Scielo RSS <![CDATA[Trans/Form/Ação]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-317320140002&lang=pt vol. 37 num. 2 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Palavras do editor</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[<b>Ética aristotélica em Marx?</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Alguns filósofos e economistas buscam fundamentar eticamente a economia, a fim de voltar a subordiná-la à política, apelando, inclusive, para uma aproximação entre Marx e Aristóteles a partir da teoria da práxis. Este artigo pretende analisar em que sentido os conceitos aristotélicos de ação, produção, ato e potência exercem influência sobre Marx. Afirma que, contrariamente ao que muitos filósofos da moral defendem, são as investigações de Aristóteles sobre economia que serviram como ponto de partida para a fundamentação da crítica à economia política elaborada por Marx, enquanto que a ética e a política aristotélicas são apenas secundárias para a teoria marxiana.<hr/>Some philosophers and economists have sought an ethical basis for the economy, to subordinate it to politics, and even to appeal for an approximation between Marx and Aristotle based on a theory of praxis. This article analyzes in what sense the Aristotelian concepts of action, production, act, and power influence Marx. It affirms, contrary to many moral philosophers, that it is Aristotle's investigations of the economy that are the basis of the criticism of political economy developed by Marx, while Aristotelian ethics and politics are only secondary to Marxian theory. <![CDATA[<b>Levinas' Political Moments: from an Anti-Political Theme to a Fair and Egalitarian State</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt En varios pasajes de la obra de Lévinas vemos que su manera de presentarse frente a lo político es ambigua. O bien, resulta mejor decir que solo en apariencia el "objeto" de lo político en sus reflexiones sobre la justicia y el Estado resultan claras; hay una suerte de equívoco que vale la pena precisar y distinguir. Así, el objetivo central de este trabajo es describir dos momentos políticos en Lévinas leídos en clave Estado, como una figura posible de la política; desentrañamos así la trama anti-política en tanto crítica política al Estado, para llegar a la trama del Estado justo e igualitario, lo que abre nuevas puertas para pensar lo político. A partir de esta descripción reflexionamos, por un lado, una postura crítica frente a las ideas sobre el Estado de Lévinas desde las vinculaciones ético-políticas que hace, tal como la de Alberto Sucasas. Y por otro, en contraposición a éstas, las interesantes y extravagantes lecturas que hace Miguel Abensour de Lévinas creyendo que las relaciones ético-políticas levinasianas aportan a renovar críticamente una nueva figura de Estado dejando el terreno político y estatal abierto a nuevas reflexiones.<hr/>In several passages of Levinas' work we see that his way of presenting the political front is ambiguous. Or, more precisely, that the "object" of the political in his reflections about justice and the State is only apparently clear; there is a sort of equivocalness that is worth clarifying and distinguishing. The aim of this article is to describe two political moments in Levinas, read in terms of the State as a possible figure in politics. We thus unravel an anti-political theme which is critical of the politics of the State, in order to reach a theme of a State that is just and egalitarian. This opens up new territory from which to think of the political. One critique of Levinas' ideas of the State in terms of its ethical-political linkages is that put forth by Alberto Sucasas. A second contrasting critique is the interesting and extravagant reading of Miguel Abensour, in which Levinasian ethical-political relationships lead to a critical renewal of a new figure of the State, leaving the political and state terrain open to new reflections. <![CDATA[<b>A teoria dinâmica do conhecimento de Duhem</b><b>: </b><b>um termo médio entre a concepção metafísica clássica da ciência e a concepção do convencionalismo/pragmatismo (Poincaré)</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O objetivo é propor uma reconstrução racional da concepção da ciência de Duhem, por meio do recurso da metodologia da teoria da ciência, como uma teoria normativa da dinâmica do conhecimento. Essa reconstrução ajuda a estabelecer que Duhem não pode ser classificado como um convencionalista/pragmatista, como sugere a interpretação-padrão, e, além disso, que Duhem almeja construir uma concepção que seja um termo médio entre a concepção metafísica clássica e a concepção do convencionalismo/pragmatismo. A estratégia metodológica para construir esse termo médio é a proposta de um realismo estrutural e convergente. Duhem substitui o sujeito transcendental dos clássicos por uma teoria transcendental a ser alcançada por um processo dinâmico.<hr/>Using the resources of the methodology of theory of science we propose a rational reconstruction of Duhem's conception of science, interpreting it as a normative theory of the dynamics of knowledge. Such a reconstruction helps to establish that Duhem cannot be classified as a conventionalist/pragmatist as proposed in the standard interpretation, and, furthermore, that Duhem proposes to construct a conception of science as a middle way between a classical metaphysical conception and a conventionalist/pragmatist conception. The methodological strategy for this middle way is the proposal of a structural and convergent realism. Duhem replaces the transcendental subject of the classics with a transcendental theory to be reached by a dynamic process. <![CDATA[<b>O princípio da cognoscibilidade e os <i>qualia</i></b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O princípio da cognoscibilidade, formulado sem restrições, diz que todos os enunciados verdadeiros são cognoscíveis. O problema é que, com essa formulação, ele está sujeito a muitas objeções, pelo que é necessário restringir o princípio. Com tais restrições, ele diz apenas que todos os enunciados verdadeiros interessantes em certo sentido são cognoscíveis. Não obstante, este artigo mostra que alguns desses enunciados também são incognoscíveis e, desse modo, evidencia que o princípio da cognoscibilidade, mesmo na sua forma mais restrita, é falso. Os enunciados em questão são enunciados que afirmam ou negam uma identidade de tipo entre qualia de diferentes indivíduos. Ao final, alguns argumentos que podem ser usados para defender o princípio da cognoscibilidade são examinados e refutados.<hr/>The knowability principle, formulated without restrictions, asserts that all true statements are knowable. The problem is that it is subject to many objections in this formulation, and therfore it is necessary to restrict the principle. This article shows that even under these restrictions some true statements are also unknowable, and thus shows that the knowability principle, even in its most restricted form, is false. The statements in question are statements that affirm or deny a type identity between qualia of different individuals. Finally, some arguments that can be used to defend the knowability principle are examined and refuted. <![CDATA[<b>Contribuições de Rousseau ao entendimento dos desastres socioambientais contemporâneos</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Nosso objetivo no presente artigo é contextualizar as críticas de Rousseau àquilo que posteriormente será designado como ética socioambiental, a partir da qual se analisam as relações dos homens com o meio ambiente e como estas são determinadas e também determinantes de suas ações ético-políticas. Pretende-se ainda verificar em que medida o pensamento de Rousseau pode contribuir para o entendimento dos desastres socioambientais, na atualidade.<hr/>This paper aims at contextualizing Rousseau's critiques of what would later be called the socio-environmental ethics, which entails analysis not only of the relations of men with the environment and the way these relations are determined, but also of the way the environment determines men's ethical and political actions. We also intend to verify to what extent Rousseau's thought may contribute to the understanding of current socio-environmental disasters. <![CDATA[<b>Tem a Justiça Social Alguma Legitimidade na Teoria Kantiana do Direito? As Condições Empíricas do Estado de Direito como União Civil</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt This paper aims at shedding light on an obscure point in Kant's theory of the state. It discusses whether Kant's rational theory of the state recognises the fact that certain exceptional social situations, such as the extreme poverty of some parts of the population, could request institutional state support in order to guarantee the attainment of a minimum threshold of civil independence. It has three aims: 1) to show that Kant's Doctrine of Right can offer solutions for the complex relation between economics and politics in our present time; 2) to demonstrate the claim that Kant embraces a pragmatic standpoint when he tackles the social concerns of the state, and so to refute the idea that he argues for an abstract conception of politics; and 3) to suggest that a non-paternalistic theory of rights is not necessarily incompatible with the basic tenets of a welfare state.<hr/>O presente artigo tenciona contribuir a esclarecer uma questão, tão complicada quanto polêmica, no âmbito da teoria kantiana do Estado de direito. Pretendo submeter à discussão se a teoria racional de Kant sobre o Estado legal sustenta ou rejeita o fato de que certas situações sociais excepcionais, como a extrema pobreza de uma parte da população, requerem o apoio institucional do Estado para garantir a consecução de um limiar mínimo de independência civil. Proponho-me os três seguintes objetivos: 1) argumentar a capacidade da doutrina kantiana do direito para propor soluções para a difícil relação entre economia e política, no tempo presente; 2) mostrar que o ponto de vista pragmático que Kant adota quando analisa as preocupações sociais do Estado recusa a ideia segundo a qual Kant sustenta uma concepção abstrata da política e 3) sugerir a tese de uma teoria não paternalista do Estado de direito sem ter que renunciar necessariamente aos princípios básicos do welfare state. <![CDATA[<b>A ideia de progresso no pensamento sadeano: apontamentos sobre <i>A filosofia na alcova</i></b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Este artigo pretende, por meio da análise literária e da leitura de Freud (2011), investigar a concepção de progresso em Sade, tomando como objeto de estudo o romance A filosofia na alcova (2008b). Defende-se que a ficção sadeana resulta de um conflito entre indivíduo e sociedade, de cujo resultado depende a felicidade humana. Esta seria alcançada com a superação dos obstáculos impostos pela educação, pela cultura e pela abertura da sociedade para a satisfação de todos os prazeres do sentido.<hr/>The goal of this article is to investigate the concept of progress in Sade's work through the analysis and reading of Freud's work, focusing here on the analysis of the novel Justine. It argues that Sadean fiction is the result of a conflict between each individual and society, and that the happiness of humankind depends on the outcome of this conflict. Happiness would consequently be reached by overcoming the accumulation of obstacles imposed by education and culture, and through the willingness of the society to satisfy every pleasure of the senses. <![CDATA[<b>Notas sobre a universidade e o conceito de formação em Max Horkheimer</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O intuito deste texto pode ser retratado através de duas tarefas principais que se propõe. De um lado, realiza um balanço - limitado e parcial, na medida em que trata de um recorte bastante circunscrito - da reflexão da teoria crítica da sociedade de Max Horkheimer acerca do problema da universidade, notadamente, no período imediatamente posterior ao fim da Segunda Guerra Mundial, e do modo como se relaciona com o conceito de formação (Bildung), bastante caro à tradição da universidade alemã moderna. Completado esse passo, o qual estabelece laços com o papel ocupado pela socialização nessa ótica teórica, visa-se, ao final, delinear algumas reflexões preliminares a propósito da contemporaneidade que, entende-se, podem beneficiar-se do enfoque concedido ao problema, com base na situação singular em que o pensamento de Horkheimer foi formulado.<hr/>This text sets itself two main tasks. First, it offers a limited evaluation of Horkheimer's reflections, especially in the period directly after the end of the Second World War, on the problem of the university and how it relates to the concept of formation (Bildung), a concept fundamental to the tradition of the modern German university. Second, the role exercised by socialization in this viewpoint is examined. The objective is to elaborate reflections on contemporaneity that benefit from the focus conceded to the problem in the singular situation in which Horkheimer's thinking was formulated. <![CDATA[<b>Melancolia e náusea</b><b>: </b><b>do destino enquanto fundamento do caráter trágico ao absurdo existencial</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A partir da perspectiva intelectualista grega, na qual o dualismo entre corpo e alma requer o primado do discurso racional [lógos] em detrimento do páthos filosófico, busca-se com este artigo associar a noção de "desmedida" [hybris] com a noção de melancolia. Essa associação ganha ainda mais relevo, quando a aproximamos da interpretação de Simone Weil para o poema épico de Homero, a Ilíada. Se essa aproximação se justifica, então é patente a aproximação entre o caráter trágico que o destino adquire, na perspectiva clássica, e a noção de contingência enquanto fundamento do absurdo existencial, no pensamento existencialista.<hr/>We seek to associate the notion of "excess" [hubris] with the notion of melancholy from the intellectualist Greek perspective, in which the dualism between body and soul requires the rule of rational discourse [logos] at the expense of philosophical pathos. This association becomes more relevant when understood in light of Simone Weil's interpretation of Homer's epic poem, the Iliad. If this approach is justified, then a rapprochement becomes evident between the tragic character takes on destiny in the classical view, and the notion of contingency as the basis of existential absurdity in existentialist thought. <![CDATA[<b>Kant, Hegel, Foucault e a desrazão na história</b><b>: </b><b>o cânone filosófico de <i>História da Loucura</i></b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200011&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Este artigo propõe relacionar as filosofias da história de Kant e de Hegel às bases do pensamento de Foucault, em História da loucura na idade clássica. Buscamos reconhecer, não indícios de uma história cosmopolita ou universal, mas em que medida o pensamento crítico e a filosofia como ciência das essências puras comparecem na inteligibilidade histórica de Foucault. A reunião de uma diversidade de experiências sob o conceito de desatino (déraison, desrazão), fio condutor da obra, sugere uma proximidade com a tradição. Por outro lado, a falta de um critério intrínseco, o qual justifique a referência de tal multiplicidade à alcunha da loucura, faz com que o fio condutor se restrinja a um aspecto negativo e que, positivamente, Foucault estabeleça para seu trabalho um primado empírico, na forma de uma constelação de imagens. O procedimento de História da loucura, que, junto ao interesse pela desrazão, inaugura o privilégio dado pelo filósofo francês à análise das descontinuidades nos leva a reconhecer a razão com base nos casos que solapam aos seus limites, às essências por ela própria discernidas, e com base nas práticas por ela promovidas e justificadas.<hr/>This article proposes to relate Kant's and Hegel's philosophy of history to the basis of Foucault's History of Madness in the Classical Age. We are not attempting to recognize the presence of a cosmopolitan or universal history, but trying to understand how critical thinking and philosophy as the science of pure essences appear in Foucault's historical intelligibility. The challenge of bringing together a diversity of experiences under the concept of unreason (déraison), which is the common thread of the book, suggests an attachment to tradition. However, the absence of an intrinsic criterion justifying the reference of that multiplicity to madness motivates a negative aspect to that concept and, positively, makes Foucault establish for his work an empirical primacy, in the form of a constellation of images. The procedure of the History of Madness that, with its interest in unreason, inaugurates the privilege given by the French philosopher to the analysis of discontinuities, leads us to recognize reason based on cases that escape its limits and the essences discerned by itself. <![CDATA[<b>Two Possible Directions of the Interrogative Experience Is There Something? In the Young Heidegger</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732014000200012&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt El presente artículo pretende dos tareas: Primero, resaltar la vivencia cotidiana desde su inmediatez, y con ello, ganar su comprensión más propia a partir de la primera lección del joven Heidegger. Segundo, desde esta comprensión esclarecer lo que consideramos una confusa tematización de la vivencia interrogativa ¿hay algo? realizada en esta primera lección. Para ello consideramos necesario exponer en tres momentos distintos, la vivencia interrogativa; la vivencia circundante; y una comparación de los distintos elementos estructurales de ambas vivencias. Una vez comprendidos estos distintos puntos, proponemos en un último momento una interpretación de las dos posibles direcciones ejecutivas de la vivencia interrogativa ¿hay algo?<hr/>This article attempts two tasks. First, we highlight daily experience in its immediacy and gain an understanding of it through the first lecture of the young Heidegger. Second, based on this understanding, we clarify what we consider a confusing thematization in this lecture of the interrogative experience Is there something? In answering these questions we consider three distinct moments: the interrogative experience, the environmental experience, and a comparison of the different structural elements of both experiences. Finally, based on an understanding of these different points, we offer an interpretation of the two possible executive directions of the interrogative experience Is there something?