Scielo RSS <![CDATA[Vibrant: Virtual Brazilian Anthropology]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1809-434120160001&lang=pt vol. 13 num. 1 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[O nascimento do materialismo cultural? Um debate entre Marvin Harris e António Rita-Ferreira]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This article addresses a specific phase in the career of Marvin Harris, the founder of cultural materialism: his fieldwork in Mozambique. In particular, it examines the debate on the migration of the "indígenas" of Mozambique to the mines of South Africa, in which he engaged with António Rita-Ferreira, a colonial civil servant and amateur anthropologist (or "self-made scholar", as he liked to represent himself). The article analyses that debate from two related perspectives: a disciplinary or anthropological perspective, and an historical-political one, marked by the movement of decolonisation in the second half of the 1950s<hr/>Resumo O artigo aborda uma fase da trajetória de Marvin Harris, fundador do materialismo cultural: seu trabalho de campo em Moçambique. Examina, sobretudo, o debate acerca da migração dos "indígenas" moçambicanos às minas da África do Sul, travado com António Rita-Ferreira, funcionário colonial e "antropólogo amador" (ou self-made-scholar, como ele gostava de se auto-apresentar). Para tanto, o artigo situa as coordenadas daquela controvérsia em um duplo registro: de um lado, disciplinar ou antropológico e, de outro, histórico-político que foi marcado pelo movimento de descolonização na segunda metade da década de 1950. <![CDATA[Science, stigmatisation and afro-pessimism in the South African debate on AIDS]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100022&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Summary This paper examines how certain assumptions concerning sexual behaviour, race and nationality emerge at the core of explanations regarding the origin of HIV. In particular, it returns to discussions of the so-called "AIDS debate" in South Africa in the 2000s. On the one hand, it focuses on how these assumptions reinforce the understanding of AIDS as stigma and "social problem", to the extent that they emphasise the existence of geographical areas and "risk groups". On the other, these same assumptions are examined in the light of processes of identification and belonging, given that in the majority of reports, both academic and popular, "Africans" and "Africa" are inexorably understood in pessimistic terms. The purpose is to show how certain aspects of the South African debate refer to the way the global history of AIDS has been constructed over the past three decades. An exhaustive historiographical reconstruction is not attempted here, rather by returning to some works on the genesis of the epidemic, the paper highlights the individual and collective stigmatisation related to the public health discourse on AIDS, particularly such notions as "risk", "exposure" and "vulnerability". The proposal is such notions are strongly informed by a moral sense that traverses the dominant cognitive model in the approaches to the global epidemic and the AIDS debate in South Africa. The last part of the article focuses on the tensions that emerge between the explanations of experts from the field of public health and the contributions of social scientists, particularly anthropologists, frequently questioned for their alleged cultural relativism.<hr/>Resumo Este trabalho examina como certos pressupostos sobre comportamento sexual, raça e nacionalidade surgem no âmago das explicações e contra-explicações acerca da origem do HIV. Ele retoma, em particular, algumas discussões e dados etnográficos do que ficou conhecido como o "debate da AIDS", ocorrido na África do Sul na década de 2000. O artigo enfoca, por um lado, o modo como esses pressupostos produzem e reforçam a compreensão da AIDS como estigma, desvio e problema social, uma vez que enfatizam a existência de áreas geográficas e grupos de risco. Por outro, esses mesmos pressupostos são examinados à luz de processos de identificação, pertencimento e formas de espacialização, à medida que na maior parte dos relatos, tanto acadêmicos como populares, "africanos" e "África" são compreendidos implacavelmente em termos pessimistas. O objetivo é mostrar como alguns traços do debate sul-africano remetem ao modo como a história global da AIDS foi construída nas últimas três décadas. Não é feita aqui uma reconstrução historiográfica exaustiva, mas, ao retomar algumas pesquisas sobre a gênese da epidemia, chama-se a atenção para a estigmatização individual e coletiva atreladas à produção do discurso da saúde pública sobre a AIDS, especialmente a partir de noções como "risco", "exposição" e "vulnerabilidade". Propõe-se que tais noções se acham fortemente embasadas num senso moral que atravessa o modelo cognitivo dominante nas abordagens da epidemia global e do debate da AIDS na África do Sul. A última parte do trabalho foca nas tensões que surgem entre as explicações de especialistas do campo da epidemiologia e da saúde pública e as preocupações dos cientistas sociais, especialmente os antropólogos, amiúde questionados pelo seu alegado relativismo cultural. <![CDATA[Presentation]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100052&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Summary This paper examines how certain assumptions concerning sexual behaviour, race and nationality emerge at the core of explanations regarding the origin of HIV. In particular, it returns to discussions of the so-called "AIDS debate" in South Africa in the 2000s. On the one hand, it focuses on how these assumptions reinforce the understanding of AIDS as stigma and "social problem", to the extent that they emphasise the existence of geographical areas and "risk groups". On the other, these same assumptions are examined in the light of processes of identification and belonging, given that in the majority of reports, both academic and popular, "Africans" and "Africa" are inexorably understood in pessimistic terms. The purpose is to show how certain aspects of the South African debate refer to the way the global history of AIDS has been constructed over the past three decades. An exhaustive historiographical reconstruction is not attempted here, rather by returning to some works on the genesis of the epidemic, the paper highlights the individual and collective stigmatisation related to the public health discourse on AIDS, particularly such notions as "risk", "exposure" and "vulnerability". The proposal is such notions are strongly informed by a moral sense that traverses the dominant cognitive model in the approaches to the global epidemic and the AIDS debate in South Africa. The last part of the article focuses on the tensions that emerge between the explanations of experts from the field of public health and the contributions of social scientists, particularly anthropologists, frequently questioned for their alleged cultural relativism.<hr/>Resumo Este trabalho examina como certos pressupostos sobre comportamento sexual, raça e nacionalidade surgem no âmago das explicações e contra-explicações acerca da origem do HIV. Ele retoma, em particular, algumas discussões e dados etnográficos do que ficou conhecido como o "debate da AIDS", ocorrido na África do Sul na década de 2000. O artigo enfoca, por um lado, o modo como esses pressupostos produzem e reforçam a compreensão da AIDS como estigma, desvio e problema social, uma vez que enfatizam a existência de áreas geográficas e grupos de risco. Por outro, esses mesmos pressupostos são examinados à luz de processos de identificação, pertencimento e formas de espacialização, à medida que na maior parte dos relatos, tanto acadêmicos como populares, "africanos" e "África" são compreendidos implacavelmente em termos pessimistas. O objetivo é mostrar como alguns traços do debate sul-africano remetem ao modo como a história global da AIDS foi construída nas últimas três décadas. Não é feita aqui uma reconstrução historiográfica exaustiva, mas, ao retomar algumas pesquisas sobre a gênese da epidemia, chama-se a atenção para a estigmatização individual e coletiva atreladas à produção do discurso da saúde pública sobre a AIDS, especialmente a partir de noções como "risco", "exposição" e "vulnerabilidade". Propõe-se que tais noções se acham fortemente embasadas num senso moral que atravessa o modelo cognitivo dominante nas abordagens da epidemia global e do debate da AIDS na África do Sul. A última parte do trabalho foca nas tensões que surgem entre as explicações de especialistas do campo da epidemiologia e da saúde pública e as preocupações dos cientistas sociais, especialmente os antropólogos, amiúde questionados pelo seu alegado relativismo cultural. <![CDATA[Families of Centenarians]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100055&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Multigenerational families, shaped by fundamental phenomena of today's world like human longevity and the restructuring of production, unite generational actors in new socio-affective relationships. Firstly, and contrary to the somewhat stereotyped contemporary image, uncommon figures such as the centenarians are generally lucid and in good or reasonable bodily health. Whatever the state of their physical health, though, they need affection like anyone else, as well as practical day-to-day support. Their children may come together to enable this care, but generally the support is provided by a daughter, fulfilling the classic female social role of caregiver. These daughters, whether elderly themselves or mature, represent the pivotal or intermediary generation, the second great player in these multigenerational families, who also provide support to the younger generations, including children and grandchildren. Such support extends to financial assistance, required by those mainly younger family members who are unemployed or only precariously employed, as well as by those who experience new family situations, such as separations and returning to home, generally the maternal home. This is the panorama that I propose to analyze, based on research data.<hr/>Resumo Famílias multigeracionais, moldadas por fenômenos básicos da contemporaneidade, a longevidade e a reestruturação produtiva, abrigam personagens geracionais que são novos enquanto relações afetivo-sociais. Em primeiro lugar, os centenários, figuras incomuns - diferentemente da imagem meio preconceituosa vigente, são em maioria lúcidos e em boa ou razoável condição corporal. Entretanto, por maior que seja a sua vitalidade, demandam apoios - afetivos, como todos - mas também materiais, cotidianos. Os filhos enfeixam essa possibilidade de cuidado, porém geralmente esse lugar de apoio é preenchido por uma filha, cumprindo o papel social clássico, feminino, de cuidadora. É a representante da geração pivô, ou intermediária - segunda grande personagem geracional nessa família; idosa ou madura, é apoio também das gerações mais jovens, filhos e netos. Apoio que se estende ao âmbito financeiro, demandado pelos que estão desempregados ou precariamente empregados. Abrangendo ainda os que vivem novos padrões de família, com as separações e retornos à casa, geralmente materna. Aí já se encontram principalmente os jovens. É o panorama que proponho analisar, com base em dados de pesquisa. <![CDATA[Amor demais: o cuidado institucional à velhice]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100071&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This paper, which is an exercise in articulating anthropology and psychoanalysis to the study of care for elderly people, is based on an ethnographic case study of an institution caring for the elderly in the city of São Paulo. It seeks to understand the representations of old age, aging and care, and what motivates professionals who provide assistance to the aged. Love, care and attention, understood by professionals and staff as requirements for a good job performance, are designated as donation (gift), regardless of technical knowledge. Recurrent references to both charity (gift) and biomedicine (technique) models, have implications for caring for the aged. For different reasons, both management models converge in a practice in which the elderly appear submitted to the intentions of another. The idea of gift as a supposedly unintentional action reveals care as a power relationship.<hr/>Resumo Este texto, um exercício de articulação entre antropologia e psicanálise para pensar o cuidado a pessoas idosas, baseia-se em um estudo de caso etnográfico numa instituição asilar no Município de São Paulo. Busca-se compreender as representações de velhice, envelhecimento, cuidado e o que move a assistência à velhice. Amor, carinho e atenção, entendidos pelos profissionais e funcionários como requisitos para o bom exercício da tarefa, são concebidos como doação (dom) e independem do saber técnico. Recorrentes referências aos modelos de gestão do trabalho com a velhice baseados tanto na noção de caridade (dom) quanto na biomedicina (técnica) têm implicações para o cuidado; por motivos diferentes, ambos convergem para uma prática em que o velho aparece submetido às intenções de um outro. A ideia do dom como uma suposta ação desinteressada evidencia o cuidado como uma relação de poder. <![CDATA[Les migrations et le marché de soins aux personnes âgées]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100089&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Résumé Cet article aborde l'immigration de femmes d´Amérique latine et d´Europe de l'Est allant travailler dans les soins à domicile de personnes âgées en Italie. Fondé sur une recherche de terrain menée à Bologne auprès de soignants et de leurs employeurs, il discute: (1) les configurations de ce nouveau marché en expansion qui répond au vieillissement rapide de la population mondiale; (2) la façon dont genre, âge et nationalité produisent des catégories de différenciation et d'inégalité; (3) la manière dont la visibilité acquise par ces deux populations indésirables, personnes âgées et ,immigrés, redéfinit les formes de dépendance et donne de nouveaux sens aux relations familiales, aux droits et obligations de l'État et à la vie domestique.<hr/>Abstract This article focuses on the migration of women from Latin America and Eastern Europe to work with home care of the elderly in Italy. Through an ethnographic approach and based on field research conducted in Bologna with caregivers and their employers the aim of this paper is to discuss: (1) the configuration of this new growing market that responds to the rapid aging of the world's population; (2) how gender, age and nationality produce categories of differentiation and inequality; (3) how the visibility gained by the duo combining two unwanted populations - the elderly and immigrants - redefines forms of dependence, gives new meaning to family relationships, to obligations of the state and to domestic life.<hr/>Resumo O artigo focaliza a imigração de mulheres da América Latina e da Europa do leste para trabalhar com o cuidado à domicílio de idosos na Itália. Tendo como base uma etnografia realizada na cidade de Bolonha com cuidadoras e seus empregadores, o objetivo do artigo é discutir: (1) as configurações deste novo mercado em expansão que responde ao envelhecimento acelerado da população mundial; (2) o modo pelo qual gênero, idade e nacionalidade produzem categorias de diferenciação e de desigualdade; (3) o modo como a visibilidade deste duo envolvendo grupos discriminados - imigrantes e idosos - redefine formas de dependência e dá novos significados às relações familiares, aos direitos e obrigações do estado e à vida doméstica. <![CDATA[Negociaciones posibles: visibilidad, vejez y parentesco entre mujeres que mantienen relaciones sexo-afectivas con otras mujeres]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100102&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumen En las últimas décadas se han sucedido cambios significativos en lo que respecta a las sociabilidades de las comunidades LGBT. En países de América Latina, el desarrollo de legislaciones referentes a la unión entre personas del mismo sexo, el reconocimiento legal de las identidadestrans y las políticas contra la discriminación y la violencia motivadas por la orientación sexual o por la identidad de género evidencian importantes transformaciones jurídicas y sociales. Estas políticas generan, al mismo tiempo, cambios profundos en las subjetividades y modos de socialización, marcando diferencias importantes que pueden colaborar en una mayor aceptación social de la comunidad LGBT. A partir de la investigación de campo realizada en las ciudades de Buenos Aires y São Paulo en el año 2013 y parte de 2014, el objetivo de este trabajo es entender la especificidad de las formas contemporáneas de sociabilidad de mujeres que mantienen relaciones homo-afectivas, con una edad de entre 40 y 70 años de edad, y los efectos que los últimos cambios legales pueden, o no, ejercer en los modos de vivenciar su sexualidad.¿Utilizan las prerrogativas de la ley de matrimonio o del fallo del STF? ¿Quiénes lo hacen?<hr/>Resumo Nas últimas décadas têm acontecido mudanças significativas nas sociabilidades e visibilidades das comunidades LGBT. Em Latino-américa o desenvolvimento de legislações relativas à união entre pessoas do mesmo sexo, o reconhecimento legal das identidades trans e as políticas em contra à discriminação e a violência motivadas pela orientação sexual ou a identidade de género evidenciam importantes transformações jurídicas e sociais. Estas políticas geram, ao mesmo tempo, mudanças profundas nas subjetividades e modos de socialização, marcando diferenças importantes que possam colaborar na melhor aceitação social da comunidade LGBT. A partir da pesquisa de campo realizada nas cidades de Buenos Aires e São Paulo no ano 2013 e parte do ano 2014, o objetivo desta apresentação é entender a especificidade das formas contemporâneas de sociabilidade de mulheres, dentre 40 e 70 anos de idade, que mantêm relações homo-afetivas e os efeitos que as últimas mudanças legislativas podem ou não exercer nos modos de vivenciar sua sexualidade. São utilizadas as prerrogativas da lei de matrimonio ou a sentencia do STF? Por quem? <![CDATA[Heterotopias of (un)desirable bodies: homoeroticism, old age and other dissidences]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100115&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This paper problematizes some possible stylizations of bodies that are socially perceived as "old" and that are engaged in (homo)erotic activities. We present some "scenes" that were mapped during participant observations conducted in a territory of sociability attended mainly by older gay men. Ways in which the materiality of the bodies in these encounters may acquire other "contours" and new "porosities" are discussed. This rematerialization enables some individuals to resist some models that normalize subjectivities and and bodies. At least at the moment of the parties in this territory (in that queer time and space), the old gay man is no longer a "bicha velha démodé", but rather a subject of desire and a desiring subject. Our cartography tends to denounce the fragility and the fictional aspects of homo/hetero/age-normativities.<hr/>Resumo Este artigo problematiza algumas estilizações possíveis de corpos ditos "velhos" e em experimentações (homo)eróticas. São apresentadas algumas cenas cartografadas a partir de observações participantes realizadas em um território de sociabilidade frequentado principalmente por homens mais velhos. Discutimos alguns modos pelos quais a materialidade dos corpos nesses encontros passa a ganhar outros contornos, de modo que algumas vidas, a partir do incômodo de um fantasma de abjeção, possam resistir a certos modelos que normatizam subjetividades e corpos. Pelo menos nos instantes das festas que ocorrem em tal território (naquele tempo e espaço queer), o gay velho não é mais a "bicha velha démodé", torna-se um sujeito do desejo e desejante. As cartografias insinuam uma denúncia sobre a fragilidade e o caráter ficcional das homo/hetero/idade-normas <![CDATA[<strong><em>Is old age always already heterosexual (and cisgender)?</em></strong> The LGBT Gerontology and the formation of the "LGBT elders"]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100132&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract This article seeks to present an anthropological and critical view of the development of a thriving field of knowledge production (especially present in North America) which for some decades has investigated the aging processes among lesbians, gay men and bisexual and transgender people. This field, still relatively unknown in Brazil and in South America as a whole, has been named "LGBT Gerontology ". Thus my interest lies in critically and systematically presenting and contextualizing the main trends, controversies and theoretical debates in this field, as well as their recent implications on the complex constitution, legitimation and creation of public policies concerning the new social actors, who rise concomitantly - the "LGBT seniors."<hr/>Resumo Este artigo procura apresentar um olhar antropológico e crítico para as principais dinâmicas do desenvolvimento de um pujante campo de produção de conhecimento (em especial norte-americano) o qual tem investigado por algumas décadas os processos de envelhecimento de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Este campo, ainda relativamente pouco conhecido no Brasil e na América do Sul como um todo, tem sido chamado de "Gerontologia LGBT". Meu interesse, dessa maneira, reside em apresentar e contextualizar crítica e sistematicamente as principais tendências, polêmicas e embates teóricos desse campo, assim como os seus desdobramentos recentes em prol da complexa constituição, legitimação e criação de políticas públicas concernentes a novos atores sociais (cuja assunção se dá em concomitância), no caso: os "idosos LGBT". <![CDATA[Living longer: are we getting older or younger for longer?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100155&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Since the second half of the 20th century survival has been democratised in most countries. More and more people reach an advanced age. The objective of this paper is to discuss how phases of the life cycle are being re-defined in the context of a world in transformation: the universalization of social security that guarantees income for older people; technological advances that have increased the velocity of communication and the demand for continuing education; medical advances; and changes in family organization such as an increase in divorce rates, re-marriage and unions between people of the same sex. Even so, the biological changes that accompany ageing have not changed since Antiquity, in spite of hopes for a longer life. These changes occur later in life and more people live through them. Yet people continue to retire at more or less the same age. This suggests the creation of a new post retirement life phase that is distinct from adult life and the phase of fragility. We remain young for longer; indeed youth has been extended. We do not know whether this new phase will be experienced by all people. But if that becomes the case, why not include it as part of adult life?<hr/>Resumo A partir da segunda metade do século passado, a sobrevivência democratizou-se em grande parte dos países do mundo. Mais e mais pessoas estão alcançando as idades avançadas. Este trabalho tem por objetivo discutir como as fases da vida estão sendo re-desenhadas em face dessas mudanças num mundo que também se transforma: a universalização da Seguridade Social que garantiu renda para os idosos; o avanço tecnológico que aumentou a velocidade das informações e a demanda por uma educação continuada; avanços médicos; e mudanças familiares, com o aumento dos divórcios, dos recasamentos e das uniões homoafetivas. No entanto, as características biológicas das pessoas que envelhecem continuam as mesmas desde a Antiguidade, não obstante os grandes ganhos observados na esperança de vida. Mudou a idade em que se iniciam e, principalmente, o fato de que cada vez mais pessoas a vivenciam. O seu adiamento não foi acompanhado pela idade em que as pessoas se aposentam. Isto resultou num aumento da fase pós-laboral e justificou a criação de uma nova fase da vida distinta da vida adulta e da fase das fragilidades. Assim sendo, estamos ficando jovens por mais tempo; a juventude foi oficialmente prolongada. Ainda não se sabe se essa nova fase vale para todos. Se valer, por que não adicioná-la à vida adulta? <![CDATA[Images et récits sur l´entrée en institution]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-43412016000100176&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Abstract Since the second half of the 20th century survival has been democratised in most countries. More and more people reach an advanced age. The objective of this paper is to discuss how phases of the life cycle are being re-defined in the context of a world in transformation: the universalization of social security that guarantees income for older people; technological advances that have increased the velocity of communication and the demand for continuing education; medical advances; and changes in family organization such as an increase in divorce rates, re-marriage and unions between people of the same sex. Even so, the biological changes that accompany ageing have not changed since Antiquity, in spite of hopes for a longer life. These changes occur later in life and more people live through them. Yet people continue to retire at more or less the same age. This suggests the creation of a new post retirement life phase that is distinct from adult life and the phase of fragility. We remain young for longer; indeed youth has been extended. We do not know whether this new phase will be experienced by all people. But if that becomes the case, why not include it as part of adult life?<hr/>Resumo A partir da segunda metade do século passado, a sobrevivência democratizou-se em grande parte dos países do mundo. Mais e mais pessoas estão alcançando as idades avançadas. Este trabalho tem por objetivo discutir como as fases da vida estão sendo re-desenhadas em face dessas mudanças num mundo que também se transforma: a universalização da Seguridade Social que garantiu renda para os idosos; o avanço tecnológico que aumentou a velocidade das informações e a demanda por uma educação continuada; avanços médicos; e mudanças familiares, com o aumento dos divórcios, dos recasamentos e das uniões homoafetivas. No entanto, as características biológicas das pessoas que envelhecem continuam as mesmas desde a Antiguidade, não obstante os grandes ganhos observados na esperança de vida. Mudou a idade em que se iniciam e, principalmente, o fato de que cada vez mais pessoas a vivenciam. O seu adiamento não foi acompanhado pela idade em que as pessoas se aposentam. Isto resultou num aumento da fase pós-laboral e justificou a criação de uma nova fase da vida distinta da vida adulta e da fase das fragilidades. Assim sendo, estamos ficando jovens por mais tempo; a juventude foi oficialmente prolongada. Ainda não se sabe se essa nova fase vale para todos. Se valer, por que não adicioná-la à vida adulta?