Scielo RSS <![CDATA[Revista Brasileira de Psiquiatria]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1516-444620120005&lang=pt vol. 34 num. lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Desenvolvimentos do Pânico</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000500001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[<b>Novas tendências em transtornos de ansiedade</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000500002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[<b>O desenvolvimento psicológico do transtorno de pânico</b>: <b>implicações para a neurobiologia e o tratamento</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000500003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt OBJECTIVES: The aim of this study was to survey the available literature on psychological development of panic disorder with or without agoraphobia [PD(A)] and its relationship with the neurobiology and the treatment of panic. METHODS: Both a computerized (PubMed) and a manual search of the literature were performed. Only English papers published in peer-reviewed journals and referring to PD(A) as defined by the diagnostic classifications of the American Psychiatric Association or of the World Health Organization were included. CONCLUSIONS: A staging model of panic exists and is applicable in clinical practice. In a substantial proportion of patients with PD(A), a prodromal phase and, despite successful treatment, residual symptoms can be identified. Both prodromes and residual symptoms allow the monitoring of disorder evolution during recovery via the rollback phenomenon. The different stages of the disorder, as well as the steps of the rollback, have a correspondence in the neurobiology and in the treatment of panic. However, the treatment implications of the longitudinal model of PD(A) are not endorsed, and adequate interventions of enduring effects are missing.<hr/>OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi fazer um levantamento da literatura disponível sobre o desenvolvimento psicológico do transtorno do pânico com ou sem agorafobia [TP(A)] e sua relação com a neurobiologia e o tratamento do pânico. MÉTODOS: A busca da literatura foi realizada tanto manualmente quanto via computador (PubMed). Somente os artigos publicados em inglês em revistas revisadas por especialistas e abordando o TP(A) de acordo com as classificações diagnósticas da Associação Americana de Psiquiatria ou da Organização Mundial de Saúde foram incluídos. CONCLUSÕES: Existe um modelo de classificação por estágios do pânico aplicável na prática clínica. A fase prodrômica e, a despeito de tratamentos bem-sucedidos, os sintomas residuais podem ser identificados em uma proporção substancial de pacientes com TP(A). Tanto os pródromos quanto os sintomas residuais permitem monitorar a evolução do transtorno durante a recuperação por meio do fenômeno de reversão. Os diferentes estágios do transtorno, bem como as etapas da reversão, possuem uma correspondência na neurobiologia e no tratamento do pânico. Contudo, as implicações do tratamento do modelo longitudinal do TP(A) não são endossadas e são necessárias intervenções adequadas de efeito duradouro. <![CDATA[<b>Transtorno do pânico e sistema respiratório</b>: <b>subtipo clínico e testes de provocação</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000500004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt INTRODUCTION: Respiratory changes are associated with anxiety disorders, particularly panic disorder (PD). The stimulation of respiration in PD patients during panic attacks is well documented in the literature, and a number of abnormalities in respiration, such as enhanced CO2 sensitivity, have been detected in PD patients. Investigators hypothesized that there is a fundamental abnormality in the physiological mechanisms that control breathing in PD. METHODS: The authors searched for articles regarding the connection between the respiratory system and PD, more specifically papers on respiratory challenges, respiratory subtype, and current mechanistic concepts. CONCLUSIONS: Recent evidences support the presence of subclinical changes in respiration and other functions related to body homeostasis in PD patients. The fear network, comprising the hippocampus, medial prefrontal cortex, amygdala and its brainstem projections, may be abnormally sensitive in PD patients, and respiratory stimulants like CO2 may trigger panic attacks. Studies indicate that PD patients with dominant respiratory symptoms are particularly sensitive to respiratory tests compared to those who do not manifest dominant respiratory symptoms, representing a distinct subtype. The evidence of changes in several neurochemical systems might be the expression of the complex interaction among brain circuits<hr/>INTRODUÇÃO: As anormalidades respiratórias estão associadas a transtornos de ansiedade, especialmente ao transtorno do pânico (TP). A estimulação respiratória em pacientes com TP durante os ataques de pânico está bem documentada na literatura, e vários problemas respiratórios como uma elevada sensibilidade ao CO2 foram detectados em pacientes com TP. Os pesquisadores levantam a hipótese de que existe um distúrbio fundamental nos mecanismos fisiológicos que controlam a respiração no TP. MÉTODOS: Os autores pesquisaram artigos sobre a conexão entre o sistema respiratório e TP, mais especificamente artigos sobre testes respiratórios, subtipo respiratório e conceitos mecanicistas atuais. CONCLUSÕES: Evidências recentes apoiam a existência de alterações subclínicas na respiração e em outras funções relacionadas à homeostase corporal em pacientes com TP. O circuito do medo, composto pelo hipocampo, córtex pré-frontal medial, amígdala e suas projeções para o tronco encefálico, pode estar anormalmente sensível em pacientes com TP, e os estimulantes respiratórios, como o CO2, podem desencadear ataques de pânico. Estudos indicam que os pacientes com TP que apresentam sintomas respiratórios dominantes são particularmente sensíveis a testes respiratórios, comparados àqueles que não manifestam sintomas respiratórios dominantes, representando um subtipo distinto. A constatação de anormalidades em vários sistemas neuroquímicos pode ser a expressão da interação complexa entre os circuitos cerebrais. <![CDATA[<b>Associação entre ansiedade e hipermobilidade articular</b>: <b>uma revisão sistemática</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000500005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt BACKGROUND: Anxiety disorders are often associated with several non-psychiatric medical conditions. Among the clinical conditions found in association with anxiety stands out the joint hypermobility (JH). OBJECTIVES: To carry out a systematic review of the clinical association between anxiety disorders and JH. METHOD: A survey was conducted in MEDLINE, PsychINFO, LILACS e SciELO databases up to December 2011. We searched for articles using the keywords 'anxiety', 'joint' and 'hypermobility' and Boolean operators. The review included articles describing empirical studies on the association between JH and anxiety. The reference lists of selected articles were systematically hand-searched for other publications relevant to the review. RESULTS: Seventeen articles were included in the analysis and classified to better extract data. We found heterogeneity between the studies relate to the methodology used. Most of the studies found an association between anxiety features and JH. Panic disorder/agoraphobia was the anxiety disorder associated with JH in several studies. Etiological explanation of the relationship between anxiety and JH is still controversial. CONCLUSION: Future research in large samples from the community and clinical setting and longitudinal studies of the association between anxiety and HA and the underlying biological mechanisms involved in this association are welcome.<hr/>INTRODUÇÃO: Os transtornos de ansiedade estão frequentemente associados a vários quadros clínicos não psiquiátricos. Dentre os quadros clínicos associados à ansiedade destaca-se a hipermobilidade articular (HA). Objetivo: Realizar uma revisão sistemática da associação entre os transtornos de ansiedade e a HA. MÉTODO: Foi realizada uma pesquisa nos bancos de dados MEDLINE, PsychINFO, LILACS e SciELO em busca de artigos publicados até dezembro de 2011. Usamos as palavras-chave anxiety , joint e hypermobility e os operadores boolianos. A revisão incluiu artigos que descrevem estudos empíricos sobre a associação entre ansiedade e HA. As listas de referências dos artigos selecionados foram sistematicamente pesquisadas à mão em busca de publicações relevantes para a revisão. RESULTADOS: Dezessete artigos foram incluídos na análise e classificados para uma melhor extração dos dados. Encontramos heterogeneidade entre os estudos relacionada à metodologia utilizada. A maioria dos estudos encontrou associação entre as características de ansiedade e HA. Transtorno do pânico com agorafobia foi o transtorno de ansiedade associado à HA em vários estudos. A explicação etiológica da relação entre ansiedade e HA permanece controversa. CONCLUSÃO: Estudos futuros com amostras maiores de indivíduos da comunidade e de cenários clínicos e estudos longitudinais da associação entre ansiedade e HA e dos mecanismos biológicos subjacentes envolvidos nessa associação são bem-vindos. <![CDATA[<b>Eventos negativos na infância e ansiedade social em estudantes universitários</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000500006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt INTRODUCTION: There is substantial evidence regarding the impact of negative life events during childhood on the aetiology of psychiatric disorders. We examined the association between negative early life events and social anxiety in a sample of 571 Spanish University students. METHODS: In a cross-sectional survey conducted in 2007, we collected data through a semistructured questionnaire of sociodemographic variables, personal and family psychiatric history, and substance abuse. We assessed the five early negative life events: (i) the loss of someone close, (ii) emotional abuse, (iii) physical abuse, (iv) family violence, and (v) sexual abuse. All participants completed the Liebowitz Social Anxiety Scale. RESULTS: Mean (SD) age was 21 (4.5), 75% female, LSAS score was 40 (DP = 22), 14.2% had a psychiatric family history and 50.6% had negative life events during childhood. Linear regression analyses, after controlling for age, gender, and family psychiatric history, showed a positive association between family violence and social score (p = 0.03). None of the remaining stressors produced a significant increase in LSAS score (p > 0.05). CONCLUSION: University students with high levels of social anxiety presented higher prevalence of negative early life events. Thus, childhood family violence could be a risk factor for social anxiety in such a population.<hr/>INTRODUÇÃO: Existem evidências substanciais sobre o impacto de eventos negativos da vida durante a infância na etiologia dos transtornos psiquiátricos. Examinamos a associação entre os eventos negativos ocorridos na infância e a ansiedade social em uma amostra de 571 estudantes universitários espanhóis. MÉTODOS: Em um estudo transversal realizado em 2007, foram coletados os dados de variáveis sociodemográficas, história psiquiátrica pessoal e familiar e abuso de substâncias por meio de um questionário semiestruturado e avaliamos cinco eventos negativos ocorridos na infância: (i) a perda de alguém próximo, (ii) abuso emocional, (iii) abuso físico, (iv) violência familiar e (v) abuso sexual. Todos os participantes preencheram a escala de Liebowitz para ansiedade social. RESULTADOS: A média (DP) de idade foi de 21 anos (4,5); 75% eram do sexo feminino; o escore na LSAS foi 40 (DP = 22); 14,2% tinham história psiquiátrica familiar e 50,6% tiveram eventos negativos durante a infância. A análise de regressão linear, após o controle para idade, sexo e história psiquiátrica familiar, mostraram associação positiva entre violência familiar e escore de ansiedade social (p = 0,03). Nenhum dos fatores estressores restantes produziu aumento significativo no escore da LSAS (p > 0,05). CONCLUSÃO: Os estudantes universitários com altos níveis de ansiedade social apresentaram prevalência maior de eventos negativos precoces. Portanto, a violência familiar na infância pode ser um fator de risco para ansiedade social em tal população. <![CDATA[<b>Desenhando as novas fronteiras para a compreensão do transtorno obsessivo-compulsivo</b>: <b>uma revisão de sua relação com o medo e a ansiedade</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000500007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Anxiety is an important component of the psychopathology of the obsessive-compulsive disorder (OCD). So far, most interventions that have proven to be effective for treating OCD are similar to those developed for other anxiety disorders. However, neurobiological studies of OCD came to conclusions that are not always compatible with those previously associated with other anxiety disorders. OBJECTIVES: The aim of this study is to review the degree of overlap between OCD and other anxiety disorders phenomenology and pathophysiology to support the rationale that guides research in this field. RESULTS: Clues about the neurocircuits involved in the manifestation of anxiety disorders have been obtained through the study of animal anxiety models, and structural and functional neuroimaging in humans. These investigations suggest that in OCD, in addition to dysfunction in cortico-striatal pathways, the functioning of an alternative neurocircuitry, which involves amygdalo-cortical interactions and participates in fear conditioning and extinction processes, may be impaired. CONCLUSION: It is likely that anxiety is a relevant dimension of OCD that impacts on other features of this disorder. Therefore, future studies may benefit from the investigation of the expression of fear and anxiety by OCD patients according to their type of obsessions and compulsions, age of OCD onset, comorbidities, and patterns of treatment response.<hr/>A ansiedade é um componente importante da psicopatologia do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Até o momento, a maioria das intervenções que provaram ser eficazes para o tratamento de TOC é semelhante àquelas desenvolvidas para outros transtornos de ansiedade. No entanto, estudos que investigaram a neurobiologia do TOC chegaram a conclusões que nem sempre são compatíveis com aquelas anteriormente associadas aos demais transtornos de ansiedade. OBJETIVOS: Neste artigo, revisamos o grau de sobreposição entre as características do TOC e a fenomenologia e fisiopatologia dos demais transtornos de ansiedade com o intuito de dar suporte ao racional que orienta a pesquisa nesse campo. RESULTADOS: Alguns dados sobre os neurocircuitos envolvidos na manifestação dos transtornos de ansiedade foram obtidos a partir do estudo de modelos animais de ansiedade, e da neuroimagem estrutural e funcional em humanos. Esses trabalhos sugerem que no TOC, além da disfunção das vias corticoestriatais, o funcionamento do circuito amigdalocortical, essencial para a apresentação da resposta de medo e processos de extinção dessa resposta, também pode estar prejudicado. CONCLUSÃO: É provável que a ansiedade seja uma dimensão relevante do TOC, com impacto em outras características desse transtorno. Consequentemente, estudos futuros podem se beneficiar da investigação dos fenômenos de medo e ansiedade e de suas relações com os tipos de obsessões e compulsões, idade de início do TOC, comorbidades e padrões de resposta ao tratamento. <![CDATA[<b>Canabidiol, um componente da <i>Cannabis sativa</i>, como um ansiolítico</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462012000500008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt OBJECTIVES: To review and describe studies of the non-psychotomimetic constituent of Cannabis sativa, cannabidiol (CBD), as an anxiolytic drug and discuss its possible mechanisms of action. METHOD: The articles selected for the review were identified through searches in English, Portuguese, and Spanish in the electronic databases ISI Web of Knowledge, SciELO, PubMed, and PsycINFO, combining the search terms "cannabidiol and anxiolytic", "cannabidiol and anxiolytic-like", and "cannabidiol and anxiety". The reference lists of the publications included, review articles, and book chapters were handsearched for additional references. Experimental animal and human studies were included, with no time restraints. RESULTS: Studies using animal models of anxiety and involving healthy volunteers clearly suggest an anxiolytic-like effect of CBD. Moreover, CBD was shown to reduce anxiety in patients with social anxiety disorder. CONCLUSION: Future clinical trials involving patients with different anxiety disorders are warranted, especially of panic disorder, obsessive-compulsive disorder, social anxiety disorder, and post-traumatic stress disorders. The adequate therapeutic window of CBD and the precise mechanisms involved in its anxiolytic action remain to be determined.<hr/>OBJETIVOS: Revisar e descrever os estudos do constituinte não psicotomimético da Cannabis sativa, o canabidiol (CBD), como ansiolítico e discutir seus possíveis mecanismos de ação. MÉTODO: Os artigos selecionados para a presente revisão foram identificados por meio de busca eletrônica em inglês, português e espanhol nos bancos de dados ISI Web of Knowledge, SciELO, PubMed e PsycINFO e combinando os termos "canabidiol e ansiolíticos", "canabidiol e semelhante ao ansiolítico" e "canabidiol e ansiedade". Foram também revisadas as listas de referências dos artigos incluídos, de revisões da literatura e de capítulos de livro. Incluímos trabalhos experimentais em humanos e em animais, sem limite de tempo. RESULTADOS: Estudos com modelos animais de ansiedade e envolvendo voluntários saudáveis sugerem claramente que o CBD possui efeitos ansiolíticos. Além disso, o CBD mostrou-se capaz de reduzir a ansiedade em pacientes com transtorno de ansiedade social. CONCLUSÃO: Futuros ensaios clínicos com pacientes portadores de diferentes transtornos de ansiedade, em especial pacientes com transtorno do pânico, obsessivo-compulsivo, ansiedade social e estresse pós-traumático, são oportunos. Além disso, ainda é necessário determinar a adequada faixa terapêutica do CBD e os exatos mecanismos envolvidos nessa ação ansiolítica.