Scielo RSS <![CDATA[Trans/Form/Ação]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-317320150002&lang=pt vol. 38 num. 2 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Palavra do Editor]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000200007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[“Como Deus É Ciente em sua Essência Divina”: a Presciência de Deus em Santo Tomás de Aquino e no <italic>Livro da Contemplação</italic> (C. 1271-1273) de Ramon Llull]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000200009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <p>A proposta deste trabalho é analisar a concepção filosófica de<italic>presciência</italic> em Santo Tomás de Aquino e Ramon Llull, nas obras<italic>Suma Teológica</italic>e <italic>O Livro da Contemplação</italic>. Para isso, discorremos previamente sobre o conceito de<italic>ciência</italic>, base aristotélica tomista. Por fim, apresentamos a tradução (inédita) de um extrato do<italic>Livro da Contemplação</italic>, como base documental para a segunda parte do trabalho.</p><hr/><p>The purpose of this article is to analyze the philosophical conception of <italic>prescience</italic> in St. Thomas Aquinas in the <italic>Summa Theologica</italic> and Ramon Llull and the <italic>Book of Contemplation</italic>. To do so, we first discuss the Aristotelian-Thomist concept of <italic>science</italic>. We then present a translation of an extract from the <italic>Book of Contemplation</italic> as a documentary basis for the second part of the article.</p> <![CDATA[A Decadência da Existência: Notas Sobre a Mobilidade da Vida]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000200035&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <p>Este artigo tem como temática central o conceito de movimento, visando a examinar a pertinência do alargamento da sua aplicação na descrição fenomenológica da existência humana. Pretendo oferecer uma interpretação possível para a afirmação feita por Heidegger, em <italic>Ser e Tempo</italic>, de que o fenômeno existencial da decadência [<italic>Verfallen</italic>] é um conceito ontológico de mobilidade existencial.</p><hr/><p>This article discusses the philosophical concept of movement in an attempt to demonstrate how broadening its scope is relevant for a phenomenological understanding of human existence. I intend to offer an interpretation of Heidegger’s idea, presented on <italic>Being and Time</italic>, that the phenomena of existential fallenness (<italic>Verfallen</italic>) is an ontological concept of existential mobility.</p> <![CDATA[La Distracción de Sí. Jacques Derrida y la Auto-Afección]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000200053&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <p>En este texto buscamos hacer inteligible el lugar y los derroteros que sigue el concepto de auto-afección en el pensamiento de Jacques Derrida. Dicho concepto se desarrolla a partir de una interpretación de <italic>Kant y el problema de la metafísica</italic>, de Heidegger. En la elaboración del concepto en Derrida se enfatiza el momento de distancia en el que el sí-mismo no puede reducir al otro, sino que tiene que hacer patente la demora en su propia formación. Esto implicaría considerar que la mismidad que se constituye en la auto-afección no puede ser separada de una hetero-afección, mediante la cual el otro no puede ser objetivado y no es otra cosa que el sí-mismo en su alteración. La forma de dicho espaciamiento que produce la alteración se pone a prueba en la voz y en la estructura del “oírse-hablar”, la que se revela como un espacio polifónico irreductible a una unidad, donde la auto-afección se desune de sí para retornar como aquello que no espera y como aquello que no puede replegarse en un lugar de reunión.</p><hr/><p>In this paper we try to understand the status and the path followed by the concept of self-affection in the thought of Jacques Derrida. This concept is developed based on an interpretation of Martin Heidegger’s <italic>Kant and the problem of Metaphysics</italic>. In the elaboration of the concept, Derrida emphasizes the moment of distance in which the self cannot be reduced to the other, but the self makes clear the delay in its own formation. This means that the sameness that constitutes self-affection cannot be separated from hetero-affection, in which the other cannot be objectified and is nothing more than the self in its own alteration. The shape of the spacing that produces such alteration is tested in the voice and its own structure of “<italic>s’entendre-parler</italic>”, which is revealed as a polyphonic space irreducible to a unity, where self-affection is detached from itself in order to return as something that it does not expect and as something that cannot not retreat into a meeting place.</p> <![CDATA[Leucipo, Demócrito e Kant: uma Reflexão sobre a Equivalência entre <italic>Ser</italic> e Não-<italic>Ser</italic>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000200071&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <p>De início, apresentaremos a tese de Demócrito e Leucipo, segundo a qual o <italic>ser</italic> não é <italic>mais</italic> que o não-<italic>ser</italic>, tendo como contraponto o pensamento eleata acerca da inexistência necessária do não-<italic>ser</italic>. Esta discussão nos remete à oposição entre o <italic>pleno</italic> (cheio) e o <italic>vazio</italic> que será posteriormente traduzida na oposição entre o <italic>ser</italic> e o <italic>nada</italic> (ou o não-<italic>ser</italic>). Desse modo, a oposição entre o <italic>pleno</italic> e o <italic>vazio</italic> é uma oposição que se desloca para o <italic>ser</italic> e o não-<italic>ser</italic>. Em seguida, faremos a apreciação do escrito pré-crítico kantiano <italic>Ensaio para introduzir em filosofia o conceito de grandeza negativa</italic>, no qual distinguimos certo tipo de oposição tomada entre grandezas em geral que, acreditamos, poderia ser interpretado como estando de acordo com o posicionamento de Demócrito e Leucipo sobre o estatuto ontológico do não-<italic>ser</italic> como princípio equivalente ao <italic>ser</italic>, e não como sua contradição em sentido puramente lógico.</p><hr/><p>Initially, we present the theory of Democritus and Leucippus whereby <italic>being</italic> is not more than the not-<italic>being</italic>(non-<italic>being</italic>), in contrast to Eleatic ideas about the necessary inexistence of the not-<italic>being</italic>. This discussion leads us to the opposition between the <italic>whole</italic> (<italic>full</italic>) and the <italic>empty</italic>, which will then be transposed into the opposition between <italic>being</italic> and <italic>nothingness</italic> (or not-<italic>being</italic>). Thus, the opposition between <italic>whole</italic>and the <italic>empty</italic> is an opposition that moves to <italic>being</italic>and not-<italic>being</italic>. Finally, we will make an assessment of the Kantian pre-critical essay <italic>Attempt to introduce the concept of negative magnitude into philosophy</italic>, in which we recognize a kind of opposition that, as we believe, would be interpreted as being in agreement with the position of Democritus and Leucippus regarding the ontological status of the not-<italic>being</italic> as an equivalent principle to the <italic>being</italic>, understood here not as a mutual contradiction in a purely logical sense.</p> <![CDATA[Modelos Neurais de Consciência: uma Análise Neurofilosófica]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000200095&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <p>Modelos neurocognitivos têm sido propostos para investigar a consciência. O objetivo é responder à pergunta sobre como o cérebro é capaz de produzir estados conscientes qualitativos. Os modelos são representações teóricas baseadas em algumas pesquisas empíricas. Contudo, a questão central, aparentemente trivial para alguns autores, refere-se à representatividade e confiabilidade dos modelos, i.e., saber se são capazes de explicar como a consciência emerge de processos neurais. Esses modelos são considerados como guia no estudo científico da consciência: os modelos cognitivos de Dennett (<italic>Multiple Draft</italic>) e Baars (<italic>Global Workspace</italic>), os modelos neurobiológicos de Edelman (<italic>Dynamic Core</italic>), Dehaene et al. (<italic>Global Neuronal</italic>), de Damásio (<italic>Somatic Markers Hypothesis</italic>), e o modelo neurodinâmico (<italic>Neurodynamic Model</italic>) proposto por Freeman. O presente texto visa a analisar a coerência e a plausibilidade dos modelos, i.e., se realmente explicam a “consciência” e suas propriedades em termos neurais ou se explicam apenas mecanismos neurobiológicos subjacentes no cérebro. O objetivo é avaliar escopo e limites dos modelos além da aplicabilidade na resolução do problema da consciência.</p><hr/><p>Neurocognitive models are proposed in order to study the problem of consciousness. The models are attempts to answer the question of how the brain can generate conscious and qualitative states. Models are theoretical representations based on empirical data. Nonetheless, the central question concerns the reliability and the representativeness of the models, i.e., whether they in fact represent what they are supposed to explain, <italic>viz.</italic>, how consciousness can emerge from neuronal processes. Such models are taken to be a guide for the scientific study of consciousness. Presently, there are six models: the multiple draft (Dennett), the global workspace (Baars), the dynamic core (Edelman), the global neuronal workspace (Dehaene et al.), the somatic markers hypothesis (Damásio), and the neurodynamic model (Freeman). This text is a survey and a philosophical analysis of the models of consciousness, and it considers their plausibility and coherence. I will concentrate on two points: (1) whether the neuroscientific models are able to explain ‘consciousness’ and its properties in neural terms, or whether the models only explain the neural correlates of conscious states, and (2) the scope, limitations and applicability of the models in the attempt to solve the problem of consciousness.</p> <![CDATA[Paul Karl Feyerabend. En Defensa de la Continuidad de su Pensamiento]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000200129&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <p>Entre los estudios críticos que existen en torno a la obra de Paul Feyerabend predominan aquellos que subrayan una discontinuidad radical entre la versión temprana y tardía de su pensamiento. Todo ello contribuye a que dispongamos de una visión fragmentada e incompleta de un pensador que evoluciono hasta el 1994, año de su fallecimiento. Nuestro propósito es ofrecer una explicación de su itinerario intelectual de tal modo que quedé patente su continuidad en la clave de sus críticas contra los falsos absolutos erigidos por el positivismo lógico y el racionalismo científico. Mostraremos las diversas cuestiones que Feyerabend aborda en las distintas épocas de su vida pero, al mismo tiempo, subrayaremos la unidad o coherencia lógica que existe en su revisión crítica de la racionalidad científica. Nos preocuparemos por entender las razones por las cuales nuestro filósofo de la ciencia va trasladando sus distintos focos de discusión o crítica.</p><hr/><p>A common element in studies of Paul Karl Feyerabend is the distinction between five periods in his work. John Preston sees a radical discontinuity between the early and late versions of Feyerabend’s thought. All of this contributes our having a fragmented and incomplete view of a thinker who continued to evolve until 1994, the year of his death. We aim to provide an explanation of his intellectual journey that shows the evident continuity and unity of his thought. We will discuss the various issues he addressed in the different periods of his life, but at the same time we will emphasize the unity or logical coherence among them. Our aim is to understand the reasons why the philosopher of science changed his distinct foci of discussion and criticism.</p> <![CDATA[Progresso Científico e Verdade em Popper]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000200163&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <p>O presente trabalho pretende mostrar que, para solucionar a questão da possibilidade do progresso científico, Popper precisou introduzir a ideia de verdade no âmbito de sua teoria da ciência. Essa concepção de progresso, em termos da noção de verdade, só será delineada na obra <italic>Conjectura e refutações</italic> (1963), pois a ideia de que o alvo da ciência é a verdade ainda não aparece teorizada em suas primeiras obras. Quando Popper escreveu sua <italic>A lógica da pesquisa científica</italic>(1934), a ciência era definida em termos de regras lógico-metodológicas e não de suas metas. O avanço científico é concebido a partir das noções de testabilidade e de corroborabilidade das teorias, exigências lógicometodológicas para que uma teoria seja considerada como científica. Popper não relacionou a questão do progresso científico à noção de verdade, nessa obra, porque, quando a escreveu, não dispunha de uma consistente teoria da verdade. Foi somente após Tarski ter escrito seu artigo sobre a concepção semântica da verdade que Popper, tendo por base essa concepção de verdade, pôde complementar as suas teses sobre o progresso da ciência, expostas em sua <italic>A lógica da pesquisa cientifica</italic>, com uma teoria acerca do conteúdo de verdade e da aproximação da verdade.</p><hr/><p>This paper aims to show that to solve the question of the possibility of scientific progress, Popper had to introduce the idea of truth into his theory of science. This conception of progress, in terms of the notion of truth, was only outlined in the work <italic>Conjectures and Refutations</italic> (1963). The idea that the goal of science is truth does not appear in his early works. When Popper wrote his The <italic>Logic of Scientific Discovery</italic> (1934), science was defined in terms of logic-methodological rules, and not of its goals. Scientific progress was conceived based on the notions of testability and corroboration of theories, logical and methodological requirements for a theory to be considered scientific. Popper did not relate the question of scientific progress to notion of truth in this work, because when he wrote it he did not have a consistent theory of truth. It was only after Tarski had written his article on the semantic conception of truth that Popper, based on this conception of truth, could complement his thesis about the progress of science expounded in <italic>The Logic of Scientific Discovery</italic> with a theory about the content of truth and the approximation to the truth.</p> <![CDATA[Seria o Sujeito uma Criação Medieval? Temas de Arqueologia Filosófica]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000200175&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <p>O artigo visa analisar, em linhas gerais, a arqueologia do sujeito operada por Alain de Libera, o que será feito pela concentração no estudo de duas teses fundamentais: (a) Descartes chegou ao sujeito menos por reflexão e mais por refração, em seu debate com Hobbes e Regius, ao tentar escapar da redução do indivíduo à vida corporal e, portanto, à passividade; (b) Tomás de Aquino e Pedro de João Olivi teriam sido os responsáveis por dar certo acabamento a uma temática elaborada desde a Patrística, eminentemente por Agostinho de Hipona, que teria formulado um esquema compreensivo do eu como suporte e como agente.</p><hr/><p>This article aims to analyze the fundamentals of Alain de Libera’s archeology of the subject. Two central thesis will be investigated here: (a) Descartes arrived at his theory of the subject in a controversy with Hobbes and Regius, in order to avoid the reduction of the individual to bodily life and passivity; (b) Thomas Aquinas and Peter John Olivi were responsible for a mature approach to the theme of the subject, which had been elaborated by Patristic authors, eminently by Augustine of Hippo, who formulated a comprehensive scheme of the self as support and agent.</p> <![CDATA[MIND, BODY AND WORLD IN THE PHILOSOPHY OF HILARY PUTNAM]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000200211&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <p>O artigo visa analisar, em linhas gerais, a arqueologia do sujeito operada por Alain de Libera, o que será feito pela concentração no estudo de duas teses fundamentais: (a) Descartes chegou ao sujeito menos por reflexão e mais por refração, em seu debate com Hobbes e Regius, ao tentar escapar da redução do indivíduo à vida corporal e, portanto, à passividade; (b) Tomás de Aquino e Pedro de João Olivi teriam sido os responsáveis por dar certo acabamento a uma temática elaborada desde a Patrística, eminentemente por Agostinho de Hipona, que teria formulado um esquema compreensivo do eu como suporte e como agente.</p><hr/><p>This article aims to analyze the fundamentals of Alain de Libera’s archeology of the subject. Two central thesis will be investigated here: (a) Descartes arrived at his theory of the subject in a controversy with Hobbes and Regius, in order to avoid the reduction of the individual to bodily life and passivity; (b) Thomas Aquinas and Peter John Olivi were responsible for a mature approach to the theme of the subject, which had been elaborated by Patristic authors, eminently by Augustine of Hippo, who formulated a comprehensive scheme of the self as support and agent.</p>