Scielo RSS <![CDATA[Revista Brasileira de Medicina do Esporte]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1517-869220010006&lang=en vol. 7 num. 6 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<B>The muscle strength of elderly women decreases specially 8 weeks after interruption of a muscle strengthening training program</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922001000600001&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este estudo teve como objetivo verificar o efeito da interrupção de um programa de exercícios com pesos livres sobre a força muscular de mulheres idosas através do teste de uma repetição máxima (1-RM). Para tanto, a amostra foi constituída por oito mulheres idosas saudáveis (x: 64,3 ± 7,6 anos) que foram envolvidas, previamente à interrupção, em um programa de exercícios com pesos livres durante 12 semanas, três vezes por semana, três séries de 10 repetições a 50% 1-RM para seis tipos de exercícios para os membros superiores e inferiores. O teste 1-RM foi realizado imediatamente após a interrupção do programa e subseqüentemente a cada quatro semanas (4ª, 8ª e 12ª semanas). Os valores demonstraram decréscimo estatisticamente significativo na força muscular de ambas as extremidades corporais, principalmente após a 8ª semana de pausa. O decréscimo percentual na 12ª semana variou de 27,5% a 35,1% para a força muscular de membros inferiores e superiores, respectivamente; aconteceu, principalmente, nos membros superiores. Os membros inferiores preservaram mais a capacidade de manutenção da força muscular após a interrupção do treinamento (22,9% a 71,9%) que os membros superiores (-14,8% a 16,1%) quando os valores absolutos finais do período de destreinamento foram comparados com os valores iniciais do treinamento. Esses resultados permitem concluir que a interrupção de um programa de exercícios com pesos livres produz efeito negativo na força muscular de mulheres idosas, especialmente após a 8ª semana.<hr/>The purpose of this study was to verify the interruption effect of a muscle strengthening training program on muscle strength through one maximum repetition test in elderly women. Before interruption, eight healthy elderly women (x: 64.3 ± 7.6 yr.) were engaged in a muscle strengthening training program for 12 weeks, 3 times per week, 3 sets of 10 repetitions at 50% of one maximum repetition test (1-RM) in six exercises for both upper and lower limbs. The 1-RM test was performed immediately after the training period and subsequently every four weeks (4th, 8th and 12th week). Values showed a statistically significant decrease on muscle strength of lower and upper limbs, specially after 8 weeks. In the 12th week, lower and upper limb muscle strength decreased 27.5% to 35.1%, respectively; however, decrease was more remarkable in the upper limb. A greater capacity of muscle strength maintenance after training interruption was observed in the lower limb (22.9% to 71.9%) than in the upper limb (-14.8% to 16.1%) when the absolute values of the detraining period were compared to the values at the beginning of the training period. These data allowed the authors to conclude that the weight training program interruption leads to a negative impact on muscle strength of elderly women, specially after 8 weeks. <![CDATA[<B>Levels of regular physical activity in adolescents</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922001000600002&lng=en&nrm=iso&tlng=en Benefícios da prática de atividade física e riscos do sedentarismo associados à saúde e ao bem-estar são amplamente documentados na literatura. No entanto, maior número de estudos procura envolver sujeitos adultos. Pouco se conhece com relação aos hábitos de prática de atividade física de adolescentes. O objetivo do estudo foi analisar níveis de prática de atividade física habitual em amostra representativa de adolescentes matriculados em escola de ensino médio do município de Londrina, Paraná. A amostra foi constituída por 281 adolescentes (157 moças e 124 rapazes) com idade entre 15 e 18 anos. Informações acerca da atividade física habitualmente realizada foram obtidas mediante instrumento retrospectivo de auto-recordação das atividades diárias. Estabeleceram-se estimativas quanto à demanda energética (kcal/kg/dia) com base no custo calórico associado ao tipo e à duração das atividades registradas pelos adolescentes. Os resultados revelam que rapazes foram consistentemente mais ativos fisicamente que moças. Por volta de 54% dos rapazes envolvidos no estudo foram classificados como ativos ou moderadamente ativos, enquanto aproximadamente 65% das moças analisadas mostraram ser inativas ou muito inativas. Os rapazes demonstraram significativamente maior envolvimento na prática de exercícios físicos e de esportes que moças (3:20 vs. 0:48 horas/semana). Os níveis de prática de atividade física habitual tenderam a reduzir-se com a idade, sobretudo entre moças. As moças permaneceram menor tempo em frente da TV e do vídeo que rapazes (3:30 vs. 4:00 horas/dia). Rapazes, porém não moças, pertencentes a classe socioeconômica familiar mais baixa mostraram ser menos ativos fisicamente que seus pares de classe socioeconômica familiar mais privilegiada. A maioria dos adolescentes (97% das moças e 74% dos rapazes) não atende às recomendações quanto à prática de atividade física que possa alcançar impacto satisfatório à saúde. Como conclusão, a elevada incidência de sedentarismo observada na amostra analisada sugere ações intervencionistas que venham incentivar a prática adequada de atividade física na população jovem.<hr/>The benefits of physical activity to the health and well-being of the general population and the risks of inactivity are now well documented. However, evidence concerning physical activity levels has focused largely on adults. Relatively little is known about the physical activity patterns of adolescents. The purpose of this study was to analyze levels of regular physical activity in representative samples of adolescents selected from a secondary school in the city of Londrina, Paraná, in the southern region of Brazil. A total of 281 adolescents (157 girls and 124 boys) ages ranging from 15 to 18 years were included in the study. The levels of regular physical activity were determined by means of a self-report instrument which provided an estimate of energy expenditure and of the time spent in different activities. Results showed that boys were consistently more active than girls. A percentage of 54% of the boys was considered active or moderately active based on their estimated daily average energy expenditure (kcal/kg/day), while approximately 65% of the girls were found to be inactive or very inactive. Boys spent a significantly longer time in physical exercise and in sports than girls (3:20 vs 0:48 hours/week). Levels of regular physical activity decreased significantly with age, and the decline was greater in girls. Girls spent less time watching TV than boys (3.3 vs 4.0 hours/days). Boys, but not girls, from lower socioeconomic families performed less physical activity than boys from higher socioeconomic families. Most adolescents (girls 97%; boys 74%) did not practice sufficient physical exercise so as to achieve the health benefits suggested by current guidelines and recommendations for young people. In conclusion, the levels of physical inactivity reported constitute an important issue for social agencies and organizations involved in the promotion of health-enhancing physical activity. <![CDATA[<B>Nutritional aspects of competitive soccer</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922001000600003&lng=en&nrm=iso&tlng=en O futebol envolve exercícios intermitentes e a intensidade do esforço físico depende do posicionamento do atleta, qualidade do adversário e importância do jogo. Pretende-se rever as principais alterações metabólicas desses atletas com prováveis implicações nutricionais e/ou na conduta dietética para melhor desempenho. O gasto energético de um jogador de futebol é estimado em 1.360kcal/jogo. As atividades do segundo tempo são 5% menores que as do primeiro, com variações diretamente relacionadas com os níveis do glicogênio muscular pré-jogo. Em jogadores de elite o consumo das reservas de glicogênio muscular, durante o jogo, varia de 20% a 90%, dependendo de fatores como: condicionamento físico, intensidade do esforço, temperatura ambiente e composição dietética pré-competição. Desidratação e hipertermia são aceleradores do consumo de glicogênio e, assim, da fadiga muscular, perceptível, particularmente, no segundo tempo, quando o atleta evita sprints, caminha mais do que corre e reduz a distância percorrida. A hidratação e suprimento glicídico constituem, então, os principais ergogênicos nutricionais para os futebolistas. Por ser uma modalidade esportiva sem intervalos regulares, o futebol não permite a reposição hidroeletrolítica periódica. Por isso, recomenda-se que o atleta inicie o jogo bem hidratado, ingerindo meia hora antes 500ml de líquido contendo polímeros de glicose (5%-8%). O aumento do desempenho físico é verificado com a ingestão de dietas contendo 312g de carboidrato quatro horas antes do jogo e, para a normalização do glicogênio muscular, após o jogo, recomenda-se oferta de dieta contendo 7-10g/kg/24h com maior consumo nas duas primeiras horas. Os futebolistas encontram-se sob risco constante de deficiências latentes de micronutrientes pelo desgaste muscular, perdas intestinais, sudorese intensa, viagens constantes, mudanças de fuso horário e cardápios. Para o caso específico dos futebolistas, os maiores desbalanceamentos parecem ocorrer pelo elevado consumo de proteínas, gorduras e álcool e baixa ingestão de carboidratos.<hr/>Soccer playing involves intermittent exercises the physical intensities of which depend upon the player line up in the field, the importance of the game, and competitor excellence. This review aims at describing the major metabolic impacts on these physical efforts and their nutritional implications for performance purposes. Soccer players usually spend approximately 1360 kcal each game, with a 5% decrease in the second half of the game. Glycogen reserves modulate strength and length of movements. Elite players deplete from 20% to 90% of their glycogen level during a match according to their physical conditioning, exercise intensity, environmental temperature, and pre-competition dietary intake. Body dehydration and hyperthermia accelerate glycogen depletion and fatigue, a process that can be observed in particular on the second half-time, when players avoid sprints, walk more than run and reduce the accomplished distance. Hence, water and carbohydrate supplies are the major nutritional ergogenic elements for soccer players. Since soccer games have only one interval, athletes are not provided with cyclic water reposition. So it is advisable that athletes are given 500 ml of liquid containing either glucose or polymers at 5% to 8% half an hour before the beginning of the game. Better performances are observed with intake of 312 g carbohydrate diets 4 hours before the game and with replenishment of glycogen stores by providing athletes with 7-10 g carbohydrate/kg/24h after the game, mostly in the first two hours after the game is over. Another nutritional risk regards athletes' micronutrient status, which results from muscle wearing, intestinal losses, intense sweating, frequent trips, and changing menu. But in the case of soccer players, the unbalanced diet seems to be related to a higher intake of protein and fat, as well as alcohol, and a lower intake of carbohydrates. <![CDATA[<B>Walking-running transition</B>: <B>physiological considerations and perspectives for future studies</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922001000600004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Freqüentemente, os profissionais que atuam na atividade física deparam-se com um dos seguintes questionamentos: Qual a melhor atividade, caminhar ou correr? Quando devo parar de caminhar e começar a correr? Seria interessante alternar as duas formas de atividade? Se, por um lado, as perguntas podem ser facilmente respondidas para um indivíduo saudável e bem condicionado, para os demais permanecem dúvidas que devem ser esclarecidas. Enquanto andar e correr são mais eficientes em velocidades, respectivamente, abaixo de 6km.h-1 e acima de 8km.h-1, permanece indefinida qual a melhor forma de locomoção na faixa intermediária de velocidade, ou seja, na intensidade de esforço em que ocorre a transição entre a caminhada e a corrida. É nesse ponto que recaem dúvidas sobre os mecanismos fisiológicos que regulam a seleção da locomoção. Além disso, também permanecem sem explicações convincentes quais as implicações que os diferentes modos de locomoção podem exercer sobre as variáveis que caracterizam a intensidade de esforço. Dessa forma, este artigo objetiva revisar os estudos que abordam os mecanismos envolvidos na transição caminhada-corrida, apontando lacunas que possam ser objeto de pesquisas acerca dos mecanismos e implicações das respostas fisiológicas obtidas nessa faixa de esforço. O texto foi organizado com os seguintes tópicos: estudo da locomoção humana através de modelos matemáticos; protocolos utilizados nos estudos de transição caminhada-corrida; aspectos metabólicos do trabalho em esteira e no solo; características antropométricas e transição caminhada-corrida; demanda energética e transição caminhada-corrida; estabilidade locomotora e transição caminhada-corrida. Em todos, realizou-se um comentário de seus pontos positivos, controvérsias e limitações. Por fim, são apontadas algumas possibilidades que poderiam ser alvo de investigações futuras.<hr/>Professionals who deal with physical activity are frequently confronted with one of the following questions: which is the best activity, walking or running? When should I stop walking and start running? Would it be interesting to alternate the two types of activity? Although these questions can be easily answered for a healthy and fit individual, some doubts remain and need to be clarified for other cases. While walking and running are more efficient in velocities below 6 km.h-1 and above 8 km.h-1, respectively, the best way of locomotion in the intermediate zone, that is, when effort intensity is increased in the transition from walking to running, is still unknown. At this point there are some doubts regarding the physiological mechanisms that regulate the locomotion selection. In addition, there is no clear explanation about the implications of the different types of locomotion on the variables that characterize exercise intensity. This article focus around the following topics: study of human locomotion through mathematical models; protocols used in walking-running transition studies; metabolic aspects of the work on a treadmill and on the ground; anthropometric characteristics and walking-running transition; energetic demand and walking-running transitions; motor stability and walking-running transition. In all of them, the positive aspects, as well as the controversies and limitations, were discussed. Finally, the authors point out to some possibilities for future investigations.