Scielo RSS <![CDATA[ARS (São Paulo)]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1678-532020100002&lang=en vol. 8 num. 16 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[<b>Marcia Cymbalista, fechaduras [doze fronteiras de fechaduras de potas de rolar], 1996-2010</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202010000200001&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>Ficções urbanas</b>: <b>estratégias para a ocupação das cidades</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202010000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=en As intervenções do grafite e da pichação na cidade criam fissuras no real que, por vezes, geram reações violentas, já que a maioria de nós tem dificuldade em lidar com fenômenos atuantes fora da dita ordem natural das coisas. Seres fantásticos e uma tipografia hermética desafiam não só o senso comum, mas também as leis. "Ficções urbanas" pretende analisar as diferenças entre as estratégias da pichação e do grafite na cidade de São Paulo. Esses procedimentos são considerados em suas dinâmicas de apropriação do espaço cotidiano e em relação ao quadro teórico do debate artístico contemporâneo.<hr/>Interventions on urban space such as graffiti and "pichação" create cracks in the real that sometimes may generate violent reactions, since most of us find difficulties in dealing with phenomena that stretch out our sense of security. Fantastic creatures and a typography that is hard to read defy not only common sense, but also the laws. The text "Urban fiction" analyzes the differences between the strategies of graffiti and "pichação" in São Paulo. These procedures are considered in their dynamics to take over urban landscape and examined in relation to the theoretical framework of contemporary art debate. <![CDATA[<b>À margem da rua</b>: <b>o novo espaço público</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202010000200003&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este artigo aborda as transformações ocorridas no espaço público em razão do papel que os museus de arte contemporânea passaram a desempenhar atualmente nas cidades.<hr/>This article deals with the transformations occurred in the public space due to the new role of the Museums of Contemporary art in the cities nowadays. <![CDATA[<b>Arte e tecnologia</b>: <b>intersecções</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202010000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Sendo a tecnologia uma constante na história da arte, que se constituiu essencialmente por imagens, procura-se perceber em que medida a tecnologia digital, vista aqui como um ponto de mudança na posição do sujeito face à produção criativa, interfere nos processos artísticos quanto a novas formulações a respeito do posicionamento do observador e do autor. Da intersecção que resulta dessa tecnologia com a criatividade, vemos a ideia da produção partilhada ganhar força e se constituir cada vez mais como uma vontade inerente à própria atitude do ato criativo. A obra ao ser revelada no desejo da interatividade, que se vai afirmando na requisição da participação do outro como elemento fundamental para a sua concretização, enuncia um posicionamento que se diferencia na forma e no resultado que se vincula pelos meios tecnológicos, quer em relação ao espaço quer em relação aos procedimentos. No campo dos estudos das artes, adivinha-se cada vez mais importante uma procura empenhada na constituição de um fio condutor, neutro e de alcance o mais universal possível, com o intuito de compreender uma componente ideológica que se pode revelar na atitude ideológica inerente à utilização das novas tecnologias. Procura-se perceber como é que o significado das imagens é coordenado e porque razão necessitamos, queremos e precisamos das imagens; por fim, envereda-se pelos procedimentos do sujeito face aos adventos digitais, na iminência de perceber de que modo somos afetados pela tecnologia digital e de que modo a interação interfere no posicionamento do sujeito face aos aspectos da criatividade.<hr/>Being technologies always present throughout the art history, which is mainly constituted by images, we will try to understand in which extent digital technology, considered to us as a main structure in the way the viewer faces creative production, interferes with the artistic procedures. We will centre our attention in new formulations according to positioning of the author and the observer. The result of the intersection between technology and interactivity drives us to perceive the development of the idea of shared production that spreads out as will inherent to the attitude of the creative act. The work, on being revealed in the aspiration of interactivity enounces a positioning that is linked to the technological means, on space and proceedings issues. In the art studies, it is further growing the importance of a quest for a neutral, universal guide line, in order to assimilate an ideological component the reveals itself in the attitude inherent to the use of these new digital technologies. We will try to understand how is the meaning of the images coordinated, and why do we need and seek for images. To finish we will endeavor to the proceedings of the viewer before the digital innovations, in order to understand in which way the interaction affects the positioning of the subject in relation to aspectos of creativity. <![CDATA[<b>Memória de gestos na obra de Agnès Varda</b>: <b>pintura, fotografia, cinema</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202010000200005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Antiga aluna da Escola do Louvre, Agnès Varda inicia sua carreira como fotógrafa, antes de se dedicar ao cinema. Raramente críticos e acadêmicos percebem ou destacam, em sua obra fílmica, o gosto acentuado e erudito pela pintura e pela fotografia, que se manifesta notadamente através da recorrência de gestos presentes na imagem. Analisaremos três procedimentos em que essa recorrência explícita pode ser percebida em alguns de seus filmes. Primeiramente, ao partir de uma imagem pictórica para reproduzir um gesto singular que se fixa pelo exercício da pausa (pose), colocando "em abismo" a relação pintura/cinema. Um segundo procedimento explora um gesto engendrado por uma fotografia em filmes cujos personagens encontram-se, em algum momento, congelados em seus gestos. Um terceiro procedimento evoca um prolongamento dos gestos, desta vez operado no seio da própria imagem cinematográfica, pela montagem. A recorrência dos gestos, tão presente na obra de Agnès Varda, encontra fortes ecos no pensamento de Gaston Bacherlard, Roland Barthes, Walter Benjamin e Aby Warburg. Assim, o que denominamos aqui uma "memória dos gestos" atesta, em seus filmes, uma fina conivência entre pintura, fotografia e cinema.<hr/>Former student at the Louvre, Agnès Varda began her career as a photographer before turning to cinema. Critics and scholars rarely see or stand, in her films, the sharp and erudite taste for painting and photography, which manifests itself mainly by recurrent gestures on image. In this article, we are going to analyse three procedures by which that explicit recurrence can be seen in some of her films. First, by obtaining through a pictorial image the reproduction of a singular gesture that is fixed due to the use of pause (pose), proposing a 'mise en abyme' of the relationship between painting and film. A second procedure explores the gesture generated by a photograph, in films whose characters, frozen in their gestures, become themselves objects. A third procedure evokes an extension of certain gestures, but this time within the very filmic images, through montage. That recurrence of gestures finds strong echoes in the writings of Gaston Bacherlard, Roland Barthes, Walter Benjamin and Aby Warburg. Therefore, what we call here a "memory of gestures" attests, in her films, a fine collusion between painting, photography and film. <![CDATA[<b>A política do ensaio político de catálogo</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202010000200006&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este texto foi originalmente publicado no livro Villa Lituania, que aborda o trabalho homônimo, apresentado pela dupla de artistas lituanos Nomeda & Gediminas Urbonas na 52ª Bienal de Veneza, em 2007. O título designa o edifício que até 1940 sediou, em Roma, a primeira embaixada da república independente da Lituania, mantido sob jurisdição das autoridades russas mesmo após a queda do bloco soviético, em 1989, e considerado, pela ex-república soviética, território nacional ocupado. O trabalho implicou na construção de um pombal na Villa Lituania e numa série de ações de conotação política e social em Veneza, Roma e Vilna, cidade onde a dupla reside. Os artistas são conhecidos internacionalmente pela dimensão política e social que pretendem infundir a suas ações. Não obstante a forte carga ideológica que envolveu a intervenção de Nomeda & Gediminas Urbonas na Bienal de Veneza, neste ensaio o autor, tributário da tradição marxista, demonstra notável ceticismo em relação à potência crítica do discurso marxista evocado em parte significativa da arte contemporânea.<hr/>This text has been originally published in the book Villa Lituania, which approaches the homonymous work presented by the lithuanian artists Nomeda & Gediminas Urbonas, at the 52ª Venice Biennial, in 2007. The title is the name of the building used until 1940 as the seat for the first independent Lithuania Republic's embassy, in Rome, nevertheless kept under the jurisdiction of Russian authorities since the fall of the soviet bloc, in 1989, and considered, by the ex-soviet Republic, national territory under foreign occupation. The work involved the creation of a pigeon loft at Villa Lituania building, as well as a series of actions targeted at social and politic issues in Venice, Rome and Vilnius, where the tandem lives. Socially and politically addressed actions have made the artists internationally known. Notwithstanding the strong ideological drive of Nomeda & Gediminas Urbonas' intervention at the Venice Biennial, the author, an heir to the Marxist tradition, shows in the essay a remarkable skepticism regarding the critical power of the Marxist discourse evoked in most of contemporary art. <![CDATA[<b>Forma, valor e renda na arquitetura contemporânea</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202010000200007&lng=en&nrm=iso&tlng=en A arquitetura contemporânea vive hoje uma arriscada fusão com a publicidade e a indústria do entretenimento. Tal convergência exige uma expansão da forma arquitetônica até o limite de sua materialidade. Em busca da renda informacional máxima, característica do universo das marcas mundiais, constatamos uma inversão de seus antigos fundamentos construtivos e produtivos, subvertidos por um jogo de volumes e efeitos para além de qualquer regra ou limitação. Aliado às técnicas digitais de projeto e à reorganização dos canteiros de obra, esse novo fetichismo da forma, análogo à autonomização do poder e da riqueza abstrata no capitalismo contemporâneo, define a nova condição da arquitetura de ponta.<hr/>Contemporary architecture is dangerously enmeshed with the entertainment industry and the field of advertising. This meshing has pushed architectural form to the limits of materiality. Architecture today searches for maximum informational rent, a process typical of global product branding; through this process, established building and production principles are subverted by a play of volumes and effects beyond any rule or limitation. Relying on digital design technologies and the reorganization of the building site, this new fetishism of form, analogous to the autonomization of power and abstract wealth in contemporary capitalism, defines the new condition of cutting-edge architecture. <![CDATA[<b>Grupo Poéticas Digitais</b>: <b>projetos desluz e amoreiras</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202010000200008&lng=en&nrm=iso&tlng=en O Grupo Poéticas Digitais foi criado em 2002, no Departamento de Artes Plásticas da ECA-USP, com a intenção de gerar um núcleo multidisciplinar, promovendo o desenvolvimento de projetos experimentais e a reflexão sobre o impacto das novas tecnologias no campo das artes. O Grupo é um desdobramento do projeto wAwRwT, iniciado em 1995 por Gilbertto Prado e tem como participantes professores, artistas, pesquisadores e estudantes. O objetivo deste texto é apresentar algumas experimentações recentes de projetos poéticos como Desluz, de 2009/2010, e Amoreiras, de 2010.<hr/>Poéticas Digitais Group was created in 2002 in the Visual Arts Department at ECA-USP to create a multidisciplinary center, promoting the development of experimental projects and reflection on the impact of new technologies in the field of arts. The Group is an unfolding of the wAwRwT project started in 1995 by Gilbertto Prado and has as participants lecturers, artists, researchers and students. The aim of this article is to present some recent experiments such as "desluz", (2009/2010) and "amoreiras". <![CDATA[<b>A arquitetura dos jesuítas no Brasil</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202010000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Lúcio Costa aborda neste artigo as singularidades das construções jesuíticas no contexto brasileiro, defendendo que essas obras constituíram verdadeiramente nossa "antiguidade". O autor afirma que enquanto na Europa a Companhia se associava à exuberância das construções barrocas, aqui, suas intervenções eram marcadas por uma profunda sobriedade, não obstante deixando entrever um "sabor popular", que desfigurava desde sempre os padrões eruditos, configurando-se como experiências legítimas de recriações. O autor não deixa de atentar para o fato de que no Brasil as características arquitetônicas empreendidas nas obras dos jesuítas extrapolavam a esfera das edificações religiosas, repetindo-se nas demais construções do traçado urbano.<hr/>Lúcio Costa approaches, in this article, the singularities of the Jesuitical buildings in the Brazilian context, stating that such works constituted our true "antiquity". The author argues that, if in Europe the religious order was associated with the exuberance of Baroque, here its interventions were marked by a deep sobriety, nonetheless revealing a "popular flavor" that has been, since the beginning, transfiguring the classical canons, and, thus, becoming legitimate experiences of reinvention. The author pays attention to the fact that, in Brazil, the architectural features in the Jesuitical works surpasses the religious sphere, appearing in other urban buildings.