Scielo RSS <![CDATA[Mana]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0104-931320140003&lang=es vol. 20 num. 3 lang. es <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Um emaranhado de casos: tráfico de drogas, estado e precariedade em moradias populares]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300431&lng=es&nrm=iso&tlng=es O antigo centro da cidade do Rio de Janeiro atualmente é alvo de uma política de reurbanização que visa minimizar ou mesmo eliminar dessa região as formas de trabalho, de comércio e de moradia populares que lhe garantiram até hoje uma grande vitalidade. A descrição etnográfica do processo de desmantelamento da vida social em curso nessa região enfocou primordialmente as dificuldades dos moradores para uma ocupação autogestionária, ali existente desde o início dos anos 2000. Analisamos esse processo através das formas de governabilidade postas em prática, que incluíram como um ator relevante o grupo do tráfico de drogas dominante na região. As conse quências produzidas por esse megaprojeto, dirigido por um consórcio de empreiteiras e por atores públicos e privados associados ao governo do estado, tem como fio condutor o trabalho etnográfico efetuado na Ocupação Nelson Mandela.<hr/>The old city centre of Rio de Janeiro is undergoing a reurbanization policy that aims to attenuate, or even eliminate, the popular character of its housing, commerce and employment, all of which confered upon this region great vitality. The present ethnographic description of this process of dismantling social life in the region focuses mainly on the hardships of the residents of a self-governing occupation, which has existed since the start of the 2000's. We analyse this process through the forms of governamentality put in practice, which requires that we include the group of dominant drug trade in the region as a relevant actor. The consequences produced by this mega enterprise, directed by a group of big contractors and by the government of Rio de Janeiro State, will be analysed through the ethnography of the "Nelson Mandela" Occupation. <![CDATA[Um causo, um povo, uma televisão: formas análogas]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300461&lng=es&nrm=iso&tlng=es Com foco na circulação de prosa do povo dos Buracos, ao norte de Minas Gerais, exploro a articulação entre os termos "povo" e "causo", com ênfase no último. Os causos - dizem os buraqueiros - ensinam sobre o povo. Com o intuito de tratar ambos os termos como conceitos nativos, questiono: Que espécie de conhecimento é conceituado pelo causo? Que forma de pensamento ele efetua sobre aquele povo? O que é um causo, afinal? Não se trata de buscar delimitações para esta forma narrativa, pois ela pode consistir tanto em frases curtas quanto em preleções de horas. Investigo, antes, as suas práticas criativas, isto é, as conversas triviais e as configurações relacionais contingentes das quais o causo surge. Descrevo como o narrador, ao contar sobre o povo, cria, qualifica, aproxima ou distancia as relações entre ele, os narrados e os ouvintes, atuando em um constante movimento de transformação do arranjo em que se constitui o povo. Por fim, analiso "o causo da televisão de dona Bibi" à luz das reflexões ora mencionadas.<hr/>In this article, I explore articulations formed through the terms povo (a people) and causo (a yarn or story), with an emphasis on the latter, by looking at the exchange of prosa (conversations) among the Buracos' people - the Buraqueiros - in the North of Minas Gerais, Southeastern Brazil. The Buraqueiros say that yarns teach us about the people. And in order to treat both these terms as native concepts, the article asks: What type of knowledge does the yarn conceptualise? What type of logic does it generate among these people? What is a yarn, in the end? The aim is not to seek circumscriptions for this narrative form, for it appears both as short remarks and lengthy lectures. Instead, I investigate its creative practices, the trivial conversations and relational configuration from which the yarn emerges. I shall describe how, when he tells of a people, the narrator creates, qualifies and intensifies or diverges relations between himself, protagonists and listeners, acting in a constant movement that transforms the arrangements through which a people are constituted. I conclude by using these reflections to analyse "Dona Bibi's yarn about the television". <![CDATA[Sobre as crianças-planta: o cuidar e o seduzir no parentesco Jarawara]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300491&lng=es&nrm=iso&tlng=es As almas das plantas cultivadas pelos Jarawara saem de seus corpos quando pequenas e são criadas em aldeias no nemê, "camada superior", mas seriam filhas das pessoas que as cultivaram. O artigo propõe pensar o parentesco jarawara a partir das relações entre humanos e plantas em diálogo com as ideias de "pais de criação" e casamento. O fio condutor é o conceito namosá, uma forma de embelezar, consertar, transformar, rejuvenescer as relações e o cotidiano, ou uma estética do viver que se entrelaça com cuidado e sedução.<hr/>The souls of plants cultivated by the Jarawara come out of the bodies when they are young. They are nurtured in villages at the nemê, the upper layer, although they are the children of those who cultivate them. The article reflects on Jarawara kinship through the relations between humans and plants, in dialogue with the ideas of "nurturing parents" and marriage. Throughout the article, I focus on the concept of the namosá, a way to embellish, repair, transform and renew relations and everyday life, or an aesthetic of living that blends with care and seduction. <![CDATA[De gota em gota: violência, tempo e troca em Urabá, Colômbia]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300519&lng=es&nrm=iso&tlng=es Comparo, neste texto, a modalidade de empréstimo de dinheiro imposta pelos "gota a gota" com a minha experiência como voluntária no Banco de la Esperanza, em Urabá, considerada uma das regiões mais violentas da Colômbia durante, pelo menos, quatro décadas. Mediante este contraste, passo a analisar a relação entre o que denomino "presente permanente" e determinados aspectos da troca, a saber: "o costume de ficar devendo", "a necessidade de pedir emprestado", e o imperativo de que "tudo deve ser dado". No caso estudado, tais efeitos são aspectos primordiais da vida coletiva e da reprodução social. Busco, em particular, explorar a relação entre violência e "economia", vínculo que costuma ser relegado ao campo da ilegalidade.<hr/>In this paper, I compare the financial loan method of the "drop by drop" system with my experience as a volunteer at the Banco de la Esperanza in Urabá, a region that has been, for at least four decades, considered one of the most violent regions of Colombia. Through this comparison, I proceed to analyze the relationship between what I call the idea of "permanent present" and certain aspects of the exchange, namely: "the habit of owing people money", "the need to borrow money" and the imperative that "everything must be given for free". In my case study, these effects represent fundamental aspects of community life and social reproduction. My specific aim is to explore the relationship between violence and economics, which is usually relegated to the realm of illegality. <![CDATA[O giro dos outros: fundamentos e sistemas nas folias de Urucuia, Minas Gerais]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300545&lng=es&nrm=iso&tlng=es Em Urucuia, norte de Minas Gerais, os conceitos locais de fundamento e sistema evocam, respectivamente, as semelhanças e as diferenças entre as festas de folia realizadas em um grande circuito festivo. Descrevendo a circulação de devotos por diversas festas, procuro neste artigo analisar os usos narrativos e festivos destas noções para destacar o modo como elas estão relacionadas a processos específicos de produção e contestação de uma experiência sagrada calcada nas ideias de unidade e totalidade. Ao proporem que as festas sejam simultaneamente uma e várias, que sejam permanentes e mutantes, que sirvam às comunidades e aos interesses individuais, os devotos põem em jogo demarcadores rituais capazes de produzir contextualmente a confirmação do poder totalizador e atemporal das folias ao mesmo tempo em que abrem espaço para a sua dissolução.<hr/>In Urucuia (Northern Minas Gerais), the local concepts of "fundamento" and "sistema" refer, respectively, to the similarities and differences between the feasts held in a festive circuit. Starting from a description of the movement of devotees from feast to feast, I analyze the narrative and festive uses of these notions in order to highlight how they relate to processes of production and to the contestation of sacred experience grounded on notions of unity and wholeness. According to devotees, the various feasts are at the same time one and several, enduring and changing, serving community and individual interests. They use ritual markers aiming both to confirm the "folias" atemporal totalizing power and to allow its possible dissolution. <![CDATA[Enfrentando poetas, perseguindo peixes: sobre etnografias e engajamentos]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300575&lng=es&nrm=iso&tlng=es Neste artigo, propomos uma reflexão acerca da etnografia, tendo como foco a aprendizagem e o engajamento do pesquisador nas práticas que pesquisa. Partindo das discussões sobre este tema na etnomusicologia e na antropologia da técnica, traçamos um diálogo entre as pesquisas de campo dos autores sobre repentistas na região Nordeste e pescadores na Amazônia. A partir de então são pensadas as implicações da inserção do antropólogo na atividade etnografada, vista não como um fim em si mesmo, mas como estratégia privilegiada para acessar conhecimentos e valores tácitos e irrefletidos, perceber as hierarquias entre diversos tipos de relações envolvidas no desempenho de uma atividade e analisar suas formas peculiares de aprendizagem. A comparação entre as etnografias da cantoria e da pesca não é trazida aqui para defender o privilégio epistemológico generalizado da prática, do corpo ou da experiência, em detrimento das estruturas, do discurso ou do pensamento. A própria comparação entre os engajamentos numa atividade eminentemente verbal e noutras que envolvem sobretudo habilidades perceptivo-motoras já nos distancia deste recorte. O engajamento é tomado aqui não como afirmação de princípio, mas como uma postura etnográfica maleável, capaz de favorecer a adequação entre as questões antropológicas e os regimes de abordagem empírica em situações particulares.<hr/>This article proposes a reflection on "ethnography", focusing on the researcher's learning of and engagement with research practices. Starting from discussions of this theme in ethnomusicology and in the anthropology of techniques, we trace a dialogue across the research fields of the authors among repentistas in the Brazilian Northeast and fishermen in Amazonia. Through this dialogue, we reflect on the implications of the anthropologist's insertion in ethnographic activity, which is not seen to be an end in itself, but a privileged means for accessing knowledge and tacit values, perceiving hierarchies among the diverse types of relations involved in the execution of an activity and analyzing peculiar forms of learning. The comparison between ethnographies of singing and fishing is not intended to affirm the epistemological privilege of practice, the body or experience over structures, discourse or thought. The very nature of the comparison, rooted in the engagements of an activity that is eminently verbal and another that mostly involves perceptive and motor abilities, distances our aim from this approach. Engagement is here understood not as a general principle, but as a malleable ethnographic posture, capable of adequately favouring the accomodation of anthropological questions and empirical regimes in specific situations. <![CDATA[Lidando com a originalidade]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300603&lng=es&nrm=iso&tlng=es Neste artigo, propomos uma reflexão acerca da etnografia, tendo como foco a aprendizagem e o engajamento do pesquisador nas práticas que pesquisa. Partindo das discussões sobre este tema na etnomusicologia e na antropologia da técnica, traçamos um diálogo entre as pesquisas de campo dos autores sobre repentistas na região Nordeste e pescadores na Amazônia. A partir de então são pensadas as implicações da inserção do antropólogo na atividade etnografada, vista não como um fim em si mesmo, mas como estratégia privilegiada para acessar conhecimentos e valores tácitos e irrefletidos, perceber as hierarquias entre diversos tipos de relações envolvidas no desempenho de uma atividade e analisar suas formas peculiares de aprendizagem. A comparação entre as etnografias da cantoria e da pesca não é trazida aqui para defender o privilégio epistemológico generalizado da prática, do corpo ou da experiência, em detrimento das estruturas, do discurso ou do pensamento. A própria comparação entre os engajamentos numa atividade eminentemente verbal e noutras que envolvem sobretudo habilidades perceptivo-motoras já nos distancia deste recorte. O engajamento é tomado aqui não como afirmação de princípio, mas como uma postura etnográfica maleável, capaz de favorecer a adequação entre as questões antropológicas e os regimes de abordagem empírica em situações particulares.<hr/>This article proposes a reflection on "ethnography", focusing on the researcher's learning of and engagement with research practices. Starting from discussions of this theme in ethnomusicology and in the anthropology of techniques, we trace a dialogue across the research fields of the authors among repentistas in the Brazilian Northeast and fishermen in Amazonia. Through this dialogue, we reflect on the implications of the anthropologist's insertion in ethnographic activity, which is not seen to be an end in itself, but a privileged means for accessing knowledge and tacit values, perceiving hierarchies among the diverse types of relations involved in the execution of an activity and analyzing peculiar forms of learning. The comparison between ethnographies of singing and fishing is not intended to affirm the epistemological privilege of practice, the body or experience over structures, discourse or thought. The very nature of the comparison, rooted in the engagements of an activity that is eminently verbal and another that mostly involves perceptive and motor abilities, distances our aim from this approach. Engagement is here understood not as a general principle, but as a malleable ethnographic posture, capable of adequately favouring the accomodation of anthropological questions and empirical regimes in specific situations. <![CDATA[HITA, Maria Gabriela. 2014. A casa das mu lheres n'outro terreiro: famílias matriarcais em Salvador-Ba. Salvador: Edufba. 513pp.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300621&lng=es&nrm=iso&tlng=es Neste artigo, propomos uma reflexão acerca da etnografia, tendo como foco a aprendizagem e o engajamento do pesquisador nas práticas que pesquisa. Partindo das discussões sobre este tema na etnomusicologia e na antropologia da técnica, traçamos um diálogo entre as pesquisas de campo dos autores sobre repentistas na região Nordeste e pescadores na Amazônia. A partir de então são pensadas as implicações da inserção do antropólogo na atividade etnografada, vista não como um fim em si mesmo, mas como estratégia privilegiada para acessar conhecimentos e valores tácitos e irrefletidos, perceber as hierarquias entre diversos tipos de relações envolvidas no desempenho de uma atividade e analisar suas formas peculiares de aprendizagem. A comparação entre as etnografias da cantoria e da pesca não é trazida aqui para defender o privilégio epistemológico generalizado da prática, do corpo ou da experiência, em detrimento das estruturas, do discurso ou do pensamento. A própria comparação entre os engajamentos numa atividade eminentemente verbal e noutras que envolvem sobretudo habilidades perceptivo-motoras já nos distancia deste recorte. O engajamento é tomado aqui não como afirmação de princípio, mas como uma postura etnográfica maleável, capaz de favorecer a adequação entre as questões antropológicas e os regimes de abordagem empírica em situações particulares.<hr/>This article proposes a reflection on "ethnography", focusing on the researcher's learning of and engagement with research practices. Starting from discussions of this theme in ethnomusicology and in the anthropology of techniques, we trace a dialogue across the research fields of the authors among repentistas in the Brazilian Northeast and fishermen in Amazonia. Through this dialogue, we reflect on the implications of the anthropologist's insertion in ethnographic activity, which is not seen to be an end in itself, but a privileged means for accessing knowledge and tacit values, perceiving hierarchies among the diverse types of relations involved in the execution of an activity and analyzing peculiar forms of learning. The comparison between ethnographies of singing and fishing is not intended to affirm the epistemological privilege of practice, the body or experience over structures, discourse or thought. The very nature of the comparison, rooted in the engagements of an activity that is eminently verbal and another that mostly involves perceptive and motor abilities, distances our aim from this approach. Engagement is here understood not as a general principle, but as a malleable ethnographic posture, capable of adequately favouring the accomodation of anthropological questions and empirical regimes in specific situations. <![CDATA[HULL, Matthew. 2012. Government of paper: the materiality of bureaucracy in urban Pakistan. Berkeley: University of California Press. 301 pp.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300624&lng=es&nrm=iso&tlng=es Neste artigo, propomos uma reflexão acerca da etnografia, tendo como foco a aprendizagem e o engajamento do pesquisador nas práticas que pesquisa. Partindo das discussões sobre este tema na etnomusicologia e na antropologia da técnica, traçamos um diálogo entre as pesquisas de campo dos autores sobre repentistas na região Nordeste e pescadores na Amazônia. A partir de então são pensadas as implicações da inserção do antropólogo na atividade etnografada, vista não como um fim em si mesmo, mas como estratégia privilegiada para acessar conhecimentos e valores tácitos e irrefletidos, perceber as hierarquias entre diversos tipos de relações envolvidas no desempenho de uma atividade e analisar suas formas peculiares de aprendizagem. A comparação entre as etnografias da cantoria e da pesca não é trazida aqui para defender o privilégio epistemológico generalizado da prática, do corpo ou da experiência, em detrimento das estruturas, do discurso ou do pensamento. A própria comparação entre os engajamentos numa atividade eminentemente verbal e noutras que envolvem sobretudo habilidades perceptivo-motoras já nos distancia deste recorte. O engajamento é tomado aqui não como afirmação de princípio, mas como uma postura etnográfica maleável, capaz de favorecer a adequação entre as questões antropológicas e os regimes de abordagem empírica em situações particulares.<hr/>This article proposes a reflection on "ethnography", focusing on the researcher's learning of and engagement with research practices. Starting from discussions of this theme in ethnomusicology and in the anthropology of techniques, we trace a dialogue across the research fields of the authors among repentistas in the Brazilian Northeast and fishermen in Amazonia. Through this dialogue, we reflect on the implications of the anthropologist's insertion in ethnographic activity, which is not seen to be an end in itself, but a privileged means for accessing knowledge and tacit values, perceiving hierarchies among the diverse types of relations involved in the execution of an activity and analyzing peculiar forms of learning. The comparison between ethnographies of singing and fishing is not intended to affirm the epistemological privilege of practice, the body or experience over structures, discourse or thought. The very nature of the comparison, rooted in the engagements of an activity that is eminently verbal and another that mostly involves perceptive and motor abilities, distances our aim from this approach. Engagement is here understood not as a general principle, but as a malleable ethnographic posture, capable of adequately favouring the accomodation of anthropological questions and empirical regimes in specific situations. <![CDATA[LOPES, Rhuan Carlos dos Santos. 2014. "O melhor sítio da Terra". Colégio e Igreja dos jesuítas e a paisagem da Belém do Grão-Pará. Belém: Editora Açaí. 153 pp.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300627&lng=es&nrm=iso&tlng=es Neste artigo, propomos uma reflexão acerca da etnografia, tendo como foco a aprendizagem e o engajamento do pesquisador nas práticas que pesquisa. Partindo das discussões sobre este tema na etnomusicologia e na antropologia da técnica, traçamos um diálogo entre as pesquisas de campo dos autores sobre repentistas na região Nordeste e pescadores na Amazônia. A partir de então são pensadas as implicações da inserção do antropólogo na atividade etnografada, vista não como um fim em si mesmo, mas como estratégia privilegiada para acessar conhecimentos e valores tácitos e irrefletidos, perceber as hierarquias entre diversos tipos de relações envolvidas no desempenho de uma atividade e analisar suas formas peculiares de aprendizagem. A comparação entre as etnografias da cantoria e da pesca não é trazida aqui para defender o privilégio epistemológico generalizado da prática, do corpo ou da experiência, em detrimento das estruturas, do discurso ou do pensamento. A própria comparação entre os engajamentos numa atividade eminentemente verbal e noutras que envolvem sobretudo habilidades perceptivo-motoras já nos distancia deste recorte. O engajamento é tomado aqui não como afirmação de princípio, mas como uma postura etnográfica maleável, capaz de favorecer a adequação entre as questões antropológicas e os regimes de abordagem empírica em situações particulares.<hr/>This article proposes a reflection on "ethnography", focusing on the researcher's learning of and engagement with research practices. Starting from discussions of this theme in ethnomusicology and in the anthropology of techniques, we trace a dialogue across the research fields of the authors among repentistas in the Brazilian Northeast and fishermen in Amazonia. Through this dialogue, we reflect on the implications of the anthropologist's insertion in ethnographic activity, which is not seen to be an end in itself, but a privileged means for accessing knowledge and tacit values, perceiving hierarchies among the diverse types of relations involved in the execution of an activity and analyzing peculiar forms of learning. The comparison between ethnographies of singing and fishing is not intended to affirm the epistemological privilege of practice, the body or experience over structures, discourse or thought. The very nature of the comparison, rooted in the engagements of an activity that is eminently verbal and another that mostly involves perceptive and motor abilities, distances our aim from this approach. Engagement is here understood not as a general principle, but as a malleable ethnographic posture, capable of adequately favouring the accomodation of anthropological questions and empirical regimes in specific situations. <![CDATA[PITARCH, Pedro. 2013. O lado oculto da dobra. Ensaios de antropologia indígena. México, DF: Artes de México y Del Mundo/Conaculta. 231 pp.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300628&lng=es&nrm=iso&tlng=es Neste artigo, propomos uma reflexão acerca da etnografia, tendo como foco a aprendizagem e o engajamento do pesquisador nas práticas que pesquisa. Partindo das discussões sobre este tema na etnomusicologia e na antropologia da técnica, traçamos um diálogo entre as pesquisas de campo dos autores sobre repentistas na região Nordeste e pescadores na Amazônia. A partir de então são pensadas as implicações da inserção do antropólogo na atividade etnografada, vista não como um fim em si mesmo, mas como estratégia privilegiada para acessar conhecimentos e valores tácitos e irrefletidos, perceber as hierarquias entre diversos tipos de relações envolvidas no desempenho de uma atividade e analisar suas formas peculiares de aprendizagem. A comparação entre as etnografias da cantoria e da pesca não é trazida aqui para defender o privilégio epistemológico generalizado da prática, do corpo ou da experiência, em detrimento das estruturas, do discurso ou do pensamento. A própria comparação entre os engajamentos numa atividade eminentemente verbal e noutras que envolvem sobretudo habilidades perceptivo-motoras já nos distancia deste recorte. O engajamento é tomado aqui não como afirmação de princípio, mas como uma postura etnográfica maleável, capaz de favorecer a adequação entre as questões antropológicas e os regimes de abordagem empírica em situações particulares.<hr/>This article proposes a reflection on "ethnography", focusing on the researcher's learning of and engagement with research practices. Starting from discussions of this theme in ethnomusicology and in the anthropology of techniques, we trace a dialogue across the research fields of the authors among repentistas in the Brazilian Northeast and fishermen in Amazonia. Through this dialogue, we reflect on the implications of the anthropologist's insertion in ethnographic activity, which is not seen to be an end in itself, but a privileged means for accessing knowledge and tacit values, perceiving hierarchies among the diverse types of relations involved in the execution of an activity and analyzing peculiar forms of learning. The comparison between ethnographies of singing and fishing is not intended to affirm the epistemological privilege of practice, the body or experience over structures, discourse or thought. The very nature of the comparison, rooted in the engagements of an activity that is eminently verbal and another that mostly involves perceptive and motor abilities, distances our aim from this approach. Engagement is here understood not as a general principle, but as a malleable ethnographic posture, capable of adequately favouring the accomodation of anthropological questions and empirical regimes in specific situations. <![CDATA[RENOLDI, Brígida. 2013. Carne de Carátula. Experiências etnográficas de pesquisa, julgamento e narcotráfico. La Plata: Edições Al Margen. 327 pp.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300631&lng=es&nrm=iso&tlng=es Neste artigo, propomos uma reflexão acerca da etnografia, tendo como foco a aprendizagem e o engajamento do pesquisador nas práticas que pesquisa. Partindo das discussões sobre este tema na etnomusicologia e na antropologia da técnica, traçamos um diálogo entre as pesquisas de campo dos autores sobre repentistas na região Nordeste e pescadores na Amazônia. A partir de então são pensadas as implicações da inserção do antropólogo na atividade etnografada, vista não como um fim em si mesmo, mas como estratégia privilegiada para acessar conhecimentos e valores tácitos e irrefletidos, perceber as hierarquias entre diversos tipos de relações envolvidas no desempenho de uma atividade e analisar suas formas peculiares de aprendizagem. A comparação entre as etnografias da cantoria e da pesca não é trazida aqui para defender o privilégio epistemológico generalizado da prática, do corpo ou da experiência, em detrimento das estruturas, do discurso ou do pensamento. A própria comparação entre os engajamentos numa atividade eminentemente verbal e noutras que envolvem sobretudo habilidades perceptivo-motoras já nos distancia deste recorte. O engajamento é tomado aqui não como afirmação de princípio, mas como uma postura etnográfica maleável, capaz de favorecer a adequação entre as questões antropológicas e os regimes de abordagem empírica em situações particulares.<hr/>This article proposes a reflection on "ethnography", focusing on the researcher's learning of and engagement with research practices. Starting from discussions of this theme in ethnomusicology and in the anthropology of techniques, we trace a dialogue across the research fields of the authors among repentistas in the Brazilian Northeast and fishermen in Amazonia. Through this dialogue, we reflect on the implications of the anthropologist's insertion in ethnographic activity, which is not seen to be an end in itself, but a privileged means for accessing knowledge and tacit values, perceiving hierarchies among the diverse types of relations involved in the execution of an activity and analyzing peculiar forms of learning. The comparison between ethnographies of singing and fishing is not intended to affirm the epistemological privilege of practice, the body or experience over structures, discourse or thought. The very nature of the comparison, rooted in the engagements of an activity that is eminently verbal and another that mostly involves perceptive and motor abilities, distances our aim from this approach. Engagement is here understood not as a general principle, but as a malleable ethnographic posture, capable of adequately favouring the accomodation of anthropological questions and empirical regimes in specific situations. <![CDATA[RUBIO, François Correa; CHAUMEIL, Jean-Pierre & CAMACHO, Roberto Pineda (eds.). 2013. El aliento de la memoria: antropología e historia en la Amazonia Andina . Lima/ Bogotá/ Paris: Institut Français d'Études Andines/ Universidad Nacional de Colombia/ Facultad de Ciencias Sociales/ Centre National de la Recherche Scientifique. 518 pp.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132014000300634&lng=es&nrm=iso&tlng=es Neste artigo, propomos uma reflexão acerca da etnografia, tendo como foco a aprendizagem e o engajamento do pesquisador nas práticas que pesquisa. Partindo das discussões sobre este tema na etnomusicologia e na antropologia da técnica, traçamos um diálogo entre as pesquisas de campo dos autores sobre repentistas na região Nordeste e pescadores na Amazônia. A partir de então são pensadas as implicações da inserção do antropólogo na atividade etnografada, vista não como um fim em si mesmo, mas como estratégia privilegiada para acessar conhecimentos e valores tácitos e irrefletidos, perceber as hierarquias entre diversos tipos de relações envolvidas no desempenho de uma atividade e analisar suas formas peculiares de aprendizagem. A comparação entre as etnografias da cantoria e da pesca não é trazida aqui para defender o privilégio epistemológico generalizado da prática, do corpo ou da experiência, em detrimento das estruturas, do discurso ou do pensamento. A própria comparação entre os engajamentos numa atividade eminentemente verbal e noutras que envolvem sobretudo habilidades perceptivo-motoras já nos distancia deste recorte. O engajamento é tomado aqui não como afirmação de princípio, mas como uma postura etnográfica maleável, capaz de favorecer a adequação entre as questões antropológicas e os regimes de abordagem empírica em situações particulares.<hr/>This article proposes a reflection on "ethnography", focusing on the researcher's learning of and engagement with research practices. Starting from discussions of this theme in ethnomusicology and in the anthropology of techniques, we trace a dialogue across the research fields of the authors among repentistas in the Brazilian Northeast and fishermen in Amazonia. Through this dialogue, we reflect on the implications of the anthropologist's insertion in ethnographic activity, which is not seen to be an end in itself, but a privileged means for accessing knowledge and tacit values, perceiving hierarchies among the diverse types of relations involved in the execution of an activity and analyzing peculiar forms of learning. The comparison between ethnographies of singing and fishing is not intended to affirm the epistemological privilege of practice, the body or experience over structures, discourse or thought. The very nature of the comparison, rooted in the engagements of an activity that is eminently verbal and another that mostly involves perceptive and motor abilities, distances our aim from this approach. Engagement is here understood not as a general principle, but as a malleable ethnographic posture, capable of adequately favouring the accomodation of anthropological questions and empirical regimes in specific situations.