Scielo RSS <![CDATA[Sociologias]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1517-452220180003&lang=en vol. 20 num. 49 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[A Sociologia e as migrações]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300009&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[Sociology of migrations: between the understanding of the past and the challenges of the present]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300018&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este texto tem por objetivo problematizar a temática das migrações e sua importância no campo sociológico, tendo em vista o incremento global recente dos fluxos migratórios, que não se faz acompanhar de políticas adequadas à sua gestão, configurando um quadro social dramático e complexo cuja compreensão constitui um grande desafio para as ciências sociais e para a sociologia em particular. Buscando trazer elementos que contribuam para a compreensão da questão e para estimular o debate produtivo em torno dela, o texto introduz um conjunto de trabalhos que compõem o dossiê Sociologia das migrações: entre a compreensão do passado e os desafios do presente. Os artigos apresentam diferentes dimensões da problemática: em termos de abrangência (internacional ou focada no Brasil), em termos de passado e presente, em termos de abordagens macro e micro.<hr/>Abstract The purpose of this text is to problematize the issue of migration and its importance as a subject of sociology, in view of the recent intensification of migration flows on a global scale, what is not accompanied by appropriate migration policies and governance. This leads to a dramatic and complex social framework whose understanding constitutes a major challenge for the social sciences and for sociology in particular. Seeking to bring elements that contribute to the understanding of the question and to stimulate its discussion, the text introduces a set of works that comprise the dossier Sociology of migrations: between the understanding of the past the the challenges of the present, offering insights on different dimensions of this issue: in terms of scope (international or focused in Brazil), in terms of the past and the present, in terms of macro and micro approaches. <![CDATA[Migration and the historical formation of Latin America in a global perspective]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300024&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract In this article I analyse how transcontinental migrations, the various forms that these took (Paleolithic first settlement, conquest and colonialism, slavery, free mass movements, and mercantile diasporas), and the way these interacted in the receiving environments, shaped the historical formation of Latin America. The article shows how these interactions explain the key apparent contradictions of Latin America: that it is both the most racially diverse and the most culturally homogeneous region in the world; that it has the highest crime/homicide rates but also the lowest levels of civil and international wars, holocausts, and other forms of collective violence; and that it has the highest levels of social inequality in the world but also some of its historically most egalitarian areas.<hr/>Resumen En este artículo analizo cómo las migraciones transcontinentales, en las diversas formas que asumieron (el primer asentamiento paleolítico, conquista y colonialismo, esclavitud, movimientos de masa libres y diásporas mercantiles) y la manera como éstas interactuaron con los entornos receptores ha determinado la formación histórica de América Latina. El artículo muestra cómo estas interacciones explican las aparentes contradicciones de América Latina: el hecho de ser la región más diversa del mundo en términos raciales y, al mismo tiempo, aquella culturalmente más homogénea; la que exhibe las tasas más altas de criminalidad / homicidio, pero también los menores índices de guerras civiles e internacionales, holocaustos y otras formas de violencia colectiva; y la que muestra los más altos índices mundiales de desigualdad social, pero que incluye también algunas de las áreas históricamente más igualitarias en el mundo.<hr/>Resumo Este artigo analisa de que modo as migrações transcontinentais, nas várias formas que assumiram (o primeiro assentamento paleolítico, conquista e colonialismo, escravidão, movimentos de massa livres e diásporas mercantis) e a maneira como estas interagiam com os ambientes receptores moldou a formação histórica da América Latina. O artigo mostra como essas interações explicam as aparentes contradições da América Latina: o fato de ser a região mais diversa do mundo em termos raciais e, ao mesmo tempo, aquela culturalmente mais homogênea; a que exibe as mais altas taxas de criminalidade / homicídio, mas também os menores índices de guerras civis e internacionais, holocaustos e outras formas de violência coletiva; e a que mostra os níveis mais altos índices mundiais de desigualdade social, mas que incluiu também algumas das áreas historicamente mais igualitárias no mundo. <![CDATA[Social amnesia and immigrant representations: consequences of historical and colonial oblivion in Europe and America]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300070&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Em vários países de imigração hoje, especialmente na Europa e na América do Norte, os “novos” imigrantes não europeus são vistos como mais problemáticos do que os imigrantes “históricos” da Europa. Geralmente, os movimentos e políticos anti-imigrantistas negam que sejam racistas, alegando que os novos imigrantes não aceitam os valores ocidentais, e que suas características culturais impedem a integração e produzem atitudes antidemocráticas, machistas e até terroristas. O artigo apresenta evidências históricas de que tal caracterização dos novos imigrantes, como se fossem portadores de uma alteridade insuperável, sem nenhuma relação com os países de imigração, só é possibilitada por duas formas de amnésia social: o esquecimento do tratamento sofrido por muitos imigrantes da periferia europeia no passado, e o esquecimento do passado colonial e neocolonial dos países de imigração. No passado, vários grupos imigrantes da periferia da Europa sofreram bastante hostilidade e estigmatização nos principais países de imigração. Também precisamos levar em conta o passado colonial para compreender as mudanças nos fluxos migratórios e as representações dos novos imigrantes, muitos dos quais não chegaram em grandes números antes, porque eram excluídos por políticas racistas de imigração. Distinguimos entre impérios de ultramar e impérios continentais, que muitas vezes incorporam povos conquistados como minorias nacionais e arbitrariamente dividem nações, redefinindo como “imigrantes” ou “ilegais” povos que migram dentro de seus próprios territórios. Argumentamos que a amnésia histórica e colonial não corresponde somente à vontade psicológica de deslegitimar os novos imigrantes; também é institucionalizada nos lugares e nas instituições da memória, que excluem da memória pública a integração dolorosa dos imigrantes da periferia europeia e as relações coloniais e neocoloniais entre os países de imigração e os territórios de origem dos novos imigrantes.<hr/>Abstract In several countries of immigration today, especially in Europe and North America, the “new” non-European immigrants are seen as more problematic than the “historic” immigrants from Europe. Anti-immigrant movements and politicians generally deny that they are racists, alleging that the new immigrants do not accept western values, and that their cultural characteristics impede integration and produce antidemocratic, sexist and even terrorist attitudes. This article presents historical evidence that this characterization of the new immigrants, as if they were bearers of an insuperable alterity, completely unrelated to the countries of immigration, is only made possible by two forms of social amnesia: the forgetting of the treatment suffered by many immigrants from the European periphery in the past and the forgetting of the colonial and neocolonial past of the countries of immigration. In the past, several immigrant groups from the European periphery suffered hostility and stigmatization in the principal immigrant receiving countries. We also need to take the colonial past into account, in order to understand changes in migrant streams and the representations of the new immigrants, many of whom did not arrive in great numbers earlier, because they were excluded by racist immigration policies. We distinguish between overseas and continental empires, which often incorporated conquered peoples as national minorities and arbitrarily divide nations, redefining as “immigrants” or “illegal” peoples who migrate within their own territories. We argue that historical and colonial amnesia does not only correspond to the psicological need to delegitimate the new immigrants; it is also institutionalized in places and institutions of memory, which exclude from public memory the painful integration of immigrants from the European periphery and the colonial and neocolonial relations between the countries of immigration and the places of origin of the new immigrants. <![CDATA[Becoming a refugee. A life-course approach to migration under duress]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300110&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract This article offers a sociological approach to the ongoing debate about the distinction between refugees and migrants. It adopts a life-course perspective on seeking refuge. Seeking refuge is embedded not only in the legal regimes of refugee protection, but also in other institutional frameworks governing the life-course. Exploring continuities between migrants and refugees allows for a better understanding of whether and under what preconditions the refugee category is applied by administrations and accessed by refugees themselves. With the help of case studies selected strategically from a larger sample of narrative interviews with university educated migrants to Germany, Turkey, and Canada, the article shows how the implementation and administration of the Geneva Refugee Convention in Germany is organized in a manner that often diverges from the empirical reality of fleeing from persecution and lack of protection. On this basis, a broader comparison with migrants in Turkey and Canada who could fall under the Geneva Refugee Convention, but who mostly refrain from claiming asylum, shows that those with better resources and socio-spatial autonomy can, if well informed, find alternative options for gaining protection rather than claiming refugee status. Whether migrants under duress see themselves as refugees and whether they claim asylum does not only result from the persecution they face but also from specificities of legal and administrative frameworks, as well as their position in global structural inequalities and it is related to divergent degrees of socio-spatial autonomy.<hr/>Resumen Este artículo presenta un enfoque sociológico para el debate en curso sobre la distinción entre refugiados y migrantes. Para ello, yo adopto enfoque de curso de vida para el análisis de la búsqueda de refugio. La búsqueda de refugio está incorporada no sólo en los regímenes legales de protección a los refugiados, sino también en otras estructuras institucionales que dirigen el curso de la vida. Explorar las continuidades entre migrantes y refugiados permite una mejor comprensión de si, y bajo qué requisitos previos la categoría de refugiado es aplicada por las autoridades y accedida por los propios refugiados. Haciendo uso de estudios de caso elegidos estratégicamente a partir de una muestra mayor de entrevistas narrativas con migrantes con formación académica, en Alemania, Turquía y Canadá, el artículo muestra cómo la implementación y la administración de la Convención de Ginebra sobre los refugiados en Alemania se organiza de una forma que muchas veces se aleja de la realidad empírica de la fuga por persecución y por falta de protección. A partir de ello, se hace una comparación más amplia, con migrantes en Turquía y Canadá que podrían encuadrarse en la Convención de Ginebra sobre los refugiados, pero que, en su mayor parte, se abstienen de reivindicar asilo. Se ha observado que aquellos con mejores recursos y autonomía socio-espacial pueden, si están bien informados, encontrar alternativas para ganar protección, en lugar de reclamar el estatus de refugiado. Si los migrantes bajo coacción se ven a sí mismos como refugiados y si reclaman asilo o no es resultado no solo de la persecución que enfrentan, sino también de las especificidades de los marcos legales y administrativos, así como su posición en las desigualdades estructurales globales y, además, tiene relación con los distintos grados de autonomía socio-espacial.<hr/>Resumo Este artigo apresenta uma abordagem sociológica para o debate em curso sobre a distinção entre refugiados e migrantes. Para tanto, adoto uma perspectiva de trajetória de vida para a análise da busca de refúgio. Esta busca por refúgio está incorporada não apenas nos regimes legais de proteção aos refugiados, mas também em outras estruturas institucionais que regem o curso da vida. Explorar as continuidades entre migrantes e refugiados permite uma melhor compreensão de se, e sob quais pré-requisitos, a categoria refugiado é aplicada pelas autoridades e acessada pelos próprios refugiados. Com a ajuda de estudos de caso estrategicamente selecionados a partir de uma amostra maior de entrevistas narrativas com migrantes com formação acadêmica, na Alemanha, Turquia e Canadá, o artigo mostra como a implementação e a administração da Convenção de Genebra sobre Refugiados na Alemanha é organizada de forma muitas vezes distanciada da realidade empírica da fuga por perseguição e falta de proteção. Com base nisso, uma comparação mais ampla, com migrantes na Turquia e no Canadá que poderiam se enquadrar na Convenção de Genebra sobre Refugiados, mas que, na sua maior parte, se abstêm de reivindicar asilo, mostra que aqueles com melhores recursos e autonomia socioespacial podem, se bem informados, encontrar opções alternativas para ganhar proteção ao invés de reivindicar o status de refugiado. Ver-se como refugiado ao migrar sob coação e reivindicar ou não asilo não resulta exclusivamente da perseguição enfrentada, mas também das especificidades dos marcos legais e administrativos, bem como da posição que a pessoa ocupa nas desigualdades estruturais globais, e tem relação com os diferentes graus de autonomia socioespacial. <![CDATA[The immigrant in Brazilian social sciences, 1940-1960]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300142&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Neste texto, examino os estudos sobre imigrantes no Brasil produzidos nas ciências sociais brasileiras entre as décadas de 1940 e 1960. Exploro a dinâmica de relações que contribuiu para a realização desses estudos, considerando as atividades de certos intelectuais que tiveram centralidade naquele contexto, a formação de redes internacionais de pesquisadores e os conteúdos teórico-metodológicos que ali foram produzidos e mobilizados. Argumento que dois movimentos situados no pós-guerra exerceram grande impacto nos quadros de análise da questão migratória nas ciências sociais brasileiras: a internacionalização do debate acadêmico-científico e as disputas entre diferentes projetos acadêmicos. Especificamente, são consideradas tanto a participação brasileira em iniciativas de estudos sobre imigração patrocinadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), quanto as críticas dirigidas aos estudos de comunidades produzidas nas ciências sociais paulistas. Esses dois movimentos impactaram diretamente nos esquemas analíticos propugnados por cientistas sociais, ao redefinirem a condição do imigrante e estimularem o estabelecimento de novos parâmetros para o estudo das relações étnico-raciais. O artigo pretende ampliar o entendimento atualmente disponível sobre a constituição desse eixo temático de estudos, historicamente voltado à discussão de temas candentes à sociedade brasileira, como o preconceito, o racismo, a segregação, a inclusão social, a democracia e a identidade nacional.<hr/>Abstract In this article, I examine the studies on immigrants in Brazil, produced in the Brazilian social sciences between the 1940s and 1960s. I explore the dynamics of relationships that contributed to the production of these studies, considering the activities of some intellectuals that had a central role in that context, the formation of international networks of researchers and the theoretical-methodological content produced and mobilized there. It is argued that two post-war movements had a great impact on the analysis of the migratory issue in the Brazilian social sciences: the internationalization of the academic-scientific debate and the disputes between different academic projects. In particular, both the Brazilian participation in immigration studies initiatives sponsored by the United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) and the criticisms directed at the studies of communities produced in the social sciences of São Paulo are considered here. These two movements have directly impacted on the analytical frameworks advocated by social scientists, by redefining the condition of the immigrant and encouraging the establishment of new parameters for the study of ethnic-racial relations. The article intends to broaden the understanding currently available on the constitution of this field of studies historically focused on the discussion of themes so controversial in Brazilian society, such as prejudice, racism, segregation, social inclusion, democracy and national identity. <![CDATA[The sociology of immigration in Brazil between the 1940s and 1970s]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300198&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Entre os anos 1940 e 1970, no Brasil, os estudos imigrantistas rivalizaram com os estudos comunitários, rurais e indígenas. Em termos teóricos, todos eles trabalharam com a mesma temática de assimilação à sociedade nacional. Revistas tais como Sociologia (ELSP), Revista de Antropologia, Revista do Museu Paulista e Anhembi acolheram diversos trabalhos sobre imigrantes, resultados de pesquisas feitas por autores tais como Emílio Willems, Hiroshi Saito e Ruth Cardoso. Florestan Fernandes interessou-se pelo tema, tendo publicado três artigos sobre a imigração árabe no Brasil. Nos anos 1970, contudo, o tema perdeu interesse. Sociólogos brasileiros interessaram-se por outros temas, tais como classes sociais e desenvolvimento nacional. Este trabalho volta ao período em tela para, analisando a trajetória dessa produção sobre o tema da imigração, compreender sua importância e perda de centralidade no seio da sociologia brasileira. Focamos a análise no período que vai de 1930 a 1970, quando a produção sociológica sobre o tema foi numerosa, tomando como fonte de informação tanto as principais revistas da área quanto livros publicados, a fim de compreender qual o lugar e o papel desempenhado pelos estudos sobre imigração na sociologia brasileira.<hr/>Abstract Between the 1940s and 1970s, in Brazil, immigrant studies competed with community, rural, and indigenous studies. As regards theory, all of them worked with the same theme of assimilation to the national society. Journals such as Sociologia (ELSP), Revista de Antropologia, Revista do Museu Paulista and Anhembi have published several papers on immigrants, describing the finding of researches conducted by authors such as Emílio Willems, Hiroshi Saito and Ruth Cardoso. Florestan Fernandes was interested in the subject, having published three articles on Arab immigration in Brazil. Nevertheless, in the 1970s, the theme lost interest. Brazilian sociologists changed their focus to the studies on social class and national development. The present work returns to that specific period to analyze the trajectory of this production on the subject of immigration, seeking to understand its importance and loss of centrality within Brazilian sociology. We focused our analysis in the period from 1930 to 1970, when the sociological production on the subject was numerous, taking as source of information both the main journals of the area and books published, in order to understand the place and the role played by the immigrant studies in Brazilian sociology. <![CDATA[Lasar Segall between travels and migrations: a European in the tropics]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300230&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Neste artigo, examino os deslocamentos migratórios do artista plástico Lasar Segall (1889-1957). Trata-se, a meu ver, de um caso paradigmático para o estudo das migrações de artistas tanto pelas marcas deixadas pela experiência migratória em sua pintura, quanto pelo destaque a elas dado na recepção crítica de sua obra. Nesse exercício, abordo as especificidades das migrações do artista dentro de um contexto mais amplo de fluxos migratórios contemporâneos aos seus. De fato, o período mais movimentado da vida de Segall, de 1906 a 1932, entre viagens e migrações, também foi marcado por grandes fluxos migratórios tanto intraeuropeus como transatlânticos. Enfim, alguns temas conexos também serão tratados, como nacionalismo, xenofobia e racismo, cosmopolitismo, exotismo, transnacionalismo e exílio.<hr/>Abstract In this article, I examine the migrations of the plastic artist Lasar Segall (1889-1957). In my view, this constitutes a paradigmatic case for the study of migrations of artists both for the imprints left by the migration experiences on his painting, and for the prominence attributed to them by the critical reception of his work. In this exercise, I consider the specificities of the artist's migrations within a broader context of migration flows contemporary with his own. In fact, Segall's busiest period, from 1906 to 1932, between travels and migrations, was also marked by large intra-European and transatlantic migration flows. Finally, some related themes will also be treated, such as nationalism, xenophobia and racism, cosmopolitanism, exoticism, transnationalism and exile. <![CDATA[Music in the streaming era: music curatorship and discovery in Spotify]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300258&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Serviços de streaming facilitam o consumo e a descoberta de músicas gravadas ao oferecer acesso irrestrito e sob demanda a uma gigantesca coleção musical a partir de qualquer dispositivo online, em qualquer hora ou local. A curadoria, feita por humanos e/ou máquinas, tem o papel de filtrar, selecionar e guiar a experiência de consumo, sendo uma forma de lidar com a abundância e superacessibilidade de conteúdo. Após pesquisa realizada com 20 usuários do Spotify, combinando entrevistas e análise de dados, os resultados mostram que a facilidade de acesso incentiva a descoberta de novas músicas, tornando a experiência de consumo mais diversificada e fragmentada, e demonstram o papel fundamental das playlists como principal forma de descoberta e coleção musical. O estudo revela ainda que a curadoria algorítmica, apesar de ser constantemente aprimorada, não substitui a curadoria humana devido à sua maior previsibilidade e imprecisão.<hr/>Abstract Streaming boosts music consumption and discovery by offering on-demand access to a large music collection from any connected device, anytime and anywhere. Music curation - which can be done by humans or machines - is as a way to filter, select and guide consumer experience, helping users to deal with the abundance and over-accessibility of content. Results of in-depth interviews conducted with 20 Spotify users in Brazil, articulated with data collected from their digital listening practices, shows how ease of access encourages practices of music discovery and promotes a more diversified and fragmented consumer experience. Playlists are often used as mechanisms of musical discovery, collection and identity formation, being one of the main changes fostered by streaming. This study also demonstrates that algorithmic curation, although constantly improved, still does not replace human curation mainly due to its greater predictability and lack of precision. <![CDATA[Recognition, derecognition, and symbolic demarcation: a conceptual contribution to the analysis of the negative dimension of recognition]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300294&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O presente artigo tem por objetivo central esboçar uma discussão teórica a respeito de relações de demarcação e hierarquização simbólicas que poderiam ser descritas por meio da categoria analítica de desreconhecimento. Este conceito, que será apresentado em relação aos recentes debates sobre a teoria do reconhecimento, conforme formulada por Axel Honneth, e sobre o lado negativo das relações de reconhecimento, visa explicitar formas de exercício do poder por meio das quais grupos privilegiados denegam a outros grupos ou indivíduos a possibilidade de participar em condições de igualdade das esferas institucionais de reconhecimento que legitimam as sociedades modernas. Neste sentido, as práticas e discursos de desreconhecimento representam uma negação intencional ou uma tentativa de solapar a aplicação dos princípios implícitos do liberalismo democrático e universalista, conforme pressuposto na tradição teórica do reconhecimento. Particular atenção será dada a dois casos de corrosão das normas implícitas de reconhecimento: em primeiro lugar, serão expostas formas de animosidade que buscam justificar estas práticas por meio do recurso à constituição de um imaginário sobre grupos diferentes, assim atribuindo a estes últimos certas características negativas; em segundo lugar, serão trabalhados alguns exemplos da tradição do pensamento social brasileiro e de um eventual aguçamento das tensões políticas e de suas consequências para as tentativas de demarcação simbólica observadas no país.<hr/>Abstract The aim of this article is to prospectively review forms of symbolic demarcation based on the analytical category of derecognition. in Axel Honneth's theory of recognition but departs significantly from it. Thanks to this movement, it will be able to pay attention to the often overlooked dimension of negative relations of recognition, in which privileged groups or individuals manage to exert social power over other groups or individuals, whose social position is weaker, thus impeding these latter totake part on the symbolic spheres of recognition, which build up modern societies. Accordingly, such practices of symbolic demarcation of social barriers will be exposed as tendencies towards the undermining of the normative core of modernity (namely, its principles of equality and participation). Two cases will be exposed at length, in order to make the situation understandable: the problem of group stereotyping through group-focused animosity and the problem of second-class citizenship in Brazil. <![CDATA[Identities and new directions of the Brazilian film criticism: the case of the reception of <em>Vazante</em>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300318&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A partir do estudo de caso da recepção do filme Vazante no contexto nacional, o artigo indica hipóteses sobre novas direções da crítica cinematográfica, dentre as quais se destacam: a ênfase em dimensões de pertencimento identitário; a valorização de participação presencial e direta nos debates; e a indicação de conhecimento proveniente da crítica. Argumenta-se que tais direções expressam demandas relevantes por conferir visibilidade a reivindicações de justiça e ao sentido histórico de desigualdades, em particular a seus efeitos no campo cinematográfico. Notamos também possíveis impasses indicados pela crítica, sobretudo referentes a aspectos que fundamentaram parâmetros críticos convencionais.<hr/>Abstract Based on the analysis of the reception of the film Vazante in the Brazilian context, the article proposes hypotheses about new tendencies of film criticism, among which stand out: the emphasis on identity and belonging dimensions; the value of physical presence and direct participation in the debates; and the possibility of public awareness originating from the criticism field. It is argued that such directions express relevant demands for giving visibility to claims of justice and the historical inequalities, in particular to their effects on the field of cinematography. Possible dilemmas are also pointed out, especially related to aspects that based conventional criticism. <![CDATA[Ecological sensitivity and environmentalism: a reflection on human-nature relationship]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300338&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Neste artigo, são abordadas diferentes dimensões presentes nas representações humanas sobre a natureza: a sensibilidade ecológica, ou seja, a manifestação dos sentimentos e percepções humanas em relação ao mundo natural, e o ambientalismo, movimento construído historicamente, de caráter global, porém plurifacetado, disperso em diversas vertentes, que se dedica à proteção e conservação do ambiente natural e humano. O objetivo é analisar a historicidade dessas dimensões, considerando alguns de seus defensores e críticos. A discussão leva, finalmente, ao entendimento da relação dos humanos com a natureza como um problema tanto histórico quanto ético-moral.<hr/>Abstract This paper discusses the differences between two dimensions present in human representations of nature: the ecological sensitivity, ie, human feelings and perceptions about nature; and environmentalism, a global movement built historically, which is multifaceted, scattered across various areas, and is dedicated to the protection and management of natural and human environment. The goal is to analyze the historicity of these dimensions, considering the views of some of its supporters and critics. The discussion, finally, enables to understand human relationship with nature as a problem that is both historical and ethical-moral. <![CDATA[Present, past & future dystopias: the monsters of society]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300368&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A presente resenha abarca a obra de Gregory Claeys mapeando o que chama de história natural da distopia, cujo objetivo é dar conta da passagem, na sociedade, dos medos naturais (deuses, monstros) para os medos sociais (tecnologias opressivas, totalitarismo). Analisarei como o autor busca, atentando a fatos históricos, mitos, religiões, sistemas políticos e à chamada “literatura distópica”, dar conta da dimensão comportamental-emocional e das sensações definidoras de distopias para diferentes grupos e sociedades. Com isso, serão observados não apenas cenários e obras projetadas como distópicas, mas contextos passados e presentes assim caracterizados: a tarefa é justamente alertar e educar sobre as distopias da vida real. Considerando a presente conjuntura político-socioeconômica, é um esforço que intenta forçar a conceber soluções coletivas em momentos de crescente irracionalidade e pânico.<hr/>Abstract The present review looks into the work of Gregory Claeys that maps what he calls the natural history of dystopia, aiming to account for the passage, in society, from natural fears (gods, monsters) to social fears (oppressive technologies, totalitarianism). I will analyze how the author seeks, by examining historical facts, myths, religions, political systems and the so-called “dystopic literature”, to deal with the behavioral-emotional dimension and the sensations that define dystopias for different groups and societies. Thereby, not only scenarios and works projected as dystopic are considered, but also past and present contexts so characterized: the task is precisely to alert and educate about the real-life dystopias. Considering the present political-socioeconomic context, it is an effort that intends to induce envisioning collective solutions in moments of growing irrationality and panic. <![CDATA[On politics in inter-knowledge contexts]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000300382&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A obra resenhada apresenta um panorama didático e imprescindível dos estudos sobre o clientelismo, inclusive em sociedades contemporâneas. Representa uma contribuição fundamental para as ciências sociais, ao ampliar a perspectiva da denunciação, ressaltar que o clientelismo é noção dificilmente dissociada de uma intenção moral e, especialmente, indagar em que medida os diagnósticos intelectuais da patologia da política são mobilizados na condição de crítica, deslegitimação ou desqualificação das práticas dos oponentes na luta política.<hr/>Abstract The book reviewed presents an essential and very didactic panorama of studies on clientelism, including on contemporary societies. It represents a fundamental contribution to the social sciences by broadening the perspective of denunciation, emphasizing that clientelism is a concept that is difficult to dissociate from a moral intention, and, especially, inquiring to what extent the intellectual diagnoses of that pathology of politics are mobilized as criticism, delegitimization or disqualification of the practices of opponents involved in the political struggle.