Scielo RSS <![CDATA[Trans/Form/Ação]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-317320120002&lang=en vol. 35 num. 2 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Palavra</b><b> do editor</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>The incorporeal order in Plato's Philebus</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo, pretendo analisar como o Filebo de Platão retoma alguns tópicos específicos da dialética platônica, empregando-os a fim de entender como a alma cognitiva pode ser afetada por prazeres falsos, por opiniões falsas e por imagens falsas. Este estudo visa a criticar certas leituras modernas do platonismo, especialmente a teoria esoterista, baseada na doutrina não escrita de Platão, cujo escopo central estipula um revisionismo da teoria platônica das Formas, defendendo a emergência de uma nova ontologia, explicada por dois princípios, o Um e a Díada ilimitada do grande e do pequeno, concebidos, assim, como princípio formal e princípio material.<hr/>In this paper, I intend to analyze how Plato's Philebus takes up some specific topics of Platonic dialectic and employs them to understand how the cognitive soul can be affected by false pleasures, false opinions, and false images. This study aims to criticize certain modern readings of Platonism, chiefly esoteric theory based on Plato's unwritten doctrine, which stipulate a revision of the Platonic theory of forms and defend the emergence of a new ontology explained by two principles, the One and the unlimited Dyad of great and small, conceived both as formal principle and material principle. <![CDATA[<b>The concept of antagonism in Kant's political philosophy</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo, pretendo analisar como o Filebo de Platão retoma alguns tópicos específicos da dialética platônica, empregando-os a fim de entender como a alma cognitiva pode ser afetada por prazeres falsos, por opiniões falsas e por imagens falsas. Este estudo visa a criticar certas leituras modernas do platonismo, especialmente a teoria esoterista, baseada na doutrina não escrita de Platão, cujo escopo central estipula um revisionismo da teoria platônica das Formas, defendendo a emergência de uma nova ontologia, explicada por dois princípios, o Um e a Díada ilimitada do grande e do pequeno, concebidos, assim, como princípio formal e princípio material.<hr/>In this paper, I intend to analyze how Plato's Philebus takes up some specific topics of Platonic dialectic and employs them to understand how the cognitive soul can be affected by false pleasures, false opinions, and false images. This study aims to criticize certain modern readings of Platonism, chiefly esoteric theory based on Plato's unwritten doctrine, which stipulate a revision of the Platonic theory of forms and defend the emergence of a new ontology explained by two principles, the One and the unlimited Dyad of great and small, conceived both as formal principle and material principle. <![CDATA[<b>Irony in the theory of novel</b>: <b>from the normative-compositional requirement in Goethe to living art in Novalis</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente artigo busca explicitar o conceito de ironia na Teoria do romance. A explicitação do conceito de ironia se desdobrará num desenvolvimento duplo: como exigência normativo-composicional e como radicalização subjetiva que excede a normatividade. No primeiro sentido, a ironia configura subjetivamente uma totalidade na obra épica, partindo da sua fragmentação objetiva nas relações sociais modernas. Nessa acepção, a ironia se apresenta como uma manobra subjetiva a serviço da normatividade épica do romance, pois sua finalidade é harmonizar o ideal subjetivo com a objetividade histórica burguesa. Seu paradigma é representado, neste artigo, por Goethe. O outro sentido pelo qual a ironia romântica aparece é demarcado pela forma extremada da subjetividade. Esta, reconhecendo uma impossibilidade de realização de seu ideal harmônico na modernidade, porque o mundo moderno se lhe apresenta como uma efetividade oposta aos anseios subjetivos, refugia-se na própria interioridade e se distancia do mundo presente, buscando refúgio em tempos e lugares mais propícios à realização poética. Novalis é o modelo dessa ironia radicalizada. Essa forma irônica, ao contrário da "cadência irônica" de Goethe, aniquila a forma romance, uma vez que o aspecto subjetivo da pura reflexão, a lírica, se sobrepõe à objetividade histórica presente que o romance também necessariamente deve encerrar.<hr/>The present work intends to explain the concept of irony in the theory of the novel. The explication of the concept of irony unfolds in a double process: as a normative-compositional requirement and as a subjective radicalization that exceeds normativity. In the first sense, irony conceptually configures a totality in an epic work, based on the objective fragmentation in modern social relations. In this sense, irony is presented as a subjective move that serves the epic normativity of the novel, as its purpose is to harmonize the subjective ideal with historical bourgeois objectivity. Its paradigm is represented, in this article, by Goethe. The other sense in which Romantic irony appears is demarcated by the extreme form of subjectivity. This sense of irony, recognizing the impossibility of the realization of its harmonious ideal in modernity because the modern world presents itself as an effectivity opposed to subjective longing, takes refuge in its own interiority and distances itself from the present world, seeking refuge in times and places more propitious to poetical realization. Novalis is the model of this ironic radicalization. This ironic form, contrary to "ironic cadence" of Goethe, negates the novel form, because the subjective aspect of pure reflection, the lyrical, superposes the objective historical present that the novel inevitably must leave behind. <![CDATA[<b>Interest-bearing capital in <i>Capital</i> or the system of Marx</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200005&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente artigo busca estabelecer o local e a função do capital portador de juros em O Capital, visando com isso jogar luz sobre a estrutura eminentemente sistemática desta obra. Deste modo a obra máxima de Marx aparecerá muito próxima do idealismo alemão (particularmente de Fichte e Hegel), onde a questão da sistematicidade (da filosofia) foi sentida de maneira mais premente.<hr/>The present article seeks to establish the place and function of monetary capital (Zinnsträgende Kapital) in Marx's Capital, with the aim of illuminating the systematic structure of this work. In this way, Marx's great work shows itself to be very close to German Idealism (mainly Fichte and Hegel), where the question of (philosophical) systematicity was felt most vividly. <![CDATA[<b>Heidegger and Blumenberg on modernity</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200006&lng=en&nrm=iso&tlng=en The debate surrounding the way in which Heidegger and Blumenberg understand the modern age is an opportunity to discuss two different approaches to history. On one hand, from Heidegger's perspective, history should be understood as starting from how Western thought related to Being, which, in metaphysical thinking, took the form of the forgetfulness of Being. Thus, the modern age represents the last stage in the process of forgetfulness of Being, which announces the moment of the rethinking of the relationship with Being by appealing to the authentic disclosure of Being. On the other hand, Blumenberg understands history as the result of the reoccupation process, which means replacing old theories with other new ones. Thus, to the historical approach it is not important to identify epochs as periods of time between two events, but to think about the discontinuities occurring throughout history. Starting from here, the modern age will be thought of not as an expression of the radicalization of the forgetfulness of Being, but as a response to the crises of medieval conceptions. For the same reason, the interpretation of history as a history of the forgetfulness of Being is considered by Blumenberg to subordinate history to an absolute principle, without taking into account its protagonists' needs and necessities.<hr/>O debate em torno da maneira como Heidegger e Blumenberg entendem a idade moderna é uma oportunidade para discutir duas abordagens diferentes sobre a história. Por um lado, do ponto de vista de Heidegger, a história deve ser entendida partindo do modo como o pensamento ocidental se relacionava com o Ser, o que, no pensamento metafísico, tomou a forma do esquecimento do Ser. Assim, a idade moderna representa a última etapa no processo do esquecimento do Ser, que anuncia o momento de repensar a relação com o Ser apelando para a autêntica divulgação do Ser. Por outro lado, Blumenberg entende a história como o resultado do processo de reocupação, o que significa substituir antigas teorias com teorias novas. Logo, para a abordagem histórica não é importante identificar épocas como períodos de tempo entre dois eventos, mas de pensar sobre as descontinuidades que ocorrem ao longo da história. A partir dai, a idade moderna é pensada ​​não como uma expressão da radicalização do esquecimento do Ser, mas como uma resposta as crises de concepções medievais. Pela mesma razão, a interpretação da história como a história do esquecimento do Ser é considerada por Blumenberg para subordinar a história a um princípio absoluto, sem levar em conta as necessidades de seus protagonistas. <![CDATA[<b>Philosophy and science in the early thought of Heidegger</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200007&lng=en&nrm=iso&tlng=en El objetivo del presente artículo es realizar una reflexión acerca de la relación entre filosofía y ciencia a partir de los planteamientos de Martin Heidegger en los años 20. Atendiendo a las Frühe(n) Freiburger Vorlesungen, se indicará cómo es que filosofía y ciencia pueden ser entendidas como posibilidades concretas de la vida fáctica que, en última instancia, se refieren a dos tendencias existenciales particulares: la des-vivificación, por parte de la actitud teórica, perteneciente al ejercicio científico, y el intento de aprehensión de la vitalidad misma de la existencia, correspondiente al ejercicio filosófico. A partir de una aclaración de ambas tendencias, el presente artículo intentará esbozar el modo cómo se podría comprender la relación entre ambas desde una perspectiva existencial.<hr/>The aim of this paper is to reflect on the relationship between philosophy and science based on the approach of Martin Heidegger in the 1920s. Examining the Frühe(n) Freiburger Vorlesungen, this article will show how it is possible to understand philosophy and science as specific possibilities of factual life, which ultimately refer to two fundamental existential tendencies: the de-vivification of the theoretical attitude (belonging to scientific practice) and the grasp of the vitality of life by philosophical investigation. By clarifying these tendencies, this paper attempts to discuss the relationship between philosophy and science from an existential perspective. <![CDATA[<b>An "impossible possibility of saying"</b>: <b>the</b><b> event in philosophy and literature, according to Jacques Derrida</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200008&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo focaliza certa "possibilidade impossível de dizer o acontecimento", motivo fértil nos últimos escritos de Derrida. A expressão "a possibilidade do impossível", emprestada do pensamento heideggeriano da Ereignis, concorre a uma ética aporética que repensa as figuras da responsabilidade face à "inapropriabilidade do que acontece". Nos lugares bem conhecidos da lógica derridiana da aporia - a justiça rebelde à regra, o "fantasma do indecidível" em cada acontecimento de decisão, a ilegalidade de toda invenção -, uma ética da alteridade propõe o sujeito apartado dos lugares da adequação a si, ao sabor da interpelação inderivável do acontecer. A dimensão da alteridade de toda decisão solicita a cada situação que se invente "a lei do acontecimento singular", promessa de originalidade. Ora, dizer a "singularidade incalculável e excepcional" do acontecimento é propósito que, para Derrida, somente se justifica como promessa de uma "monolíngua do outro", superfície comunicacional homogênea onde interromper a disseminação. Face às "reservas de indecidível" da ficção, essa promessa de unicidade conhece sua mais evidente impossibilidade, razão porque este artigo procura, por fim, avaliar a fertilidade desconstrutora da relação testemunho-ficção em literatura, nos momentos em que o pensamento de Derrida rompe com as categorias de verdade, de modo a revelar o literário como o "outro" do filosófico.<hr/>This paper takes account of the "impossible possibility of saying the event", a fertile notion in Derrida's last writings. The "possibility of the impossible" is an expression borrowed from Heidegger's concept of Ereignis. It is related to an aporetic ethics concerned about responsibility in facing the "inappropriability of events." In some of Derrida's most famous possible-impossible aporias ─ justice rebellious to rule, the "ghost of the undecidable" in every event of decision, invention that always presupposes some illegality ─ an ethics of alterity puts forward a critique of the unitary self, a subjectivity under the underivable interpellation coming from events. The relevance of the otherness to understanding any decision solicits "the law of the singular event", a promise of originality. However, the "incalculable uniqueness and exceptionality" of each event implies for Derrida a promise of a monolingual community, with its suspending or bracketing of dissemination acts. In the face of the "reserves of the undecidable" of fiction, that promise of uniqueness seems obviously impossible. This article aims, therefore, to estimate the deconstructive fertility of the relationship between testimony and fiction in literature, a moment in Derrida's thought in which the categories of truth break down, thus revealing literature as the "other" of philosophy. <![CDATA[<b>Are social goods always convergent goods?</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Uma interpretação corrente do fenômeno social ensina que todos os bens coletivos são bens convergentes. As concepções bem-estarista e utilitarista na economia e na filosofia, respectivamente, são os seus principais expoentes. A tese consiste em aceitar que "totalidades sociais" são inexoravelmente compostas de "partes" e que, por isso, na base de cada bem público ou social se encontrariam sempre os indivíduos, os quais seriam, em última análise, responsáveis pela sua existência. Assim, os bens públicos seriam bens para os quais convergem interesses e escolhas dos agentes sociais. O presente estudo mostra, em primeiro lugar, segundo a compreensão de Taylor, que nem todos os bens coletivos são bens convergentes. Alguns bens sociais podem ser considerados bens irredutivelmente sociais, cuja justificativa se encontra na reflexão sobre o significado. Em segundo lugar, aborda a contribuição que a noção hegeliana de eticidade teve sobre a formulação desse argumento.<hr/>A current strand of thought teaches that all collective goods are convergent goods. Its main exponents are the welfarist and utilitarian conceptions in the fields of economics and philosophy, respectively. This assumption presupposes that "social wholes" are inevitably composed of "parts", and that therefore the base of each public or social good is composed of individuals who would be ultimately responsible for its existence. Thus, public goods would be goods where the interests and choices of social actors converge. This essay shows that, first, according to Taylor's understanding, not all collective goods are convergent goods. Some social goods can be considered as irreducibly social goods, whose justification lies in reflection on their meaning. Second, it discusses the contribution that the Hegelian notion of ethics had on the formulation of this argument. <![CDATA[<b>Right to justification and duty of justification</b>: <b>reflections on a modus of the grounding of human rights</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200010&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste texto, discute-se a concepção desenvolvida por Rainer Forst do "direito à justificação", um princípio filosófico básico dos direitos humanos presente na tradição da ideia kantiana de "razão pura prática". Forst procura demonstrar que o reconhecimento do outro, como um ser finito e com necessidades, fundamenta diante de mim um direito a razões justificadoras. A dignidade do outro me obriga a agir perante ele apenas conforme tais razões, as quais ele pode compreender e aprovar. No texto, demonstram-se também alguns pontos fracos desse princípio de Forst que, sobretudo, resultam da insolúvel tensão entre uma teoria da razão prática e uma teoria do reconhecimento. Além disso, defende-se a tese de que o "direito à justificação" deve ser considerado "direito ao conhecimento do Bem" (Hegel), que a pessoa ativa tem em relação aos outros.<hr/>This text discusses the conception developed by Rainer Forst of "right to justification", a basic philosophical principle of human rights present in the tradition of the Kantian idea of "pure practical reason". Forst aims to demonstrate that the recognition of the other, as a finite being and a being with needs, grounds before me a right to justifying reasons. The dignity of the other obliges me to act before him only according to such reasons, which he may comprehend and approve. The text also demonstrates some weak points of this principle of Forst that, above all, result in insoluble tensions between a theory of practical reason and a theory of recognition. Moreover, the thesis is defended that the "right to justification" must be considered a "right to recognition of Good" (Hegel) that the active person has in relation to others. <![CDATA[<b>The incommensurability between philosophies and the inexistence of revolutions in philosophy</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200011&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se ocupa de questões metafilosóficas. Nele, discutiremos as razões que fazem com que a filosofia, diferentemente da ciência, problematize a si mesma como empreendimento cognitivo. Em particular, procuraremos identificar como e por que a filosofia acaba se constituindo em problema para si mesma. À exceção das ciências sociais onde há estudos críticos do tipo sociologia da sociologia, a ciência em geral não põe em discussão a si mesma. Raros são os casos em que a ciência chega ao extremo de questionar a própria cognitividade. A filosofia, em alguns de seus mais lúcidos e profícuos exercícios, não se furta a se avaliar como projeto cognitivo. Com esse tipo de preocupação metafilosófica, nosso artigo questionará a pretensão das grandes filosofias de protagonizar revoluções. Defenderemos a tese de que inexistem as revoluções postuladas pelos filósofos, destacando que a incomensurabilidade subsistente entre as filosofias não é provocada por rupturas conceituais ou explicativas e sim pela adoção de diferentes pressuposições absolutas, conforme definidas por Collingwood.<hr/>This article deals with metaphilosophical issues. In it we will discuss the reasons that lead philosophy, unlike science, to evaluate itself in terms of its capacity to attain cognitive aims. In particular, we will seek to identify how and why philosophy becomes an issue for itself. With the exception of the social sciences in which one can find critical studies of the type sociology of sociology, science in general does not put itself into question. Rare are the cases where science comes to the extreme of questioning its own cognitivity. Philosophy in some of its most lucid and useful exercises does not avoid assessing its own cognitive powers. In the context of such metaphilosophical concerns, our article intends to question the pretensions of the great philosophies to making revolutions. We will defend the thesis that the revolutions claimed by philosophers do not occur. Aside from this, we will stress that the incommensurability subsisting among philosophies is not caused by conceptual or explanatory ruptures, but by the adoption of different absolute presuppositions, as defined by Collingwood. <![CDATA[<b>Intelligibility and language</b>: <b>epistemological assumptions</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200012&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente artigo pressupõe que contextos científicos se reduzem a contextos linguísticos e que, assumindo uma tese wittgensteiniana, portanto, "o mistério não está nas coisas; está no confuso modo que adotamos para falar delas". Os pressupostos epistemológicos de tal tese fundamentam-se em quatro características da razão mesma, a saber, que: o exercício racional se faz mediante conceitos, até certo ponto inexatos e vagos; os conceitos elaborados pela atividade racional constituem-se em categorias para o pensamento; a atividade racional é discursiva, isto é, fixa-se, expressa-se e comunica-se por meio da linguagem; e, por final, o produto final da atividade racional são os contextos racionais ou contextos científicos que são, na verdade, contextos linguísticos.<hr/>The present article presupposes that scientific contexts are reduced to linguistic contexts and that therefore, assuming a Wittgensteinian thesis, "mystery is not in things; it is in the confused way we adopt to talk about them". The epistemological presuppositions of this thesis are founded on four characteristics of reason itself: that the exercise of reason is done through concepts which are to a certain extent inaccurate and vague; that the concepts elaborated through rational activity are established in categories of thought; that rational activity is discursive, that is, fixes itself, expresses itself, and communicates itself through language; and lastly, that the final products of rational activity are rational contexts or scientific contexts, which are, in fact, linguistic contexts. <![CDATA[<b>The project of Freudian memory</b>: <b>a review of the constitution of this notion in the early days of psychoanalysis</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200013&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente trabalho versa sobre a constituição da noção de memória na teoria freudiana. Para tanto, utilizamos, de modo primordial, as elaborações desenvolvidas no Projeto para uma psicologia científica. Objetivamos ressaltar que Freud subverte a problemática acerca do conceito de memória, concedendo a essa ideia um caráter criativo que se diferencia da simples representação de um objeto contido na realidade material. Em Freud, a memória excede o que se compreende comumente como evocação, ou seja, a lembrança não se restringe à retomada de uma percepção. Se a memória é considerada como sendo o próprio psiquismo, é a sua relação com a pulsão e, posteriormente, com a noção de a posteriori (Nachträglich) que possibilita a efetivação de uma memória própria à Psicanálise. Desse modo, explicitamos que a memória em Freud é tanto um imperativo da pulsão quanto o desdobramento dos efeitos de uma temporalidade psíquica. Mesmo que parta de uma construção teórica estritamente associada às ciências naturais, um exame mais detido a respeito das formulações desse período nos ajuda a compreender a maneira como ele arquiteta uma teoria que, pelo menos a princípio, tinha como objetivo último esclarecer a problemática concernente à noção de memória.<hr/>The present work deals with the constitution of the notion of memory in Freudian theory, primarily making use of the elaboration developed in the Project for a scientific psychology. We aim to point out that Freud subverts the problem of the concept of memory, giving this idea a creative character that differs from the mere representation of an object contained in material reality. In Freud, memory goes beyond what is commonly understood as evocation, i.e., memory is not restricted to a recovery of perception. If memory is considered to be the psyche itself, it is its relationship with drive and later with the notion of Nachträglich that enables the realization of memory appropriate to psychoanalysis itself. Thus, we make it explicit that memory in Freud is both an imperative of drive and of the unfolding of the effects of a psychic temporality. Even though Freud departs from a strictly theoretical construction associated with the natural sciences, a closer examination of his formulations from this period helps us understand how he constructs a theory that, at least at first, had the ultimate goal of clarifying issues regarding the notion of memory. <![CDATA[<strong>La fragilità della virtù</strong>: <strong>dall'antropologia alla morale e ritorno nell'epoca di Kant</strong>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200014&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente trabalho versa sobre a constituição da noção de memória na teoria freudiana. Para tanto, utilizamos, de modo primordial, as elaborações desenvolvidas no Projeto para uma psicologia científica. Objetivamos ressaltar que Freud subverte a problemática acerca do conceito de memória, concedendo a essa ideia um caráter criativo que se diferencia da simples representação de um objeto contido na realidade material. Em Freud, a memória excede o que se compreende comumente como evocação, ou seja, a lembrança não se restringe à retomada de uma percepção. Se a memória é considerada como sendo o próprio psiquismo, é a sua relação com a pulsão e, posteriormente, com a noção de a posteriori (Nachträglich) que possibilita a efetivação de uma memória própria à Psicanálise. Desse modo, explicitamos que a memória em Freud é tanto um imperativo da pulsão quanto o desdobramento dos efeitos de uma temporalidade psíquica. Mesmo que parta de uma construção teórica estritamente associada às ciências naturais, um exame mais detido a respeito das formulações desse período nos ajuda a compreender a maneira como ele arquiteta uma teoria que, pelo menos a princípio, tinha como objetivo último esclarecer a problemática concernente à noção de memória.<hr/>The present work deals with the constitution of the notion of memory in Freudian theory, primarily making use of the elaboration developed in the Project for a scientific psychology. We aim to point out that Freud subverts the problem of the concept of memory, giving this idea a creative character that differs from the mere representation of an object contained in material reality. In Freud, memory goes beyond what is commonly understood as evocation, i.e., memory is not restricted to a recovery of perception. If memory is considered to be the psyche itself, it is its relationship with drive and later with the notion of Nachträglich that enables the realization of memory appropriate to psychoanalysis itself. Thus, we make it explicit that memory in Freud is both an imperative of drive and of the unfolding of the effects of a psychic temporality. Even though Freud departs from a strictly theoretical construction associated with the natural sciences, a closer examination of his formulations from this period helps us understand how he constructs a theory that, at least at first, had the ultimate goal of clarifying issues regarding the notion of memory. <![CDATA[<strong>Ordre et temps dans la Philosophie de Foucault</strong>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732012000200015&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente trabalho versa sobre a constituição da noção de memória na teoria freudiana. Para tanto, utilizamos, de modo primordial, as elaborações desenvolvidas no Projeto para uma psicologia científica. Objetivamos ressaltar que Freud subverte a problemática acerca do conceito de memória, concedendo a essa ideia um caráter criativo que se diferencia da simples representação de um objeto contido na realidade material. Em Freud, a memória excede o que se compreende comumente como evocação, ou seja, a lembrança não se restringe à retomada de uma percepção. Se a memória é considerada como sendo o próprio psiquismo, é a sua relação com a pulsão e, posteriormente, com a noção de a posteriori (Nachträglich) que possibilita a efetivação de uma memória própria à Psicanálise. Desse modo, explicitamos que a memória em Freud é tanto um imperativo da pulsão quanto o desdobramento dos efeitos de uma temporalidade psíquica. Mesmo que parta de uma construção teórica estritamente associada às ciências naturais, um exame mais detido a respeito das formulações desse período nos ajuda a compreender a maneira como ele arquiteta uma teoria que, pelo menos a princípio, tinha como objetivo último esclarecer a problemática concernente à noção de memória.<hr/>The present work deals with the constitution of the notion of memory in Freudian theory, primarily making use of the elaboration developed in the Project for a scientific psychology. We aim to point out that Freud subverts the problem of the concept of memory, giving this idea a creative character that differs from the mere representation of an object contained in material reality. In Freud, memory goes beyond what is commonly understood as evocation, i.e., memory is not restricted to a recovery of perception. If memory is considered to be the psyche itself, it is its relationship with drive and later with the notion of Nachträglich that enables the realization of memory appropriate to psychoanalysis itself. Thus, we make it explicit that memory in Freud is both an imperative of drive and of the unfolding of the effects of a psychic temporality. Even though Freud departs from a strictly theoretical construction associated with the natural sciences, a closer examination of his formulations from this period helps us understand how he constructs a theory that, at least at first, had the ultimate goal of clarifying issues regarding the notion of memory.