Scielo RSS <![CDATA[Cadernos Pagu]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0104-833320160002&lang=pt vol. num. 47 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Feminismos brasileiros nas relações com o Estado. Contextos e incertezas]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200301&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Este texto busca repensar as relações entre os feminismos brasileiros e o Estado. O diálogo e a tensão contínuos estão fundados na pauta feminista que não só supõe uma revolução cultural das subjetividades, como exige uma notável reforma/revolução política. Se, de um lado, o enfrentamento da violência contra as mulheres ganha fôlego, a pauta da educação pela igualdade de gênero e pela legalização do aborto sofre o que já se chamou de “backlash”. Trava-se um embate entre movimentos neoconservadores que buscam a imposição moral a toda sociedade e os movimentos feministas que buscam a ética da autonomia individual, da pluralidade e dos direitos sociais.<hr/>Abtract This text aims to rethink the relationship between Brazilian feminisms and the state. Dialogue and continuous tensions are grounded in the feminist agenda that not only presupposes a cultural revolution regarding subjectivities, but that also exacts a notable reform or political revolution. On the one hand, while addressing violence against women is gaining ground, on the other, education for gender equality and the legalization of abortion suffers what has been called “backlash”. There is a clash between neoconservatives movements that seek to imposed their moral viewpoint on the whole society and feminist movements that defend the ethics of individual autonomy, plurality and social rights. <![CDATA[O gênero do amor: cultura terapêutica e feminismos]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200302&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Neste artigo tomo a cultura terapêutica produzida em grupos de ajuda mútua anônimos, particularmente o Mulheres que Amam Demais Anônimas (MADA), e novas táticas e maneiras de atuação feministas em redes digitais, no contexto brasileiro, como instâncias pedagógicas do aprendizado emocional e na (re)organização social do sofrimento amoroso, buscando compreender como repertórios sobre o amor e o sofrimento amoroso oferecem cursos de ação, sistemas de comunicação e interpenetrações entre esses âmbitos.<hr/>Abstract This article reflects on the therapeutic culture that Brazilian anonymous support groups produce – especially in MADA (Women Who Love Too Much Anonymous) – and on contemporary feminist strategies and forms of action in digital networks, as pedagogical instances of emotional learning and social (re)organization of romantic suffering. In this way, I attempt to understand how accounts about love and romantic suffering offer modes of action, systems of communication, and exchanges between these domains. <![CDATA[Feminismos e estudos feministas: com as trabalhadoras sexuais na mira]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200303&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Proponho aqui aproveitar a ideia da longa duração de um movimento – do feminismo aos estudos feministas – para refletir sobre um particular estilo de engajamento presente no Núcleo de Estudos de Gênero - Pagu. Ao reconstruir certa história no tempo, procuro sublinhar o que considero uma das grandes lições do campo feminista de reflexão: a capacidade de autorreflexão que provoca constantes reposicionamentos em relação aos contextos complexos, em constante mutação, em que vivemos.<hr/>Abstract I propose here to use the idea of the long duration of a movement – feminism and feminist studies – to reflect on a particular style of engagement found at the Nucleus for Gender Studies – Pagu. By reconstructing a certain history in time, I emphasize what I consider to be one of the great lessons of the feminist field of reflection: the ability for self-reflection that provokes constant repositionings in relation to the ever-changing, complex contexts in which we live. <![CDATA[Feminism and Marginal Sectors: Achievements and setbacks in a difficult dialog]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200304&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumen El movimiento feminista ha posibilitado dar voz a las reivindicaciones de las mujeres y asegurar sus conquistas y reivindicaciones. Pero no todos los sectores de mujeres han estado igualmente reconocidos. Los sectores con mayor marginación social, son también los que más dificultades han tenido para insertarse con sus propias demandas dentro de las corrientes hegemónicas del feminismo. En la actualidad existen vivas polémicas sobre como acercarse a temas tales como trabajo sexual o delito femenino.<hr/>Abstract The feminist movement has given voice to the demands of women and assured their conquests and demands. But not all groups of women have been equally recognized. Groups with greater social marginalization have the greatest difficulties inserting their demands within the hegemonic lines of feminism. There are currently polemics about how to approach themes such as sexual work and female crime. <![CDATA[Economias sexuais, amor e tráfico de pessoas – novas questões conceituais]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200401&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Neste texto realizo alguns comentários sobre as recentes discussões relativas às economias sexuais, ao tráfico de pessoas e à relação entre essas problemáticas, levando em conta novas questões que se delineiam no debate sobre elas. Neles dialogo com textos publicados neste número dos Cadernos Pagu, considerando resultados de pesquisas realizadas no Brasil e em outros países da América Latina. Meus comentários estão alinhavados em torno de duas questões que surgem no diálogo entre essa produção e os artigos de Christian Groess-Green, Marcia Anita Sprandel, Kamala Kempadoo e Amalia Cabezas publicados neste volume. Refiro-me, em primeiro lugar, às possibilidades analíticas e às limitações de noções como economias sexuais e mercados do sexo. Uma segunda questão remete às formas de governamentalidade articuladas nos regimes de combate ao tráfico de pessoas que afetam esses intercâmbios, particularmente o trabalho sexual. A pergunta é, nos quinze anos transcorridos a partir da promulgação do Protocolo de Palermo,o mais importante dispositivo legal supranacional relativo a esse crime, que novas questões se delineiam na análise desses regimes e de seus efeitos nas trocas sexuais e econômicas?<hr/>Abstract In this text I comment on recent discussions about sexual economies, human trafficking and the relationship between these problematics, considering new questions that are raised in the debate about them. I dialog with other articles published in this issue of the Cadernos Pagu, considering the results of studies conducted in Brazil and other Latin American countries. My comments focus on two issues that arose in the dialog between this work and the articles of Christian Groess Gren, Marcia Anita Sprandel, Kamala Kempadoo and Amalia Cabezas published in this volume. I first refer to the analytical possibilities and the limits of concepts such as sexual economies and sex markets. A second question relates to forms of governmentality articulated in the regimes for fighting human trafficking that affect these exchanges, particularly sexual work. The question is, in the fifteen years since the enactment of the Palermo Protocol, the most important supranational legal instrument related to this crime, what new issues appear in the analysis of these regimes and of their effects on sexual and economic exchanges? <![CDATA[Mulheres dominicanas invisíveis: discursos de tráfico de pessoas em Porto Rico]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200402&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Relatos terríveis de contrabando e tráfico de pessoas da República Dominicana em direção a Porto Rico atraiu a atenção da mídia nos últimos 20 anos. Baseado em entrevistas com agentes governamentais e não governamentais, este artigo examina a invisibilidade das necessidades e problemas de dominicanos em Porto Rico. Eu argumento que em conjunção com sua omnipresença em espaços de trabalho íntimos, frequentemente sexualizados (bares, cafés, espaços domésticos e de cuidado), as mulheres dominicanas são sujeitos invisíveis que não são consideradas como vulneráveis e merecedoras de proteção social e apoio. A racialização das mulheres dominicanas num contexto xenofóbico, suas trajetórias de trabalho sexualizado e o marco para compreender o tráfico de pessoas em níveis nacionais e internacionais fazem delas uma população invisível e ilegível, que provavelmente não receberá qualquer atenção da ou assistência social, seja ela estatal ou da sociedade civil.<hr/>Abstract Horrific reports of human trafficking and smuggling from the Dominican Republic into Puerto Rico have captured media attention over the past twenty years. Based on interviews with government and non-government officials in Puerto Rico this essay examines the indiscernibility of Dominican concerns in the island. I contend that in conjunction with their omnipresence in intimate, frequently sexualized spaces of labor (bars, cafes, domestic/care giving spaces) Dominican women are invisible subjects who are not regarded as vulnerable and worthy of social protection and support. The racialization of Dominican women within a xenophobic context, their sexualized labor trajectory, and the framework for understanding human trafficking at the international and national level makes them an invisible and illegible population unlikely to receive any state-level or civil society attention or social assistance. <![CDATA[“Vou pra rua e bebo a tempestade”:observações sobre os dissabores do guarda-chuva do tráfico de pessoas no Brasil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200403&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Este artigo analisa um dos aspectos da definição de “tráfico de pessoas”: a escravatura ou práticas similares à escravatura. Apresenta a história da categoria nativa “trabalho escravo”, conforme utilizada atualmente no Brasil, para que se possa corretamente diferencia-la da categoria internacional “tráfico de pessoas” ou das campanhas contemporâneas contra “sex trafficking” e “modern slavery”. Aponta para as idiossincrasias da introdução da agenda antitráfico no Brasil, após a ratificação do Protocolo de Palermo, sobretudo sua potencial capacidade de enfraquecer pautas históricas da sociedade brasileira, como o enfrentamento ao racismo e a luta pela reforma agrária e pelos direitos dos trabalhadores.<hr/>Abstract This article analyzes one of the aspects of the definition of “human trafficking”: slavery or practices similar to slavery. It presents the history of the native category “slave labor”, as currently used in Brazil, to allow correctly differentiating it from the international category of “human trafficking” or from contemporary campaigns against “sex trafficking” and “modern slavery”. It points to the idiosyncrasies of the introduction of the anti-trafficking agenda in Brazil, after the ratification of the Palermo Protocol, particularly its ability to weaken historic concerns of Brazilian society, such as confronting racism and the struggles for agrarian reform and worker rights. <![CDATA[Exploração ou gratidão? Patronagem íntima e a gramática moral das trocas sexuais econômicas entre jovens curtidoras e europeus mais velhos, expatriados, em Maputo – Moçambique]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200404&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Neste artigo exploro uma categoria particular de mulheres inserida em sistemas de intercâmbio locais assim como na paisagem urbana transnacional de trocas íntimas. As curtidoras em Maputo mostram o poder do erotismo feminino e como ele se conecta com o parentesco, as dinâmicas de gênero e as moralidades de intercâmbio. Baseando-me na produção feminista pós-colonial amplio os marcos de análise existentes considerando como as trocas sexuais e econômicas das curtidoras com os homens nunca estão completamente divorciadas de obrigações morais com as mulheres integrantes de suas redes de parentesco assim como caracterizadas por economias morais divergentes e convergentes nos encontros íntimos entre mulheres jovens e homens europeus mais velhos.<hr/>Abstract In this article, I explore a particular category of young women within local systems of exchange as well as within a transnational urban landscape of intimate transactions. What curtidoras in Maputo elucidate and what anthropologists perhaps have not sufficiently understood about transactional sex is the power of female eroticism and how this power connects to kinship, gender dynamics, and moralities of exchange. Drawing on postcolonial feminist scholarship, I extend existing frameworks of analysis by addressing how curtidoras’ sexual–economic exchanges with men are never fully divorced from moral obligations toward their female kin as well as characterized by diverging and converging moral economies in the intimate encounter between the younger women and older European men. <![CDATA[Revitalizando o imperialismo: campanhas contemporâneas contra o tráfico sexual e escravidão moderna]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200405&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo No Canadá atual, as questões envolvendo o tráfico humano estão em alta na agenda pública. Uma variedade de atividades é incluída dentro dessa rubrica, incluindo a prostituição doméstica, na qual cruzar fronteiras nacionais ou internas não é um pré-requisito para como o Estado define o tráfico. O Canadá não está sozinho em sua definição expansiva de tráfico humano. Globalmente, trabalho sexual/prostituição, “tráfico sexual”, trabalho infantil, trabalho migrante infantil, e “escravidão moderna” são parte integral dos discursos hegemônicos sobre “os horrores” do tráfico humano. Neste artigo analiso três campanhas proeminentes que sustentam esse discurso e discuto algumas das ações que essas campanhas promoveram. Argumento que um exame mais detalhado deixa visível uma versão do século XXI do “fardo do homem branco” apoiado por interesses ocidentais, corporativos e neoliberais contemporâneos, através dos quais, a exploração e o abuso sem restrições da vida e da força dos/as trabalhadores/as continuam ocorrendo. Argumento que, ao invés de ir “ao fundo da questão”, os discursos dominantes sobre tráfico humano tendem a ofuscar problemas estruturais e a revitalizar o imperialismo de novas maneiras.<hr/>Abstract In Canada today the issue of human trafficking is high on the public agenda. A variety of activities are included under the rubric, including “homegrown” or domestic prostitution, where crossing either national or internal borders is not a requisite for state definitions of trafficking. Canada does not stand alone in this attention for an expansive definition of human trafficking. Globally, sex work/prostitution, “sex trafficking,” child labour, undocumented migrant labour, and “modern slavery” are integral to hegemonic discourses on “the horrors” of human trafficking. In this paper I look more closely at three prominent campaigns that sustain this discourse and discuss some of the work that these campaigns do. I argue that a closer examination makes visible a twenty first century version of the “white man’s burden” supported by contemporary western, corporate, neoliberal interests, through which the unfettered exploitation and abuse of working people’s lives and labour continues. So, rather than getting to “the bottom of things,” I argue here that dominant discourses on human trafficking tend to obfuscate structural problems and revitalize imperialism in new ways. <![CDATA[Estranhos no paraíso: notas sobre os usos de aplicativos de busca de parceiros sexuais em San Francisco]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200501&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A partir de uma etnografia desenvolvida em San Francisco, entre janeiro e agosto de 2013, este artigo explora o uso que homens gays adultos fazem de aplicativos para busca de parceiros amorosos e sexuais. A cidade passou da contracultura à gentrificação em um processo que também transformou as formas de sociabilidade. No que se refere à busca de parceiros, passou-se do cruising ao hookup , ou seja, o uso de aplicativos reitera uma progressiva seleção de parceiros a partir de critérios morais.<hr/>Abstract Based on an ethnography conducted in San Francisco between January and August 2013, this paper explores how adult gay men use dating apps to find sexual and romantic partners. The city passed from being a center of the counterculture to a gentrified haven for hipsters and techies in a process that has also transformed its sociability. The search for gay partners has shifted from cruising to hookups, as the use of apps reinforces a progressive selection of partners based on moral criteria. <![CDATA[Estados de amor, sexo e intimidade através de fronteiras virtuais]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200502&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Feministas estadunidenses nos anos 1990, preocupadas com a natureza mutável do Estado-nação em relação aos processos globais, dirigiram suas pesquisas não somente às estruturas econômicas, mas também às estruturas transnacionais que respondiam à rápida e dispersa zona de contato e encontros que traziam pessoas para um contato íntimo. Estes casos através de fronteiras recusaram ver a globalização como uma nova formação, ao invés disso, argumentaram que continuava a manter, ou mesmo exacerbava, as relações coloniais de desigualdade, oferecendo novos e recicladas perspectivas para entender sexualidade, amor e intimidade. O Estado-nação, contudo, não tem diminuído, mas simplesmente mudado o seu papel para apoiar a reestruturação capitalista e de lucro através das fronteiras, ao mesmo tempo que monitora, de perto, como os corpos se movem através dessas fronteiras.<hr/>Abstract U.S. feminist scholarship during the 1990s, concerned with the changing nature of the nation-state in relation to global processes addressed not solely economic structures, but also transnational frameworks that attended to the encounters that bring people into intimate contact. These cross-border accounts refused to see globalization as a new formation, but rather argued that it continued and exacerbated colonial inequalities, offering new and recycled vistas for understanding sexuality, love and intimacy. The nation-state, however, has not waned, but merely shifted its role to support capital restructuring and profit motives across borders, while monitoring more severely how bodies move across borders. <![CDATA[Guerra de imagens, imagens da guerra]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200503&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Revisito aqui duas incursões que fiz à análise da mídia, através dos artigos que se relacionam com o tema da mesa: “Japonês está para TV assim como mulato para cerveja – estereótipos raciais na publicidade brasileira” (Rial, 1995) e “Guerra de Imagens, imagens da guerra” (Rial, 2007), sobre os estupros no Iraque e seu quase silencio na mídia, pois embora tratem de temas muitos diversos ambos apontam para as representações estereotipadas de diferenças sociais na mídia, no primeiro caso de raça, no segundo de gênero, etnia e religião.<hr/>Abstract Rial, 1995 <![CDATA[Prazer e perigo: situando debates e articulações entre gênero e sexualidade]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200601&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Este artigo contextualiza e apresenta as reflexões tecidas na mesa “Prazer e perigo: 30 anos de debate”, realizada por ocasião do “Seminário Internacional Repensando Gênero e Feminismos”, que celebrou, em setembro de 2014, os 20 anos do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu da Unicamp. Para tanto, procura situar em grandes linhas, os estudos em gênero e sexualidade no Brasil, focaliza a narrativa no modo como se entrelaçam articulações entre gênero e sexualidade na pesquisa sócio-antropológica e indica características específicas que marcam os estudos nessa vertente realizados pelo Núcleo, articulando-os às reflexões tecidas pelos autores convidados na ocasião. A contextualização é feita mediante apoio em pesquisa sobre o desenvolvimento do campo de estudos sobre mulheres, gênero, feminismos e/ou sexualidade no Brasil recente. Toma por base dados quantitativos de levantamento sobre grupos de pesquisa no país, situados a partir de pesquisa bibliográfica e entrevistas com professores e pesquisadores, de diferentes gerações, com destacado envolvimento na construção e no adensamento desse campo de estudos.<hr/>Abstract The present article contextualizes and presents some reflections submitted to “Pleasure and Danger: 30 Years of Debate”, a round table organized during the “Rethinking Gender and Feminisms” International Seminar, which took place in September 2014 to celebrate the 20th anniversary of the Nucleus for Gender Studies Pagu at Unicamp. It attempts to describe, in broad sweeps, the main lines of gender and sexuality studies in Brazil, focusing on how links between gender and sexuality intertwine in socio-anthropological research, indicating specific traits that characterize the studies carried out by the Nucleus along these lines and, finally, connecting these to reflections made by other authors invited for the event. This contextualization is undertaken through research into the recent development of the field of studies on women, sexuality, gender and/or feminisms in Brazil. It draws its quantitative data from a survey about research groups in the country, situated according to their bibliographic production and interviews with professors and researchers from different generations who have played significant roles in the construction and development of this field of studies. <![CDATA[O Brasil é um paraíso sexual - para quem?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332016000200602&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A partir do confronto entre imagens contrastantes da brasilidade associadas à sexualidade, ensaio uma discussão sobre os sentidos teóricos e políticos mutáveis que podem assumir as reflexões sobre as conexões entre prazeres e perigos, no que diz respeito tanto ao feminismo quanto às questões de diversidade sexual e de gênero. Procuro explorar a tensão constante e produtiva entre esses ideais contraditórios como narrativas que têm eficácia na construção de compreensões e vivências sociais de gênero e sexualidade.<hr/>Abstract Starting by confronting two contrasting images of Brazilianness associated with sexuality, I develop a discussion about the changing theoretical and political meanings that can take on reflections regarding the connections between pleasures and dangers, concerning both feminism and sexual and gender diversity issues. I try to explore the constant and productive tension between these contradictory ideals as narratives, which are effective in constructing social ways of understanding and experiencing gender and sexuality.