Scielo RSS <![CDATA[Revista Brasileira de Ciência Política]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0103-335220150004&lang=en vol. num. 18 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Professionalization of elderly care in Brazil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400007&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O envelhecimento populacional e a questão da dependência na velhice são desafios sociais importantes que levam a criação de novas ocupações, empregos e profissões. O objetivo deste artigo é analisar o modo pelo qual a profissão de cuidador de idosos está sendo constituída no Brasil. Com base em uma análise de conteúdo do Projeto de Lei nº 4.702/2012 (sobre o exercício da profissão de cuidador de idosos); entrevistas em profundidade com cuidadores de idosos, estudiosos do tema e militantes da questão do direito dos cuidadores, bem como observação de comportamentos em cursos de formação de cuidadores , o artigo explora as arenas de conflitos geradas na construção do cuidador de idosos como uma profissão.<hr/>Abstract Population aging and dependency in old age are two important social challenges which have led to the creation of new occupations, jobs, and professions. The aim of this article is to analyze how the profession of 'caregiver of the elderly' is being shaped in Brazil. Based on a content analysis of Bill 4.702/2012 (aimed at regulating the profession of elderly caregiver), in-depth interviews with caregivers, experts, and caregivers' rights activists, as well as direct observations in training courses, the article explores the arenas of conflict that emerge from the construction of caregivers of the elderly as a profession. <![CDATA[Disaggregating the notion of care?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400043&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo constata a existência de barreiras disciplinares e sociais em torno do conceito de cuidado (care) e se interroga sobre as reticências que ele suscita na França. Essa forma de distância coletiva em relação ao conceito de care tem a ver com o que Joan Tronto teorizou como "a indiferença dos privilegiados", mas também com as reticências que o feminismo continua suscitando, assim como com a rejeição de uma ética que criticaria a posição universalista em matéria de justiça. As autoras interrogam também, mais amplamente, as dificuldades de um ponto de vista feminista nas ciências sociais - uma vez admitido que o trabalho do cuidado é revelador de desigualdades sociais, de relações de exploração e de dominação - em integrar a dimensão da ética inerente ao trabalho e ao conceito político de cuidado. As autoras mostram que a dificuldade é real: as análises estão situadas em diferentes escalas, das relações interpessoais às relações transnacionais, e se desdobram a partir de métodos e questionamentos pluridisciplinares heterogêneos. Também a articulação das análises do care em diferentes escalas não pode prescindir da ideia de responsabilidade, que deve ser estendida para além das relações interpessoais. Essa concepção não substancial da responsabilidade é discutida a partir de Iris Young e Joan Tronto, para quem se trata de levar a sério as relações que vinculam pessoas/povos distantes.<hr/>Abstract This article finds disciplinary and social barriers around the concept of care and asks about the reluctance it raises in France. That form of collective distance from the concept of care has to do with what Joan Tronto theorized as "the indifference of the privileged", but also with the reluctance still raised by feminism as well as the rejection of an ethics that would criticize the universalist stance on justice. The authors also ask, more broadly, about the difficulties of a feminist perspective in social sciences - once it is admitted that care work is indicative of social inequalities, relations of exploitation and domination - to integrate the ethical dimension inherent in work and the political concept of care. The authors show that the difficulty is real: the analyses take place on different scales - from interpersonal relationships to transnational relations - and they unfold from heterogeneous and multidisciplinary methods and questions. The articulation of analyses of care at different scales cannot do without the idea of responsibility either, which should be extended beyond interpersonal relationships. That non-substantial view of responsibility is discussed after Iris Young and Joan Tronto, to whom relationships that link distant people/peoples must be taken seriously. <![CDATA[Care work: a situational and multidimensional concept]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400059&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo No Brasil, a maior parte das pesquisas sobre o cuidado de pessoas idosas provém de áreas como geriatria, gerontologia, enfermagem e saúde pública. Este artigo objetiva propor um conceito sociológico para analisar o trabalho de cuidado de mulheres idosas residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). A construção desse conceito resultou da experiência em pesquisa sobre o trabalho de cuidado de pessoas idosas em ILPIs do Distrito Federal e de Goiás. Essa experiência possibilitou a elaboração de um conceito situacional e multidimensional do trabalho de cuidado, considerado uma técnica do corpo recriada por cuidadoras em Instituições Totais e que comporta as dimensões afetiva, cognitiva, moral e de poder.<hr/>Abstract In Brazil, most of the research on care for the elderly comes from areas such as geriatrics, gerontology, nursing and public health. This paper proposes to discuss a sociological concept to study the work of caring for elderly women living in Long Term Care Institutions for the Elderly (LTCIEs). Such concept has been forged out of research experiences in caring for the elderly in LTCIEs located in the Federal District and the state of Goiás. The experience allowed the construction of a situational and multidimensional concept of care, considering a body technique re-created by female caregivers in Total Institutions; it includes affective, cognitive, moral and power-related aspects. <![CDATA[Responsabilities, care and democracy]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400081&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo As relações de cuidado são parte do cotidiano das pessoas e um fator na produção de desigualdades nas democracias, embora sejam pouco tematizadas na Ciência Política e praticamente ausentes na Ciência Política brasileira. A configuração dessas relações é determinante das possibilidades de acesso a recursos e à participação política, assim como para a garantia de integridade física e psíquica para os indivíduos. Embora a responsabilização das mulheres pelo trabalho doméstico, em que incluo o trabalho de cuidar de outras pessoas, sobretudo das mais vulneráveis, seja um aspecto central das assimetrias existentes, as formas mercantilizadas do cuidado são um elemento importante também nas desigualdades de classe. O artigo propõe um deslocamento da noção liberal de responsabilidade em direção ao problema da responsabilização desigual. Com isso, analisa a divisão sexual do trabalho e as diferentes formas de dependência que são parte do cotidiano, colocando o cuidado como questão fundamental para a democracia e a justiça.<hr/>Abstract Caring relationships are part of people's daily lives and a factor generating inequalities in democracies, although they are scarcely discussed in Political Science and virtually absent from Brazilian Political Science. The configuration of those relationships is critical for the possibilities of access to resources and political participation, as well as for assuring individuals' physical and psychological integrity. Even though women's responsibility for housework - in which I include caring for others, especially the most vulnerable - is a central aspect in existing asymmetries, commodified forms of care are also an important element in class inequalities. This article proposes a shift from the liberal notion of responsibility towards the issue of unequal accountability. It analyzes sexual division of labor and the different forms of dependence that are part of everyday life, placing care as a fundamental issue for democracy and justice. <![CDATA[Between altruism and familism: women's parliamentary agenda and family-labor policies (Brazil, 2003-2013)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400119&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Com base no levantamento da iniciativa legislativa das parlamentares no Brasil entre os anos de 2003 e 2013, este artigo investiga a natureza da agenda política dessas mulheres, buscando observar se e em que medida elas concedem importância às políticas de conciliação entre a vida familiar e o trabalho. O artigo conclui que apesar da prioridade conferida a políticas de bem-estar social, as políticas família-trabalho não se destacam e quando advogadas o são principalmente com argumentos de natureza familista. O território de interseção entre políticas de bem-estar social e de equidade de gênero parece amplamente descolonizado. Especulamos que a ínfima presença de mulheres no Congresso pode ser responsável por esse resultado. Mas não podemos descartar como explicações complementares normas tradicionais de gênero e um desconhecimento do potencial socialmente transformador dessas políticas por partidos de esquerda e movimentos de mulheres no país.<hr/>Abstract By surveying legislative iniciatives by congresswomen in Brazil in 2003-2013, this article investigates the nature of their political agenda in order to identify if and to what extent they focus on family-work conciliation policies. We found that in spite of the emphasis on traditional social welfare policies, family-work policies are scarce and, when they are advocated, that is done on the basis of familist arguments. The domain that covers the intersection between welfare policies and gender equity seems largely unexplored. We suggest that the miniscule presence of women in Congress may have contributed to this result, but we cannot discard traditional gender norms and an unawareness of the socially transformative potential of those policies by parties of the left and women's movements in the country as complementary explanations. <![CDATA[Conciliation and tensions between work and family for women holders of Bolsa Família]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400147&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo interroga as condições que mulheres titulares do Programa Bolsa Família (PBF) enfrentam para a conciliação entre trabalho remunerado e cuidados familiares, os obstáculos para essa conciliação e os possíveis impactos positivos e negativos para a situação delas, com vistas à redução das desigualdades de gênero. Com base em survey realizado em Curitiba (PR) e Fortaleza (CE), aponta as dificuldades para o compartilhamento de tarefas de cuidados domésticos com outros membros familiares e o aumento das responsabilidades em decorrência das condicionalidades do PBF. Como desdobramento dessas dificuldades, destaca as tensões vivenciadas por essas mulheres e reitera a crítica ao enfoque do bem-estar na orientação das políticas públicas.<hr/>Abstract This paper discusses conditions faced by women holders of grants from Program Bolsa Família (PBF) in reconciling paid work and family care, the obstacles to this reconciliation, and the possible positive and negative impacts on the situation of women, with a view to reducing gender inequalities. Based on a survey held in two Brazilian cities, Curitiba (Paraná) and Fortaleza (Ceará), we point out the difficulties in sharing household care tasks with other family members and increasing responsibility as a result of PBF conditions. As an outcome of those difficulties, we highlight the tensions experienced by those women and reiterate the criticism to the welfare approach to public policy. <![CDATA[Domesticity, labor and personal satisfaction: hours of housework and well-being in the state of Rio de Janeiro]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400179&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo apresenta alguns resultados de pesquisa realizada no Estado do Rio de Janeiro, entre os anos de 2013 e 2014, a qual investigou a compatibilização da vida familiar com o trabalho pago e as mediações de gênero nesse processo. Através da seleção de parte dos dados, o trabalho sugere que além dos impactos em esferas públicas sobre as oportunidades e as carreiras no mercado de trabalho, e/ou sobre a presença em espaços políticos, bastante discutida nas últimas décadas, a distribuição desigual de trabalho doméstico tem efeitos sobre as percepções de bem-estar dos indivíduos sobre o seu bem-estar. Tais percepções são aqui enfocadas em termos de efeitos na subjetividade sobre esse balanceamento, e não das condições materiais de consumo ou bens. O artigo mostra que, em se tratando de relações de gênero, isso não ocorre de maneira indiferenciada. Atividades e práticas de sociabilidade, assim como níveis de "satisfação" apresentam respostas diferenciadas para homens e mulheres, evidenciando, mais uma vez, que padrões desiguais de responsabilidades e envolvimentos domésticos e familiares são problemáticas sociais, e não problemas de escolhas individuais.<hr/>Abstract The article presents some data from a study carried out in the state of Rio de Janeiro in 2014, on reconciliation between paid work and family life and gender mediations in that balance. By selecting part of the data, the article suggests that in addition to impacts in public spheres on the opportunities and careers in the labor market and/or on the presence in political spaces often discussed in recent decades, unequal distribution of domestic work has effects on individuals' feelings of wellbeing, considered in subjective rather than material terms. However, that does not occur in an undifferentiated way when it comes to gender relations. Men and women have different responses to sociability activities and practices as well as levels of "satisfaction", showing once again that unequal standards of responsibility and domestic and family involvement are social problems rather than matters of individual choice. <![CDATA[Public struggle against domestic child labor: democratic implications of advocacy]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400211&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo analisa os limites da atuação pública de grupos de advocacy no enfrentamento ao trabalho infantil doméstico (TID), examinando o contexto paraense onde foi desenvolvido um programa de enfrentamento a esse problema. Investiga, por meio da análise crítica de discurso, a cobertura sobre a temática nos dois principais jornais locais de 2000 a 2009, com o objetivo de analisar a natureza das desigualdades relacionadas ao TID, os lugares de fala e os posicionamentos de meninas e mulheres envolvidas com o TID, e a relação apresentada entre os agentes de advocacy e as afetadas. As conclusões apontam que, apesar da contribuição do advocacy para a tematização pública desse problema, a discussão não avançou para a reflexão sobre as condições reais de autonomia dessas meninas e mulheres.<hr/>Abstract The article analyzes the limits of advocacy groups' public actions in fighting domestic child labor (DCL). It examines the context of the Brazilian state of Pará, where a program was developed to fight the problem. Through critical discourse analysis, it investigates the coverage of the issue by the two main local newspapers from 2000 to 2009 in order to analyze: the nature of inequalities related to DCL; the places of speech and the stances of girls and women involved in DCL; the relationship between advocacy agents and people affected. The findings suggest that, despite the contribution of advocacy to public debate on the problem, the discussion has not advanced to a reflection on the actual conditions for those girls and women's autonomy. <![CDATA[Care and inbreeding in the allocation of intergenerational responsibilities]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400243&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo No Brasil, o teste de DNA tem sido fundamental para a validação legal de paternidade. É também com base nessa validação que o dever de cuidado do pai em relação ao filho pode ser estabelecido, tanto em termos de provimento financeiro quanto de obrigações morais e afetivas. Para além da dimensão legal, contudo, o cuidado, em seus múltiplos sentidos, pode ser um balizador importante para o modo como pais e filhos dimensionam e justificam seus próprios direitos e obrigações. Partindo de casos de investigação de paternidade que tiveram grande percussão na mídia, este artigo objetiva analisar como a consanguinidade e as práticas de cuidado estão mutuamente implicadas e podem ser mobilizadas de diferentes modos na atribuição de responsabilidades e na reivindicação de direitos associados ao parentesco.<hr/>Abstract In Brazil, DNA testing has been crucial for the legal validation of parenthood. It is also based on that validation that fathers' duty to care for their children can be established, both in terms of financial provision and moral and affective obligations. Beyond the legal dimension, however, care, in its multiple meanings, can be a major reference for how parents and children measure and justify their own rights and obligations. Based on cases of testing that had great impact in the media, the purpose of this article is to analyze how inbreeding and care practices are mutually implicated and can be mobilized in different ways when allocating responsibilities and claiming rights associated with kinship. <![CDATA[Marxist feminism and the demand for the socialization of domestic labor and child care]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400265&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo No cerne do movimento socialista, o debate acerca do trabalho doméstico e do cuidado com as crianças assumiu diferentes contornos. Embora muitas críticas tenham sido direcionadas a Marx e Engels por supostamente menosprezarem a importância do trabalho doméstico para a produção social e de idealizarem a família proletária como instância livre da opressão gerada pela propriedade privada, as discussões levantadas pelos defensores dos direitos das mulheres nas fileiras marxistas lograram desnaturalizar o papel ocupado por elas na divisão social de trabalho, questionando sua exclusão da esfera pública e seu confinamento no lar. Desse modo, atrelaram a possibilidade de emancipação feminina à socialização do trabalho doméstico e do cuidado com as crianças, no âmbito de uma sociedade sem classes.<hr/>Abstract At the core of the socialist movement, the debate on housework and child care took different shapes. Although much criticism had been directed at Marx and Engels for allegedly downplaying the importance of domestic work for social production and idealizing the proletarian family as a domain free of the oppression generated by private property, discussions raised by women's rights advocates within Marxist ranks managed to challenge naturalization of women's role in the social division of labor, questioning their exclusion from public sphere and their confinement to the household. Thus, they tied the possibility of women's emancipation to socialization of housework and child care within a classless society. <![CDATA[Democracy, community, and care]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400301&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O texto analisa os limites de qualquer forma privatizada familiar de organização da vida - e não apenas daquelas formadas por casais heterossexuais com filhos - para a democracia. A partir dessa análise, discute a reconfiguração das estruturas de autoridade como necessária à recriação de formas coletivas de responsabilização pela vida cotidiana. Nas sociedades contemporâneas (e o texto tem o foco sobretudo nos Estados Unidos), a precarização do suporte para o cuidado das crianças, dos idosos, mas também do cuidado recíproco entre adultos, tem levado a políticas conservadoras de exaltação da família. Isso corresponde, no entanto, a uma sobrecarga de funções, em que especialmente mulheres e trabalhadores se veem pressionados a assumir ocupações que permitiriam prover a família e, embora as primeiras deixem pouco tempo para isso, a fornecer, no domínio privado familiar restrito, todo o trabalho e o suporte necessários ao cuidado e à reprodução cotidiana da vida. Ao mesmo tempo, as políticas do Estado de bem-estar social significaram formas não democráticas de controle, especialmente sobre as mulheres que não atendiam aos padrões convencionais, como as mães solteiras. Formas coletivas e democráticas de compartilhamento do cuidado, estimuladas por políticas e recursos públicos, permitiriam mais suporte aos indivíduos, formas mais solidárias de convivência e relações mais igualitárias.<hr/>Abstract The paper analyzes the limits of any privatized family form of organizing life - not just those formed by heterosexual couples with children - for democracy. Based on this analysis, it discusses the reconfiguration of authority structures as necessary to re-create collective forms of accountability in everyday life. In contemporary societies (the text is focused on the US), precarization of support to care for children and the elderly, but also mutual care among adults, have led to conservative policies exalting the family. This corresponds, however, to an overload of functions where women and workers are especially under pressure to take occupations that would allow providing for their families and, although little time is left for that, to provide for all the work and support needed for care and everyday reproduction of life in the strict family private domain. At the same time, Welfare State policies meant undemocratic forms of control, especially on women who did not meet conventional standards, such as single mothers. Democratic collective forms of care sharing, encouraged by public policies and resources, would enable more support to individuals, more solidary forms of coexistence and more egalitarian relations. <![CDATA[Joan C. Tronto. Caring democracy: Markets, equality, and justice]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400317&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O texto analisa os limites de qualquer forma privatizada familiar de organização da vida - e não apenas daquelas formadas por casais heterossexuais com filhos - para a democracia. A partir dessa análise, discute a reconfiguração das estruturas de autoridade como necessária à recriação de formas coletivas de responsabilização pela vida cotidiana. Nas sociedades contemporâneas (e o texto tem o foco sobretudo nos Estados Unidos), a precarização do suporte para o cuidado das crianças, dos idosos, mas também do cuidado recíproco entre adultos, tem levado a políticas conservadoras de exaltação da família. Isso corresponde, no entanto, a uma sobrecarga de funções, em que especialmente mulheres e trabalhadores se veem pressionados a assumir ocupações que permitiriam prover a família e, embora as primeiras deixem pouco tempo para isso, a fornecer, no domínio privado familiar restrito, todo o trabalho e o suporte necessários ao cuidado e à reprodução cotidiana da vida. Ao mesmo tempo, as políticas do Estado de bem-estar social significaram formas não democráticas de controle, especialmente sobre as mulheres que não atendiam aos padrões convencionais, como as mães solteiras. Formas coletivas e democráticas de compartilhamento do cuidado, estimuladas por políticas e recursos públicos, permitiriam mais suporte aos indivíduos, formas mais solidárias de convivência e relações mais igualitárias.<hr/>Abstract The paper analyzes the limits of any privatized family form of organizing life - not just those formed by heterosexual couples with children - for democracy. Based on this analysis, it discusses the reconfiguration of authority structures as necessary to re-create collective forms of accountability in everyday life. In contemporary societies (the text is focused on the US), precarization of support to care for children and the elderly, but also mutual care among adults, have led to conservative policies exalting the family. This corresponds, however, to an overload of functions where women and workers are especially under pressure to take occupations that would allow providing for their families and, although little time is left for that, to provide for all the work and support needed for care and everyday reproduction of life in the strict family private domain. At the same time, Welfare State policies meant undemocratic forms of control, especially on women who did not meet conventional standards, such as single mothers. Democratic collective forms of care sharing, encouraged by public policies and resources, would enable more support to individuals, more solidary forms of coexistence and more egalitarian relations. <![CDATA[Nancy Fraser. Fortunes of feminism: from State-Managed Capitalism to neoliberal crisis]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400329&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O texto analisa os limites de qualquer forma privatizada familiar de organização da vida - e não apenas daquelas formadas por casais heterossexuais com filhos - para a democracia. A partir dessa análise, discute a reconfiguração das estruturas de autoridade como necessária à recriação de formas coletivas de responsabilização pela vida cotidiana. Nas sociedades contemporâneas (e o texto tem o foco sobretudo nos Estados Unidos), a precarização do suporte para o cuidado das crianças, dos idosos, mas também do cuidado recíproco entre adultos, tem levado a políticas conservadoras de exaltação da família. Isso corresponde, no entanto, a uma sobrecarga de funções, em que especialmente mulheres e trabalhadores se veem pressionados a assumir ocupações que permitiriam prover a família e, embora as primeiras deixem pouco tempo para isso, a fornecer, no domínio privado familiar restrito, todo o trabalho e o suporte necessários ao cuidado e à reprodução cotidiana da vida. Ao mesmo tempo, as políticas do Estado de bem-estar social significaram formas não democráticas de controle, especialmente sobre as mulheres que não atendiam aos padrões convencionais, como as mães solteiras. Formas coletivas e democráticas de compartilhamento do cuidado, estimuladas por políticas e recursos públicos, permitiriam mais suporte aos indivíduos, formas mais solidárias de convivência e relações mais igualitárias.<hr/>Abstract The paper analyzes the limits of any privatized family form of organizing life - not just those formed by heterosexual couples with children - for democracy. Based on this analysis, it discusses the reconfiguration of authority structures as necessary to re-create collective forms of accountability in everyday life. In contemporary societies (the text is focused on the US), precarization of support to care for children and the elderly, but also mutual care among adults, have led to conservative policies exalting the family. This corresponds, however, to an overload of functions where women and workers are especially under pressure to take occupations that would allow providing for their families and, although little time is left for that, to provide for all the work and support needed for care and everyday reproduction of life in the strict family private domain. At the same time, Welfare State policies meant undemocratic forms of control, especially on women who did not meet conventional standards, such as single mothers. Democratic collective forms of care sharing, encouraged by public policies and resources, would enable more support to individuals, more solidary forms of coexistence and more egalitarian relations. <![CDATA[Pierre Rosanvallon. La société des égaux]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000400337&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O texto analisa os limites de qualquer forma privatizada familiar de organização da vida - e não apenas daquelas formadas por casais heterossexuais com filhos - para a democracia. A partir dessa análise, discute a reconfiguração das estruturas de autoridade como necessária à recriação de formas coletivas de responsabilização pela vida cotidiana. Nas sociedades contemporâneas (e o texto tem o foco sobretudo nos Estados Unidos), a precarização do suporte para o cuidado das crianças, dos idosos, mas também do cuidado recíproco entre adultos, tem levado a políticas conservadoras de exaltação da família. Isso corresponde, no entanto, a uma sobrecarga de funções, em que especialmente mulheres e trabalhadores se veem pressionados a assumir ocupações que permitiriam prover a família e, embora as primeiras deixem pouco tempo para isso, a fornecer, no domínio privado familiar restrito, todo o trabalho e o suporte necessários ao cuidado e à reprodução cotidiana da vida. Ao mesmo tempo, as políticas do Estado de bem-estar social significaram formas não democráticas de controle, especialmente sobre as mulheres que não atendiam aos padrões convencionais, como as mães solteiras. Formas coletivas e democráticas de compartilhamento do cuidado, estimuladas por políticas e recursos públicos, permitiriam mais suporte aos indivíduos, formas mais solidárias de convivência e relações mais igualitárias.<hr/>Abstract The paper analyzes the limits of any privatized family form of organizing life - not just those formed by heterosexual couples with children - for democracy. Based on this analysis, it discusses the reconfiguration of authority structures as necessary to re-create collective forms of accountability in everyday life. In contemporary societies (the text is focused on the US), precarization of support to care for children and the elderly, but also mutual care among adults, have led to conservative policies exalting the family. This corresponds, however, to an overload of functions where women and workers are especially under pressure to take occupations that would allow providing for their families and, although little time is left for that, to provide for all the work and support needed for care and everyday reproduction of life in the strict family private domain. At the same time, Welfare State policies meant undemocratic forms of control, especially on women who did not meet conventional standards, such as single mothers. Democratic collective forms of care sharing, encouraged by public policies and resources, would enable more support to individuals, more solidary forms of coexistence and more egalitarian relations.