Scielo RSS <![CDATA[Revista de Economia PolĂ­tica]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-315720150002&lang=pt vol. 35 num. 2 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Chronic macro-economic and financial imbalances in the world economy: a meta-economic view]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572015000200203&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Global finance, combining offshore banking and universal banks to drive a broader globalization process, has transformed the modus operandi of the world economy. This requires a new "meta-economic" framework in which short-term portfolio-investment flows are treated as the dominant phenomenon they have become. Organized by global finance, these layered bi-directional flows between center and periphery manage a tension between financial concentration and monetary fragmentation. The resulting imbalances express the asymmetries built into that tension and render the exchange rate a more strategic policy variable than ever.<hr/>As finanças globais, combinando a operação bancária offshore e bancos universais para conduzir um processo de globalização mais amplo, tem transformado o modus operandi da economia mundial. Isto exige um novo quadro "meta-econômico", em que os fluxos de carteira de investimento a curto prazo são tratados como o fenômeno dominante no qual eles se tornaram. Organizado pela finança global, esses fluxos bidirecionais em camadas entre o centro e a periferia gerenciam uma tensão entre a concentração financeira e a fragmentação monetária. Os desequilíbrios resultantes expressam as assimetrias embutidas nessa tensão e transforam a taxa de câmbio na política estratégia mais variável do que nunca. <![CDATA[The Brazilian deindustrialization: financialization is not guilty]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572015000200227&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt The financialization of the Brazilian economy is often criticized as being responsible of the slowdown of capital accumulation in this country. Indeed, very high interest rates are maintained in order to finance the public debt, and this fosters capitalists to get more Treasury bonds rather than to invest in the productive area. Nevertheless, the evolution of the profit rate in this area also explains the particular relation existing between capitalists, finance and productive investment, as Marx showed it more than a century ago.<hr/>A financeirização da economia brasileira é frequentemente criticada como sendo responsável pela desaceleração da acumulação de capital no país. Na verdade, muito altas taxas de juros são mantidas a fim de financiar a dívida pública, o que fomenta capitalistas para conseguir mais títulos do Tesouro em vez de investir na área produtiva. No entanto, a evolução da taxa de lucro nesta área também explica a relação especial existente entre os capitalistas, finanças e investimento produtivo, como mostrou Marx mais de um século atrás. <![CDATA[The structuralist tradition in economics: methodological and macroeconomics aspects]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572015000200247&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt This paper examines the structuralist tradition in economics, emphasizing the role that structures play in the economic growth of developing countries. Since the subject at hand is evidently too large to cover in a single article, an emphasis has been brought to bear upon the macroeconomic elements of such a tradition, while also exploring its methodological aspects. It begins by analysing some general aspects of structuralism in economics (its evolution and origins) associated with ECLAC thought, in this instance focusing on the dynamics of the center-periphery relationship. Thereafter, the macroeconomic structuralism derived from the works of Taylor (1983, 1991) is presented, followed by a presentation of neo-structuralism. Centred on the concept of systemic competitiveness, this approach defines a strategy to achieve the high road of globalization, understood here as an inevitable process in spite of its engagement being dependent on the policies adopted. The conclusions show the genuine contributions of this tradition to economic theory.<hr/>Este artigo analisa a tradição estruturalista em economia, com ênfase no papel que as estruturas desempenham no crescimento econômico dos países em desenvolvimento. Uma vez que o assunto em questão é, evidentemente, muito grande para cobrir em um único artigo, a ênfase é exercida sobre os elementos macroeconômicos de tal tradição, ao mesmo tempo em que explora seus aspectos metodológicos. Começa por analisar alguns aspectos gerais do estruturalismo em economia (a sua evolução e origens) associados com o pensamento da CEPAL, neste caso enfocando a dinâmica da relação centro-periferia. Depois disso, o estruturalismo macroeconômico derivado das obras de Taylor (1983, 1991) é apresentado, seguido de uma apresentação do neo-estruturalismo. Centrada sobre o conceito de competitividade sistêmica, essa abordagem define uma estratégia para se alcançar o elevado caminho da globalização, entendido aqui como um processo inevitável, apesar de seu envolvimento estar dependente das políticas adotadas. As conclusões mostram as verdadeiras contribuições desta tradição para a teoria econômica. <![CDATA[Neoliberalism and global capital mobility: a necessary reconsideration of textbook trade theory]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572015000200267&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Textbook theory ignores capital flows: trade determines exchange rates and specialisation. Approaches taking the effects of capital movements adequately into account are needed, and a new theory of economic policy including measures to protect the real economy from external volatility. Equilibrating textbook mechanisms cannot work unless trade-caused surpluses and deficits set exchange rates. To allow orthodox trade theory to work one must hinder capital flows from destroying its very basis, which the IMF and wrong regulatory decisions have done, penalising production and trade. A new, real economy based theory is proposed, a Neoclassical agenda of controlling capital flows and speculation.<hr/>A teoria dos livros didáticos ignora os fluxos de capital: o comércio determina as taxas de câmbio e de especialização. São necessárias abordagens que levem em consideração os movimentos de capital adequadamente, e uma nova teoria da política econômica, incluindo medidas para proteger a economia real da volatilidade externa. O mecanismo de equilíbrio de livros didáticos não pode funcionar para definir as taxas de câmbio. Para que a teoria ortodoxa do comércio funcione é preciso impedir que os fluxos de capital destruam a sua própria base, causadas pelo FMI por decisões regulamentares erradas, penalizando a produção e o comércio. Uma teoria nova, baseada na economia real é proposta, uma agenda neoclássica de controle de fluxos de capital e da especulação. <![CDATA[Emerging markets and the international financial architecture: a blueprint for reform]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572015000200285&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt If emerging markets are to achieve their objective of joining the ranks of industrialized, developed countries, they must use their economic and political influence to support radical change in the international financial system. This working paper recommends John Maynard Keynes's "clearing union" as a blueprint for reform of the international financial architecture that could address emerging market grievances more effectively than current approaches. Keynes's proposal for the postwar international system sought to remedy some of the same problems currently facing emerging market economies. It was based on the idea that financial stability was predicated on a balance between imports and exports over time, with any divergence from balance providing automatic financing of the debit countries by the creditor countries via a global clearinghouse or settlement system for trade and payments on current account. This eliminated national currency payments for imports and exports; countries received credits or debits in a notional unit of account fixed to national currency. Since the unit of account could not be traded, bought, or sold, it would not be an international reserve currency. The credits with the clearinghouse could only be used to offset debits by buying imports, and if not used for this purpose they would eventually be extinguished; hence the burden of adjustment would be shared equally - credit generated by surpluses would have to be used to buy imports from the countries with debit balances. Emerging market economies could improve upon current schemes for regionally governed financial institutions by using this proposal as a template for the creation of regional clearing unions using a notional unit of account.<hr/>Se os mercados emergentes estão atingindo seu objectivo de se juntar às fileiras dos industrializados, os países desenvolvidos, eles devem usar sua influência econômica e política para apoiar a mudança radical no sistema financeiro internacional. Este documento de trabalho recomenda a “união de compensação” de John Maynard Keynes como um modelo para a reforma da arquitetura financeira internacional que poderia abordar as queixas de mercados emergentes de forma mais eficaz do que as abordagens atuais. A proposta de Keynes para o sistema internacional pós-guerra procurou remediar alguns dos mesmos problemas que atualmente enfrentam as economias de mercado emergentes. Foi com base na ideia de que a estabilidade financeira foi baseada em um equilíbrio entre importações e exportações ao longo do tempo, com diferenças em relação ao equilíbrio do fornecimento de financiamento automático aos países devedores por parte dos países credores através de um sistema de câmara de compensação ou de liquidação global de comércio e pagamentos em conta corrente. Isso eliminou os pagamentos em moeda nacional para as importações e exportações; países receberam créditos ou débitos em uma unidade fictícia de conta fixa para a moeda nacional. Uma vez que a unidade de conta não poderia ser negociada, comprada ou vendida, não seria uma moeda de reserva internacional. Os créditos com a câmara de compensação só poderiam ser utilizados para compensar débitos através da compra de importações, e se não fossem usado para este fim eventualmente seriam extintos; assim o fardo do ajustamento seria dividido igualmente - o crédito gerado por excedentes teria que ser usado para comprar as importações provenientes dos países com saldos devedores. Economias de mercado emergentes poderiam melhorar usando esta proposta como um modelo para a criação de sindicatos regionais de compensação, utilizando uma unidade fictícia de conta. <![CDATA[The general equilibrium theory as economic metatheory]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572015000200306&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Many economists show certain nonconformity relative to the excessive mathematical formalization of economics. This stems from dissatisfaction with the old debate about the lack of correspondence between mainstream theoretical models and reality. Although we do not propose to settle this debate here, this article seeks to associate the mismatch of mathematized models with the reality of the adoption of the hypothetical-deductive method as reproduced by general equilibrium. We begin by defining the main benefits of the mathematization of economics. Secondly, we address traditional criticism leveled against it. We then focus on more recent criticism from Gillies (2005) and Bresser-Pereira (2008). Finally, we attempt to associate the reproduction of the hypothetical-deductive method with a metatheoretical process triggered by Debreu's general equilibrium theory. In this respect, we appropriate the ideas of Weintraub (2002), Punzo (1991), and mainly Woo (1986) to support our hypothesis.<hr/>Muitos economistas têm certo inconformismo em relação ao excesso de formalização matemática da economia. Isso emerge da insatisfação em relação a um debate antigo sobre a falta de correspondência com a realidade dos modelos teóricos de "mainstream". Embora não tenhamos a pretensão de resolver esse debate aqui, buscamos neste artigo associar a falta de correspondência dos modelos mais matematizados com a realidade a adoção do método hipotético-dedutivo reproduzido pelo equilíbrio geral. Partimos da definição dos principais benefícios gerados pela matematização da economia. Em seguida, apontamos as críticas mais tradicionais. Depois nos concentramos nas críticas recentes de GILLIES (2005) e BRESSER-PEREIRA (2008) a esse processo. Por último, de maneira tentativa buscamos associar a reprodução do método hipotético-dedutivo a um processo meta-teórico deflagrado com a teoria do equilíbrio geral de Debreu. Nesse aspecto, nos apropriamos das ideias de WEINTRAUB (2002), PUNZO (1991), mas principalmente de WOO (1986) para apoiar nossa hipótese. <![CDATA[The boom and crisis of the Convertibility Plan in Argentina]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572015000200325&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt This article analyses the relationship between state policies and economy in Argentina 1991-2001. In 1991 the currency board regime named 'convertibility' was implemented, within the framework of important neoliberal reforms introduced by the State. These neoliberal reforms facilitated capitalist restructuring, characterized by a leap in productivity, investment and profits. Likewise, these reforms generated imbalances which, along with the changes in the world market conditions from 1998, led to the deepest crisis in Argentina's history. The inefficiency of state neoliberal policies in managing the crisis, based on fiscal adjustment to guarantee the continuity of external financing, led to an economic depression and a financial crash, sparking a mass rebellion and the end of convertibility.<hr/>Este artigo analisa a relação entre as políticas de estado e a economia na Argentina entre 1991-2001. Em 1991, foi implementado o regime de currency board chamado 'convertibilidade", no âmbito das importantes reformas neoliberais introduzidas pelo Estado. Estas reformas neoliberais facilitaram a reestruturação capitalista, caracterizada por um salto na produtividade, nos investimentos e nos lucros. Da mesma forma, essas reformas geraram desequilíbrios que, juntamente com as mudanças das condições do mercado mundial de 1998, levaram à crise mais profunda na história da Argentina. A ineficiência das políticas neoliberais do Estado na gestão da crise, com base no ajuste fiscal para garantir a continuidade do financiamento externo, levou a uma depressão econômica e a um crash financeiro, o que provocou uma rebelião em massa e o fim da conversibilidade. <![CDATA[Dr Brasilia and Mr. Nacala: the apparent duality behind the Brazilian state-capital nexus]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572015000200343&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt In August 2010 Brazil decided to limit foreign direct investments (FDIs) in land, and attracted the attention of politicians as much as the fears of businessmen. However, few months before, in September 2009, it had concluded a trilateral agreement with Japan and Mozambique to implement agribusiness and contract farming on an area of ten million hectares in the Mozambican region of Nacala. In light of that, the paper analyses the apparent duality of the Brazilian politics, and concludes that, exactly like in the case of the novel by Robert Louis Stevenson, it is not a matter of pathology, but a voluntarily induced double personality which is strategic in positioning Brazil at the core of the global capitalist system.<hr/>Em agosto de 2010 o Brasil decidiu limitar os investimentos diretos estrangeiros (IDE) em terra, e atraiu a atenção de políticos, tanto quanto os temores de empresários. No entanto, alguns meses antes, em setembro de 2009, havia sido concluído um acordo trilateral com o Japão e Moçambique para implementar o agronegócio e um contrato de produção agrícola em uma área de dez milhões de hectares na região de Nacala. À luz disso, o artigo analisa a aparente dualidade da política brasileira, e conclui que, exatamente como no caso do romance de Robert Louis Stevenson, não é uma questão de patologia, mas uma dupla personalidade induzida voluntariamente que é estratégica para posicionar o Brasil no centro do sistema capitalista global. <![CDATA[Continuidade ou ruptura? Uma análise de alguns aspectos da filosofia social de John Stuart Mill, Alfred Marshall e John Maynard Keynes]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572015000200360&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O artigo argumenta que é possível se falar em uma 'tradição' no campo de filosofia social e econômica unindo as obras de J.S. Mill e Alfred Marshall e J.M. Keynes. Essa 'tradição' pode ser caracterizada pelas seguintes concepções: (a) pela rejeição moral aos valores aquisitivos do capitalismo; (b) pela visão de que o sistema capitalista seria incapaz de resolver de forma espontânea as questões das desigualdades de renda e riqueza e da pobreza; (c) pela ideia de que, por uma questão de garantia de liberdade e da diversidade, além de por questões de eficiência econômica, dever-se-ia deixar a iniciativa individual agir livremente nas esferas em que é capaz de engendrar bons resultados, mas que o Estado deveria intervir, quando essa falha, atuando em benefício da coletividade; (d) pela crença de que seria possível melhorar significativamente esse sistema por meio de mudanças pontuais e graduais.<hr/>It is argued in this paper that it's possible to speak of a 'tradition' in the field of social and economic philosophy uniting the works of J.S. Mill, Alfred Marshall and John Maynard Keynes. This 'tradition' can be characterized by the following concepts: (a) by the rejection of the acquisitive values of capitalism; (b) by the ideia that capitalism would be incapable of spontaneously solving the problems of distribution of wealth and poverty; (c) by the idea that, for the sake of the preservation of liberty, diversity and economic efficiency, individual initiative should be free to act wherever it engenders good results, but that the State should intervene whenever the free initiative fails, acting in the good of collectivity; (d) by the belief that it would be possible to make capitalism significantly better by the way of small and gradual changes.