Scielo RSS <![CDATA[Revista de Psiquiatria ClĂ­nica]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0101-608320140002&lang=en vol. 41 num. 2 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Association study between COMT <sup>158</sup>Met and creativity scores in bipolar disorder and healthy controls]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832014000200029&lng=en&nrm=iso&tlng=en Background Bipolar disorder (BD) patients have been reported to be associated higher creativity abilities, and recent data tend to support the hypothesis that dopaminergic system that could be associated with creativity. Catechol-O-methyltransferase (COMT) is one of the major enzymes involved in the metabolic degradation of dopamine. The COMT gene polymorphism (rs4680 or Val158Met) Met allele is reported to cause decreased activity of this enzyme in prefrontal cortex and improve performance in several cognitive domains. Objective The objective of this study was to evaluate the influence of Val158Met on creativity in BD type I and healthy controls. Methods Ninety-seven healthy volunteers and 120 BD type I were genotyped for COMT rs4680 and tested for creativity (Barrow Welsh Art Scale – BWAS) and intelligence Wechsler Abbreviated Scale of Intelligence (WASI). Results COMT Met allele positively influenced creativity scores in healthy controls but not in BD subjects during mood episodes and euthymia. The presence of allele Met did not influence IQ scores. No influence of IQ total score on creativity was observed. Limitations control group presented higher IQ scores and euthymic group was under medication use. Discussion Our research suggests positive effect of COMT rs4680 (allele Met) on creativity scores in healthy controls. One possible interpretation is that creativity is more likely to be associated with lesser degrees of bipolarity. The fact that the same results were not observed in BD may be associated to dysfunctions in the dopaminergic system that characterizes this disorder. Further studies with larger samples and other types of BD should explore the role of the dopaminergic system in creativity. <hr/> Contexto O transtorno bipolar (TB) geralmente é associado a pessoas com maiores habilidades criativas, e dados recentes apontam que o sistema dopaminérgico pode estar relacionado à criatividade. A enzima catecol-O-metiltransferase (COMT) é um dos principais agentes envolvidos na degradação metabólica da dopamina. O gene da COMT apresenta um polimorfismo (rs4680 ou Val158Met) no qual o alelo Met se associa a uma diminuição da atividade enzimática da COMT, levando a um melhor desempenho em testes cognitivos. Objetivo O objetivo deste estudo foi avaliar a influência do polimorfismo funcional Val158Met na criatividade de pacientes com TB e em controles. Métodos Noventa e sete voluntários saudáveis e 120 pacientes com TB tipo I foram genotipados para COMT rs4680 e testados para criatividade (Barrow Welsh Art Scale – BWAS) e inteligência (Wechsler Abbreviated Scale of Intelligence – WASI). Resultados O alelo Met da COMT associou-se a maiores pontuações na escala de criatividade na amostra de controles saudáveis, mas o mesmo não foi observado em pacientes com TB. A presença do alelo Met não influenciou a pontuação de QI em nenhum dos grupos. O grupo controle apresentava QI médio maior que o grupo TB; o grupo TB estava em uso de múltiplas medicações no momento das avaliações. Conclusão Nossos resultados sugerem influência positiva do alelo Met do COMT rs4680 na criatividade de controles saudáveis. Isso sugere que a criatividade seja uma função possivelmente associada a menores graus de bipolaridade do que nos pacientes com TB tipo I. O fato de não termos observado influência do alelo Met nos resultados dos pacientes com TB pode ser justificado pelo fato de que justamente alterações nesse sistema sejam uma das características básicas do TB. É necessário maior número de estudos com maiores tamanhos amostrais para explorar mais detalhadamente o papel do sistema dopaminérgico na criatividade. <![CDATA[Lisdexamfetamine dimesylate in the treatment of attention-deficit/hyperactivity disorder: pharmacokinetics, efficacy and safety in children and adolescents]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832014000200034&lng=en&nrm=iso&tlng=en Background Psychostimulants (methylphenidate and amphetamines) are considered first-line therapy for attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD). Lisdexamfetamine dimesylate (LDX) is a new psychostimulant approved for the treatment of ADHD in Brazil. The pharmacologically active fraction, d-amphetamine, is gradually released by hydrolysis of the LDX prodrug. Objectives To perform a systematic review of the literature of the efficacy and safety of LDX in the treatment of ADHD in children and adolescents. Methods Medline/PubMed searches for “d-amfetamine”, “lisdexamfetamine” and “lisdexamfetamine dimesylate” were conducted including articles available from January 2000 to November 2013. Additional references were identified using references listed in those articles. Further data on LDX were requested from its manufacturer. Results Thirty-one papers were found related to ADHD treatment in children and adolescents. Discussion The therapeutic benefits of LDX in children with ADHD are achieved as early as 1.5 hours after its administration and last for up to 13 hours, with efficacy comparable or superior to that of other available psychostimulants. The literature also reports efficacy in long-term treatment, with safety and tolerability profiles comparable to those of other stimulants used for the treatment of ADHD. Most of the adverse events associated with LDX are considered to be mild or moderate in severity, with the most common being loss of appetite and insomnia. <hr/> Contexto Psicoestimulantes (metilfenidato e anfetaminas) são considerados como tratamento farmacológico de primeira linha no tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). O dimesilato de anfetamina é um novo psicoestimulante aprovado para uso no Brasil, cuja fração farmacologicamente ativa, a d-anfetamina, é gradualmente liberada por hidrólise da pró-droga. Objetivos Realizar uma revisão sistemática de literatura sobre eficácia e segurança da LDX no tratamento de TDAH de crianças e adolescentes. Métodos Busca na base Medline/PubMed com os termos “d-amfetamine”, “lisdexamfetamine” e “lisdexamfetamine dimesilate”, de janeiro de 2000 até novembro de 2013. Referências adicionais foram retiradas das referências dos artigos obtidos; dados também foram obtidos do fabricante. Resultados Trinta e um artigos foram encontrados, relacionados ao tratamento de TDAH em crianças e adolescentes. Conclusões Os benefícios terapêuticos da LDX são obtidos em até 1,5 hora após administração e se estendem até 13 horas, com eficácia comparável ou superior à dos demais psicoestimulantes disponíveis. A literatura também documenta eficácia em longo prazo, com perfis de segurança e tolerabilidade comparáveis aos dos demais estimulantes usados no tratamento do TDAH. A maioria dos eventos adversos associados à LDX é considerada leve ou moderada quanto à gravidade, sendo os eventos mais comuns perda de apetite e insônia. <![CDATA[The current practices of intervention with batterers]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832014000200040&lng=en&nrm=iso&tlng=en Background Since the 70s there was a proliferation of intervention programs for batterers; however the results remain controversial. Objectives This study aims to analyse the literature published between the years of 2000 and 2013 about the effectiveness of the intervention with batterers. Methods A review of papers about intervention with batterers published during this period (2000-2013) was conducted. Social sciences databases were checked. Papers about programs for a specific public or programs with a broad intervention focus, and with female and homosexual offenders were excluded. Results Thirty-six studies that described 37 intervention programs fulfilled the inclusion criteria. In general, the analysed programs adopted a group format (70.3%) and a cognitive-behavioural (56.8%) or psychoeducational (18.9%) intervention model (32.4% assumed to adopt a Duluth model). Concerning the effectiveness, results showed success rates of 39.4%-97%, dropout rates of 10%-58% and recidivism rates of 0%-65.9%. Discussion The effectiveness of intervention with batterers remains controversial, which seems to be due to the different methodologies used in the studies. Despite the inconsistencies, programs for perpetrators are an important way to reduce intimate partner violence recidivism. <hr/> Contexto Desde os anos 1970, assiste-se a uma proliferação dos programas de intervenção para agressores conjugais, no entanto os resultados mantêm-se controversos. Objetivos Este estudo visa analisar a literatura publicada entre os anos de 2000 e 2013 acerca da eficácia da intervenção com agressores conjugais. Métodos Para o efeito, realizou-se uma revisão de artigos publicados durante esse período (2000-2013) a respeito da intervenção com agressores conjugais. Foram consultadas bases de dados de referência na área das ciências sociais. Excluíram-se da análise artigos que versavam sobre programas destinados a um público-alvo ou com um foco de intervenção demasiadamente amplo, agressoras do sexo feminino e agressores homossexuais. Resultados Trinta e seis estudos que descreviam 37 programas de intervenção dirigidos a agressores conjugais preencheram os critérios de inclusão definidos. Na generalidade, os programas analisados adotaram um formato grupal (70.3%) e um modelo de intervenção cognitivo-comportamental (56,8%) e/ou psicoeducativo (18,9%), e uma parte se assumiu como assente no modelo Duluth (32,4%). No que diz respeito à eficácia da intervenção, os resultados dos diferentes estudos revelaram-se ambíguos, com taxas de sucesso entre os 39,4% e os 97%, taxas de abandono entre os 10% e os 58% e taxas de reincidência entre os 0% e os 65,9%. Conclusão Em suma, a eficácia da intervenção com agressores conjugais mantém-se controversa, o que parece relacionar-se essencialmente com as diferentes metodologias utilizadas nos estudos. Não obstante tais inconsistências, os programas para agressores revelam-se uma importante medida na redução da reincidência na violência doméstica. <![CDATA[Peer support for people with mental illness]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832014000200049&lng=en&nrm=iso&tlng=en Background Peer support is a mutual aid system based on the belief that someone who faced/overcome adversity can provide support, encouragement and guidance to those who experience similar situations. Objective To conduct a systematic review that describes this concept and characterizes peer supporters, its practice and efficacy. Method Research on ISI Web of Science, EBSCO Psychology and Behavioral Sciences Collection and Medline databases (from 2001 to December 2013) was conducted using as keywords “mental illness”, “mental health”, “psychiatric disability”, “mental health services”, combined with “peer support”, “mutual support”, “self-help groups”, “consumers as providers”, “peer-run services”, “peer-run programs” and “social support”. Results We found 1,566 articles and the application of both the exclusion (studies with children, teenagers and elderly people; disease in comorbidity; peer support associated to physical illnesses or family members/caregivers) and the inclusion criteria (full text scientific papers, peer support or similar groups directed for schizophrenia, depression, bipolar or psychotic disorders) lead to 165 documents, where 22 were excluded due to repetition and 31 to incomplete text. We analyzed 112 documents, identifying as main peer support categories: characterization, peer supporter, practices and efficacy. Discussion Despite an increasing interest about this topic, there is no consensus, suggesting realizing more studies. <hr/> Contexto O suporte interpares é um sistema de ajuda mútua baseado na crença de que alguém que enfrentou/superou adversidades pode oferecer apoio, encorajamento e orientação a outros que enfrentam situações similares. Objetivo Realizar uma revisão sistemática que caracterize o suporte interpares como prática, analise a sua eficácia e caracterize os pares prestadores de suporte interpares. Método Pesquisa nas bases de dados ISI Web of Science, EBSCO Psychology and Behavioral Sciences Collection e Medline (2001 a dezembro de 2013), utilizando as palavras-chave “mental illness”, “mental health”, “psychiatric disability”, “mental health services”, combinadas com “peer support”, “mutual support”, “self-help groups”, “consumers as providers”, “peer-run services”, “peer-run programs” e “social support”. Resultados Encontraram-se 1.566 artigos e foram aplicados os critérios de exclusão (artigos com crianças, adolescentes e idosos; doença mental em comorbidade; suporte interpares em doenças físicas ou familiares/cuidadores) e de inclusão (revistas científicas com texto integral disponível; suporte interpares ou grupos similares dirigidos a esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar e outras perturbações psicóticas), resultando em 165 documentos. Excluíram-se 22 por repetição e 31 por texto incompleto, resultando em 112, os quais se identificaram como principais categorias do suporte interpares: caracterização, prestador de suporte, práticas e eficácia. Conclusão Existe interesse crescente pelo tema, embora alguns domínios não sejam consensuais, sugerindo necessidade de mais estudos. <![CDATA[On the notion of causality in medicine: addressing Austin Bradford Hill and John L. Mackie]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832014000200056&lng=en&nrm=iso&tlng=en Almost 50 years ago appeared the seminal article by Austin Bradford Hill where he presented parameters for inferring causes from statistical associations, which became known as Hill’s causal criteria. This was a milestone for the renewal of the idea of cause in medicine. Our article revisits his contribution in light of the ideas from the Australian philosopher John L. Mackie, whose important works on causality reached an audience distinct from Hill’s. We suggest that both the British epidemiologist and the Australian philosopher share the purpose of articulating probabilistic determinism and multi-causality, the first with a predominantly probabilistic model and the second with an analytical approach. This article explores the possible consequences of addressing these authors jointly in regard to causal inferences in medicine, especially in respect to mental disorders.<hr/>Há quase 50 anos era publicado o artigo seminal de Austin Bradford Hill, no qual ele apresenta parâmetros para inferência de causas com base em associações estatísticas, que ficaram conhecidas como critérios causais de Hill. Aquele foi um marco para a renovação da ideia de causa na medicina. Nosso trabalho revisita suas ideias, articulando-as com o trabalho do filósofo australiano John L. Mackie, também autor de importante obra sobre causalidade, mas que teve uma audiência distinta da que Hill alcançou. Sugerimos que tanto o epidemiologista britânico quanto o filósofo australiano têm em comum o fato de que ambos procuram articular determinismo probabilístico e multicausalidade, o primeiro com um modelo predominantemente probabilista e o segundo com uma abordagem analítica. Este artigo explora as possíveis consequências da aproximação desses dois autores no que diz respeito a inferências causais na medicina, com foco particular nos transtornos mentais. <![CDATA[The woman who sees smaller objects: is it psychiatric or neurological?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832014000200062&lng=en&nrm=iso&tlng=en Almost 50 years ago appeared the seminal article by Austin Bradford Hill where he presented parameters for inferring causes from statistical associations, which became known as Hill’s causal criteria. This was a milestone for the renewal of the idea of cause in medicine. Our article revisits his contribution in light of the ideas from the Australian philosopher John L. Mackie, whose important works on causality reached an audience distinct from Hill’s. We suggest that both the British epidemiologist and the Australian philosopher share the purpose of articulating probabilistic determinism and multi-causality, the first with a predominantly probabilistic model and the second with an analytical approach. This article explores the possible consequences of addressing these authors jointly in regard to causal inferences in medicine, especially in respect to mental disorders.<hr/>Há quase 50 anos era publicado o artigo seminal de Austin Bradford Hill, no qual ele apresenta parâmetros para inferência de causas com base em associações estatísticas, que ficaram conhecidas como critérios causais de Hill. Aquele foi um marco para a renovação da ideia de causa na medicina. Nosso trabalho revisita suas ideias, articulando-as com o trabalho do filósofo australiano John L. Mackie, também autor de importante obra sobre causalidade, mas que teve uma audiência distinta da que Hill alcançou. Sugerimos que tanto o epidemiologista britânico quanto o filósofo australiano têm em comum o fato de que ambos procuram articular determinismo probabilístico e multicausalidade, o primeiro com um modelo predominantemente probabilista e o segundo com uma abordagem analítica. Este artigo explora as possíveis consequências da aproximação desses dois autores no que diz respeito a inferências causais na medicina, com foco particular nos transtornos mentais.