Scielo RSS <![CDATA[Trans/Form/Ação]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-317320160004&lang=en vol. 39 num. 4 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Palavra do Editor]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400007&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[Durkheim's critique of epiphenominalism in psychology and its sociological and philosophical implications]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400009&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: O objetivo deste artigo é tomar a crítica de Durkheim ao epifenomenismo em psicologia para demonstrar o modo pelo qual sua sociologia mobiliza questões e problemas característicos da filosofia francesa de finais do século XIX. Primeiramente, descreveremos o recurso de Durkheim a teses advindas da filosofia, visando a apontar as insuficiências da psicofisiologia na definição da vida psíquica. Nessa ocasião, apresentaremos a consonância do ponto de vista de Durkheim com as concepções de seu contemporâneo, Bergson. Em seguida, demonstraremos que não se trata para Durkheim de simplesmente duplicar as teses da filosofia. A partir de uma analogia entre a consciência individual e a consciência coletiva, Durkheim tomará um pressuposto fundamental retirado da crítica filosófica ao epifenomenismo - a saber, a autonomia e a independência relativa do espírito para com seu substrato - e o estenderá à sua concepção de sociedade. Por fim, autorizados por Durkheim, que admite que o problema da gênese do coletivo a partir do individual é um problema sociologicamente insolúvel, destinado à metafísica resolver, evidenciaremos como a filosofia espiritualista, comemorada por Durkheim como prestando grandes serviços à ciência, poderia contribuir na elucidação desse problema.<hr/>ABSTRACT: The purpose of this article is employing Durkheim's criticism of epiphenomenalism in psychology to demonstrate the way his sociological work mobilizes characteristic subjects and problems of the late nineteenth century French philosophy. Firstly we will describe Durkheim's approach to the philosophical thesis in order to point out the insufficiencies of the psychophysiology on the definition of psychic life. We proceed to present the consonance of Durkheim's point of view with the conceptions of his contemporary, Bergson. We are willing to demonstrate that Durkheim is not concerned with the mere reproduction of philosophical theses. After establishing an analogy between the individual and collective consciousness, Durkheim will take a fundamental assumption inspired by a philosophical critique of epiphenomenalism - namely, the autonomy and the relative independence of spirit toward his substrate - and extend it to their own conception of society. Finally, in accordance with Durkheim, who admits that the problem of the genesis of the collective from individual is a sociologically insoluble problem, and that its resolution is a metaphysical task, we intend to demonstrate how the spiritualistic philosophy, celebrated by Durkheim as providing great services to science, could contribute for the elucidation of this enigmatic process. <![CDATA[An argument for the existence of God formulated by Pierre Duhem]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400033&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: O objetivo deste artigo é examinar o que entendemos ser uma prova original da existência de Deus na obra de Pierre Duhem. Cremos que a originalidade dessa prova consiste especialmente nas premissas usadas pelo filósofo. Quanto à forma, a mesma assemelha-se ao conhecido argumento do desígnio, mas a sua versão se caracteriza por buscar na história das teorias físicas a matéria da qual a existência de uma Providência é derivada. É a complexa evolução das teorias e, a despeito dela, a sua espantosa progressividade em direção a estágios sempre mais perfeitos que servem de premissa para a via duhemiana de acesso a Deus. Tudo se passa como se houvesse uma suposta pré-ordenação divina do curso das teorias, uma finalidade intrínseca a ele.<hr/>ABSTRACT: The aim of this paper is to examine what we believe to be an original proof of the existence of God in the work of Pierre Duhem. We think that the originality of this proof consists especially in the assumptions used by the French philosopher in his argumentation. Regarding the form, it resembles the well-known design argument, but his version is characterized by seeking in the history of physical theories the matter from which the existence of a Providence is derived. It is the complex evolution of theories and, despite it, its amazing progress towards ever more perfect theories that serves as the premise for Duhem's way of access to God. Everything goes as if it had been a divine preordainment and an intrinsic goal ruling the evolution of theories. <![CDATA[Psychoanalysis as a political paraphrase: the École <em>Freudienne de Paris</em> and the Lacanian 'ethification' of theory]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400059&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: Em grande medida, os estudos sobre a constituição do arcabouço teórico do lacanismo têm ocorrido ao largo do exame de sua historicidade. Essa negligência reforça o ocultamento do processo social que levou a produção lacaniana a uma profunda integração entre a formalização e a etificação da teoria. Esse processo não pode ser compreendido sem a contextualização crítica da conjuntura política que cercou a proposta e a existência da École Freudienne de Paris (EFP), fundada por Lacan, em 1964. A estreita convivência com os jovens militantes dos grupos da esquerda extraparlamentar da época, notadamente os maoístas, e a assimilação de suas problematizações fizeram do pensamento lacaniano e da EFP o espaço de objetivação de um discurso movido pela paráfrase política e seus efeitos de engajamento. Este artigo pretende expor as linhas de estruturação político-social dos conceitos forjados por Lacan, em meio à instituição e à consolidação de sua Escola.<hr/>ABSTRACT: To a great extent the studies of the constitution of the Lacanism theoretical framework have occurred off the examination of its historicity. This neglect strengthens the concealment of the social process that led the Lacanian production to a deep integration between the theory formalization and the theory ethification. This process can not be understood without grasping the context of the political environment that surrounded the proposal and the existence of École Freudienne de Paris (EFP), founded by Lacan in 1964. The close contact with the young militants of the extra-parliamentary left groups of the time, notably the Maoists, and the assimilation of the problems they rose made the Lacanian thought and EFP the place of objectification of a speech moved by the political paraphrase and their engagement effects. This article aims to expose the lines of political and social structure of concepts forged by Lacan through the establishment and consolidation of his School. <![CDATA[Body and femininity: the Other jouissance in Lacan and becoming-woman in Deleuze and Guattari]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400085&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMEN: Jacques Lacan introduce en su seminario XX Aún (1972-73) una distinción entre dos tipos de goce [jouissance]: un goce fálico o sexual propiamente masculino, y en el caso de la posición femenina, y complementario del anterior, un goce Otro o goce del cuerpo absolutamente particular de cada mujer. Deleuze y Guattari piensan la feminidad en Mil mesetas (1980) como un devenir-mujer consistente en la construcción de un "cuerpo sin órganos" singular y propio más allá del organismo que resulta de disciplinar familiar y socialmente este cuerpo. Este estudio pretende demostrar la convergencia de ambas propuestas al pensar la feminidad como una vivencia singular del propio cuerpo.<hr/>ABSTRACT: Jacques Lacan distinguishes in his seminar XX Still (1972/1973) between two types of jouissance: a phallic and male sexual jouissance, and in the case of the women, an absolutely particular Other jouissance of the body of each subject. Deleuze and Guattari think femininity in A Thousand Plateaus (1980) as a becoming-woman involving the construction of a "body without organs" unique and singular beyond the familiarly and socially disciplined body. This study aims to demonstrate the fundamental coincidence of both proposals when thinking femininity as a particular experience of the own body. <![CDATA[Government and power in Foucault]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400107&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: O presente artigo mostra que o conceito de "governo" de Michel Foucault ocupa o espaço aberto por sua crítica ao poder moderno. Foucault passa aos poucos do conceito de poder à noção de governo em suas análises. Porém, não se trata de substituição de conceitos equivalentes, mas de um refinamento conceitual que ilumina a dimensão da atividade dos sujeitos como base das relações sociais e políticas modernas. Assim, este texto tem dois momentos distintos e complementares: mostra a possibilidade de passar do conceito de poder ao conceito de governo, pelo menos como elemento central da análise social e política, e discute o alcance do conceito de governo, que se instala em uma dimensão diferente daquela do poder.<hr/>ABSTRACT: This article shows that Michel Foucault's concept of government occupies the space opened for his critique of modern power. Foucault passes gradually from the concept of power to the notion of government in their analysis. However, it is not a replacement of equivalent concepts, but a conceptual refinement that illuminates the dimension of activity of subjects as the basis of modern social and political relations. Thus, this article has two distinct and complementary stages: it shows the possibility of moving from the concept of power to the concept of government, at least as the central concept to the social and political analysis, and it discusses the scope of the concept of government, which is installed in a different dimension from that of power. <![CDATA[Contract and utopia: the continuity and discontinuity of the libertarian myths of anarchy, state, and utopia]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400127&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMEN: El presente trabajo examina Anarquía, Estado y utopía de Robert Nozick a la luz de los mitos y ficciones sobre los cuales se construye. En este sentido, se sostendrá que es posible identificar dos mitos principales: el estado de naturaleza lockeano, cuyo principio se deja resumir en la máxima volenti non fit iniuria; y la meta-utopía libertaria, que se deja explicar como una aplicación de la teoría evolutiva de Hayek y de la epistemología de Popper a la construcción de una utopía. Se sostendrá además que existe una continuidad entre ambos mitos y que dicha continuidad viene dada por una intuición moral que Nozick formula al principio de la obra y que sirve también de inspiración al mito libertario: que la vida solo puede tener sentido cuando se deja a cada persona vivir la suya del modo en que estime conveniente. Dicha intuición, se concluirá, se traduce en el campo de la política y del derecho en el principio de que cada persona es dueña de sí misma y que, por consiguiente, esta forma particular de propiedad constituye el secreto hilo conductor de toda la obra.<hr/>ABSTRACT: This paper examines Robert Nozick's Anarchy, State, and Utopia in the light of the myths and fictions upon which it is built. I hold that it is possible to identify two main myths: the Lockean state of nature, whose principle can be summarized by the maxim volenti non fit injuria, and the libertarian meta-utopia, that can be explained as an application of Hayek evolutive theory and of Popper's epistemology in order to construct an utopia. I also claim that there is a continuity between both myths, and that this continuity is granted by a moral intuition that Nozick presents at the beginning of this work, and that also inspires the libertarian myth: that life can only have sense when each person is allowed to live her own in the way she deems convenient. I will conclude that this intuition finds an expression, in the field of politics and law, in the principle that each person owns herself and, hence, that this peculiar form of ownership is the secret thread of the whole book. <![CDATA[The transindividual: from Simondon to Marx]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400153&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMEN: El presente artículo trata de lo transindividual, un concepto fundamental en la teoría de la individuación elaborada por Gilbert Simondon (1924-1989), y de su vinculación con ciertas proposiciones de Karl Marx que tratan del individuo y la sociedad. Entre ambos autores existe una relación directa, evidenciada en cada uno de los textos donde Simondon hace mención a Marx y al marxismo en general. Pero también existe una relación indirecta, para nada evidente, que surge menos de lo que Simondon dice acerca de Marx que de lo que ciertos pensadores contemporáneos dicen sobre uno y otro. Aquí intento dar cuenta de ambos tipos de relaciones. Asimismo, me propongo introducir y comentar algunos pasajes de Marx que compiten en radicalidad y audacia con los que escribiera Simondon un siglo más tarde, y en los cuales quiero apoyar mi hipótesis de lectura, a saber, que Marx es un pensador de lo transindividual avant la lettre.<hr/>ABSTRACT: The present article is about the transindividual, a fundamental concept in the theory of the individuation produced by Gilbert Simondon (1924-1989), and about its entailment with certain propositions of Karl Marx, that deal with the individual and the society. Between both authors there is a direct relationship, evidenced in each of the texts where Simondon makes mention to Marx and the Marxism in general. But it also exists an indirect relationship, at all evident, that arises less from what Simondon says about Marx than from what certain contemporary thinkers claim about one and the other. Here I attempt to give account of both types of relationships. In addition, I propose to introduce and comment some passages of the work of Marx, which compete in both radicalness and audacity with those that Simondon wrote a century after. And in which I want to sustain my reading hypothesis, namely, that Marx is a thinker of the transindividual avant la lettre. <![CDATA[The transanimal in man: on the question of animality in Hans Jonas]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400173&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: Ao procurar promover a reconciliação do homem com a natureza, ensejando recompor a ordem da criação fraturada com o advento da modernidade, o movimento dominante do pensamento de Hans Jonas consiste em buscar restaurar a dignidade da natureza animal, nela reconhecendo atributos humanos, como o âmbito da interioridade. Embora louvável, a visão joniana da animalidade insiste em definir claramente o próprio do homem, o que termina por comprometer o efetivo acolhimento de direitos morais específicos à natureza animal. Além disso, sua obra falha em reconhecer com a necessária radicalidade a participação, no sentido contrário, do homem na animalidade, que ela mesma advoga. São faltas que julgamos preciso acusar nesse pensamento: 1) não deslindar o outro natural/animal como o esquecido por excelência na insistente afirmação da diferença específica do homem; 2) não privilegiar uma experiência de teor estético-moral capaz de propiciar a abertura à alteridade natural/animal, que o homem expurga de si mesmo na afirmação de seu caráter transanimal.<hr/>ABSTRACT: Seeking to promote the reconciliation of man with nature and restore the order of creation fractured with the advent of modernity, the dominant movement of thought of Hans Jonas is to search for restore the dignity of animality, recognizing human attributes in animality, as the realm of inwardness. Although praiseworthy, the joniana vision of animality insists clearly define what is proper to man, which ends up hindering effective reception of moral rights specific to animal nature. In addition, it fails to recognize the participation in the opposite direction, the man in animality, which itself advocates. The faults we think is necessary to point out that thought are: 1) not unravel the other natural/animal as the forgotten for excellence in insistent affirmation of the specific difference of man; 2) does not favor an aesthetic-moral content of experience able to provide openness to otherness that the very man purges himself in affirmation of its transanimal character. <![CDATA[Alexander Kluge and Theodor W. Adorno: cultural industry, film, and public counterspheres]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400197&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMEN: El propósito del presente escrito es preguntarnos por el campo complejo que se abre en la confluencia de las trayectorias de Alexander Kluge y Theodor W. Adorno. Desarrollaremos, en primer lugar, algunos hitos históricos que permitan situarnos en el contexto de ese acercamiento. Luego, tomando como punto de partida el problema clave de la referencialidad de la imagen que, tanto para Kluge como para Adorno es central en las reflexiones sobre una estética propia del cine, abordaremos cuatro temas que consideramos nos permiten repensar las relaciones de los dos teóricos: palabra e imagen, la idea de montaje, imagen y experiencia subjetiva y la cuestión de la recepción.<hr/>ABSTRACT: The aim of this paper is to explore the complex convergence between the trajectories of Alexander Kluge and Theodor W. Adorno. In the first place, we develop some historical milestones that allow us to describe the context of this closeness. Then, taking as a starting point the key problem of the image referential -which for Kluge and Adorno is the main concern in the reflections on a particular aesthetics of film-, we will address four issues that let us rethink the relationship of the two of them: the idea of ​​montage, narrative and image, subjective experience and the matter of reception. <![CDATA[Phantasms of realism in the work of J. M. Coetzee]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000400219&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: Com um estilo sóbrio e minimalista, a prosa literária de J. M. Coetzee é um espaço criativo onde diferentes identidades literárias são constantemente baralhadas e uma perigosa sobreposição de alter-egos é sistematicamente ensaiada. Pensando sobre todas essas nuances, filósofos contemporâneos a trabalhar sobre a obra do escritor sul-africano têm descrito o seu trabalho como "realista-modernista'. Neste artigo, discuto uma obra específica de Coetzee (Diário de um Mau Ano) - focando sobretudo a estranha técnica gráfica da tripartição da página em três vozes literárias e a respectiva relação com a ideia de "pensamento ético de substituição" -, confrontando-a com a sua obra como um todo. Num segundo momento, apresento um modelo filosófico para explicar o seu "realismo modernista" e termino traçando o impacto desse modelo filosófico sobre a própria filosofia que o apresenta.<hr/>ABSTRACT: Dispassionate and sober, J. M. Coetzee's prose is a space in which literary identities are continually unsettled, methodological subtleties both revealed and explored. Given these features, philosophers have described Coetzee's style as "modernist realist". In this paper, I discuss the relevance of Coetzee's use of the split page in Diary of a Bad Year, focusing on its role in undermining "ersatz ethical thought". In the second part of the paper, I develop a model for explaining Coetzee's modernist realism. This model is situated within a broader, self-critical project that traces the significance of my analysis for the form of philosophical discourse.