Scielo RSS <![CDATA[Trans/Form/Ação]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-317320160005&lang=en vol. 39 num. SPE lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Palavra do Editor]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500007&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[A Política na Alcova: Ecos Espinosanos em Sade]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500009&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: O presente artigo tem por objetivo investigar a recepção do Tratado Teológico-Político de Espinosa, bem como sua crítica da religião pelo Marquês de Sade, numa obra bastante peculiar e que desafia todas as tentativas de classificação: La Philosophie dans le Boudoir. Em seu "Quinto Diálogo", Sade insere um texto intitulado "Franceses, mais um esforço se quereis ser Republicanos". Através do emprego desse artifício metalinguístico - um livro dentro de um livro - a política é agora introduzida na alcova e o leitor se dá conta de que a instrução de Eugénie não é meramente sexual, mas também uma educação filosófica e política. Por meio de sua crítica ao Cristianismo, na primeira seção do texto, Sade argumenta que a tirania e a superstição religiosa são âmbitos intimamente relacionados, e a teologia é um dos principais alicerces do poder político.<hr/>ABSTRACT: This article aims to investigate the interpretation by the Marquis de Sade of Spinoza's Theological-Political Treatise. Sade's interpretation appears in a very peculiar work which defies all rigid attempts of classification: La Philosophie dans le Boudoir. In the "Fifth Dialogue", Sade inserts a pamphlet entitled "Yet another effort, Frenchmen, if you would become Republicans". Through the employment of a metalinguistic device - a book inside a book - politics is now introduced into the boudoir, and the reader becomes aware that Eugénie's education is not merely sexual, but also philosophical and political. Through his critique of Christianity in the first section of the pamphlet, Sade argues that tyranny and religious superstition are closely related and that theology is one of the main foundations of political power. <![CDATA[O Conceito de Imitação no Jovem Friedrich Schlegel]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500023&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: Tomando por base o ensaio Über das Studium der griechschen Poesie (Sobre o estudo da poesia grega), este trabalho tem por objetivo investigar o conceito de imitação no pensamento do jovem Friedrich Schlegel. Além de explicitar dois usos distintos do conceito - que aparece ora como imitação do real, ora como imitação dos antigos - pretende-se identificar oscilações e tensões terminológicas que possam esclarecer a postura filosófica do autor, frente à profunda crise de legitimidade, que, naquela época, atinge a concepção da arte como imitação da natureza. É intenção mostrar que, embora reconheça os aspectos negativos que a má aplicação do modelo clássico provoca na produção e na teoria da arte moderna, Schlegel também propõe um sentido positivo, à luz do qual a imitação pode ser harmonizada com os princípios filosóficos basilares de uma estética idealista de feição kantiana.<hr/>ABSTRACT: On the basis of the essay Über das Studium der griechschen Poesie (On the Study of Greek Poetry), this work intends to investigate the concept of imitation in the thought of the young Friedrich Schlegel. In addition to pointing out two different uses of this concept - which appears either as imitation of the real or as imitation of the ancients - it is our aim to identify alternations and terminological tensions that might illuminate the author's philosophical position regarding the deep legitimacy crisis which, at the time, hounded the concept of art as imitation of nature. It is our intention to show that, although Schlegel did recognize the negative effects of the thoughtless employment of the classical model on the theory and practice of modern art, he also put forward a positive sense in which imitation could be harmonized with the founding philosophical principles of an idealist Kantian-like aesthetics. <![CDATA[A Ópera e o Final Feliz: Questões de Poética]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500037&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: Desde os primórdios dos espetáculos teatrais inteiramente musicados, estabelece-se a convenção tácita do final feliz. Desse modo, até mesmo episódios oriundos de escritores antigos, com conhecidos finais funestos, acabaram sendo transformados, acomodando a trama aos usos dos locais onde óperas eram apresentadas. Apesar de parecer uma solução fácil ou episódica, há algumas questões poéticas envolvidas, o que transparece sobretudo em alguns escritos sobre ópera, no século XVIII. A proposta deste artigo é discutir, em primeiro lugar, através de exemplos, como o final feliz acontece em algumas óperas e qual a função que nelas desempenha; num segundo momento, a intenção é mostrar como a crítica italiana do final do século XVIII se mobiliza para dar conta da questão.<hr/>ABSTRACT: Ever since the appearance of the first dramas entirely set to music, happy endings have emerged as a tacit convention. Even ancient myths with their sad endings were transformed, adapting plots to local customs where operas were performed. Although it may seem a facile or occasional solution, there are some important poetical questions involved which appear in certain writings on opera from the eighteenth century. The purpose of this article is to discuss, by means of examples, how the happy ending appears in some operas, and what function it has. The article also pretends to show how Italian critics of the late eighteenth century approached the question. <![CDATA[As Noções de <em>Stimmung</em> em uma Série Histórica: entre Disposição e Atmosfera]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500053&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: A relação entre arte e filosofia é examinada com base na noção de Stimmung, que surge no século XVIII, na teoria musical, como relação de proporção entre tons ou instrumentos, sendo, em seguida, transposta para a estética, no final do século, com Kant e Fichte. Em Kant, a Stimmung refere-se à disposição das faculdades de conhecimento para um conhecimento em geral, isto é, como o pressuposto da apresentação estética, por meio da qual se preserva a noção de proporção entre as faculdades. Em Sobre o espírito e a letra na filosofia, Fichte assinala que a disposição estética é o modo de atuar do impulso estético, ligado livremente e diretamente à faculdade da imaginação e à atividade de criação. Essa tradição estética é revista pelo historiador Aloïs Riegl, em 1899, no ensaio intitulado Die Stimmung als Inhalt der moderne Kunst, no qual o conceito de Stimmung é pela primeira vez apresentado em chave histórica, enquanto conteúdo da arte moderna, no sentido de atmosfera, isto é, da vivência de uma relação por meio da qual a consciência, em conformidade com a lei imanente, adquire alguma certeza. Revisão semelhante foi realizada pelo jovem filósofo György Lukács, em A alma e as formas, de 1910, na qual o autor pensa as diferenças de sentido entre as noções de Stimmung e de atmosfera (Atmosphäre).<hr/>ABSTRACT: The relationship between art and philosophy is examined based on the notion of Stimmung (mood), which appears in eighteenth-century music theory as a proportional relationship between tones or instruments; it was then incorporated into aesthetics at the end of the century in the works of Kant and Fichte. In Kant's works, Stimmung refers to the capacity of the faculties of knowledge for knowledge in general, that is, as a presupposition of aesthetic presentation through which the notion of proportion between the faculties is preserved. In his On the Spirit and the Letter in Philosophy, Fichte points out that the aesthetic disposition is the mode by which the aesthetic impulse acts out, connected freely and directly to the faculty of imagination and to the activity of creation. This aesthetic tradition is revisited by the historian Alois Riegl in 1899 in the essay Die Stimmung als Inhalt der moderne Kunst (Mood as the Subject Matter of Modern Art), where the concept of Stimmung is first presented from historical perspective as content of modern art in the sense of atmosphere, i.e., the experience of a relationship by which awareness, in accordance with immanent law, acquires certainty. A similar review was done by the young philosopher György Lukács in 1910 in Soul and Form, where the author conceptualizes the differences in meaning between the notions of Stimmung and Atmosphäre (atmosphere). <![CDATA[O Lugar-Comum Arte-Natureza em <em>Der Vollkommene Capellmeister</em> ("O Mestre de Capela Perfeito", 1739), de Johann Mattheson]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500075&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: O mundo luterano produziu um enorme arcabouço teórico e prático para a composição, interpretação e análise musical. Entre os séculos XVII e XVIII, autores do gênero de escritos que passou a ser conhecido como musica poetica publicaram preceptivas cujas bases teórica, sistemática e terminológica eram emprestadas de retóricas e de poéticas latinas, leituras obrigatórias em todas as escolas luteranas, desde a reforma do ensino, consolidada em 1528, por Martinho Lutero e Philipp Melanchton. Neste artigo, mostraremos como o lugar comum arte-natureza é imitado, a partir de poéticas latinas, em preceptivas musicais setecentistas, em especial, Der vollkommene Capellmeister ("O mestre-de-capela perfeito", 1739), de Johann Mattheson. Abordaremos os conceitos de natureza e de arte para, em seguida, discutir a relação entre eles e o emprego da tópica arte-natureza, por Johann Mattheson, seja a partir da perspectiva do orador perfeito, seja pela tomada da natureza como modelo da arte. Discorreremos, ainda, sobre a ampliação do conceito de natureza, de modo a incluir também a imitação de autoridades e obras, além da naturalidade como objetivo da arte.<hr/>ABSTRACT: The Lutheran world produced an extensive theoretical and practical framework for musical composition, interpretation, and analysis. In the seventeenth and eighteenth centuries, the authors of what became known as musica poetica published manuals whose systematic, theoretical, and terminological bases were borrowed from Latin rhetorics and poetics (which were required readings in all Lutheran schools after Luther and Melanchthon's reforms of 1528). In this article, we show how the art-nature commonplace was imitated from Latin poetics in eighteenth-century music manuals, especially in Der vollkommene Capellmeister (The Perfect Chapel Master, 1739) by Johann Mattheson. We treat the concepts of nature and art separately, so as to then elucidate the relationship between these concepts and Mattheson's use of the art-nature commonplace, whether from the perspective of the perfect orator or of taking nature as a model of art. We then discuss the expansion of the concept of nature so as to include the imitation of authors and works, and discuss the idea of naturality as the final purpose of art. <![CDATA[A <em>Mimesis</em> Musical]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500093&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: A música ocupa um lugar de destaque como um dos principais meios de imitação. A utilização da música como ferramenta para suscitar e representar afetos, preconizada desde os antigos, chega integralmente ao século XVIII, podendo ser observada claramente nas obras dos compositores alemães ligados à doutrina composicional da Musica Poetica3 e, sobretudo, na obra de Johann Sebastian Bach. Porém, diversas são as espécies de imitação musical, de forma que o intuito deste trabalho foi categorizar e definir a função das espécies imitativas, com base na concepção aristotélica de imitação e nas categorias de imitação propostas por Johann Mattheson, um dos principais teóricos da Musica Poetica, tentando demonstrar que, desde a concepção musical da antiguidade, música e poética são inseparáveis.<hr/>ABSTRACT: Music occupies a prominent place as a means of imitation. The use of music as a tool to inspire and represent affections, which has occurred since ancient times, was integral to eighteenth century music. This can be clearly seen in the works of German composers linked to the compositional doctrine of musica poetica, and especially in the work of Johann Sebastian Bach. However, there are several kinds of musical imitation. Therefore, the purpose of this study is to categorize and define the function of imitation, based on the Aristotelian concept of imitation and on the categories of imitation proposed by Johann Mattheson, one of the main theoreticians of musica poetica. We try to show that ever since the musical conceptions of antiquity, music and poetics have been inseparable. <![CDATA[Meras Coisas e Artes do Espaço: Desconstrução em Obras]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500111&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: Este texto aborda alguns trabalhos contemporâneos em artes visuais (obras de G. Penone, R. Smithson, C. Casanovas) que apresentam diferentes relações e disposições de um material dito natural: pedras. Ao retomar as distinções explicitadas por Heidegger, entre meras coisas, utensílio e obra de arte, bem como entre a pedra, o animal e o homem em relação ao mundo, serão discutidos deslocamentos acerca dessas distinções, com base em apontamentos da desconstrução (Jacques Derrida e outros autores). Pretende-se indicar alguns dos sentidos em que os enfoques desconstrutivos são frutíferos, para se pensar movimentos contemporâneos no âmbito do que Derrida denomina artes do espaço.<hr/>ABSTRACT: This text approaches some contemporary works in the visual arts (works by G. Penone, R. Smithson, C. Casanova) which present different relations and dispositions of a material taken to be natural: stone. I intend to revisit the distinctions presented by Heidegger between mere things, utensils and works of art, as well as between stone, animal and man in connection with the world. Furthermore, I will discuss dislocations regarding such issues, based on indications from deconstruction (Jacques Derrida and other authors). I aim to indicate some of the meanings under which deconstructive approaches are fruitful for thinking about contemporary movements within the scope of what Derrida calls "spatial arts". <![CDATA[<em>Crossing Borders</em>. A Filosofia da Identidade e a Transculturalidade na Arte Contemporânea Africana]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500133&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: No centro da filosofia de Kwame A. Appiah encontra-se a questão da identidade. Partindo do conceito da liberdade de Mill, ele considera a criação de uma identidade pessoal, no sentido de individualidade particular, uma tarefa permanente - como projeto individual. Nesse contexto, os planos de vida não devem ser concebidos como genericamente rigorosos, mas sim incoerentes e muitas vezes mutantes. Com isso, a identidade não se deve entender como algo fixo e cerrado, porém, como uma espécie de mosaico de vários elementos que se encontram em reprogramação contínua - como formação híbrida. A construção da identidade encerra a narração de histórias de vida, tanto individual como coletiva. Os respectivos elementos podem recorrer a diferentes experiências transculturais, consoante a história coletiva e a história de vida do indivíduo. Assim, a transculturalidade é importante, não só para identidades coletivas, como também sempre em nível de identidade pessoal. O filósofo africano Achille Mbembe alude ao nomadismo do ser humano e à imersão e dispersão culturais associadas que se deixam ler como processos da transculturalidade. Na arte africana contemporânea, esses processos da formação da identidade refletem-se no transcultural. Como exemplos, devem ser apresentados os artistas Edson Chagas, Kehinde Wiley, Yinka Shonibare e Romuald Hazoumè, com obras selecionadas.<hr/>ABSTRACT: The issue of identity is at the heart of Kwame Appiah's philosophy. Taking Mill's concept of liberty as his starting point, he views the development of a personal identity in the sense of a particular individuality as an ongoing task - as an individual project. In this context, life plans should not be understood as strictly linear but rather as disparate and continuously changing. Identity is thus not something which is fixed and closed but rather similar to a mosaic, consisting of various elements which are always shifting - a hybrid entity. The construction of identity includes the telling of life stories, both of a collective and of a personal nature. When doing so, each element may refer to diverse, transcultural experiences in keeping with the history of the collective and the life story of the individual. Transculturality is thus of significance not only for collective identities but also always on the level of personal identity. The African philosopher Achille Mbembe speaks of human nomadism and the associated cultural immersion and dispersion, which can be interpreted as transcultural processes. These processes of identity formation are reflected in the transculturality of contemporary African art. Selected works of artists Edson Chargas, Kehinde Wiley, Yinka Shonibare and Romuald Hazoumè will be presented as examples of this. <![CDATA[A Relação entre Arte e Sociedade à Luz do Conceito de Autonomia Estética de Adorno]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500155&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: Sob a ótica do conceito adorniano de autonomia estética, analisamos aqui de qual forma se dá a relação entre sociedade e arte, passando por discussões quanto à separação entre teoria e práxis, quanto à lógica interna da obra de arte, quanto ao poder de integração da indústria cultural, em relação às obras de arte, e quanto à impossibilidade de controlar os seus efeitos sociais, seja ela autônoma, seja engajada. Trata-se, ainda, de demonstrar o caráter ilusório da proposição segundo a qual a arte seria eficaz instrumento politizador, quando utilizada de forma a engajar e adaptar seu conteúdo a objetivos políticos pré-determinados, o que será feito por meio da análise interpretativa das obras de Theodor W. Adorno e de seus comentadores, na área de estética.<hr/>ABSTRACT: This article analyzes the manner in which Adorno's concept of aesthetic autonomy is manifested in the relationship between society and art. The following topics are discussed: the separation between theory and praxis, the internal logic of a work of art, the integrating power of the cultural industry in relation to works of art, and the impossibility of controlling its social effects, whether autonomous or engaged. The article also pretends to demonstrate the illusory nature of the proposition that art can be an effective instrument of politicization when utilized to engage and adapt its content to predetermined political objectives. The works of Adorno and of other commentators in the aesthetic field are used in the analysis. <![CDATA[Um Inimigo do Povo: o Livre-Pensador e o Suicídio]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000500173&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO: Partindo de uma leitura da peça Um inimigo do povo, de Ibsen, o presente texto procurará definir o livre-pensador como aquele que se opõe ao pensamento ou aos pensamentos dominantes, ousando pensar por si próprio. Ao fazê-lo, o livre-pensador se sacrifica, cometendo uma espécie de suicídio (material e moral), proveniente de seu amor incondicional pela sua comunidade. A partir da definição de Ibsen, o artigo procurará alguns exemplos na história do pensamento que a corroborem, como Sócrates, Galileu e Espinosa. No caso da arte, o texto tecerá algumas considerações acerca da transposição dessa condição do livre-pensador para o teatro, como acontece com o Galileu, de Brecht, e A morte de Empédocles, de Hölderlin. Ao final do texto, pretende-se mostrar que também Nietzsche possui uma concepção a respeito do livre-pensador, o qual deve se tornar atemporal e póstumo.<hr/>ABSTRACT: Starting from a reading of Ibsen's An Enemy of the People, the present text will seek to define the free thinker as one who opposes the dominant thinking or thoughts, daring to think for himself. In doing so, the free thinker sacrifices himself, committing a kind of suicide (material and moral) out of his unconditional love for his community. Based on Ibsen's definition, the article seeks examples in the history of thought that corroborate this idea, as in the cases of Socrates, Galileo and Spinoza. The text will make some considerations about the transposition of this condition of the freethinker to the theater, as in Brecht's Galileo and Hölderlin's The Death of Empedocles. At the end of the article, we pretend to show that Nietzsche also had a conception of the free thinker as one who must become timeless and posthumous.