Scielo RSS <![CDATA[Cadernos de Saúde Pública]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0102-311X20090014&lang=en vol. 25 num. lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Evaluation in sexual and reproductive health</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<B>Research on abortion in Brazil</B>: <B>gaps and challenges for the public health field</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400002&lng=en&nrm=iso&tlng=en O texto apresenta um panorama dos estudos sobre aborto no país, no campo da Saúde Coletiva, apontando lacunas e desafios para a investigação. A maioria das pesquisas está concentrada em hospitais públicos, com mulheres admitidas para tratamento do aborto incompleto, restringindo-se portanto aos abortos que apresentaram complicações. Descrevem o perfil das mulheres, métodos e razões para o aborto e conseqüências imediatas para a saúde física. Entretanto, permanecem limites relacionados à necessidade de estudos para mensuração da incidência do aborto; para investigação das especificidades dos óbitos por aborto e casos de morbidade grave; para análise da relação do aborto com anticoncepção; para investigação das repercussões do aborto na saúde mental das mulheres e para incorporação da perspectiva masculina. É urgente o desenvolvimento de pesquisas de avaliação da atenção ao aborto nos serviços públicos. Os resultados dos estudos devem ser divulgados, contribuindo para superar a visão ideologizada da discussão do direito ao aborto no país.<hr/>This paper provides a review of abortion studies produced in the field of public health in Brazil, highlighting current research gaps and challenges. Most studies focus on women admitted to public hospitals for treatment of incomplete abortion, so their scope is limited to abortions presenting complications. Women's profiles, abortion methods, motives, and immediate consequences for women's physical health are also included. However, there remains a need for studies on the following aspects: measuring abortion incidence; investigating cases of post-abortion complications and death; analyzing the relationship between abortion and contraception; investigating the impact of abortion on women's mental health; and incorporating men's perspectives. There is an urgent need for evaluative research on abortion care in public services. Research results should be disseminated widely, so as to help overcome any ideological bias in the current debate on abortion rights in the country. <![CDATA[<B>Violence and health</B>: <B>theoretical, methodological, and ethical contributions from studies on violence against women</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Tecem-se considerações teóricas, metodológicas e éticas acerca da violência contra a mulher como violência de gênero e objeto da Saúde Coletiva. São reflexões epistemológicas com base em cotidianos de pesquisas, com base em investigações qualitativas e quantitativas, populacional e com usuários de serviços de saúde, abordando-se mulheres e homens. Define-se a violência como tema complexo e sensível, de qualidade médico-social quanto à sua tomada teórico-metodológica, apontando-se a interdisciplinaridade como referencial para sua construção como objeto da saúde. Discutem-se as dificuldades na articulação de distintas ciências, metodologias e perspectivas teóricas. Aponta-se também a especial dinâmica entre o visível e o invisível em violência, com implicações para os desenhos de pesquisa, em particular na delimitação do empírico, o que se torna uma relevante questão diante das necessidades tecnológicas da intervenção em Saúde. Essas especificidades da violência colocam ainda questões éticas particulares para a produção do conhecimento, havendo necessidade de cuidados especiais como parte da qualidade metodológica da pesquisa. A ética da pesquisa mostra-se igualmente responsável pela cientificidade dos dados produzidos. Situações das pesquisas realizadas ilustram as considerações desenvolvidas.<hr/>This article discusses theoretical, methodological, and ethical aspects pertaining to violence against women as both a form of gender violence and a public health issue. The text provides epistemological reflections based on daily research experience with qualitative and quantitative, population-based, and service-user studies that address both women and men. Violence is defined as a complex and sensitive theme of a medical and social nature in terms of its theoretical-methodological approach, pointing to interdisciplinarity as the reference for its construction as an object of health. The article discusses the difficulties in linking the various sciences, methodologies, and theoretical perspectives. It also highlights the special dynamic between visible and invisible violence, with implications for research design, particularly for demarcating the object of study, a relevant issue given the technological needs of health intervention. These specificities of violence raise further ethical issues for the production of knowledge, and there is a need for special care as part of methodological quality in the research. Research ethics is also responsible for the scientificity of the resulting data. Situations stemming from specific studies are used to illustrate the article's commentary. <![CDATA[<B>Health equity</B>: <B>a critical analysis of concepts</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400004&lng=en&nrm=iso&tlng=en A eqüidade em saúde tem sido estudada principalmente a partir de uma perspectiva epidemiológica e pouca atenção tem sido dada às questões conceituais. Em grande parte dos estudos revisados, a eqüidade tem sido utilizada como sinônimo de igualdade, e seu oposto, a iniqüidade, como sinônimo de desigualdade. As tentativas de melhor precisar seus significados têm sido, em boa parte, descritivas, com lacunas no que diz respeito à discussão das relações entre eqüidade em saúde, justiça e o processo de determinação social da saúde-doença. Neste ensaio, pretendemos analisar criticamente a série significante diversidade, diferença, desigualdade, iniqüidade, distinção no que concerne à produção da saúde-doença-cuidado em grupos sociais e suas possibilidades de articulação a uma teoria social da saúde. Nesse percurso, estaremos apoiados, por um lado, no conceito de Perelman de eqüidade e em alguns dos argumentos de Heller sobre a justiça e, por outro lado, na sociologia das práticas de Bourdieu, com o objetivo de melhor desenvolver esses conceitos, procurando discutir implicações para a formulação de políticas públicas no campo da saúde.<hr/>Health inequalities have been studied mainly from an epidemiological perspective, with limited attention to conceptual issues. The terms "equity" and "equality" have often been used as synonyms, as have their opposites, "inequity" and "inequality". The few attempts to establish their meanings have been either purely descriptive or have failed to add to an understanding of the underlying dynamics in health-disease-related phenomena. The present essay explores the semantic series that includes difference, diversity, distinction, inequality, and inequity and its relationship to health phenomena in light of Perelman's concept of equity, Bourdieu's sociology, and some arguments in Heller's theory of justice, with the aim of contributing to the development of these concepts, while discussing their implications for policymaking in health. <![CDATA[<B>Contraceptive practices and sexual initiation among young people in three Brazilian State capitals</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este estudo investigou o uso de contraceptivos na primeira relação sexual de 2.790 homens e mulheres. Trata-se de inquérito domiciliar em três capitais brasileiras, com entrevistas de amostra probabilística (Pesquisa GRAVAD). Utilizou-se análise de regressão logística. As variáveis foram agrupadas em: determinantes macrossociais, socialização e entrada na sexualidade, contexto da iniciação sexual e características da/o jovem e da/o parceira/o. A prevalência de foi de 68,3% e de 65,3% na dos homens. Entre elas, a contracepção associou-se à: renda familiar per capita, cor/raça e revistas femininas como fontes de informação sobre gravidez e contracepção. Para ambos os sexos, o uso foi mais freqüente quando houve conversa prévia sobre o tema entre parceiros, a iniciação sexual foi mais tardia e em motel, e o/a parceiro/a paciente. O tempo entre o início do relacionamento e a iniciação sexual mostrou-se associado ao uso na iniciação sexual dos rapazes. Fatores macrossociais parecem determinar a contracepção mais freqüente na iniciação sexual das mulheres, enquanto para os homens o contexto rela-cional é mais importante.<hr/>This study investigated contraceptive use during first sexual intercourse among 2.790 young men and women. The GRAVAD household survey in three Brazilian capital cities involved interviews in a probabilistic sample. A hierarchical logistic regression analysis was used. Variables grouped as: macro-social, socialization and sexual initiation, context of sexual initiation, and characteristics of the interviewee and his or her partner. The prevalence of contraceptive use was 68.3% for women and 65.3% for men. Among women, contraception use was associated to: per capita monthly family income, color/race, and the use of women's magazines as a source of information on pregnancy and contraception. For both genders, use was more frequent when partners discussed pregnancy prevention before intercourse, when sexual initiation was delayed and in a motel, and when the partner was patient. The interval between the start of the relationship and sexual initiation appeared associated to use during sexual initiation for men. Results suggest that macro-social factors determine more frequent contraception use during sexual initiation for women, while for men the relational context is more important. <![CDATA[<B>Evaluating the implementation of STD/AIDS prevention activities in primary health care facilities</B>: <B>a case study in Greater Metropolitan São Paulo, Brazil</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400006&lng=en&nrm=iso&tlng=en Desde os anos 1990, a incorporação da prevenção das DST/AIDS na atenção básica é internacionalmente recomendada. No Brasil, investimentos para essa incorporação vêm sendo feitos pelo Ministério da Saúde. Esta pesquisa realiza uma avaliação da implantação dessas atividades, mediante estudo de caso em profundidade, realizado numa unidade de saúde da família da Região Metropolitana de São Paulo. Analisam-se o conjunto das atividades da unidade e aquelas específicas de prevenção das DST/AIDS, por meio de observações diretas e entrevistas semi-estruturadas com profissionais do serviço. Verifica-se que o perfil tecnológico da unidade se assemelha ao dos tradicionais serviços da atenção básica brasileiros, apresentando limitado potencial de concretização do princípio da integralidade. Incorporam-se atividades de prevenção das DST/ AIDS, porém esvaziadas de importantes sentidos tecnológicos, como o diálogo e a atenção à singularidade dos usuários. Esta e outras características revelam um tensionamento entre as propostas tecnológicas do programa e o perfil tecnológico atual da atenção básica. Entretanto, a explicitação desse tensionamento pode favorecer a reflexão sobre novos valores no cotidiano da atenção básica, potencializando a concretização de arranjos tecnológicos mais integrais.<hr/>Since the 1990s, international guidelines have recommended the incorporation of STD/AIDS prevention in primary care. In Brazil, the Ministry of Health has made investments to include such preventive activities. This in-depth case study is an evaluation of the implementation of these activities in a family health unit in Greater Metropolitan São Paulo. The study analyzed the unit's activities as a whole and the specific STD/ AIDS prevention activities by means of direct observations and semi-structured interviews with the unit's professional health staff. The unit's technological characteristics were similar to those of traditional Brazilian primary care services, with limited potential for achieving the principle of comprehensive care. STD/AIDS prevention activities had been incorporated, but were devoid of important technological meanings like dialogue and specific attention to users' uniqueness. This characteristic and others reveal a tension between the program's technological proposals and the current technological profile of primary care. However, the identification of this tension could favor reflection on new values in routine primary care, thereby favoring the achievement of more comprehensive technological arrangements. <![CDATA[<B>Unintended consequences</B>: <B>evaluating the impact of HIV and AIDS on sexuality research and policy debates</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400007&lng=en&nrm=iso&tlng=en The HIV epidemic has had a profound impact on how we think about, talk about, and carry out research on sexuality. The epidemic opened up a wide range of approaches and methodologies within sexuality research, helping to encourage more open public discussion and debate concerning sexuality, sexual values, and sexual norms. Sexuality became one of the key contested spaces of public discourse in a previously unimaginable way, and both conservative and progressive forces have entered the debate in ways that have had a lasting impact on sexual policies in the last two decades. The current article seeks to briefly evaluate some of these important changes. It suggests that recent advances have decelerated or become more timid, while emphasizing the continued importance of seeking to address sexuality as a central issue within the context of HIV and AIDS. Although such developments may have been unintended, the ways we respond to the epidemic can have a significant impact (for better or worse) on how issues related to sexuality and sexual health are addressed.<hr/>A epidemia de HIV teve um impacto profundo sobre nossos conceitos, discursos e pesquisas relacionadas à sexualidade. A epidemia abriu uma ampla gama de abordagens e metodologias na pesquisa sobre sexualidade, levando a uma abertura maior na discussão e debate sobre sexualidade, valores sexuais e normas sexuais. A sexualidade tornou-se um dos principais espaços contestados no discurso público, de maneira antes inconcebível, e forças conservadoras e progressistas entraram no debate de tal maneira que tiveram um impacto profundo sobre políticas sexuais nas duas últimas décadas. O artigo procura avaliar algumas das mudanças mais importantes nesse campo. O estudo sugere que os avanços recentes já desaceleraram ou tornaram-se mais tímidos, ao mesmo tempo em que enfatiza a importância da tentativa de tratar a sexualidade como questão central dentro do contexto HIV/AIDS. Embora esses desdobramentos tenham sido não-intencionais, nossas respostas à epidemia podem ter um impacto significativo (para bem ou para mal) sobre o enfrentamento das questões de sexualidade e saúde sexual <![CDATA[<B>Universal access? Obstacles to access, continuity of treatment, and gender issues at a specialized HIV/AIDS clinic in Salvador, Bahia State, Brazil</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400008&lng=en&nrm=iso&tlng=en Desde 1996, o Brasil mantém políticas internacionalmente conhecidas como de acesso universal ao tratamento especializado em HIV/AIDS. Observa-se, que o impacto da iniciativa tem sido desigual entre diferentes populações e regiões brasileiras. Desde uma perspectiva de gênero, o estudo buscou avaliar o acesso a um serviço especializado em HIV/AIDS localizado em Salvador, Bahia, identificando fatores facilitadores e obstaculizadores ao acesso e continuidade do uso vivenciados por mulheres vivendo com HIV/AIDS. Foram realizadas observação participante e entrevistas semi e não estruturadas com 13 usuárias. Resultados indicaram que a organização das rotinas do serviço e as relações travadas entre usuários e entre eles e trabalhadores em saúde condicionavam-se por valores, concepções e práticas associados a gênero, classe e aparência. O acesso e continuidade do uso no Serviço de Atenção à AIDS de Salvador eram condicionados à disponibilidade de bens sociais e simbólicos; o serviço apresentava capacidade limitada de adequação às especificidades dos usuários. Os achados apontam para limitações da operacionalização das políticas de acesso universal; e reforçam a necessidade de estudos que considerem a noção de vulnerabilidade e regionalização da epidemia no Brasil.<hr/>Since 1996, Brazil has implemented internationally acknowledged policies such as universal access to specialized treatment for HIV/AIDS. However, the initiative's impact has been unequal if one compares different population segments and regions of the country. Taking a gender perspective, the current study seeks to evaluate access to a specialized HIV/AIDS service in Salvador, Bahia, identifying facilitating factors and obstacles to access and continuity of care, as experienced by women living with HIV/AIDS. Participant observation and semi-structured and open-ended interviews with 13 women were used. The findings indicate that the organization of routine work in the clinic and the relations between users and the service and the health staff were conditioned by values, concepts, and practices related to gender, class, and appearance. The access to (and continuity of) care in the HIV/AIDS Clinic in Salvador were gender-focused and conditioned on the availability of social and symbolic goods; the clinic showed a limited capacity to adjust to the users' specificities. The findings point to limitations in the operationalization of policies for universal access and reinforce the need for studies that consider the notion of vulnerability and regionalization of the epidemic in Brazil. <![CDATA[<B>Contraception and family planning services as viewed by users of three clinics in the Unified National Health System, Rio de Janeiro State, Brazil</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo apresenta dados parciais de ampla pesquisa qualitativa, sócio-antropológica, realizada em cinco estados do Brasil, para captar a perspectiva de usuárias de áreas urbanas e rurais sobre suas experiências contraceptivas e reprodutivas, bem como sobre o atendimento em contracepção e planejamento reprodutivo no Sistema Único de Saúde. Enfocam-se resultados do Estado do Rio de Janeiro, mediante sessenta entrevistas individuais semi-estruturadas, com usuárias entre 18 e 49 anos, de duas unidades básicas de saúde da capital e de uma unidade do Programa Saúde da Família (PSF), no interior, em área rural. Constatou-se maior diversidade no uso de métodos na capital, em contraste com o interior, onde apenas a laqueadura se apresenta como alternativa à pílula. O trabalho educativo em grupo na capital amplia as possibilidades de escolha de métodos e aprendizado coletivo, embora o acesso ao DIU e à ligadura ainda seja considerado problemático, devido às dificuldades no atendimento. Os serviços de saúde privilegiam assistência às mulheres em trajetória reprodutiva; há necessidade de atenção às mulheres adultas não grávidas e adolescentes, além do fortalecimento do trabalho educativo no PSF.<hr/>This article presents partial data from a larger qualitative, socio-anthropological survey in five States of Brazil, aimed at grasping the perspectives of users in urban and rural areas on their contraceptive and reproductive experiences, and their perceptions concerning contraceptive and family planning care in the Unified National Health System. The article focuses on findings in the State of Rio de Janeiro from 60 individual semi-structured interviews with users 18 to 49 years of age in two primary care clinics in the State capital and one rural clinic under the Family Health Program (FHP). There was a greater diversity in the use of methods in the capital as compared to the interior, where tubal ligation was the only alternative to the pill. Group education work in the capital expands the possibilities for choice of methods and collective learning, although access to the IUD and tubal ligation is still considered problematic, due to difficulties in providing such care. The health services prioritize care for women that have already begun childbearing, and more care is needed for non-pregnant adult women and adolescents, in addition to strengthening the educational work in the FHP. <![CDATA[<B>Evaluation of the implementation of reproductive health services in Maringá, Paraná State, Brazil</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400010&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo deste estudo foi desenvolver um instrumento para avaliar a implantação da assistência em contracepção em serviços de saúde, bem como aplicá-lo nas 23 unidades básicas de saúde no Município de Maringá, Paraná, Brasil. Elaborou-se o modelo teórico-lógico, correspondente a uma "imagem-objetivo" do programa de planejamento familiar. Por meio da técnica Delphi e conferência de consenso, seis especialistas validaram a imagem-objetivo do programa, que contemplou três dimensões e 60 critérios de avaliação. Elaborou-se um instrumento para coleta de dados e uma planilha para avaliar o grau de implantação do programa de planejamento familiar, que constituíram o Questionário de Avaliação de Serviços de Saúde Reprodutiva (QASAR). A grande maioria das unidades básicas de saúde (91,3%) recebeu a classificação "intermediária" na implantação do programa de planejamento familiar, 8,7% foram categorizadas "incipientes" e nenhuma obteve escore para ser considerada "avançada". O grau de implantação "avançado" na dimensão estrutural contrastou com as dimensões organizacional e assistencial. O instrumento constitui ferramenta para avaliar programas de saúde reprodutiva, aplicável aos processos de planejamento e gestão dos serviços de saúde.<hr/>The aim of this study was to develop a tool to evaluate the implementation of a contraceptive program in health services and apply it to the 23 public health services in Maringá, Paraná State, Brazil. A theoretical-logical model was developed, corresponding to a "target image" for the family planning program. Using the Delphi technique and consensus conference, six experts validated the program's target image, which included three dimensions and 60 evaluation criteria. A data collection instrument was prepared, in addition to a spreadsheet to evaluate the degree of the family planning program's implementation, constituting the Questionnaire for the Evaluation of Reproductive Health Services. The vast majority of the primary health units (91.3%) received an "intermediate" score on implementation of the family planning program, while 8.7% were classified as "incipient" and none were scored as "advanced". The "advanced" degree of implementation in the structural dimension contrasted with the organizational and patient care dimensions. The instrument can be useful for evaluating reproductive health programs and is applicable to the health services planning and management processes. <![CDATA[<B>Access to sexual health care for women who have sex with women in São Paulo, Brazil</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400011&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo deste trabalho é investigar a relação entre adoção de cuidados à saúde entre mulheres que fazem sexo com mulheres e as representações relativas a gênero, sexualidade e ao corpo. O estudo utilizou observação etnográfica e entrevistas em profundidade, realizadas entre 2003 e 2006, com trinta mulheres entre 18 e 45 anos, de diferentes segmentos sociais, trajetórias e identidades sexuais, residentes na grande São Paulo, Brasil. A análise do material aponta maior dificuldade em acessar cuidados ginecológicos entre mulheres das camadas populares; que nunca tiveram sexo com homens ou que possuem uma gramática corporal masculinizada. Não só as representações e as experiências negativas em relação aos serviços de saúde, mas também as construções identitárias relativas a gênero e sexualidade estão relacionadas às dificuldades em acessar cuidados à saúde. Embora boa parte da bibliografia internacional a respeito enfatize a relação entre homofobia e menor acesso a serviços, os resultados sugerem que apesar de as situações envolvendo discriminação constituírem realidade, elas não foram consideradas impedimentos para a busca de cuidado, estando muito mais associadas ao relato das práticas e preferências eróticas nos serviços.<hr/>This article focuses on the relationship between health care for women who have sex with women and representations of gender, sexuality, and the body. The study used ethnographic observation and in-depth interviews held from 2003 to 2006, with 30 women ranging from 18 to 45 years of age, belonging to different social segments, backgrounds, and sexual identities, living in Greater Metropolitan São Paulo. Analysis of the material pointed to greater difficulty in accessing gynecological care for lower-income women, those who had never had sex with men, or those with masculine body language. Not only the negative representations and experiences in relation to health services, but also identity constructions concerning gender and sexuality, are related to difficulties in accessing health care. Although a large share of the relevant international literature emphasizes the relationship between homophobia and decreased access to health services, the findings suggest that although situations involving discrimination are a reality, they were not considered impediments to the search for care, and were more associated with reporting of erotic practices and preferences at the services. <![CDATA[<B>Pap smear coverage and factors associated with non-participation in cervical cancer screening</B>: <B>an analysis of the Cervical Cancer Prevention Program in Pernambuco State, Brazil</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400012&lng=en&nrm=iso&tlng=en Buscou-se avaliar a cobertura do teste Papanicolaou no Estado de Pernambuco, Brasil, nos três anos anteriores à pesquisa, entre mulheres de 18-69 anos, e identificar fatores associados à sua não-realização. Trata-se de um estudo transversal, de base populacional, utilizando-se dados de inquérito realizado no período 2005-2006 com 640 indivíduos, selecionados por amostragem por conglomerados em três estágios de seleção. Foram analisadas informações sobre 258 mulheres. A cobertura do Papanicolaou entre mulheres de 18-69 anos foi de 58,7% e de 25-59 anos de 66,2%. Viver sem companheiro, não ter dado à luz e não ter realizado consulta médica no último ano mostraram associação com a não-realização do teste. Na análise multivariada, o baixo grau de escolaridade mostrou também efeito significativo. A cobertura do Papani-colaou em Pernambuco foi satisfatória, porém insuficiente para impactar no perfil epidemiológico do câncer do colo uterino. É preciso fortalecer e qualificar as ações de promoção da saúde, visando reduzir as desigualdades e estimular o protagonismo das mulheres nas ações de prevenção do câncer do colo uterino.<hr/>This research aimed to assess coverage of Pap smear screening in the State of Pernambuco, Brazil, during the three years prior to the study, among women 18 to 69 years of age, and to identify factors associated with women's lack of participation in screening. This was a cross-sectional, population-based study, using data from a survey in 2005-2006 with 640 women, selected by three-stage cluster sampling. Information on 258 women was analyzed. Pap smear coverage was 58.7% for women 18 to 69 years of age and 66.2% for those 25 to 59. Single marital status, no history of childbirth, and not having consulted a physician in the previous year were associated with lack of Pap smear screening. In the multivariate analysis, low schooling also showed a significant effect. Pap smear coverage in Pernambuco was satisfactory, but insufficient to impact the epidemiological profile of cervical cancer. It is necessary to strengthen and upgrade health promotion activities in order to reduce the inequalities and encourage women's active participation in cervical cancer prevention. <![CDATA[<B>Prevalence of non-utilization of mammography and associated factors in elderly women</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400013&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo deste estudo transversal foi avaliar a prevalência de não utilização de mamografia em mulheres com 60 ou mais anos, de acordo com características sócio-demográficas, estado de saúde e o uso de serviços preventivos de saúde. Foram entrevistadas 4.621 mulheres, com idades entre 60 e 106 anos, a maioria viúva (51,8%), com pouco/nenhum estudo (53,8%), com morbidade auto-referida (89%) e uso de serviços privados de saúde (66,4%). A prevalência de mamografia auto-referida foi de 72,1%. Consulta com ginecologista (RP = 2,39; IC95%: 2,04-2,80), exame de Papanicolaou (RP = 3,24; IC95%: 2,89-3,63), escolaridade (RP = 1,07; IC95%: 1,02-1,12), serviço público de saúde (RP = 1,16; IC95%: 1,11-1,20), consultas médicas (RP = 1,23; IC95%: 1,11-1,37), idade (RP = 1,12; IC95%: 1,08-1,17), estado conjugal (RP = 1,05; IC95%: 1,01-1,09) e falta de acesso ao serviço de saúde (RP = 0,94; IC95%: 0,89-0,98) mostraram associação com a diminuição da não utilização de mamografia. Essas associações podem ser parcialmente explicadas pela falta de conhecimento dos riscos, pela inacessibilidade aos serviços de saúde e fatores culturais relacionados ao processo de envelhecimento.<hr/>This study analyzes the prevalence of non-utilization of mammography among older women, according to socio-demographic variables, health status, and use of preventive health services. This was a cross-sectional study including women 60 years or older. We interviewed 4,621 women 60 to 106 years of age; the majority were widows (51.8%) and had little or no schooling (53.8%). Most (89%) reported health problems, and 66.4% used private medical care. Prevalence of self-reported mammography was 72.1%. Gynecological visits (PR = 2.39; 95%CI: 2.04-2.80), Pap smear (PR = 3.24; 95%CI: 2.89-3.63), years of schooling (PR = 1.07; 95%CI: 1.02-1.12), health care insurance (PR = 1.16; 95%CI: 1.11-1.20), physician visits (PR = 1.23; 95%CI: 1.11-1.37), age (PR = 1.12; 95%CI: 1.08-1.17), marital status (PR = 1.05; 95%CI: 1.00-1.09), and barriers to health services (PR = 0.94; 95%CI: 0.89-0.98) were also associated with non-utilization of mammography. These associations may be partially explained by lack of knowledge, poor access to public health services, and cultural factors related to the aging process and reproductive incapacity. <![CDATA[<B>Contexts of HIV vulnerability among Brazilian women</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009001400014&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo tem como objetivo identificar os contextos de vulnerabilidade para o HIV entre mulheres brasileiras. Entre novembro de 2003 a dezembro de 2004 foi realizado um estudo de corte transversal em 13 municípios distribuídos nas cinco regiões do país, incluindo, respectivamente, 1.777 mulheres com diagnóstico positivo para HIV e 2.045 mulheres usuárias de serviços públicos de atenção à saúde da mulher sem diagnóstico conhecido de soropositividade para o HIV. A comparação entre os dois grupos mostrou que as mulheres com diagnóstico de HIV/AIDS não apresentaram um número de parceiros significativamente diferente com relação às mulheres sem diagnóstico de HIV/AIDS. No entanto, as mulheres vivendo com HIV/AIDS apresentaram início da vida sexual mais precoce, menor aderência ao uso de preservativos, e uma maior proporção dessas mulheres relatou uso de drogas, ocorrência de DST e de violência sexual na vida. Tais resultados sugerem a importância de pensar em estratégias de prevenção voltadas para o fortalecimento das mulheres e não apenas focadas em seus comportamentos individuais.<hr/>This article aims to identify contexts of vulnerability related to HIV among Brazilian women. From November 2003 to December 2004, a cross-sectional study was conducted in 13 municipalities in the five Brazilian regions. The study included 1,777 women with a positive HIV diagnosis and 2,045 women attending public health care services. There were no significant differences between the two groups concerning number of sexual partners. However, HIV-positive women had a history of earlier sexual initiation and lower frequency of condom use. Higher proportions of HIV-positive women had used drugs, had a history of previous STDs, and had been victims of sexual violence some time in their life. The findings suggest the importance of considering strategies for HIV prevention focused on women's empowerment as a whole, and not focused only on their individual behaviors.