system (22.58% versus 90.32%, p &lt; 0.01), abdomen (22.58% versus 74.19%, p = 0.01), vital signs (16.13% versus 100%, p &lt; 0.01), palpation of lymph nodes (6.45% versus 77.42%, p &lt; 0.01), neurological examination (0% versus 22.58%, p = 0.02), thyroid palpation (0% versus 61.29%, p &lt; 0.01), examination of oral cavity (6.45% versus 67.74%, p &lt; 0.01), anthropometric measurements (0% versus 45.16%, p &lt; 0.01), breast examination (0% versus 36.84%, p = 0.02), ophthalmoscopy (0% versus 32.26%, p &lt; 0.01), otoscopy (0% versus 64.52%, p &lt; 0.01); evaluation of the ankle-brachial index (0% versus 83.87%, p &lt; 0.01), examination of the testicles (0% versus 8.33%, p = 1.0). A 280.7% increase was also observed in the students’ median score after training (1.92 versus 7.31 points, P &lt; 0.001). There was no significant correlation between student performance and time on the medical course (R2 = 0.1242; P = 0.0515). Conclusions: There is a large deficit in teaching clinical skills during undergraduate medical courses. As an effective solution, a simplified sequential clinical examination guide can serve as training for medical students.<hr/>RESUMO Introdução: Apesar dos avanços tecnológicos, a anamnese e o exame físico permanecem as ferramentas diagnósticas mais importantes e eficazes diante de um caso clínico. No entanto, muitos alunos concluem o curso médico com deficiências nessas habilidades essenciais. A falta de padronização do exame físico é considerada uma das principais dificuldades no ensino-aprendizagem. Objetivo: Avaliar as habilidades clínicas dos estudantes do internato de Medicina e a aplicabilidade de um guia simplificado de exame físico para o aperfeiçoamento dessas habilidades. Métodos: O estudo foi analítico, quantitativo do tipo comparativo antes e depois, realizado com alunos de Medicina em estágio de Clínica Médica no período de janeiro a fevereiro de 2014. Os estudantes foram treinados com o guia simplificado por um período de três semanas. Os alunos tiveram seu exame clínico avaliado em 13 itens: sinais vitais, exame da cavidade oral, fundoscopia, otoscopia, exame da tireoide, exame cardiovascular, pulmonar, abdominal, linfonodos, medidas antropométricas, índice tornozelo-braquial (ITB), exame neurológico, exame das mamas (pacientes mulheres) ou dos testículos (pacientes homens). O resultado da avaliação de cada item foi classificado em três categorias: avaliação completa, avaliação parcial e avaliação ausente. Resultados: Ao todo, participaram 31 estudantes. Observou-se melhora significativa de quase todos os itens em relação à avaliação completa após a capacitação com o guia: sistema cardiovascular (3,23% versus 74,19%, antes e depois do treinamento, respectivamente, p &lt; 0,01); sistema pulmonar (22,58% versus 90,32%, p &lt; 0,01); abdome (22,58% versus 74,19%, p = 0,01); sinais vitais (16,13% versus 100%, p &lt; 0,01); palpação de linfonodos (6,45% versus 77,42%, p &lt; 0,01); exame neurológico (0% versus 22,58%, p = 0,02); palpação da tireoide (0% versus 61,29%, p &lt; 0,01); exame da cavidade oral (6,45% versus 67,74%, p &lt; 0,01); medidas antropométricas (0% versus 45,16%, p &lt; 0,01); exame das mamas (0% versus 36,84%, p = 0,02); fundoscopia (0% versus 32,26%, p &lt; 0,01); otoscopia (0% versus 64,52%, p &lt; 0,01); avaliação do índice tornozelo-braquial (0% versus 83,87%, p &lt; 0,01); exame dos testículos (0% versus 8,33%, p = 1,0). Foi possível observar também um aumento de 280,7% na pontuação mediana do desempenho dos alunos após o treinamento (1,92 versus 7,31 pontos, P &lt; 0,001). Notou-se ausência de correlação significativa entre o desempenho dos alunos e o tempo de permanência no curso (R2 = 0,1242; P = 0,0515). Conclusões: Há um déficit grande no ensino de habilidades clínicas durante a graduação de Medicina. Como uma solução eficaz, um guia simplificado sequencial de exame clínico pode servir no treinamento de estudantes de Medicina <![CDATA[Maliandi’s Bioethics in Undergraduate Medicine Courses]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400468&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Este artigo sublinha a patente deficiência dos currículos de Medicina em relação às Ciências Humanas e defende que o estudo da Bioética — disciplina que procura integrar as Ciências Humanas às Ciências Biológicas — poderá ajudar a preencher essa nociva lacuna. Apresentamos a Bioética Convergente de Ricardo Maliandi e Oscar Thüer como um valioso arcabouço teórico capaz de auxiliar o médico a protagonizar a resolução dos conflitos éticos inerentes à sua prática profissional, sem incorrer em unilateralidade. Comparamos sua fundamentação teórica com a conhecida proposta, também principialista, de Beauchamp e Childress, apontando as vantagens daquela em relação a esta. Exemplificamos sua aplicabilidade com a análise de potenciais conflitos éticos inferidos de informações obtidas em prontuário de uma paciente internada no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Universitário Antônio Pedro. Para a realização dessa análise, buscamos, na literatura médica, dados probabilísticos em relação à doença em questão (neoplasia de esôfago com fístula traqueoesofageana complicada por choque séptico pulmonar), ressaltando que esses dados podem ajudar na melhor compreensão do prognóstico, sem que por isso possam ser utilizados como respaldo da equipe médica para decisões unilaterais de limitação terapêutica. A literatura médica também nos brindou com propostas de condução de casos difíceis do ponto de vista ético, como o da paciente em tela. Escolhemos uma delas (Azoulay et al.12), reconhecendo e demonstrando sua compatibilidade com a Bioética Convergente de Maliandi e Thüer. Trata-se, portanto, de um ensaio teórico sobre limitação terapêutica, no qual procuramos unir a fundamentação da literatura à aplicabilidade em um caso real de paciente crítica. Acreditamos que este artigo poderá ser um ponto de partida para a difusão da Ética Convergente — trabalho de toda a vida do filósofo Ricardo Maliandi, explicitada, no que tange à Bioética, com auxílio do médico Oscar Thüer — nos cursos de Medicina, trazendo mais segurança e menos solidão ao difícil processo de tomada de decisão inerente à relação médico-paciente ou médico-família, em especial no que se refere à atenção médica no fim da vida.<hr/>ABSTRACT This article points out the deficiency of medical courses in relation to Humanities and argues that the study of Bioethics — a discipline that seeks to integrate the Human and Biological Sciences — can help fill this harmful gap. We present the Convergent Bioethics of Ricardo Maliandi and Oscar Thüer as a valuable theoretical framework able to help physicians to solve or minimize ethical conflicts inherent to their professional practice, without undue unilateralism. Comparing its theoretical foundation with the well-known proposal of Beauchamp and Childress we point out the advantages of the former. We showcase its applicability with the analysis of potential ethical conflicts inferred from information obtained from medical records of a patient admitted tothe Intensive Care Unit of the Hospital Universitário Antônio Pedro. To that end, medical literature was studied in search of probabilistic data about the disease in question (esophageal cancer with fistula, complicated by pulmonary septic shock), noting that these data can help toward gaining a better understanding of the prognosis, but cannot be used by the medical team as support for unilateral decisions about therapeutic limitations. Reading Azoulay's work regarding patients with diseases with poor prognosis who eventually find themselves in intensive care, we highlight his proposal for difficult cases from an ethical point of view, recognizing and demonstrating its compatibility with the Convergent Bioethics of Maliandi and Thüer. This is a theoretical essay on therapeutic limitation, in which we seek to link the literature's foundation to real-case applicability of a critical patient. We believe that this article could be a starting point for the dissemination of Convergent Ethics — developed by the philosopher Ricardo Maliandi and explained with the aid of the physician Oscar Thüer as refers to bioethics — in medical courses, bringing more security and less loneliness in the difficult decision-making process inherent to the relationship between physicians and patient/family, particularly with regard to end of lifemedical care. <![CDATA[Mental Health Educational Program for Primary Health Care Physicians]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400478&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Introdução: A Estratégia de Saúde da Família e a Reforma da Assistência Psiquiátrica Brasileira têm trazido contribuições importantes para a melhora da atenção em saúde no País. Ambas defendem os princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS) e propõem uma mudança no modelo de assistência à saúde, privilegiando a descentralização e a abordagem comunitária/familiar em detrimento do modelo tradicional, centralizador e voltado para o hospital Objetivos: Este artigo objetiva fornecer elementos práticos que poderão servir de modelo para a implantação de estratégias educacionais em saúde mental, para médicos que atuam na atenção básica, no contexto da realidade brasileira. Métodos: Trata-se de um estudo de investigação educacional, de enfoque qualitativo, construído com base na metodologia de triangulação de dados, colhidos em revisão da literatura, aplicação de questionários e grupos focais. O estudo foi conduzido na cidade de Sobral (CE) e contou com a participação de 26 médicos, lotados em 28 Unidades Básicas de Saúde, além de três docentes de escolas médicas brasileiras. Resultados: A maioria dos médicos de família se sentiu despreparada para o atendimento das demandas de saúde mental e identificou falhas importantes na formação durante a graduação médica. Segundo eles, os temas de saúde mental foram insuficientes, de cunho eminentemente hospitalar, curativo e fora do contexto da atenção comunitária. Em alguns casos, a formação ocorreu de maneira bastante negativa, reforçando preconceitos e tabus em relação ao atendimento psiquiátrico e criando barreiras que dificultaram o interesse e a disponibilidade desses médicos para atender pacientes portadores de transtornos mentais. A estratégia educacional resultante deste estudo oferece às equipes de saúde e às instituições formadoras de recursos humanos referências conceituais, práticas e metodológicas para a elaboração de programas de qualificação em saúde mental, no contexto da atenção básica à saúde. Conclusões: As ferramentas de identificação de necessidades de aprendizado em saúde utilizadas neste estudo mostraram-se úteis na elaboração de programas de educação permanente junto aos profissionais da rede básica. Para maior validação da proposta, recomenda-se sua aplicação e avaliação em outros municípios brasileiros.<hr/>ABSTRACT Introduction: Brazilian primary health care and mental health policies have contributed significantly to improving health care in the country. Both defend the basic principles of the Unified Health System (SUS) and propose a change in the health care model, focusing on a decentralized, community/family-oriented approach, rather than the traditional centralized, hospital-oriented model. Objective: This article aims to provide practical elements, which may serve as a model for the implementation of mental health education programs for primary health care physicians who work in Brazil. Methods: Learning needs in mental health were identified using data triangulation methodology that drew on literature review, questionnaires and focus groups. The study was conducted in the town of Sobral,, Ceará, with the participation of 26 family physicians from 28 Basic Health Units and three psychiatry professors from Brazilian medical schools. Results: Most of the family doctors felt unprepared to solve mental health problems and identified major gaps in their medical training. They reported that the focus on mental health issues was insufficient, and centered on the hospital setting and healing, rather than in the context of community care. The educational program developed provides health teams and health education institutions with the conceptual, practical and methodological framework for primary-level mental health education initiatives. Conclusion: The tools to identify health learning needs proved useful in the development of continuing education programs together with primary health professionals. For the purposes of validation, it is suggested that this program be tested in different Brazilian cities followed by thorough evaluation. <![CDATA[Evolutionary Medicine: Incorporating Evolutionary Theory on the Formation of Brazilian Health Professionals]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400487&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O objetivo deste trabalho é apresentar a Medicina Evolutiva à comunidade de educação médica brasileira. A Medicina Evolutiva pode ser definida como a aplicação da teoria da evolução por seleção natural à compreensão de problemas de saúde humana. Essa abordagem inovadora provê a medicina de um quadro teórico organizado que contribui para explicar uma grande diversidade de afecções importantes. Originada em princípios da década de 1990, a Medicina Evolutiva procura explicar as doenças tanto com base em causas fisiológicas próximas, normalmente mobilizadas pela medicina, quanto com base em causas evolutivas distantes, responsáveis pelo aparecimento e manutenção, ao longo da história da Terra, de estruturas biológicas úteis e funcionais. A Medicina Evolutiva está estruturada em torno da ideia principal de que as características biológicas funcionais resultam de processos evolutivos, adaptativos. Procura-se com isso entender muitas doenças em termos de vulnerabilidades das adaptações legadas por nossa herança filogenética, como no caso de desajustes do corpo humano em relação ao ambiente moderno. Além de apresentar uma definição de Medicina Evolutiva, discutimos dois problemas que têm sido abordados à luz da teoria da evolução por seleção natural. Em primeiro lugar, discutimos como a emergência e a distribuição geográfica e étnica da intolerância à lactose (e sua contrapartida, a persistência da lactase) só podem ser compreendidas considerando-se a história evolutiva recente de nossa espécie, incluindo suas transformações culturais. As limitações de explicações prévias que prescindiam desses fundamentos são apresentadas. Em seguida, abordamos o caso das hérnias discais. Tentamos demonstrar as relações entre essa condição e os desajustes da postura bípede ao estilo de vida moderno. A compreensão desse desajuste e as restrições à ação da seleção natural ao adaptar a estrutura quadrúpede a uma vida bípede estão entre os conceitos específicos utilizados para formular uma hipótese com potencial diagnóstico relevante. Concluímos este ensaio sugerindo maneiras pelas quais estudantes de Medicina poderiam incorporar esse saber relativamente novo em sua formação.<hr/>ABSTRACT The aim of this paper is to introduce some principles of Evolutionary Medicine to the community of medical educators in Brazil. Evolutionary Medicine can be defined as the application of the theory of evolution through natural selection to the understanding of human health problems. This innovative approach provides the medical field with a theoretical framework which contributes to the explanation of a great variety of serious disorders. Evolutionary Medicine, which dates back to the early 1960s, aims to explain diseases based both on recent physiological causes — those most commonly addressed by medicine — and on more distant evolutionary causes — those responsible for the emergence and survival of useful and functional biological structures throughout the history of the planet. Evolutionary Medicine rests on the assumption that functional biological characteristics are the result of evolutionary adaptive processes. Therefore, it is possible to analyze a great number of diseases in terms of adaptive vulnerabilities connected to our phylogenetic inheritance, such as human bodily inadequacies in relation to the modern environment. Besides presenting a definition of Evolutionary Medicine, this paper discusses two health problems recently dealt with in the light of the theory of evolution through natural selection. First, we discuss how the appearance, the ethnic and geographic distribution of lactose intolerance (and, on the other hand, the persistence of lactase) can only be understood taking our species’ recent evolutionary history (including its cultural transformations) into consideration. The limitations faced by previous explanations, which lacked evolutionary causes — are discussed. Secondly, the paper discusses herniated spinal disc, trying to demonstrate the link between this condition and the adaptation problems that bipedal posture may entail in view of the demands of modern lifestyle. The understanding of such problems of adaptation, combined with restrictions to natural selection pressures when adjusting a quadruped structure to a biped lifestyle, serve as the basis for the development of specific concepts used to formulate a hypothesis with relevant diagnostic potential. Finally, the paper describes ways in which medical students could incorporate this relatively new knowledge into their education. <![CDATA[The Use of the Internet and Social Networks and the Relationship with Symptoms of Anxiety and Depression among Medical Students]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400497&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Introdução: A internet é uma ferramenta imprescindível na atualidade, pois possibilita acesso fácil e rápido às informações e a manutenção de laços afetivos por meio das redes sociais. Entretanto, quando se percebe um uso descontrolado e desadaptativo, ocorre a chamada adicção por internet (AI). Estudos prévios investigaram diversas comorbidades associadas a esse transtorno, gerando um importante conhecimento importante para a conduta clínica. Objetivo: Investigar a correlação entre indicadores do uso de internet e redes sociais e a presença de sintomas ansiosos e depressivos. Métodos: Estudo descritivo, transversal, quantitativo, com amostragem por conveniência, realizado com estudantes de Medicina no ano de 2015. Os sintomas ansiosos e depressivos foram analisados por meio do Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) e do Inventário de Depressão de Beck (BDI), respectivamente. Além disso, utilizou-se um questionário confeccionado pelos pesquisadores com base no Internet Addiction Test (IAT). Resultados: Dos 169 estudantes que participaram da pesquisa, 98,8% (167) fazem uso diário de internet e/ou redes sociais. Foi avaliada a prevalência de diversos indícios do uso prejudicial da internet, bem como a concepção dos participantes sobre seu uso. Não foi encontrada associação estatística entre o tempo gasto na internet e a presença de sintomas ansiosos e depressivos com os escores BAI e BDI. Contudo, foram percebidas algumas associações estatisticamente significativas com os resultados dos escores BAI e BDI tanto com indicadores da necessidade de verificação da internet quanto com indicativos do uso desadaptativo da internet. Conclusão: O presente estudo ratifica achados prévios na literatura que apontam que a AI não está necessariamente relacionada com o tempo gasto na internet, mas com o padrão desadaptativo do uso. Os resultados aqui encontrados podem servir de base para futuras intervenções em instituições de ensino que busquem minimizar o prejuízo desse transtorno cada vez mais presente.<hr/>ABSTRACT Introduction: The internet is now an essential tool, through which people enjoy easy and rapid access to information and can maintain personal relationships through social networks. However, when its use becomes uncontrolled and maladaptive, what can entail is known as Internet Addiction (IA). In previous studies, several comorbidities associated with this disorder have been investigated, generating knowledge that is important for clinical management. Objective: To investigate the correlation between indicators of internet use and social networks with the presence of symptoms of anxiety and depression. Methods: A descriptive, cross-sectional, quantitative study with convenience sampling, carried out with medical students in 2015. The anxiety and depression symptoms were analyzed through the Beck Anxiety Inventory (BAI) and the Beck Depression Inventory (BDI), respectively. In addition, a questionnaire made by the researchers based on the internet Addiction Test (IAT) was used. Results: Out of the 169 students who participated in the research, 98.8% (167) use the internet and/or social networks on a daily basis. The prevalence of various indications of the harmful use of the internet was evaluated, as well as the participants’ conception of its use. No statistical association was found between the time spent on the internet and the presence of symptoms of anxiety and depression, according to the BAI and BDI scores. However, some statistically significant associations were observed between the results obtained from the BAI and BDI and indicators of the need for internet verification as well as signs of maladaptive use of the internet. Conclusion: The present study ratifies the previous findings in the literature by pointing out that IA is not necessarily related to the time spent on the internet, but rather to a maladaptive pattern of use. The results found here may serve as basis for future interventions in educational institutions that seek to minimize the damage of this disorder, which has become increasingly present. <![CDATA[What Have I Learned with PET? Repercussions of Working in the Unified Health System as part of Professional Training]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400505&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O Programa de Educação pelo Trabalho (PET) desenvolvido na UFCSPA, apoiado na proposta da política da Rede Cegonha, realizou diversas atividades com vistas à qualificação da rede de atenção à saúde materno-infantil da Zona Norte da cidade de Porto Alegre (RS). O PET-Saúde/Subprojeto Rede Cegonha auxiliou na integração e articulação dos diferentes níveis de complexidade no cuidado da saúde da mulher, da criança e da família, bem como qualificou a formação dos acadêmicos e dos profissionais da rede. Este estudo buscou realizar uma avaliação de alunos de diferentes cursos de graduação da área da saúde (Biomedicina, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia, Medicina, Enfermagem) acerca de sua inserção no PET, investigando suas vivências e a contribuição dessa experiência para a sua formação profissional. Foram entrevistados, por meio de perguntas abertas e semiabertas enviadas por e-mail, 12 alunos bolsistas atuantes no PET Rede Cegonha UFCSPA por um período de 12 meses. Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo qualitativa. Os depoimentos dos bolsistas demonstram uma ampliação do conhecimento sobre o sistema de saúde como um todo, em especial a atenção básica, e sobre as possibilidades de atuação profissional. Destacou-se também a importância das vivências nos locais de prática e a interdisciplinaridade na atenção em saúde, bem como uma aprendizagem ativa e o reconhecimento de um novo modelo de atuação, focado na intervenção grupal, educativa e contextualizada na esfera da promoção de saúde materno-infantil. Esses achados indicam a relevância da inserção de alunos de graduação no PET e o alcance das metas dessa proposta, devido à ampliação dos conhecimentos sobre saúde pública e o direcionamento precoce do interesse profissional para a atuação nesse contexto. A participação no PET mostrou-se um importante processo multiplicador e motivador de práticas integradas e interdisciplinares no campo da assistência em saúde.<hr/>ABSTRACT The Education Through Work Program (Programa de Educação pelo Trabalho — PET), developed at UFCSPA, and supported by the Rede Cegonha public policy proposal, developed several activities aimed at qualifying the maternal and child health care network in the northern area of the city of Porto Alegre (RS). The PET-Saúde /Rede Cegonha Project helped the integration and coordination of different levels of complexity in the health care of women, children and families, as well as qualifying and training academics and health care professionals. This study aimed to evaluate the participation in PET activities by students from different undergraduate health care courses (Biomedicine, Psychology, Nutrition, Physiotherapy, Medicine, Nursing), investigating their experiences and the contribution of these experiences to their professional qualification. Twelve students, who participated in the PET Rede Cegonha UFCSPA Project for 12 months, were interviewed, through open and semi-open questions presented via email. Data were analyzed through a qualitative content analysis. The accounts given by the scholarship holders showed increased knowledge about the health system as a whole, especially basic health care, as well as the possibilities of professional work experience. It also highlighted the importance of experiences in practical work settings and of the interdisciplinary character of health care, as well as active learning and the recognition of a new, group-focused model of action, and educational and contextualized interventions in the scope of maternal and child health promotion. These findings indicate the relevance of undergraduate health students being inserted into PET and the achievement of the initiative's goals, bearing in mind the increased knowledge regarding public health and the early targeting of professional interests for this context. Participation in PET proved to be an important multiplier and motivating aspect of integrated and interdisciplinary practices in the field of health care. <![CDATA[Comprehensive Care in Health Teaching: A Systematic Review]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400515&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O preparo de profissionais de saúde na perspectiva da integralidade e o interesse coletivo pela democratização da saúde motivam a transformação da realidade desarticulada e individualista do serviço. O cuidado inserido no conceito de integralidade permeia a teia de ações de saúde e efetiva a articulação do ensino-serviço e a conexão entre saberes e fazeres no alcance de competências para a integralidade. O objetivo deste estudo é verificar sobre o que versam as publicações entre 2010 e junho de 2016 quanto à integralidade do cuidado no ensino na área da saúde. Optou-se pela revisão sistemática, conduzida pelo Prisma-P. Realizaram-se buscas de artigos nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed. Uma vez aplicados os critérios de inclusão e exclusão, resultaram 35 artigos, que foram avaliados por dois revisores à luz do Critical Appraisal Checklist for Interpretative and Critical Research (JBI Qari), totalizando 32 estudos incluídos nesta revisão. Da análise dos estudos emergiram quatro categorias: formação sob o eixo da integralidade, integralidade sob a perspectiva dos estudantes, integralidade sob a perspectiva dos docentes e ensino da integralidade do cuidado. Esta revisão sistemática possibilitou desenvolver um modelo conceitual de busca pela integralidade, o qual tem, de um lado, o ensino/formação por meio das instituições de ensino superior, e, do outro, os cenários de prática/serviços de saúde, onde se efetivam as ações de atenção à saúde. É essencial a articulação de propostas curriculares inovadoras com os princípios do Sistema Único de Saúde e políticas públicas de saúde, para dar sustentação à implementação de ações voltadas às necessidades da sociedade e, então, alcançar as competências dos profissionais de saúde com vistas à integralidade. Conforma-se o modelo em uma circularidade de ações que se justapõem e se entrecruzam, fortalecendo o processo de ensino--aprendizagem. Este modelo rompe com as ações isoladas, sem articulação do ensino e serviço, as quais tendem a enfraquecer as propostas e os resultados que se espera alcançar. Ações isoladas, muitas vezes, são implementadas com caráter de integralidade, porém atingem somente a superficialidade, sem entrelaçar ações que resultem em cuidado integral. Conclui-se que a integralidade se consolida pela edificação de práticas profissionais cotidianas eficazes, transversalidade nas práticas dos profissionais e como princípio educativo na formação.<hr/>ABSTRACT Transforming the disjointed and individualistic state-of-affairs of the Brazilian health service is promoted by the professional training geared toward comprehensive care and a collective interest for the democratization of health. The concept of integrality in relation to care permeates the web of health actions with effective coordination between teaching and service and links between knowledge and the actions within the scope of comprehensive care competences. The aim of this study is to review publications from 2010 to June 2016 in relation to comprehensive health care in teaching health sciences. The chosen method for the study was a systematic review conducted through Prisma-P. Article searches were carried out in the Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) and PubMed databases. Once the inclusion and exclusion criteria had been applied, the resulting 35 articles were evaluated by two reviewers who used the Critical Appraisal Checklist for Interpretative and Critical Research (JBI Qari), corresponding to 32 studies included in this review. Analysis of the studies gave rise to four categories: training under the axis of comprehensive care comprehensive care from the students’ perspective, comprehensive care from the teachers’ perspective, and the teaching of comprehensive care. Based on this systematic review, a conceptual search model for integrality was developed, with teaching/training through higher education institutions on one side, and settings for health care practices/services on the other, that is, where health care actions take place. It is essential to develop innovative curricular proposals linked into the principles of the Brazilian Unified Health System and public health policies, to support actions geared to the needs of society, and subsequently help health professionals attain competencies associated to comprehensive care. The model is shaped as a circle of actions that are juxtaposed and intersecting, and strengthen the teaching-learning process. This model breaks away from isolated actions, in which teaching and service are disconnected and tend to weaken the proposals and the expected results. Isolated actions are often implemented in a holistic manner, but have only a superficial effect without interlinking actions that result in comprehensive care. It was concluded that comprehensive care must be consolidated through daily professional practices that are transversally overlap, and be promoted as an educational principle in training. <![CDATA[Competencies Proposed in the Medical Curriculum: the Graduate’s Perception]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400525&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais para cursos de Medicina trouxeram novos delineamentos de formação e desenvolvimento de habilidades e competências que instrumentalizam o médico para sua atuação. Objetivo: Identificar a percepção do egresso quanto à aquisição de competências e habilidades previstas no projeto pedagógico do curso de Medicina. Métodos: Estudo transversal com 229 egressos do curso de Medicina, entre 2005 e 2012, da Universidade Anhanguera-Uniderp de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, por meio de questionário autoaplicável, no período de abril a julho de 2013, contendo 34 competências e habilidades, avaliadas por meio da escala do tipo Likert. Resultados: Quanto à aquisição de competências gerais, observaram-se respostas “bom” ou “muito bom” para a maioria dos itens pesquisados. Para a competência referente à comunicação, os maiores indices de respostas “muito bom” foram nos domínios “ser capaz de interagir e se articular com outros profissionais de saúde” (60%) e “ser capaz de manter a confidencialidade das informações” (68%). Em relação às competências específicas, a maior parte dos egressos referiu como “bom” ou “muito bom” a aquisição da maioria dos domínios. Observou-se ainda que os domínios “utilizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos validados cientificamente” e “dominar os conhecimentos de fisiopatologia, do tratamento e reabilitação das doenças de maior prevalência” tiveram os maiores índices de respostas “bom”, 62% e 59%, respectivamente. No que se refere à aquisição de competências complementares, os domínios referentes às práticas gerais e específicas, tais como “estabelecer relação médico-paciente”, “realizar exame físico correlacionando com as referências anatômicas” e “realizar exame físico geral e segmentar”, atingiram maior percentual de respostas positivas (bom ou muito bom). Já os domínios referentes à “realização de exame especial neurológico”, “realização do exame especial ortopédico” e “imobilização de fraturas” apresentaram respostas ruins e regulares, que, somadas, corresponderam a 49%, 69% e 83%, respectivamente. Conclusões: O estudo serviu de base para mudanças no curso, fornecendo subsídios para melhoria da qualidade de ensino e respondendo às necessidades do acadêmico na graduação.<hr/>ABSTRACT Introduction: The Brazilian Education Guidelines for medical courses brought new designs for the education and development of abilities and competencies that qualify physicians for their practice. Objective: To identify the perception of graduates on the acquisition of abilities and competencies considered in the pedagogical project of a medical course. Methods: A cross-sectional study was developed with 229 graduates from a medical program carried out between 2005 and 2012, at UniversidadeAnhanguera-Uniderp in Campo Grande, in the state of Mato Grosso do Sul. The study involved the application of a self-administered questionnaire including 34 competencies and abilities, assessed through a Likert scale, from April to July 2013. Results: Regarding the acquisition of general competences, “good” or “very good” answers were found for most of the studied items. For the competency regarding communication, most of the “very good” answers were found in the domains “being capable of interacting with other health professionals” (60%) and “being capable of maintaining information confidentiality” (68%). As for specific competencies, the majority of the graduates referred to the acquisition of most domains as “good” or “very good”. The domains “using scientifically validated therapeutic and diagnostic procedures” and “mastering knowledge in physiopathology, treatment and rehabilitation of prevalent diseases” had the highest indices of “good” answers, 62% and 59%, respectively. As regards the acquisition of complementary competencies, the domains concerning general and specific practices, such as “establishing a physician-patient relationship”, “performing a physical exam correlating it to anatomical references” and “performing a general and segmentary physical exam” achieveda greater percentage of positive answers (good or very good). The domains regarding “performing a special neurological exam”, “performing a special orthopedic exam” and “immobilizing fractures” presented negative and regular answers, which when combined corresponded to 49%, 69% and 83%, respectively. Conclusions: The present study served as a basis for changes in the course, providing resources for improving the quality of education and meeting the graduates’ needs. <![CDATA[Role-Play Preceded by Fieldwork in the Teaching of Pharmacology: from “Raw Sap” to “Elaborated Sap”]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400533&lng=en&nrm=iso&tlng=en ABSTRACT Background: The task of teaching abilities, attitudes and knowledge, which can sometimes be complex, related to the safe and efficient use of medications, stands as a great challenge faced by medical schools nowadays. The role of the prescriber, therefore, who promotes the rational use of medication at undergraduate level gains importance in professional training, with a direct impact on public healthcare. In this context, the implementation of teaching methods that allow an active, critical and reflexive medical training for students is desirable in order to enable them to develop the skills required to manage the main pharmacological classes used by the general practitioner. We intend to describe and analyse role-play preceded by fieldwork as an educational strategy. Methods: Following the fieldwork regarding the utilization of the main pharmacological classes used in primary healthcare, 5-6 groups of students prepared scripts and staged role-plays involving practical aspects of pharmacokinetics, pharmacodynamics, side effects, and potential drug interactions regarding the main drug types. The intervention was assessed using students’ responses to questionnaires coupled with Likert scales, the Dundee Ready Education Environment Measure (DREMM) and semi-structured interviews. There was a correlation between participation in teaching practice and performance in multiple-choice questions in the final course evaluation. Results: All students felt involved and motivated in the activity. 78.5% strongly agreed and 19% partially agreed that the method allowed reflection on knowledge, abilities and attitude, all important to professional practice regarding rational therapeutic prescribing. The DREMM revealed a score of 129.23, consistent with a more positive learning environment in a reliable sample (Cronbach's alpha=0.86). Analysis of the open interviews allowed us to infer that the students considered the method efficient, dynamic, fun, and enjoyable, which enabled greater understanding and consolidation of the content. The strategy was considered stimulating regarding group activities, with active participation. Furthermore, it allowed students an opportunity to experience their future professional reality. The main weaknesses found were the unequal involvement of individuals in some groups and the great length of time spent in the preparation of activities. In the final exam, the students who participated in the intervention had, on average, a higher performance than those who did not take part in it. However, there was no statistically significant difference. Discussion: Role-play preceded by fieldwork proved to be a promising pedagogical strategy and may be used in other basic sciences.<hr/>RESUMO Introdução: A tarefa de ensinar habilidades, atitudes e conhecimentos, às vezes complexos, relativos ao uso seguro e efetivo de medicamentos representa hoje um grande desafio para as escolas médicas, motivo por que o ordenamento de prescritores que promovam o uso racional de medicamentos em nível de graduação assume importante papel na formação profissional, impactando diretamente o cuidado à saúde da população. Nesse contexto, a implementação de métodos de ensino que permitam uma formação ativa, crítica e reflexiva dos estudantes é desejável, a fim de que estes desenvolvam competências para manejar as principais classes farmacológicas utilizadas pelo médico generalista. Objetivo: Descrever e analisar o role-play precedido por trabalho de campo como estratégia pedagógica para o ensino de Farmacologia Clínica no curso médico. Métodos: Após trabalho de campo sobre a utilização das principais classes farmacológicas utilizadas na Atenção Primária em Saúde, grupos de cinco a seis estudantes prepararam e encenaram roteiros envolvendo aspectos práticos de farmacocinética, farmacodinâmica, efeitos adversos e potenciais interações medicamentosas relativas aos medicamentos utilizados. A intervenção foi avaliada por meio das respostas dos estudantes a questionários acoplados a escalas Likert, ao Dundee Ready Education Environment Measure (DREMM) e a entrevista semiestruturada. Verificou-se a correlação entre a participação na prática de ensino e o desempenho em questões de múltipla escolha na avaliação final do curso. Resultados: Todos os estudantes se sentiram envolvidos e motivados para a atividade. Concordaram fortemente 78,5% e concordaram parcialmente 19% em que o método permitiu a reflexão sobre conhecimentos, habilidades e atitudes importantes para a prática profissional no tocante à prescrição terapêutica racional. O DREEM revelou escore de 129,23, compatível com um ambiente de aprendizagem mais positivo do que negativo, numa amostra confiável (alfa de Cronbach = 0,86). A análise das entrevistas abertas permitiu inferir que os estudantes consideraram o método eficiente, dinâmico, divertido e prazeroso, possibilitando maior compreensão e fixação do conteúdo. A estratégia foi considerada estimuladora para a realização de atividades em grupo, participação ativa, além de possibilitar o contato com a futura realidade profissional. As principais fragilidades apontadas foram o envolvimento desigual de componentes de alguns grupos e o significativo tempo despendido na preparação das atividades. Os estudantes que participaram da intervenção tiveram desempenho na avaliação final da disciplina, em média, superior aos que não participaram, mas sem diferença estatisticamente significativa. Conclusão: O role-play precedido por trabalho de campo demonstrou ser uma estratégia pedagógica promissora, promovendo aprendizagem ativa e significativa em Farmacologia, com possibilidade de utilização em outras ciências básicas. <![CDATA[Translation, Adaptation, Validation and Evaluation for use in Brazil of a British Inventory to Assist in the Choice of Medical Specialty]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400540&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O objetivo deste estudo foi traduzir, validar e avaliar um instrumento britânico de auxílio à escolha da especialidade médica. Esse instrumento processa as respostas a 130 questões e fornece uma classificação de 59 especialidades médicas, em ordem decrescente de recomendação, em função do ajuste do perfil do candidato às características das especialidades. As dez primeiras recomendações são consideradas positivas, e as dez últimas, negativas. A tradução e a adaptação semântica seguiram os passos técnicos recomendados para esse tipo de trabalho, resultando no instrumento em português denominado SCIB (Specialty Choice Inventory – Brasil). A melhor versão das questões traduzidas foi escolhida. Em seguida, o instrumento foi aplicado a 120 médicos brasileiros (85 médicos especialistas e 35 médicos residentes), representando 38 diferentes especialidades. Foi também aplicado a 79 estudantes dos dois últimos anos do curso de graduação em Medicina. Os participantes da amostra de médicos responderam a um questionário no qual indicavam duas outras especialidades que cogitariam exercer além da atual, bem como outras três que dificilmente exerceriam. O instrumento foi considerado adequado ou muito adequado à realidade brasileira por 85,8% (103/120) dos médicos e por 73,4% (58/79) dos estudantes. Entre estes últimos, 60,8% (48/79) consideraram a escala útil ou muito útil. Os resultados da aplicação do SCIB permitiram verificar que a concordância global das recomendações positivas do instrumento foi de 67,5% (81/120) com a especialidade atualmente exercida e de 72,5% (87/120) com as especialidades que os participantes cogitaram exercer. A concordância entre as recomendações negativas da escala e as especialidades que os médicos dificilmente exerceriam foi de 87,5% (105/120). Os dados das etapas de tradução e adaptação do instrumento original trouxeram elementos para a validação de face, de conteúdo e semântica do instrumento. As respostas dos 120 médicos e os dados da reaplicação da escala a 40 deles permitiram verificar que o SCIB tem homogeneidade, consistência interna e reprodutibilidade satisfatórias. Em conclusão, a tradução e a adaptação de uma escala britânica de auxílio à escolha da especialidade médica no Brasil foram bem-sucedidas. O instrumento resultante teve desempenho muito satisfatório quando aplicado a médicos especialistas e residentes. O SCIB deve, então, constituir uma promissora ferramenta de apoio na escolha da especialidade médica, além de poder ser utilizado na investigação científica nessa área.<hr/>ABSTRACT The purpose of this study was to translate, validate and evaluate a British specialty choice inventory. This tool processes the answers to 130 items and returns a 59-medical specialty ranking, in decreasing order of recommendation, based on the candidate’s profile adjustments to specialty characteristics. The top 10 and the bottom 10 recommendations are considered positive and negative ones, respectively. Translation and semantic adaptation followed the standard procedures described in the specialized literature, and resulted in a Brazilian Portuguese version named SCIB (Specialty Choice Inventory – Brasil). The best version of each translated item was chosen. SCIB was then applied to 120 Brazilian physicians (85 specialists and 35 residents) representing 38 different specialties. SCIB was also applied to 79 senior medical students. Participant physicians indicated in a structured questionnaire two specialties they could have chosen apart from the current one, as well as three specialties they would unlikely choose. SCIB was regarded as adequate or very adequate to the Brazilian conditions by 85.8% (103/120) of the physicians and 73.4% (58/79) of the students. Among the latter, 60.8% (48/79) regarded the inventory useful or very useful. For the physicians, SCIB positive recommendations included their current specialty in 67.5% (81/120) of the cases, and any of the specialties they could have chosen in 72.5% (87/120) of the cases. SCIB negative recommendations included any of the specialties that participants would unlikely choose in 87.5% (105/120) of the cases. The translation and adaptation procedures provided data for SCIB validation concerning the face, content and semantic aspects. Answers from the 120 physicians and data from a test-retest study involving 40 participants showed that SCIB has satisfactory levels of homogeneity, internal consistency and reproducibility. In conclusion, translation and adaptation for use in Brazil of the Sci59, a British inventory for assisting medical specialty choice, was successful and resulted in the, SCIB, a tool whose performance was very satisfactory. SCIB can thus be seen as a promising tool for assisting medical specialty choice, as well as for research in this field. <![CDATA[Medical Doctors’ Knowledge of Libras in the Federal District and Deaf Patient Health Care]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400551&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas escolas médicas é pouco difundido, e este cenário pode dificultar o atendimento de importante parcela da população: o paciente surdo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência, sendo parte de um grupo conhecido como vulneráveis. A surdez está entre as deficiências mais prevalentes, e no contexto do atendimento médico a dificuldade em atender integralmente o paciente surdo constitui um problema de saúde pública relevante, mas pouco abordado. O objetivo do presente estudo foi avaliar o conhecimento de Libras por médicos do Distrito Federal e sua percepção frente ao atendimento de pacientes surdos. Assim, foi realizado um estudo observacional transversal e descritivo com aplicação de questionários a 101 médicos escolhidos ao acaso, atuantes no Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal. Foram entrevistados médicos de 24 especialidades, com idade média de 41 anos. Deles, 92,1% já atenderam um paciente surdo e 76,2% consideraram o conhecimento de Libras importante para sua prática médica, mas apenas um relatou conhecimento básico na lingua. Quanto ao sentimento do médico no atendimento, houve predomínio de incerteza e desconforto. Um número significativo de médicos já realizou atendimento de pacientes surdos em sua prática profissional no SUS, e a maioria considerou o conhecimento de Libras relevante, especialmente os médicos com menos de 55 anos de idade. Possivelmente, o sentimento de desconforto no atendimento decorre do predominante desconhecimento da língua pelos médicos e da conseguinte dificuldade durante o atendimento. Destaca-se a importância da implantação ou ampliação do estudo de Libras antes ou durante a formação médica e dos demais cursos da área de saúde. A conscientização dos profissionais de saúde perante o atendimento integral do paciente surdo é um passo fundamental na implementação efetiva do ensino de Libras de forma especializada no ensino superior, resultando em maior confiança e qualidade na relação médico-paciente.<hr/>ABSTRACT In medical schools, the teaching of Brazilian Sign Language (Libras) is limited and this scenario may result in difficulties when dealing with an important portion of the population: the deaf. According to the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), nearly 24% of the Brazilian population has some kind of deficiency; belonging to what are known as vulnerable groups. Deafness is among the most prevalent deficiencies, and the medical practice being unable to attend a deaf patient is a public health problem that requires further discussion. The objective of the present study was to evaluate medical doctors’ knowledge of Libras and their perception of attending to a deaf patient. A crosssectional and descriptive study was designed and 101 medical doctors of the Brazilian Public Health System (Sistema Único de Saúde, SUS) were randomly chosen in the Federal District and answered a structured survey. We interviewed medical doctors with a mean age of 41 years from 24 different medical specialties. 92.1% of them had seen at least one deaf patient in their clinical practice. 76.2% of them considered the knowledge of Libras relevant to their practice, but only one declared basic knowledge of the language. Most of the medical doctors reported uncertainty and discomfort when attending a deaf patient. A significant number of doctors had already seen a deaf patient in their clinical practice, and most considered the knowledge of Libras important, especially those under the age of 55 years. The feeling of discomfort when dealing with a deaf patient possibly arises from not knowing Libras and being unable to communicate with the patient properly. We emphasize the importance of learning Libras before or during medical school and other health-related courses. Being aware that the deaf patient deserves full health assistance is fundamental, and it may improve specialized learning of Libras and consequently result in a better doctor-patient relationship. <![CDATA[Anxiety and Depression Levels among Resident Pediatricians]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400557&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Objetivo: Avaliar os níveis de ansiedade e depressão dos profissionais matriculados em um Programa de Residência Médica em Pediatria de uma instituição de ensino do interior do Estado de São Paulo. Métodos: Estudo transversal descritivo, com todos os médicos residentes matriculados no Programa de Residência Médica em Pediatria. Os dados foram coletados entre os meses de novembro de 2013 e fevereiro de 2014, utilizando-se três instrumentos autoaplicáveis: um instrumento elaborado pelos autores, com dados sociodemográficos; a Escala de Ansiedade de Beck ou Inventário de Ansiedade de Beck e a Escala de Depressão de Beck ou Inventário de Depressão de Beck. Os níveis de ansiedade e depressão foram analisados por uma psicóloga segundo dados dos instrumentos e categorizados em ausência de depressão/ansiedade, depressão/ansiedade leve, depressão/ansiedade moderada e depressão/ansiedade grave. Resultados: Participaram do estudo 36 médicos residentes. Houve predominância do sexo feminino (91,4%), idade mediana de 28 anos (mínimo: 25; máximo: 34), solteiros (86,11%), renda familiar de dez ou mais salários mínimos (47,1%), jornada de trabalho de 12 horas ou mais (55,6%), sem atividade física (55,5%) e de lazer (44,2%), com outro vínculo laboral (71,4%), satisfeitos com o trabalho (88,9%); 52,8% pensaram em desistir do programa. Ansiedade esteve presente em 50,0% dos profissionais e depressão em 44,4%. Houve associação estatística da ansiedade com a faixa etária (p&lt;0,005) e com o desejo de desistir do programa (p=0,038); e da depressão com a faixa etária (p=0,001), prática de atividade física (p=0,016), atividades de lazer (p=0,012) e com o desejo de desistir do programa (p=0,008). Conclusão: Os níveis de ansiedade e depressão foram superiores aos observados em outros programas, havendo associação destes transtornos com a faixa etária e ausência de atividade física e de lazer, evidenciando a necessidade de maior atenção e suporte aos profissionais, de implementação de ações de controle dos fatores estressores entre os residentes de Pediatria ede estratégias de promoção do bem-estar físico e mental desses profissionais.<hr/>ABSTRACT Objective: To evaluate the levels of anxiety and depression among professionals enrolled in a Pediatric Residency Program of an educational institution in the State of São Paulo, Brazil. Methods: Cross-sectional and descriptive study with all, registered residents at a pediatric residency program. The data were collected between the months of November 2013 and February 2014, using three instruments: an instrument drawn up by the authors, containing demographic data; the Beck anxiety Scale or Beck anxiety inventory and the Beck Depression scale or Beck Depression inventory. Depression anxiety levels were evaluated by a psychologist, according to data produced by the instruments and categorized in to four levels: absence of depression/anxiety, mild depression/anxiety, moderate depression/anxiety and severe depression/anxiety. Results: The study was based on a sample of 36 medical residents. There was a predominance of females (91.4%), with a median age of 28 years (minimum: 25; maximum: 34), single (86.11%), with a household income of 10 minimum monthly wages or more (47.1%), a working day of 12 hours or more (55.6%), not regularly engaged in physical activity (55.5%) and leisure (44.2%), with another job (71.4%) satisfied with their job (88.9%) and having thought about quitting the program (52.8%). Anxiety was present in 50.0% and depression in 44.4%. Statistical associations were found between anxiety and the age group (p &lt; 0.005) and with a desire to give up the program (p = 0.038); and between depression and age group (p = 0.001), practice of physical activity (p = 0.016), leisure activities (p = 0.012) and a desire to give up the program (p = 0.008). Conclusion: The levels of anxiety and depression were higher than those observed in other programs, with associations observed between these disorders and age, lack of physical activity and leisure, highlighting the need for greater attention and professional support, and the implementation of control measures for stressor factors among the resident pediatricians, and of strategies to promote the physical and mental well-being of these professionals. <![CDATA[Ethics and Professionalism in Social Media: The Online Behaviour of Medical Students]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400564&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Novo tipo de relação entre médicos e pacientes vem surgindo após a expansão e abrangência das redes sociais. Assim, é necessário rever aspectos da formação de estudantes de Medicina, além de avaliar os benefícios e riscos da utilização dessas redes, no intuito de preservar a confiança e cumplicidade na relação médico-paciente. Objetivos: Descrever o comportamento on-line de estudantes de Medicina, bem como suas opiniões sobre o uso de redes sociais, além de conhecer aspectos da formação médica sobre ética e profissionalismo. Métodos: Estudo transversal realizado em hospitais de ensino de três escolas médicas em Recife (PE)entre 2015 e 2016. Um questionário autoaplicável elaborado pelos pesquisadores foi respondido por 260 estudantes de Medicina dos dois últimos anos do curso (internato). Ao mesmo tempo, os planos de ensino de cada instituição foram analisados separadamente. Os dados obtidos foram analisados por meio dos testes estatísticos: Qui-Quadrado de Pearson, teste Exato de Fisher, Kruskal-Wallis e McNemar. Para a parte do questionário do tipo escala Likert foi calculado o ranking médio das respostas dos participantes, assim como o Alpha de Cronbach. O projeto foi submetido à apreciação ética com posterior aprovação e todos os participantes concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: Entre os estudantes, 41,5% (108) afirmaram ter postado fotos ou videos mostrando consumo de bebidas alcoólicas ou cigarro e 32,3% (84) postaram fotos ou videos com pacientes em rede social. Foi observada diferença estatisticamente significativa (p&lt;0,001) entre as instituições pesquisadas quanto à postagem de fotos ou videos com pacientes, uma vez que os estudantes da instituição III relataram menor postagem (14,3% ou 12 participantes). Na análise das respostas dos estudantes das três instituições, foi observada relação de tendência inversa entre “postagem de fotos ou vídeos com pacientes” e “abordagem de profissionalismo on-line na graduação”. Na instituição III, onde menor quantidade de estudantes relatou postagens em rede social com pacientes, maior quantidade deles relatou abordagem de questões sobre profissionalismo on-line na graduação (26,2% ou 22 participantes). Entre os pesquisados, 79% (205) concordaram em que certos conteúdos do perfil pessoal do Facebook do médico podem difamar a reputação deste. Em relação à abordagem de questões sobre profissionalismo on-line na graduação médica, 80,8% (210) dos participantes disseram que não tiveram essa abordagem. Na análise dos planos de ensino, apenas a instituição III apresentou um eixo curricular de desenvolvimento profissional e abordagem teórica formal sobre conceitos de ética durante o internato. Conclusão: Um número expressivo de estudantes pesquisados teve comportamentos contrários ao preconizado pelo Código de Ética Médica, resoluções do Conselho Federal de Medicina e guidelines estrangeiras de comportamento em rede social. É possível que a abordagem do profissionalismo e da ética na formação acadêmica tenha repercussão nos comportamentos de estudantes de Medicina na rede social. Estudos que poderiam estabelecer relação de causa e efeito são necessários para confirmar se há relação entre comportamentos on-line de estudantes e abordagem de ética e profissionalismo na graduação. Por fim, observa-se, nas escolas médicas pesquisadas, escassez da abordagem do tema profissionalismo on-line.<hr/>ABSTRACT A new type of doctor-patient relationship is emerging due to the widespread use of social media. Therefore, a review of certain aspects of medical education is needed in order to preserve the trust and cooperation of the doctor-patient relationship. Objectives: To describe the online behaviour of medical students, their opinions the use of social media and to understand aspects of undergraduate medical training regarding ethics and professionalism. Methods: This was a cross-sectional study with a sample of 260 medical students enrolled in the fifth and sixth years at three medical schools in Recife, Pernambuco, Brazil. The data were collected between August 2015 and July 2016 at the teaching hospitals of each medical school. This paper reports the results from a structured questionnaire composed by the authors about online ethics and professionalism and answered by the students. The obtained data were analysed by means of the following statistical tests: Pearson’s Chi-square, Fisher’s exact test, Kruskal-Wallis and McNemar tests. For the Likert scale-type part of the questionnaire average ranking was calculated for student responses. Cronbach Alpha was also calculated. The study was approved by the Ethics on Research Committee. Informed consent was obtained from all participants. In order to ensure the confidentiality of the results, the medical schools had their names omitted. Results: A total of 84 students (32.3%) reported that they had posted pictures or videos with patients and 108 (41.5%) had posted pictures or videos with alcoholic drinks or cigarettes. A statistically significant difference (p&lt;0.001) was found between the three medical schools relative to students posting pictures or videos with patients. The students from institution number III were the least likely to post photos or videos with patients or with alcoholic drinks or cigarettes, according to their answers to the questionnaire. Furthermore, institution number III also had the highest number of students that reported having addressed issues of online professionalism in medical training(262%/22). Analysing the three institutions separately an inverse relationship was found between “posting photos or videos with patients” and “online professionalism during undergraduate training”. Among those surveyed, 79% (205) agreed that some content published by doctors on Facebook might harm the doctor’s reputation. Students reported having had no discussions concerning online professionalism during their undergraduate course in 80.8% of the cases. Analysing the curriculum from the three medical schools, only institution number III was found to offer specific content regarding professional development and formally addressed theories regarding concepts of ethics during the medical residency. Conclusion: When we consider the recommendations found in the Code of Medical Ethics, resolutions published by the Brazilian Federal Medical Council (BFMC), and foreign guidelines, it was evident that a large number of students had posted inappropriate content online. A failure to adequately address ethics and professionalism as part of academic training may well play a part in issues related to the behaviour of medical students on social meda. More research into online behaviour and ethics/professionalism taught as part of undergraduate training is needed to infer causal relationships. Finally, it could be concluded that online professionalism was a topic that was scarcely addressed in the curricula of the surveyed medical schools. <![CDATA[Development of a Curriculum for Simulated Training of a Laparoscopic Anastomosis]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400576&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Introdução: Os programas de simulação permitem um ambiente seguro e eficiente para a aquisição de habilidades cirúrgicas, e o currículo estruturado para realizar um treinamento simulado de uma anastomose intestinal é um exercício educacional valioso para residentes do segundo ano.No momento, inexiste um currículo de treinamento padronizado que possa ser utilizado no ensino da cirurgia laparoscópica básica e avançada por meio da confecção de uma gastroenteroanastomose. Objetivo: Desenvolver um currículo sistematizado para treinamento por simulação de uma anastomose cirúrgica laparoscópica. Métodos: Estudo experimental longitudinal e de caráter quantitativo. A amostra foi de 12 residentes de Cirurgia Geraloriundos de quatro hospitais. O treinamento consistiu na confecção de dez anastomoses, divididas igualmente em cinco sessões e ocorridasnum período de seis semanas. A anastomose entre um estômago e um intestino sintéticos por laparoscopia foi realizada numa caixa preta com fios de seda. No final do treinamento, os residentes utilizaram um questionário com a escala de Likert para avaliar o currículo de treinamento proposto. Resultados: Os participantes do treinamento pontuaram muito bem o currículo de treinamento proposto, tendo como itens mais bem avaliados a necessidade de ter o treinamento inserido no hospital de ensino e fazer parte da carga horária obrigatória. Os quesitos com pior avaliação foram as pinças e fios utilizados. Houve redução do tempo operatório, que se aproximou daquele dos experts. Conclusão: Um currículo estruturado para a simulação de uma anastomose gastrojejunal laparoscópica pode ter em sua programação a participação em 20 anastomoses, sendo dez como cirurgião principal e dez como cirurgião assistente. A distribuição dos procedimentos deve ocorrer em cinco sessões, com intervalo aproximado de uma semana e duração de seis semanas. O treinamento com órgãos sintéticos e uma caixa preta deve ser obrigatório, acessível e acompanhado por um cirurgião experiente que forneça um feedback individualizado.<hr/>ABSTRACT Introduction: Simulation programs allow a safe and efficient environment for acquiring surgical skills, and astructured curriculum for simulated bowel anastomosis training provides a valuable educational exercise for second year medical residents. Presently, there is no standardized training curriculum which can be used to teach basic and advanced laparoscopic surgery through the preparation of a gastroenteroanastomose. Objective: To develop a systematized curriculum for training by simulation of a laparoscopic surgical anastomosis. Methods: A longitudinal and quantitative experimental study. The sample consisted of twelve general surgery residents from four hospitals. The training consisted of proceeding ten anastomoses divided equally into five sessions and it took place over a six-week period. Laparoscopy-assisted anastomosis between asynthetic stomach and synthetic bowel was performed in a black box with silk threads. At the end of the training, a Likert scale-based questionnaire was answered by the residents to evaluate the proposed training curriculum. Results: The training participants scored the proposed training curriculum very well. The items that recorded the highest evaluation were the need for the training to be offered at the teaching hospital and for it to be a compulsory element of the work. The lowest scoring items were the tweezers and wires used. A reduction in the operation time was observed, taking it close to that achieved by specialist surgeons. Conclusion: A structured curriculum for the simulation of a laparoscopic gastrojejunal anastomosis should foresee participation in 20 anastomoses, 10 as the main surgeon and 10 as the assistant surgeon. The procedures should be distributed over 5 sessions, with an approximate interval of 1 week and over the course of a 6-week period. Training using synthetic organs and a black box should be mandatory, accessible and accompanied by an experienced surgeon who provides individualized feedback. <![CDATA[The Psychological Distress Suffered by Medical Students at a Brazilian Public university from the Viewpoint of their Teachers]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400584&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O sofrimento psíquico do estudante de Medicina é conhecido e já estudado. O papel do professor em detectar dificuldades geradoras de sofrimento psíquico em seus alunos e saber como lidar com elas é fundamental para a prevenção desse sofrimento. Entretanto, nem sempre os professores estão preparados para esses desafios. Objetivo: Estudar a percepção dos docentes do curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em relação ao sofrimento psíquico de seus alunos. Método: Estudo transversal quantitativo realizado com os docentes do ciclo profissional do curso de Medicina da UFMG. A amostra de 102 docentes foi obtida por sorteio aleatório e dividida em quatro estratos: masculino até dez anos de docência, masculino com mais de dez anos, feminino com até dez anos de docência e feminino com mais de dez anos. Foi elaborado um questionário autoaplicativo de 28 itens com cinco opções da escala de Likert. Para análise dos dados foram construídos quatro indicadores: indicador de percepção de sofrimento psíquico (IPSP), indicador de compromisso do professor com as dificuldades emocionais do estudante (ICDE), indicador de atuação frente ao sofrimento psíquico (IAPS) e indicador geral (IG). Realizou-se análise dos quartis e calculou-se a diferença entre os grupos utilizando testes não paramétricos. Cinco questões não incluídas nos indicadores foram analisadas separadamente. Resultados: Dos 102 sorteados, 79 docentes responderam e sete se negaram a participar da pesquisa. Foi constatada preocupação com o sofrimento psíquico dos estudantes, variável entre os estratos. Para o IG, as professoras com mais tempo de docência obtiveram a mediana mais elevada em relação aos homens com menos tempo (p &lt; 0,05). Para os demais indicadores, apesar da diferença entre os quartis, a comparação das medianas não mostrou diferenças estatisticamente significativas. Para as perguntas não incluídas nos indicadores, do total de professores, 85% já tiveram alunos com dificuldades emocionais. Os homens, com maior frequência, afirmaram desconhecer a existência de problemas emocionais entre os estudantes. Houve desconhecimento das instâncias de acolhimento psicólogico aos estudantes por 16,5% dos professores. A ocorrência de bullying na FMUFMG não foi percebida por mais de 50% dos professores. Apenas 28% admitiram que seus atos ou atitudes teriam desencadeado sofrimento psíquico no estudante. Ao se perguntar sobre apoio ao professor, 75,9%desejavam uma instância de apoio emocional ao professor. Conclusão: Este estudo, apesar das limitações, é inédito ao avaliar a percepção do docente do curso de Medicina em relação ao sofrimento psíquico dos estudantes. Tempo de docência e sexo feminino parecem exercer um papel importante na percepção do docente sobre o sofrimento psíquico do estudante. Parcela significativa de professores desconhece a existência das instâncias de apoio psicológico aos estudantes. Situações de assédio e bullying na escola médica permanecem negadas por muitos docentes.<hr/>ABSTRACT The psychological distress suffered by medical students is well-known. The role of the teaching staff in detecting difficulties causing students psychological distress and their knowledge of how to handle them is fundamental for preventing such problems. However, medical teachers are not always prepared to deal with these challenges. Objective: To study the perception of the teaching staff of the medical school at the Universidade Federal de Minas Gerais (FMUFMG) concerning the psychological distress of the students. Method: A cross-sectional quantitative study carried out with the faculty of the UFMG medical school. The sample of 102 teachers was obtained by random draw and divided into four groups: males with up to ten (10) years of teaching, males with more than ten (10) years, females with up to ten (10) years of teaching, and females with more than ten (10)years. A self-applied 28-item questionnaire with a 5-point Likert scale from strongly agree to strongly disagree was prepared. For the data analysis four indicators were elaborated: psychological distress perception indicator (IPSP), commitment of the teacher to the student emotional difficulties indicator (ICDE), performance in the face of psychological distress indicator (IAPS) and a general indicator (IG). Quartile analysis was carried out and the difference among the groups was calculated using nonparametric tests. Five questions that were not included in the indicators were independently analyzed. Results: Seven teachers refused to participate and 79 answers were collected.The results showed varying degrees of concern among the groups in relation to the psychological distress of students. For the IG, the female teachers with longer teaching experience obtained a higher median in relation to the men with less teaching experience (p&lt;0.05). For the other indicators, despite the difference between the quartiles, the comparison of the medians showed no statistically significant differences. For questions not included in the indicators, it was shown that 85% of the sample had perceived psychological distress among their students. Male teachers more frequently deny psychological distress among students. 16.5% of the teachers did not know of any instances of institutional psychological care. The occurrence of bullying failed to be noted by more than 50% of the teachers. Only 28% of the teachers admitted that their actions or attitudes could precipitate a student’s psychological distress. When questioned about emotional support for teachers, 75.9% would appreciate some institutional support. Conclusion: The present study, despite its limitations, is unique in assessing the perception of the medical teaching staff in relation to the psychological distress of the students. Teaching experience and being female seem to play an important role in the teacher’s perception of psychological distress among students. A significant portion of the teaching staff ignores the existence of psychological support programs for students. <![CDATA[Medical Professionalism: the Effects of Sociodemographic Diversity and Curricular Organization on the Attitudinal Performance of Medical Students]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400594&lng=en&nrm=iso&tlng=en ABSTRACT Introduction: Socioeconomic and demographic diversity in the educational environment and the development of professional attitudes enhance the quality of health care delivery. Despite the importance of diversity for equity and accessibility to health care, its repercussions for students’ attitudinal learning have not been adequately evaluated. Purpose: Evaluate the influence of academic sociodemographic diversity and curricular organization in the development of professional attitudes in different phases of the undergraduate medical curriculum. Method: In 2012, the attitudinal performance of 310 socioeconomically diverse medical students was evaluated by the administration of a five-point professional attitudes scale. The participants were at different points in their education at a Brazilian public school of medicine in Brasília, Federal District. The scale comprised 6 factors: communication, ethics, professional excellence, self-assessment, beliefs, social determinants; and a general factor called medical professionalism and was validated for the purpose of this research. The reliability coefficients (aCronbach) ranged from 0.65 to 0.87, according to different scale dimensions. Student diversity was analyzed according to differences in gender, age, religious affiliation, system of student selection and socioeconomic background. Results: The authors observed a decline in the mean attitude scores during the clinical phase compared to the preclinical phase of the curriculum. Female students displayed more positive attitudes than male students, and the students who declared a religious affiliation recorded higher attitude scores compared to those who declared themselves atheist, agnostic or non-religious. There was no correlation between family income or the system of student selection and the students’ attitude scores. The students who had attended public schools expressed a greater interest in working in the public health system compared to the other students. Age and marital status had no relevant effect on attitude scores. Conclusions: The attitude scores of medical students declined as the curriculum progressed. Female students had more positive attitudes than male students. Religious affiliation appeared to positively influence the observed attitude scores.<hr/>RESUMO Introdução: A diversidade socioeconômica e demográfica no ambiente educacional e o desenvolvimento de attitudes profissionais estão associados ao aumento na qualidade da assistência em saúde. Apesar da importância dessa diversidade para a equidade e acessibilidade ao sistema de saúde, sua repercussão no aprendizado atitudinal dos estudantes em nosso meio ainda é muito pouco estudada e avaliada. Objetivo: Avaliar a influência das diferenças demográficas, sociais e económicas e da organização curricular no desempenho atitudinal de estudantes de graduação em Medicina em diferentes fases do curso. Método: Em 2012, o desempenho atitudinal de 310 estudantes de Medicina foi avaliado mediante a aplicação de uma escala de atitudes profissionais de cinco pontos. Os participantes eram de diferentes séries do curso de graduação em Medicina de uma escola pública de Medicina de Brasília (DF). A escala de atitudes utilizada era composta por seis fatores — Comunicação; Ética; Excelência Profissional; Autoavaliação; Crenças; Determinantes Sociais; e um fator geral chamado Profissionalismo Médico — e foi validada para as finalidades desta pesquisa. O coeficiente de fidedignidade (a de Cronbach) para as diferentes dimensões da escala variou de 0,65 a 0,87. A diversidade dos estudantes foi avaliada de acordo com gênero, idade, religião, sistema de ingresso no curso (cotistas sociais/não cotistas) e condições socioeconómicas. Resultados: Os autores observaram um declínio nos escores médios de atitude em várias dimensões da escala durante a fase clínica, comparada à fase pré-clínica do currículo. Estudantes do gênero feminino obtiveram escores de atitudes mais positivos do que os do gênero masculino. Estudantes que declararam ter uma religião tiveram melhores escores do que os que se declararam ateus, agnósticos ou sem religião. Não houve correlação entre idade, estado civil e renda familiar e o desempenho atitudinal medido pela escala. Estudantes que ingressaram no curso pelo sistema de cotas expressaram maior interesse em trabalhar no sistema público de saúde. Conclusões: Houve um declínio do escore de atitude dos estudantes de Medicina com a progressão do curso. Estudantes do gênero feminino apresentaram escores de atitudes mais positivos que os do gênero masculino. Filiação religiosa parece influenciar positivamente o desempenho atitudinal dos estudantes. <![CDATA[Profile and Professional Career of Graduates from the São Paulo State Family and Community Medicine Residency Programs]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400604&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O objetivo do estudo foi caracterizar o perfil e a trajetória profissional dos egressos dos Programas de Residência em Medicina de Família e Comunidade do Estado de São Paulo. Métodos: Estudo descritivo, transversal, de abordagem quantitativa, que caracterizou o perfil dos 129 médicos residentes egressos de 17 Programas de Residência em Medicina de Família e Comunidade (PRMFC) do Estado de São Paulo que finalizaram a residência entre 2000 e 2009. Resultados: Dos 234 residentes, (129) 55,1% responderam ao questionário da pesquisa. A maioria (96,9%) era brasileira, natural do Estado de São Paulo (71,2%); 58,1% eram mulheres; 88,4% referiram ter até 39 anos; 89,1% moravam em grandes centros urbanos, tendendo a se fixar mais no Estado de São Paulo (80,0%), onde realizaram a residência médica. Os médicos atuavam na área de Medicina de Família e Comunidade (74,0%), 49,6% ligados à Estratégia Saúde da Família. A permanência na área foi mais favorável entre aqueles que, ao terminarem a graduação, desejavam ser médicos de família (77,6%) em relação aos que não o desejavam (63,6%). Quase a metade dos egressos informou ter dois ou três postos de trabalho e 99,2% continuaram sua formação acadêmica após o término da residência. Observou-se interesse na docência por 48,1% dos entrevistados, que referiram atuar no ensino de graduação e pós-graduação stricto e lato sensu, como programas de residência médica, enquanto um terço referiu atividades de pesquisa. Conclusão: O entendimento mais aprofundado de quem são e de onde se encontram os profissionais preparados para atuar na Atenção Primária à Saúde pode contribuir para a construção da identidade dos médicos de família e, consequentemente, para o fortalecimento dessa especialidade médica. Os resultados do estudo apontaram uma perspectiva favorável da especialidade Medicina Geral de Família e Comunidade no Estado de São Paulo, que não pode ser generalizada para a realidade de um sistema de saúde tão desigual no País, mesmo considerando as melhorias promovidas pelas recentes medidas de regulação da gestão do SUS. A literatura consultada e comentada possibilita ver a potencialidade no campo da formação dos especialistas, mas a graduação tem uma latência maior para mostrar a efetividade dessas alterações.<hr/>ABSTRACT The aim of this study was to characterize the profile and professional career of graduates from the São Paulo State residency programs in Family and Community Medicine. Methods: A descriptive, crosssectional study with a quantitative approach, which characterized the profile of the 234 graduating medical residents from 17 São Paulo State residency programs in Family and Community Medicine (PRMFC) who completed residency between 2000 and 2009. Results: Of the 234 residents, 55.1% responded to the survey questionnaire, the majority (96.9%) were Brazilian, born in the state of São Paulo (71.2%), 58.1% were women; 88.4% were 39 years of age or younger, 89.1% lived in large urban centers and they tended to settle in the state of São Paulo (80.0%), where the residency was conducted. The doctors worked in the area of Family and Community Medicine (74.0%); 49.6% related to the Family Health Strategy. Staying in the area was favored more by those who, upon graduating, wanted to be family doctors (77.6%) than thos who did not (63.6%). Almost half of the graduates reported having two or three jobs and 99.2% continued their education after the residence. Interest in teaching was observed among 48.1% of the respondents who reported teaching in undergraduate and graduate courses, including medical residency programs, while a third of the respondents reported conducting research activities. Conclusion: A better understanding of the profile and whereabouts of trained primary health care professionals can contribute towards constructing an identity for family doctors, thereby strengthening this medical specialty. The study results indicate a favorable outlook for the Community and Family Medicine speciality in São Paulo, however this cannot be generalized for such an unequal health system in Brazil, even considering the improvements brought about by recent SUS management regulation measures. The literature reviewed and discussed shed light on the potential in the field of specialist training, but for undergraduate training, the effectiveness of these changes takes longer to become apparent. <![CDATA[Undergraduate Course Duration in Medicine: an Estimation in the 15 Graduate Cohorts at the Agostinho Neto University, Angola]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022017000400615&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O tempo de conclusão do curso de graduação em Medicina está bem estabelecido nos programas de formação das escolas médicas em todo o mundo. Entretanto, nem todos os estudantes concluem o curso no tempo esperado, o que pode resultar numa baixa taxa de graduação. Contudo, uma análise isolada da taxa de graduação não permite prever com precisão a magnitude de custos de formação se não levar em conta o tempo médio de conclusão da formação, particularmente para a Medicina, que exige avultados recursos e cujo tempo de formação é o mais longo. O objetivo do estudo foi determinar o tempo médio de permanência no curso, assim como a proporção de estudantes que se gradua no tempo esperado de conclusão do curso. Foi feita uma análise retrospectiva dos dados de 15 coortes de estudantes graduados pela Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto (FMUAN), em Angola, no período de 2001 a 2015. Os dados foram recolhidos do arquivo acadêmico da FMUAN. Do total de 1.259 graduados, 59,7% eram mulheres, e a média de idade na conclusão do curso foi de 35 ± 7 anos. A taxa média de admissão ao curso foi de 6,8%, e foram graduados, em média, 88 médicos por ano, sendo 36 homens e 52 mulheres. A taxa de graduação foi de 82,2%, sendo que os estudantes demoraram, em média,dez anos para concluir o curso, e apenas 24,2% concluíram o curso no tempo esperado de seis anos. Os resultados sugerem que, apesar de ter havido uma elevada taxa de graduação, poucos concluem o curso no tempo regulamentar, realçando a importância de identificar as causas da estadia prolongada de estudantes no curso, o que pode ter implicação na gestão acadêmica e na planificação de recursos humanos de saúde. A taxa de graduados no tempo ideal, combinada com a taxa de graduação, pode ser um indicador de eficiência e um instrumento de apoio na gestão do sistema de educação médica.<hr/>ABSTRACT The time required to complete undergraduate medical courses is well established in medical school training programs worldwide. However, not all students complete the degree in the expected timeframe, which can lead to a low graduation rate. Nevertheless, an isolated analysis of the graduation rate does not accurately predict the magnitude of training costs if it does not take into account the average completion time, particularly for undergraduate medical course for which the training time is longer and requires substantial resources. The aim of this study was to determine the length of time to complete the degree, as well as the proportion of students who graduated within the regular timeframe. In this retrospective study, we analysed data from 15 cohorts of medical students who finished the undergraduate program at the Faculty of Medicine of the Agostinho Neto University (FMUAN) in Angola, from 2001 to 2015. Data were collected from the academic records registered at the FMUAN. From the total number of graduates (n = 1259), 59.7% were women and the average age at course completion was 35 ± 7 years. The average admission rate was 6.8%, and it was found that 88 students (36 men and 52 women) had graduated per year. On average, students took 10 years to complete the degree. The graduation rate was 82.2%, and only 24.2% of the total graduates concluded the program in the regular period of six years. The results suggest that despite a high graduation rate, less than one third of the students finished the training program within the expected timeframe, highlighting the need to identify the causes of prolonged course duration which may have implications for both academic management and for human resource planning in health. Thus, a combined analysis of graduation rate and the time to complete the undergraduate course may be a good indicator of the efficiency of the medical education system.