Scielo RSS <![CDATA[Revista Brasileira de Medicina do Esporte]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1517-869220020001&lang=en vol. 8 num. 1 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<B>Running speed associated with maximal oxygen uptake in boys aged 10 to 15 years</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922002000100001&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo deste estudo foi determinar a influência da idade cronológica e da maturação biológica sobre o consumo máximo de oxigênio (VO2max) e a velocidade de corrida correspondente ao VO2max em crianças e adolescentes brasileiros, do sexo masculino, com idade entre 10 e 15 anos, não praticantes de atividade física sistemática. Participaram do estudo 40 voluntários, divididos em dois grupos, segundo a idade cronológica (GC1 - n = 20; 11,4 ± 0,6 anos; 38,8 ± 8,6kg; 143,6 ± 8,2cm e GC2 - n = 20; 14,1 ± 0,6 anos; 55,9 ± 14,2kg; 163,3 ± 10,2cm) e maturação biológica (GB1 - n = 20; estágios 1, 2 e 3; e GB2 - n = 20; estágios 4 e 5). O VO2max foi mensurado em um teste progressivo e intermitente de corrida em esteira rolante, com estágios de três minutos e pausa de 20 segundos, incrementos de 1km/h a começar com 9km/h, até a exaustão voluntária. A velocidade correspondente ao VO2max (vVO2max) foi considerada como a menor velocidade em que se observou o maior valor de VO2. A máxima velocidade aeróbia (Va max) foi calculada pela fórmula proposta por di Prampero (1986). Houve diferença significante para os valores de VO2max(l/min), Va max(km/h)e vVO2max(km/h) entre os grupos GC1 e GC2 (1,84 ± 0,41 / 2,81 ± 0,61; 11,8 ± 1,2 / 12,6 ± 1,2; 12,1 ± 1,2 / 12,9 ± 1,1, respectivamente), GB1 e GB2 (1,80 ± 0,37 / 2,87 ± 0,56; 12,1 ± 1,2 / 12,9 ± 1,1; 11,8 ± 1,2 / 12,5 ± 1,1, respectivamente), mas não para os valores de VO2max em ml.kg-1.min-1 para todos os grupos (GC1 e GC2: 47,9 ± 6,8 / 50,4 ± 5,5; GB1 e GB2: 47,9 ± 6,8 / 50,3 ± 5,5, respectivamente). Com base nos resultados obtidos, pode-se concluir que o VO2max (l/min), aVa max e a vVO2max têm seus valores aumentados como um provável efeito do crescimento e desenvolvimento, podendo, ainda, expressar melhora da economia de movimento, mesmo em indivíduos não praticantes de atividade física sistemática.<hr/>The purpose of this study was to determine the influence of chronological age and biological maturation on the maximal oxygen uptake (VO2max) and the speed corresponding to the VO2max in Brazilian boys aged 10-15 years under no regular training program. Forty volunteers participated in this study. They were divided into groups by chronological age (GC1 - n = 20; 11.45 ± 0.63 years; 38.8 ± 8.6 kg; 143.6 ± 8.2 cm; and GC2 - n = 20; 14.1 ±0.6 years; 55.9 ± 14.2 kg; 163.3 ± 10.2 cm) and by biological maturation (GB1 - n = 20; stages 1, 2, 3, and GB2 - n = 20; stages 4, 5). The VO2max was determined with a progressive and intermittent test in a treadmill, starting from a speed of 9 km/h and increasing 1 km/h each 3 minutes until volunteer exhaustion. The speed at VO2max (vVO2max) was the lowest speed that elicited VO2max (peak value). The Va max was calculated in accordance with di Prampero (1986). There was a significant difference of VO2max (l/min), Va max (km/h) and vVO2max (km/h) between GC1 and GC2 (1.84 ± 0.41 / 2.81 ± 0.61; 11.8 ± 1.2 / 12.6 ± 1.2; 12.1 ± 1.2 / 12.9 ± 1.1, respectively); GB1 and GB2 (1.8 ± 0.37 / 2.87 ± 0.56; 12.1 ± 1.2 / 12.9 ± 1.1; 12.5 ± 1.1, respectively), but there was no significant difference of VO2max (ml.kg-1.min-1) between groups (GC1 and GC2; GB1 and GB2). The authors can conclude that the VO2max, Va max and vVO2max had their values increased probably by growth and development processes, and can also express a better economy of movement, even in individuals not involved in a regular training program. <![CDATA[<B>Effect of eight weeks of swimming training on the anaerobic threshold determined in the swimming pool and by arm ergometer</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922002000100002&lng=en&nrm=iso&tlng=en O objetivo deste estudo foi analisar os efeitos do treinamento de natação na intensidade do limiar anaeróbio (LAn), determinado na piscina e no ergômetro de braço, verificando se este pode ser utilizado para avaliar os efeitos do treinamento em nadadores. Participaram do estudo sete nadadores de ambos os sexos, com nível de performance regional, que foram submetidos aos seguintes testes, antes e após oito semanas de treinamento: 1) dois tiros de 400m, um a 85% e outro a 95% do máximo, com coleta de 25mil de sangue do lóbulo da orelha no 1º, 3º e 5º minuto após cada tiro, para posterior análise do lactato sanguíneo (YSI 1500); 2) teste contínuo progressivo realizado no ergômetro de braço (UBE 2462 Cybex), com carga inicial de 33,3W e incrementos de 16,6W a cada três minutos até a exaustão voluntária, com coleta de sangue ao final de cada estágio. Um grupo controle de indivíduos não ativos (n = 9), que se manteve sedentário, realizou somente o procedimento 2 no mesmo intervalo de tempo. O LAn na natação (NLAn) e no ergômetro de braço (BLAn) foi encontrado através de interpolação linear, considerando uma concentração fixa de lactato de 4mM e 3,5mM, respectivamente. Os resultados demonstram diferença significante para o grupo treinado, entre o pré (130,4 ± 20,4W) e o pós-teste (137,7 ± 17,9W) para o BLAn. Porém, não foi encontrada diferença significante para o NLAn (1,09 ± 0,1m.s-1 e 1,13 ± 0,1m.s-1, p = 0,06). No grupo controle não foi encontrada diferença para o BLAn entre o pré (93,2 ± 11,5W) e o pós-teste (87,7 ± 7,2W). Pode-se concluir através desses dados que a determinação do LAn no ergômetro de braço é útil para detectar adaptações na capacidade aeróbia de nadadores com nível de performance regional.<hr/>The objective of this study was to analyze the effect of swimming training on the intensity corresponding to the anaerobic threshold (AnT) determined in the swimming pool and by arm ergometer, and also to check if the arm ergometer can be used to evaluate the effect of training on swimmers. Participants were seven swimmers of both sexes, with regional performance level, that had been submitted to the following tests before and after eight weeks of training: 1) 2 crawl sprints of 400 m at an intensity of 85% and 95% of their best velocity at each one of the distances, with 25mul of blood collection at the 1st, 3rd and 5th minute after each shot, for posterior analysis of blood lactate (YSI 1500); 2) incremental continuous test in the arm ergometer (2462 UBE Cybex): initial workload was 33.3 W and intensity was increased by 16.6 W every 3 min until voluntary exhaustion, with 25 mul of blood collection at the end of each stage. A control group of non-active individuals (n = 9), kept sedentary carried out procedure 2 in the same interval of time. The AnT in swimming (SAnT) and in the arm ergometer (AAnT) was determined by linear interpolation, considering a fixed lactate concentration of 4 and 3.5 mM, respectively. Results demonstrate a significant difference for the trained group, between pre- (130.4 + 20.4 W) and post-training (137.7 + 17.9 W) for the AAnT. However, no difference was found for the SAnT (1.09 + 0,1 m.s-1 and 1.13 + 0.1 m.s-1 p = 0.06). In the control group there was no difference for the AAnT between pre- (93.2 + 11.5) and post-training (87.7 + 7.2 W). The authors can conclude that the determination of the AnT by arm ergometer is useful to detect adjustments of swimmers with regional performance to aerobic capacity. <![CDATA[<B>Flexitest</B>: <B>proposal of five variability indices for joint mobility</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922002000100003&lng=en&nrm=iso&tlng=en A flexibilidade pode ser definida como a máxima amplitude fisiológica passiva em um dado movimento articular. A flexibilidade é específica para a articulação e para o movimento. O Flexiteste, originalmente descrito em 1980, permite a medida da flexibilidade de 20 movimentos articulares, em uma escala crescente de números inteiros entre 0 e 4, e a obtenção de um resultado global denominado de Flexíndice. Considerando que o mesmo Flexíndice pode ser obtido por diferentes combinações dos escores dos 20 movimentos, fazia-se necessário estudar de forma objetiva a variabilidade dos resultados. Utilizando resultados de 2.426 homens e mulheres entre 5 e 88 anos de idade, propomos cinco novos índices de variabilidade dos escores do Flexiteste: a) intermovimentos, b) interarticulações, c) flexão-extensão, d) entre segmentos, e e) distal-proximal. Os dois primeiros índices de variabilidade são independentes da idade, do gênero e da magnitude do Flexíndice. Os outros três, por ser resultados de quocientes entre médias de grupos de medidas, tendem a apresentar resultados próximos ao valor unitário, mas diferem entre os gêneros, especialmente quanto à dispersão dos resultados em relação à tendência central. Valores inferiores a 1,15 (homens) e 1,04 (mulheres) para o índice de variabilidade distal-proximal são pelo menos três vezes mais comuns em indivíduos com menos de 50 anos, sugerindo um padrão de expressão da flexibilidade infanto-juvenil. Métodos de cálculo, faixas de percentis para valores homogêneos, algo heterogêneos e altamente heterogêneos, assim como os aspectos principais da interpretação de cada um dos índices, são apresentados no texto.<hr/>Flexibility may be expressed as the maximum passive physiological range of motion in a given joint movement. Flexibility is specific to both joint and movement. The Flexitest, originally described in 1980, allows for the flexibility measurement of 20 joint movements, using a progressive scale of integer numbers from 0 to 4, and provides a global score called Flexindex. Assuming that it is possible to obtain the same Flexindex by different combinations of scores in the 20 movements, an objective study of the variability of the results was required. Based on data obtained in 2,426 men and women ranging from 5 to 88 years of age, this paper proposes five new variability indices based on the scores from the Flexitest: a) intermovements, b) interjoints, c) flexion-extension, d) between segments, and e) distal-proximal. The two first indices do not depend on age, gender, and Flexindex magnitude. The other three, as a result of ratios between mean values of groups of measurements, tend to show values close to 1, while differing between genders, specially in relation to score dispersion around the central tendency. A distal-proximal variability index lower than 1.15 (men) and 1.04 (women) was observed at least three times more frequently in subjects younger than 50 years old, thus providing an infantile-juvenile pattern. Calculation methods, percentile ranges of scores for homogeneous, somewhat heterogeneous, and highly heterogeneous, as well as the major aspects of interpretation of each one of the indices are presented. <![CDATA[<B>Hypertrophic cardiomyopathy, physical activity, and sudden death</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922002000100004&lng=en&nrm=iso&tlng=en A morte súbita em atletas é um evento dramático e tem sido demonstrado que, na maioria das vezes, se deve a doenças cardiovasculares congênitas ou adquiridas. O objetivo deste artigo é abordar alguns aspectos da cardiomiopatia hipertrófica, que é a principal causa de morte súbita em atletas jovens, e sugerir medidas para prevenir essa condição.<hr/>Sudden death of athletes is a dramatic event. Studies have shown that, in most cases, it is due to congenital or acquired cardiovascular diseases. The aim of this article is to approach some topics on hypertrophic cardiomyopathy - which is the main cause of sudden death in young athletes - and to suggest some means of prevention of this condition. <![CDATA[<B>RSR13 and allosteric change in the hemoglobin-oxygen afinity</B>: <B>abuse among athletes</B>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922002000100005&lng=en&nrm=iso&tlng=en O ácido metilpropiônico (RSR13) é um modificador alostérico da hemoglobina, com a qual se liga de forma não-covalente, diminuindo sua afinidade pelo oxigênio de modo dose-dependente e, conseqüentemente, aumentando a oxigenação periférica. O objetivo deste artigo é apresentar brevemente as evidências científicas acerca das características farmacológicas e funcionais, indicações médicas e efeitos adversos do uso do RSR13 por atletas, a mais recente alternativa de aumento artificial do desempenho. Estudos experimentais preliminares verificaram algum efeito positivo do RSR13 sobre a recuperação do miocárdio isquêmico e sobre a extensão da isquemia cerebral, mas as principais indicações estudadas atualmente são a cirurgia com hipotermia e cardioplegia durante circulação extracorpórea e o uso como agente coadjuvante potenciador da radioterapia para certos tumores sólidos. Somente um estudo em modelo canino mostrou aumento do consumo máximo de oxigênio em músculo isolado, não existindo evidências de que o RSR13 possa efetivamente melhorar o desempenho em humanos. Em realidade, já foram descritos efeitos adversos, como diminuição da perfusão sanguínea, elevação da pressão arterial e diminuição da função renal. Antecipando o potencial aumento da utilização do RSR13 por atletas, métodos já foram desenvolvidos para sua detecção em amostras de urina humana.<hr/>Methylpropionic acid (RSR13) is an allosteric hemoglobin modifier to which it binds in a non-covalent manner, reducing its affinity to oxygen in a dose-dependent fashion, and consequently, increasing peripheral oxygenation. The purpose of this article is to briefly present scientific evidence concerning pharmacological and functional characteristics, medical indications, and adverse effects of RSR13 use by athletes, the most recent alternative to enhance performance artificially. Preliminary experimental studies have verified some positive effect of RSR13 on the recovery of ischemic myocardium and on the extension of cerebral ischemia. However, the main indications currently under study are surgery with hypothermia and cardioplegia during extra-corporeal circulation and the use as a radiotherapy enhancing agent for certain solid tumors. One single study with a canine model has shown increased maximal oxygen consumption in isolated muscles, there existing no evidence that RSR13 can effectively enhance performance in humans. Actually, adverse effects such as reduced blood perfusion, increased arterial blood pressure, and impaired renal function have been described. As an anticipation of the potential increased use of RSR13 by athletes, methods have been developed for its detection in human urine samples.