Scielo RSS <![CDATA[Cadernos CEDES]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-326220070002&lang=en vol. 27 num. 72 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<B>Apresentação</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622007000200001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<B>Education and work</B>: <B>considerations on the rural social movements</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622007000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=en As reflexões deste texto são fruto de pesquisas da autora que têm buscado analisar as ações sócio-educativas do Movimento dos Sem-Terra, em especial as que se situam no campo do trabalho, da cooperação e da educação. Tais relações são fundamentais para avaliar o sentido atual e as possibilidades de uma educação voltada para as populações do campo. No presente texto, tecemos algumas análises referentes: ao trabalho no campo na atualidade, como expressão da desigualdade social e da oposição de classe, que se manifesta nas diversas formas de produção, de atividades e de sujeitos que vivem, trabalham ou investem no campo; à educação do campo, seus avanços em relação à educação rural, sua presença nas políticas educacionais e sua abrangência para além do espaço escolar; e, por último, a valorização que a educação ganha com os movimentos sociais do campo, que passam a defender uma educação articulada com a criação de condições materiais para a vida no campo. Tratamos especialmente da educação que se desenvolve no interior do Movimento dos Sem-Terra.<hr/>This paper presents the results of investigations that have examined the social and educational actions taken by the Landless Worker’s Movement (MST), in particular those regarding work, cooperation and education. Such relationships are basic to assess the current sense and the possibilities of an education aimed at rural populations. The text brings forth some analyses on the current rural work as the expression of social inequalities and class distinction that are manifest in the various kinds of productions, activities, and individuals who live, work or invest in rural areas. It also explores the current rural education, its advantages compared with the previous model, its presence in educational policies and its extension beyond school itself. Finally it examines the importance education acquires due to rural social movements that begin to support education associated with the development of material conditions for rural life. It particularly focuses on the education that is being promoted within the Landless Worker’s Movement. <![CDATA[<B>MST, education in movement</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622007000200003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Com o presente texto, discorremos sobre a trajetória formativa de integrantes do mst, detendo-nos na análise da força aglutinadora e formadora de um discurso-ação constituído na experiência e constituidor da experiência em questão. Perguntamos: Como este discurso-ação pôde convocar homens e mulheres, excluídos do rural brasileiro, a um "vir-a-ser" inusitado, produto de ruptura e criação? Consideramos tal trajetória no âmbito ampliado das ações educativo-formativas do MST; de uma "escola de vida" que possibilitou a muitos vislumbrar a singularidade do seu "vir-a-ser" como indivíduo, companheiro e como movimento social. Trabalhamos com os pensamentos de Gramsci, Heller, Arendt e Foucault, mediante interface temática, ao problematizar e analisar a experiência. No plano empírico, movemo-nos da análise documental a depoimentos de grupos de assentados do MST.<hr/>This text explores the formative path of the members of the Brazilian Landless Worker’s Movement (MST). It analyzes the formative and linking force of a "discourse-action" that both constitutes and is constituted by experience to understand how such "discourse-action" could bring men and women excluded from rural areas into an unusual "coming into being", product of rupture and creation. It considers this path by examining the broad range of MST’s formative-educational actions. Such experiences have allowed many people to understand the singularity of their development ("coming in to being") as individuals, as partners and as a social movement. Based on the works by Gramsci, Heller, Arendt and Foucault, this research recurs to a thematic interface to discuss and analyze this experience. On the empirical level, we studied both the documentation and the witnesses of workers from MST settlements. <![CDATA[<B>Policies for training rural educators</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622007000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Os movimentos sociais do campo estão colocando na agenda política dos governos, da sociedade e dos cursos de formação dois pontos básicos: o reconhecimento do direito dos diversos povos do campo à educação e a urgência do Estado assumir políticas públicas que garantam esse direito. Como reação a esta realidade, os movimentos sociais vêm acumulando experiências de cursos de formação, em convênio com escolas normais e cursos de pedagogia, para formar educadoras e educadores capacitados a atuar na especificidade social e culturas dos povos que vivem no campo. Pretende-se reconstruir essas ricas experiências, interpretar seus significados de modo a levantar elementos para a formulação de políticas de formação de profissionais para as escolas do campo. Pretende-se ainda fornecer elementos para a pesquisa e, sobretudo, para propostas de currículos dos cursos de formação, de modo a cumprirem com sua responsabilidade de formar educadoras e educadores para garantir o direito à educação dos povos do campo.<hr/>The rural social movements have included two basic points in the political agenda of governments, society and training courses: the right to education of rural groups and the urgent need to implement public policies that guarantee such a basic right. Social movements are accumulating experiences from training courses in partnership with regular schools and pedagogy courses, to obtain educators able to work within the social and cultural specificities of people living in rural areas. We intend to go over the construction of such remarkable experiences to interpret the meaning within the actual context in order to postulate elements that allow the formulation of policies for training educators for rural schools. We also intend to bring forth issues for research and particularly for curricular proposals regarding training courses that actually train educators and guarantee the right to education of people living in rural areas. <![CDATA[<B>Teaching and learning in rural education</B>: <B>the link between historical and pedagogical processes</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622007000200005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste texto resgatamos algumas questões históricas da constituição de práticas educativas, que emergem das necessidades de diferentes grupos sociais em acessar a educação, privilegiando a educação popular como uma das matrizes pedagógicas constituintes da educação do campo. Esta é compreendida como uma prática social e política, que se efetiva nos processos de ensino e aprendizagem, e que nos propomos a discutir, na especificidade das escolas do campo. Essas práticas são tomadas como iniciativas construídas para superar modelos organizacionais e didáticos no currículo escolar. Para desenvolver esta discussão, após situarmos o campo do debate historicamente construído, estabelecemos um diálogo entre a relação do que identificamos nas práticas pedagógicas e o que é evidenciado como problemática na apropriação do conhecimento escolar. Esta reflexão incidirá na perspectiva de problematização sobre a efetivação de propostas alternativas na dinâmica curricular das escolas do campo.<hr/>This paper discusses the historical context of educational practices that emerge from the needs of different social groups to have access to education. It points out how Popular Education is one of the pedagogical bases that constitute rural education. The latter is understood as a social and political practice present in all the teaching and learning processes and is here discussed within the particular frame of rural schools. Such practices come from initiatives built to improve didactical and organizational models in scholar curricula. To develop this discussion, after oulining the area to be debated and its historical construction, the text develops a dialogue between what is identified in pedagogical practices and what is thought to be problematic in school’s knowledge acquisition. This analysis reflects on the problematization perspective of the activation of alternative proposals in the rural school’s curricula dynamics. <![CDATA[<B>Indigenous school education</B>: <B>a particular way of recreating school in Guarani villages</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622007000200006&lng=en&nrm=iso&tlng=en A educação escolar específica e diferenciada vem sendo constituída pelos povos indígenas brasileiros, com maior intensidade, nas últimas décadas. Os Guarani, zelosos de sua cosmologia e contrários à introdução de aparatos ocidentais em seu modo de vida tradicional, foram historicamente desfavoráveis à escola. Hoje, algumas aldeias buscam-na, como uma forma de se aparelharem para compreender o "mundo dos brancos", acessando, por meio da escola, conhecimentos necessários para uma interação mais simétrica com a sociedade não-indígena. A reflexão proposta neste texto aborda os processos de escolarização, evidenciando as formas de apropriação que ocorrem na escola das aldeias Guarani, no Rio Grande do Sul, por meio de práticas escolares que buscam constituir um modo próprio de ensinar, em diálogo com os princípios que compõem a educação tradicional e a cosmologia desse povo.<hr/>The constitution of a specific and differentiated school education by Brazilian indigenous peoples has become more intensive in the last decades. Concerned about their cosmology and contrary to the introduction of Western instruments in their traditional way of life, the Guarani have historically been against school. Nowadays, some of their villages look for it as a way to provide themselves with tools to understand the "white man’s world" and gain access to the necessary knowledge to have a more symmetrical interaction with the non-indigenous society. The reflection proposed in this text approaches school enrollment processes and pinpoints ways of appropriation that occur in the Guarani village schools, in the State of Rio Grande do Sul, through school practices that aim to constitute their own way of teaching in a dialogue with the principles that make up the traditional education and cosmology of this people. <![CDATA[<B>The educational system in Brazil's quilombola communities</B>: <B>experiences in São Miguel dos Pretos and Kalunga Communities</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622007000200007&lng=en&nrm=iso&tlng=en As comunidades quilombolas brasileiras foram reconhecidas pelo governo na publicação do Artigo 68, no ADCT, Constituição de 1988, que, ao garantir-lhes a posse de terra, evocou questões socioeconômicas, espaciais, jurídicas e culturais, trazendo a representatividade dos quilombos à sociedade. Ao observar a escola em São Miguel dos Pretos/Restinga Seca (RS) e Engenho II, território Kalunga/Cavalcante (GO), se quer ver o processo de construção de conhecimento no quilombo. Há diferenças e semelhanças importantes na relação escola-espaço quilombola gaúcho e goiano, e, na análise, considere-se a relação da produção de conhecimento dentro e fora da instituição escolar. Torna-se importante um novo olhar sobre a inserção do povo negro no sistema escolar, seja como receptor do conhecimento institucionalizado, seja como produtor da construção desse conhecimento. A história do negro, colocada à margem do processo histórico do país, reduz a importância do afrodescendente no processo civilizatório brasileiro.<hr/>Brazilian quilombola - maroon remainders - communities received official recognition in the 1988 Constitution, article 68, which guarantees them ownership over their land. It raised socio-economic, spatial, juridical, and cultural issues showing what quilombola communities represent in the current Brazilian society. Based on the observation of schools in two quilombola territories - São Miguel dos Pretos and Kalunga, respectively in southern and middle west Brazil - and taking into consideration the regional differences and similarities, we analyze knowledge production in and out of the educational institution. A new perspective on the real insertion of Afro-Brazilian people into the formal educational system - either as students and receptors or as producers of institutionalized knowledge - is urgent, since the history of this people is set aside from Brazil’s historical process, thus reducing their importance in the civilizatory process of the nation.