Scielo RSS <![CDATA[Trans/Form/Ação]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-317320150001&lang=pt vol. 38 num. 1 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Palavra do Editor]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[A “MÍSTICA DO LOGOS” E O FUNDAMENTO DA FILOSOFIA DA LINGUAGEM DE NICOLAU DE CUSA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Partimos da afirmação de K.-O. Apel, repetida por João Maria André (1986, p. 400), de que "[...] é na ‘mística' do ‘logos' e na teologia negativa do Pseudo-Dionísio que, de modo determinante, Nicolau de Cusa irá beber os traços fundamentais da sua filosofia da linguagem". Com base no De filiatione Dei (1450) propomo-nos refletir sobre a relação fundamental e constitutiva entre o verbo mental humano e o Verbo ou Logos eterno. A importância desse texto, no âmbito do problema da linguagem em Nicolau de Cusa, é reconhecida por Casarella (1992) justamente por sua inflexão cristológica em relação aos primeiros sermões, pois, em oposição à reflexão intratrinitária dos sermões, a imagem humanamente visível de Cristo torna-se o espelho da linguagem, ou seja, em Cristo, vemos de modo perfeito o que pode ser expresso por meio da linguagem. O texto cusano é uma meditação sobre Jo, I, 12: "Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que creem em seu nome". Interessa-nos principalmente a meditação sobre os exemplos aduzidos por Nicolau de Cusa para explicitar de que modo colhemos a unidade divina intelectualmente, pois serão nesses exemplos ou enigmas que o autor pensará a relação constitutiva entre o verbo mental humano e o verbo mental inefável.<hr/>We begin with the statement of K.-O. Apel, repeated by João Maria André (1986, p. 400), that "[…] it is in the ‘mystic' of the ‘logos' and in the negative theology of pseudo-Dionysus that, in a determinate manner, Cusa would receive the fundamental features of his philosophy of language". Based on De filiatione Dei (1450), we reflect on the fundamental and constitutive relationship between the mental human word and the eternal Word or Logos. The importance of this text in the context of the problem of language in Cusa is recognized by Casarella (1992), specifically for its Christological inflection in relation to Cusa's first sermons. In opposition to the intra-Trinitarian reflection of the sermons, in De filiatione Dei the humanly visible image of Christ becomes the mirror of language; that is, it is in Christ that we see the perfect mode that can be expressed by means of language. Cusa's text is a meditation on John 1:12: "But as many as received him, to them gave he power to become the sons of God, even to them that believe on his name". Of principal interest to us are the examples adduced by Cusa that make explicit the way in which we intellectually receive the divine unity, as it is in these examples or enigmas that the author reflects on the constitutive relation between the mental human word and the ineffable mental word. <![CDATA[AINDA A <em>QUESTÃO DE GÊNERO</em> – (IN) DETERMINAÇÃO OU LUTA POR RECONHECIMENTO?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100029&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Este texto pretende apresentar algumas posições sobre o problema do gênero, na modernidade. Partindo do diagnóstico de Foucault de que os processos de constituição e de produção do sujeito implicariam ter um modelo de autodeterminação de si, buscamos pensar o problema do gênero por duas vertentes: por um lado, uma proposta de Butler, em que a sexualidade não poderia ser determinada, pois ela sempre resistiria a qualquer forma de normatização; por outro, uma luta por reconhecimento da individualidade que procura incluir todas as possibilidades de autorrealização de si, na esfera jurídica. Nossa proposta é avaliar esses dois modelos e questionar o que poderia estar mais próximo das demandas sociais em relação ao problema do gênero e, de um modo mais amplo, do problema da identidade individual.<hr/>This paper aims to present certain positions regarding the question of gender in modernity. Starting from Foucault’s diagnosis that the processes of the constitution and production of the subject involve having a model of self-determination, we have attempted to reexamine the question of gender from two different perspectives: on the one hand, Butler’s proposal that sexuality cannot be determined, since it always resists any form of normatization; on the other, the struggle for recognition of individuality which seeks the inclusion into the legal sphere of all possibilities for self-fulfillment. Our aim is to evaluate these two models and to question which of the two might be closer to social demands connected to the issue of gender and, more broadly, the issue of individual identity. <![CDATA[GIROLAMO SAVONAROLA E AS FORMAS DE GOVERNO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100043&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O trabalho apresenta um estudo analítico do tema das formas de governo, no pensamento político de Girolamo Savonarola, a partir de Tratatto circa il regimento e governo dela città di Firenze (1498). Parte-se da metodologia bobbiana, analisando-se o tema sob três perspectivas simultâneas: sistemática, axiológica e teleológica.<hr/>The work presents an analytical study of the theme of the forms of government in the political thought of Girolamo Savonarola, based on his Tratatto circa il regimento e governo dela città di Firenze (1498). Using Bobbio's methodology, the theme is analyzed from three simultaneous perspectives: the systematical, the axiological, and the teleological. <![CDATA[DROIT ET DÉMOCRATIE CHEZ HANS KELSEN. LA CRITIQUE KELSÉNIENNE DE LA PERSONNALISATION DE L’ÉTAT]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100057&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Cette étude analyse comment Kelsen, pour libérer le droit et la démocratie des traces de ce qu'il appelle les hypostases collectives ou la mythologie de l'âme collective, prend position face aux grandes théories de la sociologie et de la psychologie sociale de son temps (Durkheim, Simmel, Weber et Freud). D'abord, il s'agira de montrer comment Kelsen critique les métaphores de l'âme collective ; ensuite, de montrer comment la pensée kelsénienne sur le droit et la démocratie essaie d'échapper aux problèmes liés à la métaphore de l'âme collective. Cela peut laisser entrevoir quelques points communs entre la théorie de Kelsen et les théories contemporaines sur le droit et la démocratie libérées des prémisses de l'idée d'une communauté homogène.<hr/>The aim of this essay is to analyse how Kelsen criticises the major theories of sociology and social psychology of his time (Durkheim, Simmel, Weber and Freud) in order to liberate law and democracy from what he calls collective hypostasis or the mythology of the "collective soul". The first part investigates how Kelsen criticises the metaphors of the collective soul. The second part addresses how Kelsen built a theory of law and democracy that sought to escape from problems correlated to the metaphors of the collective soul. The results enable the reader to glimpse some common points between Kelsen's ideas and contemporary projects to elaborate a theory of law and democracy released from the premises implicated by the idea of a uniform community. <![CDATA[LA NOZIONE DI <em>ALTRO</em> NELLA TEORIA KIERKEGAARDIANA DEGLI STADI ESISTENZIALI]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100081&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt ...<hr/>From the notion of self as a relation's relating itself to itself, I discuss the concept of the other in relation to the self in each of the Kierkegaardian life stages: the esthetic, the ethical, and the religious. First of all, I describe the notion of self in Kierkegaardian philosophy as it appears in Sickness unto Death (Kierkegaard, 2013a), and the problem of the human being as a conscience in the world. After that, I describe the esthetic notion of the other, which is no more than a casual opportunity of the self for enjoying itself in life. In the ethical stage, the other is described as an image of the self, a second-self: no more than an intermediate between the self and the same self. Finally, the religious stage is arrived at, where the other is, for the self, another being with independent reality. There the other is, firstly, God – the true source of all reality and the life of the self – and it is the biblical neighbor with whom the self must establish itself as a singular being. The religious other is then the basis of the Kierkegaardian social philosophy, since it is not a second-I but the first-Thou (KIERKEGAARD, 2003). <![CDATA[NIKLAS LUHMANN E RICHARD RORTY: CONTINGÊNCIAS E INCONSISTÊNCIAS]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100103&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Rorty enfrentou as contingências do mundo contemporâneo apostando no partilhamento da “retórica das democracias liberais”, como a mais aceita e mais adequada em uma sociedade caracterizada pelo fim das metanarrativas e das condutas de moral absoluta. Mas essa aposta resvala claramente num pragmatismo moral mal disfarçado. Luhmann, ao contrário, levou até o fim a preocupação, abandonada por Rorty, de elaborar uma teoria antimetafísica e despida de um projeto normativo para a sociedade contemporânea. Sua teoria dos sistemas enfrenta as contingências do mundo, excluindo tudo que for externo ao sistema, ou seja, tudo que não possa se tornar um mecanismo de manutenção da identidade dos sistemas face à complexidade do mundo.<hr/>Rorty faces the contingencies of contemporary world by betting on the sharing of liberal democracies rhetorics as most fitted for a society characterized by the end of meta-narratives and absolute moral conducts. This bet clearly presents a moral pragmatism contrary to the ideas of Luhmann, who takes to its final consequences the project abandoned by Rorty of elaborating an antimetaphysics without a normative project for contemporary society. Luhmann’s theory of systems faces the contingencies of the world by excluding all that is external to the system, that is, all that cannot be converted into a mechanism of the maintenance of the identity of systems in facing the complexity of the world. <![CDATA[ÉTICA DA RECEPTIVIDADE: ASPECTOS DE UMA FILOSOFIA MORAL SEGUNDO JEAN-FRANÇOIS LYOTARD]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100133&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O presente artigo aborda a dimensão ética no pensamento de Jean-François Lyotard. Como conceito decisivo para essa relação, é aqui proposto o conceito de receptividade (passibilité). Partindo dele, deseja-se mostrar que é possível reconstruir uma concepção de responsabilidade ética no pensamento do filósofo francês, a qual se coloca em sentido diametralmente oposto à concepção de autonomia: a obrigação ética se torna por conta disso afetiva, fundada e repousando na capacidade de se deixar falar. Com vistas a uma determinação mais acurada dessa posição, serão consultadas as reflexões de Lyotard acerca da filosofia da linguagem em Le Differénd: a concepção do “acontecimento da fase” se deixa mostrar na ética do diálogo, que deixa espaço para a assimetria, alteridade e transformação. O pensamento do conflito insolúvel (différend) mostra-se como plenamente implicado com essa ética.<hr/>This contribution examines the ethical dimension in the thinking of Jean-François Lyotard. It is shown that receptivity (passibilité) is crucial to its understanding. On these grounds, ethical responsibility can be conceived as fundamentally different from the standard conceptions of autonomy: ethical obligation has its sources in affection and is founded by a capacity of responsivity. This position is further developed by drawing on Lyotard’s thoughts on language in Le Différend: the idea of a “sentence event” can be conceptualized within the framework of an ethics of dialogue, which leaves room for asymmetry, alterity, and transformation. The philosophy of the irreconcilable conflict (différend) turns out to be a form of ethics in this sense. <![CDATA[O DIREITO E A ÉTICA EM BENTHAM E KANT: UMA COMPARAÇÃO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100147&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Este trabalho tem como objetivo formular comparação entre as concepções de ética e direito dos autores Bentham e Kant. A posição assumida neste artigo ressalta que tanto para Kant quanto para Bentham o direito se baseia nos mesmos princípios que fundamentam a ética. No caso de Kant, é o imperativo categórico que fundamenta a ética e o direito e, no caso de Bentham, é o princípio de utilidade. Embora ambos os autores possuam apenas um princípio para fundamentar a ética e o direito, há inúmeras diferenças entre ambos os campos do pensamento, bem como entre as teorias, que se pretende apresentar neste artigo. Entre elas estão a origem epistemológica dos princípios e o que cada um deles prescreve.<hr/>The aim of this work is to formulate a comparison between Bentham’s and Kant’s conceptions of ethics and law. The position taken in this paper is that, for Bentham and Kant, law is grounded in the same principles which are the basis of ethics. For Kant it is the categorical imperative which is the basis of ethics, while the principle of utility is the basis of Bentham’s theory of law and ethics. Although both authors have established only one principle on which to ground ethics and law, there are several differences between the two fields and between the theories of the two philosophers. Among these differences, we mention the epistemological origin of principles and their prescriptions. <![CDATA[ORTEGA Y GASSET, A VIDA COMO REALIDADE METAFÍSICA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100167&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Neste artigo, estudamos as características que o filósofo espanhol Ortega y Gasset atribuiu à vida. Mostramos que o essencial de sua meditação girou em torno do assunto. No entanto, o tema ganhou densidade metafísica somente no final dos anos 1920, quando suas considerações foram inseridas na tradição filosófica do ocidente. Foi quando ele apontou a insuficiência do realismo e do idealismo na abordagem do fundamento pretendido pela Filosofia e apresentou a filosofia da razão vital como um passo adiante das duas grandes perspectivas filosóficas que marcaram a história da metafísica.<hr/>In this article, we study the characteristics that the Spanish philosopher Ortega y Gasset attributed to life. We show that the essence of his meditations revolved around the subject. However, the issue gained metaphysical density only in the late 1920s , when his remarks were inserted into the philosophical tradition of the West. That is when he pointed out the failure of realism and idealism in the approach to foundations pretended by philosophy, and presented the philosophy of vital reason as a step forward from the two great philosophical perspectives that have marked the history of metaphysics. <![CDATA[RELIABILITY AND SOCIAL KNOWLEDGERELEVANT RESPONSIBILITY]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100187&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Knowledge seems to need the admixture of de facto reliability and epistemic responsibility. But philosophers have had a hard time in attempting to combine them in order to achieve a satisfactory account of knowledge. In this paper I attempt to find a solution by capitalizing on the real and ubiquitous human phenomenon that is the social dispersal of epistemic labour through time. More precisely, the central objective of the paper is to deliver a novel and plausible social account of knowledge-relevant responsibility and to consider the merits of the proposed combination of reliability and responsibility with respect to certain cases of unreflective epistemic subjects.<hr/>O conhecimento parece precisar de uma combinação de confiabilidade de facto e responsabilidade epistêmica. Mas os filósofos têm tido grande dificuldade tentar combiná-las para alcançar uma teoria satisfatória do conhecimento. Este trabalho tenta encontrar uma solução baseada no fenômeno humano real e onipresente que é a dispersão social do trabalho epistêmico através do tempo. Mais precisamente, o objetivo central deste artigo é entregar uma teoria social de responsabilidade epistêmica nova e plausível e considerar os méritos de a combinação de confiabilidade e responsabilidade proposta relativas a certos casos de indivíduos epistemológicos não reflexivos. <![CDATA[WALTER BENJAMIN Y GEORGES SOREL: ENTRE EL MITO DE LA HUELGA GENERAL Y UNA POLÍTICA DE MEDIOS PUROS]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100213&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt En su ensayo Para una crítica de la violencia, Walter Benjamin reivindica el fenómeno social de la huelga general revolucionaria teorizada por Georges Sorel en su obra Reflexiones sobre la violencia, como una figura ejemplar de lo que sería un “medio puro de la política”, al margen de cualquier forma legitimada de poder. En este marco, pocos comentadores contemporáneos advierten una discordancia conceptual entre ambos filósofos: para Sorel, la huelga revolucionaria es un mito social, mientras que el mito, categoría esencialmente negativa en Benjamin, describe la violencia que aprisiona la vida y que se traduce en una forma de poder político superior. En este artículo quisiéramos demostrar esta discordancia conceptual para examinar en seguida cómo ha sido comentada por otros pensadores contemporáneos. La filosofía de la historia, la posibilidad de una acción política ética y la temporalidad mesiánica aparecen en el horizonte teórico que emparenta a estos filósofos y por el cual podría descifrarse su impasse conceptual. Esto se confirma si se despliega la idea de un “medio puro de la política”, pista que Benjamin ofrece sin profundizar y sobre la cual reenvía al pensamiento de un filósofo poco explorado, Erich Unger. En la última parte de este artículo desarrollaremos las claves dadas por Unger, que entran justamente en sintonía con la mención de la huelga general como medio puro de la política.<hr/>In his Critique of violence, Walter Benjamin claimed that the social phenomenon of the revolutionary general strike (theorized on by Georges Sorel in his Reflections on Violence) was an example of what would be a “pure political mean” (outside any legitimate form of power). In this context, not many contemporary commentators note an important conceptual incoherence between those two philosophers: for Sorel the revolutionary general strike is a social myth, while in Benjamin the category of myth, essentially negative, describes the violence that imprisons life and crystallizes it in a higher form of political power. In this article, we demonstrate this conceptual discrepancy in order to examine the way it has been approached by other philosophers. The philosophy of history, the possibility of an ethical political action, and messianic temporality, all appear on the theoretical horizon linking these philosophers, and through these ideas a conceptual impasse can be decoded. Moreover, this horizon can be confirmed if we follow the idea of a “pure political means” that Benjamin proposes and which moves forward to the thought of an unexplored philosopher mentioned by him: Erich Unger. In the last part of this article we will develop the keys given by Unger, which fall right in line with the notion of the general strike as a pure political mean. <![CDATA[STULL, Miguel Ruiz. <em>Tiempo y experiência</em>: variaciones en torno a Bergson. Santiago: Fondo Cultura Económica, 2013.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732015000100239&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt En su ensayo Para una crítica de la violencia, Walter Benjamin reivindica el fenómeno social de la huelga general revolucionaria teorizada por Georges Sorel en su obra Reflexiones sobre la violencia, como una figura ejemplar de lo que sería un “medio puro de la política”, al margen de cualquier forma legitimada de poder. En este marco, pocos comentadores contemporáneos advierten una discordancia conceptual entre ambos filósofos: para Sorel, la huelga revolucionaria es un mito social, mientras que el mito, categoría esencialmente negativa en Benjamin, describe la violencia que aprisiona la vida y que se traduce en una forma de poder político superior. En este artículo quisiéramos demostrar esta discordancia conceptual para examinar en seguida cómo ha sido comentada por otros pensadores contemporáneos. La filosofía de la historia, la posibilidad de una acción política ética y la temporalidad mesiánica aparecen en el horizonte teórico que emparenta a estos filósofos y por el cual podría descifrarse su impasse conceptual. Esto se confirma si se despliega la idea de un “medio puro de la política”, pista que Benjamin ofrece sin profundizar y sobre la cual reenvía al pensamiento de un filósofo poco explorado, Erich Unger. En la última parte de este artículo desarrollaremos las claves dadas por Unger, que entran justamente en sintonía con la mención de la huelga general como medio puro de la política.<hr/>In his Critique of violence, Walter Benjamin claimed that the social phenomenon of the revolutionary general strike (theorized on by Georges Sorel in his Reflections on Violence) was an example of what would be a “pure political mean” (outside any legitimate form of power). In this context, not many contemporary commentators note an important conceptual incoherence between those two philosophers: for Sorel the revolutionary general strike is a social myth, while in Benjamin the category of myth, essentially negative, describes the violence that imprisons life and crystallizes it in a higher form of political power. In this article, we demonstrate this conceptual discrepancy in order to examine the way it has been approached by other philosophers. The philosophy of history, the possibility of an ethical political action, and messianic temporality, all appear on the theoretical horizon linking these philosophers, and through these ideas a conceptual impasse can be decoded. Moreover, this horizon can be confirmed if we follow the idea of a “pure political means” that Benjamin proposes and which moves forward to the thought of an unexplored philosopher mentioned by him: Erich Unger. In the last part of this article we will develop the keys given by Unger, which fall right in line with the notion of the general strike as a pure political mean.