Scielo RSS <![CDATA[Journal of Epilepsy and Clinical Neurophysiology]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1676-264920080006&lang=en vol. 14 num. lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Editorial</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-26492008000600001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>Status epilepticus</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-26492008000600002&lng=en&nrm=iso&tlng=en INTRODUÇÃO: O estado de mal epiléptico (EME) é subdiagnosticado, especialmente as formas clínicas com sinais motores sutis ou apenas com alteração da consciência. É uma emergência neurológica que necessita diagnóstico imediato e a tratamento agressivo e para prevenir lesão neuronal. OBJETIVOS: Revisar, discutir e propor protocolo para o tratamento desta condição. METODOLOGIA: A literatura foi selecionada a partir de pesquisa nas bases de dados MEDLINE e PUBMED. RESULTADOS: Propomos um protocolo utilizando diazepam, fenitoína, fenobarbital, midazolam, thiopental e pentobarbital ainda nos casos refratários topiramato ou levetiracetam. CONCLUSÕES: Um protocolo estruturado para a investigação da etiologia e tratamento do EME é necessário e possibilita melhores chances de evolução dos casos.<hr/>INTRODUCTION: Status epilepticus (SE) is an under recognized medical emergency, especially subtle SE or clinical presentation mostly with conscience disturbance (nonconvulsive SE). It is a medical emergency that requires immediate and aggressive diagnoses and treatment. OBJECTIVES: Review, discuss and a protocol suggestion for treatment. METHODOLOGY: Literature publication was selected from MEDLINE and PUBMED. RESULTS: A protocol with diazepam, phenytoin, phenobarbital, midazolam, thiopental and pentobarbital, including topiramate and levetiracetam for refractory cases was proposed. CONCLUSIONS: A standardized protocol for SE work-up and treatment is useful and probably improves outcome. <![CDATA[<b>Caution in the interpretation of guidelines for drug treatment of epilepsy</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-26492008000600003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo revê de modo crítico o papel da medicina baseada em evidência, os guias desde sua preparação até a sua interpretação. Os pontos fortes e suas limitações são apresentados e o porquê da sua extrema popularidade, principalmente nos países desenvolvidos. Discute aspectos importantes destes guias para o tratamento medicamentoso das epilepsias, assim como alguns recentes ensaios clínicos sobre o uso de novas drogas antiepilépticas. Conclui ainda que mesmo quando há evidências a experiência clínica não deve ser substituída ou negligenciada, uma vez que a conduta final deve ser tomada pelo clínico diante do seu paciente específico com suas necessidades especiais.<hr/>This article critically reviews the role of evidence-based medicine and its guidelines, from their logistic preparation to their interpretation. The strengths and weaknesses of the methodological points are presented, as well the reasons for the extreme popularity of the guidelines in developed countries. The review discusses the main foundations of the most cited guidelines and some recent large studies. Some of the final conclusions are that clinical experience is always an important factor to consider, even in the face of solid evidence, to achieve the best possible management of any particular patient. <![CDATA[<b>Idiopathic generalized epilepsies treatment</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-26492008000600004&lng=en&nrm=iso&tlng=en As epilepsias generalizadas idiopáticas (EGIs) correspondem a um-terço de todas as epilepsias. Apesar desta elevada freqüência, as EGIs permanecem pouco reconhecidas. As características clínicas são fundamentais para o diagnóstico. Neste grupo de epilepsias, todos os tipos de crises generalizadas podem ocorrer especialmente as crises tônico-clônicas generalizadas, as crises mioclônicas e as crises de ausência. O eletroencefograma é bastante sugestivo do diagnóstico quando evidencia os típicos complexos espículas ou poliespículas-onda lenta, generalizados, simétricos e com atividade de base normal. De acordo com o tipo de crise predominante e com a idade de início das crises, as EGIs são divididas em subsíndromes. A importância do diagnóstico preciso está relacionada com a elevada porcentagem de indivíduos livre de crises quando tratados com a medicação antiepiléptica apropriada. Por outro lado, o uso de algumas medicações antiepilépticas como carbamazepina e fenitoína pode exacerbar as crises ou até mesmo induzir estado de mal epiléptico em determinadas subsíndromes. Neste artigo, revisamos as principais medicações antiepilépticas utilizadas no tratamento das EGIs bem como alguns aspectos práticos no tratamento das subsíndromes mais freqüentes.<hr/>Idiopathic generalized epilepsies (IGEs) correspond to one-third of all epilepsies. Despite of this high frequency, IGEs remains underdiagnosed. Clinical features are the cornerstone to diagnosis. In this group all types of generalized seizures may occur such as generalized tonic-clonic, absences and myoclonic seizures. EEG is very supportive of IGEs diagnosis when it shows the typical generalized symmetrical, spike or polispyke and waves complexes with normal background. According to the main seizure type and the age of onset, IGEs are divided in subsyndromes. The importance of the correct diagnosis is supported by the high rate of seizure free patients under appropriate antiepileptic drug therapy. On the other hand, the use of some antiepileptic drugs such as carbamazepine or phenytoin may exacerbate the seizures or even induce status epilepticus in some subsyndromes. In this article, the main antiepileptic drugs used in the treatment of IGEs are reviewed as well as some practical issues for IGEs subsyndromes treatment. <![CDATA[<b>Partial epilepsies treatment</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-26492008000600005&lng=en&nrm=iso&tlng=en As epilepsias parciais constituem a forma mais comum de epilepsia nos indivíduos adultos. As drogas antiepilépticas (DAEs) permanecem como a principal forma de tratamento para os pacientes com epilepsia. Apesar da importância da medicação um número elevado de pacientes permanece sob um regime terapêutico inapropriado ou até mesmo sem qualquer medicação. Existem várias medicações disponíveis para o tratamento das epilepsias. A escolha de uma medicação específica ou a associação entre DAEs deve ser particularizada o máximo possível. Neste artigo revisamos alguns aspectos como classificação, início das crises, idade, sexo, comorbidades, custo e posologia das DAEs e história medicamentosa com a perspectiva de auxiliar nesta individualização do tratamento. Algumas características das principais DAEs disponíveis também são discutidas. Estes aspectos podem auxiliar na criação de um perfil ajudando assim na escolha do regime terapêutico mais apropriado para cada indivíduo. Aspectos práticos como o manuseio dos efeitos adversos, monoterapia e politerapia também são abordados.<hr/>Partial epilepsies are the most common form of epilepsy in adult individuals. Antiepileptic drugs (AEDs) continue as the main form of treatment for patients with epilepsy. Regardless of the importance of the medication a high number of patients are under inappropriate or not receiving AEDs. There are several medications available for the treatment of epilepsy. The choice of a particular medication or association among AEDs may be individualized as much as possible. In this article some aspects such as classification, onset of the seizures, age, sex, associated medical conditions, cost and posology of AEDs and medical drug history are reviewed. Details of the available AEDs are also discussed. These points may help to create a profile helping the decision for the appropriate AED. Some practical issues like adverse reaction management, monotherapy and politherapy are also discussed. <![CDATA[<b>Endocrine and metabolic effects of antiepileptics drugs</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-26492008000600006&lng=en&nrm=iso&tlng=en As drogas antiepilépticas (DAE) são utilizadas por um enorme contingente de pessoas em todo o mundo - seja no tratamento das epilepsias como para outros fins - freqüentemente por longo tempo. Por estas razões, os médicos que utilizam DAE no seu arsenal terapêutico, devem estar atentos para os potenciais efeitos adversos do uso prolongado destes medicamentos. O objetivo desta revisão é analisar a relação das DAE com anormalidades no metabolismo mineral ósseo, balanço energético e peso corporal, função gonadal e tireoideana e suas aplicações no tratamento da neuropatia diabética.<hr/>The antiepileptic drugs (AEDs) have been widely used for treatment of epilepsy and other diseases. Continuous and prolonged use of AEDs might be associated with potential adverse effects in different systems, including endocrine and metabolic abnormalities. The purpose of this review was to examine the relationship of AEDs with alterations in bone mineral metabolism, energy balance and body weight, gonadal function and thyroid metabolism, as well as their implications in the treatment of diabetic neuropathy. <![CDATA[<b>Ictogenesis, epileptogenesis and mechanism of action of the drugs used for prevent and treat epilepsy</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-26492008000600007&lng=en&nrm=iso&tlng=en INTRODUÇÃO: O neurologista que deseja manejar adequadamente seus pacientes com epilepsia deve estar familiarizado com os mecanismos de geração, propagação e interrupção das crises epilépticas. No presente artigo, fazemos uma breve revisão a respeito dos mecanismos de geração das crises em pacientes com epilepsia (ictogênese) e do processo envolvido no desenvolvimento da epilepsia secundária a uma lesão cerebral (epileptogênese). Paralelamente, apresentamos os mecanismos de ação dos principais fármacos utilizados em cada uma dessas situações, isto é, fármacos antiictogênicos e fármacos antiepileptogênicos. OBJETIVO: Apresentar e discutir os principais conceitos sobre ictogênese, epileptogênese e mecanismo de ação das drogas na profilaxia e tratamento da epilepsia. CONCLUSÃO: Diferentes abordagens farmacológicas têm sido desenvolvidas e testadas com o intuito de bloquear as crises com maior eficiência, bem como impedir o desenvolvimento da epilepsia após uma lesão cerebral. É de se esperar que, com o avanço do conhecimento, novas drogas serão desenvolvidas e possibilitarão um melhor resultado na prevenção e tratamento da epilepsia.<hr/>INTRODUCTION: The neurologist who wants to properly manage his patients with epilepsy should be familiar with the mechanisms of generation, propagation and interruption of seizures. In this article, we briefly review the mechanisms of seizure generation in patients with epilepsy (ictogenesis) and the process involved in the development of epilepsy after a brain lesion (epileptogenesis). In addition, we present the mechanisms of action of the main drugs used in each of these situations, that is, antiictogenic and antiepileptogenic drugs. PURPOSE: To present and discuss the main concepts about ictogenesis, epileptogenesis and mechanism of action of the drugs used for prevent and treat epilepsy. CONCLUSION: Different pharmacological approaches have been developed and tested in an effort to block seizures more efficiently and prevent the development of epilepsy after a brain injury. One might expect that with the advancement of knowledge, new drugs will be developed and allow a better result in the prevention and treatment of epilepsy. <![CDATA[<b>Treating seizures in renal and hepatic failure</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-26492008000600008&lng=en&nrm=iso&tlng=en INTRODUCTION: Renal and hepatic diseases cause seizures and patients with epilepsy may suffer from such diseases which change antiepileptic drugs (AEDs) metabolism. OBJECTIVES: To revise how seizures may be caused by metabolic disturbances due to renal or hepatic diseases, by their treatment or by comorbidities and how AEDs choice might be influenced by these conditions. RESULTS: Seizures arise in renal failure due to toxins accumulation and to complications like sepsis, hemorrhage, malignant hypertension, pH and hydroelectrolytic disturbances. Hemodialysis leads to acute dysequilibrium syndrome and to dementia. Peritoneal dialysis may cause hyperosmolar non-ketotic coma. Post-renal transplant immunosupression is neurotoxic and cause posterior leukoencephalopathy, cerebral lymphoma and infections. Some antibiotics decrease convulsive thresholds, risking status epilepticus. Most commonly used AEDs in uremia are benzodiazepines, ethosuximide, phenytoin and phenobarbital. When treating epilepsy in renal failure, the choice of AED remains linked to seizure type, but doses should be adjusted especially in the case of hydrosoluble, low-molecular-weight, low-protein-bound, low apparent distribution volume AEDs. Hepatic failure leads to encephalopathy and seizures treated by ammonium levels and intestinal bacterial activity reductions, reversal of cerebral edema and intracranial hypertension. Phenytoin and benzodiazepines are usually ineffective. Seizures caused by post-hepatic immunosupression can be treated by phenytoin or levetiracetam. Seizures in Wilson's disease may result from D-penicillamine dependent piridoxine deficiency. Porphyria seizures may be treated with gabapentin, oxcarbazepine and levetiracetam. Hepatic disease changes AEDs pharmacokinetics and needs doses readjustments. Little liver-metabolized AEDs as gabapentin, oxcarbazepine and levetiracetam are theoretically more adequate. CONCLUSIONS: Efficient seizures treatment in renal and hepatic diseases requires adequate diagnosis of these disturbances and their comorbidities besides good knowledge on AEDs metabolism, their pharmacokinetic changes in such diseases, careful use of concomitant medications and AEDs serum levels monitoring.<hr/>INTRODUÇÃO: Doenças renais e hepáticas causam crises epilépticas e pacientes com epilepsia podem sofrer doenças renais e hepáticas modificadoras do metabolismo das drogas antiepilépticas (DAEs). OBJETIVOS: Rever como crises epilépticas podem ser causadas pelas alterações metabólicas próprias às doenças renais e hepáticas, pelo tratamento das mesmas e de suas comorbidades e de que forma a escolha das DAEs é influenciada por estas condições. RESULTADOS: Crises surgem na insuficiência renal associadas ao acúmulo de toxinas e complicações como sepse, hemorragias, hipertensão maligna, distúrbios de pH e hidroeletrolíticos. A hemodiálise associa-se a síndrome do desequilíbrio agudo e a demência. A diálise peritoneal pode conduzir ao coma hiperosmolar não-cetótico. A imunossupressão pós- transplante renal é neurotóxica e predispõe a leucoencefalopatia posterior, linfoma cerebral e infecções. Alguns antibióticos baixam o limiar convulsivante, com risco de estado epiléptico. As DAEs mais utilizadas na uremia incluem benzodiazepínicos, etossuximida, fenitoína e fenobarbital. Ao tratar-se epilepsia na insuficiência renal, a escolha da DAE permanece função do tipo de crise, mas as doses devem ser ajustadas, sobretudo no que tange às DAEs hidrossolúveis, de baixo peso molecular, pouco ligadas a proteínas e de baixo volume de distribuição aparente. A insuficiência hepática conduz a quadros de encefalopatia que geram crises, tratados pela redução dos níveis de amônia e da atividade bacteriana intestinal, reversão de edema cerebral e de hipertensão intracraniana. DAEs como fenitoína e benzodia zepínicos são quase sempre ineficazes. Imunossupressores pós transplante hepático causam crises tratadas sobretudo com fenitoína ou levetiracetam. Crises na doença de Wilson resultam de deficiência de piridoxina dependente de D-penicilamina. Pacientes com porfiria podem se beneficiar de gabapentina, oxcarbazepina ou levetiracetam. A doença hepática altera a farmacocinética das DAEs, demandando reajuste de suas doses. DAEs pouco metabolizadas pelo fígado como gabapentina, vigabatrina e levetiracetam são em teoria mais adequadas aqui. CONCLUSÃO: O tratamento eficaz das crises epilépticas nas doenças renais e hepáticas requer adequado diagnóstico destes distúrbios e de suas comorbidades, além de conhecimento do metabolismo das DAEs, de suas alterações farmacocinéticas nestes contextos, uso cauteloso de medicamentos concomitantes e monitoramento dos níveis séricos das DAEs. <![CDATA[<b>Pharmacogenetic and antiepileptics</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-26492008000600009&lng=en&nrm=iso&tlng=en A otimização do uso de antiepilépticos para o tratamento da epilepsia freqüentemente é comprometido pela falta de resposta terapêutica, efeitos colaterais inesperado ou variações inexplicadas dos níveis séricos dos antiepilépticos. A presença de polimorfismo do DNA destes indivíduos está implicada em alterações no transporte de drogas, receptores cerebrais, metabolização de drogas e efeitos colaterais idiossincrásicos graves, que podem explicar partes dos problemas. A maioria dos antiepilépticos são metabolizados pela via do Citocromo P450 ou da UDP-glucoronil-transferase. As enzimas do Citocromo P450 com maior significado clínico são CYP1A2, CYP2D6, CYP2C9, CYP2C19 e CYP3A4. A fenitoina é metabolizados pelo CYP2C9 e CYP2C19, cujos polimorfismos reduzem a atividade metabólica em até 27-54%, ocorrendo em 20-30% da população, variando conforme a origem étnica do indivíduo. A utilização da farmacogenética no tratamento de pessoas com epilepsia é bastante promissora, porém mais estudos são necessários.<hr/>The optimized use of antiepileptic drugs to treatment of epilepsy is usually compromised by lack of therapeutic response, unexpected side effects and unexplained variations of antiepileptics plasma levels. The presence of DNA polymorphism in these persons is associated to alterations on drug transportation, cerebral drug receptors, drug metabolization or severe idiosyncratic side-effects, which could explain some of these problems. Most of antiepileptics are metabolized by cytochrome P450 or UDP-glucoronosyl-transferase. The cytochrome P450 enzymes more clinically significant are CYP1A2, CYP2D6, CYP2C9, CYP2C19 and CYP3A4. Phenytoin is metabolized by CYP2C9 e CYP2C19, and polymorphism reduce metabolic activity to 27-54%, occurring at 20-30% of population, according to the person ethnic origin. The use of pharmacogenetics in the treatment of person with epilepsy has a large potential, but more studies are necessary.