Scielo RSS <![CDATA[Lua Nova: Revista de Cultura e Política]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0102-644520170003&lang=en vol. num. 102 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[APRESENTAÇÃO]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452017000300007&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[CONTEMPORARY POLITICAL THEORY, PLURALITY AND PLURALISM: A DISCUSSION]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452017000300015&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Esta introdução ao dossiê Teoria Política Contemporânea procura abordar, por meio de reflexão a respeito dos temas da pluralidade e do pluralismo, o diagnóstico de que a teoria política conta atualmente com multiplicidade de vocabulários e “fazeres”. Para tanto, apresentamos as cinco concepções de teoria política - normativa clássica, institucional, histórica, empírica e ideológica - localizadas por A. Vincent em 2004 e que teriam demarcado o terreno da disciplina bem como sua prática de meados do século XIX até nossos dias. Em seguida, procuramos justificar em dois passos de que modo a pluralidade e o pluralismo epistemológico constituem parte incontornável da produção de conhecimento levada a cabo neste campo. Concluímos que, dada sua atual condição de parcialidade, a produção de conhecimento na teoria política poderia ser mais bem exercida se fosse compreendida e tomada como empreendimento coletivo inacabado. Por fim, procedemos à breve apresentação dos artigos que compõem o dossiê.<hr/>Abstract In this introduction to the Contemporary Political Theory dossier, we seek, through a reflection on the issues of plurality and pluralism, to address the fact that nowadays political theory presents a multiplicity of vocabularies and practices. In this manner, we introduced five political theory conceptions - classical normative, institutional, historical, empirical and ideological - which were reconstructed by A. Vincent in 2004. These conceptions would have marked out the terrain of the discipline as well as its practice from the middle of the nineteenth century to the present. Next, we seek to justify, in two steps, how plurality and epistemological pluralism are an inescapable part of knowledge production carried out in this field. We conclude that, given the partiality permeating it, the production of knowledge in political theory would achieve better results if it were understood and taken as an open-ended collective enterprise. Finally, we briefly present the articles that make up the dossier. <![CDATA[TRADITIONAL POLITICAL THEORIES AND CRITICAL THEORY]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452017000300057&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo defende, primeiramente, a ideia de que toda e qualquer teoria política é intrínseca e inevitavelmente normativa, mesmo quando afirma ser meramente descritiva e empírica. Ao fazer isso, o artigo estabelece uma diferença central entre teorias normativas “externalistas” e teorias normativas que assumem uma posição de crítica imanente. Em seguida defende uma posição próxima da defendida por Horkheimer, em 1937, e por Adorno, em 1961, de que é necessário desenvolver uma teoria crítica da sociedade que rechace a atitude positivista ou cientificista e reconheça as contradições inerentes ao seu próprio objeto. Para tanto, oferecerá algumas observações sobre possíveis caminhos para uma Teoria Crítica capaz de entender e criticar a sociedade contemporânea.<hr/>Abstract This article defends, firstly, that every political theory is intrinsically and unavoidably normative, even when it claims to be merely descriptive and empirical. In doing so, the article establishes a central difference between “externalist” normative theories and normative theories that choose a position of immanent critique. Secondly, it takes a position that is close to the one defended by Horkheimer in 1937 and Adorno in 1961, that of the necessity of developing a critical theory of society that refuses positivism and scientism and acknowledges the contradictions inherent to its own subject. To this end, it shall offer some remarks about possible paths for a Critical Theory capable of understanding and criticizing contemporary society. <![CDATA[NORMATIVE POLITICAL THEORY AND RAWLSIAN JUSTICE]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452017000300093&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo tem o propósito de examinar certo modo de praticar a teoria política, característico da perspectiva teórica que pode ser denominada, em termos amplos, “justiça rawlsiana”. Em primeiro passo, e valendo-se de um termo cunhado por Ian Shapiro, sustenta-se que a teoria política normativa de matriz rawlsiana é essencialmente “orientada por problemas”. Examinam-se, a seguir, três problemas controversos que exemplificam essa característica metodológica: como conceber o cultivo e fortalecimento do senso de justiça dos cidadãos de uma sociedade democrática; a métrica normativa apropriada à justiça social; e a questão do suposto excesso de idealismo da teoria política normativa de orientação rawlsiana. A ideia é tanto explicitar certo modo de praticar a teoria política como evidenciar os recursos que a justiça rawlsiana tem para enfrentar, de seu próprio ponto de vista, objeções que lhe são feitas nessas três áreas de discus­são pública e teórica.<hr/>Abstract This article aims to examine a certain mode to practice political theory that characterizes the theoretical perspective that, in broad terms, can be called “Rawlsian justice”. Firstly, and using a term coined by Ian Shapiro, it is argued that normative political theory of the Rawlsian variety is essentially “issue-oriented”. Secondly, three controversial issues that exemplify that methodological feature are examined: how to conceive the cultivation and strengthening of citizens’ sense of justice in a democratic society; the normative metric that is appropriate to social justice; and the issue of the supposed excessive idealization of normative political theory in the Rawlsian orientation. The idea is not only to highlight a certain mode to practice political theory but also to show the resources available to Rawlsian justice to deal, from its own point of view, with objections addressed to it in these three areas of public and theoretical debate. <![CDATA[FROM HISTORY OF POLITICAL THOUGHT TO HISTORICAL POLITICAL THEORY: VARIATIONS OF QUENTIN SKINNER’S HERMENEUTICS OF CONFLICT]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452017000300137&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Visando a apresentação de um caso exemplar da abordagem histórica da teoria política, este artigo examina momentos decisivos da trajetória intelectual de Quentin Skinner, de suas primeiras publicações às mais recentes. Observa-se que, com o passar das décadas, Skinner evolui de uma posição adversa para uma posição favorável ao intercâmbio entre a história do pensamento político e a teoria política contemporânea. Em seu esforço de provar a relevância do passado para a intelecção do presente, o autor afasta-se de suas prescrições contextualistas mais extremadas e passa a conceber seu método histórico nos termos da arqueologia e, mais recentemente, da genealogia. Argumenta-se que, a despeito de suas diferenças, as várias fases da metodologia de Skinner têm em comum o fato de derivarem de uma filosofia que situa o conflito ideológico no centro da vida política.<hr/>Abstract Aiming at presenting an exemplary case of the historical approach to political theory, this article examines key moments of Quentin Skinner’s intellectual career, from his earliest publications to the most recent ones. It shows that through the years Skinner has evolved from an adverse position to a favorable position regarding the exchange between the history of political thought and contemporary political theory. In his effort to prove the relevance of the past to the intellection of the present, that author departs from his more extreme contextualist prescriptions and begins to conceive his historical method in terms of archeology and, more recently, genealogy. It is argued that, despite their differences, the several phases of Skinner’s methodology have in common the fact that they derive from a philosophy that places ideological conflict at the center of political life. <![CDATA[FEMINIST THEORIES ON POLITICS, EMPIRISM AND NORMATIVITY]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452017000300173&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O artigo procura investigar o que fazemos quando produzimos teoria política hoje a partir das teorias feministas da política, situando-as relativamente aos desenvolvimentos da ciência política na segunda metade do século XX. Analisa as conexões entre o empírico e o normativo em teorias que colocam em xeque o descolamento entre o conhecimento produzido, a posição de quem produz conhecimento e os valores predominantes em dado contexto social. A partir de um conjunto heterogêneo de abordagens, afirma que as teorias políticas são teorias de gênero mesmo quando não tratam dessa temática, discutindo as fronteiras entre o que é e o que não é considerado politicamente relevante no debate teórico.<hr/>Abstract The article investigates what we are doing when we practice political theory today, analyzing feminist theories of politics in reference to the development of political sciences in the second half of the twentieth century. It discusses the connections between the empirical and the normative in theories that put into question the detachment between the knowledge produced, the position of who produces knowledge, and predominant values in a given social context. From a heterogeneous set of approaches, the article asserts that political theories are gender theories even when they do not address gender, discussing the frontiers between what is and what is not considered politically relevant in theoretical debate. <![CDATA[POLITICAL THEORY AND SOCIAL RESEARCH]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452017000300211&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo procura pensar a relação complementar entre teoria política e pesquisa social. Para tanto, procura-se primeiramente especificar potenciais e limites do método reconstrutivo na teoria política e de que maneira poderia, de um lado, superar a dicotomia entre teorias empíricas e normativas da política e, de outro lado, apontar para uma constituição aberta dos conceitos políticos baseada em seus contextos históricos e sociais. Depois, ressalta-se a gênese social dos conceitos por uma análise da teoria do reconhecimento e de pesquisas sociais empíricas que têm ajudado na renovação e atualização desses fundamentos.<hr/>Abstract In this article, we aimed at thinking the complementary relation between political theory and social research. To achieve our objective, firstly we specified the reconstructive method’s potential and limits on political theory and how could it overcome the empirical and normative political theories dichotomy, and, on the other side, we indicated an open constitution of political concepts based on historical and social contexts. Later, we highlighted these concepts social genesis by analyzing the theory of recognition and empirical social researches that have helped the renewal and upgrade of these foundations. <![CDATA[SOCIAL MOVEMENTS AS POLITICAL THEORISTS]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452017000300231&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este texto sugere que movimentos sociais podem ser entendidos como formuladores de “teoria política”, segundo definição específica e crítica, do que seria a vocação teórico-política. Inspirados pela chamada virada ideacional, e aproximando duas discussões afastadas na literatura (a saber, os debates entre teoria política e políticas públicas), este artigo analisa o impacto da ideia de “gênero” em duas políticas estabelecidas no Paraguai. Ao fim, argumentamos que a concepção de teoria política como crítica pública a um viés sistemático considerado injusto é adequada para entender os movimentos sociais não só como portadores de ideias, mas também como “autores em ação” ou “teóricos políticos coletivos”.<hr/>Abstract This text suggests that social movements can be understood as formulators of ‘political theory’ according to a specific and critical definition of what the political-theoretical vocation would be. Inspired by the so-called ideational turn, and bringing together two separate discussions in the literature (namely the debates between political theory and public policy), this study analyzes the impact of the idea of ‘gender’ on two policies in the Paraguayan case. We argue that the conception of political theory as a public criticism to a systematic bias considered unfair is adequate to the understanding of social movements not only as ideas carriers, but also as ‘authors in action’ or ‘collective political theorists’. <![CDATA[ANTONIO GRAMSCI, SOCIALIST CULTURE AND RUSSIAN REVOLUTION]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452017000300267&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Neste texto recuperam-se os artigos jornalísticos de Antonio Gramsci publicados entre 1915 e 1917, em que é abordado o tema da revolução. Para isso, reconstroem-se as análises gramscianas em perspectiva histórica, retomando a Revolução Francesa como paradigma e as mudanças de ênfase no contexto de outra revolução em curso, na Rússia. Evidencia-se o percurso analítico por meio do qual Gramsci modifica sua forma de pensar o problema cultural e político da revolução, em particular a reflexão sobre o uso da força militar com fins revolucionários. Conclui-se que Gramsci, neste período, inicia o desenvolvimento de um pensamento original sobre cultura e política, abrindo caminho para o que seria mais tarde sua elaboração sobre o conceito de hegemonia.<hr/>Abstract This article retrieves Antonio Gramsci’s newspaper articles published between 1915 and 1917 where the theme of the revolution appears. To do so, it reconstructs the Gramscian analysis in historical perspective, retaking the French Revolution as a paradigm and the changes of emphasis in the context of a new revolution under way, now in Russia. It shows the analytical course through which Gramsci modifies his way of thinking the cultural and political problem of the revolution, in particular the reflection on the use of military force for revolutionary purposes. It concludes that Gramsci, in this period, begins the development of an original thought about culture and politics, opening the way to what would later be his elaboration on the concept of hegemony. <![CDATA[DILEMMAS OF MARXISM TRANSLATION IN THE PERIPHERY: GRAMSCI AND THE FOUNDATIONS OF SUBALTERN STUDIES]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452017000300299&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo busca analisar os usos realizados do pensamento de Antonio Gramsci na Índia com Subaltern Studies. Detemo-nos, com maior ênfase, à análise da primeira fase do grupo, ao longo dos anos 1980, marcada pela influência do pensamento gramsciano e pela liderança do historiador Ranajit Guha. A proposta consiste em situar a discussão subalternista no âmbito da circulação das ideias de Gramsci em contextos periféricos, adotando como contraponto o caso latino-americano, em particular através da produção dos gramscianos argentinos e brasileiros. Além de incidir no específico objetivo de destacar a internacionalização das ideias do marxista italiano, buscaremos examinar, de modo subjacente, a forma como a própria obra de Marx foi repensada nesses contextos a partir da influência gramsciana, tendo como hipótese tratar de tentativas de tradução do marxismo para a periferia do capitalismo. Buscamos demonstrar essa hipótese através da análise pormenorizada das teses subalternistas, bem como sugerir pontos de encontro com latino-americanos, em especial àqueles vinculados às revistas Pasado y Presente e Presença.<hr/>Abstract In this article, we seek to analyze the uses of Antonio Gramsci’s thought about India with Subaltern Studies. We will focus on the analysis of the group’s first phase, throughout the 1980s, influenced by Gramscian thought and the leadership of the historian Ranajit Guha. Our objective is to situate subalternist discussion within the context of Gramsci’s ideas dissemination in peripheral contexts, adopting as counterpoint the Latin American case, in particular through the production of Argentine and Brazilian Gramscian followers. In addition to focusing on highlighting the internationalization of the Italian Marxist ideas, we seek to examine, in an underlying way, how Marx’s own work was rethought in these contexts from Gramsci’s influence, with the hypothesis of being attempts of Marxism translation to the periphery of capitalism. We tried to demonstrate this hypothesis through detailed analysis of subalternist theses, as well as to suggest meeting places with Latin Americans, especially those linked to the ‘Pasado y Presente’ and ‘Presença’ journals.