Scielo RSS <![CDATA[Trans/Form/Ação]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-317320120001&lang=en vol. 35 num. 1 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Palavra do editor</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>Considerations on the <i>prólêpsis</i> of Epicurus</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100002&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se ocupa em averiguar os termos com os quais Cícero, Lucrécio e Diógenes Laércio buscaram tornar compreensível a prólêpsis de Epicuro. Cícero forneceu os termos antecipatio, praenotio e informationem; Lucrécio, notitia, exemplare et vestigia, a fim de dar voz e expor entre os latinos a doutrina do epicurismo. Diógenes Laércio indicou os termos katalêpsis, dóxa, énnoia, hypólêpsin, com os quais, segundo ele, os próprios epicuristas tentaram explicitar a prólêpsis de Epicuro. Por fim, o artigo expõe a opinião de alguns comentadores contemporâneos.<hr/>This article discusses the terms in which Cicero, Lucretius and Diogenes Laertius sought to make sense of the prólêpsis of Epicurus. To give voice to and to divulge among Latin speakers the doctrine of Epicureanism, Cicero furnished the terms antecipatio, praenotio, and informationem, and Lucretius provided notitia, exemplare, and vestiga. Diogenes Laertius presented the terms katalêpsis, dóxa, énnoia, and hypólêpsin, with which, he says, the Epicureans tried to explain the prólêpsis of Epicurus. The article also discusses the views of some contemporary commentators. <![CDATA[<b>System in Leibniz and Descartes</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Descartes concebe que a verdadeira ordem científica é a ordem das razões, na qual se parte das verdades mais fáceis e evidentes em direção às mais difíceis e complexas. Assim, estabelece-se uma ordem única, progressiva e irreversível, onde cada membro da cadeia depende daqueles que o antecederam, de modo que cada tese possui um lugar não-intercambiável dentro da doutrina. Leibniz, ao contrário, defende que "[...] uma mesma verdade pode ter vários lugares, conforme as diferentes relações que pode possuir" (Novos Ensaios, IV, XXI, § 4). A fim de evitar as repetições, reunindo-se o máximo de verdades no mínimo de volumes, o autor propõe que a melhor ordem científica é a disposição sistemática das matérias, que consiste em uma organização do saber na qual cada lugar reenvia a outros, tornando clara a conexão entre os conhecimentos. Em contraposição ao modelo de sistema cartesiano, no modelo leibniziano, as teses se fundamentam mutuamente e a ordem das verdades estabelecidas é reversível. Ora, é devido a essas diferenças na concepção de sistema que Leibniz, ao contrário de Descartes, pode pretender tomar o que há de melhor nos sistemas legados pela tradição para constituir o seu próprio sistema, já que para ele há uma certa maleabilidade na constituição do sistema filosófico.<hr/>Descartes thinks that the true scientific order is that of reasons, in which one starts from the easiest and most evident truths and moves towards those that are more difficult and complex. Thus a unique, progressive, and irreversible order is established, where each member of the chain depends on those that precede it, and each thesis has a non-interchangeable place inside the doctrine. Leibniz, on the contrary, defends the idea that "une même vérité peut avoir beaucoup des places selon les differents rapports qu'elle peut avoir" (Nouveaux Essais, IV, XXI, § 4 ; GP V, p. 506). In order to avoid repetition, assembling the greatest quantity of truths in a minimum of volumes, Leibniz argues that the best scientific order is a systematic disposition in which each place refers to all the others, so that the connections among knowledge becomes clear. In opposition to the Cartesian model of system, in the Leibnizian model theses are based upon one another, and the order of truths is reversible. It is due to these differences concerning the conception of system that Leibniz, unlike Descartes, can pretend to take the best of each philosophical system in order to constitute his own, given that for him there is a certain malleability in the construction of a philosophical system. <![CDATA[<b>Reid's critique of the conception of personal identity in Locke</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Fazer uma abordagem na qual seja apresentada a análise crítica de Reid acerca da teoria da identidade pessoal de Locke constitui-se como o objetivo principal desse artigo. Tal análise aponta para duas consequências significativas: a) se a mesma consciência pode ser transferida de um ser inteligente para outro, então, dois ou vinte seres inteligentes podem ser a mesma pessoa; b) a de que um homem pode ser e, ao mesmo tempo, não ser a pessoa que praticou uma determinada ação. Tendo como ponto de partida essas consequências, Reid explicitará algumas considerações em torno do assunto.<hr/>This article discusses Reid's critical analysis of Locke's theory of personal identity. Two significant consequences of this analysis are pointed out: a) that if the same consciousness can be transferred from one intelligent being to another, then two or twenty intelligences may be the same person; b) that a man can be, and at the same time not be, the person who practices a given action. Taking these consequences as a starting point, Reid expounds some considerations on the topic. <![CDATA[<strong>Philosophy, tone and musical illusion in Kant</strong>: <strong>from the vivification of mind by sound to the reception of the tone of reason</strong>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100005&lng=en&nrm=iso&tlng=en O artigo tenciona, primeiramente, enriquecer o estudo da função que o conceito de tom desempenha na ideia kantiana de razão, ao estendê-lo à análise da música como arte dos sons que a Crítica do Juízo contém. Em segundo lugar, propõe-se determinar os motivos pelos quais a matemática se revela incapaz, devido à especificidade do método filosófico e à corporalidade da recepção musical, respectivamente, de expressar o modo de proceder da razão e da arte dos sons. Finalmente, aponta-se para uma semelhança entre música e razão, no que diz respeito à rejeição que compartilham da queda na Schwärmerei, apesar da distância que se estabelece entre ambas enquanto duas maneiras contrárias de exercitar e fomentar a vida e o sentimento dela.<hr/>This article intends, firstly, to enrich the study of the role that the concept of tone plays in Kantian idea of reason, by extending it to the analysis of music as art of sounds, which the Critique of Judgment fulfills. Secondly, it aims to determine the grounds that could explain why the mathematics, due to the specificity of the philosophical method and the physical reception of music, respectively, are itself incapable to express the procedures of reason and of the art of sounds. Finally, it points out a similarity between reason and music concerning their common rejection of succumbing to the Schwärmerei, although the distance which divides them as two contrary ways to exercise and promote the life and its feeling. <![CDATA[<b>Idle emancipation, or, what does Marx's critical theory propose? </b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100006&lng=en&nrm=iso&tlng=en No presente artigo, traço, rapidamente, a perspectiva a partir da qual Marx constrói sua crítica ao capitalismo, a saber, a diferença entre o potencial transformador da técnica tal como desenvolvida sob o modo capitalista de produção e a sua realidade efetiva nesse mesmo sistema (parte 1). Com isso feito, argumento que a crítica de Marx ao sistema capitalista consiste em grande parte no fato de a valorização permanente do capital ser a meta da produção, uma finalidade irracional e que cria uma dominação abstrata desse mecanismo sobre os indivíduos (parte 2), de modo a, por fim, repensar o sentido de emancipação no pensamento marxiano tardio, sustentando, sobretudo, que se trata de uma emancipação dessa dominação abstrata que culmina, também, em uma emancipação do trabalho em prol da criação de cada vez mais tempo disponível (parte 3).<hr/>In this paper I succinctly outline the standpoint from which Marx criticizes capitalism, namely, by pointing to the difference between the transforming potentiality of technology as developed under the capitalist mode of production, and its effective reality in this same system (part 1). On these grounds, I argue that Marx's critique of the capitalist system consists mainly in the fact that the permanent valorization of capital is the goal of production, and that this is an irrational aim which creates as a result an abstract form of domination over individuals (part 2). Finally, I reinterpret the meaning of emancipation in Marx's later thought, arguing that it refers to an emancipation from this abstract domination, culminating in an emancipation from work in favor of the creation of increased disposable time (part 3). <![CDATA[<b>Dilthey</b>: <b>the hermeneutics of life and the universal aspirations of pedagogy</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100007&lng=en&nrm=iso&tlng=en Dilthey apontou primeiro a psicologia e depois a hermenêutica como tendo papel fundamental para sua filosofia da vida, cujo principal objetivo prático é desenvolver a pedagogia ou teoria geral da educação. A pedagogia necessita da ajuda da ética para estabelecer seus fins e da psicologia para indicar seus meios. Este texto tem por objetivo mostrar a relação entre hermenêutica da vida e pedagogia, para Dilthey. A filosofia da vida do autor, ao adotar procedimento hermenêutico, exercita a compreensão ou busca de significado das criações humanas histórico-sociais por um tipo especial de relação entre as partes e o todo. É justamente dentro desse balanço hermenêutico que propomos apagar qualquer vestígio de ruptura, brecha ou contradição entre a busca de princípios universais da ação humana e a impossibilidade de construção da tarefa humana moral, por meio de princípios universais. Só em 1890 Dilthey deu início às conhecidas conferências sobre ética, na Universidade de Berlim. Tais conferências, publicadas em 1958 por Herman Nohl, no volume X das Obras Completas, apontam as diretrizes do caminho que deverá consolidar a ética formativa ou social, enquanto solução histórica para o alcance de princípios universais de orientação para a conduta humana. Essa trajetória efetiva-se graças ao exercício distintivamente humano da autorreflexão. Por meio dela, é possível cumprir nosso destino de manifestar, exteriorizar no tempo a energia do espírito absoluto que nos é imanente. Diante desse panorama, este texto procura sublinhar como é possível que tal pedagogia possa respeitar sua tarefa universal de orientar historicamente o desenvolvimento das novas gerações, sem dirigir o processo por meio de fins rígida e fixamente estabelecidos.<hr/>Dilthey claimed that first psychology and then hermeneutics played the foundational role for his philosophy of life, whose main practical goal is to develop a pedagogy or theory of education. Pedagogy needs help from ethics to establish its ends, and from psychology to indicate its means. This paper intends to show the relationship between Dilthey's hermeneutics of life and his pedagogy. Dilthey's philosophy of life, in so far it adopts the hermeneutical procedure, engages in the understanding of, or the search for the meaning of, human socio-historical creations, by adopting a special type of relationship between parts and whole. It is exactly within this hermeneutical balance that we propose to extinguish any indication of a rupture, breach, or contradiction between the quest for universal principles of human behavior and Dilthey's defense of the impossibility of constructing human moral tasks by means of universal principles. Dilthey began his ethics lectures at the University of Berlin in 1890. These lectures, published in 1958 by Herman Nohl in volume X of Dilthey's collected works, indicate the direction of the trajectory by which formative or social ethics are consolidated as a historical solution for reaching universal principles that can guide human purposes. This trajectory is a result of the distinctively human exercise of self-reflection, by means of which we can fulfill our destiny of manifesting and exteriorizing in time the immanent energy of the absolute spirit. We wish to show that it is possible that such a pedagogy can respect its universal task of orienting the historical development of the younger generation without directing this process by means of fixed and rigid aims. <![CDATA[<b>Nihilism and politics in Leo Straus</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100008&lng=en&nrm=iso&tlng=en Trata-se de pensar a possibilidade da filosofia política. Para tanto, procura-se situar a questão a partir da obra de Leo Strauss, objetivando-se mostrar por que o niilismo contemporâneo - em suas mais difundidas e às vezes insuspeitas manifestações - impede a realização e mesmo a existência de uma reflexão sobre a natureza das coisas políticas. Tendo-se a retomada por parte de Strauss do "direito natural" como chave de leitura tanto para o "problema central da filosofia política" quanto para o enfrentamento de seus principais opositores, espera-se investigar o sentido e a plausibilidade das críticas aos motivos que nos conduzem ao niilismo e, caso estas se mostrem apropriadas, apontar como um proposto "renascimento do racionalismo político clássico" pode reconduzir à interrogação filosófica acerca do que é bom, da boa vida, da melhor sociedade, de "como deve o homem viver".<hr/>The aim of this article is to think about the possibility of political philosophy, taking Leo Strauss's work as a point of departure. It examines why contemporary nihilism - in its most widespread and sometimes hidden personifications - prevents the achievement, and even the existence, of a reflection on the nature of political things. Assuming that Strauss's reflections on "natural right" are as much the key to understanding "the central problem of political philosophy" as to confronting Strauss's principal opponents, this article analyzes the meaning and the plausibility of Strauss's critique of the motives that lead us to nihilism and, if these prove to be appropriate, to indicate how a "rebirth of classical political philosophy" could reconduct us to a philosophical meditation on the good life, what is good, the best society, and "how man must live". <![CDATA[<b>The definition of phenomenology</b>: <b>Merleau-Ponty as reader of Husserl</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100009&lng=en&nrm=iso&tlng=en O trabalho de definir o que é a fenomenologia, desde a Fenomenologia da Percepção, suscitou uma tomada de partido em relação ao pai da fenomenologia. A crítica ao idealismo de Husserl, o papel da ambiguidade, a impossibilidade de redução completa, entre outros grandes temas, personalizam a fenomenologia de Merleau-Ponty em relação ao mestre. O objetivo do ensaio é mostrar como, na descrição do "método" fenomenológico, Merleau-Ponty se afasta dos conceitos fundamentais de Husserl, sem deixar de retornar continuamente a ele.<hr/>The task of defining phenomenology, ever since The Phenomenology of Perception, has induced a taking of sides with regard to who the true father of phenomenology is. The critique of Husserl's idealism, the role of ambiguity, the impossibility of complete reduction, among other great themes, personalizes the phenomenology of Merleau-Ponty in relation to that of his master. The object of this article is to show how, in his description of the "phenomenological method", Merleau-Ponty moves away from the fundamental concepts of Husserl without ceasing to continually return to them. <![CDATA[<b>Tension and ambiguity in the philosophy of Jean-Paul Sartre</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100010&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo pretende mostrar como, a partir da noção de "vizinhança comunicante" estabelecida por Franklin Leopoldo e Silva, poderemos compreender os principais temas da filosofia sartriana e a relação entre eles, tais como a relação entre metafísica e história, sujeito e objeto, (liberdade) absoluta e concreta, e ética e estética. Ao estender a expressão inicialmente cunhada para a relação entre filosofia e literatura em Sartre, pretendemos evidenciar que as noções de ambiguidade e tensão são fundamentais para termos uma chave de leitura para todo o pensamento de Sartre.<hr/>This article intends to show how, on the basis of the notion of "communicating neighborhood" established by Franklin Leopoldo e Silva, we may understand the main themes of Sartre's philosophy and the relations between them, e.g., the relations between metaphysics and history, subject and object, absolute and concrete (freedom), and aesthetic and ethics. By extending an expression initially established for the relation between philosophy and literature in Sartre, we intend to show that the notions of ambiguity and tension are essential as a key to all of Sartre's thought. <![CDATA[<b>Social externalism</b>: <b>mind, thought, and language</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100011&lng=en&nrm=iso&tlng=en Meu objetivo é mostrar que as teses externalistas "os significados não estão na cabeça" e "os pensamentos não estão na cabeça" não implicam, necessariamente, a tese mais radical "a mente não está na cabeça". Trato dessa questão no âmbito do Externalismo Social de Tyler Burge e Lynne Baker, argumentando que a importância que esses pensadores atribuem à linguagem nas questões relativas à mente não significa, como uma leitura apressada poderia sugerir, a redução da mente à linguagem e, muito menos, a eliminação da mente. A minha conclusão é que o externalismo social linguístico não se constitui como uma estratégia eficaz de enfrentamento dos problemas da natureza da mente e de sua relação com o corpo.<hr/>My aim is to show that the externalist theses, "meanings are not in the head" and "thoughts are not in the head", do not necessarily imply the more extreme thesis that "the mind is not in the head". I consider this question in terms of the social externalism approach of Tyler Burge and Lynne Baker, arguing that the importance these thinkers attribute to language in questions relative to the mind does not mean either the reduction of the mind to language or the elimination of the mind. My conclusion is that social externalism is not an efficient strategy for dealing with problems of the nature of the mind or the relationship between mind and body. <![CDATA[<b>Sa</b><b>ṃ</b><b>sāra and nirvā</b><b>ṇ</b><b>a in Buddhist thought: epistemological difference and ontological identity</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100012&lng=en&nrm=iso&tlng=en La differenza tra i concetti di saṃsāra e nirvāṇastabilita dal Buddha (VI-V sec. a.C.) nel suo primo sermone sembra essere messa in discussione dall'equiparazione dei due termini effettuata da Nāgārjuna (II sec. d.C.) in un passaggio-chiave delle sue MK. Questo articolo, in primo luogo, difende la tesi che la contraddizione sia soltanto apparente e che la relazione, di differenza o di identità, tra le due dimensioni dipende dal registro filosofico, rispettivamente epistemologico e ontologico, usato - in entrambi i casi per finalità soteriologiche - dal Buddha e da Nāgārjuna. In secondo luogo, cercheremo di provare che, in ogni caso, l'ontologia di Nāgārjuna, lungi dall'essere una novità filosofica o un'evoluzione rispetto al pensiero del fondatore del buddhismo è, al contrario, una delle possibili applicazioni della dottrina del non-sé (anātma-vāda) - probabilmente il contributo più importante e originale del pensiero buddhista alla storia della filosofia universale - esposta dal Buddha nel suo secondo sermone.<hr/>The difference between the concepts of saṃsāra e nirvāṇaset forth by the historical Buddha (VI-V B.C.) in his first sermon seem to be disputed by the equalization of the two terms effected by Nāgārjuna (II A.D) in a topical passage of his MK. This article, firstly, supports the thesis that the contradiction is just a seeming one and that the relation of difference or identity between the two dimensions depends on the philosophical register, respectively epistemological and ontological, being used - in both cases for soteriological purposes - by the Buddha and Nāgārjuna. Secondly, we wish to prove that, in any case, Nāgārjuna's ontology, far from being a philosophical novelty or an evolution of the thought of the founder of Buddhism, is, on the contrary, one of the possible applications of the "non-self" doctrine (anātma-vāda) - probably the most important and original contribution of Buddhist thought to the history of world philosophy - expounded by the Buddha in his second sermon. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100013&lng=en&nrm=iso&tlng=en http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100014&lng=en&nrm=iso&tlng=en http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000100015&lng=en&nrm=iso&tlng=en