Scielo RSS <![CDATA[Sociologias]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1517-452220180002&lang=en vol. 20 num. 48 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Literatura e conhecimento sociológico]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[Literature and sociology: a mutual incitement relationship]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200016&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este texto faz uma breve discussão da área da sociologia da literatura em âmbito internacional, trazendo uma síntese dos conflitos e indefinições que marcam sua institucionalização, bem como da produção acadêmica da área, ressurgida a partir da década de 1990, com vistas a introduzir e contextualizar o dossiê Literatura e conhecimento sociológico que compõe esta edição de Sociologias. Este dossiê pretende ser recebido como parte de um conjunto de trabalhos recentes que se vêm dedicando a redimensionar o escopo da sociologia da literatura. Os artigos nele encartados partiram de um tema específico: a relação entre literatura e conhecimento sociológico, o que põe em relevo uma reflexão sobre a natureza do conhecimento que se pode extrair de cada uma dessas formas de reconstrução do mundo social.<hr/>Abstract This is a brief discussion on the area of sociology of literature internationally, bringing a synthesis of the conflicts and uncertainties that mark its institutionalization, as well as the resurgent academic production of the area as of the 1990s on, to introduce and contextualize the dossier Literature and sociological knowledge. This dossier is intended to be taken as part of a set of recent works that have been trying to redefine the scope of the sociology of literature. It comprises articles focused on a specific topic: the relationship between literature and sociological knowledge, which highlights a reflection on the nature of knowledge that can be drawn from each of these forms of reconstruction of the social world. <![CDATA[Existence and object of the “sociology of literature”, today]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200030&lng=en&nrm=iso&tlng=en Résumé Pour des raisons méthodologiques, la sociologie entretient une relation plutôt distante avec la littérature. En tant que discipline scientifique, la sociologie doit définir ses objets sur la base de « propriétés inhérentes » (Durkheim). Y aurait-il une littérarité (Literarnost), telle que proposée par Jakobson ? Évidemment pas. La même chose s’applique à la fictionalité. La sociologie, par conséquent, préfère aborder son objet de façon détournée, pour aborder la « littérature » par son environnement : auditoires, critiques, politiques éditoriales, lecture. Cet article analyse quelques raisons historiques et épistémologiques d’une telle stratégie, qui évite d’aborder le noyau même de la littérature : la confrontation de différents mondes fictifs dans le texte et dans la lecture. Selon la théorie de la fiction, si la sociologie doit comprendre les forces qui transforment le statut actuel de la société, elle devrait accorder plus d’attention aux processus symboliques qui se produisent dans l’expérience littéraire, une activité qui permet à tous de se confronter des situations et des valeurs possibles (fictifs) et, par conséquent, symbolise un monde social différent possible.<hr/>Abstract For methodological reasons, sociology keeps a rather distant relationship to literature. As a scientific discipline, sociology has to define its objects on the basis of “inherent properties” (Durkheim). Would there be a literariness (Literarnost), as proposed by Roman Jakobson, in 1919? Obviously, not. The same applies to fictionality. Sociology, therefore, prefers to tackle its object in a roundabout way, to approach “literature” by its surroundings: audiences, critiques, publishing policies, reading. This paper analyzes some historical and epistemological reasons for such a strategy, which avoids addressing the very core of literature: the confrontation of different fictional worlds in the text and in the reading. Based on the fiction theory, it is argued that if sociology is to understand the forces that transform the present status of society, it should pay more attention to the symbolic processes that occur in the literary experience, an activity that allows everyone to confront possible (fictional) situations and values and that, therefore, symbolizes a possible different social world.<hr/>Resumo Por razões metodológicas, a sociologia mantém uma relação um tanto distante da literatura. Como disciplina científica, a sociologia deve definir seus objetos com base em “propriedades inerentes” (Durkheim). Haveria algo como uma literariedade (Literarnost), como proposto por Roman Jakobson, em 1919? Obviamente, não. O mesmo se aplica à ficcionalidade. A sociologia prefere, assim, investigar seu objeto de forma indireta, abordando a “literatura” por meio do seu entorno: público, crítica, política editorial, leitura. O presente artigo analisa algumas razões históricas e epistemológicas para tal estratégia, que evita abordar o próprio cerne da literatura: o confronto entre diferentes mundos ficcionais no texto e na leitura. Com base na teoria da ficção, argumenta-se que, se a sociologia deve compreender as forças que transformam o status atual da sociedade, ela deveria prestar mais atenção aos processos simbólicos que ocorrem na experiência literária, atividade que permite a todos confrontarem-se com possíveis (ficcionais) situações e valores e que, portanto, simboliza um possível mundo social diferente. <![CDATA[Modern Literature as a Form of Discourse and Knowledge of Society]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200048&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Since the 1960’s, epistemological skepticism and constructionism have had a firm position in literary studies. Structuralism’s late phase, post-structuralism, certain sub-branches of current narratology, and certain representatives of recent sociology of literature, in particular, have maintained this sort of philosophical line of thought in literary studies. According to it, literature’s epistemic function can chiefly lie in that it possibly helps us to deconstruct different discourses or world views and to understand their strengths and weaknesses. The article argues for the view that these research trends operate with a unidimensional conception of reality and with a questionable version of constructionism. Hence, they do not understand the specificity of societal-cultural reality and social actors’ specific epistemic relation to it. On this basis, modern literature can be seen as a discursive practice with epistemic and evaluative properties. It is a practice that usually deals with the problems that are caused by the development of societal-cultural reality and that are felt personally important by the authors of literary texts. Often it is just literary texts that first give a public expression to problems such as these.<hr/>Resumen Desde la década de 1960, el escepticismo epistemológico y el construccionismo se han consolidado en los estudios literarios. La fase tardía del estructuralismo, el posestructuralismo, ciertas subdivisiones de la narratología actual y ciertos representantes de la sociología reciente de la literatura, en particular, han mantenido este tipo de línea filosófica de pensamiento en los estudios literarios. Según esta corriente, la función epistémica de la literatura estaría radicada principalmente en su capacidad de ayudar a deconstruir diferentes discursos o visiones de mundo y a comprender sus fortalezas y debilidades. Este artículo sostiene que tales tendencias de investigación operan con una concepción unidimensional de la realidad y con una versión cuestionable del construccionismo. Por lo tanto, no logran captar la especificidad de la realidad sociocultural, ni la relación epistémica específica de los actores sociales con esta realidad. A partir de ahí, se puede ver la literatura moderna como una práctica discursiva con propiedades epistémicas y evaluativas. Es una práctica que, en general, se ocupa de los problemas causados por el desarrollo de la realidad sociocultural, los cuales son vistos subjetivamente por los autores de los textos literarios como importantes. A menudo son los textos literarios los que por primera vez expresan públicamente tales problemas.<hr/>Resumo Desde a década de 1960, o ceticismo e o construtivismo epistemológicos têm marcado posição nos estudos literários. A fase tardia do estruturalismo, o pós-estruturalismo, certas subáreas da narratologia atual e, particularmente, alguns representantes da recente sociologia da literatura têm sustentado essa corrente filosófica de pensamento nos estudos literários. Segundo essa corrente, a função epistêmica da literatura residiria, sobretudo, em sua capacidade de ajudar a desconstruir diferentes discursos ou visões de mundo e a entender suas forças e debilidades. Este artigo sustenta que essas tendências de pesquisa operam com uma concepção unidimensional da realidade e com uma versão questionável de construtivismo. Daí não apreenderem a especificidade da realidade sociocultural nem a relação epistêmica específica dos atores sociais com essa realidade. A partir disso, a literatura moderna pode ser vista como uma prática discursiva com propriedades epistêmicas e avaliativas. É uma prática que geralmente trata dos problemas causados pelo desenvolvimento da realidade sociocultural, e que são vistos pessoalmente como importantes pelos autores dos textos literários. Muitas vezes, são os textos literários os primeiros a expressarem publicamente tais problemas. <![CDATA[Formal capacities and relational understandings: Greed in literature, art and sociology]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200086&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract In considering the uses of literature for the sociologist, we recognize that literature, art, and sociology all depict relationships. Producers (authors, artists, sociologists) craft relationships into cultural objects (novels, paintings, monographs); thereupon, receivers (readers, viewers) draw or infer relationships from these objects; producers, objects, receivers mutually construct and reconstruct one another over time. Literature, art, and sociology have different formal properties, however, and these different capacities shape how the receivers infer relationships from them. This article takes the example of greed to analyze sociological, artistic, and literary objectifications and to illuminate how the three genres’ distinctive formal properties influence their specific capacities to engender relational understanding. This analysis indicates why sociologists should view none of these genres as a subset of another.<hr/>Resumen Al considerar los usos de la literatura para el sociólogo, reconocemos que la literatura, el arte y la sociología describen relaciones. Los productores (autores, artistas, sociólogos) se dedican a transformar relaciones en objetos culturales (novelas, pinturas, monografías); a su vez, los receptores (lectores, espectadores) extraen o infieren relaciones de estos objetos; productores, objetos, receptores se construyen y reconstruyen mutuamente a lo largo del tiempo. Sin embargo, la literatura, el arte y la sociología tienen diferentes propiedades formales y estas capacidades diferentes dan forma a cómo los receptores deducen relaciones a partir de ellas. Este artículo toma el ejemplo de la codicia para analizar objetivaciones sociológicas, artísticas y literarias y para aclarar cómo las propiedades formales distintivas de los tres géneros influyen en sus capacidades específicas para engendrar el entendimiento relacional. Este análisis evidencia por qué los sociólogos no deberían ver ninguno de estos géneros como un subconjunto de otro.<hr/>Resumo Ao refletir sobre os usos da literatura por sociólogos, reconhecemos que tanto a literatura como a arte e a sociologia retratam relações. Os produtores (autores, artistas, sociólogos) dedicam-se a transformar relações em objetos culturais (romances, pinturas, monografias); os receptores (leitores, espectadores), então, extraem ou inferem relações a partir desses objetos. Produtores, objetos e receptores constroem-se e reconstroem-se mutuamente ao longo do tempo. No entanto, a literatura, a arte e a sociologia apresentam diferentes propriedades formais, e essas diferentes capacidades moldam o modo como os receptores inferem relações a partir delas. Este artigo toma o exemplo da ganância para analisar as objetivações sociológica, artística e literária, e para esclarecer como as propriedades formais específicas de cada um dos três gêneros influenciam suas capacidades específicas para engendrar uma compreensão relacional. Essa análise mostra por que os sociólogos não deveriam considerar qualquer um desses gêneros como subcategoria de outro. <![CDATA[Create, resist, write: <em>art</em>, <em>imagination</em> and <em>political commitment</em>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200106&lng=en&nrm=iso&tlng=en Résumé Cet article vise à mettre en question le potentiel révolutionnaire de l’art à travers la relation forme/contenu au sein de la dimension esthétique, en supposant que, si la révolution réside dans un autre monde qui est aperçu avant d’être construit, il est important de l’approcher à travers les représentations mentales que l’artiste est capable de faire surgir en les faisant passer du contenu à la forme. Le texte propose notamment d’analyser le thème de la relation entre l’art et la politique, à partir de la posture de Julio Cortázar à l’époque de la révolution cubaine, vers la question des modes d’engagement de l’artiste en tant qu’intellectuel latino-américain. Une posture qui illustre le postulat de Herbert Marcuse, selon lequel le potentiel politique de l’art réside dans sa dimension esthétique.<hr/>Abstract This article aims to examine the revolutionary potential of art by looking into the relation form / content within the aesthetic dimension, assuming that, if revolution resides in another world, one that is envisaged before being built, it is important to approach it through mental representations, which the artist is able to engender, turning them from content into form. The text proposes, particularly, to analyze the relationship between art and politics, based on the stance taken by Julio Cortázar at the time of the Cuban revolution, on the matter of the artist's modes of political commitment as a Latin American intellectual. A stance that illustrates the postulate of Herbert Marcuse, that the political potential of art lies in its aesthetic dimension.<hr/>Resumo Este artigo visa questionar o potencial revolucionário da arte por meio da relação forma/conteúdo dentro da dimensão estética, sob o pressuposto de que, se a revolução reside em um outro mundo, que é vislumbrado antes de ser construído, é importante abordá-la mediante representações mentais que o artista é capaz de trazer à tona, fazendo-as passar do conteúdo à forma. O texto se propõe, particularmente, a analisar o tema da relação entre arte e política com base na posição assumida por Julio Cortázar, na época da revolução cubana, sobre a questão dos modos de engajamento do artista enquanto intelectual latino-americano. Uma postura que ilustra o postulado de Herbert Marcuse, de que o potencial político da arte reside em sua dimensão estética <![CDATA[Franz Kafka, Fernando Pessoa, and Mário de Andrade: the reach of minor literatures]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200124&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Em seus diários, Franz Kafka formula a noção de pequena literatura, que servia para designar a produção de povos sem tradição literária. Nesse tipo de produção, Kafka percebeu a possibilidade de vocalizar uma cultura e contribuir para conferir-lhe coesão social. Embora Kafka não tivesse em mente a sua própria produção quando cunhou o termo - o que gerou um debate acalorado que permanece aceso, sobretudo após Deleuze e Guattari publicarem, em 1975, um ensaio sobre o tema - o propósito deste artigo é o de averiguar em que medida o olhar de Kafka, como analista da cultura (aquele que formula a noção de pequena literatura), enxerga na literatura de seu tempo um conjunto de atributos que a apresentam como um intérprete e um ator social e político. O alcance analítico dessa categoria é examinado num trabalho comparativo com o olhar lançado por Fernando Pessoa e Mário de Andrade a seus respectivos contextos culturais, de forma a alargar a noção de pequena literatura formulada originalmente por Kafka.<hr/>Abstract In his diaries, Franz Kafka developed the notion of small literature, intended to mark out the production of nations with no literary tradition. Kafka perceived in this kind of production the possibility of vocalizing a culture and contributing to confer social cohesion on it. Although Kafka did not have his own production in mind when he coined the term - what generated a heated debate that persists, especially following an essay on the subject published by Deleuze and Guattari, in 1975 - the purpose of this article is to understand to what extent Kafka, as an analyst of culture (the one who elaborates the notion of small literature), detects in the literature of his time a set of attributes that characterize it as both an interpreter and a social and political actor. The analytical relevance of this category is examined through a comparative study involving the analyses of Fernando Pessoa and Mário de Andrade on their respective cultural contexts, in order to broaden the notion of minor literature originally developed by Kafka. <![CDATA[The emergence of a participatory subject: intersections between science, politics and ontology]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200162&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Nas últimas décadas, os dispositivos de participação pública têm registado um crescimento exponencial. Estes procedimentos podem assumir uma diversidade de configurações, gerando um número de questões teóricas e práticas. A partir da análise de dois estudos de caso - grupos de discussão sobre nanotecnologias em Coimbra, Portugal, e Conselhos de Saúde em Belo Horizonte, Brasil - este artigo oferece uma reflexão sobre as questões políticas e metodológicas relacionadas com a conceção e implementação de procedimentos participativos. A análise explora a emergência do cidadão participativo, associado a capacidades e formas de conhecimento que permitem a intervenção em espaços deliberativos. Argumenta-se que os dispositivos participativos e os processos de subjetivação estão interligados, dialogando-se com as reflexões de Foucault sobre subjetividade e com abordagens pós-humanistas no âmbito dos Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia. Os dois estudos de caso ilustram como os procedimentos participativos geram novas capacidades epistémicas, retóricas e normativas associadas à habilitação e subjetivação dos participantes. Dessa forma, o artigo explora os aspetos políticos das práticas, metodologias e processos que suportam o envolvimento de cidadãos em ciência, tecnologia e saúde, contribuindo para a desnaturalização do sujeito participativo e para o reconhecimento da dimensão performativa das ciências sociais.<hr/>Abstract Over the last few decades, there has been a proliferation of devices of public participation. Those procedures can assume a wide range of configurations, generating a number of practical and theoretical issues. Drawing upon the analysis of two case studies - focus groups on nanotechnologies in Coimbra, Portugal, and Health Councils in Belo Horizonte, Brazil - this article reflects on political and methodological issues related to the conception and implementation of participatory devices. Our analysis explores the emergence of the participatory subject, intertwined with abilities and forms of knowledge that allow intervention in deliberative spaces. It is argued that participatory devices and subjectification processes are intertwined, following Foucault’s reflections on subjectivity and post-humanist approaches within Science and Technology Studies. The two case studies illustrate how participatory processes trigger new epistemic, rhetorical and normative capacities linked to the habilitation and subjectification of participants. In that sense, the article explores the political aspects of practices, methodologies and processes that support public engagement with science, technology and health, leading to the denaturalization of the participatory subject and to the recognition of the performative dimension of social sciences. <![CDATA[Trust in police forces: perception of residents and challenges for public administration]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200188&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A partir das evidências disponíveis que sustentam a importância da confiança da população nas polícias, salientando o quanto o fenômeno é decisivo para a eficiência do trabalho de policiamento e para a própria adesão da cidadania aos ditames legais, o texto analisa os resultados colhidos em pesquisa de vitimização realizada em Porto Alegre, em 2017, na parte que tratou da percepção dos residentes sobre o trabalho da Polícia Militar e da Polícia Civil. A análise dos dados evidencia baixas taxas de confiança para ambas as polícias estaduais - Indicador de Confiança Policial de 49,2% para a Brigada Militar e de 53,7% para a Polícia Civil. A menor confiança nas polícias concentra-se entre as populações mais jovens e mais pobres. No caso da Polícia Militar, encontrou-se diferença estatisticamente significativa também para menor confiança entre a população negra, o que sugere padrões de atuação distintos em uma mesma cidade, a depender dos grupos sociais abordados ou atendidos pelas corporações. Ao final, apresentamos diretrizes que podem auxiliar no processo de definição de políticas específicas capazes de aumentar a confiança do público nas instituições policiais.<hr/>Abstract Based on available evidence that points to the importance of the population’s trust in police forces, emphasizing the decisive role of such trust for the efficiency of policing work and for the very adherence of citizens to the law, the paper analyzes the results of a victimization survey conducted in Porto Alegre in 2017, drawing particularly on results regarding the residents' perception of the work of the Military Police and the Civil Police. Data analysis shows low trust rates for both state polices, with the Police Trust Indicator reaching 49,2% for the Military Police and 53,7% for the Civil Police. The lowest rates of trust in the police are concentrated among younger and poorer populations. In the case of the Military Police, a statistically significant difference was also found for lower trust among the Afro-descendant population, which suggests different patterns of performance in the same city, depending on the social groups addressed or served by the corporations. Finally, we propose some guidelines that can help in the process of defining specific policies capable of increasing public confidence in police institutions. <![CDATA[The tragedy in the sociologies of Georg Simmel and Max Weber]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200212&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo se propõe, de uma maneira não exaustiva, a apresentar e discutir em quais componentes do pensamento sociológico de Georg Simmel e Max Weber podemos identificar a atuação de uma sensibilidade trágica na abordagem dos processos conformadores da cultura moderna. No primeiro, identificamos o “ponto de vista trágico” enquanto ambivalência e uma pressuposição de autocontradição fundamental inscrita nos processos e fenômenos constitutivos do estilo de vida moderno. No segundo, esforçamo-nos em exprimir como o trágico emerge, de maneira surpreendente, irônica e indesejada, das consequências não previstas e não intencionais da ação dos agentes.<hr/>Abstract This article discusses, although not exhaustively, the components of sociological thought of Georg Simmel and Max Weber that allow to identify the performance of a tragic sensitivity in the analysis of the processes that constitute the modern culture. In the first author, we identify the “tragic point of view” as ambivalence and the assumption of a fundamental self-contradiction embedded in the processes and phenomena that constitute the modern life style. In the second author, we try to reveal how the tragedy arises, in a surprising, ironic and undesirable way, from the unpredictable and unintentional consequences of the actions of agents. <![CDATA[Subjectivity as reflexivity and plurality: notes on the centrality of the subject in social processes]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200246&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este ensaio maneja o referencial teórico que fundamenta uma concepção do sujeito como agente reflexivo e plural. Nossa intenção é apresentar alguns autores e correntes que têm contribuído para a formulação e compreensão da pluralidade e reflexividade do sujeito. A partir de uma discussão bibliográfica, tomaremos aspectos das pesquisas de vários autores como evidência de que - quaisquer que sejam as linhas teóricas dos autores citados - vários estudiosos têm apontado para a reflexividade e pluralidade constitutivas do ator social. Concluímos que (a) das pluralidades múltiplas presentes na sociedade contemporânea, pode-se derivar a pluralidade dos processos de subjetivação atinentes aos sujeitos sociais; e que (b) diversos autores apontam para a centralidade desse sujeito reflexivo nos processos sociais nos quais ele se insere.<hr/>Abstract This essay deals with the theoretical framework that underlies a conception of the subject as a plural and reflexive agent. Our intention is to present some authors and strands that have contributed to the formulation and understanding of the plurality and reflexivity of the subject. Based on a critical review of literature, we discuss aspects presented in various researches as evidence that - whatever the theoretical strands of referred authors - several scholars have pointed to the reflexivity and plurality as constitutive of social actors. We finally argue that (a) the multiple pluralities present in contemporary society allow to imply the plurality of subjectivation processes concerning to social subjects; (b) several authors point out the centrality of this reflexive subject in the social processes in which he is inserted. <![CDATA[On the concept of development as happiness: a critical approach]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200272&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A crítica ao desenvolvimentismo tem levado a uma busca por novas atribuições de sentido à noção de desenvolvimento. Recentemente, um conjunto de trabalhos tem associado o desenvolvimento à noção de felicidade. Neste artigo, empreende-se uma análise de tal associação a partir da interpretação freudiana sobre a relação entre indivíduo e sociedade, principalmente aquela apresentada na obra clássica O mal-estar na civilização, de 1930. Assim, o que se apresenta neste trabalho envolve necessariamente (a) uma relativização da noção de felicidade baseada em indicadores; e (b) um contraste entre a nova proposta e o sentido que a noção de desenvolvimento assume em diferentes abordagens teóricas. Conclui-se que o esforço de reformar os indicadores de desenvolvimento não apresenta avanços conceituais significativos, senão mecânicos ou matemáticos. Ademais, a contribuição de Freud sobre o trade-off entre psiquismo humano e cultura não está contemplada criticamente na discussão dos novos indicadores.<hr/>Abstract Criticism on developmentalism has led to a search for new meanings to the concept of development. A series of studies have recently associated development with the notion of happiness. In this article we analyze this association based on the Freudian interpretation of the relationship between individual and society, especially that presented in Freud’s classic work Civilization and its Discontents of 1930. Thus, what we argue in this paper necessarily involves (a) a relativization of that notion of happiness based on indicators; and (b) a contrast between the new proposal and the sense carried by the concept of development in different theoretical approaches. The analysis showed that efforts to reform development indicators did not accomplish significant conceptual advances, but rather mechanical or mathematical. In addition, Freud's contribution to the trade-off between human psychism and culture is not critically incorporated in the discussion on new indicators. <![CDATA[Niklas Luhmann: a systemic (and controversial) view of Society]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200300&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Apesar da inegável importância de Niklas Luhmann, não apenas para a sociologia, mas para o vasto campo das ciências humanas e sociais, raras obras suas encontram-se traduzidas para o português, a maior parte dessas tendo como tema central o direito. Entre esforços para cobrir esta lacuna, destaca-se a publicação de Sistemas Sociais: esboço para uma teoria geral, uma das principais obras do autor, publicada originalmente em 1984, cuja tradução apresenta elevado nível de qualidade ao lidar com o intricado feixe conceitual luhmanniano.<hr/>Abstract In spite of the irrefutable importance of Niklas Luhmann for the human and social sciences, translations into Portuguese of his work are quite rare, most of these aimed at legal studies. Among efforts to cover this gap, we highlight the publication of Sistemas Sociais: esboço para uma teoria geral, one of the author's main works, originally published in 1984, whose translation into Portuguese presents a high level of quality in dealing with the intricate Luhmannian conceptual framework. <![CDATA[Economic innovation: trajectory of and contributions from a sociological research agenda]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222018000200310&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A presente resenha explora os principais aspectos da obra Sociologia dell’innovazione economica do sociólogo italiano Francesco Ramella. Dividido em sete capítulos voltados para dimensões específicas da inovação, o livro apresenta as mais importantes contribuições da sociologia para o campo de pesquisa dos Innovation Studies. Para tanto, a obra recupera as contribuições sociológicas desde os clássicos da disciplina, até pesquisas atuais sobre o tema, de forma a definir o conceito de inovação e justificar a relevância da abordagem sociológica para o campo específico, mas também para a teoria sociológica em geral.<hr/>Abstract This review explores the main aspects of Sociologia dell'Innovazione Economica by the Italian sociologist Francesco Ramella. Divided into 7 chapters, focused on particular dimensions of innovation, the book presents the main contributions of sociology to the innovation studies. To this end, the work brings the sociological contributions from the classics of the discipline to current research on the subject, in order to define the concept of innovation and justify the relevance of the sociological approach this particular field, but also to the social theory in general.