Scielo RSS <![CDATA[Trans/Form/Ação]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-317320170003&lang=pt vol. 40 num. 3 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Palavra do Editor]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Compreensões de reConstrução: sobre a noção de CrítiCa reConstrutiva em habermas e Celikates]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O artigo pretende desenvolver a categoria de reconstrução, em dois momentos distintos da obra de Habermas: primeiro, em Conhecimento e interesse, e, depois, em Teoria da ação comunicativa. Para isso, recorre-se à tipologia das compreensões de reconstrução proposta por Robin Celikates. Pretende-se mostrar que a essa tipologia faltam elementos importantes que permitem primeiramente identificar pontos comuns entres aqueles projetos reconstrutivos, e, depois, sustentar que a segunda compreensão de reconstrução não implica, como quer Celikates, uma separação entre teoria e crítica.<hr/>Abstract: This article aims to discuss the category of reconstruction at two different periods in Habermas' work, first in "Knowledge and Interest" and second in The Theory of Communicative Action. To do this, we make use of the typology of the understandings of reconstruction proposed by Robin Celikates. We intend to show that this typology lacks important elements that allow the identification of commonalities in both of Habermas' reconstructive projects, and then argue that the second understanding of reconstruction does not imply, as Celikates claims, a separation between theory and critique. <![CDATA[Aproximações entre Nietzsche e Adorno acerca da massificação da cultura e da vida administrada]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300029&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Pretendemos pensar as relações entre arte e sociedade, tendo sempre em mente a tensão irredutível entre a autonomia e a heteronomia de uma em relação a outra. Para tanto, traçaremos uma análise dos argumentos principais a respeito dessa relação dialética, em dois momentos distintos da reflexão filosófica sobre o tema. Em um primeiro momento, traremos a defesa de uma certa autonomia da arte com referência não apenas à sociedade que a produz, como também aos valores morais que são ensinados através dela, com as reflexões e, sobretudo, com as críticas de Nietzsche sobre suas interpretações da tragédia clássica, a partir principalmente de O Nascimento da Tragédia, para, em um segundo momento, poder traçar um paralelo dessa argumentação com a constatação de Adorno a respeito da instrumentalização e da comercialização da arte, no contexto contemporâneo, expondo algumas das críticas de Nietzsche realizadas no séc. XIX sobre as produções culturais gregas do séc. IV a. C. e contextualizando-as em relação aos fenômenos estéticos contemporâneos.<hr/>Abstract: We examine the relationship of art to society, bearing in mind the irreducible tension between the autonomy and heteronomy of the one in relation to the other. To do so, we analyze the main arguments about this dialectical relationship in two distinct moments of philosophical reflection on the subject. First, we argue for a degree of autonomy of art in relation not only to the social context that produces it but also with respect to the moral values that are taught through it, as found in the critique of Nietzsche in his interpretation of classical tragedy, principally in his The Birth of Tragedy. We then draw a parallel between this argumentation and that of Adorno on the exploitation and marketing of contemporary art. In this context, we also discuss Nietzsche's critique of the cultural productions of Greece in the fourth century BC, and contextualize them in relation to contemporary aesthetic phenomena. <![CDATA[«Conduire à cela qui est refusé au mot» Walter benjamin ou la critique de l'idéologie de la communication]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300045&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumé: Walter Benjamin est de plus en plus présent dans les départements de communication aujourd'hui, et parfois même utilisé dans le discours des communicants eux-mêmes. Pourtant, quelque chose en lui résiste à cette instrumentalisation: c'est que, dans son œuvre, le langage (politique comme esthétique) ne sert pas à communiquer un sens prédéfini, mais à exprimer cela même qui est refusé au mot. Le philosophe allemand va jusqu'à liquider la posture révolutionnaire de l'artiste encore pris dans l'idéologie de la communication: il ne s'agit ni de remplacer le contenu, ni de rénover la forme, mais, objectif apparemment modeste mais radicalement plus ambitieux, de changer la technique.<hr/>Abstract: Walter Benjamin is ever more present in today's departments of communication studies, and sometimes even used in the communicants' discourses themselves. But there is something in him which resists this instrumentalization. Indeed, in his work, language (political as well as aesthetical) does not offer itself to the communication of a predefined sense, but instead expresses what remains inaccessible to the word. The German philosopher succeed in liquidating the revolutionary posture of the artist still caught in the ideology of communication. This is neither a matter of substituting the content, nor of renovating the form, but - an apparently modest but radically more ambitious objective - of changing the technique. <![CDATA[Rawls e a justificação da punição]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300067&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O objetivo central deste artigo é procurar compreender a concepção normativa híbrida usada por John Rawls para justificar moralmente a punição legal, fazendo uso de um recurso consequencialista, a fim de justificar a instituição da punição, isto é, a eficácia social e um recurso retributivista para justificar os atos punitivos particulares, ou seja, a culpa do agente. Analisaremos, especialmente, o artigo "Two Concepts of Rules" e o livro A Theory of Justice. Defenderemos que Rawls faz uso de uma visão liberal de punição, bem como utiliza o método de equilíbrio reflexivo, estipulando uma regra para aprovação da punição legal, a partir da coerência com nossos juízos morais ponderados, o que parece reconciliar a justiça retributiva com a justiça distributiva.2<hr/>Abstract: The principal aim of this paper is to understand the hybrid normative concept used by John Rawls to morally justify legal punishment. Rawls uses a consequentialist argument - that is, social efficacy - to justify the institution of punishment, and a retributivist argument - that is, the guilt of the agent - to justify particular acts of punishment. The article "Two Concepts of Rules" and the book A Theory of Justice are analyzed. We argue that Rawls uses a liberal view of punishment, as well as the method of reflective equilibrium, stipulating a rule for approval of legal punishment based on its coherence with our considered moral judgments; this seems to reconcile retributive justice with distributive justice. <![CDATA[Filosofar enquanto cuidado de si mesmo: um exercício espiritual ético-político]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300093&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O texto que tecemos e aqui apresentamos constitui, em síntese, uma resposta à provocante pergunta de Platão o que é cuidar de si? As respostas que oferecemos consistem em traços da nossa proposta de compreensão de filosofia que se efetiva enquanto um exercício espiritual, que, por sua vez, sustenta a hipótese do filosofar enquanto um modo de viver. Para tanto, da filosofia grega, explicitaremos o exercício do cultivo de si corporificado em Sócrates e, por parte da filosofia oriental, analisaremos o personagem Musashi. Ambos personificam a opção por um estilo de vida filosófica e modo de ser - o primeiro, pelas veredas do diálogo, o segundo, pela vivência - e assinalam a necessidade da evolução espiritual da alma, mediante vida contemplativa. Consequentemente, além de explorar a enorme proximidade entre uma linha filosófica grega e a tradição oriental, fundamentaremos o solo comum do pensamento enquanto exercício ético.<hr/>Abstract: The text we present here is an answer to Plato's provoking question "What is it to care for oneself?" The answers we provide are aspects of our proposal for understanding philosophy as something that is realized as a spiritual exercise; this understanding, for its part, supports the hypothesis of philosophy as a way of life. Starting with Greek philosophy we will make explicit the exercise of the cultivation of the self embodied in Socrates; then, turning to Eastern philosophy, we shall examine the character of Musashi. Both personify the option for a style of philosophical life and way of being - the first through paths of dialogue, the second through experience - and highlight the necessity of the spiritual evolution of the soul by means of a contemplative life. Consequently, in addition to exploring the great proximity between the Greek and the Eastern philosophical traditions, we will find common ground between them in thought as ethical exercise. <![CDATA[Proteo y la desaProPiación del tiemPo en simone weil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300113&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumen: En este trabajo estudiamos la génesis de la concepción de la percepción de Simone Weil. Apoyándonos en algunos textos clave de juventud de la autora, hacemos el seguimiento al manejo que le da la filósofa a la figura mitológica de Proteo y a las nociones de tiempo y espacio. Así, nuestra intención es evidenciar la aparición de los principales fundamentos teóricos que estructurarán la fenomenología weiliana de los años de madurez.2 En este sentido, intentamos demostrar en particular que si bien el proceso perceptivo weiliano de los años de juventud está determinantemente influenciado por la fenomenología kantiana, aparece ya un aporte original en lo que atañe a la relación de la conciencia del sujeto y los datos espaciotemporales que se le revelan al aprehender el objeto.<hr/>Abstract: In this work we study the genesis of Simone Weil's conception of perception. We discuss her use of the notions of time, space, and the mythological figure of Proteus, analyzing some of the author's key early texts. Our goal is to then make clear the appearance of the main important theoretical bases that organize Weil's phenomenology in her mature years. In this way, we try to demonstrate that although the perceptive process as conceived by the young Weil is strongly influenced by Kantian phenomenology, it already appears as an original contribution with regard to the relation between the consciousness of the subject and the spatiotemporal data revealed in the apprehension of the object. <![CDATA[A crítica à superstição no pensamento de pierre bayle]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300133&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: A superstição é definida por Bayle, em diversos momentos e diversas obras do filósofo francês, como: a) algo característico da corrupção natural humana; b) a prova da facilidade do homem em se ater às mais diversas crendices, logo, estando sujeito não só a uma, mas a todo tipo de superstições; c) o fenômeno que se instaurou e se disseminou na sociedade, perseguindo a todos e gerando ilusões por toda parte, através de presságios, profecias, prodígios, e sinais. Nesse quadro de diversas e intangíveis absurdidades, a superstição ganha forma, indo para além dos domínios da razão e, assim, Bayle, em seus escritos, torna manifesta a oposição entre a filosofia e a ignorância supersticiosa, entre o entendimento e a imaginação e entre as explicações científicas e os relatos fantásticos.<hr/>Abstract: Superstition is defined by Bayle at various times and in various works as: a) something characteristic of natural human corruption; b) proof of the ease of man in adhering to the most diverse beliefs, being subject not only to one but to all kinds of superstitions; c) a phenomenon which arose and spread in society, following everyone and creating illusions everywhere by means of omens, prophecies, miracles, and signs. In this context of the diverse and intangible absurdities in which superstition takes shape, going beyond the realms of reason, Bayle in his writings makes manifest the opposition between philosophy and superstitious ignorance, between understanding and imagination, and between scientific explanations and fantastic tales. <![CDATA[O caráter histórico-social do conhecimento no pensamento de marx]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300157&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Este texto tem por objetivo discutir a teoria do conhecimento em Marx e em Engels, além de pontuar os estudos que realizaram sobre a ciência. Esses pensadores do século XIX não se destacaram por elaborar reflexões filosóficas sobre o tema, tal como os modernos fizeram; para compreender o momento histórico deles, caracterizado pela produção capitalista, as preocupações orientavam-se para revisar as filosofias idealistas, considerando-as ideológicas e insuficientes para pensar o que entendiam por realidade material, social. Em contraposição, elaboraram um novo pressuposto teórico pelo qual procuravam explicitar a articulação entre as forças produtivas, concebendo-as como base sob as quais se engendram as relações sociais e as ideias a elas correspondentes, bem como as lutas históricas travadas no interior da mesma sociedade. Compreenderam que o conhecimento e a ciência estão articulados com as bases materiais da produção e que cabe a eles explicar as relações. Esse modo de entender a sociedade de seu tempo mostra-se original, o que justifica estudos que tendem a buscar neles referências teóricas para explicitar as contradições atuais.<hr/>Abstract: This text aims to discuss the theory of knowledge in Marx and Engels, noting as well their studies of science. These two thinkers of the nineteenth century did not stand out for developing philosophical reflections on the subject, in contrast to the moderns. In order to understand their own historical moment, characterized by capitalist production, Marx and Engels concerned themselves with criticizing and revising the idealist philosophies of their day, considering these philosophies to be ideological and insufficient for thinking about what they understood by material and social reality. They therefore developed new theoretical assumptions which sought to clarify the relationship between productive forces, understanding these forces as the basis upon which social relations and the ideas corresponding to them, as well as the historical struggles within society, were engendered. They understood that knowledge and science are articulated on the basis of material production, and saw it as their task to explain the relationship between these factors. This way of understanding the society of their time was an original one, justifying studies that seek theoretical references in their thought that are useful for understanding current contradictions. <![CDATA[Estética y mística en la recuperación experiencial del símbolo]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300175&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumen: Este trabajo parte de la debilitación o pérdida del símbolo en nuestra sociedad contemporánea. Resume cómo la modernidad renunció a él asentada en discursos ilustrados. Establecidos estos fundamentos, analiza las bases para su recuperación, localizando, previamente, al símbolo respecto al signo y a la analogía. Finalmente, concluye con una propuesta restauradora del concepto por medio de la experiencia. Este último concepto se abrirá desde los mundos de la estética y mística.<hr/>Abstract: This paper begins by discussing the weakness or loss of the symbol in our contemporary society, and recounts how modernity has renounced it by means of the discourse of Enlightenment. On these bases, we analyze the roots for its recovery, locating the symbol between the sign and analogy. We conclude with a proposal that restores the symbol by means of experience. The latter will open up the aesthetic and mystic worlds. <![CDATA[A double face view on mind-brain relationship: the problem of mental causation]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732017000300197&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract: Interpreting results of contemporary neuroscientif studies, I present a non-reductive physicalist account of mind-brain relationship from which the criticism of unintelligibility ascribed to the notion of mental causation is considered. Assuming that a paradigmatic criticism addressed to the notion of mental causation is that presented by Jaegwon Kim’s analysis on the theory of mind-body supervenience, I present his argument arguing that it encompasses a formulation of the problem of mental causation, which leads to difficulties by him pointed. To ask "how mental events, being a non-physical property of the brain, could act causally on brain structure and functioning?", is not to treat the mind as a property of the brain, but as a Cartesian substance. I argue that, rather than asking "how does mind could act causally on the brain?", as if the mind were something apart and independent of the brain, it would be more in line with a non-reductive physicalist view to ask "how the brain, guided by its mind, could act causally on itself?". To justify this last formulation of the problem of mental causation, I propose a "double face view", which consists in considering the consciousness as the essential property of the mind, and mind and brain as inseparable, dependent and irreducible faces. It means, in general terms, that the conscious mind is the result of brain structure and activity - "conscious mind as brain" - and that the brain, using its conscious mind as a guide to its actions, interacts with its body, and with the physical and sociocultural environment, constructing and being constructed by both - "brain as conscious mind".<hr/>Resumo: Interpretando resultados de estudos neurocientíficos contemporâneos, apresento, em linhas gerais, uma abordagem fisicalista não-reducionista da relação mente-cérebro, a partir da qual a crítica de ininteligibilidade atribuída à noção de causação mental é considerada. Assumindo que uma crítica paradigmática à noção de causação mental é aquela apresentada por Jaegwon Kim, em suas reflexões sobre a teoria da superveniência mente-corpo, considero criticamente o seu argumento, oferecendo uma concepção geral a respeito da relação mente-cérebro, a qual acredito tornar a noção de causação mental inteligível. Penso que o principal problema do argumento de Kim se relaciona à formulação da questão da causação mental por ele aceita. Por exemplo, ao perguntar "como os eventos mentais, sendo propriedades não-físicas do cérebro, podem agir causalmente sobre a estrutura e funcionamento do cérebro?" a mente está sendo considerada não como uma propriedade do cérebro, mas como uma substância cartesiana. Entendo que, em vez de perguntar "como a mente age causalmente sobre o cérebro?", como se a mente fosse algo dele separada e independente, seria mais conforme a uma concepção fisicalista não-reducionista perguntar "como o cérebro, guiado por sua mente, pode agir causalmente sobre si mesmo?" Para justificar essa formulação do problema da causação mental, proponho uma "abordagem dupla face" da relação mente-cérebro, segundo a qual a consciência é a propriedade essencial da mente, sendo a mente inseparável do cérebro, embora a ele irredutível, e a estrutura e funcionamento do cérebro dependente numa certa medida da existência da mente. Isso significa, em termos gerais, que a mente consciente resulta da estrutura e funcionamento do cérebro - "mente consciente como cérebro" -, e que o cérebro, usando a mente consciente como um guia para sua ação, interage com seu corpo e com o ambiente físico e sociocultural circundante, construindo e sendo construído por ambos - "cérebro como mente consciente".