Scielo RSS <![CDATA[Contexto Internacional]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0102-852920090003&lang=en vol. 31 num. 3 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>The effects of transnationalization on regional governance</b>: <b>the case of the conflictive cellulose industry implementation in the southern cone of America</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292009000300001&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente artigo pretende cotejar os efeitos da implantação da indústria de celulose no Cone Sul da América a partir dos casos envolvendo, de um lado, Argentina e Uruguai e, de outro, o Brasil, no que diz respeito à permeabilidade entre marcos regulatórios, à justaposição de âmbitos de solução de conflitos e ao papel dos movimentos sociais. A partir da análise dos referidos processos, são apontados os impactos da globalização econômica em termos de flexibilização e desregulamentação da legislação nacional, limitação dos instrumentos regulatórios regionais, inadequação das instituições político-jurídicas para a resolução dos conflitos e ineficácia da sociedade civil perante estes. Sustenta-se, nesta base, a necessidade de internacionalização dos movimentos sociais no sentido de fazer face à permeabilidade entre pulsões regulatórias transnacionais orientadas por e para o mercado.<hr/>The present article intends to compare the effects of the cellulose industry implementation in the Southern Cone of America in the cases that involved, on the one hand, Argentina and Uruguay and, on the other, Brazil, concerning the permeability among regulatory sets, juxtaposition of conflict resolution ambits and the social movements' roles. Parting from the analysis of these processes, the impacts of economic globalization are pointed out in terms of the flexibilization and deregulation of national legislation, limitation of regional regulatory instruments, inadequacy of politico-legal institutions to the solution of conflicts and inefficacy of social movements in facing them. Based on it, the need for the internationalization of the social movements is affirmed in order to face the permeability of transnational regulatory impulses oriented by and to the market. <![CDATA[<b>Sudan</b>: <b>between the promise of peace in the south and the uncertainty of war in Darfur</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292009000300002&lng=en&nrm=iso&tlng=en O Sudão viveu, durante mais de duas décadas, uma guerra particularmente violenta, opondo o governo ditatorial árabe-muçulmano do Norte e os rebeldes cristãos e animistas do Sul. Por muitos considerado mais um exemplo do "choque civilizacional" previsto por Samuel Huntington (1996), o conflito sudanês esconde, no entanto, uma realidade muito mais complexa de assimetrias e desigualdades políticas e socioeconômicas profundas. Para o maior país do continente africano, as promessas de paz materializaram-se com o Acordo Geral de Paz assinado em 9 de janeiro de 2005. Momento alto de um processo tão longo e complexo como o conflito, este acordo é ambicioso, incluindo vários protocolos relativos à partilha de poder e riqueza entre as partes e prevendo, pela primeira vez, a possibilidade de secessão do Sul, mediante um referendo a se realizar ao fim de um período interino de seis anos, durante o qual vigorará um governo de unidade nacional. Mas o Sudão vive ainda uma paz incerta, dificultada não apenas pelos muitos obstáculos à implementação do acordo, mas também porque desafiada pela violência genocida no Darfur e por uma crescente instabilidade nas regiões do Leste. A partir de um olhar mais rigoroso sobre a complexidade da guerra e da paz no Sudão, procura-se avaliar os mais recentes desenvolvimentos do processo de paz e perceber que desafios se colocam agora às perspectivas de um futuro mais próspero e pacífico no país.<hr/>For more than two decades, Sudan has experienced a particularly violent conflict, opposing the northern Arab Muslim dictatorial government and the southern Christian and animist rebels. Often considered as an example of the "clash of civilisations" predicted by Samuel Huntington (1996), the sudanese conflict hides, however, a much more complex reality characterised by deep political and socioeconomic inequalities and asymmetries. For the biggest country in Africa, the promises of peace came with the Comprehensive Peace Agreement signed in 9 January, 2005. Putting an end to an equally long and complex peace process, this Agreement is an ambitious one, including several protocols on power and wealth-sharing and allowing, for the first time, for a possible secession of the south, through a referendum to be held at the end of a six-year interim period, during which there will be a govern of national unity. But peace in Sudan is still uncertain, made difficult by the many obstacles to the implementation of the Agreement and challenged by a genocidal violence in Darfur and an increasing instability in the eastern regions. Through a more rigorous analysis of the complexities of war and peace in Sudan, this paper aims at evaluating the recent developments of the peace process and understanding the challenges posed to the prospects of a more peaceful and prosperous future in the country. <![CDATA[<b>The synthesis made by the copenhagen school in international security studies</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292009000300003&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo deste artigo é analisar a contribuição da Escola de Copenhague para os estudos de segurança internacional, por meio do exame de sua relação com as teorias das Relações Internacionais e seus desdobramentos no campo de segurança internacional. Para cumpri-lo, realiza-se uma breve contextualização da literatura acadêmica mainstream dos estudos de segurança desde a gênese do campo, com vistas a melhor se compreender o impacto do construtivismo na área a partir da década de 1990. Posteriormente, procede-se a uma breve revisão dos debates realizados tanto entre racionalistas e construtivistas como entre as variações do construtivismo, com vistas a situar o trabalho do grupo de Copenhague nas discussões da área. Apresenta-se, por fim, um panorama da produção da Escola de Copenhague, sustentado em dois eixos principais: (a) as contribuições que mais se destacaram; e (b) os debates suscitados, com as críticas recebidas e as respostas fornecidas pelos autores. Conclui-se que uma das principais contribuições dos autores de Copenhague para os estudos de segurança internacional diz respeito ao papel de síntese de seu trabalho em relação aos debates mais amplos realizados no campo de teoria das Relações Internacionais e ao debate sobre segurança internacional no pós-Guerra Fria.<hr/>The objective of this article is to analyze the contribution made by the Copenhagen School to international security studies, by examining its relation with international relations theories and theories in the field of international security. Firstly, I review briefly mainstream academic literature in security studies since its genesis, with a view to understanding the impact of constructivism on the field since the 1990s. Secondly, I proceed to a brief revision of the debates involving not only rationalists and constructivists but also different variants of constructivism, with the purpose of situating the work of the Copenhagen authors in the epistemological debates in the field of international relations. Lastly, I present a panorama of the work undertaken by the Copenhagen School, based on two main axes: (a) its main innovations; and (b) the debates evoked by its work, i.e. the critics received and the answers given by the authors. I conclude that one of the main contributions of the Copenhagen authors to international security studies corresponds to the role of synthesis of its work regarding not only wider debates undertaken in the field of international relations theory but also the post-Cold War debate about international security. <![CDATA[<b>From the reduction of strategic uncertainty to the consolidation of exclusion</b>: <b>the relevance of ideational factors in foreign policy analysis</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292009000300004&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo do artigo é discutir a relevância dos fatores ideacionais nos debates da subárea de análise de política externa. O argumento central aponta que os fatores ideacionais assumem relevância crescente nos debates de política externa, porque um número cada vez maior de especialistas da subárea de análise de política externa - predominantemente autores neoinstitucionalistas, construtivistas "moderados" e pós-estruturalistas envolvidos nessas discussões - concebeu que as ideias podem ter impacto sobre o conteúdo e os rumos de políticas externas ao oferecer mapas que ampliam a clareza dos atores sobre objetivos ou a relação entre meios e fins em condições de incerteza, afetar resultados de situações estratégicas em que não há um único equilíbrio e generalizar padrões de comportamento quando incorporadas em instituições (enfoque neoinstitucionalista). Podem também regular o comportamento político dos Estados e construir suas identidades e interesses de política externa, de forma que tais fatores ideacionais podem ser vistos como endógenos à interação. Os ambientes em que os atores estão envolvidos podem ser concebidos como ideacionais em vez de apenas materiais e constituir as propriedades básicas desses atores. O significado de forças materiais também pode depender de ideias compartilhadas (enfoque construtivista. As ideias podem ainda ser entendidas como construções de práticas discursivas relacionadas à formulação e à execução da política externa e, assim, legitimar o poder e a soberania e perpetuar a marginalização e a exclusão da diferença (enfoque pós-estruturalista).<hr/>The main purpose of this article is to discuss the relevance of ideational factors in Foreign Policy Analysis. The main idea indicates that ideational factors are gradually relevant in foreign policy debates, because a growing number of foreign policy analysts - mainly neo-institutionalists, "moderate" constructivists and poststructuralists - conceived that ideas can: 1) have impact on the content of foreign policy because they bring maps that enhance actors' clarity about their objectives and the relation between means and ends in conditions of uncertainty, affect results in multiple equilibrium situations and generalize patterns of behavior when they are embedded in institutions (neo-institutionalist perspective); 2) regulate the political behavior of states and construct their foreign policy identities and interests, so that those ideational factors can be seen as endogenous to interaction. The environments in which actors are involved can be conceived as ideational instead of only material environments and construct the basic properties of those actors. The meaning of material forces can also depend on shared ideas (constructivist perspective); 3) can be seen as constructions of discursive practices related to the formation and the execution of foreign policy and legitimate power and sovereignty and strengthen t he marginalization a nd exclusion o f d ifference (poststructuralist perspective). <![CDATA[<b>Sovereignty and modernization in Brazil</b>: <b>foreign policy thought in the second empire and first republic</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292009000300005&lng=en&nrm=iso&tlng=en O propósito deste artigo é apresentar o pensamento de política externa brasileira no Segundo Reinado e na Primeira República. Argumenta-se que o posicionamento do Brasil em relações bilaterais com grandes potências entre 1845 e 1866 e na participação em conferências multilaterais entre 1906 e 1907 é enunciado pelas antíteses particular/universal e civilização/barbá-rie. Por meio da primeira, os gestores da diplomacia inscrevem o país no raio de um padrão de relacionamento intraeuropeu, mantendo um debate a respeito dos limites que as normas internacionais podem impor à prática soberana. Por meio da segunda antítese, os gestores da diplomacia repudiam a inclusão do Brasil no conjunto de países sujeitos a um padrão de relacionamento extraeuropeu. Afirmam, em seu lugar, um imperativo de modernização da sociedade pelo Estado, como forma de evitar os desrespeitos à soberania territorial brasileira e de legitimar a inserção do país no padrão intraeuropeu.<hr/>This paper aims to present Brazilian foreign policy thought in the Second Empire and in the First Republic. It is argued that Brazil's position in bilateral relations with great powers from 1845 to 1866 and in multilateral conferences from 1906 to 1907 is enunciated t hrough the particular/universal and civilization/barbarism antitheses. By means of the former, policymakers inscribed the country within the scope of an intra-European pattern of relationships, debating among themselves the limits international norms could impose to sovereign practices. By means of the latter antithesis, policymakers repudiated Brazil's inclusion in the group of countries subjected to an extra-European pattern of relationships. Instead, they affirmed an imperative of modernization of society by the state, aiming at avoiding the disregard for Brazilian territorial sovereignty and at legitimizing the country's insertion in the intra-European pattern.