Scielo RSS <![CDATA[Alfa : Revista de Linguística (São José do Rio Preto)]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1981-579420160002&lang=pt vol. 60 num. 2 lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Apresentação]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-57942016000200225&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt <![CDATA[Funcionalismo e Abordagem Construcional da Gramática]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-57942016000200233&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Este artigo apresenta, discute e exemplifica os rumos da pesquisa funcionalista em sua orientação mais recente, no diálogo com os estudos cognitivistas. Fruto dessa interrelação, destaca-se a abordagem construcional da gramática, na ênfase do pareamento função x forma que marca as expressões linguísticas. Além de apontar os ganhos teórico-metodológicos que tal diálogo tem trazido no âmbito do Funcionalismo, o artigo faz referência também às especificidades de ambas as vertentes teóricas e aos ajustes necessários a fim de que possam ser desenvolvidas pesquisas nessa interface. O tratamento da gramática em perspectiva holística e o rigor na detecção de propriedades de sentido e estrutura que marcam os usos linguísticos são considerados vieses positivos e promissores da pesquisa funcionalista de abordagem construcional.<hr/>ABSTRACT This paper presents, discusses and exemplifies the direction of the functionalist research in its most recent orientation, in its dialogue with cognitive studies. As a result of this interrelation, we highlight the constructional approach to grammar, emphasizing the function x form pairing, which marks the linguistic expressions. Besides pointing out the theoretical and methodological gains that such dialogue has brought to Functionalism, this article also refers to the specificities of both theoretical approaches and to necessary adjustments to enable researches in this interface. The treatment of grammar in a holistic perspective and the strictness in detecting properties of meaning and structures, which mark linguistic usages, are considered positive and promising biases of functionalist research in a constructional approach. <![CDATA[Causality, iconicity and continuity: the effects of prior world knowledge on the understanding of causal relations]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-57942016000200261&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMEN Este trabajo estudia la intervención del conocimiento previo sobre el mundo y su articulación con el conocimiento lingüístico (semántico) durante la comprensión de relaciones causales. Se intenta verificar hasta qué punto el principio de iconicidad y la hipótesis de continuidad – especialmente, a partir de la propuesta de Murray (1997) –, se confirman en español. Esperamos, también, relacionar nuestros resultados con la propuesta de Sanders (2005): Hipótesis de causalidad por defecto. Para ello, se evalúa la comprensión de textos bioracionales de dos tipos (“cotidianos” y “técnicos”), en cuatro condiciones: orden habitual e invertido (causa-efecto vs. efecto-causa); sin y con partícula conectiva presente. Esperamos que la variable “tipo de información”, uno de los elementos centrales de este trabajo, genere un condicionamiento notable durante el procesamiento de relaciones causales y modifique de algún modo las predicciones del principio de continuidad e iconicidad. Los resultados obtenidos muestran que la ausencia de conocimiento previo, en efecto, puede alterar las predicciones y supuestos del principio de iconicidad y de la hipótesis de continuidad; y que, en casos de ausencia de conocimiento previo, la introducción de pistas lingüísticas (partículas conectivas) no sólo es facilitadora del proceso de comprensión sino imprescindible para poder llevarlo a cabo exitosamente.<hr/>ABSTRACT Murray (1997) Sanders’ (2005) <![CDATA[Para uma abordagem linguístico-discursiva da justaposição oracional: oral e escrito em práticas de letramento]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-57942016000200287&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Para refletir sobre a relação entre os componentes de construções paratáticas justapostas, a partir da hipótese de que esses componentes devam ser analisados em seu contexto discursivo, em associação com suas propriedades prosódicas, morfossintáticas e semânticas, assumo um modelo funcionalista de junção (RAIBLE, 2001); um entendimento da escrita como constitutivamente heterogênea e como modo de enunciação (CORRÊA, 2004); e uma concepção de aquisição de escrita que considera as tradições discursivas (KABATEK, 2006), com o intuito de lançar um olhar linguístico-discursivo para essas construções, em dados de aquisição de escrita. A partir de análises qualitativa e quantitativa, o trabalho confirmou a hipótese acima e mostrou que: (i) na composição sintagmática de uma dada tradição, atuam outras tradições, de forma dinâmica; (ii) são os propósitos discursivos do sujeito, segundo suas representações de um momento, do espaço de interlocução e do(s) outro(s)/destinatário(s), que determinam quais tradições atuam como matéria para a produção de uma tradição; (iii) nos dados investigados, a mescla de TDs e as junções que ocorrem numa mesma tradição são recorrentemente empreendidas por justaposição, enquanto gesto que aponta, no espaço gráfico, para a situação concreta de enunciação.<hr/>ABSTRACT RAIBLE, 2001 CORRÊA, 2004 KABATEK, 2006 <![CDATA[Adjetivos intensificadores no Português Brasileiro: propriedades, distribuição e reflexos morfológicos]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-57942016000200319&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Neste artigo, analisamos as propriedades e a distribuição dos adjetivos intensificadores no português brasileiro, tendo em vista suas propriedades morfossintáticas, sintáticas e semânticas. Submetemos os dados a testes com o propósito de verificar seu comportamento em relação à ordem, definitude, e tipo de sentenças e sintagmas em que ocorrem. A partir disso, propomos algumas generalizações com relação à sua distribuição: (i) são exclusivamente prepostos, (ii) ocorrem em sintagmas definidos e indefinidos, (iii) ocorrem em sentenças exclamativas, e (iv) podem ser empregados em contextos de duplicação de determinante em sintagmas nominais indefinidos. No que concerne à categoria lexical que modificam, observamos a formação de dois subgrupos: aqueles que modificam apenas nomes (viz., baita, bruta, senhor(a), puta) e aqueles que modificam nomes e palavras de outra natureza categorial (viz., mega, hiper, super). Essas considerações nos fornecem um conjunto de informações sobre a controversa natureza morfológica de mega, hiper e super. Embora sejam tratados como prefixos, argumentamos que essa análise não é plausível. Em contrapartida, sugerimos que tais formas sejam consideradas adjetivos autônomos. Essa assunção, por sua vez, permite-nos explicar facilmente formações como supermercado, mega-feirão e hipercorreção, analisando-as como compostos de combinação categorial A-N, contrariamente ao que a literatura vem assumindo.<hr/>ABSTRACT In this article we analyze the morphosyntactic, syntactic, and semantic properties of intensifier adjectives in Brazilian Portuguese. To map their distribution, we have applied tests of word order, definiteness, and types of phrases and sentences in which they occur. As a result, we found the following main patterns: (i) they are used exclusively preposed to the modified element, (ii) they appear in definite and indefinite noun phrases, (iii) they can be used in exclamative sentences, and (iv) they can occur in noun phrases with multiple instantiation of indefinite determiners. Regarding the lexical categories they modify, we observed two major groups: those which modify only nouns (viz., baita ‘≈ great’, bruta ‘brute’, senhor(a) ‘sir, lady’, puta ‘whore’), and those which modify nouns and items of other lexical categories (viz., mega ‘mega’, hiper ‘hyper’, super ‘super’). The aforementioned properties shed light on the controversial morphological status of mega, hiper, and super. Although these modifiers are assumed to be prefixes, we claim they are independent adjectives. This assumption allows us to readily explain data such as supermercado ‘supermarket’, mega-feirão ‘big sale’, and hipercorreção ‘hypercorrection’, analyzing them as A-N compounds, oppositely to what the literature has been claiming. <![CDATA[O inventário e a distribuição subjacente das vogais temáticas na classe dos nomes do Português]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-57942016000200341&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O artigo discute a distribuição subjacente e o inventário das vogais temáticas da classe dos nomes do português. Ao tratar da distribuição subjacente da vogal temática na constituição e na derivação das palavras, o estudo considera a possibilidade de a combinação de sufixos ocorrer com raízes ou com temas e adota a derivação com base no tema, admitindo que o tema está armazenado no léxico profundo; assim sendo, a vogal temática está na base do processo de derivação dos nomes da língua desde a subjacência. Na observação de fenômenos da gramática do português, três tipos de critérios dão suporte a essa posição: critério morfofonológico, critério morfológico e critério semântico. Com relação ao inventário das vogais temáticas nominais no português, o estudo reconhece o comportamento singular, nos nomes da língua, que mostra a vogal /e/ ao ser comparada com as vogais /o, a/. Enquanto a vogal /e/ mescla dois papéis: vogal epentética e, de forma restrita, vogal temática, sem correlação com o gênero, as vogais /o, a/ legitimam-se sempre como vogais temáticas e compactuam com o gênero das palavras.1<hr/>ABSTRACT 1 <![CDATA[A memória do acontecido e a memória-acontecimento: um estudo semiótico dos gêneros autobiográficos]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-57942016000200355&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Com base nas noções de campo de presença e de acontecimento, desenvolvidas pela gramática tensiva, são propostas duas formas de memória como categoria analítica dos discursos autobiográficos: a memória do acontecido e a memória-acontecimento. Essas organizações discursivas da memória determinam modos diferentes de adesão do enunciatário aos discursos, uma vez que a primeira coloca em cena estratégias que privilegiam a legibilidade do texto e a segunda explora sua dimensão sensorial e afetiva. Tendo isso em vista, o objetivo central deste artigo é investigar, no quadro teórico da semiótica discursiva, a interação entre enunciador e enunciatário em diferentes gêneros autobiográficos, como a autobiografia literária em prosa, os poemas de caráter autobiográfico e os memoriais acadêmicos. Em cada gênero, a memória do acontecido e a memória-acontecimento se articulam de forma singular. É justamente a tensão que se estabelece entre essas duas memórias, entre essas duas formas de conhecer e produzir o mundo, que parece ser fundadora dos discursos autobiográficos.<hr/>ABSTRACT Based on the notions of field of presence and event, developed by Tensive Grammar, this study proposes two discursive types of memory as an analytical category: the past-event memory and the event memory. These discursive memory organizations determine different ways the enunciatee adheres the discourses. Being more intelligible, the former captures the enunciatee through strategies that highlight the legibility of the text, whereas the latter promotes an essentially sensitive experience. Taking such instability into account, the aim of this paper is to analyze, on the theoretical framework of discursive semiotics, the interaction between enunciator and enunciatee in different autobiographical genres. The genres studied are the literary autobiographies in prose, autobiographical poems and academic autobiographies. Each of them promotes a particular combination between the past-event memory and the event memory. It is precisely the tension between these two types of memory, these two ways of knowing the world and producing it, which seems to be the foundation of the autobiographical discourses. <![CDATA[Relatos de experiências pessoais e socioconstrução de conhecimentos em sala de aula de língua estrangeira]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-57942016000200385&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Este artigo tem por objetivo analisar relatos de experiência produzidos espontaneamente por crianças e jovens adolescentes em sala de aula de língua inglesa. Inserido na área de Linguística Aplicada, o estudo está fundamentado na perspectiva teórica sociocultural (VYGOTSKY, 1998, 2001), segundo a qual a linguagem é uma ferramenta mediadora na socioconstrução de conhecimentos, em interface com uma visão de linguagem orientada para o uso e a serviço de propósitos sociocomunicativos, como proposto pela Linguística Sistêmico-Funcional (HALLIDAY; HASAN, 1989). Nessa arquitetura teórica e com base em uma tradição qualitativa de pesquisa (DENZIN; LINCOLN, 2006), discutimos como os relatos analisados atuam na socioconstrução do conhecimento pedagógico a partir da experiência pessoal, tornando os saberes significativos e compartilhados em sala de aula. Além disso, sugerimos que a experiência de mundo colabora para a construção do conhecimento curricular e esse, em retorno, serve como suporte para a construção da experiência particular do estudante, conforme proposto por Nóbrega (2003, 2009).<hr/>ABSTRACT The present article aims at analyzing recounts of personal experiences spontaneously produced by children and teenagers in EFL classrooms. Inserted in the field of Applied Linguistics, this study is based upon the Sociocultural Theory (VYGOTSKY, 1998, 2001), according to which language mediates the social construction of knowledge. Moreover, we regard language as a use-oriented tool in service of social and communicative purposes, as proposed by Systemic Functional Linguistics (HALLIDAY; HASAN, 1989). We stand on such theoretical backgrounds as well as on a qualitative perspective (DENZIN; LINCOLN, 2006) to argue that the analyzed recounts contribute to the social construction of pedagogical knowledge through personal experience, prompting the emergence of meaningful and shared learning in the classroom. Finally, we suggest that social world experience subsidizes the awareness of curriculum issues and, in return, those contents support the construction of students’ personal experiences, as proposed by Nóbrega (2003, 2009). <![CDATA[Estudos comportamentais e de neuroimagem sobre multitarefa: uma revisão de literatura]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-57942016000200403&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Esta revisão de literatura objetiva articular evidências de estudos comportamentais e de neuroimagem que têm sido conduzidos sobre multitarefa, nos quais pelo menos uma das tarefas envolve linguagem. De forma bem simples, ser multitarefa é lidar com mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Achados de seis estudos comportamentais e de cinco estudos de neuroimagem foram articulados com a literatura para corroborar duas hipóteses consagradas na área, de que (1) ser multitarefa resulta em demonstrar desempenho inferior em uma das tarefas (PASHLER, 1994; SCHMIDT, 2001), e de que (2) ser multitarefa envolve sincronizar e utilizar de forma mais eficiente os recursos neuronais disponíveis (SALVUCCI; TAATGEN, 2011; JUST; BUCHWEITZ, 2014). Os estudos selecionados investigam compreensão auditiva e direção; compreensão auditiva e desempenho de tarefas de rotação mental; escuta dicótica e compreensão; leitura/participação em palestra e envio de mensagens; bilinguismo; o papel da inteligência e da capacidade de memória de trabalho; os efeitos do treinamento; e as escolhas multitarefa em gerações diferentes. Os resultados advindos dos estudos revisados corroboram a literatura e mostram que menos voxels são ativados em uma rede de áreas cerebrais em situação multitarefa que ao desempenhar as tarefas individualmente. Implicações dos achados para a educação também são tratados na revisão. Estudos futuros podem contribuir ao pesquisar os mecanismos cerebrais que permitem e limitam os indivíduos ser multitarefa, os efeitos do aprendizado em condições de distração bem como a maneira como o ensino pode evoluir para guiar as novas gerações.<hr/>ABSTRACT PASHLER, 1994 SCHMIDT, 2001 SALVUCCI; TAATGEN, 2011 JUST; BUCHWEITZ, 2014