Scielo RSS <![CDATA[Sociologias]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1517-452220170002&lang=en vol. 19 num. 45 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Editorial]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[Trabalhadores, sindicatos e a transnacionalização da militância]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200014&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[Beyond boundaries: histories of the rise of Brazilian militants in the transnational trade union activism]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200024&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo pretende analisar o processo por meio do qual, nas últimas duas décadas, sindicalistas brasileiros se engajaram na construção de uma “agenda global” de defesa dos direitos dos trabalhadores. Mais especificamente, interessa-nos compreender quais são as condições sociais de acesso às organizações sindicais internacionais para discutir como a militância, no plano global, tem se convertido em um caminho, até então improvável, para lideranças nacionais. Para tanto, lançaremos mão da análise de trajetórias de sindicalistas metalúrgicos brasileiros que ocupam cargos na federação sindical internacional IndustriALL. A análise dos dados indica que as trajetórias sindicais internacionais se têm sustentado sobre um conjunto de capitais e um habitus militante específicos, articulados com o desenvolvimento de variáveis objetivas, particulares do caso brasileiro.<hr/>Abstract This article aims to analyze the process through which, in the last two decades, Brazilian trade unionists have engaged in the construction of a "global agenda" for advocating for workers' rights. More specifically, we seek to understand the social conditions of access to international trade union organizations, in order to find out how the global militancy has become an unforeseen path for national union leaders. To this end, we analyze the leadership paths of Brazilian metalworkers who occupy positions in the international trade union federation IndustriALL. The analysis of the data indicates that the paths followed by these international union leaders have been based on social capital and specific militant habitus combined with the development of objective variables that are peculiar to the Brazilian case. <![CDATA[Work, globalization, and countermovents: dynamics of collective action by the arts precariat in Brazil and Portugal]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200052&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O artigo pretende comparar a formação do “precariado artístico” no Brasil e em Portugal, a partir da análise dos padrões de proletarização do trabalho de produção cultural nos dois países e sua relação com diferentes trajetórias de ação coletiva dos novos movimentos de trabalhadores precarizados. Assim, destacaremos o dilema enfrentado pelo movimento dos trabalhadores precários para transnacionalizar suas formas de ação coletiva. No caso brasileiro, analisamos, especificamente, a mobilização por políticas públicas para a cultura empreendida pelo movimento “Arte contra a Barbárie” que, distante do sindicalismo, desembocou na conquista do programa paulistano de Fomento ao Teatro. No caso português, investigamos a ação coletiva que se consolidou com a criação do sindicato-movimento “Cena” contra a perda de direitos trabalhistas, num contexto marcado pela adoção pelo governo português de políticas de austeridade negociadas com a União Europeia. Os limites da transnacionalização das reivindicações desses grupos de trabalhadores precários serão problematizados à luz da ideia, muito presente nos novos estudos “neopolanyianos” do trabalho, de que o processo de mobilização do precariado no Sul global anunciaria o advento de um contramovimento “embrionário”, cuja tendência seria florescer conforme a mercantilização neoliberal ampliasse as ameaças à classe trabalhadora em escala mundial.<hr/>Abstract The article aims to compare the formation of an “artistic precariat” in both Brazil and Portugal, by analyzing the patterns of proletarianization of cultural production in both countries and its relation with different trajectories of collective action by new movements lead by precarious workers. Thus, we highlight the dilemma faced by precarious workers movement to transnationalize their forms of collective action. In the Brazilian case, we have particularly analyzed the actions by the movement “Arte contra a Barbárie” demanding public policies in support of culture, which staying aloof from syndicalism attained a new legislation for fostering theater in the city of São Paulo. In Portugal, we have researched the collective action that led to the creation of union-movement called “Cena” that fought against the loss of labor rights, in a context marked by the adoption of austerity measures taken by the Portuguese government in agreement with the European Union. The limits to the transnationalization of the claims of these precarious workers’ groups in both countries will be problematized in the light of the idea, which is very present in the new “neopolanyian” studies of labor, that the process of mobilization of precarious workers in the global South would point to the advent of an "embryonic" countermovement that would tend to burgeon as neoliberal commodification expands the threats to the working class on a world scale. <![CDATA[Militant European Works Councils? Obstacles, agreements and good practices in the light of the Portuguese experience at VW]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200082&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A organização transnacional de trabalhadores apela a distintas configurações institucionais e modos de atuação. Neste texto analisa-se uma dessas formas de organização: os conselhos de empresa europeus (CEEs), estruturas que dão testemunho do modo como os processos de informação e consulta nas empresas de dimensão comunitária podem reforçar a participação laboral transnacional. Baseando-se no impacto setorial dos CEEs em Portugal, este texto valoriza duas dimensões de análise: por um lado, uma dimensão formal e quantitativa associada a uma análise de conteúdos de acordos de CEEs envolvendo representantes de trabalhadores nos setores metalúrgico, químico e financeiro; por outro lado, uma dimensão qualitativa resultante de entrevistas realizadas junto de representantes de trabalhadores em CEEs, de modo a evidenciar boas práticas associadas ao seu funcionamento. Nesse caso, o CEE do grupo Volkswagen merece atenção especial. Argumenta-se que uma transnacionalização laboral efetiva terá sempre de proceder a um trade-off entre uma gestão de obstáculos persistentes e uma maximização de boas práticas emergentes. Assim, sendo uma realidade com “caminho feito”, os CEEs continuam a perseguir como até aqui (e porventura ainda mais em contexto de crise económica) o desafio da construção de uma mais coesa identidade laboral transnacional.**<hr/>Abstract The transnational organization of workers makes use of different institutional configurations and modes of action. This text analyzes one of these forms of organization: European Works Councils (EWCs). These structures reveal how information and consultation processes in EU-scale enterprises can enhance transnational labor participation. Based on the sectoral impact of the EWCs in Portugal, this text emphasizes two dimensions of analysis: on the one hand, a formal and quantitative dimension associated with a content analysis of EWCs agreements involving workers' representatives in the metallurgical, chemical and financial sectors. On the other hand, a qualitative dimension resulting from interviews with workers' representatives in EWCs seeking to show good practices associated with their operation. In this case, the EWC of Volkswagen Group deserves special attention. It is argued that effective labor transnationalization will always have to promote a trade-off between handling persistent obstacles and maximizing emerging good practices. In this sense, even being a reality, whose path is already made, the EWCs proceed in building, as heretofore (and perhaps even more so in the context of economic crisis), a more cohesive transnational labor identity. <![CDATA[International framework agreements and international trade union alliances: tools for a necessary transnationalization of trade union militancy]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200114&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Diante da multiplicação atual dos instrumentos de responsabilidade social empresarial (RSE), o dispositivo frequentemente considerado mais avançado em matéria de defesa dos direitos dos trabalhadores consiste na negociação e na assinatura de acordos-marco internacionais (AMIs). Esses acordos, assinados conjuntamente por uma federação sindical internacional e pela direção de uma empresa multinacional, buscam garantir o reconhecimento de certos direitos sociais fundamentais em todas as operações de uma empresa em âmbito internacional. Baseado na análise dos casos de duas empresas norte-americanas que ratificaram AMIs, este artigo procura evidenciar a contribuição desse instrumento para a regulação social das multinacionais e esclarecer as condições de sua efetividade, assim como seus limites. Ambos os casos demonstram que a utilidade desses acordos repousa, acima de tudo, no modo como os atores sindicais se apropriam desse instrumento. Por fim, nosso estudo salienta a importância das alianças ou coalizões internacionais entre os representantes sindicais de uma mesma multinacional para acompanhar os acordos e lhes dar um sentido prático em sua realidade local.<hr/>Abstract In view of the current proliferation of instruments of corporate social responsibility (CSR), the mechanism seen as the most advanced for protecting employees' rights is the negotiation of international framework agreements (IFA). Such agreements, signed between a Global Union Federation and a multinational company, seek to ensure recognition of certain fundamental social rights in all operations of the enterprise at international level. This article analyzes two cases involving North American companies that have ratified such agreements and seeks to highlight the contribution of this instrument to the social regulation of multinational enterprises, but also to shed some light on the conditions for effectiveness of such agreements while stressing their limitations. The two studied cases demonstrate in this respect that the usefulness of IFA rests, above all, on their appropriation by trade union actors. Finally, the study emphasizes the importance for trade union representatives of the same multinational enterprise to join forces in international alliances or coalitions in order to follow up on these agreements and ensure their implementation at the local level. <![CDATA[Transnational collective action and gender in clothing industry]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200142&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O objetivo central deste artigo é discutir os processos de transnacionalização sindical na confecção do vestuário. Tendo como estudo de caso a cadeia de produção do vestuário ligada à holding Inditex, proprietária de uma das marcas mais valiosas da indústria têxtil (Zara), partimos da hipótese de que os(as) trabalhadores(as) deste setor enfrentam um problema de ação coletiva ligado aos limites de suas próprias capacidades de agência. A partir de procedimentos de tipo qualitativo com métodos cruzados - surveys, entrevistas, levantamento bibliográfico e arquivístico - para São Paulo capital e tendo como comparação o desastre do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, os resultados da pesquisa indicam que na confecção do vestuário, ao contrário de outros setores, a ação coletiva sindical se dilui em arranjos institucionais a partir de iniciativas multistakeholder que acabam por promover processos decisórios de cúpula, com implementação do tipo top-down, sem a influência e participação dos trabalhadores de base, exatamente aqueles(as) que vivenciam a precarização e a violação dos direitos sociais e trabalhistas na cadeia do vestuário.<hr/>Abstract This article aims primarily to discuss the processes of transnationalization of trade union action in the clothing sector. A case study was conducted on a clothing production chain linked to the holding company Inditex, which owns one of the most valuable brands in the textile industry (Zara), supposing that workers in this sector face difficulties for engaging in collective action due to their weak capabilities of agency. Making use of qualitative methods with mixed techniques - surveys, interviews, bibliographical and archival research- the study focused on São Paulo city and compared its context with the disaster of Rana Plaza building in Bangladesh. Research findings indicate that, as compared to other sectors, trade union’s collective action in the clothing industry becomes diluted in institutional arrangements based on multistakeholder initiatives, which ultimately promote top-down decision-making and implementation processes, without influence or participation of grassroots workers, the ones who experience the precariousness of work conditions and violation of social and labor rights in the clothing production sector. <![CDATA[Interview with Chris Tilly]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200204&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O objetivo central deste artigo é discutir os processos de transnacionalização sindical na confecção do vestuário. Tendo como estudo de caso a cadeia de produção do vestuário ligada à holding Inditex, proprietária de uma das marcas mais valiosas da indústria têxtil (Zara), partimos da hipótese de que os(as) trabalhadores(as) deste setor enfrentam um problema de ação coletiva ligado aos limites de suas próprias capacidades de agência. A partir de procedimentos de tipo qualitativo com métodos cruzados - surveys, entrevistas, levantamento bibliográfico e arquivístico - para São Paulo capital e tendo como comparação o desastre do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, os resultados da pesquisa indicam que na confecção do vestuário, ao contrário de outros setores, a ação coletiva sindical se dilui em arranjos institucionais a partir de iniciativas multistakeholder que acabam por promover processos decisórios de cúpula, com implementação do tipo top-down, sem a influência e participação dos trabalhadores de base, exatamente aqueles(as) que vivenciam a precarização e a violação dos direitos sociais e trabalhistas na cadeia do vestuário.<hr/>Abstract This article aims primarily to discuss the processes of transnationalization of trade union action in the clothing sector. A case study was conducted on a clothing production chain linked to the holding company Inditex, which owns one of the most valuable brands in the textile industry (Zara), supposing that workers in this sector face difficulties for engaging in collective action due to their weak capabilities of agency. Making use of qualitative methods with mixed techniques - surveys, interviews, bibliographical and archival research- the study focused on São Paulo city and compared its context with the disaster of Rana Plaza building in Bangladesh. Research findings indicate that, as compared to other sectors, trade union’s collective action in the clothing industry becomes diluted in institutional arrangements based on multistakeholder initiatives, which ultimately promote top-down decision-making and implementation processes, without influence or participation of grassroots workers, the ones who experience the precariousness of work conditions and violation of social and labor rights in the clothing production sector. <![CDATA[The neoliberal enterprise: from the spontaneous order to the moral order]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200230&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O vocabulário dos riscos psicossociais permite qualificar novos sofrimentos no trabalho: enquanto, no século XIX, a violência feita aos corpos atingia as almas, hoje as pressões exercidas sobre as mentes atingem os corpos. Essa terminologia, que se tornou usual no jargão administrativo, é, todavia, dúbia, pois conduz à individualização e à despolitização dos problemas. Essa negação do político está no âmago do projeto neoliberal. Por isso, propomos analisar a coerência ideológica dessa doutrina, antes de examinar de que forma os dispositivos administrativos nas grandes empresas podem ter incorporado, ao menos em parte, uma visão da ação humana sem fim, sem vontade e sem prazer.<hr/>Abstract The vocabulary of psychosocial risks is used to describe new forms of suffering in the workplace: whereas in the 19th century, violence against the body affected souls, today’s pressures exerted on the minds hit the bodies. This terminology, which has become common in the managerial language, is however double-edged, since it leads to the individualization and depoliticization of problems. This negation of politics is at the heart of the neoliberal project. Therefore, we propose to analyze the ideological coherence of this doctrine before examining how the managerial devices in large companies have perhaps, at least partly, incorporated a vision of human action without ends, without will and without pleasure.<hr/>Résumé Le vocable de risques psychosociaux permet de qualifier de nouvelles souffrances au travail : tandis qu’au 19ème siècle la violence faite aux corps atteignait les âmes, les pressions exercées sur les esprits atteignent les corps. Cette terminologie devenue usuelle dans la langue managériale est cependant à double tranchants lorsqu’elle conduit à l’individualisation et à la dépolitisation des problèmes. Cette négation du politique est au cœur du projet néolibéral. Voilà pourquoi nous proposons d’analyser la cohérence idéologique de cette doctrine avant d’examiner en quoi les dispositifs managériaux au sein des grandes entreprises ont peut-être, au moins en partie, incorporé une vision de l’action humaine sans fin, sans volonté et sans plaisir. <![CDATA[Trajectories of disadvantaged young people: on youth’s reality, interpersonal violence, and public policies for young people in the city of Porto Alegre - RS]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200258&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O artigo tem por objetivos introduzir algumas reflexões acerca do significado contemporâneo do termo juventude, bem como realizar ponderações importantes em torno ao binômio juventude-violência. Quer-se, igualmente, apresentar alguns dados relevantes para compreender a situação de vulnerabilidade concreta de jovens que residem em certos bairros da cidade de Porto Alegre, na medida em que permitem deduzir as fortes relações entre violência, educação e família. Por último, o interesse recai em realizar uma breve crítica dos três principais paradigmas sobre políticas para jovens (em torno ao trabalho, à educação e ao esporte) que classicamente se têm implementado. No contexto dessas reflexões, sugere-se considerar de importância o desenvolvimento de uma “cultura digital” e seu coadjuvante “capital social” para a eventual formulação de uma “nova” política para jovens que vivem em situação de vulnerabilidade social em contextos urbanos.<hr/>Abstract This article aims to introduce some reflections on the contemporary meaning of the term youth, and present important considerations on the pair youth-violence. It seeks, also, to introduce some relevant data that help to understand the particular vulnerability of young people who live in certain neighborhoods in the city of Porto Alegre, since these data enable to infer strong relationships between violence, education and family. Finally, it outlines a critical review of the three main paradigms of public policies for juveniles (related to work, education and sports) that have been traditionally implemented. In the context of these reflections it is important to consider the development of a “digital culture” and its side effect, the “social capital”, for the formulation of a “new” policy for young people living under social vulnerability in urban contexts. <![CDATA[Sociological perspectives in the trajectories framework: an analysis on the uses, meanings, and potentialities of a controversial approach]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200300&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumen El objetivo del artículo es estudiar los aportes que brinda la perspectiva de las trayectorias. Desde este lugar, realizamos una reflexión crítica junto a una sistematización teórica de aquellas investigaciones que nos aproximen a comprender los supuestos que se esconden tras estos estudios. La primera sección indaga sobre los orígenes del uso de biografías en la investigación social; nos centramos en los enfoques europeo y norteamericano para vislumbrar los distintos ámbitos de producción en donde surgieron los fundamentos que encuadran y dan sentido al análisis de trayectorias. Un segundo apartado elabora una construcción teórico-metodológica que problematiza el estudio de las trayectorias, proponiendo un marco analítico para su comprensión, a partir de discutir diferentes perspectivas y conceptualizaciones. En este punto, se hace especial hincapié en las potencialidades de los estudios con trayectorias laborales. Para finalizar, buscamos recapitular los aportes que la perspectiva escogida brinda a la investigación social, posibilitando aprehender los fenómenos sociales desde su complejidad analítica, al atender la dimensión objetiva y subjetiva en su articulación espacio-temporal.**<hr/>Abstract This article aims to analyse the contributions provided by the trajectories approach. Thence, a critical reflection is carried out together with a theoretical systematization of researches that may help to understand the underlying assumptions of these studies. The first section looks into the origins of the use of biographies in social research, focusing on European and North American approaches to look at the different areas where the foundations that frame and give meaning to the analysis of trajectories arose. A second section builds a theoretical-methodological framework that problematizes the study of trajectories, proposing an analytical framework for its understanding, based on a discussion of different perspectives and conceptualizations. Special emphasis is placed on the potential of studies on labour trajectories. Finally, we seek to recapitulate the contributions that the chosen perspective provides to social research, enabling to grasp the analytical complexity of social phenomena, by dealing with both the objective and subjective dimensions in their spatio-temporal articulation. <![CDATA[Science as sublimation: the challenge of objectivity in Pierre Bourdieu’s reflexive sociology]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200336&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O artigo investiga a resposta de Bourdieu a um problema clássico na epistemologia das ciências sociais: como é possível um conhecimento objetivo do mundo societário se os pontos de vista dos cientistas sociais são condicionados por seu pertencimento a esse mundo? O texto expõe sua tese de que a sociologia da sociologia, ao revelar os condicionantes sociais do pensamento sobre o social, possibilita uma margem de liberdade em relação a tais condicionantes. Longe de desembocar no relativismo pluriperspectivista, portanto, a sociologia reflexiva de Bourdieu é voltada à conquista da objetividade. O trabalho também mostra que sua noção de reflexividade se articula a uma concepção de objetividade científica como efeito “sublimado” da competição regrada entre agentes interessados que caracteriza o campo da ciência. Por fim, embora simpático à proposta de Bourdieu, o artigo é pontuado com considerações críticas sobre as tensões a ela inerentes: a) o reconhecimento do caráter “posicionado” das suas intervenções sociológicas versus a intenção de capturar o espaço inteiro dos pontos de vista sociocientíficos; b) a defesa de uma reflexividade sociológica calcada na dialética racional do campo científico versus a admissão de que as ciências sociais não possuem suficiente autonomia para levar essa dialética racional a cabo.<hr/>Abstract The article investigates Bourdieu’s answer to a classic problem in the epistemology of the social sciences: how is an objective knowledge of the social world possible if social scientists’ points of view are conditioned by their belonging to this world? The text presents his thesis that the sociology of sociology, by revealing the social conditionings of social thought, enables a margin of freedom from these conditionings. Far from sliding into multiperspectivistic relativism, therefore, Bourdieu’s reflexive sociology is geared towards the conquest of objectivity. The paper also shows that his notion of sociological reflexivity is articulated to a conception of scientific objectivity as a “sublimated” effect of the rule-bound competition between interested agents that characterizes the field of science. Finally, although sympathetic to Bourdieu’s proposal, the article is interspersed with critical considerations about the tensions that inhere to it: a) the recognition of the “positioned” nature of his sociological interventions versus the intention of capturing the whole space of social-scientific viewpoints; b) the defense of a sociological reflexivity based on the rational dialectic of the scientific field versus the admission that social sciences do not possess enough autonomy to bring this rational dialectic about. <![CDATA[The concept modo de vida: between translations, definitions, and discussions]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200370&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A concepção de “modo de vida” tem sido muito utilizada nas Ciências Sociais, principalmente, para assinalar mudanças culturais, tal como pode ser observado desde Durkheim, Weber, Wirth, Rambaud, Lefebvre, Bourdieu, dentre outros. No entanto, o termo “modo de vida” assume uma pluralidade de significados, dificultando a compreensão das nuances interpretativas que o perpassam. As traduções para o português de estudos em língua inglesa e francesa, por vezes, apresentam termos idênticos para ideias originalmente distintas. Dada essas ambiguidades na definição do modo de vida, esse artigo se propõe a analisar os significados a ele atribuídos na literatura nacional e internacional. Como metodologia foram utilizados dados secundários oriundos de artigos e teses que utilizam o termo modo de vida e/ou traduzem a terminologia para a língua portuguesa, aplicando-se a análise em redes como ferramenta para avaliar o seu uso. Os resultados indicaram que termos distintos em sua língua original, como no francês genre de vie e style de vie, têm, rotineiramente, a mesma tradução para o português, modo de vida, reforçando a imprecisão do termo.<hr/>Abstract The concept modo de vida has been widely used in social sciences, particularly to denote cultural changes, as seen in Durkheim, Weber, Wirth, Rambaud, Lefevbre, and Bourdieu. Nevertheless, the term modo de vida bears multiple, nuanced, meanings, making difficult to understand its distinct interpretations. Translations of studies from English and French to Portuguese sometimes present the same term to denote different original notions. In view of these ambiguities of the concept modo de vida, this article aims to analyze the meanings ascribed to the term modo de vida in both national and international literature. The methodological approach was based on secondary data comprised by studies featuring the term modo de vida or his correlates, and used network analysis as a tool to analyze the use of synonymy and translations of many terms related to modo de vida. The results points to distinct concepts, such as the French terms of genre de vie and style de vie, being often translated into Portuguese as modo de vida, therefore reinforcing the vagueness of the Portuguese term modo de vida. <![CDATA[Clientelism revisited: an explanation focused on mediators]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222017000200398&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Esta resenha analisa o livro escrito a oito mãos por Susan Stokes et al., intitulado Brokers, voters, and clientelism: the puzzle of distributive politics. Neste volume os autores investigam as políticas distributivistas e o clientelismo, a partir de um amplo esforço de revisão bibliográfica, com o emprego e a combinação de vários métodos e técnicas de pesquisa e a mobilização de um conjunto variado de fontes. Os autores buscam responder como as políticas não-programáticas, especialmente, o clientelismo funcionam. A despeito de alguns aspectos que merecem crítica, o livro, sem dúvida, oferece uma importante contribuição para os pesquisadores brasileiros interessados no tema.<hr/>Abstract This review analyses the book written Stokes, Dunning, Nazareno and Brusco, Brokers, voters and clientelism: the puzzle of distributive politics. In this work, the authors examine distributive policies and clientelism, based on an extensive review of literature, deploying a combination of various research methods and techniques and mobilizing a diverse set of sources. The authors seek to answer how non-programmatic policies, particularly clientelism, work. Despite some aspects that deserve criticism, to the book is undoubtedly an important contribution to researchers interested in the subject.