Scielo RSS <![CDATA[Civitas - Revista de Ciências Sociais]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1519-608920130003&lang=pt vol. 13 num. 3 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Disciplinas e profissões em debate: Entre cooperação e demarcação de fronteiras]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[A sociologia no Brasil e a interdisciplinaridade nas ciências sociais]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: A interdisciplinaridade na Sociologia é constituinte de sua formação como disciplina acadêmica. Essa característica estimula a discussão sobre suas especificidades teórico-metodológicas, a formação de uma cultura disciplinar e ao debate corporativista sobre quais seriam as particularidades de seu campo de conhecimento. A ciência síntese, proposta por Comte, desde seu início, incorporou as contribuições das outras ciências humanas e mesmo das chamadas ciências duras. No Brasil, a Sociologia surge como sinônimo de ciências sociais. Antropologia, Ciência Política e Sociologia conviveram em um mesmo campo construindo espaços comuns de discussão ao mesmo tempo em que paralelamente fortaleciam-se as trajetórias disciplinares. A partir dos anos 1990 houve a expansão da pós-graduação brasileira, o crescimento de cursos de graduação e pós-graduação, assim como a consolidação das associações profissionais nas três áreas disciplinares das ciências sociais. Ocorreu ainda a ampliação da formação pós-graduada interdisciplinar em ciências sociais que incorpora as contribuições da Economia, da História, da Geografia e de outras disciplinas afins. Temos como argumento central deste artigo que, embora a interdisciplinaridade apresente-se como o futuro da investigação científica e imponha limites aos excessos da especialização, paradoxalmente, a solidez disciplinar torna a interdisciplinaridade mais efetiva. Analisamos esse processo no Brasil, focalizando a formação pós-graduada em Sociologia e em Ciências Sociais, utilizando os dados disponibilizados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), do Ministério da Educação do Brasil.<hr/>Abstract: The interdisciplinarity constitutes sociology as an academic discipline. This characteristic stimulates the discussion about its theoretical and methodological specificities, the formation of a disciplinary culture and the corporatist debate on what would be its peculiarities as a field of knowledge. The synthetic science, as proposed by Comte, since the start encompassed contributions of other human science and also of the hard sciences. In Brazil, sociology was synonymous of social sciences. Anthropology, political science and sociology shared the same field, building up common forums of discussion while, at the same time, strengthened their disciplinary trajectories. Since the 1990s, graduate studies expanded in Brazil; there was also the growth of graduate programs, undergraduate courses and professionals associations in the three areas. There was the growth of graduate education encompassing the contributions of the economy, geography and of other similar disciplines. We argue that, however the interdisciplinarity is the in the future of scientific investigation and can give limits to overspecialization, paradoxically solid disciplines make interdisciplinarity more effective. In this we analyze this process in Brazil, focusing the graduate courses in sociology and social science, using data from Coordination for the Improvement of Personal in Superior Education (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior – Capes), of the Ministry of Education of Brazil. <![CDATA[O elemento político no disciplinar: A identidade da Pedagogia Social entre difusidade e “olhar” próprio]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O texto se defronta com o fato de que a Pedagogia Social precisa lutar por sua posição de modo especial. Em algumas áreas, ela é vista como oferta relativamente normalizada a destinatários e destinatárias. Em seu cerne, entretanto, confronta-se com insegurança em relação a seu status: suas referências teóricas são muito heterogêneas, e o mesmo se aplica aos campos práticos em que ela atua, aos métodos de pesquisa e ação por ela usados e a suas tradições históricas. Além disso, na maioria dos casos não existe consenso duradouro em torno dos problemas sociais de que ela trata; pelo contrário, a forma de lidar com esses problemas é, muitas vezes, controvertida. O texto explora a consequente falta de clareza de uma identidade da Pedagogia Social no plano disciplinar: se a identidade da Pedagogia Social é objeto de questionamento, ela se confronta de modo especial com a necessidade de se posicionar pública e politicamente como forma de conhecimento e de ação. No texto, essa dimensão política implícita em teorias da Pedagogia Social é associada com diagnósticos de época: eles assumem a função – central para a Pedagogia Social – de um posicionamento público e político.<hr/>Abstract: The text is dealing with the fact that social pedagogy is confronted with a permanently contested position. Even though social pedagogy has been ‘normalized’ in specific areas of practice, it is essentially afflicted with a vague status: Its theoretical references are intricate, and it is engaged in various contexts of practice. Its methods of research and practice are as heterogeneous as its historic traditions. Furthermore, the social problems that social pedagogy is dealing with do not represent a moral consensus but they are highly controversial. The text discusses the resulting vague identity on a disciplinary level: If social pedagogy’s identity is at stake, then it is plausible that it is utilizing particular manners to position itself publicly and politically. This political dimension of social pedagogical theories is associated with ‘Zeitdiagnosen’: Their crucial function is to provide social pedagogy with a specific position in public and political discourse. <![CDATA[Sobre a arquitetura teórica do Serviço Social…: … entre transgressões e demarcações de fronteiras disciplinares]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Karin Böllert e Werner Thole em seu texto fazem uma reflexão sobre o processo empírico-reflexivo de construção de teoria no Serviço Social vinculado à “teoria da práxis”. As práticas, o enquadramento organizacional, a perspectiva dos destinatários bem como os efeitos e efeitos colaterais do Serviço Social profissional podem ser assim captados empiricamente e contextualizados teoricamente. Eles não tentam avaliar o processo de construção da teoria segundo formas convencionais de teorização, mas defendem um processo específico de construção da teoria em Pedagogia Social através da modelagem de uma cultura de pesquisa independente. Essa cultura de pesquisa sociopedagógica tem como tema de sua reflexão tanto o processo de construção da teoria como a prática sociopedagógica. As reflexões sobre a “teoria sociopedagógica da práxis” são explicitadas com base nas perspectivas de pesquisa “Serviço Social como construção de bem-estar” e “Etnografia da práxis e de práticas sociopedagógicas”. Os autores constatam que o processo de construção da teoria coloca o Serviço Social no centro do interesse empírico devido aos processos de ajuda, formação e educação concretamente realizados.<hr/>Abstract: The “theory of practice” formulated by Karin Böllert and Werner Thole calls for an empirically-reflexive theory formation process of social work, which contextualizes the current processes of transformation of the society. Research based questions can operationalize what effects and side effects of professional and disciplinary social work can be captured empirically and theoretically. It doesn’t attempt to measure the theorizing process to conventional forms of theorizing, but it calls for a specific social-pedagogy theory formation process by forming an independent research culture. This social-pedagogy research culture has both as its subject of research: the theory-building process and the social-pedagogy practice. The reflections on a social-pedagogy “theory of practice” are exemplified on the research perspectives “Social work as a welfare production” and “ethnography of social work practices”. They point out, that the theory-building process puts the social-pedagogy in the center of empirical interest because of the specifically implemented educational processes. <![CDATA[Pesquisa (ação) participante e convergências disciplinares: Reflexões a partir do estudo do orçamento participativo no sul do Brasil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O texto tem como premissa que a realidade social – como fenômeno multifacetado e em movimento – exige uma abordagem metodológica que permite identificar o objeto de investigação na tensão entre totalidade e especificidade. O conceito “convergências disciplinares”, emprestado de Orlando Fals Borda, sugere o encontro de disciplinas e de saberes não-disciplinares para a compreensão da realidade. Faz-se breve revisão histórica, abrangendo os trabalhos de Fals Borda (Colombia), Freire (Brasil) e do Tavistock Institute (Inglaterra). A perspectiva de convergência é exemplificada com a pesquisa sobre o orçamento participativo no estado do Rio Grande do Sul (Brasil). Na conclusão aponta-se para o desafio de uma nova relação com a realidade social que, por sua vez, implica uma nova relação com os diversos lugares de produção do conhecimento e uma nova relação destes lugares entre si.<hr/>Abstract: The text is built on the premise that social reality – as a phenomenon which is multifaceted and in movement – requires a methodological approach which allows identifying the object of investigation in the tension between its specificity and totality. The concept “disciplinary convergences”, borrowed from Orlando Fals Borda, suggests the encounter of disciplines and non-disciplinary knowledges to understand reality. There is presented a brief historical revision, referring the work of Fals Borda (Colombia), Freire (Brazil) and the Tavistock Institute (England). The perspective of convergence is exemplified with a research project on participatory budgeting in the state of Rio Grande do Sul (Brazil). In the conclusion it is argued that we are faced with the challenge of developing a new relationship with social reality which, on its turn, implies a new relationship with the diverse loci of knowledge production, and a new relationship of these loci among themselves. <![CDATA[Sobre o tratamento dado às fronteiras profissionais na assistência aos jovens: Uma análise empírica de discussões em grupo]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O texto contém resultados parciais de uma pesquisa qualitativa que examina os processos de legitimação das competências da Pedagogia Social exemplarmente na interface entre a assistência social a crianças e jovens (KJH) e a assistência psiquiátrica a crianças e jovens (KJP) no contexto alemão. A questão central é como a competência profissional da Pedagogia Social e seu conhecimento especializado se articulam, constituem e afirmam. Zonas de tensão e de cooperação são os pontos de referência escolhidos neste contexto e que tomamos como motivo para reconstituir processos e modos de tratamento das fonteiras profissionais. A categoria “tratamento de fronteira”, desenvolvida por Susanne Maurer e Fabian Kessl, nos serve como base metodológica. No texto, depois de uma breve inserção teórica, esboçamos, com base em dois exemplos de discussões em grupo, como se constitui a cooperação como processos de tratamento de fronteira. Por fim, esses resultados são discutidos no contexto da pesquisa sobre a profissão da Pedagogia Social.<hr/>Abstract: Initiated by Susanne Maurer and Fabian Kessl in 2005, the discourse on social work as boundary- or border-work has now been taken up by the profession and scientific discussion proven in initial empirical analyses, and thus been further defined. In this article we will try to line out the analytic potential of this concept, and suggest some further differentiations which are based on the theoretical assumptions and first results from our current DFG research project on the challenges of legitimizing social work competency in areas of cooperative tension. We will approach this in three steps: first, we will summarize some of the theoretical frameworks of our project and try to connect them to boundary-analytic perspectives. Second, we will discuss our first research findings on social work in areas of cooperative tension. Thirdly, in conclusion, we will formulate some poignant thoughts as to gain a more precise theoretical understanding of the analytical potential of boundary-analytical perspectives related to cooperation especially in focus to research social work as a profession by legitimizing. <![CDATA[Práticas de inclusão e exclusão como constituição de fronteiras]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: Fronteiras têm significado simbólico e social, reproduzem desigualdade social através de adscrições moralizantes e geram inclusão ou exclusão de determinadas pessoas ou grupos. Fronteiras – ou a perspectiva analítica sobre elas – são relevantes para a Pedagogia Social porque informam sobre as concepções normativas da ordem social bem como sobre a participação sociopedagógica própria nelas. Ordens sociais normativas traçam fronteiras entre o ser afeito a crises e o dever ser ideal, e produzem realidades sociais. Através de relações fronteiriças assim constituídas entre realidade e possibilidade também é possível reconstruir empiricamente demarcações de fronteiras que geram inclusões e exclusões. Isso é tratado ilustrativamente no texto com relação à atuação prática da Pedagogia Social ao serem reconstituídas ordens sociais normativas de “boa” e de “má” parentalidade. Uma perspectiva analítica de fronteira torna perceptíveis (im)possibilidades do ser (diferente) como exclusões contingentes e normativamente plausibilizadas, e desvela construções sociopedagógicas da realidade juntamente com suas consequências como sendo passíveis de transformação.<hr/>Abstract: Boundaries have symbolic and social meaning, reproduce social inequalities via moralizing ascriptions and generate in- and exclusions of specific (groups of) persons. Boundaries resp. a boundary analytic perspective are relevant for Social Work in so far, as they shed light on normative conceptions of order and the own involvement of Social Work within these processes. Normative orders draw boundaries between a critical be and an ideal should-be, they create social realities. By these constituted boundary relations of reality and possibility, empiric boundaries – which create in- and exclusions – can be reconstructed. In the article this is shown exemplarily for the socio-pedagogic practice and the normative order of ‘good’ and ‘bad’ parenting. Therefore, a boundary analytic perspective makes (im)possibilities of being (different) recognizable as contingent and normatively plausibilized exclusions, it discloses socio-pedagogic constructions of reality with their consequences and workability. <![CDATA[Colaboração multiprofissional ou prerrogativas exclusivas?: Tensões entre ideais e cotidiano profissional]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: A cooperação multiprofissional expandiu-se muito desde meados do último século e foi integrada com naturalidade na vida cotidiana. Mas ela vem acompanhada, também, de crescentes disputas em torno de pretensões de primazia ou mesmo de exclusividade de determinadas profissões. No Brasil, durante a última década foi travada uma ruidosa disputa em torno do lugar que cabe à atividade médica no concerto das profissões na área da saúde. Essa disputa teve como epicentro a assim chamada Lei do ato Médico. Estava em disputa a questão se a complexidade do objeto e as especificidades do conhecimento sobre ele legitimariam prerrogativas especiais de uma profissão em detrimento das outras, ou se, ao contrário, exigiriam que as diferentes perspectivas profissionais fossem agregadas equitativamente, constituindo a saúde um campo de cooperação multiprofissional. O texto discute a questão da legitimidade de prerrogativas exclusivas concedidas a grupos profissionais, um tema clássico na perspectiva funcionalista, reconstrói as linhas de argumentação usadas na defesa da Lei do Ato Médico e, por fim, olha como atualmente outras profissões se posicionam em defesa de suas prerrogativas.<hr/>Abstract: The multidisciplinary cooperation has expanded greatly since the middle of last century, and was integrated naturally in everyday life. But it comes with increasing disputes over claims of primacy or even exclusivity of certain professions. In Brazil, during the last decade was fought a noisy dispute about the place of the medical activity in the concert of professions in healthcare. This dispute had its epicenter in the so-called Law of the Medical Act. The question in dispute was whether the complexity of the object and the specific knowledge about it would legitimize special privileges for one profession at the expense of the others, or whether, instead, it would be more prudent if different perspectives were aggregated without hierarchy in a multiprofessional field. The text discusses the question of the legitimacy of exclusive prerogatives granted to professional groups, a classic theme in the functionalist perspective, reconstructs the lines of argumentation used in defense of the Medical Act Law and, finally, it looks how other professions currently position themselves in defense of their clams for prerogatives. <![CDATA[Interdisciplinaridade e pesquisa]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300009&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O artigo trata em um primeiro plano da temática da interdisciplina-ridade, tendo como foco de análise as questões vinculadas ao tempo e às novas tecnologias. Em um segundo plano, a questão seria o espaço da interdisciplinaridade na atual organização universitária. Poderíamos pensar que na organização universitária construída no passado caberia uma inovação inédita, descolada da concepção especializada?<hr/>Abstract: The article analyzes in a first step the theme of interdisciplinarity, focusing the issues of time and new technologies. On a second moment, the article analyzes the connections between the interdisciplinary spaces in the current form of organization of the university. Is the contemporary structure of the university, grown up on a specialization basis, able to conduct itself an unprecedented renovation guided by the interdisciplinary cooperation, detached from its traditional specialist premise? <![CDATA[Educação e esfera pública democrática: Um capítulo negligenciado da filosofia política]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300010&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O texto discute a relação entre a educação e a organização democrática do governo republicano. Para o autor, pelo menos desde Kant os teóricos clássicos da filosofia política estavam convencidos de que uma boa educação e uma ordem estatal republicana dependem uma da outra: formar cidadãos para a liberdade para que, como cidadãos autônomos institucionalizem uma educação pública que possibilite a seus filhos o caminho para a maioridade política. Mas ele constata hoje um divórcio entre as gêmeas teorias da democracia e da educação. Razões que podem ter levado a essa cisão ele localiza na combinação, por afinidades eletivas, entre uma concepção truncada de democracia, que dependeria de comunidades tradicionais e mesmo religiosas para reproduzir suas bases ético-culturais, e uma falsa concepção normativa de neutralidade do estado, que culmina concebendo os professores não mais como servidores públicos a serviço do estado democrático de direito, mas como servidores dos pais. Em contraposição ao desacoplamento entre a formação do cidadão autônomo e do governo autônomo dos cidadãos, entre pedagogia e teoria política, ele reconstrói, a partir dos clássicos da teoria social, a concepção sobre um nexo fundamental entre educação e liberdade política, entre formação e democracia. Longe de advogar por uma volta à escola tradicional, o autor chama a atenção para dois grandes desafios que juntas, pedagogia e teoria democrática precisam enfrentar: o impacto da revolução digital sobre a esfera pública e a crescente heterogeneidade cultural dos cidadãos, em especial nas democracias ocidentais, para que a educação torne a ser o lugar do aprendizado da cultura democrática. (Resumo do editor).<hr/>Abstract: The text discusses the relationship between education and democratic organization of the republican government. For the author, at least since Kant’s political philosophy classical theorists were convinced that a good education and a republican state order depend from and are complementary to one another. to educate citizens for freedom so that, as autonomous citizens, they can institutionalize a public education that enables their children to find the way for the political majority. But today we can see a divorce between the twin theories of democracy and education. Reasons that may have led to this split he finds in the combination, by elective affinities, between a truncated conception of democracy, which depends on traditional and even religious communities to reproduce the own ethical and cultural foundations, and a false normative conception of the neutrality of the state, conceiving teachers not as public servants serving a democratic state of law, but as parents servants. In contrast to the decoupling between the formation of the autonomous citizens and the self-government, between pedagogy and political theory, the author reconstructs the classical conception of a fundamental link between education and political freedom, between education and democracy. Far from advocating for a return to the traditional thought, the author draws attention to two major challenges pedagogy and democratic theory must confront together: the impact of the digital revolution on the public sphere and the growing cultural diversity of citizens, especially in Western democracies. Only so education can again be the place of learning democratic culture. (Editor’s abstract). <![CDATA[Abismos do reconhecimento: O legado sociofilosófico de Jean-Jacques Rousseau]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-60892013000300011&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo: O texto se ocupa com a questão da interpretação da obra de Jean-Jacques Rousseau, em particular com suas referências sobre a dependência constitutiva em relação aos outros. Vista negativamente na crítica da cultura, mas positivamente nos esboços de um contrato social, o lugar dessa dependência constitutiva da confirmação e estima por parte dos outros está vinculada ao significado dado ao “amor próprio” nos diferentes textos; mas ela abre a possibilidade de interpretar Rousseau como um teórico do reconhecimento. O autor acompanha Rousseau em seu desenvolvimento teórico até o ponto em que ele se tornou consciente das exigências de uma forma sociocontratual, igualitária do reconhecimento mútuo, para depois expor a enorme influência que a ideia bipolar de Rousseau a respeito do reconhecimento social exerceu sobre a teoria social da modernidade: em sua variante negativa, a profunda necessidade dos seres humanos de sobrepujar os respectivos cossujeitos no grau de estima social, reinterpretada por Kant como sendo a força motriz do progresso cultural e social, e em sua variante positiva, o respeito mútuo entre iguais, desenvolvido por Fichte e Hegel na direção de uma teoria do reconhecimento relacionada ao direito e à moralidade. No final, Honneth discute o ceticismo com que Rousseau sempre viu a dependência de outros contida no “amor próprio”, deixando sem solução definitiva a tensão entre a ideia estoica de uma independência pessoal de toda avaliação alheia e a ideia intersubjetivista de uma profunda dependência do outro. (Resumo do editor).<hr/>Abstract: The text deals with the question of the interpretation of the work of Jean-Jacques Rousseau, in particular with his references to the constitutive dependence on others. Viewed negatively in the critique of culture, but positively in outlines of a social contract, the place of this constitutive dependence of confirmation and esteem from others is linked to the meaning given to “self-love” in different texts, but it opens the possibility of interpreting Rousseau as a theorist of recognition. The author follows Rousseau in his theoretical development to the point where he became aware of the requirements of an egalitarian social and contractual form of mutual recognition, and then expose the enormous influence that bipolar Rousseau’s idea about the social recognition exerted on the modern social theory: in its negative variant, the basic need of human beings to overcome their fellow citizens in the degree of social esteem, reinterpreted by Kant as being the driving force of social and cultural progress, and in its positive variant, the mutual respect between equals, developed by Fichte and Hegel toward a theory of recognition related to law and morality. In the last part of the text, Honneth discusses the skepticism with which Rousseau ever has seen the dependence on others contained in the “self esteem”, leaving without a definitive solution to the tension between the Stoic idea of a personal independence of all evaluation by others and the idea of a profound dependence on others. (Editor’s abstract).