Scielo RSS <![CDATA[Varia Historia]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0104-877520080001&lang=en vol. 24 num. 39 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Foreword</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>The role of Law in the material and symbolic change of the Colombian landscape 1850-1930</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100002&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artículo entrelaza diferentes aspectos de la transformación del paisaje de Colombia, simbólico y material, desde mediados del siglo XIX hasta las primeras tres décadas del siglo XX. Para ello, describe, evalúa y analiza el sistema jurídico, particularmente, asociado a la regulación y codificación de la propiedad privada de la tierra, así como los aspectos públicos de las leyes de baldíos. No presenta un listado exhaustivo de la normatividad promulgada en la época sino la forma cómo en la realidad colombiana - territorialmente fragmentada y heterogéneamente apropiada - el Derecho contribuye a la transformación del paisaje. El Derecho del Estado tendió a construir una especie de monismo jurídico sobre la pluralidad de órdenes jurídicos que heredó de la colonia y las primeras décadas republicanas. De este modo, cuestiona tanto las visones que se basan en el derecho formalista y positivo, como las posiciones de la sociología jurídica que consideran que sólo hay un abismo entre la realidad social y la jurídica. Apunta a mostrar el papel simbólico, más que ideológico, del Derecho en el cambio ambiental pero, a su vez reconoce los cambios materiales que el proyecto de Derecho basado en el predominio de la propiedad privada como Derecho absoluto engendró en esta época.<hr/>This article entangles several aspects of the transformation of the Colombian landscape in both, its material and symbolic faces, since the middle of the nineteenth until the third decade of the twentieth century. Consequently, it describes, and analyses the legal system, particularly those aspects related to the private and the public property of land. It argues first, about the importance of the Civil Code to understand the whole nineteenth century project; and second, about "waste lands" (baldíos: public lands without legal proprietors) which are of crucial interest to understand the whole process. It thinks about Law, not simply as a written norm, but in its environmental interaction. It also goes beyond the apparent chasm posed by sociology of Law as "law in books and law in action". It concludes that the dualistic "Law of the State" tended - unfolded as private and public Law - to monopolize the legal phenomenon engendering symbolic and material changes of a landscape that was territorially fragmented and heterogeneously appropriated.<hr/>Este artigo entrelaça diferentes aspectos da transformação da paisagem da Colômbia, simbólica e material, desde meados do século XIX até as primeiras três décadas do século XX. Para tanto, descreve, avalia e analisa o sistema jurídico, particularmente associado à regulamentação e codificação da propriedade privada da terra, assim como os aspectos públicos das leis de terras devolutas. Não apresenta uma lista exaustiva da normatividade promulgada na época, mas a forma como - na realidade colombiana, territorialmente fragmentada e heterogeneamente apropriada - o Direito contribui para a transformação da paisagem. O Direito de Estado tendeu a construir uma espécie de monismo jurídico sobre a pluralidade de ordens jurídicas herdadas da colônia e das primeiras décadas republicanas. Deste modo, questionam-se tanto as visões baseadas no direito formalista e positivo, como as posições da sociologia jurídica, que consideram tão somente um abismo entre a realidade social e a jurídica. Sublinha-se o papel simbólico, mais que ideológico, do direito na transformação ambiental mas, por sua vez, reconhece as transformações materiais então engendradas no projeto de direito baseado no predomínio da propriedade privada como Direito absoluto. <![CDATA[<b>Mass markets, biodiversity and breeding improvements of export bananas 1920-1980</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100003&lng=en&nrm=iso&tlng=en A exportação de banana, na América, foi constituída sob uma base genética extremamente limitada: ao longo de setenta anos, uma só variedade de banana, a Gros Michel, foi praticamente a única a ser vendida nos mercados norte-americanos. Esta variedade produzia grandes cachos, resistentes ao transporte, e dotados de um sabor e de uma casca que os consumidores norte-americanos identificavam como pertencentes a uma banana de qualidade. Entretanto, a Gros Michel também se mostrou muito suscetível a um grande número de patógenos fúngicos, incluindo o Mal do Panamá e a Sigatoka. A dinâmica histórica ocasionada, durante a primeira metade do século XX, pela propagação desse fungo, acelerou o aumentou dos índices de desmatamento, desestabilizou os sistemas de vida rural, aumentou os riscos à saúde dos trabalhadores do campo, e limitou os rendimentos das principais companhias de comércio de banana. Tais epidemias impeliram o governo britânico e a United Fruit Company a estabelecerem programas de fitomelhoramento, durante a década de 1920, tendo como meta o desenvolvimento de uma banana para exportação, que fosse resistente ao Mal do Panamá. Contudo, a criação de um híbrido que fosse capaz tanto de prosperar nas zonas tropicais, quanto de encontrar aceitação no mercado norte-americano, se mostrou uma tarefa de difícil realização. A história dos programas de melhoramento revela uma das principais contradições da agricultura do século XX: os mesmos processos de produção massificada, que tendem a reduzir a diversidade biológica a nível local e regional, permaneciam dependentes do acesso a de um banco genético "global", para manter níveis lucrativos de produção.<hr/>The export banana industry in Latin America and the Caribbean developed on a very narrow genetic base: a single variety, the Gros Michel, was the only banana variety mass marketed in the United States for at least seventy years. The Gros Michel variety produced large fruit bunches, shipped well, and possessed a flavor and peel color that North American consumers came to recognize as a "quality" banana. The variety was also susceptible to a number of fungal pathogens including Panama disease and Sigatoka. The historical dynamic provoked by the spread of fungal pathogens during the first half of the twentieth century accelerated rates of deforestation, destabilized rural livelihoods, increased occupational health risks for farm workers, and lowered profits of major banana companies. The epidemics prompted both the British government and the United Fruit Company to establish banana breeding programs during the 1920s with the goal of developing an export variety with resistance to Panama disease. However, breeding a variety that possessed both disease resistance and marketability proved to be a difficult task. Both the British and United Fruit sent teams of botanists to comb the world's tropical regions in search of new varieties for their breeding programs. The history of export banana breeding programs reveals one of the principle contradictions of twentieth-century agriculture: the same processes of mass production that tend to reduce biological diversity on local and regional levels depend upon access to a global "genetic bank" in order to maintain profitable production levels. <![CDATA[<b>The Berkeley School's cultural-historical Geography</b>: <b>a precursor to Environmental History's emergence </b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100004&lng=en&nrm=iso&tlng=en No decorrer das últimas três décadas, a história ambiental se tornou um subcampo reconhecido com seus próprios clássicos, um grande número de monografias notáveis, um fluxo contínuo de artigos publicados e mais do que mil pesquisadores ativos em vários continentes, incluindo uma comunidade crescente na América Latina. Um olhar para além dos limites disciplinares da história mostra que há também outras tradições que se enquadram perfeitamente na temática. A geografia histórico-cultural da Escola de Berkeley sob a égide de Carl Sauer talvez seja uma dessas perspectivas alternativas conhecidas. Muitos estudos de Sauer, seus alunos e colaboradores podem ser considerados pesquisas em história ambiental; muitas delas se baseiam em matérias sobre a América Latina. Neste artigo, procuramos traçar o desenvolvimento dessa corrente alternativa para a história ambiental que se iniciou com a tese de doutoramento de Carl Sauer em 1915 e se consolidou nos anos 50, tendo sua continuidade no presente através dos trabalhos de diversos geógrafos.<hr/>Over the past three decades environmental history has become a recognized subfield, with a cannon of classics, many dozens of distinguished monographs, a steady flow of published articles, and more than one thousand active practitioners on several continents, including a growing cohort in Latin America. If one looks beyond history's disciplinary bounds, one finds other traditions that equally fit perfectly into the array of environmental history. Perhaps the broadest and deepest current is represented by Carl Sauer's Berkeley School of cultural-historical geography. Much of the work of Sauer, his students, and his associates, can be considered environmental history. Moreover, much of it is based on Latin American materials. In this paper, we trace the development of an alternative current within environmental history - one that began with Carl Sauer's doctoral dissertation in 1915, became well established by the 1950s and continues today through the work of various geographers. <![CDATA[<b>Chronicle of a plague foretold crop epidemics and the environmental history of coffee in the Americas</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100005&lng=en&nrm=iso&tlng=en As epidemias agrícolas fornecem um ponto de vista privilegiado para a história ambiental global e transnacional de commodities. A epidemia da ferrugem, causada pelo fungo Hemileia nastatrix, é uma das mais sérias doenças que têm atingido a indústria global de café. No século XIX, ela devastou as plantações de café no Velho Mundo. Também reduziu agudamente a produção de café do tipo arábica na África, Ásia e no Pacífico. Esse foi um dos fatores que permitiu aos países da Américas dominarem a produção global no século XX. Essa epidemia foi detectada nas Américas pela primeira vez na década de 1970. A sua história nas Américas, e as tentativas de seu controle lançam luzes sobre dois paradigmas maiores que moldaram a história ambiental do café no final do século XX. São eles: o paradigma tecnicista, dominante entre meados do século XX até o início dos anos 1990; e o paradigma da sustentabilidade, cujo domínio emergiu em meados dos anos 1980 e se mantém até o presente.<hr/>Crop epidemics provide a portal into the global and transnational environmental history of commodities. The coffee rust epidemic, caused by the fungus Hemileia vastatrix, is one of the most serious diseases to have afflicted the global coffee industry. In the nineteenth century, it devastated the coffee plantations in the Old World. It sharply curtailed arabica coffee production in Africa, Asia, and the Pacific. This was one of the factors that allowed the Americas do dominate global coffee production in the twentieth century. The coffee rust epidemic was first detected in the Americas in the 1970s. The history of the rust epidemic in the Americas, and attempts to control it, shed light on two major paradigms that shaped the environmental history of coffee in the late twentieth century. The paradigm of technification, which dominated from the mid-20th century to the early 1990s; and the paradigm of sustainability, which dominated emerged in the mid-1980s and continues to the present. <![CDATA[<b>Portuguese America's economic substantivism and forest history</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100006&lng=en&nrm=iso&tlng=en Embora alguns importantes escritos anteriores já atentassem para a importância do tema e, de certa forma, prenunciassem um delineamento do objeto, pode-se dizer que With Broadax and Firebrand, de Warren Dean (1995) e Fruitless Trees, de Shawn Miller (2000), são, de fato, as obras fundadoras da historiografia florestal da América portuguesa. Dean e Miller estabeleceram os parâmetros gerais para o estudo da Mata Atlântica colonial sob o ponto de vista dos processos político-econômicos de apropriação e uso dos recursos ambientais, tanto no que concerne às formas de abordagem como no que concerne às hipóteses explicativas. Não obstante, esses dois trabalhos não incorporam a poderosa tendência, verificada na última década, de uma abordagem da economia colonial fortemente influenciada por autores como Marcel Mauss, Karl Polanyi e Giovanni Levi, gerando toda uma revisão acerca dos determinantes da economia luso-brasileira. O presente artigo pretende-se uma crítica da historiografia florestal tal como delineada por Dean e Miller a partir dessa postura econômico-substantivista.<hr/>Although some important precedent works already called attention to the theme and, in a certain way, foretold a delineation of the object, it may be said that Warren Dean's With Broadax and Firebrand (1995) and Shawn Miller's Fruitless Trees (2000) are the real founders of Portuguese America's forest historiography. Dean and Miller have established the general parameters for the study of colonial Atlantic Forest from the point of view of politic-economical processes of appropriation and use of environmental resources, both concerning the forms of approach and the explicative hypotheses. Notwithstanding, these two works do not incorporate the powerful trend, observed in the last decade, of a colonial economy's approach strongly influenced by author such as Marcel Mauss, Karl Polanyi e Giovanni Levi, generating a great revision on the determinants of Luso-Brazilian economy. This article aims itself a critic of forest historiography such as sketched out by Dean and Miller from the prism of this economic-substantivist attitude. <![CDATA[<b>Landscape descriptions</b>: <b>building wilderness and Indian territories at the captaincy of São Paulo at the end of the 18th century</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100007&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo, discutimos a reconstituição de paisagens pretéritas a partir de documentos escritos. Particularmente nos debruçamos sobre as paisagens reveladas pela documentação produzida pelos comandantes das expedições aos rios Tibagi, Iguaçu e Ivaí, acontecidas entre 1768 e 1774, comandadas por Afonso Botelho de San Paio e Sousa a mando D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão - Morgado de Mateus -, Capitão General e Governador da capitania de São Paulo entre 1765 e 1775.<hr/>In this article we discuss the reconstitution of past landscapes from written documents. Particularly, we studied the landscapes revealed by the documentation produced by the commanders of expeditions to the rivers Tibagi, Iguaçu and Ivaí. These expeditions happened between 1768 and 1774 and were commanded by Alfonso Botelho de San Paio and Sousa, by order of D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão - Morgado de Mateus -, General and Governing Captain of the captaincy of Sao Paulo between 1765 e1775. <![CDATA[<b>Rivers and governments in the State of Paraná</b>: <b>bridges, ‘hydraulic force' and the era of the dams (1853-1940)</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100008&lng=en&nrm=iso&tlng=en Utilizando principalmente as Mensagens e Relatórios Presidenciais da Província e do Estado do Paraná como fontes documentais, busca-se examinar como os rios do território paranaense apareceram nas ações dos governantes do Estado entre 1854 e a década de 1940. Em determinadas ações os rios assumiram grande visibilidade, vistos como caminhos ou como "força hydráulica", em outras desaparecem atrás das técnicas utilizadas para a transposição, como as balsas e pontes. As pontes ou as barragens são momentos específicos da história das relações do homem com a natureza, indicando as formas de apropriação desse elemento natural pela sociedade.<hr/>By using mainly the Presidential Annual Reports of the Province and the State of Paraná as documental sources, this work aims at examining how the rivers in the Paraná area are mentioned in the State governors' actions between 1854 and the 1940's. In some actions the rivers had great visibility, seen as ways or ‘hydraulic force"; in others, they completely disappear behind transposition techniques, like ferry-boats and bridges. The bridges or dams are specific moments in the history of the relationship between man and nature, indicating the ways of appropriation of such a natural element by the society. <![CDATA[<b>Biological elements in the River Doce's territory configuration</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100009&lng=en&nrm=iso&tlng=en No médio rio Doce, entre 1930 e 1960, as terras de floresta foram ocupadas pela agricultura e pecuária. No início as culturas agrícolas encontraram condições favoráveis para se expandir, mas não suficientes para se consolidar, antes de dar lugar à pecuária, como é comum na história da agricultura brasileira. As terras cobertas pela floresta foram tomadas pelo capim-colonião (Panicum maximum Jacq. var. maximum) num ritmo maior que o avanço da atividade humana. A gramínea africana encontrou condições excepcionais para se alastrar, dadas pelo relevo, pelo clima e pelo manejo praticado por agricultores e fazendeiros. As suas características biológicas favoreceram o avanço das pastagens. O capim-colonião não diminui a força dos elementos socioeconômicos, marcados por relações de poder em que o fazendeiro levava nítida vantagem, mas entender sua biologia contribui para a compreensão da configuração do território do rio Doce.<hr/>At the middle Doce river , between 1930 and 1960, the forest lands had been occupied by agriculture and cattle raising. First, the agricultural cultures had found favorable conditions to enlargement, but not enough for consolidating itself, before giving place to cattle, as it is common in the history of Brazilian agriculture. The lands covered by the forest had been invaded by the capim-colonião (Panicum maximum Jacq. var. maximum) in a bigger rhythm than the advance of the human activity. The African grassy found very good conditions to spreading (the relief, the climate and the practices of the farmers. Its biological characteristics had favored the advance of the grass. The capim-colonião does not diminished the force of the socioeconomics elements, marked for power relations where the farmer took clear advantage, but understand its biological aspects contributes for the understanding of the configuration of the territory of the river Doce. <![CDATA[<b>Shipwreck, captivity, and Iberian relations</b>: <b>the <i>História trágico-marítima</i> in a comparative context</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100010&lng=en&nrm=iso&tlng=en Esse artigo compara as narrativas portuguesas de naufrágios dos séculos dezesseis e dezessete, muitas das quais foram publicadas no livro História trágico-marítima, de Bernardo Gomes de Brito (1735-1736), com os relatos coevos de naufrágio e cativeiro hispânicos. Ao examinar não só as estratégias e as estruturas das narrativas de naufrágio e cativeiro, mas também suas conexões intertextuais, pretende-se iluminar o contexto ideológico e literário compartilhado pelos impérios ibéricos na modernidade. A comparação permite desnudar ainda a capacidade destas narrativas de divertir os autores e os leitores modernos como também o seu caráter didático e dessa forma questionar as interpretações contemporâneas que ou priorizam a perspectiva nacionalista ou focam-se exclusivamente no aspecto contra-hegemônico contidos nesses textos.<hr/>This essay compares sixteenth - and early seventeenth-century Portuguese shipwreck narratives, many of which were collected and published in Bernardo Gomes de Brito's História trágico-marítima (1735-1736), with early modern Spanish accounts of shipwreck and captivity. By examining not only the common strategies and structures of shipwreck and captivity narratives, but also direct intertextual connections, it illuminates the shared literary and ideological context of the early modern Iberian empires. The comparison highlights the pleasurable as well as the didactic dimensions of these narratives for early modern writers and readers, thus challenging both nationalist interpretations and those that focus exclusively on their counter-hegemonic potential. <![CDATA[<b>Moxos Jesuitic mission's Barroc art style</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100011&lng=en&nrm=iso&tlng=en La estructuración de la experiencia cultural llevada a cabo por la Orden Jesuita en la región de Moxos en los siglos XVII y XVIII, en las llanuras y bosques amazónicos de la Audiencia de Charcas, actual Bolivia, es el tema de este trabajo. Se intenta demostrar que esta experiencia de ocupación del territorio se fue definiendo a partir de la combinación de dos criterios de organización del espacio: un criterio simbólico que estableció una serie de referencias arquitectónicas distribuidas en un marco urbano propio del barroco, y un criterio productivo que entendió y convirtió a las reducciones en grandes establecimientos industriales y agropecuarios. Como consecuencia de esta perspectiva dual, los jesuitas junto a los indígenas, construyeron pueblos nuevos en todo sentido: en lo social, en lo tecnológico, en lo estético y lo espacial, tanto a nivel urbano como regional.<hr/>The structuring of the cultural experience carried out by the Jesuit Order in the Moxos region during the 17th and 18th centuries, on the plains and Amazonian woods of the Audience of Charcas, now Bolivia, is the theme of this work. We strive to show that this experience of occupation of territory was defined from a combination of two criteria of spatial organization: a symbolic criterion, which established a series of architectonic references distributed in an urban framework typical of the ‘baroque', and a productive criterion, that extended and converted the reductions into large industrial, agricultural, and cattle-raising establishments. As a consequence of this dual perspective, the Jesuits, in dealing with the Indians, built new settlements in every sense: social, technological, aesthetic, spatial, at both the urban and regional levels.<hr/>O tema deste trabalho é a estruturação da experiência cultural empreendida pela Ordem Jesuíta na região de Moxos, nos séculos XVII e XVIII, nas planícies e bosques amazônicos da Audiência de Charcas, atual Bolívia. Desejamos mostrar que essa experiência de ocupação do território se definiu a partir da combinação de dois critérios de organização do espaço: um critério simbólico, que estabeleceu uma série de referências arquitetônicas distribuídas em um marco urbano próprio do barroco, e um critério produtivo, que estendeu e converteu as reduções em grandes estabelecimentos industriais e agropecuários. Como conseqüência dessa perspectiva dual, os jesuítas, junto aos indígenas, construíram povoados novos em todos os sentidos: social, tecnológico, estético, espacial, tanto a nível urbano como regional. <![CDATA[<b>The Well Dying's art in Rio de Janeiro</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100012&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo analisa alguns aspectos evidenciadores do controle eclesiástico sobre morte e o morrer, no Rio de Janeiro do Setecentos. Partindo da constatação da existência de um certo padrão das atitudes e sensibilidades católicas diante da morte, na sociedade brasileira, do período colonial até meados do século XIX, procura demonstrar que este padrão resultou de um longo processo de clericalização da morte, que remonta ao período medieval. Detendo-se na análise da preparação dos fiéis para a morte, propõe que esta evidencia o cumprimento de algumas das determinações eclesiásticas sobre o morrer por parte de um percentual considerável dos habitantes do Rio de Janeiro, no século XVIII. Ao longo do artigo, busca-se justificar que este cumprimento expressava o medo dos fiéis das punições que, segundo a Igreja, teriam no além-túmulo, caso não seguissem os ensinamentos eclesiásticos sobre o bem morrer, profundamente marcados pela chamada pedagogia do medo.<hr/>This article analyzes some clear aspects of the ecclesiastical control about death and dying in Rio de Janeiro of the Seven Hundred. Starting from the verification of the existence of a certain standard of the catholic attitudes and sensibilities facing death, in the Brazilian society of the colonial period to middle part of the nineteenth century, it tries to demonstrate that this standard resulted from a long process of the clerical principles of death that dates back to the medieval period. Dwelling on details in the analysis of the preparation of the faithful and devoted ones for the death, it considers that this evidences the fulfillment of some of theecclesiastical determinations about dying on the part of a considerable percentage of the inhabitants of Rio de Janeiro on the eighteenth century. Throughout the article, it is tried to be justified that this fulfillment expressed the fear of the faithful ones about the punishment that, according to Church there might be in the beyond-grave in case they did not follow the ecclesiastical teachings on the well dying, deeply marked by the so called education of the fear. <![CDATA[<b>‘Minas Gerais' medicine and wild fauna in the XVIII century</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100013&lng=en&nrm=iso&tlng=en O presente artigo delineia reflexão acerca da obra Erário Mineral de Luís Gomes Ferreira - cirurgião português que atuou em Minas Gerais durante vinte anos na primeira metade do século XVIII. A referida obra sintetiza sua preocupação em adequar os conhecimentos à nova realidade (clima, doenças e recursos disponíveis). A partir do levantamento dos animais pertencentes à "fauna silvestre mineira" empregados em seu receituário, busca-se compreender o sentido histórico do recurso a elementos da natureza na cura das enfermidades, bem como as conseqüências da ação antrópica sobre o meio ambiente ao longo do processo civilizador nesta capitania.<hr/>The present article deliniate a reflection concerning Luís Gomes Ferreira's book, Erário Mineral. Luís Gomes Ferreira was a Portuguese surgeon that worked in Minas Gerais for twenty years in the first half of the century XVIII. Referred her work it synthesizes your concern in adapting the knowledge to the new reality (climate, diseases and available resources). Starting from the rising of the animals belonging to "the wild fauna of Minas Gerais" employed in your receituário, it is looked for to understand the sense report of the resource to elements of the nature in the cure of the illnesses, as well as the consequences of the human action on the environment along the civilization process in this captaincy. <![CDATA[<b>Facing Racial Revolution</b>: <b>eyewitness accounts of the Haitian Insurrection</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100014&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo desse artigo é analisar as reações dos brancos que testemunharam pessoalmente a Revolução do Haiti, de 1791 a 1804, e escreveram acerca de suas experiências. Este é um pequeno e geralmente negligenciado capítulo dessa história. Estas testemunhas da Revolução do Haiti foram os primeiros homens brancos que viveram segundo uma verdadeira revolução racial, na qual pessoas que anteriormente eram definidas, pelo mundo europeu, como inferiores, obtiveram êxito em subverter a hierarquia racial. Embora suas memórias não tivessem sido muito lidas, em sua época, os brancos que estavam presentes nesse evento nos oferecem uma visão única do impacto de se viver segundo este tipo de inversão das relações raciais de poder. Os relatos acerca da Revolução do Haiti também demonstram quão profundamente incômoda se tornou a literatura memorialista para a noção de identidade branca da Europa.<hr/>My purpose in this article is to examine just one small and neglected chapter of it, namely, the reactions of whites who personally witnessed the Haitian Revolution of 1791 to 1804 and then wrote about their experiences. The witnesses of the Haitian Revolution were the first whites to live through a true racial revolution, one in which people who the European world had defined as inferior succeeded in overturning the racial hierarchy. Although their memoirs were not widely read at the time, the whites who had been at this extraordinary event give us a unique window into the impact of living through this kind of inversion of racial power relations. These witness accounts from the Haitian Revolution thus demonstrated the deeply troubling implications of personal memoir literature for white Europeans' sense of self. <![CDATA[<b>Practices and disputes about the scientific-cultural</b>: <b>heritage Bertha Lutz's and the Brazilian Inspection Council on Artistic and Scientific Expeditions</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100015&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo é fruto de uma ampla pesquisa que analisou a participação feminina em atividades científicas no início do século XX, no Brasil, baseando-se principalmente na análise da atuação da naturalista Bertha Lutz (1894-1976) como representante do Museu Nacional do Rio de Janeiro no Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas no Brasil, entre 1939 e 1951. Bertha envolveu-se em discussões importantes sobre o desenvolvimento das ciências e a preservação do meio ambiente brasileiro, e contribuiu com a definição de políticas científicas nacionais, consolidando uma participação importante em um grupo formado principalmente por cientistas e intelectuais que, entre as décadas de 1930 e 1940, mobilizavam- se contra a degradação do meio ambiente e a favor da viabilização de recursos para a realização de pesquisas científicas no país.<hr/>This article is based on an extensive research that examined women's participation in scientific activities at the beginning of 20th century, in Brazil, and it focus mainly on the analysis of the naturalist Bertha Lutz's performance as representative of the National Museum of Rio de Janeiro in the "Brazilian Inspection Council on Artistic and Scientific Expeditions", between 1939 and 1951. Working at this Council, Bertha had been involved with important discussions about the development of sciences and about the protection of Brazilian's environment, and took part in the process of formulating national scientific policies, consolidating an important participation in a group constituted mainly for scientists and intellectuals which, between the decades of 1930 and 1940, mobilized themselves against environmental degradation and for the protection of resources for the accomplishment of scientific researches in Brazil. <![CDATA[<b>From granite to bronze</b>: <b>coal mining identity signs in Santa Catarina's cities </b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752008000100016&lng=en&nrm=iso&tlng=en Neste artigo são analisados dois monumentos públicos de cidades do Sul do estado de Santa Catarina para, a partir deles, compreender o envolvimento de tais cidades com os ideais de progresso que, fruto do bom desempenho da indústria carbonífera, contagiou a região em meados do século passado. Monumentos públicos são erguidos para fazer lembrar, destacar na polifonia do espaço urbano determinados valores à coletividade. Referências a momentos passados ou presentes, são eles "lugares de memória" e, como tal, servem como estratégia no forjar de identidades. Para o historiador o monumento público é igualmente um documento, evidência que permite adentrar e desvendar contextos pretéritos.<hr/>In this article two public monuments located at southern cities of Santa Catarina State are analyzed to understand how these cities were engaged with the progress ideals spread in this region as a result of the good performance of the coal industry in the final period of the last century. Public monuments are built to remember certain values to the collectivity and point out them from the polyphony of the urban spaces. References to past and present moments are "places in memory", and in spite of this are used as strategies to forge the identities. For historians, the public monument is equally a document, evidence that consent one to enter and reveal past contexts.