Scielo RSS <![CDATA[Mana]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=0104-931320100002&lang=pt vol. 16 num. 2 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<B>Narrativas da violência</B>: <B>a dimensão micropolítica das emoções</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Este trabalho tem por objetivo examinar as emoções presentes em relatos de experiências de vitimização em segmentos das camadas médias do Rio de Janeiro. A proposta é explorar a fecundidade da vertente "contextualista" (Lutz & Abu Lughod 1990) da antropologia das emoções para a compreensão da violência, com foco na dimensão micropolítica dos discursos sobre as emoções ligadas à vitimização. Os dados analisados são um conjunto de oito entrevistas em profundidade realizadas com casais que passaram, marido e mulher, pela experiência de terem suas residências assaltadas enquanto estavam em casa. A análise está focada na recorrência de duas emoções presentes nas descrições que os entrevistados fazem de seus sentimentos em relação aos assaltantes: compaixão e desprezo. A emergência destas duas emoções, cujas relações com a hierarquia já foram apontadas pelas ciências sociais, é então interpretada como uma tentativa de restabelecer hierarquias que teriam sido ameaçadas pelos assaltos.<hr/>This paper analyzes the emotions described in narratives of victimization among Rio de Janeiro's middle classes. It explores the so-called 'contextualist' trend (Lutz & Abu-Lughod 1990) in the anthropology of emotions as a means to understanding violence, focusing on the micropolitical dimension of emotion discourses on victimization. The data analyzed is derived from eight in-depth interviews with married couples who have been through the experience of having their residences assaulted while both of them were at home. The analysis focuses on the recurrence of two emotions in the interviewees' depictions of their feelings towards their assailants: sympathy and contempt. The emergence of these two emotions, whose relations to hierarchy have already been well documented by social scientists, is interpreted as an attempt to re-establish the hierarchies perceived to have been overturned by the assaults. <![CDATA[<B>Patrões e clientes ou redistribuição entre iguais?</B> <B>Uma revisão sobre clientelismo político e suas transposições contextuais</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Este artigo enfoca o modo como um candidato a vereador pelo partido peronista exercia a distribuição de recursos públicos (planos sociais e alimentos) no município de La Matanza, a oeste da Grande Buenos Aires, durante a campanha legislativa de 2005. A primeira parte apresenta a trajetória do candidato e de alguns dos vizinhos que dele dependiam. A segunda parte examina o modo como o protagonista convocava a um ato político e os sentidos das condutas dos atores na sucessão de eventos entre os quais se contavam a abertura de um restaurante comunitário e o dia das eleições. Identificam-se também as coerções exercidas sobre eles e as implicações em relação ao cumprimento ou descumprimento das obrigações recíprocas. A análise permite uma melhor compreensão da dinâmica e da complexidade dos processos que regem extensos circuitos de redistribuição nos quais os recursos do Estado são concedidos em troca de votos na periferia urbana da Grande Buenos Aires.<hr/>This article focuses on the ways in which a candidate running for city councillor and representing the Peronist party organized the distribution of public resources (social plans and food programs) in La Matanza, a district in the west of Greater Buenos Aires, during the 2005 election campaign. The first part describes the personal trajectory of the candidate and some of the neighbours dependent on him. The second part examines how this leading figure rallied election campaigners and the meaning invested in their behaviours during a series of events including the opening of a 'soup kitchen' and the election day itself. The text also identifies the constraints imposed on these actors and the implications associated with their compliance (or failure to comply) with mutual obligations. This analysis enables a clearer understanding of the dynamics and complexity of the processes regulating vast political circuits in which State resources are redistributed in exchange for votes on the outskirts of Greater Buenos Aires. <![CDATA[<B>As relações jocosas futebolísticas</B>: <B>futebol, sociabilidade e conflito no Brasil</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Este artigo apresenta, a partir de dados de pesquisa etnográfica em bares onde se assiste coletivamente a partidas de futebol no Rio de Janeiro, elementos para uma teoria das "relações jocosas futebolísticas". A noção de "relação jocosa" (joking relationship) é bastante conhecida na teoria antropológica pelo clássico artigo de Marcel Mauss (1926), "As relações jocosas de parentesco", embora a origem desta noção esteja em obras anteriores de Robert Lowie e Radcliffe-Brown. No caso deste artigo, trata-se de relacionar o tema da expressão lúdica de sentimentos ao universo simbólico das práticas e consumos futebolísticos no Brasil. A adesão voluntária a um "clube do coração", no Brasil, permite a participação em uma série de "jogos" associados ao futebol, mas paralelos a este, como apostas, desafios e duelos verbais, em que se desenrolam lógicas simbólicas de honra, gênero e poder na sociedade brasileira.<hr/>This paper presents ethnographic data obtained during the author's fieldwork in sports bars in Rio de Janeiro, Brazil, providing the basis for a theory of 'football joking relationships.' The notion of the 'joking relationship' is well-known to anthropological theory, due in particular to the classic article 'Parentés à plaisanteries' by Marcel Mauss, published in 1926, though its origins can be traced back to earlier works by authors such as Robert Lowie and A. R. Radcliffe-Brown. This paper connects the playful expression of feelings to the symbolic universe of football in Brazilian society. Voluntary support for a favourite club enables the fan to take part in a series of 'games' associated with football, but parallel to it, such as betting, verbal duels and challenges, which involve the symbolic logics of honour, gender and power endemic to Brazilian society. <![CDATA[<B>Atualidade do passado e legitimação do presente</B>: <B>um exercício de antropologia histórica da memória (a propósito do exemplo da revolta operária de junho de 1956, em Poznan, Polônia)</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A partir da breve reconstituição de um evento tomado em sua dinâmica interna, o autor examina as fases sucessivas em sua apropriação memorial, seguindo os objetivos dos atores, o contexto da atribuição de sentido e os meios utilizados por diversos atores. Ele procura mostrar de que modo opera a apropriação do evento pelos atores por meio de ações sucessivas de patrimonialização de sua memória sensível, quer seja sob a forma de um monumento ou de um espetáculo comemorativo. A memória viva é substituída pela comemoração institucionalizada, e os atores do evento apagam-se diante de figuras heróicas construídas segundo as necessidades do contexto de atribuição de sentido correspondente aos objetivos dos atores institucionais.<hr/>Setting out from the brief reconstruction of an event and its internal dynamic, the author examines the successive phases involved in its mnemonic appropriation, tracing the objectives and practices of the various actors involved and the shifting contextual meanings. It shows how the event is appropriated by the actors through the successive transformation of its living memory into heritage, either in the form of monuments or commemorations. Living memory is replaced by institutionalized remembrance and the event's actors by heroic figures constructed according to the contextual meanings elicited by the demands and objectives of the institutional actors. <![CDATA[<B>Alguns fiéis da igreja universal do reino de Deus</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O objetivo deste artigo é pensar sobre os processos de racionalização que operam na adesão à mensagem individualista da teologia da prosperidade. Para ampliar a compreensão do carisma desta vertente do cristianismo, são examinados elementos dispostos à subjetivação masculina, tais como aparecem para os integrantes de uma rede masculina de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus. Essa rede é formada por cerca de 20 homens em situação civil variada, com idades entre 18 e 45 anos, que vivem em favelas ou em ladeiras situadas nos limites entre a zona sul e o Centro da cidade do Rio de Janeiro, e têm baixa instrução. Em suas estratégias (privadas e individuais) para o enfrentamento dos dilemas que se lhes colocam e na urgência com que entre eles se impõem os desafios econômicos, reside rico conjunto de indícios para o entendimento da penetração da Igreja Universal nas camadas populares urbanas.<hr/>This article explores the processes of rationalization involved in a person's adherence to the individualist message of prosperity theology. Looking to gain a better understanding of the charisma associated with this version of Christianity, the text examines a number of elements used in the construction of male subjectivities, such as they appear to members of a network of worshippers from the Universal Church of the Kingdom of God. This network is formed by around 20 men, both single and married, aged between 18 and 45 years with low levels of schooling, living in favelas or on hillsides located on the boundary between the south zone and centre of Rio de Janeiro. Their private and individual strategies for dealing with the problems surfacing in their day-to-day lives and the urgency of the economic challenges confronting them contain a rich set of data, providing us with an insight into the reasons behind the Universal Church's penetration of Brazil's urban working classes. <![CDATA[<B>Memórias de la quema</B>: <B>O <I>cirujeo</I> em Buenos Aires trinta anos depois</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt A partir dos testemunhos e das memórias dos cirujas (catadores de lixo) que viveram e trabalharam em La Quema, Buenos Aires, o artigo recupera os sentidos que esta atividade adquiriu. Ao tomar os relatos registrados trinta anos depois do fechamento de La Quema, em um contexto de crescimento da atividade, argumentamos que os cirujas históricos constroem seu passado contraposto às formas presentes, o que lhes permite tornar mais confortável um passado de forte marginalização social. A análise dessas memórias nos permite focar nos discursos em torno de ser e de ter sido trabalhador na Argentina.<hr/>Exploring the testimonies and memories of cirujas (waste pickers) who lived and worked at La Quema, a dump in Buenos Aires, this article reconstructs the meanings acquired by this activity over time. Analyzing these accounts produced some thirty years after the closure of La Quema and in a new social context where the activity has become more commonplace, the text argues that the 'historical' cirujas construct their past in opposition to the present, a process that allows them to make their earlier experience of social marginalization more bearable. The analysis of these memories also enables us to focus on the discourses on being and having been a worker in Argentina. <![CDATA[<b>Notícias de uma certa confederação Tamoio</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Propomos revisitar aqui um capítulo muito comentado da historiografia brasileira, mas que permanece à espera de uma análise propriamente etnológica: a assim chamada "confederação dos Tamoio", coalizão de diferentes coletivos tupi da costa quinhentista que pôs em risco a colonização portuguesa, tendo como pano de fundo a disputa entre franceses e portugueses pela região da Guanabara, hoje Rio de Janeiro. Em que medida essa "confederação" consiste numa novidade engendrada pela Conquista, que poderia eventualmente conduzir a uma virada em direção à centralização política? Ou, ao contrário, deveríamos ver nela a realização de uma possibilidade já (sempre) presente nas formas de ação e organização política tupi? Estas são as perguntas que deveremos perseguir, lançando mão tanto de fontes históricas como do sólido conhecimento a respeito de populações Tupi-Guarani desenvolvido por vários autores nas últimas décadas.<hr/>In this article we revisit a famous chapter of Brazilian history, yet to be properly analysed from an ethnological perspective: the 'Tamoio confederation,' a coalition of 16th century coastal Tupian groups who threatened to undermine Portuguese colonization during the dispute between the French and Portuguese for the Guanabara region (now Rio de Janeiro). Was this 'confederation' a new phenomenon in Tupian politics, engendered by the Conquest and inducing a shift towards political centralization? Or was it, on the contrary, the actualization of a possibility already (always) present in Tupian forms of political organization and action? These are the questions guiding our inquiry, which we seek to answer through the use of both historical sources and the in-depth ethnological knowledge of Tupi-Guarani peoples developed by various authors over recent decades. <![CDATA[<b>Da associação à dissolução da rede sociotécnica do processador de textos fácil</b>: <b>subsídios para uma etnografia da tecnologia</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt O texto aborda o tema da associação e da dissolução da rede sociotécnica do Processador de Textos Fácil. O Processador de Textos Fácil é um software concebido e desenvolvido em Blumenau/SC durante as décadas de 80 e 90, e que vendeu mais de 100 mil cópias. Com base nas análises da tecnociência desenvolvidas por Bruno Latour, Michel Callon e John Law, o texto procura reconstituir etnograficamente a trajetória de composição e decomposição da rede sociotécnica do Processador de Textos Fácil. Para isto, o texto foi dividido em seis partes principais: depois de uma breve contextualização da temática da tecnociência (i), o texto aborda a história do software (ii); passa em seguida para a descrição do processo de criação da rede local (iii) e seu estabelecimento como um ponto de passagem obrigatório (iv); na quarta parte tratamos do processo de enfraquecimento da rede local (v); a quinta parte aborda a questão do progressivo isolamento e dissolução da rede sociotécnica do Processador de Textos Fácil (vi); para, na última parte, avançar algumas conclusões sobre o sentido e o significado da análise da tecnociência para a antropologia.<hr/>This paper examines the association and dissolution of the sociotechnical network surrounding the Fácil word processor. This software program was conceived and developed in Blumenau (Santa Catarina) during the 1980s and 90s, and eventually sold over 100,000 copies. Inspired by the analyses of technoscience pursued by Bruno Latour, Michel Callon and John Law, the paper attempts to reconstitute ethnographically the composition and decomposition of the Fácil program's sociotechnical network. To this end the paper is divided into seven sections: (i) a brief contextualization of the technoscience framework is followed by (ii) an examination of the software's history, (iii) a description of the process involved in creating the local network, (iv) its establishment as an obligatory point of passage, (v) a discussion of the weakening of the local network, and (vi) the progressive isolation and dissolution of the Fácil word processor's sociotechnical network. In the final section (vii), the text offers some conclusions on the sense and meaning of the analysis of technoscience for anthropology as a whole. <![CDATA[<b>O antropólogo como "espião"</b>: <b>das acusações públicas à construção das perspectivas nativas</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Nos últimos anos, parte da academia norte-americana mobilizou-se em torno de um grande debate sobre "antropologia e espionagem". As acusações feitas sobre alguns colegas eram motivadas pela preocupação com o uso que poderia ser feito do conhecimento gerado no trabalho de campo. Elas expressavam que os antropólogos podem ser considerados sujeitos perigosos para as populações estudadas. Respondendo às mesmas inquietações, em algumas ocasiões, nós, os antropólogos, também somos objeto de acusações feitas pelos "nossos" nativos. Neste artigo, proponho-me a analisar dois episódios ocorridos durante o trabalho de campo que realizei junto a uma turma de parentes de vítimas de um incêndio na cidade de Buenos Aires. Enquanto desenvolvia meu trabalho, enfatizou-se publicamente e em duas oportunidades a possibilidade de que eu fosse um "infiltrado" que estivesse espionando as ações e debates em que eram protagonistas. Com o objetivo de reconstruir as perspectivas das pessoas que me acusaram, proponho transformar esses acontecimentos, de aparência anedótica e pessoal, em perguntas de pesquisa. Inspirado em algumas ideias surgidas no campo de estudos sobre acusações de bruxaria, proporei uma análise voltada para iluminar a dinâmica do campo no qual as acusações foram produzidas. Do mesmo modo, tentarei ressituar meu papel como produtor de conhecimento.<hr/>In recent years, some American scholars have become embroiled in an extensive debate on 'anthropology and espionage.' The accusations levelled at some colleagues have been prompted by concerns over the potential use of knowledge generated during fieldwork. These accusations have shown that anthropologists can be regarded as 'dangerous' to the populations under study. Echoing the same kinds of concern, sometimes anthropologists are accused by 'their' natives themselves. In this article I discuss two episodes that occurred during my own fieldwork among a group of relatives of victims of a fire in Buenos Aires. On two different occasions during my fieldwork I was publicly accused of being an infiltrado, or inside agent, sent to spy on their actions and conversations. My aim here is to transform these apparently personal and anecdotal episodes into research questions capable of providing an insight into the perspectives of those accusing me. Inspired by other anthropological studies of witchcraft accusations, I look to analyze the dynamics of the social field in which the accusations were produced, simultaneously resituating my own role as a producer of knowledge. <![CDATA[<b>Apapaatai</b>: <b>rituais de máscaras no Alto Xingu</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Nos últimos anos, parte da academia norte-americana mobilizou-se em torno de um grande debate sobre "antropologia e espionagem". As acusações feitas sobre alguns colegas eram motivadas pela preocupação com o uso que poderia ser feito do conhecimento gerado no trabalho de campo. Elas expressavam que os antropólogos podem ser considerados sujeitos perigosos para as populações estudadas. Respondendo às mesmas inquietações, em algumas ocasiões, nós, os antropólogos, também somos objeto de acusações feitas pelos "nossos" nativos. Neste artigo, proponho-me a analisar dois episódios ocorridos durante o trabalho de campo que realizei junto a uma turma de parentes de vítimas de um incêndio na cidade de Buenos Aires. Enquanto desenvolvia meu trabalho, enfatizou-se publicamente e em duas oportunidades a possibilidade de que eu fosse um "infiltrado" que estivesse espionando as ações e debates em que eram protagonistas. Com o objetivo de reconstruir as perspectivas das pessoas que me acusaram, proponho transformar esses acontecimentos, de aparência anedótica e pessoal, em perguntas de pesquisa. Inspirado em algumas ideias surgidas no campo de estudos sobre acusações de bruxaria, proporei uma análise voltada para iluminar a dinâmica do campo no qual as acusações foram produzidas. Do mesmo modo, tentarei ressituar meu papel como produtor de conhecimento.<hr/>In recent years, some American scholars have become embroiled in an extensive debate on 'anthropology and espionage.' The accusations levelled at some colleagues have been prompted by concerns over the potential use of knowledge generated during fieldwork. These accusations have shown that anthropologists can be regarded as 'dangerous' to the populations under study. Echoing the same kinds of concern, sometimes anthropologists are accused by 'their' natives themselves. In this article I discuss two episodes that occurred during my own fieldwork among a group of relatives of victims of a fire in Buenos Aires. On two different occasions during my fieldwork I was publicly accused of being an infiltrado, or inside agent, sent to spy on their actions and conversations. My aim here is to transform these apparently personal and anecdotal episodes into research questions capable of providing an insight into the perspectives of those accusing me. Inspired by other anthropological studies of witchcraft accusations, I look to analyze the dynamics of the social field in which the accusations were produced, simultaneously resituating my own role as a producer of knowledge. <![CDATA[<b>Des clous dans la Jaconde</b>: <b>l'anthropologie autrement</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200011&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Nos últimos anos, parte da academia norte-americana mobilizou-se em torno de um grande debate sobre "antropologia e espionagem". As acusações feitas sobre alguns colegas eram motivadas pela preocupação com o uso que poderia ser feito do conhecimento gerado no trabalho de campo. Elas expressavam que os antropólogos podem ser considerados sujeitos perigosos para as populações estudadas. Respondendo às mesmas inquietações, em algumas ocasiões, nós, os antropólogos, também somos objeto de acusações feitas pelos "nossos" nativos. Neste artigo, proponho-me a analisar dois episódios ocorridos durante o trabalho de campo que realizei junto a uma turma de parentes de vítimas de um incêndio na cidade de Buenos Aires. Enquanto desenvolvia meu trabalho, enfatizou-se publicamente e em duas oportunidades a possibilidade de que eu fosse um "infiltrado" que estivesse espionando as ações e debates em que eram protagonistas. Com o objetivo de reconstruir as perspectivas das pessoas que me acusaram, proponho transformar esses acontecimentos, de aparência anedótica e pessoal, em perguntas de pesquisa. Inspirado em algumas ideias surgidas no campo de estudos sobre acusações de bruxaria, proporei uma análise voltada para iluminar a dinâmica do campo no qual as acusações foram produzidas. Do mesmo modo, tentarei ressituar meu papel como produtor de conhecimento.<hr/>In recent years, some American scholars have become embroiled in an extensive debate on 'anthropology and espionage.' The accusations levelled at some colleagues have been prompted by concerns over the potential use of knowledge generated during fieldwork. These accusations have shown that anthropologists can be regarded as 'dangerous' to the populations under study. Echoing the same kinds of concern, sometimes anthropologists are accused by 'their' natives themselves. In this article I discuss two episodes that occurred during my own fieldwork among a group of relatives of victims of a fire in Buenos Aires. On two different occasions during my fieldwork I was publicly accused of being an infiltrado, or inside agent, sent to spy on their actions and conversations. My aim here is to transform these apparently personal and anecdotal episodes into research questions capable of providing an insight into the perspectives of those accusing me. Inspired by other anthropological studies of witchcraft accusations, I look to analyze the dynamics of the social field in which the accusations were produced, simultaneously resituating my own role as a producer of knowledge. <![CDATA[<b>Consumidores e seus direitos</b>: <b>um estudo sobre conflitos no mercado de consumo</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200012&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Nos últimos anos, parte da academia norte-americana mobilizou-se em torno de um grande debate sobre "antropologia e espionagem". As acusações feitas sobre alguns colegas eram motivadas pela preocupação com o uso que poderia ser feito do conhecimento gerado no trabalho de campo. Elas expressavam que os antropólogos podem ser considerados sujeitos perigosos para as populações estudadas. Respondendo às mesmas inquietações, em algumas ocasiões, nós, os antropólogos, também somos objeto de acusações feitas pelos "nossos" nativos. Neste artigo, proponho-me a analisar dois episódios ocorridos durante o trabalho de campo que realizei junto a uma turma de parentes de vítimas de um incêndio na cidade de Buenos Aires. Enquanto desenvolvia meu trabalho, enfatizou-se publicamente e em duas oportunidades a possibilidade de que eu fosse um "infiltrado" que estivesse espionando as ações e debates em que eram protagonistas. Com o objetivo de reconstruir as perspectivas das pessoas que me acusaram, proponho transformar esses acontecimentos, de aparência anedótica e pessoal, em perguntas de pesquisa. Inspirado em algumas ideias surgidas no campo de estudos sobre acusações de bruxaria, proporei uma análise voltada para iluminar a dinâmica do campo no qual as acusações foram produzidas. Do mesmo modo, tentarei ressituar meu papel como produtor de conhecimento.<hr/>In recent years, some American scholars have become embroiled in an extensive debate on 'anthropology and espionage.' The accusations levelled at some colleagues have been prompted by concerns over the potential use of knowledge generated during fieldwork. These accusations have shown that anthropologists can be regarded as 'dangerous' to the populations under study. Echoing the same kinds of concern, sometimes anthropologists are accused by 'their' natives themselves. In this article I discuss two episodes that occurred during my own fieldwork among a group of relatives of victims of a fire in Buenos Aires. On two different occasions during my fieldwork I was publicly accused of being an infiltrado, or inside agent, sent to spy on their actions and conversations. My aim here is to transform these apparently personal and anecdotal episodes into research questions capable of providing an insight into the perspectives of those accusing me. Inspired by other anthropological studies of witchcraft accusations, I look to analyze the dynamics of the social field in which the accusations were produced, simultaneously resituating my own role as a producer of knowledge. <![CDATA[<b>Other people’s anthropologies</b>: <b>ethnographic practice on the margins</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200013&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Nos últimos anos, parte da academia norte-americana mobilizou-se em torno de um grande debate sobre "antropologia e espionagem". As acusações feitas sobre alguns colegas eram motivadas pela preocupação com o uso que poderia ser feito do conhecimento gerado no trabalho de campo. Elas expressavam que os antropólogos podem ser considerados sujeitos perigosos para as populações estudadas. Respondendo às mesmas inquietações, em algumas ocasiões, nós, os antropólogos, também somos objeto de acusações feitas pelos "nossos" nativos. Neste artigo, proponho-me a analisar dois episódios ocorridos durante o trabalho de campo que realizei junto a uma turma de parentes de vítimas de um incêndio na cidade de Buenos Aires. Enquanto desenvolvia meu trabalho, enfatizou-se publicamente e em duas oportunidades a possibilidade de que eu fosse um "infiltrado" que estivesse espionando as ações e debates em que eram protagonistas. Com o objetivo de reconstruir as perspectivas das pessoas que me acusaram, proponho transformar esses acontecimentos, de aparência anedótica e pessoal, em perguntas de pesquisa. Inspirado em algumas ideias surgidas no campo de estudos sobre acusações de bruxaria, proporei uma análise voltada para iluminar a dinâmica do campo no qual as acusações foram produzidas. Do mesmo modo, tentarei ressituar meu papel como produtor de conhecimento.<hr/>In recent years, some American scholars have become embroiled in an extensive debate on 'anthropology and espionage.' The accusations levelled at some colleagues have been prompted by concerns over the potential use of knowledge generated during fieldwork. These accusations have shown that anthropologists can be regarded as 'dangerous' to the populations under study. Echoing the same kinds of concern, sometimes anthropologists are accused by 'their' natives themselves. In this article I discuss two episodes that occurred during my own fieldwork among a group of relatives of victims of a fire in Buenos Aires. On two different occasions during my fieldwork I was publicly accused of being an infiltrado, or inside agent, sent to spy on their actions and conversations. My aim here is to transform these apparently personal and anecdotal episodes into research questions capable of providing an insight into the perspectives of those accusing me. Inspired by other anthropological studies of witchcraft accusations, I look to analyze the dynamics of the social field in which the accusations were produced, simultaneously resituating my own role as a producer of knowledge. <![CDATA[<b>Terra Madura, Yvy Araguyje</b>: <b>fundamentos da palavra guarani</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200014&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Nos últimos anos, parte da academia norte-americana mobilizou-se em torno de um grande debate sobre "antropologia e espionagem". As acusações feitas sobre alguns colegas eram motivadas pela preocupação com o uso que poderia ser feito do conhecimento gerado no trabalho de campo. Elas expressavam que os antropólogos podem ser considerados sujeitos perigosos para as populações estudadas. Respondendo às mesmas inquietações, em algumas ocasiões, nós, os antropólogos, também somos objeto de acusações feitas pelos "nossos" nativos. Neste artigo, proponho-me a analisar dois episódios ocorridos durante o trabalho de campo que realizei junto a uma turma de parentes de vítimas de um incêndio na cidade de Buenos Aires. Enquanto desenvolvia meu trabalho, enfatizou-se publicamente e em duas oportunidades a possibilidade de que eu fosse um "infiltrado" que estivesse espionando as ações e debates em que eram protagonistas. Com o objetivo de reconstruir as perspectivas das pessoas que me acusaram, proponho transformar esses acontecimentos, de aparência anedótica e pessoal, em perguntas de pesquisa. Inspirado em algumas ideias surgidas no campo de estudos sobre acusações de bruxaria, proporei uma análise voltada para iluminar a dinâmica do campo no qual as acusações foram produzidas. Do mesmo modo, tentarei ressituar meu papel como produtor de conhecimento.<hr/>In recent years, some American scholars have become embroiled in an extensive debate on 'anthropology and espionage.' The accusations levelled at some colleagues have been prompted by concerns over the potential use of knowledge generated during fieldwork. These accusations have shown that anthropologists can be regarded as 'dangerous' to the populations under study. Echoing the same kinds of concern, sometimes anthropologists are accused by 'their' natives themselves. In this article I discuss two episodes that occurred during my own fieldwork among a group of relatives of victims of a fire in Buenos Aires. On two different occasions during my fieldwork I was publicly accused of being an infiltrado, or inside agent, sent to spy on their actions and conversations. My aim here is to transform these apparently personal and anecdotal episodes into research questions capable of providing an insight into the perspectives of those accusing me. Inspired by other anthropological studies of witchcraft accusations, I look to analyze the dynamics of the social field in which the accusations were produced, simultaneously resituating my own role as a producer of knowledge. <![CDATA[<b>Life and words</b>: <b>violence and the descent into the ordinary</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200015&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Nos últimos anos, parte da academia norte-americana mobilizou-se em torno de um grande debate sobre "antropologia e espionagem". As acusações feitas sobre alguns colegas eram motivadas pela preocupação com o uso que poderia ser feito do conhecimento gerado no trabalho de campo. Elas expressavam que os antropólogos podem ser considerados sujeitos perigosos para as populações estudadas. Respondendo às mesmas inquietações, em algumas ocasiões, nós, os antropólogos, também somos objeto de acusações feitas pelos "nossos" nativos. Neste artigo, proponho-me a analisar dois episódios ocorridos durante o trabalho de campo que realizei junto a uma turma de parentes de vítimas de um incêndio na cidade de Buenos Aires. Enquanto desenvolvia meu trabalho, enfatizou-se publicamente e em duas oportunidades a possibilidade de que eu fosse um "infiltrado" que estivesse espionando as ações e debates em que eram protagonistas. Com o objetivo de reconstruir as perspectivas das pessoas que me acusaram, proponho transformar esses acontecimentos, de aparência anedótica e pessoal, em perguntas de pesquisa. Inspirado em algumas ideias surgidas no campo de estudos sobre acusações de bruxaria, proporei uma análise voltada para iluminar a dinâmica do campo no qual as acusações foram produzidas. Do mesmo modo, tentarei ressituar meu papel como produtor de conhecimento.<hr/>In recent years, some American scholars have become embroiled in an extensive debate on 'anthropology and espionage.' The accusations levelled at some colleagues have been prompted by concerns over the potential use of knowledge generated during fieldwork. These accusations have shown that anthropologists can be regarded as 'dangerous' to the populations under study. Echoing the same kinds of concern, sometimes anthropologists are accused by 'their' natives themselves. In this article I discuss two episodes that occurred during my own fieldwork among a group of relatives of victims of a fire in Buenos Aires. On two different occasions during my fieldwork I was publicly accused of being an infiltrado, or inside agent, sent to spy on their actions and conversations. My aim here is to transform these apparently personal and anecdotal episodes into research questions capable of providing an insight into the perspectives of those accusing me. Inspired by other anthropological studies of witchcraft accusations, I look to analyze the dynamics of the social field in which the accusations were produced, simultaneously resituating my own role as a producer of knowledge. <![CDATA[<b>Os afectos mal-ditos</b>: <b>o indizível nas sociedades camponesas</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132010000200016&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Nos últimos anos, parte da academia norte-americana mobilizou-se em torno de um grande debate sobre "antropologia e espionagem". As acusações feitas sobre alguns colegas eram motivadas pela preocupação com o uso que poderia ser feito do conhecimento gerado no trabalho de campo. Elas expressavam que os antropólogos podem ser considerados sujeitos perigosos para as populações estudadas. Respondendo às mesmas inquietações, em algumas ocasiões, nós, os antropólogos, também somos objeto de acusações feitas pelos "nossos" nativos. Neste artigo, proponho-me a analisar dois episódios ocorridos durante o trabalho de campo que realizei junto a uma turma de parentes de vítimas de um incêndio na cidade de Buenos Aires. Enquanto desenvolvia meu trabalho, enfatizou-se publicamente e em duas oportunidades a possibilidade de que eu fosse um "infiltrado" que estivesse espionando as ações e debates em que eram protagonistas. Com o objetivo de reconstruir as perspectivas das pessoas que me acusaram, proponho transformar esses acontecimentos, de aparência anedótica e pessoal, em perguntas de pesquisa. Inspirado em algumas ideias surgidas no campo de estudos sobre acusações de bruxaria, proporei uma análise voltada para iluminar a dinâmica do campo no qual as acusações foram produzidas. Do mesmo modo, tentarei ressituar meu papel como produtor de conhecimento.<hr/>In recent years, some American scholars have become embroiled in an extensive debate on 'anthropology and espionage.' The accusations levelled at some colleagues have been prompted by concerns over the potential use of knowledge generated during fieldwork. These accusations have shown that anthropologists can be regarded as 'dangerous' to the populations under study. Echoing the same kinds of concern, sometimes anthropologists are accused by 'their' natives themselves. In this article I discuss two episodes that occurred during my own fieldwork among a group of relatives of victims of a fire in Buenos Aires. On two different occasions during my fieldwork I was publicly accused of being an infiltrado, or inside agent, sent to spy on their actions and conversations. My aim here is to transform these apparently personal and anecdotal episodes into research questions capable of providing an insight into the perspectives of those accusing me. Inspired by other anthropological studies of witchcraft accusations, I look to analyze the dynamics of the social field in which the accusations were produced, simultaneously resituating my own role as a producer of knowledge.