Scielo RSS <![CDATA[Mana]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0104-931320000002&lang=en vol. 6 num. 2 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>O inca pano</b>: <b>mito, história e modelos etnológicos</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200001&lng=en&nrm=iso&tlng=en Os mitos relativos ao Inca recolhidos na Amazônia entre vários grupos de língua pano têm sido entendidos como memórias de um passado remoto regido por uma aristocracia quechua ou como expressão de uma estrutura identitária ou cosmológica em que o Inca significaria o Branco ou uma alteridade celestial. Tais interpretações, apesar de seu valor heurístico, limitam nossa compreensão dos aspectos estruturais e históricos do Inca Pano. Propõe-se aqui entender o Inca também como um símbolo eficiente, vinculado a modelos sociológicos e/ou artísticos de alto valor distintivo: povos como os Shipibo-Conibo e os Kaxinawá cristalizam em torno dessa figura uma tradição que os destaca do conjunto dos grupos nawa vizinhos.<hr/>The Amazonian myths collected among certain Panoan-speaking peoples which make reference to the Inca figure have generally been subject to one of two interpretations. They are either seen to recall a remote past in which these peoples may have been ruled by Quechua aristocrats or they are seen to be structural aspects of identity or cosmology, in which the Inca would be representative of the White man or of some celestial alterity. These interpretations, in spite of their heuristic value, serve to limit our understanding of structural and historical aspects of the Pano Inca. This article proposes that we also try to understand the Pano Inca as an effective symbol, related to social and/or artistic models with their own distinctive values: people such as the Shipibo-Conibo and the Kaxinawa have shaped around this figure a tradition which sets them apart from the neighbouring Nawa groups. <![CDATA[<B>"I", "Uuu", "Shhh"</B>: <B>gritos, sexos e metamorfoses entre Os Matis (Amazônia Brasileira)</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=en Por meio de dados etnográficos provenientes dos Matis, grupo de língua pano, este artigo tematiza a ritualização do antagonismo sexual na Amazônia. Em particular, analisa-se o pequeno repertório de sons ou gritos que homens e mulheres utilizam em certos contextos rituais, argumentando que eles formam um sistema que deve ser interpretado à luz da complementaridade sexual e da transformabilidade generalizada que caracterizam as cosmologias ameríndias. Pretende-se ademais contribuir para o debate, recentemente reavivado, entre americanistas e oceanistas, que têm no complexo das flautas, máscaras e cultos a elas associados um foco privilegiado de interesse.<hr/>This article is concerned with the ritualization of sexual antagonism in Amazonia through an analysis of ethnographic data from the Matis, a Panoan-speaking group. More specifically, it analyzes the small repertoire of sounds and shouts which men and women use in certain ritual contexts, arguing that they form a system which should be interpreted in light of the sexual complementarity and generalized transformability which is characteristic of Ame- rindian cosmologies. Finally, it hopes to contribute to the recently revisited debates among Americanists and Ocea-nists, who find in flute complexes, masks and the cults with which they are associated, a common theme. <![CDATA[<B>O Espírito Santo contra o feitiço e os espíritos revoltados</B>: <B>"civilização" e "tradição" em Moçambique</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Durante uma cerimônia conduzida por uma congregação zionista em Moçambique, para restaurar a fertilidade de um casal mediante o apaziguamento de um espírito enraivecido, foi-me dito que os brancos eram imunes a este tipo de problema pois estavam livres dos espíritos revoltados e da feitiçaria, sendo portanto mais capazes de cooperar entre si. Tal criticismo da "cultura africana" é disseminado entre muitas igrejas protestantes, em particular os Zionistas e Pentecostais, enquanto a Igreja Católica, através de sua noção de enculturação, tenta manter-se próxima à "tradição africana". O artigo examina os significados ligados à "tradição africana" e suas antinomias, "modernidade" e "civilização, em uma tentativa de demonstrar a ampla distribuição do desejo de controlar os males da feitiçaria e da bruxaria, assim como a inveja e ambição que as movem. O artigo se encerra com uma reflexão sobre a maneira como a análise antropológica falhou em considerar o sofrimento que tais crenças refletem e engendram.<hr/>During a ceremony conducted by a Zionist congregation in Mozambique to restore the fertility of a barren couple by appeasing an angry spirit, I was told that whites were immune from these kinds of problems since they were free of angry spirits and witchcraft and more able to co-operate among themselves. Such criticism of "African culture" is widespread among many Protestant churches, in particular the Zionists and Pentecostals in general. Meanwhile, the Catholic Church, through its notion of enculturation, attempts to become closer to "African Tradition". The article examines the meanings attached to "African Tradition" and its antinomies, "Modernity" and "Civilization", in an attempt to demonstrate the widespread existence of a strong desire to control the evils of witchcraft, sorcery, and the jealousy and ambition that move them. The article ends with a brief reflection on the way in which much classical anthropological analysis of witchcraft and sorcery has failed to take into account the suffering that such beliefs reflect and engender. <![CDATA[<B>Um gaúcho e dezoito condores nas Ilhas Malvinas</B>: <B>identidade política e nação sob o autoritarismo argentino</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Argumento que o apelo ao símbolo "nação" constituía o principal veículo de construção de identidades políticas na Argentina de 1955 a 1983, sob regimes autoritários e semidemocráticos que excluíam a vontade eleitoral de amplos setores do país. Para isso, apresento a história da "Operação Condor" de 1966, na qual dezoito jovens peronistas e nacionalistas desviaram para a capital das Malvinas, sob ocupação britânica desde 1833, um vôo regular para a Patagônia. Protagonistas, simpatizantes e também antagonistas dos "condores" converteram o episódio e seus efeitos imediatos em um drama quase-turneriano no qual se encontram duas histórias: a do gaúcho Antonio Rivero e sua polêmica sublevação de 1834 contra os usurpadores ingleses, e a dos "condores". A "Operação Condor" revela assim, em última instância, a confluência de duas identidades-chave na política argentina dos anos 60 e 70: o Povo e a Juventude.<hr/>I argue that the symbol of the "Nation" has been the main channel through which the formation of political identities takes place under exclusionary regimes, such as the authoritarian and restricted democracies of Argentina during the period from 1950-70. I therefore examine the "Condor Operation" of 1966, when seventeen young men and a young woman hijacked an Argentinian plane that was heading for the Malvinas (Falkland) Islands, in order to assert Argentina's sovereignty over the South Atlantic archipelago which had been under British occupation since 1833. Members of the Condor group, as well as people backing and countering the Condors' action, turned the event and its effects into a quasi-Turnerian drama. It is at this point that two stories meet: that of the Gaucho Antonio Rivero and his controversial uprising against the English troops in 1834, and that of the Condors. The Condor Operation ultimately reveals the confluence of two key identities in 1960s-1970s Argentinian politics: the People and the Youth. <![CDATA[<B>Putas, escravos e garanhões</B>: <B>linguagens de exploração e de acomodação entre boxeadores profissionais</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<B>Diversidade e universalidade</B> <B>lingüística</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200006&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<B>The need for enemies</B>: <B>a bestiary of political forms</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200007&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<B>La Quête de l`Afrique dans le Candomblé</B>: <B>pouvoir et tradition au Brésil</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200008&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<B>Antropologia</B>: <B>escritos exumados 1. Espaços circunscritos, tempos soltos</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<b>Antropologia</b>: <b>escritos exumados 2. Dimensões do conhecimento antropológico</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200010&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<B>Language, charisma, and creativity</B>: <B>the ritual life of a religious movement</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200011&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<B>Critical events</B>: <B>an anthropological perspective on contemporary India</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200012&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<B>Um sertão chamado Brasil</B>: <B>intelectuais e representação geográfica da identidade nacional</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200013&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<B>Indigenism</B>: <B>ethnic politics in Brazil</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200014&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<B>Nom, verbe et prédicat en sikuani (Colombie)</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200015&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization. <![CDATA[<B>O mal que se adivinha</B>: <B>polícia e menoridade no Rio de Janeiro (1910-1920)</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200016&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo se baseia em trabalho de campo em uma academia de boxe localizada no gueto negro de Chicago. Busca explicar como os lutadores profissionais percebem e expressam o fato de serem mercadorias vivas, e como se reconciliam praticamente com uma impiedosa exploração, de maneira a conseguir manter um senso de integridade pessoal e de finalidade moral. A experiência que o boxeador tem da exploração do seu corpo é expressa através de três idiomas aparentados, o da prostituição, o da escravidão e o da criação animal. Esses três tropos enunciam a comercialização imoral de corpos. Mas essa consciência é neutralizada pela crença na normalidade da exploração, na "capacidade de ação" do empresariamento dos corpos e na possibilidade de casos individuais excepcionais. Essa crença, inscrita nas disposições corporais do lutador, ajuda a produzir o equívoco coletivo de reconhecimento através do qual os boxeadores se tornam cúmplices de sua própria comercialização.<hr/>This article draws on ethnographic fieldwork carried out in a boxing gym located in Chicago's black ghetto. It aims at explaining how prizefighters perceive and express the fact of being live commodities, and how they manage to reconcile themselves to ruthless exploitation in ways that enable them to maintain a sense of personal integrity and moral purpose. The boxer's experience of bodily exploitation is expressed in three related idioms, those of prostitution, slavery, and animal husbandry. All three tropes simultaneously enounce the immoral marketing of bodies. But this is neutralized by the belief in the normalcy of exploitation, in the "agency" of corporeal entrepreneurship, and in the possibility of individual exceptionalism. This belief, inscribed in the bodily dispositions of the fighter, helps to produce the collective misrecognition whereby boxers collude in their own commercialization.