Scielo RSS <![CDATA[Horizontes Antropológicos]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0104-718320050001&lang=pt vol. 11 num. 23 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<B>Apresentação</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[<B>Ressonância, materialidade e subjetividade: as culturas como patrimônios</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Neste artigo tomo como ponto de partida a possibilidade de pensar os "patrimônios culturais" em termos etnográficos, analisando-os enquanto "fatos sociais totais", seguindo a rica noção elaborada por Marcel Mauss. A proposta é explorar o potencial descritivo e analítico da categoria patrimônio, apontando as suas múltiplas dimensões sociais e simbólicas, e discutindo os contornos semânticos que ela pode assumir no contexto da modernidade. Esse procedimento permite iluminar alguns dos seus aspectos definidores, expressos pelas categorias "ressonância", "materialidade" e "subjetividade", trazendo possivelmente uma contribuição para os debates teóricos e políticos sobre os usos do conceito antropológico de cultura.<hr/>In this article I take as a starting point the very possibility of thinking the so called cultural heritages in ethnographic terms, analyzing them as a "fait social total", following this rich concept elaborated by Marcel Mauss. I propose to explore the descriptive and analytical power of the category "patrimony" (heritage), showing its multiple social and symbolic dimensions, and discussing its modern semantic features. By means of this procedure I hope to focus on some of its defining aspects which are expressed by such categories as "resonance", "materiality", and "subjectivity", thus possibly bringing a possible contribution to the theoretical and political debates about the uses of the anthropological concept of culture. <![CDATA[<B>Por uma antropologia do objeto documental</B>: <B>entre a "a alma nas coisas"</B><A HREF="#nt01"><B><SUP>1</B></SUP></A><B> e a coisificação do objeto</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A proposta do texto em questão é a de refletir acerca da simbólica do objeto e seus vínculos com a experiência cotidiana dos grupos sociais, imersos em suas paisagens de pertencimento. Portanto, busca situá-lo para além de uma visão reducionista do "objeto museal" desvinculado do vivido. A imaterialidade dos bens culturais emerge, assim, como uma instância das relações dos sujeitos com o mundo social e uma simbólica das coisas que circulam, dispersando sentidos no mundo. Uma antropologia do objeto documental acenaria, dessa maneira, para o objeto e sua dinâmica social, considerando a circularidade e a "alma nas coisas" junto às formas sociais que as engendram e dinamizam. Nesses termos, o papel da mediação se configura como o caminho mais profícuo para evitar o congelamento do objeto e o isolamento da cultura na ação.<hr/>The article aims to reflect on the symbolism of the object and its links to day-to-day experience of social groups, immersed in the scenery to which they belong. Therefore, the article tries to take it beyond a reductionism viewpoint of a museum piece disconnected from the living. The immateriality of cultural goods appears, just as an instance in the relationship of subjects in the social world and a symbolism of things which circulate, spreading meaning in the world. In this way, an Anthropology of Documented Objects could demonstrate its social dynamic to the object, considering the circularity and "spirit of things" with the social forms which generated and dynamized them. In this way, the role of mediation can be construed as a more perfect way in order to avoid the congealing of the object and the isolation of the culture of action. <![CDATA[<B>What heritage does and does not do to identity</B>: <B>some answers from an ethnographic perspective</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt This paper explores how caretakers of slave-era heritage sites objectify and enact what Robert Bellah and his co-authors call "communities of memory" in a racially polarized United States and how the public interpret their efforts at creating what amounts to official history. It highlights the often-vexed encounter between those who are in charge of conveying public representations of slavery and race in the antebellum era in the United States and vernacular responses to such representations. It looks at Monticello, the home of Thomas Jefferson, which recently has made great efforts to make slaves prominent figures in the landscapes it reconstructs in on-site maps, tours, and literature. Of particular interest are the various ways that vernacular skepticism and cynicism about public portrayals continues to generate controversy at Monticello, and particularly at how the topic of erasure and invisibility remain enduring themes in the popular imagination of what public history is all about when such history focuses on slavery and race. By interrogating public skepticism about official portrayals of the past, the paper moves towards a performative approach to studying what heritage does to identity production rather than a representational approach. Among the identities that are produced at Monticello (and by extension other antebellum sites) are racial and oppositional identities.<hr/>Este artigo explora a maneira com que administradores de sites sobre o patrimônio de uma era de escravidão objetivam e atuam como aquilo que foi chamado de "comunidades de memória" por Robert Bellah et al. em um Estados Unidos racialmente polarizado, bem como o modo com que o público interpreta os seus esforços de criar o que venha a ser a história oficial. Salienta-se o encontro muitas vezes controverso entre aqueles que estão encarregados de divulgar representações públicas de escravidão e de raça no período anterior à Guerra Civil nos Estados Unidos com as respostas correntes a tais representações. O presente estudo volta seu olhar para Monticello, cidade natal de Thomas Jefferson, que recentemente tem feito um grande esforço para tornar os escravos figuras preeminentes nas paisagens que a cidade reconstrói em mapas de sítios históricos, no turismo e na literatura. É especialmente interessante analisar as diversas maneiras com que o ceticismo e o cinismo correntes acerca de retratos públicos continua a gerar uma controvérsia em Monticello, e em particular o modo com que a rasura e a invisibilidade permanecendo sendo temas na imaginação popular do que seja a história pública quando tal história enfoca a escravidão e a raça. Questionando o ceticismo público sobre retratos oficiais feitos no passado, este artigo oferece uma abordagem que se filia à teoria da performance e não à das representações sociais; o artigo apresenta, assim, um estudo das conseqüências do patrimônio herança sobre a produção de identidade. Entre as identidades produzidas em Monticello (e por extensão em outros sítios do período anterior à Guerra Civil norte-americana) estão a identidade racial e as identidades em oposição. <![CDATA[<B>A pós-modernização da cultura</B>: <B>património e museus na contemporaneidade</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Este artigo pretende analisar o crescimento e a diversificação de museus e sítios patrimoniais na contemporaneidade, procurando problematizar este fenómeno no âmbito das condições que caracterizam a pós-modernidade e que incluem uma multiplicidade de aspectos, como sejam, os processos de globalização, os localismos, a nostalgia pelo passado, a problemática da representação cultural no quadro das críticas ao realismo e a uma epistemologia positivista, bem como a mercantilização da cultura e a ênfase crescente na questão dos públicos e nos processos de interpretação e comunicação que se desenrolam nestes cenários culturais.<hr/>This paper intends to analyse the growth and diversification of museums and heritage sites in the contemporary world, seeking to investigate this subject in the vast context of post-modernity, addressing several dimensions such as globalization, localisms, nostalgia for the past, cultural representation and the critics of realism and positivist epistemology. It will also revolve around the comodification of culture, the increasing emphasis on audiences, as well as the processes of interpretation and communication that take place at this cultural cenarios. <![CDATA[<B>Breviário de um museu mutante</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O artigo aborda a implantação de um aparato burocrático de gestão da cultura no Rio Grande do Sul, privilegiando a trajetória do Museu Julio de Castilhos, primeiro museu criado na capital, em 1903. A análise recai sobre os fatores que condicionaram o afastamento da referência naturalista inicial, inspirada no modelo de funcionamento dos museus etnográficos do início do século passado, em direção à adoção de uma perspectiva regionalista de reconstrução do passado, assumida oficialmente no regimento de 1954. Entre 1952 e 1958, sob a direção do historiador e folclorista Dante de Laytano, o museu torna-se trincheira de sócios dissidentes do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRS) e núcleo de arregimentação da Comissão Gaúcha de Folclore, representante oficial da Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro no estado. Nesse momento ele passa a concorrer na partilha institucional do governo com os tradicionalistas, agrupados em torno do Instituto de Tradições e Folclore, criado em 1954.<hr/>This paper is about the implantation of a bureaucratic management culture in Rio Grande do Sul - favoring the trajectory of Julio de Castilhos Museum, first museum created in the state at 1903. The analysis is centered on the factors that conditioned the removal of the initial naturalistic reference, inspired by etnografic museums from the beginning of the XXth Century, towards a regionalistic perspective of past reconstruction - stated officially in 1954's Regiment. From 1952 to 1958, under the direction of the historian and "folk scientist" Dante de Laytano, the museum becomes a resistent point against the partners of the Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRS) and a recruiting nucleus for Comissão Gaúcha de Folclore, official representative of Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro in the state. At this moment it starts to compete for the institucional allotment of the government with tradicionalistas, grouped around Instituto de Tradições e Folclore, created in 1954. <![CDATA[<B>Goiás</B>: <B>a invenção da cidade "Patrimônio da Humanidade"</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Neste artigo, investigo a instituição de Goiás como uma cidade histórica e turística, entrelaçando séries discursivas que conferem visibilidade e sentidos à cidade ao trabalhar as relações do espaço urbano, o tempo e a história: a delimitação da cidade como bem cultural por meio da incorporação na ordem do discurso do Patrimônio Nacional; a invenção das tradições locais promovida pela Organização Vilaboense de Artes e Tradições; a produção da cidade "Patrimônio da Humanidade" no Dossiê de Goiás e a escrita da memória de Cora Coralina, que configura significados para o passado inscrito na textura material da cidade.<hr/>In this article, I investigate the institution of Goiás as a historical and touristic town, interweaving discoursives series that gives visibility and meanings to the town by working the relations of urban space, time and the history: the delimitation of the town as a cultural values through the incorporation of the National Patrimony discourse; the invention of local traditions promoted by Organização Vilaboense de Artes e Tradições; the production of the town "Patrimony of Humanity" in the Dossier of Goiás and the writing of Cora Coralina's memory that takes the form of the past inscribed in the texture of the town material. <![CDATA[<B>"Porto Feliz"</B>: <B>património em segurança</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt As imagens idealizadas difundidas pelos processos de patrimonialização elidem com frequência as ideologias de urbanidade em que se baseiam. Analisando duas operações relacionadas com o centro histórico da cidade do Porto, tombado património mundial em 1995, são evidenciadas e questionadas algumas dessas ideologias. Em concreto é examinado um programa designado "Porto Feliz", cujo objectivo é retirar da paisagem urbana elementos humanos supostamente incompatíveis com o estatuto patrimonial que essa paisagem ostenta. É também discutido um manual de difusão de boas práticas de uso do espaço doméstico e dos espaços de uso comum supostamente adequadas a uma zona patrimonialmente consagrada. Se conclui que a passagem de uma cultura vivida a uma cultura exibida, que o estatuto patrimonial implica, assenta em operações de higienização e disciplinamento.<hr/>The idealized images spread out by the heritage processes hide very often the urbanity ideologies in which they are based. Analyzing two operations related with the historical city center of the Portuguese town of Porto, recognized has world heritage in 1995, we put in evidence and we try to discuss some of these ideologies. "Porto Feliz" is appointed and examined as a program whose aim is to eradicate of the urban landscape human elements supposedly incompatible with the heritage status that this landscape exhibits. A manual of diffusion of good practices about the use of the domestic space and the common public spaces, apparently adjusted to a zone consecrated as a valuable heritage place, is also analyzed. We conclude that the transition from a lived culture to an exhibited culture, that the heritage status implies, depend on disciplinarian and hygienic operations. <![CDATA[<B>Herança, sacralidade e poder</B>: <B>sobre as diferentes categorias do patrimônio histórico e cultural no Brasil</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O artigo examina o conceito de patrimônio presente nas atuais políticas públicas de preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural, visando ampliar a apreensão deste. Trazendo exemplos do trabalho de campo realizado na Travessa dos Venezianos, em Porto Alegre, o meu propósito neste artigo é analisar como a atribuição de valor a determinados bens, objetos e processos produz novos significados nos diferentes contextos onde ocorre, focando especialmente na construção de significados do ponto de vista da herança, da sacralidade do patrimônio e da dimensão de poder envolvida no processo. Considerando as ressignificações resultantes do reconhecimento patrimonial, analiso as diferentes categorias percebidas pelos habitantes citadinos que estão envolvidos com o patrimônio, não de forma passiva, mas detendo a capacidade de construir novos significados e dar sentido ao mundo ao seu redor. Procuro sublinhar a dimensão simbólica que está presente nesse processo em que a propriedade adquire sentido e passa a ser considera como patrimônio ou herança familiar.<hr/>This article deals with the concept of heritage present in the public policies of cultural, artistic and historical heritage preservation, aiming to widen the apprehension of the concept. Bringing examples from my fieldwork in Venezianos Lane, in Porto Alegre, my purpose in this article is to analise the attribution of values to specific buildings, objects or processes as a way to produce new meanings within the different contexts in which it occurs, observing specially the construction of signification from the point of view of familiar heritage, heritage objects seen as sacred properties and the dimension of power involved in such process. Considering the ressignifications which resulted from the heritage acknoledgement, I analise the different categories perceived by the city inhabitants who are involved with the heritage, not in a passive way, but owning the capacity to construct new significances and to give meaning to the world around them. I try to underline the symbolic dimension present in this process in which the property acquires a meaning and comes to be considered heritage. <![CDATA[<B>Introdução ao debate sobre cotas</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O artigo examina o conceito de patrimônio presente nas atuais políticas públicas de preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural, visando ampliar a apreensão deste. Trazendo exemplos do trabalho de campo realizado na Travessa dos Venezianos, em Porto Alegre, o meu propósito neste artigo é analisar como a atribuição de valor a determinados bens, objetos e processos produz novos significados nos diferentes contextos onde ocorre, focando especialmente na construção de significados do ponto de vista da herança, da sacralidade do patrimônio e da dimensão de poder envolvida no processo. Considerando as ressignificações resultantes do reconhecimento patrimonial, analiso as diferentes categorias percebidas pelos habitantes citadinos que estão envolvidos com o patrimônio, não de forma passiva, mas detendo a capacidade de construir novos significados e dar sentido ao mundo ao seu redor. Procuro sublinhar a dimensão simbólica que está presente nesse processo em que a propriedade adquire sentido e passa a ser considera como patrimônio ou herança familiar.<hr/>This article deals with the concept of heritage present in the public policies of cultural, artistic and historical heritage preservation, aiming to widen the apprehension of the concept. Bringing examples from my fieldwork in Venezianos Lane, in Porto Alegre, my purpose in this article is to analise the attribution of values to specific buildings, objects or processes as a way to produce new meanings within the different contexts in which it occurs, observing specially the construction of signification from the point of view of familiar heritage, heritage objects seen as sacred properties and the dimension of power involved in such process. Considering the ressignifications which resulted from the heritage acknoledgement, I analise the different categories perceived by the city inhabitants who are involved with the heritage, not in a passive way, but owning the capacity to construct new significances and to give meaning to the world around them. I try to underline the symbolic dimension present in this process in which the property acquires a meaning and comes to be considered heritage. <![CDATA[<B>Política de cotas raciais, os "olhos da sociedade" e os usos da antropologia</B>: <B>o caso do vestibular da Universidade de Brasília (UnB)</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100011&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Entre o medo de fraudes e o fantasma das raças</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100012&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Cotas raciais na UnB</B>: <B>as lições de um equívoco</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100013&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Cota racial e jargão policial na universidade</B>: <B>para onde vamos?</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100014&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Raça, racismo e direitos humanos</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100015&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>O mestiço no armário e o Triângulo Negro no Atlântico</B>: <B>para um multiculturalismo híbrido</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100016&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>O tribunal dos tribunais</B>: <B>onde se julgam aqueles que julgam raças</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100017&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Usos e abusos da antropologia em um contexto de tensão racial</B>: <B>o caso das cotas para negros na UnB</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100018&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>O retorno do objetivismo ou dos males de ser científico</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100019&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>O bebê e a água do banho - a ação afirmativa continua importante, não obstante os erros da UnB!</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100020&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Pungente retrato do universalismo apunhalado</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100021&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Ser negro no Brasil</B>: <B>do ônus ao bônus?</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100022&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>A genética e a peritagem racialista</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100023&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Breves reflexões suscitadas pelo artigo "Política de cotas raciais, os 'olhos da sociedade' e os usos da antropologia</B>: <B>o caso do vestibular da Universidade de Brasília (UnB)</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100024&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Os ciclistas de Brasília</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100025&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Ossos do ofício</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100026&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Em memória de tempos melhores</B>: <B>os antropólogos e a luta pelo direito</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100027&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>O triste caso do vestibular da Universidade de Brasília</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100028&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Políticas de cotas e o vestibular da UnB ou a marca que cria sociedades divididas</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100029&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>As cotas raciais nos horizontes da antropologia</B>: <B>tréplica a dezoito comentaristas</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100030&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B>Pensamentos para colecionar e guardar</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100031&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B><I>Cólera, o flagelo da Belém do Grão-Pará</B></I>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100032&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B><I>As (difusas) fronteiras entre a política e o mercado</i></B>: <B>um estudo antropológico sobre marketing político, seus agentes, práticas e representações</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100033&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <![CDATA[<B><I>O grande mediador</B></I>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100034&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino superior federal a adotar um sistema de cotas raciais para ingresso através do vestibular, a partir do segundo semestre de 2004. A iniciativa da instituição, devido sobretudo à estratégia de estabelecer uma comissão para homologar a identidade racial dos candidatos a partir da análise de fotografias, gerou um intenso debate na sociedade, que se estendeu para muito além da comunidade universitária. Sugerimos que ao lidar com uma questão sociopolítica, ou seja, procurar estabelecer um privilégio para determinado grupo com o intuito de corrigir injustiças históricas e, ao mesmo tempo, controlar os potenciais "burladores raciais", o aparato acadêmico-burocrático da UnB, em aliança com o movimento negro, buscou mobilizar parâmetros supostamente objetivos. Esses critérios, afeitos a uma sorte de anátomo-psicologia racial, geraram uma temporada de disputas científico-políticas de amplo espectro, na medida em que os próprios critérios estabelecidos foram objeto de controvérsias. Um aspecto particularmente significativo é que no caso UnB há o acionamento de temas caros à reflexão antropológica, ou seja, no plano das técnicas, chegou a envolver a prática da antropologia enquanto atividade de "peritagem racial". Nosso intuito nesse trabalho é refletir sobre esse contexto, particular em suas especificidades, mas de considerável abrangência no que tange ao envolvimento (e aos usos) da antropologia na dinâmica de processos contemporâneos.<hr/>The University of Brasilia (UnB) was the first Brazilian federal university to adopt racial quotas as part of its admission procedures, reserving 20% of places in all courses for "black" students. The system came into effect in the second semester of 2004. The university's initiative generated intense debate not only in the academic community but throughout Brazilian society, in particular because the means adopted to decide eligibility under the program was to set up a commission that determined the racial identity of candidates by analyzing their photographs. The university bureaucracy, allied with the black movement, chose this method to deal with a sensitive socio-political issue. The aim was to privilege black Brazilians in order to remedy historical injustices, and at the same time eliminate potential "racial cheaters," by setting supposedly objective parameters. The application of these criteria, influenced by a kind of racial-anatomical psychology, led to a period of wide spread scientific and political dispute, especially because the criteria themselves were highly controversial. A particularly significant aspect of the University of Brasilia case is that it requires us to think about the uses and abuses of anthropology, since on a technical level the practice of anthropology was invoked as "racial expertise." Our purpose in this paper is to reflect on the context of this case, which, although specific, points to the wider involvement (and to the uses) of anthropology in the dynamics of contemporary political and social processes. <link>http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832005000100035&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt</link> <description/> </item> </channel> </rss> <!--transformed by PHP 09:10:54 18-10-2017-->