Scielo RSS <![CDATA[Contexto Internacional]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0102-852920100001&lang=en vol. 32 num. 1 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Why read Hobbes as a theorist of international security?</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292010000100001&lng=en&nrm=iso&tlng=en Thomas Hobbes tornou-se uma figura canônica para teorias de segurança internacional, ainda que seus escritos digam relativamente pouco acerca do que chamaríamos hoje de um sistema internacional. Este artigo sugere que Hobbes permanece importante para a análise de segurança internacional, assim como para a teoria política de modo mais geral, não por desenvolver qualquer teoria coerente de Relações Internacionais, mas sim porque sua consideração sobre a soberania de Estados particulares exige uma análise sobre as condições de possibilidade externas de tais Estados. Uma política após Hobbes precisa tratar dos efeitos constitutivos de sua filosofia da história particular. Assim, este artigo propõe uma leitura política de Hobbes, a qual enfatiza sua importância para o pensamento da política moderna e de suas condições de possibilidade; de suas origens e limites, que são também nossas origens e limites enquanto sujeitos modernos.<hr/>Thomas Hobbes has become a canonical figure for theories of international security even though his writings say relatively little about what we would now call an international system. This paper suggests that Hobbes remains important for the analysis of international security, as well as for political theory more generally, not because he advances any coherent theory of international relations but because his account of the sovereignty of particular states requires an account of the external conditions of possibility of such states. Politics after Hobbes needs to get to grips with the constitutive effects of his particular philosophy of history. Thus, this paper proposes a political reading of Hobbes that emphasizes his importance for thought about modern politics and its conditions of possibility; about its origins and limits that are also our origins and limits as modern subjects. <![CDATA[<b>Epistemology, history and strategic studies</b>: <b>Clausewitz vs. Keegan</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292010000100002&lng=en&nrm=iso&tlng=en Contesta-se a pertinência da afirmação de que Clausewitz seria um "filósofo da guerra". Examina-se aqui a cientificidade da teoria clausewitziana da guerra à luz dos critérios de cientificidade da epistemologia de Lakatos, o que nos leva a uma confrontação, com base em uma situação histórica, entre a teoria de Clausewitz e uma teoria rival - a teoria da guerra como fenômeno cultural, de Keegan. A construção de Clausewitz possibilita-nos esperar uma situação que não é permitida pela obra de Keegan. Com base nisso, realiza-se um estudo do caso do Israel antigo, entre meados do século XIII e do século X a.C. Esse exame afere e atesta a cientificidade da teoria clausewitziana da guerra. A partir daí, argúi-se pela fundamentação dos estudos estratégicos com base na teoria clausewitziana da guerra.<hr/>The article takes issue with the understanding that Clausewitz would be a "philosopher of war". Clausewitz's theory of war is addressed with Lakatos epistemological criteria in mind, which leads to its confrontation with a rival theory: Keegan's theory, according to which war would be a cultural phenomenon. Different expectations are brought about by either theory in what concerns the ancient, Biblical Israel, between the XIII and the X Century BC. Clausewitzian theory's scientific status is established by this test. The text concludes by arguing that the whole field of strategic studies should be built upon Clausewitzian foundations. <![CDATA[<b>NATO's action in the post-Cold War era</b>: <b>implications for international security and for the United Nations</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292010000100003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Após a Guerra Fria, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) utilizou seus recursos militares pela primeira vez em um conflito. Desde então, ela vem atuando com regularidade, sob mandato da ONU ou não. Este trabalho apresenta a discussão teórica em torno da permanência da OTAN após o fim da Guerra Fria, e analisa sua transformação e seu novo papel em um contexto mundial distinto. As teorias das alianças não explicam a persistência de tal tipo de arranjo. As teorias dos regimes, por sua vez, vislumbram a permanência da OTAN em um contexto diverso, desde que ela consiga se transformar para se adaptar às novas condições. O levantamento de dados realizado sobre a atividade da ONU procura testar a hipótese de que existe um declínio do seu ativismo humanitário no período recente, abrindo espaço para que novos atores atuem no campo da segurança global. A conclusão é de que há um declínio, o qual não é, todavia, significativo em relação ao período da Guerra Fria. Portanto, mais do que uma possível omissão da ONU, a necessidade de justificar a permanência da aliança transatlântica no novo cenário estratégico surge como fator fundamental para que a OTAN assuma este caráter intervencionista e expedicionário, alheio aos seus fundamentos. A questão da legitimidade da OTAN para este tipo de missão é também discutida. São destacados, finalmente, os problemas de ordem legal da atuação da OTAN vis-à-vis a ONU na manutenção da segurança internacional, os quais estão contidos em uma questão maior: a necessidade de revisão dos arranjos globais de segurança coletiva e do Conselho de Segurança, em particular.<hr/>After the end of the Cold War, the North Atlantic Treaty Organization (NATO) used its military capabilities for the first time in actual conflict. Since then, it has been acting regularly, either under a United Nations' mandate or not. This work presents the debate in the literature on the permanence of NATO after the end of the Cold War and analyzes its transformation and new role in a distinct world context. Alliance theory does not explain the persistence of such an arrangement. Regime theory, on the other hand, allows for NATO persistence in a changed context, provided that it is able to transform itself and adapt to new conditions. The data obtained are used to test the hypothesis that there is a recent decline in UN humanitarian activism, which would make room for new actors to work on the field of global security. The conclusion is that although there is a decrease in UN activity, it is not significant compared to the Cold War period. Thus, instead of a possible omission on the part of the UN, it is the need to justify the permanence of the transatlantic link in a new strategic scenario that rises as a key factor in explaining why NATO takes on this interventionist and expeditionary character, quite distinct from its original one. The legitimacy NATO could have or lack for this type of missions is also part of the discussion. Finally, it is stressed here that legal problems of NATO action vis-à-vis the UN are included in an overarching question: the need for review of global collective security arrangements and of the Security Council, particularly. <![CDATA[<b>Securitization of climate change</b>: <b>the role of European Union</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292010000100004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este trabalho busca analisar o "movimento de securitização" das mudanças climáticas no sistema internacional, a partir da ação da União Europeia como ator secutirizador. A partir das discussões de Buzan, Waever e Wilde, busca-se compreender o processo de construção de ameaças no campo ambiental. Tomam-se como ponto de partida as definições e critérios estabelecidos pela União Europeia como ator securitizador, ao enunciar as mudanças climáticas como uma ameaça existencial à segurança internacional na reunião do Conselho de Segurança ocorrida em 2007. São analisadas, também, as repercussões dos atos de fala securitizadores entre os Estados presentes, aqui entendidos como audiência. O principal método adotado para a realização deste trabalho foi a análise de discurso, tendo como fonte principal os documentos oficiais e pronunciamentos de autoridades governamentais, divulgados tanto pelo Conselho de Segurança como pela União Europeia.<hr/>This work aims to analyse the "securitisation movement" of the climate change in the international system, taking the European Union as a securitising actor. From Buzan's, Waever's and Wilde's discussions, one shall understand the process of threat construction in the environmental field. The definitions and criteria established by the European Union as a securitising actor are taken as starting point, when climate changes were annouced as an existing threat to the international security at a Security Council's meeting held in 2007. The impacts of the securitising speech acts amongst the present states, here undertood as the audience, will also be taken into account. The main method chosen to guide this work was the speech analysis, having as the main source the official documents and government authorities statements disclosed both by the Security Council and the European Union. <![CDATA[<b>Hegemony and imperialism</b>: <b>characterizations of the capitalist world order after the Second World War</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292010000100005&lng=en&nrm=iso&tlng=en O uso dos conceitos de hegemonia e imperialismo é intercalado na literatura de Relações Internacionais para explicar uma ordem internacional hierárquica sob dominação de uma potência. O termo "imperialismo" é utilizado em geral por marxistas, enfatizando o elemento da coerção, que, diferentemente do imperialismo clássico, hoje se dá de forma opaca e indireta. Já "hegemonia" é usado de forma ampla por teóricos críticos, realistas e institucionalistas, enfatizando elementos do consenso, como regras, normas e instituições internacionais. O período de dominação dos EUA é caracterizado por ambos os termos.<hr/>The use of the concepts of hegemony and imperialism is interspersed in the literature of International Relations to explain a hierarchical international order under the domination of one power. The term "imperialism" is generally used by Marxists, to emphasize elements of coercion, which, differently than in classic imperialism, takes place today in a more opaque and indirect form. "Hegemony" is used broadly by critical theorists, realists and institutionalists, emphasizing elements of consensus, such as rules, norms and international institutions. The period of U.S. dominance has been characterized with both terms. <![CDATA[<b>The speeches of Tony Blair</b>: <b>the concept of terrorism and the instabilities of its structures</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292010000100006&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente trabalho estuda as estratégias discursivas relativas ao conceito de terrorismo utilizadas pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, a partir da abordagem pós-estruturalista de Derrida. Os ataques de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos foram tomados como referência para analisar como a questão do terrorismo é deslocada de uma posição periférica da agenda discursiva do ex-primeiro-ministro para o centro de suas narrativas após esta data. Ao mesmo tempo em que a referência ao terrorismo ganha centralidade, instabilidades também são geradas em virtude da maior utilização do termo. No caso específico de Tony Blair, o autor dos discursos opta por reconhecer estas instabilidades e tenta relativizá-las a partir de uma contextualização e descrição das especificidades do fenômeno terrorista.<hr/>This study examines the discursive strategies related to the concept of terrorism used by former British Prime Minister Tony Blair, from Derrida's post-structuralist approach. The attacks of September 11th, 2001, upon the United States were taken as reference to analyse how the issue of terrorism moved from a peripheral position of the discursive agenda of the former Prime Minister to the center of their narratives after this date. At the same time that the reference to terrorism wins centrality, instabilities are also generated due to the increased use of the term. In the specific case of Tony Blair, the author of the discourses chooses to recognize these instabilities and try to relativise them from a contextualization and description of the specificities of the terrorist phenomenon. <![CDATA[<b>Aporia and trauma in the crisis of meanings of 9/11</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292010000100007&lng=en&nrm=iso&tlng=en Recorrendo a conceitos e a teorias que relacionam significados, representações, memória e trauma, destacaremos como os acontecimentos de Onze de Setembro foram capazes de desestabilizar representações e significados, quebrar a linha da História, subverter sentidos, romper percepções espaço-temporais e abalar as grades de inteligibilidade que permitiam que os americanos dessem sentido à realidade e a si próprios. Nosso objetivo é compreender como representações mudas e hiper-reais dos eventos de 2001 provocaram uma situação de falha de linguagem, o que teria resultado em um momento de aporia. Arguiremos que o Onze de Setembro, devido à dificuldade de significação, encontrar-se-ia no cerne de um trauma nos imaginários coletivos americanos.<hr/>Employing concepts and theories that relate meanings, representations, memory and trauma, we attempt to show how the 9/11 events have been able to disstabilize representations and meanings, break the line of History, subvert senses, bend space-time perceptions, and shake the grids of intelligibility that had allowed Americans to make sense of reality and of themselves. Our aim is to understand how mute and hiperreal representations of the events of 2001 provoked a situation where language failed, producing a moment of aporia. We will then argue that 11/9, due the difficulty of its signification, sits at the heart of a trauma in the American collective imaginaries.