Scielo RSS <![CDATA[Mana]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0104-931320190002&lang=pt vol. 25 num. 2 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Entre a moral e a política: a “habitação econômica” no Rio de Janeiro]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200303&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Diante da falta de moradias higiênicas e estéticas para hospedar as classes populares no Rio de Janeiro, as elites, no final do século XIX, imaginaram a solução da “habitação econômica”: um padrão de casa barata, individual e isolada no meio do lote. Com base nas ações e nos discursos daqueles preocupados com a questão da habitação popular, proponho uma “genealogia” desta categoria. A minha hipótese é que a “habitação econômica” fica na confluência de duas “estratégias políticas”, que também articulam dois significados diferentes, embora complementares, da economia: uma, que visa racionalizar a produção de moradia, submetida a um princípio de otimização, e outra, dedicada a moralizar o proletariado, modelando seus comportamentos de acordo com os ideais cristãos das elites, ou seja, a genealogia da “habitação econômica” obriga a pensar igualmente a centralidade da economia na elaboração das “tecnologias políticas” modernas e a economia enquanto “grandeza moral”, modalidade de ordenamento moral do mundo.<hr/>Resumen Frente a la ausencia de viviendas higiénicas y estéticas para las clases populares, a finales del siglo XIX las elites de Rio de Janeiro imaginaron una solución de “vivienda económica”: un tipo de casa barata, individual y aislada en un lote. Tomando como base las acciones y los discursos de los agentes preocupados con la cuestión, en este artículo propongo una “genealogía” de la categoría “vivienda popular”. Mi hipótesis es que ésta se sitúa en la confluencia entre dos “estrategias políticas”, que también articulan dos significados diferentes y complementarios de la economía: una, que busca racionalizar la producción de vivienda, sometida a un principio de optimización y, otra, orientada a moralizar al proletariado, modelando sus comportamientos de acuerdo con los ideales cristianos de las elites. O sea, la genealogía de la “vivienda económica” obliga a pensar la centralidad de la economía en la elaboración de las “tecnologías políticas” modernas y la economía en cuanto “grandeza moral”, modalidad de ordenamiento moral del mundo.<hr/>Abstract In the late 19th century, Brazilian elites opted for “economical house” as a solution to the lack of affordable and hygienic houses. “Economical houses” were individual buildings, isolated in the middle of a plot of land and, presumably, affordable for any working-class family. Based on the actions and speeches of those concerned with social housing at that time, I provide a “genealogy” of this category. I argue that the origin of “economical housing” lies at the intersection of two political “strategies”, which also refer to two different but complementary meanings of the word “economy”: one aimed at rationalizing housing production by optimizing its techniques; another at modelling working-class behaviors according to the Christian beliefs of the elites. So the genealogy of economical housing demands that we think both of the centrality of the economy in the elaboration of modern “political technologies” and of the economy as an “order of worth”. <![CDATA[Reconhecimento estatal e identificação étnica: o caso da "Coordinación de Pueblos Originarios de Almirante Brown" da Região Metropolitana de Buenos Aires]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200337&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumen El presente trabajo tiene por objetivo problematizar los procesos de reconocimiento y participación estatal de las nuevas generaciones de dirigentes indígenas al interior de los gobiernos locales de la Región Metropolitana de Buenos Aires (RMBA). Para el caso aquí abordado, se retomará la experiencia de la “Coordinación de Pueblos Originarios de Almirante Brown”(2015 - 2018) a fin de ejemplificar un conjunto de formatos novedosos de negociación entre los pueblos indígenas y el Estado, así como de gestión administrativa y legal que la población indígena lleva adelante a la hora de disputarse mejores condiciones de vida, reclamos por el territorio e identidad en el ámbito urbano.<hr/>Resumo O presente trabalho objetiva problematizar os processos de reconhecimento e participação estatal das novas gerações de lideranças indígenas dentro dos governos locais da Região Metropolitana de Buenos Aires. Para o caso aqui abordado, será retomada a experiência da “Coordinación de Pueblos Originarios de Almirante Brown” (2015 - 2018), a fim de exemplificar um conjunto de formatos inovadores de negociação entre os povos indígenas e o Estado, além da gestão administrativa e legal que a população indígena realiza ao lutar por melhores condições de vida, reivindicações por território e identidade no meio urbano.<hr/>Abstract This article discusses processes of recognition and state participation of the new generations of indigenous leaders in the local governments of the Metropolitan Region of Buenos Aires. In the case here addressed, the experience of the "Coordinación de Pueblos Originarios de Almirante Brown" (2015 - 2018) will be investigated in order to exemplify a diversity of negotiation formats between indigenous peoples and the State, as well as the legal and administrative management that takes place in the indigenous population’s demands for better living conditions, territory and identity in urban contexts. <![CDATA[Figuras do constrangimento: As instituições de Estado e as políticas de acusação sexual]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200365&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O artigo explora como se arquiteta um discurso de acusação em torno da sexualidade feminina “irresponsável” no interior de instituições públicas. A discussão parte de etnografia realizada em creches públicas situadas num complexo de favelas da Zona Norte (RJ). Apresento as principais etapas de acesso às vagas na instituição, assim como as estratégias mobilizadas pelas famílias para conseguir uma vaga. Acompanho de que maneira algumas situações são conduzidas a partir de uma pedagogia do constrangimento, nas quais “esporros” públicos configuram um campo de tensão entre funcionárias e mulheres usuárias dos serviços. A relação entre mulheres é marcada pela ambivalência de uma ação administrativa que, ao mesmo tempo em que acolhe as demandas pelo cuidado das crianças, é feita de censuras e constrangimentos morais. Ao final, discuto a presença de um Estado feminino, uma ação que mescla qualidades de cuidado ao lado de expedientes de cobrança e responsabilização.<hr/>Abstract This article demonstrates how a discourse of accusation and accountability on "irresponsible" female sexuality is structured within public institutions. The discussion is based on an ethnography of public day-care in a favela complex in the Northern Zone of Rio de Janeiro. I present the main steps for obtaining access to vacancies in the nursery, and the strategies and battles waged by the families trying to get a place. I follow how some situations are driven by a "pedagogy of embarrassment", in which scenes of negative, public lambasting and moral lessons make up a field of tensions between employees and the women who use the service. The relation between women is marked by the ambivalence of administrative acts that, while tending to the needs of children, is shot through with censure and moral humiliation. In the end of the article, I analyse the presence of a "Female state", an action that mixes loving qualities commonly related to femininity with the practice of coercion and the admonition of bodies.<hr/>Resumen El presente artículo busca demostrar cómo se construye un discurso de acusación en torno a la sexualidad femenina "irresponsable" dentro de instituciones públicas. La discusión parte de una etnografía realizada en guarderías públicas localizadas en un complejo de favelas de la Zona Norte de la ciudad de Rio de Janeiro. Presento las principales etapas de acceso a las vacantes en la institución, las estrategias y las batallas movilizadas por las familias para conseguir una vacante. Acompaño de cual manera algunas situaciones son conducidas por una "pedagogía del constreñimiento", en las que escenas de "esporas" públicas configuran un campo de tensión entre funcionarias y mujeres usuarias de los servicios. La relación entre mujeres es marcada por la ambivalencia de una acción administrativa que, al mismo tiempo que acoge las demandas de cuidado de los niños, se hace a través de censuras y constreñimientos morales. Al final, analizo la presencia de un "Estado femenino", una acción que mezcla calidades de cuidado al lado de prácticas de cobranzas y responsabilización. <![CDATA[Política da consideração: ação e influência nas terras baixas da América do Sul]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200391&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Este artigo procura esboçar alguns elementos para a caracterização do que sugerimos chamar de uma “política da consideração” pertinente às formas de ação e organização dos coletivos indígenas nas terras baixas da América do Sul. Trata-se de analisar a relação entre duas ideias de inspiração stratherniana, mas muito presentes nas etnografias produzidas na região: a) toda ação significativa poderia ser explicada, compreendida ou justificada como envolvendo a separação entre uma pessoa que age e uma outra pessoa tomada como a causa da ação; e b) ser reconhecido como pessoa, ou ocupar o lugar de um agente moral, implica estar sob a consideração de uma outra pessoa. A partir destas duas ideias, procuramos ainda revisitar alguns temas já clássicos para a literatura etnológica sobre os povos amazônicos, a saber: a relação entre o poder e a coerção e o tema dos mestres-donos.<hr/>Resumen Este artículo busca esbozar algunos elementos para caracterizar lo que sugerimos llamar una “política de la consideración” pertinente a las formas de acción y organización de los colectivos indígenas en las tierras bajas de América del Sur. Se trata de analizar la relación entre dos ideas de inspiración stratherniana pero muy presentes en las etnografías producidas en la región: a) toda acción significativa podría ser explicada, comprendida o justificada como envolviendo la separación entre una persona que actúa, y otra persona tomada como la causa de la acción; y b) ser reconocido como persona, u ocupar el lugar de un agente moral, implica estar bajo la consideración de otra persona. A partir de esas dos ideas, revisamos algunos temas ya clásicos para la literatura etnológica sobre los pueblos amazónicos, a saber: la relación entre el poder y la coerción y el tema de los maestros-dueños.<hr/>Abstract This article sketches some elements of what we suggest to call a “politics of regard” pertinent to the forms of action and organization of indigenous collectives in the lowlands of South America. The purpose is to analyze the relation between two Strathernian ideas with applicability in the region: a) any meaningful action could be explained, understood or justified as involving the separation between a person who acts and another person taken as the cause of action; and b) being recognized as a person, or occupying the place of a moral agent, implies being under the regard of another person. Considering these two ideas, we also revisit some classic themes of the ethnological literature, namely: the relation between power and coercion, and the theme of the masters-owners. <![CDATA[Literatura ou antropologia criminal? O cangaço em <em>Pedra Bonita</em> e <em>Cangaceiros</em>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200427&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Este artigo investiga as interpretações sociocriminológicas de José Lins do Rego sobre o cangaço que lhe serviram de pano de fundo para desenvolver os romances Pedra Bonita e Cangaceiros. Mostra-se como o romancista se posicionava perante duas teorias criminológicas que, em sua época, tentavam compreender o cangaço: a teoria do banditismo social e a antropologia criminal da Escola Positiva brasileira. Conclui-se que o caminho trilhado por Rego para explicar a gênese do cangaço passava por entendê-lo em função das disputas coronelistas.<hr/>Resumen Este artículo investiga las interpretaciones sociales y criminológicas de José Lins do Rego sobre el “cangaço”, que le sirvieron de fondo para desarrollar los romances Pedra Bonita y Cangaceiros. Se muestra cómo el novelista se posicionaba ante dos teorías criminológicas que, en su época, intentaban comprender el “cangaço”: la teoría del bandidismo social y la antropología criminal de la Escuela Positiva brasileña. Se concluye que el camino trillado por Rego para explicar la génesis del “cangaço” pasaba por entenderlo en función de las disputas del “coronelismo”.<hr/>Abstract This article investigates José Lins do Rego’s socio-criminological interpretations of the “cangaço”, which provided him with a background against which he developed the novels Pedra Bonita and Cangaceiros. It shows how the novelist positioned himself between two criminological theories that, at that time, tried to understand the “cangaço”: the theory of social banditry and the criminal anthropology of the Brazilian Positive School. It concludes that the path taken by Rego to explain the genesis of the “cangaço” involved understanding it as a function of “colonelist” disputes. <![CDATA[As políticas dos cabelos negros, entre mulheres: estética, relacionalidade e dissidência no Rio de Janeiro]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200457&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O artigo é norteado pela pergunta relativa ao que haveria de distintivo em estéticas adjetivadas como negras. Em busca de uma resposta, analiso três estilos de cabelos femininos: o produzido por extensões de cabelo humano; os cabelos Black; os produzidos por extensões de cabelo sintético. Argumento a favor de uma estética relacional dissidente, que se engendra a partir de relações nem sempre harmônicas entre negras e brancas e que se constitui por sua fuga da norma - o gosto hegemônico branco - ao mesmo tempo em que elabora esteticamente sobre esta mesma norma. Junto a uma discussão englobante sobre a estética e seus poderes, analiso a dimensão performativa da raça, a noção de apropriação cultural, as noções de beleza feita e de corpo artefatual, propondo que em sociedades modernas ocidentais é por meio da apropriação das coisas ofertadas como bens e serviços de consumo que estetizamos nossos corpos e produzimos discursividades políticas.<hr/>Resumen Este artículo pregunta en que medida podemos calificar determinadas estéticas como negras. En busca de una respuesta, analizo tres estilos de cabellos femeninos: el producido por extensiones de pelo humano; el cabello afro; el producido por extensiones de pelo sintético. Argumento a favor de una estética relacional disidente que se engendra a partir de relaciones no siempre armónicas entre negras y blancas y que se constituye por su distanciamiento de la norma - el gusto hegemónico blanco - al mismo tiempo en que elaborando esteticamente sobre esta misma norma. Junto a una discusión que abarca la estética y sus poderes, analizo la dimensión performativa de la raza, la noción de apropiación cultural, las nociones de belleza que vienen del cuerpo artefactual, proponiendo que en sociedades modernas occidentales la estetización de nuestros cuerpos produce discursividades políticas junto a la apropiación de los bienes y servicios de consumo.<hr/>Abstract The article discusses what might be distinctive in so-called Black aesthetics. In search of an answer, I analyse three styles of female hair: hairdos made with human hair extensions; the Afro hair; hairdos made with synthetic hair extensions. I argue in favour of a dissident relational aesthetics that is generated from not always harmonic relations between Black and white women and which is constituted by its refusal to conform to the norm of white hegemonic taste, while also elaborating aesthetically on this same norm. Along with an encompassing discussion on aesthetics and their powers, I also analyse the performative dimension of race and the notions of cultural appropriation and the artefactual body. I propose that in modern Western societies we aestheticize our bodies and produce political discursiveness by the appropriation of consumer goods and services. <![CDATA[Do sacrifício imposto ao sacrifíciovoluntário. Uma contribuição para a análise da violência e da morte na Guerra das Malvinas]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200489&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumen Es muy común encontrar en los testimonios de ex-combatientes o familiares de caídos de la Guerra de Malvinas (1982) la referencia explícita o implícita al sacrificio en el campo de batalla. Sin embargo, lo que se entiende por sacrificio o los sentidos dados al hecho no son los mismos en todos los casos. En este texto voy a proponer una tipología de sacrifico para entender el sentido que se la da a la muerte en la Guerra de Malvinas por diferentes actores sociales. Para ello, en una primera instancia, retomaré los aportes que se hicieron desde las ciencias sociales acerca del sacrificio. Luego, desde una perspectiva antropológica trataré los casos aquí analizados a partir del trabajo de campo realizado durante más de 10 años de investigación, y estableceré una vinculación entre sacrificio y violencia. En este sentido, vamos a analizar los diferentes sentidos otorgados a los muertos a partir de la interpretación dada al sacrifico y su específica relación con los significados acerca de la violencia en la guerra en el marco de la última dictadura militar en la Argentina.<hr/>Resumo É muito comum encontrar referências explícitas ou implícitas ao sacrifício no campo de batalha nos depoimentos de ex-combatentes ou parentes de mortos na Guerra das Malvinas (1982). No entanto, o que se entende por sacrifício ou os sentidos dados ao fato nãosão os mesmos em todos os casos. Neste texto vou propor uma tipologia de sacrifício para entender o significado dado à morte na Guerra das Malvinas por diferentes atores sociais. Para isto, em primeiro lugar, voltarei às contribuições que foram feitas pelas ciências sociais sobre o sacrifício. Então, de uma perspectiva antropológica, tratarei dos casos aqui analisados a partir do trabalho de campo realizado durante mais de 10 anos de pesquisa, e estabelecerei um elo entre sacrifício e violência. Nesse sentido, analisaremos os diferentes significados outorgados aos mortos a partir da interpretação dada ao sacrifício e sua específica relaçãocom os significados acerca da violência na guerra no marco da última ditadura militar na Argentina.<hr/>Abstract It is very common to find explicit or implicit reference to sacrifice on the battlefield in the testimonies of ex-combatants or relatives of the Fallen of the Malvinas War (1982). However, the meaning of sacrifice or the senses it takes are not the same in all cases. In this article, I am going to propose a typology of sacrifice for understanding the meaning that different social actors give to death in the Malvinas War. First, I will review social science contributions to the theme of sacrifice. Then, from an anthropological perspective, I will analyse cases taken from more than ten years of field work, establishing a link between sacrifice and violence. I will investigate the different meanings attributed to the dead via the interpretation of sacrifice and its specific relationship with the meanings of violence in war, within the context of the last military dictatorship in Argentina. <![CDATA[Escalando vulcões: a releitura da dor no parto humanizado]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200519&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Recentemente, o chamado “parto humanizado” tem sido objeto de inúmeros estudos, configurando um movimento social que se expressa publicamente contra o parto hospitalar tradicional, incentivando o uso de práticas “humanizadas” que seriam mais adequadas à fisiologia do parto. Neste trabalho discutimos a forma como esta proposta de um novo modo de parir se articula com uma interpretação renovada da dor do parto. Para nossa análise, utilizamos entrevistas, aulas de capacitação para doulas, blogs, sites, vídeos, filmes e um e-book. Nosso foco prioritário foi o material acessado através da internet, já que boa parte das informações e reivindicações associadas ao movimento circula em redes virtuais. Observamos como o ideário do parto humanizado caracteriza-se por fazer determinadas bricolagens: entre ciência e concepções alternativas do mundo; entre tradição e modernidade. Procuramos mostrar como a dor, ressignificada nesse ideário, torna-se uma componente intrínseca da experiência de dar à luz, e é um valor fundante da nova identidade da mulher-mãe.<hr/>Resumen El llamado "parto humanizado" viene siendo objeto de innumerables estudios, configurando un movimiento social que se expresa contra el parto tradicional en el hospital, incentivando el uso de prácticas "humanizadas" que serían más adecuadas a la fisiología del parto. Este trabajo discute como la propuesta de un nuevo modo de parir se articula con una interpretación renovada del dolor del parto. Para este análisis, utilizamos entrevistas, clases de capacitación para doulas, blogs, sitios de internet, videos y un e-book. Nuestro foco principal fue el material encontrado en internet, ya que buena parte de las informaciones y reivindicaciones asociadas al movimiento circulan en redes virtuales. Observamos que este ideario se caracteriza por hacer determinados entramados: entre ciencia y concepciones alternativas del mundo; entre tradición y modernidad. Buscamos mostrar cómo la resignificación del dolor, componente intrínseco de esta experiencia de parto, es un valor fundante de la nueva identidad de la mujer-madre.<hr/>Abstract Recently, the so-called "humanized childbirth" has been the subject of numerous studies, amounting to a social movement that speaks publicly against traditional birth, encouraging the use of "humanized" practices that are more adequate to the physiology of childbirth. In this article we discuss the way this new form of giving birth articulates itself with a renewed interpretation of the pain normally associated with childbirth. In our analysis we use interviews, training classes for doulas, blogs, websites, videos, movies and an e-book. We chose to focus primarily on the material accessed through the Internet, since the information and the political claims associated with the movement circulate mainly within virtual networks. We argue that the ideology of humanized childbirth is characterized by bricolages: between science and alternative conceptions of the world; between tradition and modernity. We seek to show how pain, re-signified by this new ideal, seems to be an intrinsic component of the experience of giving birth, and is a key value of the new identity of the woman who becomes a mother. <![CDATA[Os Huni Kuin na política dos Brancos: eleições, missão e chefia]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200551&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A participação indígena na política partidária brasileira tem aumentado nos últimos anos, como comprovam o número de candidaturas e os atuais resultados eleitorais. Partindo deste contexto, o artigo trata da participação do povo Huni Kuin (família linguística pano), também conhecido como Kaxinawá, na política partidária do município de Santa Rosa do Purus, Acre/Brasil. Desde 1992, os indígenas estão candidatando-se aos cargos de vereador, prefeito e vice-prefeito. A presença nas eleições e o aumento das relações com a “sociedade dos Brancos” produziram transformações no grupo e na vida das lideranças huni kuin. A partir de conceitos nativos, o texto descreve como essas novas relações tiveram como consequência uma reflexão e problematização da noção de política e também mudanças no modo como a representação e a chefia operam. Assim, os Huni Kuin definem a política partidária como a “política dos Brancos”, cuja principal característica é produzir “divisão entre os parentes”; em contraposição, a política huni kuin seria marcada pela “união”. Outra consequência importante é a transição da aldeia para a cidade, onde as lideranças passam a viver para o exercício dos mandatos e a ocupação de cargos no Estado. Os períodos fora da aldeia podem se prolongar por anos e são encarados como uma espécie de “missão” a ser cumprida em benefício do povo, ainda que a estadia na cidade traga dificuldades e perigos.<hr/>Resumen La participación indígena en la política partidaria brasileña ha aumentado en los últimos años. Eso es lo que el número creciente de candidatos indígenas a los cargos políticos y los resultados electorales comprueban. En este contexto, el artículo hace un análisis de la participación del grupo indígena Huni Kuin, también conocido como Kaxinawá y perteneciente a la familia lingüística pano, en la política partidaria de la ciudad de Santa Rosa do Purus, Acre, Brasil. Los indígenas empezaron a candidatearse a los cargos municipales de concejal, alcalde y vicealcalde en 1992. Su presencia en los procesos electorales y sus relaciones con la “sociedad de los blancos” produjeron cambios en el grupo en general y particularmente en la vida de los jefes huni kuin. Desde el punto de vista de concepciones nativas, el texto intenta describir cómo esas nuevas relaciones llevaron a razonamientos sobre la noción de política y, además de eso, cómo ellas transformaron las definiciones de representación y jefatura. Los Huni Kuin definen la política partidaria como “la política de los Blancos”, que tiene como característica principal producir “desunión entre los parientes”; en contraste, la política huni kuin tendría como diferencia la “unión”. Otra consecuencia de las relaciones entre las dos políticas se refiere al tránsito de la aldea para la ciudad, donde los líderes tienen que vivir para que puedan ejercer su mandato y cumplir las tareas de sus oficios en el Estado. Este período en la ciudad puede ser largo y, por ello, los líderes huni kuin lo comprenden como una “misión” a ser cumplida en favor de su pueblo, aunque la vida lejos de la aldea tenga sus dificultades y peligros.<hr/>Abstract Indigenous participation in Brazilian political parties has grown in the past few years, as attested by the growing number of candidatures and recent electoral results. Taking this into account, this article dwells on the participation of the Huni Kuin, also known as Kaxinawá, (that speaks a language from the Panoan family), in the political scene of Santa Rosa do Purus, Acre/Brazil. Since 1992, different Indigenous people applied for the role of City Councillor, Mayor and Deputy Mayor. Participation in the elections and increasing relations with “white society” have produced transformations in the collective and individual life of Huni Kuin chiefs. Relying on native concepts, the article describes how these new relations have led to a reflection and problematization of the idea of ‘politics’ itself. It has also changed the way that their leaders act. The Huni Kuin define party politics as “white politics”, the main feature of which is to produce “division among the Indigenous people (parentes)”; while, in contrast, “Huni Kuin politics” is marked by “unity”. Equally important is the migration of the leaders from village to the city, considering that they must exercise their mandate and occupy governmental posts in the city. They may stay away from the village for many years and they usually conceptualize this as a “mission” for the benefit of their own people, ignoring the fact that living in the city can be very difficult and full of dangers. <![CDATA[CARNEIRO DA CUNHA, Manuela & BARBOSA, Samuel (orgs.). 2018. <em>Direitos dos povos indígenas em disputa</em>. São Paulo: Editora Unesp, 368 pp.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200587&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A participação indígena na política partidária brasileira tem aumentado nos últimos anos, como comprovam o número de candidaturas e os atuais resultados eleitorais. Partindo deste contexto, o artigo trata da participação do povo Huni Kuin (família linguística pano), também conhecido como Kaxinawá, na política partidária do município de Santa Rosa do Purus, Acre/Brasil. Desde 1992, os indígenas estão candidatando-se aos cargos de vereador, prefeito e vice-prefeito. A presença nas eleições e o aumento das relações com a “sociedade dos Brancos” produziram transformações no grupo e na vida das lideranças huni kuin. A partir de conceitos nativos, o texto descreve como essas novas relações tiveram como consequência uma reflexão e problematização da noção de política e também mudanças no modo como a representação e a chefia operam. Assim, os Huni Kuin definem a política partidária como a “política dos Brancos”, cuja principal característica é produzir “divisão entre os parentes”; em contraposição, a política huni kuin seria marcada pela “união”. Outra consequência importante é a transição da aldeia para a cidade, onde as lideranças passam a viver para o exercício dos mandatos e a ocupação de cargos no Estado. Os períodos fora da aldeia podem se prolongar por anos e são encarados como uma espécie de “missão” a ser cumprida em benefício do povo, ainda que a estadia na cidade traga dificuldades e perigos.<hr/>Resumen La participación indígena en la política partidaria brasileña ha aumentado en los últimos años. Eso es lo que el número creciente de candidatos indígenas a los cargos políticos y los resultados electorales comprueban. En este contexto, el artículo hace un análisis de la participación del grupo indígena Huni Kuin, también conocido como Kaxinawá y perteneciente a la familia lingüística pano, en la política partidaria de la ciudad de Santa Rosa do Purus, Acre, Brasil. Los indígenas empezaron a candidatearse a los cargos municipales de concejal, alcalde y vicealcalde en 1992. Su presencia en los procesos electorales y sus relaciones con la “sociedad de los blancos” produjeron cambios en el grupo en general y particularmente en la vida de los jefes huni kuin. Desde el punto de vista de concepciones nativas, el texto intenta describir cómo esas nuevas relaciones llevaron a razonamientos sobre la noción de política y, además de eso, cómo ellas transformaron las definiciones de representación y jefatura. Los Huni Kuin definen la política partidaria como “la política de los Blancos”, que tiene como característica principal producir “desunión entre los parientes”; en contraste, la política huni kuin tendría como diferencia la “unión”. Otra consecuencia de las relaciones entre las dos políticas se refiere al tránsito de la aldea para la ciudad, donde los líderes tienen que vivir para que puedan ejercer su mandato y cumplir las tareas de sus oficios en el Estado. Este período en la ciudad puede ser largo y, por ello, los líderes huni kuin lo comprenden como una “misión” a ser cumplida en favor de su pueblo, aunque la vida lejos de la aldea tenga sus dificultades y peligros.<hr/>Abstract Indigenous participation in Brazilian political parties has grown in the past few years, as attested by the growing number of candidatures and recent electoral results. Taking this into account, this article dwells on the participation of the Huni Kuin, also known as Kaxinawá, (that speaks a language from the Panoan family), in the political scene of Santa Rosa do Purus, Acre/Brazil. Since 1992, different Indigenous people applied for the role of City Councillor, Mayor and Deputy Mayor. Participation in the elections and increasing relations with “white society” have produced transformations in the collective and individual life of Huni Kuin chiefs. Relying on native concepts, the article describes how these new relations have led to a reflection and problematization of the idea of ‘politics’ itself. It has also changed the way that their leaders act. The Huni Kuin define party politics as “white politics”, the main feature of which is to produce “division among the Indigenous people (parentes)”; while, in contrast, “Huni Kuin politics” is marked by “unity”. Equally important is the migration of the leaders from village to the city, considering that they must exercise their mandate and occupy governmental posts in the city. They may stay away from the village for many years and they usually conceptualize this as a “mission” for the benefit of their own people, ignoring the fact that living in the city can be very difficult and full of dangers. <![CDATA[SOUZA, Angela Maria de. 2016. <em>A caminhada é longa... e o chão tá liso: o movimento Hip Hop em Florianópolis e Lisboa</em>. São Leopoldo: Trajetos Editorial. 206 pp.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200590&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A participação indígena na política partidária brasileira tem aumentado nos últimos anos, como comprovam o número de candidaturas e os atuais resultados eleitorais. Partindo deste contexto, o artigo trata da participação do povo Huni Kuin (família linguística pano), também conhecido como Kaxinawá, na política partidária do município de Santa Rosa do Purus, Acre/Brasil. Desde 1992, os indígenas estão candidatando-se aos cargos de vereador, prefeito e vice-prefeito. A presença nas eleições e o aumento das relações com a “sociedade dos Brancos” produziram transformações no grupo e na vida das lideranças huni kuin. A partir de conceitos nativos, o texto descreve como essas novas relações tiveram como consequência uma reflexão e problematização da noção de política e também mudanças no modo como a representação e a chefia operam. Assim, os Huni Kuin definem a política partidária como a “política dos Brancos”, cuja principal característica é produzir “divisão entre os parentes”; em contraposição, a política huni kuin seria marcada pela “união”. Outra consequência importante é a transição da aldeia para a cidade, onde as lideranças passam a viver para o exercício dos mandatos e a ocupação de cargos no Estado. Os períodos fora da aldeia podem se prolongar por anos e são encarados como uma espécie de “missão” a ser cumprida em benefício do povo, ainda que a estadia na cidade traga dificuldades e perigos.<hr/>Resumen La participación indígena en la política partidaria brasileña ha aumentado en los últimos años. Eso es lo que el número creciente de candidatos indígenas a los cargos políticos y los resultados electorales comprueban. En este contexto, el artículo hace un análisis de la participación del grupo indígena Huni Kuin, también conocido como Kaxinawá y perteneciente a la familia lingüística pano, en la política partidaria de la ciudad de Santa Rosa do Purus, Acre, Brasil. Los indígenas empezaron a candidatearse a los cargos municipales de concejal, alcalde y vicealcalde en 1992. Su presencia en los procesos electorales y sus relaciones con la “sociedad de los blancos” produjeron cambios en el grupo en general y particularmente en la vida de los jefes huni kuin. Desde el punto de vista de concepciones nativas, el texto intenta describir cómo esas nuevas relaciones llevaron a razonamientos sobre la noción de política y, además de eso, cómo ellas transformaron las definiciones de representación y jefatura. Los Huni Kuin definen la política partidaria como “la política de los Blancos”, que tiene como característica principal producir “desunión entre los parientes”; en contraste, la política huni kuin tendría como diferencia la “unión”. Otra consecuencia de las relaciones entre las dos políticas se refiere al tránsito de la aldea para la ciudad, donde los líderes tienen que vivir para que puedan ejercer su mandato y cumplir las tareas de sus oficios en el Estado. Este período en la ciudad puede ser largo y, por ello, los líderes huni kuin lo comprenden como una “misión” a ser cumplida en favor de su pueblo, aunque la vida lejos de la aldea tenga sus dificultades y peligros.<hr/>Abstract Indigenous participation in Brazilian political parties has grown in the past few years, as attested by the growing number of candidatures and recent electoral results. Taking this into account, this article dwells on the participation of the Huni Kuin, also known as Kaxinawá, (that speaks a language from the Panoan family), in the political scene of Santa Rosa do Purus, Acre/Brazil. Since 1992, different Indigenous people applied for the role of City Councillor, Mayor and Deputy Mayor. Participation in the elections and increasing relations with “white society” have produced transformations in the collective and individual life of Huni Kuin chiefs. Relying on native concepts, the article describes how these new relations have led to a reflection and problematization of the idea of ‘politics’ itself. It has also changed the way that their leaders act. The Huni Kuin define party politics as “white politics”, the main feature of which is to produce “division among the Indigenous people (parentes)”; while, in contrast, “Huni Kuin politics” is marked by “unity”. Equally important is the migration of the leaders from village to the city, considering that they must exercise their mandate and occupy governmental posts in the city. They may stay away from the village for many years and they usually conceptualize this as a “mission” for the benefit of their own people, ignoring the fact that living in the city can be very difficult and full of dangers. <![CDATA[COSTA, Luiz. 2017. <em>Owners of kinship</em>: asymmetrical relations in indigenous Amazonia. Chicago: HAU Books. 275p.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200593&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A participação indígena na política partidária brasileira tem aumentado nos últimos anos, como comprovam o número de candidaturas e os atuais resultados eleitorais. Partindo deste contexto, o artigo trata da participação do povo Huni Kuin (família linguística pano), também conhecido como Kaxinawá, na política partidária do município de Santa Rosa do Purus, Acre/Brasil. Desde 1992, os indígenas estão candidatando-se aos cargos de vereador, prefeito e vice-prefeito. A presença nas eleições e o aumento das relações com a “sociedade dos Brancos” produziram transformações no grupo e na vida das lideranças huni kuin. A partir de conceitos nativos, o texto descreve como essas novas relações tiveram como consequência uma reflexão e problematização da noção de política e também mudanças no modo como a representação e a chefia operam. Assim, os Huni Kuin definem a política partidária como a “política dos Brancos”, cuja principal característica é produzir “divisão entre os parentes”; em contraposição, a política huni kuin seria marcada pela “união”. Outra consequência importante é a transição da aldeia para a cidade, onde as lideranças passam a viver para o exercício dos mandatos e a ocupação de cargos no Estado. Os períodos fora da aldeia podem se prolongar por anos e são encarados como uma espécie de “missão” a ser cumprida em benefício do povo, ainda que a estadia na cidade traga dificuldades e perigos.<hr/>Resumen La participación indígena en la política partidaria brasileña ha aumentado en los últimos años. Eso es lo que el número creciente de candidatos indígenas a los cargos políticos y los resultados electorales comprueban. En este contexto, el artículo hace un análisis de la participación del grupo indígena Huni Kuin, también conocido como Kaxinawá y perteneciente a la familia lingüística pano, en la política partidaria de la ciudad de Santa Rosa do Purus, Acre, Brasil. Los indígenas empezaron a candidatearse a los cargos municipales de concejal, alcalde y vicealcalde en 1992. Su presencia en los procesos electorales y sus relaciones con la “sociedad de los blancos” produjeron cambios en el grupo en general y particularmente en la vida de los jefes huni kuin. Desde el punto de vista de concepciones nativas, el texto intenta describir cómo esas nuevas relaciones llevaron a razonamientos sobre la noción de política y, además de eso, cómo ellas transformaron las definiciones de representación y jefatura. Los Huni Kuin definen la política partidaria como “la política de los Blancos”, que tiene como característica principal producir “desunión entre los parientes”; en contraste, la política huni kuin tendría como diferencia la “unión”. Otra consecuencia de las relaciones entre las dos políticas se refiere al tránsito de la aldea para la ciudad, donde los líderes tienen que vivir para que puedan ejercer su mandato y cumplir las tareas de sus oficios en el Estado. Este período en la ciudad puede ser largo y, por ello, los líderes huni kuin lo comprenden como una “misión” a ser cumplida en favor de su pueblo, aunque la vida lejos de la aldea tenga sus dificultades y peligros.<hr/>Abstract Indigenous participation in Brazilian political parties has grown in the past few years, as attested by the growing number of candidatures and recent electoral results. Taking this into account, this article dwells on the participation of the Huni Kuin, also known as Kaxinawá, (that speaks a language from the Panoan family), in the political scene of Santa Rosa do Purus, Acre/Brazil. Since 1992, different Indigenous people applied for the role of City Councillor, Mayor and Deputy Mayor. Participation in the elections and increasing relations with “white society” have produced transformations in the collective and individual life of Huni Kuin chiefs. Relying on native concepts, the article describes how these new relations have led to a reflection and problematization of the idea of ‘politics’ itself. It has also changed the way that their leaders act. The Huni Kuin define party politics as “white politics”, the main feature of which is to produce “division among the Indigenous people (parentes)”; while, in contrast, “Huni Kuin politics” is marked by “unity”. Equally important is the migration of the leaders from village to the city, considering that they must exercise their mandate and occupy governmental posts in the city. They may stay away from the village for many years and they usually conceptualize this as a “mission” for the benefit of their own people, ignoring the fact that living in the city can be very difficult and full of dangers. <![CDATA[CONKLIN, Alice L. 2015. <em>Exposer l’humanité. Race, ethnologie et empire en Fran-ce (1850-1950)</em>. Trad. Agathe Larcher-Goscha. Paris: Publications Scientifiques du Muséum National d’Histoire Naturelle. 541 pp., ilustr.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200596&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A participação indígena na política partidária brasileira tem aumentado nos últimos anos, como comprovam o número de candidaturas e os atuais resultados eleitorais. Partindo deste contexto, o artigo trata da participação do povo Huni Kuin (família linguística pano), também conhecido como Kaxinawá, na política partidária do município de Santa Rosa do Purus, Acre/Brasil. Desde 1992, os indígenas estão candidatando-se aos cargos de vereador, prefeito e vice-prefeito. A presença nas eleições e o aumento das relações com a “sociedade dos Brancos” produziram transformações no grupo e na vida das lideranças huni kuin. A partir de conceitos nativos, o texto descreve como essas novas relações tiveram como consequência uma reflexão e problematização da noção de política e também mudanças no modo como a representação e a chefia operam. Assim, os Huni Kuin definem a política partidária como a “política dos Brancos”, cuja principal característica é produzir “divisão entre os parentes”; em contraposição, a política huni kuin seria marcada pela “união”. Outra consequência importante é a transição da aldeia para a cidade, onde as lideranças passam a viver para o exercício dos mandatos e a ocupação de cargos no Estado. Os períodos fora da aldeia podem se prolongar por anos e são encarados como uma espécie de “missão” a ser cumprida em benefício do povo, ainda que a estadia na cidade traga dificuldades e perigos.<hr/>Resumen La participación indígena en la política partidaria brasileña ha aumentado en los últimos años. Eso es lo que el número creciente de candidatos indígenas a los cargos políticos y los resultados electorales comprueban. En este contexto, el artículo hace un análisis de la participación del grupo indígena Huni Kuin, también conocido como Kaxinawá y perteneciente a la familia lingüística pano, en la política partidaria de la ciudad de Santa Rosa do Purus, Acre, Brasil. Los indígenas empezaron a candidatearse a los cargos municipales de concejal, alcalde y vicealcalde en 1992. Su presencia en los procesos electorales y sus relaciones con la “sociedad de los blancos” produjeron cambios en el grupo en general y particularmente en la vida de los jefes huni kuin. Desde el punto de vista de concepciones nativas, el texto intenta describir cómo esas nuevas relaciones llevaron a razonamientos sobre la noción de política y, además de eso, cómo ellas transformaron las definiciones de representación y jefatura. Los Huni Kuin definen la política partidaria como “la política de los Blancos”, que tiene como característica principal producir “desunión entre los parientes”; en contraste, la política huni kuin tendría como diferencia la “unión”. Otra consecuencia de las relaciones entre las dos políticas se refiere al tránsito de la aldea para la ciudad, donde los líderes tienen que vivir para que puedan ejercer su mandato y cumplir las tareas de sus oficios en el Estado. Este período en la ciudad puede ser largo y, por ello, los líderes huni kuin lo comprenden como una “misión” a ser cumplida en favor de su pueblo, aunque la vida lejos de la aldea tenga sus dificultades y peligros.<hr/>Abstract Indigenous participation in Brazilian political parties has grown in the past few years, as attested by the growing number of candidatures and recent electoral results. Taking this into account, this article dwells on the participation of the Huni Kuin, also known as Kaxinawá, (that speaks a language from the Panoan family), in the political scene of Santa Rosa do Purus, Acre/Brazil. Since 1992, different Indigenous people applied for the role of City Councillor, Mayor and Deputy Mayor. Participation in the elections and increasing relations with “white society” have produced transformations in the collective and individual life of Huni Kuin chiefs. Relying on native concepts, the article describes how these new relations have led to a reflection and problematization of the idea of ‘politics’ itself. It has also changed the way that their leaders act. The Huni Kuin define party politics as “white politics”, the main feature of which is to produce “division among the Indigenous people (parentes)”; while, in contrast, “Huni Kuin politics” is marked by “unity”. Equally important is the migration of the leaders from village to the city, considering that they must exercise their mandate and occupy governmental posts in the city. They may stay away from the village for many years and they usually conceptualize this as a “mission” for the benefit of their own people, ignoring the fact that living in the city can be very difficult and full of dangers. <![CDATA[Errata Mana v25(1)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132019000200601&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A participação indígena na política partidária brasileira tem aumentado nos últimos anos, como comprovam o número de candidaturas e os atuais resultados eleitorais. Partindo deste contexto, o artigo trata da participação do povo Huni Kuin (família linguística pano), também conhecido como Kaxinawá, na política partidária do município de Santa Rosa do Purus, Acre/Brasil. Desde 1992, os indígenas estão candidatando-se aos cargos de vereador, prefeito e vice-prefeito. A presença nas eleições e o aumento das relações com a “sociedade dos Brancos” produziram transformações no grupo e na vida das lideranças huni kuin. A partir de conceitos nativos, o texto descreve como essas novas relações tiveram como consequência uma reflexão e problematização da noção de política e também mudanças no modo como a representação e a chefia operam. Assim, os Huni Kuin definem a política partidária como a “política dos Brancos”, cuja principal característica é produzir “divisão entre os parentes”; em contraposição, a política huni kuin seria marcada pela “união”. Outra consequência importante é a transição da aldeia para a cidade, onde as lideranças passam a viver para o exercício dos mandatos e a ocupação de cargos no Estado. Os períodos fora da aldeia podem se prolongar por anos e são encarados como uma espécie de “missão” a ser cumprida em benefício do povo, ainda que a estadia na cidade traga dificuldades e perigos.<hr/>Resumen La participación indígena en la política partidaria brasileña ha aumentado en los últimos años. Eso es lo que el número creciente de candidatos indígenas a los cargos políticos y los resultados electorales comprueban. En este contexto, el artículo hace un análisis de la participación del grupo indígena Huni Kuin, también conocido como Kaxinawá y perteneciente a la familia lingüística pano, en la política partidaria de la ciudad de Santa Rosa do Purus, Acre, Brasil. Los indígenas empezaron a candidatearse a los cargos municipales de concejal, alcalde y vicealcalde en 1992. Su presencia en los procesos electorales y sus relaciones con la “sociedad de los blancos” produjeron cambios en el grupo en general y particularmente en la vida de los jefes huni kuin. Desde el punto de vista de concepciones nativas, el texto intenta describir cómo esas nuevas relaciones llevaron a razonamientos sobre la noción de política y, además de eso, cómo ellas transformaron las definiciones de representación y jefatura. Los Huni Kuin definen la política partidaria como “la política de los Blancos”, que tiene como característica principal producir “desunión entre los parientes”; en contraste, la política huni kuin tendría como diferencia la “unión”. Otra consecuencia de las relaciones entre las dos políticas se refiere al tránsito de la aldea para la ciudad, donde los líderes tienen que vivir para que puedan ejercer su mandato y cumplir las tareas de sus oficios en el Estado. Este período en la ciudad puede ser largo y, por ello, los líderes huni kuin lo comprenden como una “misión” a ser cumplida en favor de su pueblo, aunque la vida lejos de la aldea tenga sus dificultades y peligros.<hr/>Abstract Indigenous participation in Brazilian political parties has grown in the past few years, as attested by the growing number of candidatures and recent electoral results. Taking this into account, this article dwells on the participation of the Huni Kuin, also known as Kaxinawá, (that speaks a language from the Panoan family), in the political scene of Santa Rosa do Purus, Acre/Brazil. Since 1992, different Indigenous people applied for the role of City Councillor, Mayor and Deputy Mayor. Participation in the elections and increasing relations with “white society” have produced transformations in the collective and individual life of Huni Kuin chiefs. Relying on native concepts, the article describes how these new relations have led to a reflection and problematization of the idea of ‘politics’ itself. It has also changed the way that their leaders act. The Huni Kuin define party politics as “white politics”, the main feature of which is to produce “division among the Indigenous people (parentes)”; while, in contrast, “Huni Kuin politics” is marked by “unity”. Equally important is the migration of the leaders from village to the city, considering that they must exercise their mandate and occupy governmental posts in the city. They may stay away from the village for many years and they usually conceptualize this as a “mission” for the benefit of their own people, ignoring the fact that living in the city can be very difficult and full of dangers.