Scielo RSS <![CDATA[Sociologias]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1517-452220160003&lang=pt vol. 18 num. 43 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[EDITORIAL]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[As Epistemologias do Sul num mundo fora do mapa]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300014&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Uma das questões centrais na temática da colonialidade e pós-colonialismo situa-se no âmbito da produção e circulação de conhecimentos e da epistemologia. O momento atual de crise global torna urgente aprofundar a discussão sobre a colonialidade do saber e o pensamento abissal que emergem da experiência colonial moderna e de sua lógica que dividiu o mundo em zonas metropolitanas e coloniais, civilizadas e incivis, relevantes e irrelevantes. Sintetizamos aqui o debate do dossiê Epistemologias do Sul: lutas, saberes e ideias de futuro apontando algumas das questões para as quais é urgente encontrar respostas, e a partir de que tipo de diálogo é possível buscar essas respostas.<hr/>Abstract A central issue involving the matter of coloniality and post-colonialism refers to the production and circulation of knowledge and to epistemology. The current global crisis makes it urgent to deepen discussion on the coloniality of knowledge and the abyssal thinking that emerge from modern colonial experience and its logic, which divided the world into metropolitan and colonial areas, into civilized and uncivilized, relevant and irrelevant regions. In this introductory work, we synthesize the debates featured in the dossier Epistemologies of the South: struggles, knowledges, ideas into the future pointing out some of the issues for which it is urgent to find answers, and indicating what kind of dialogue can lead to such answers. <![CDATA[Para uma nova visão da Europa: aprender com o Sul]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300024&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O preconceito colonial constitui a chave para compreendermos a dificuldade que a Europa tem em aprender com o mundo, isto é, em reconhecer histórias, práticas, saberes e soluções para além da história e das teorias, alegadamente universais, produzidas no ocidente. Num momento em que várias crises assombram a Europa, parece existir uma janela de oportunidade para que, numa lógica de aprendizagens globais e de reconhecimentos recíprocos, a Europa possa abrir-se a aprender com o Sul, superando o pensamento abissal da modernidade. Este artigo procura compreender as condições para aprendizagens globais que permitam a reinvenção da Europa. Num primeiro momento, é analisado o lugar da Europa no mundo, considerando o auge do seu poder colonial e o mundo pós-colonial em que hoje vivemos. Em segundo lugar, são apresentadas as condições que podem permitir uma nova visão de uma Europa, a partir do hoje, que está fora dela. Por fim, são apresentados exemplos de aprendizagens mútuas em quatro áreas temáticas: direitos humanos, economia, democracia e constitucionalismo.<hr/>Abstract Colonial prejudice is the key to understanding the difficulty that Europe has in learning from the world, that is, to recognise histories, practices, knowledges and solutions beyond the, allegedly universal, history and theories produced in the West. At a time when multiple crises loom over Europe, there appears to be a window of opportunity to, under global learnings and reciprocal recognitions, Europe open up to learn from the South, surpassing the abyssal thinking of modernity. This paper seeks to understand the conditions for global learnings enabling the reinvention of Europe. The argument is threefold: first, Europe's place in the world is analysed, considering the height of its colonial power and the postcolonial world we live in today; second, the conditions that can allow a new vision of a Europe, from the present that is outside it; finally, examples of mutual learnings in four thematic areas are presented: human rights, economy, democracy and constitutionalism. <![CDATA[A dignidade das pertenças e os limites do neoliberalismo: catástrofes, capitalismo, Estado e vítimas]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300058&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Neste artigo aborda-se a forma como as catástrofes revelam a lógica de funcionamento e de atuação do capitalismo, e como, no limite, os Estados são o garante último de apoio e de reconstituição dos laços sociais e das comunidades, após a ocorrência de um desastre. Argumenta-se que o Estado é o mediador e o recurso de última instância legitimador da integração das sociedades no capitalismo global, e que a linha abissal que define os integrados e os descartáveis ou invisíveis percorre tanto o Sul como as pequenas colónias do Norte, tanto as lógicas de regulação/emancipação como as de apropriação/violência que existem tanto no Norte como no Sul globais. O artigo está estruturado em três partes. Numa primeira, procede-se a uma discussão sobre as novas formas que assumem o capitalismo avançado e o neoliberalismo. Numa segunda parte, discute-se criticamente a noção de risco, e como as catástrofes podem ser reveladoras da lógica do capitalismo e dos limites do neoliberalismo. A terceira parte centra-se no papel das vítimas e dos afetados, e na forma como estes exigem uma análise baseada na performatividade, para além da biopolítica de Michel Foucault ou dos regimes de exceção de Giorgio Agamben. 1<hr/>Abstract This article discusses how catastrophes reveal the logics underlying capitalism’s operation and how, at the limit, States are the last guarantor for support and reestablishment of social bonds and of communities, following a disaster. It is argued that the State is the mediator and the last resort, which legitimizes the integration of societies in global capitalism, and that the abyssal line, which defines who is included and who is disposable, runs through both South and the small colonies of the North, through both the logics of regulation/emancipation and of appropriation/violence that exist in the Global North as in the Global South. The article is structured in three sections. First, it discusses the new forms taken by advanced capitalism and neoliberalism. The second part discusses critically the concept of risk and how catastrophes can reveal capitalism logic and the limits of neoliberalism. The third section focuses on the role of victims and the affected people and on the way they demand an analysis based on performativity, and beyond Michel Foucault’s biopolitics and Giorgio Agamben’s exception regimes. <![CDATA[O primado do direito e as exclusões abissais: reconstruir velhos conceitos, desafiar o cânone]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300088&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O direito moderno eurocêntrico é um instrumento poderoso de reprodução do colonialismo, promovendo exclusões abissais e circunscrevendo o horizonte de possibilidades à narrativa linear de progresso. A linha abissal é, pois, tanto epistemológica como jurídica. Do outro lado da linha, múltiplos universos jurídicos são desperdiçados, invisibilizados e classificados como inferiores, primitivos, locais, residuais ou improdutivos. Este texto assume o desafio de cruzar as Epistemologias do Sul com a sociologia do direito. Mais concretamente, recupera o conceito de pluralismo jurídico, reconfigurando-o como instrumento de ampliação do presente, enquanto ecologia de direitos e de justiças. Começo por mostrar como a imposição global do primado do direito é um mecanismo de expansão do projeto capitalista e colonial, argumentando que a colonialidade jurídica mimetiza a colonialidade do saber. Em seguida, argumento que o reconhecimento do pluralismo jurídico não envolve necessariamente a superação do modelo expansionista. Finalmente, defendo a ampliação do cânone jurídico pela dilatação do leque de experiências conhecidas, um processo que compreende o reconhecimento dos direitos invocados no âmbito de uma legalidade cosmopolita subaltena e a concretização de uma sociologia das ausências atenta aos direitos enunciados fora das lutas jurídicas formuladas nos termos modernos do direito e da política.<hr/>Abstract Modern Eurocentric law is a powerful instrument for the reproduction of colonialism, promoting abyssal exclusions and circumscribing the horizon of possibilities to the modern linear narrative of progress. The abyssal line is, consequently, as much epistemological as it is legal. Across the line, a multiplicity of legal universes is wasted, invisibilised and classified as inferior, primitive, local, residual or unproductive. This paper takes on the challenge of crossing Epistemologies of the South and sociology of law. In particular, it recovers the concept of legal pluralism, reconfiguring it as an instrument of expansion of the present as part of an ecology of law and justices. I begin by showing how the global imposition of the rule of law is a mechanism of expansion of the capitalist and colonial project, arguing that legal coloniality mimics coloniality of knowledge. Subsequently, I demonstrate how the recognition of legal pluralism does not necessarily mean overcoming the expansionist model. In conclusion, I argue for the broadening of the legal canon with the extension of the range of known legal experiences, a process that requires the recognition of rights claimed as cosmopolitan subaltern legality and a sociology of absences of the law of the most silenced oppressed which are expressed in more invisible dimensions, voiced outside of the legal struggles formulated in the modern terms of law and politics. <![CDATA[Revisitando o desastre de Bhopal: os tempos da violência e as latitudes da memória]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300116&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Na madrugada de 3 de dezembro de 1984, um acidente numa fábrica da filial indiana da empresa estadunidense Union Carbide Corporation (UCC) viria a desencadear o maior desastre industrial da história: o desastre de Bhopal. Neste texto, a partir de um trabalho etnográfico recente, propõe-se um encontro, mais de 30 anos depois, com as vozes daqueles cujas vidas foram afetadas pelo desastre de Bhopal. Esta abordagem pretende convocar leituras sobre o tempo, a violência e as demarcações de humanidade que definem a memória social. Em particular, pretende-se questionar os processos pelos quais algumas vidas são desproporcionadamente expostas à violência e fracassam em receber justa compensação, bem como os itinerários pelos quais alguns sofrimentos são tendencialmente elididos da memória social do Ocidente. Finalmente, analisa-se a forma como a vulnerabilidade biográfica e corpórea, imposta pelo desastre, criou espaços de enunciação e narrativas de resistência.1<hr/>Abstract On the night of 2-3 December 1984, an accident in the Indian subsidiary of the US company Union Carbide Corporation (UCC), located in the city of Bhopal, would unleash the world's worst industrial disaster: the Bhopal disaster. In this paper, based on a recent ethnographic fieldwork, more than 30 years later, an encounter with the voices of those whose lives have been affected by the Bhopal disaster This approach intends to convene readings over time, violence and demarcations of humanity that define the social memory. In particular, the processes by which some lives are disproportionately exposed to violence and the paths through which some forms of suffering tend to be erased from the social memory of the West are questioned. Finally, the spaces of enunciation and resistance created within the biographical and corporeal vulnerabilities imposed by the disaster will be addressed. <![CDATA[À procura de um outro constitucionalismo económico: construindo a cidadania a partir de iniciativas de economia solidária e popular lideradas por mulheres do Sul]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300150&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Onde existe cidadania, existe uma constituição. No âmbito da soberania política liberal, por meio da constituição, definem-se os deveres do Estado, estabelecem-se critérios de partilha do poder e limites ao seu exercício. Um desses limites prescreve as fronteiras e as continuidades da relação entre estado e economia. Nesse sentido, enquanto a vertente liberal das constituições tende a reforçar as barreiras da intervenção do Estado na economia, as constituições sociais têm inovado o repertório de previsão de direitos económicos e sociais, bem como mecanismos para impelir a sua aplicabilidade. Neste artigo, argumentamos a necessidade de ampliar o cânone do constitucionalismo económico a partir das experiências de injustiça epistémica (Santos, 2014). A partir de baixo, isto é, das iniciativas engendradas e lideradas por mulheres no Brasil, em Moçambique e África do Sul, pretendemos trazer novos elementos de racionalidade moral e prática política que questionam os princípios subjacentes à funcionalidade económica e do progresso nacional, como está previsto nas constituições. A nossa pesquisa discute, ainda, o impacto efetivo destas socioeconomias nas mudanças sociais e no avanço da cidadania económica.<hr/>Abstract Where there is citizenship, there is a constitution. So, State duties are defined and its limits are established. In liberal democratic canon, one of these limits prescribes a strict separation between State and Economy. Liberal constitutionalism, thus, focus on the constraints on State intervention in economy, whereas Social constitutionalism has been dedicated to the challenge of enforcing social and economic rights. In our central hypothesis we argue the need of widening economic constitutionalism having in mind experiences of epistemic injustice (Santos, 2014). From a bottom-up perspective, we mean bringing to light initiatives engendered and led by women from and in Mozambique, South Africa and Brazil that come with new rationalities to the moral and political practice, which question the founding principles of the economic functionalism and the narrative of national progress foreseen within the Constitutions. Our research discusses as well the effective impact of these socio-economies in the issue of social transformations and the advancing of economic citizenship. <![CDATA[A questão negra entre continentes: possibilidades de tradução intercultural a partir das práticas de luta?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300176&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Este artigo parte do desafio de que não é possível uma justiça social global sem justiça cognitiva. A partir da análise crítica das ondas de violência xenófoba que têm abalado comunidades negras vivendo na África do Sul, este artigo, cuja referência analítica assenta nas propostas teóricas avançadas por Boaventura de Sousa Santos a partir das Epistemologias do Sul, aponta para a urgência de uma leitura mais complexa e cuidada da diversidade e das hierarquias culturais, condição para uma tradução ampla do impacto da violência colonial. Assente numa reflexão sobre as discriminações raciais no Brasil e os conflitos xenófobos na África do Sul, este artigo busca propor pistas que contribuam para descentrar as narrativas eurocêntricas dominantes, apostando numa visão do social enquanto espaço plural, composto de múltiplas narrativas interligadas, frequentemente contraditórias entre si. A construção de um diálogo intercultural constitui, como este artigo defende na sua parte final, um desafio à compreensão ampla das raízes da desigualdade no mundo. Múltiplas experiências cosmopolitas caracterizam os atuais contextos urbanos no Sul global e o não reconhecimento desta vibrante e diversa realidade cultural e epistêmica constitui um compasso reivindicativo pelo ampliar dos sentidos da cidadania e das pertenças.1<hr/>Abstract This article is based upon the assumption that no global social justice may exist without a global cognitive justice. Through a critical analysis of the waves of xenophobic violence that have shaken black communities living in South Africa over the last years, this article, based upon the theoretical proposals of the Epistemologies of the South advanced by Boaventura de Sousa Santos, points to the urgency of a more complex and detailed understanding of cultural diversity and cultural hierarchies, conditions for a broader translation of the impact of colonial violence. From a reflection on racial discrimination in Brazil and xenophobic attacks in South Africa, this article seeks to decentralize the dominant Eurocentric narratives, betting on a social as plural space composed of multiple interconnected narratives, often contradictory. The construction of an intercultural dialogue as a means of translating among the struggles in the world is, as this article argues in its final part, a challenge to the wider understanding of the roots of inequality in the world. Various cosmopolitan experiences shape modern urban contexts in the Global South, and the non-recognition of this cultural and epistemic vibrant diversity exemplifies a pressing demand for a broader sense of citizenship and belonging. <![CDATA[Dos “abismos do inconsciente” às razões da diferença: criação estética e descolonização da desrazão na Reforma Psiquiátrica Brasileira.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300208&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O conceito de linha abissal, de Boaventura de Sousa Santos, assinala a divisão do mundo em zonas “civilizadas” e “selvagens”. A desumanização associada à atribuição de desrazão, loucura ou alienação e, mais recentemente, de distúrbio ou transtorno mental aparece como expressão dessa linha abissal. Uma das respostas mais radicais e criativas a essa desumanização assumiu formas inovadoras de ação coletiva e de redefinição do espaço dos saberes e modos de expressão no quadro da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Este processo - aqui discutido a partir das produções e práticas de grupos musicais - tornou possível, em particular, o reconhecimento da dimensão estética como elemento central da descolonização dos saberes e práticas da saúde mental, e da invenção de ecologias de saberes que descentram radicalmente a autoridade dos saberes hegemônicos1.<hr/>Abstract The concept of abyssal line, proposed by Boaventura de Sousa Santos, signals the division of the world into “civilized” and “savage” zones. De-humanization associated with the attribution of unreason, madness or alienation and, more recently, of mental disorder appears as an expression of that abyssal line. One of the most radical and creative responses to this form of de-humanization was shaped as innovative forms of collective action and of the redefinition of the space of knowledges and modes of expression within the Brazilian Psychiatric Reform. This process - discussed here by drawing on the productions and practices of music groups - allowed the recognition of the esthetic dimension as a core element of the decolonization of knowledges and practices of mental health and of the invention of ecologies of knowledges radically decentering the authority of hegemonic forms of knowledge. <![CDATA[Henri Lefebvre and the social space: contributions to the analysis of institutionalization processes of Latin America’s social movements - Tupac Amaru neighborhood organization (Jujuy-Argentina)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300240&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumen A través del presente trabajo, me propongo desarrollar parte de una propuesta teórica-analítica que permita operacionalizar la categoría espacio social en pos de contribuir al análisis de procesos de institucionalización al interior de los movimientos sociales. Específicamente, expondré una posible lectura de la obra “The production of space”, de Henri Lefebvre (1991) que permita la aprehensión de su tríada conceptual: prácticas espaciales, representación del espacio y espacios de representación en torno a los conceptos de territorio y lugar para comprender la articulación entre espacio y procesos de institucionalización al interior de algunos movimientos sociales en América Latina. Para esto, dedicaré la primera parte del trabajo a la discusión teórica de la categoría espacio social de Lefebvre y su posible aplicabilidad en torno a los conceptos territorio y lugar. Luego, expondré la manera en la cual defino y comprendo la institucionalidad y su vinculación con comportamientos y recorridos posibles de ciertos movimientos sociales en América Latina. Por último, me dedicaré a delinear una propuesta de articulación que permita entender los procesos de construcción territorial de dichos movimientos sociales como vectores de procesos de institucionalización de sus prácticas y sentidos, a través del análisis de un caso: la Organización Barrial Tupac Amaru en la provincia de Jujuy.<hr/>Abstract The purpose of this work is to develop part of a theoretical and analytical proposal that aimed at operationalizing the category ‘social space’ so that to contribute to the analysis of institutionalization processes among social movements. I will discuss, particularly, a possible reading of Henri Lefebvre’s book “The production of space” (1991), one which allows to apprehend the conceptual triad: spatial practices, representations of space and spaces of representation in relation to the concepts of territory and place, in order to understand the connections between space and institutionalization processes within some social movements in Latin America. To this end, the first part of the work is devoted to a theoretical discussion of Lefebvre’s category ‘social space’ and to its possible applicability to the concepts of territory and place. Then I will discuss the way as I define and understand institutionality and its connection with behaviors and possible trajectories of certain social movements in Latin America. Finally, I will outline a proposal for articulation that enables to understand the processes of territorial construction by such social movements as vectors of processes of institutionalization of their practices and meanings, through the analysis of a case: the neighborhood organization Tupac Amaru in the province of Jujuy. <![CDATA[Articulações entre a rua e o digital nas práticas culturais juvenis: os casos do rap de protesto e graffiti ilegal em Portugal]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300272&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Neste artigo, pretendemos examinar o papel dos media digitais na participação e subculturas juvenis, através de dois estudos de caso interligados: o rap de protesto e o graffiti ilegal. A internet e outras tecnologias digitais não só vieram dar voz a estes grupos, apoiando formatos e canais alternativos de expressão e comunicação, como também têm contribuído para agregar esforços individuais em torno dos mesmos interesses e atividades. As conclusões apresentadas baseiam-se em diferentes pesquisas realizadas num período de cerca de 10 anos, em Portugal, utilizando metodologias qualitativas (observação participante, entrevistas aprofundadas e metodologias de recolha visual), tanto em contextos urbanos como na internet, integrando-as numa estratégia de pesquisa etnográfica offline e online. Desejamos, em primeiro lugar, aprofundar o debate teórico em torno do tema das subculturas juvenis, participação e media digitais; em segundo lugar, apresentar sinteticamente resultados das pesquisas desenvolvidas.<hr/>Abstract In this article, we examine the role of digital media in youth participation and subcultures through two interrelated case studies: protest rap and illegal graffiti. The internet and other digital technologies not only have given voice to these groups, supporting alternative formats and channels of expression and communication, but also contributed to aggregate individual efforts around the same interests and activities. The findings presented are based on different research projects conducted over a period of about ten years, in Portugal, using qualitative methods (participant observation, in-depth interviews and methodologies of visual collection), both in urban contexts and on the internet, integrating them in an ethnographic research strategy offline and online. We wish, firstly, to deepen the theoretical debate on the theme of youth subcultures, participation and digital media, secondly, to briefly present a summary of findings of the research projects carried out. <![CDATA[Identidade e qualidade de vida nos Territórios da Cidadania]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300300&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo A primeira década do século XXI foi extremamente promissora para o Brasil no que tange à redução das desigualdades sociais e à melhoria da qualidade de vida da população. Segundo o IBGE, depois de 30 anos de alta desigualdade inercial, o Índice Gini começa a cair em 2001, passando de 0,61 naquele ano para 0,527 em 2012. Pesquisadores têm definido esse período como “década inclusiva”, pois, de maneira geral, a renda de grupos tradicionalmente excluídos - negros, analfabetos, camponeses e nordestinos - foi a que mais prosperou. Partindo do pressuposto de que as políticas públicas de desenvolvimento rural, empreendidas pelo governo federal a partir de 2003, foram fundamentais para esse processo, este trabalho visa, em primeiro lugar, avaliar a situação da qualidade de vida da população do campo no Brasil, analisando os Índices de Condições de Vida (ICV) apurados em uma amostra de 37 Territórios da Cidadania, estimados mediante a visita de entrevistadores a 10.106 domicílios rurais em 17 estados da Federação. Em segundo lugar, procura correlacionar, por meio de análise estatística, o ICV com indicadores de identidade territorial, de maneira a avaliar se o “peso” da agricultura familiar no sentimento de pertença dos respondentes tem algum poder explicativo no processo de evolução da qualidade de vida nos Territórios da Cidadania1.<hr/>Abstract The first decade of the 21st century was extremely promising for Brazil regarding the reduction of social inequalities and the improvement of the population’s quality of life. According to the IBGE (Brazilian Institute of Geography and Statistics), after 30 years of high inertial inequality, the Gini Index starts to drop in 2001, going from 0.61 in that year to 0.527 in 2012. Researchers have defined this period as the “decade of inclusion”, since, in general, the income of traditionally excluded groups - black people, illiterate people and peasants, especially those from the northeastern rural - was the one that prospered the most. Working with the assumption that the social policies for rural development put into action since 2003 by the federal government were essential for this process, this work aims, firstly, to evaluate the current quality of life of the rural population in Brazil, analysing the Life Conditions Index (ICV) collected from a sample of 37 Territórios da Cidadania (Citizenship Territories), estimated through interviewers’ visits to 10.106 rural homes in 17 Federal states. Secondly, we seek, through statistical analysis, to correlate the ICV to territorial identity indicators, so as to determine if the “weight” of family agriculture in respondents’ feeling of belonging can explain in any way the evolution process of the quality of life in the Territórios da Cidadania. <![CDATA[Apontamentos para uma sociologia da valentia]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300336&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O artigo objetiva a construção de uma tipologia da valentia a partir da sociologia compreensiva de Weber, Simmel e Elias. A valentia é considerada como uma escolha valorativa de indivíduos inclinados a levarem uma vida de aventura e convictos da legitimidade de um estilo de vida baseado na proximidade com a violência, com a morte e com o risco. Mesmo com o advento da modernidade, quando emergiu o “processo civilizador”, responsável por refrear os instintos violentos, a valentia, restringida na vida cotidiana, mantém-se atuante como um valor social legítimo.<hr/>Abstract This article aims to construct a typology of valor based on the comprehensive sociology of Weber, Simmel, and Elias. Valor is considered an evaluative choice by individuals inclined to lead a life of adventure and convinced of the legitimacy of a lifestyle based on the proximity to violence, death, and risk. Even with the advent of modernity, and the emergence of the “civilizing process” - responsible for curbing violent instincts -, bravery, restricted in everyday life, remains active as a legitimate social value. <![CDATA[Typology of Mobbing - a look at the corporate responsibility]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300364&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumen Desde la teoría de Bourdieu, el artículo construye una tipología de mobbing, considerando el contexto, el poder, la cultura empresarial y las estrategias. Se orienta a develar la responsabilidad de la empresa para lo cual reflexiona sobre las estrategias empresariales, los nodos de poder, el conflicto en torno a derechos entre empresa y trabajadores, además de las prácticas y habitus organizacionales. Para su construcción se basó en un estudio cualitativo de expedientes de mobbing en Colombia, recabados en ámbitos jurídicos y de prevención; también se apoyó en entrevistas semiestructuradas a víctimas, operadores judiciales, empresarios y sindicatos. Concluye la necesidad de establecer la responsabilidad de la empresa en las prácticas de mobbing como centro de discusión teórica y empírica de este fenómeno. 1<hr/>Abstract This article builds a typology of mobbing, considering the context, power, corporate culture and strategies, based on Bourdieu’s theory. It aims to unveil corporate responsibility by reflecting on business strategies, nuclei of power, conflict over rights between employer and employees, and on practices and organizational habitus. Its construction was based on a qualitative study on mobbing inquiries in Colombia, collected from both the legal system and prevention institutions; the study also resorted to semi-structured interviews with victims, judicial officials, employers and unions. Findings point to the need to establish corporate responsibility in mobbing practices, as a focus of theoretical and empirical discussions on this phenomenon. <![CDATA[O capitalismo no início do século XXI: consumo e desfrute como imperativos morais]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-45222016000300402&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Nesta resenha, os autores apresentam e discutem um dos livros mais recentes de Adrián Scribano, que descrevem como uma obra complexa, densa, criativa e crítica. Um esforço para retratar o capitalismo, no Sul Global, no início do século XXI, como um imperativo moral, a obra reflete anos de reflexão teórica e pesquisa empírica e perpassa diversos temas das sociedades capitalistas contemporâneas.<hr/>Abstract In this review, the authors present and discuss one of the more recent books by Adrián Scribano, describing it as a complex, dense, creative and critical work. An effort to depict capitalism, in the Global South, at the beginning of 21st Century, as a moral imperative, the book reveals years of theoretical reflection and empirical research and spans many themes of contemporary capitalist societies.