Scielo RSS <![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1981-812220170003&lang=en vol. 12 num. 3 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[CARTA DA EDITORA]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300701&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[Dossiê “Patrimônio indígena e coleções etnográficas”]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300709&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[Troubled conversations: dialogues about ethnographic collections with the Ka’apor indigenous people]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300713&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este artigo trata do processo de diálogo sobre coleções etnográficas de objetos Ka’apor e da curadoria compartilhada da exposição “A Festa do Cauim”, atividades promovidas pelo Museu Nacional de Etnologia de Leiden (NME), Holanda, junto ao Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Brasil, e o povo indígena Ka’apor da Terra Indígena Alto Turiaçu, localizada no estado de Maranhão, na Amazônia brasileira. É reflexo de uma mudança de filosofia no NME em direção a uma atividade mais inclusiva e colaborativa, como também dos processos de atuação com povos indígenas promovidos no Museu Goeldi e da necessidade política dos Ka’apor de chamar atenção, em nível nacional e internacional, para a defesa de seus direitos territoriais, continuamente ameaçados por atores envolvidos com a exploração ilegal de madeira no seu território. Considerando diferentes enfoques disciplinares, principalmente da antropologia e da museologia, em consonância com o pensamento indígena, assim como com as negociações de interesses e encontro de diversas perspectivas cognitivas e posicionamentos políticos, este artigo, além de documentar e refletir sobre a produção cocriativa de uma exposição etnográfica, procura repensar as dimensões cognitiva, política e ética deste tipo de trabalho com povos indígenas.<hr/>Abstract This article discusses the collaborative research and exhibition project Sharing Collections and Connecting Histories, carried out by the National Museum of Ethnology in Leiden (NME), the Netherlands, the Museu Paraense Emílio Goeldi, Brazil and the Ka’apor indigenous people of the indigenous reserve Alto Turiaçu, Maranhão, Brazil. The collaborative approach that characterized this project reflects a transformation that has been taking place at the NME in Leiden towards a more inclusive and collaborative museological work, and at the Museu Goeldi, which has been promoting collaborative work with indigenous peoples for at least two decades. The project seeks to meet the political needs of the Ka’apor to draw national and international attention to the importance of defending their territorial rights, which are continuously threatened by the illegal exploitation of lumber on their land. This article focuses on the dialogical processes of studying the Ka’apor collections and developing an exhibition. It considers different disciplinary foci — anthropology and museology — in dialogue with indigenous thought, as well as the process of negotiating the interests and the encounters between different cognitive perspectives and political positions. In addition to documenting and reflecting on the co-creative production of an ethnographic exhibition, this article reconsiders the cognitive, political and ethical dimensions of this type of work involving indigenous peoples. <![CDATA[Museums, ethnographic collections and the quest for intercultural dialogue]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300735&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O presente artigo enfoca aspectos ligados ao patrimônio cultural indígena depositado em museus e as coleções etnográficas. Ressalta as articulações, cada vez mais intensas, entre as noções de bens, de direitos, de identidades, de pertencimentos, que influenciam as políticas da diferença e do reconhecimento demandadas pelos povos indígenas e nas quais o patrimônio musealizado tem um importante papel a cumprir. O artigo destaca, ainda, aspectos e possíveis caminhos sobre os processos e as perspectivas de documentação e de acesso a esses acervos, os quais permanecem essenciais para a renovação de práticas interativas em museus. Finalmente, discorre sobre o programa Museus da Amazônia em Rede (MAR), que congrega quatro museus da Amazônia Oriental e que visa, essencialmente, à disponibilização de seus acervos e aos efeitos positivos que essa atividade pode gerar no sentido de expandir e aprofundar o diálogo intercultural no espaço museal.<hr/>Abstract This article focuses on some aspects related to the Amerindian cultural heritage deposited in museums and ethnographic collections. It discusses linkages between notions of property, rights, identities, affiliations, which influence the politics of difference and of recognition demanded by Amerindians and in which the heritage present in museums has an important role to play. The article also highlights aspects on the prospects for documentation and access to the collections, which remain essential for the renewal of interactive practices in museums. The Amazonian Museum Network program (MAR) is examined as it brings together four museums in eastern Amazonia and as it essentially aims to make available its collections and the positive effects that this activity can generate in order to expand and deepen intercultural dialogue in museological spaces. <![CDATA[Looking back ahead: a short history of collaborative work with indigenous source communities at the Weltmuseum Wien]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300749&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract In the last few years, collaborating with representatives of indigenous communities became an important topic for European ethnographic museums. The Weltmuseum Wien (former Museum of Ethnology Vienna, Austria) adheres to this form of sharing cultural heritage. Its Brazilian collection offers rich opportunities to back up Amazonian cultures in their struggle for cultural survival. However, to establish collaborative work in a European museum on a sustained basis is still a difficult endeavor. The article will discuss the projects which have been realized during the past five years with several groups from Amazonia, such as the Warí, Kanoé, Makushí, Shipibo and Sateré-Mawé. Projects were carried out in Austria, Brazil, and Guyana and ranged from short visit to longer periods of co-curating an exhibition. As for the Museum, results are documented in the collection, in two exhibitions and in the accompanying catalogues. It is less clear what the indigenous communities might take away from such collaborations. It will be argued that museum collaborations can help establish a new contact zone, ‘indoors’ and ‘outdoors’, in which members of heritage communities are able to break through the silence in the old contact zone and finally make their own voices heard.<hr/>Resumo Nos últimos anos a colaboração com representantes de comunidades indígenas vem se tornando um assunto importante para museus de antropologia na Europa. O Weltmuseum Wien (antigo Museu de Etnologia em Viena, Áustria) se compromete com essa forma de compartilhar um patrimônio cultural. A coleção brasileira deste museu oferece, assim, grandes oportunidades para apoiar as culturas amazônicas em suas lutas de sobrevivência cultural. Ao mesmo tempo, estabelecer um trabalho colaborativo num museu europeu de uma maneira viável continua sendo um empreendimento difícil. O artigo aborda os projetos que foram realizados nos últimos cinco anos com vários grupos da Amazônia, como os Wari’, Kanoé, Macuxi, Shipibo e Sateré-Mawé. Os projetos – executados na Áustria, no Brasil e na Guiana – abrangeram desde curtas visitas até períodos mais extensos de co-curadoria de uma exibição. Respeitante ao museu, os resultados estão documentados nas coleções, em duas exibições e nos catálogos correspondentes. Menos claro, contudo, é o que as comunidades indígenas puderam levar dessas colaborações. Argumentamos que colaborações com museus conseguem abrir uma nova zona de contato, onde membros das comunidades de origem tornam-se capazes de quebrar o silêncio da antiga zona, para, finalmente, erguer as suas próprias vozes. <![CDATA[Subject, object, grandpa, enemy: a comparative ethnomuseology among the Mebêngôkre-Kayapó and Baniwa of Brazil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300765&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A etnomuseologia visa engajar os povos indígenas em um diálogo com a sua cultura material. Este artigo reflete sobre uma experiência efetuada no acervo etnográfico do Museu Paraense Emílio Goeldi com interlocutores Mebêngôkre-Kayapó e Baniwa sobre importantes coleções de seus respectivos povos, as quais datam do início do século XX. Além de perceber diferenças entre conceitos museológicos, ou científicos, e indígenas sobre as peças e os processos de musealização, também foi possível observar uma série de diferenças culturais entre os Mebêngôkre-Kayapó e os Baniwa no que concerne à maneira de se relacionar com os objetos de seu passado. Ambos os grupos atribuíram características subjetivas aos objetos no acervo, mas, no caso dos Mebêngôkre-Kayapó, a subjetividade das peças antigas representava uma ameaça aos visitantes do acervo, levando a um certo receio em manusear as peças, concebidas com troféus de guerra capturados de inimigos perigosos. Os Baniwa, ao contrário, expressavam grande carinho com os ‘objetos do vovô’ e sentiam-se no direito de manusear as peças que representam o patrimônio de clãs patrilineais. Esta experiência em etnomuseologia comparada ressalta a diversidade de conceitos, atitudes e expectativas dos povos indígenas perante às coleções museológicas, e a necessidade desta nova abordagem de pesquisa colaborativa.<hr/>Abstract Ethnomuseology seeks to put indigenous people in dialog with their own material culture heritage. This article reflects on collaborative research carried out with Mebêngôkre-Kayapó and Baniwa consultants on important collections of both groups from the early twentieth century. In addition to noting differences between museological or scientific and indigenous concepts about museum objects, we also noticed a number of cultural differences in the way the two indigenous groups related to objects from their past. While both cultural groups attributed subjective characteristics to museum objects, for the Mebêngôkre-Kayapó this subjectivity expressed itself mostly in terms of possible threats to visitors of the museum collections, leading to a hesitancy to handle museum objects, assumed to be war trophies captured in the past from dangerous enemies. The Baniwa, by contrast, expressed great affection for ‘grandpa’s things’, and they felt they had a right to handle objects that represent the heritage of patrilineal clans. This experience in ethnomuseology highlights the diversity of indigenous concepts, attitudes and expectations about museum collections and the need for the dialogical approach to collaborative research. <![CDATA[Ethnographic collecting in Brazil (1955-1975): an interview with René Fuerst]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300789&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Esta entrevista trata da trajetória do etnógrafo suíço René Fuerst, que trabalhou como pesquisador, fotógrafo e colecionador de cultural material entre diversos povos indígenas no Brasil entre 1955 e 1975. Suas coleções de objetos estão, hoje, presentes em museus no Brasil e na Europa, e em particular no Museu de Etnografia de Genebra, Suíça. Suas fotografias podem ser apreciadas em livros de memórias que ele vem publicando mais recentemente. A entrevista traz à tona aspectos práticos e políticos do colecionismo etnográfico no Brasil entre as décadas de 1950 e 1970, e enfoca a carreira e as atividades de René Fuerst assim como do colecionador polonês Borys Malkin.<hr/>Abstract This interview focuses on the trajectory of Swiss ethnographer René Fuerst who worked from 1955 to 1975 among a number of indigenous groups in Brazil. Fuerst worked as a researcher and photographer of indigenous ways of life and collected ethnographic objects for museums in Brazil and in Europe, particularly at the Museum of Ethnography in Geneva, Switzerland. His photographs can be seen in books he has recently published. The interview brings to light different practical and political aspects of collecting ethnographic objects in Brazil in the 1950s-1970s. It focuses on the careers and activities of René Fuerst as well as that of the Polish collector Borys Malkin. <![CDATA[The verbal classes of the Paresi language (Arawak)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300803&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O objetivo deste artigo é descrever as classes de verbos em Paresi, uma língua Aruák, falada por aproximadamente 3.000 pessoas no estado do Mato Grosso, Brasil. Em Paresi, os verbos são classificados como intransitivos, transitivos e bitransitivos. Em geral, verbos intransitivos em línguas Aruák são subclassificados em intransitivos ativos e intransitivos estativos. A divisão no grupo de intransitivos é morfologicamente marcada, já que sujeitos de intransitivos estativos e objetos de transitivos são marcados da mesma forma, enquanto os sujeitos de transitivos recebem uma forma diferente. A maioria das línguas Aruák exibem alinhamento semântico, isto é, a seleção da marcação de concordância depende do parâmetro de eventividade. Em Paresi, a divisão nos intransitivos é morfologicamente marcada da seguinte forma: a) alguns intransitivos recebem a mesma marca de sujeito do que os transitivos (proclíticos do grupo A); b) outros intransitivos recebem uma marcação diferente (proclíticos do grupo B). Semanticamente, os verbos são classificados em agentivos e não agentivos. Os traços semânticos de [agentividade] e de [controle] têm um papel fundamental na assignação dos verbos a subclasses. Os dados foram coletados durante pesquisa de campo e a análise tem por base uma abordagem funcionalista-tipológica.<hr/>Abstract The goal of this paper is to describe the verb classes of Paresi, an Arawak language, spoken by approximately 3,000 people in the State of Mato Grosso, Brazil. In Paresi, verbs can be classified into intransitive, transitive and ditransitive. In general, intransitive verbs in Arawak languages are subclassified into: active intransitives, and stative intransitives. The division in the group of intransitives is syntactically marked, as subjects of stative intransitive and object of transitive are marked by the same form, while subjects of transitives take a different marking. The majority of Arawak languages exhibits semantic alignment, that is, the selection of agreement marking depends on the eventivity parameter. In Paresi, the division in the intransitives is morphologically marked as the following: a) some intransitive verbs take the same subject marking as transitive verbs (set A proclitics); b) other intransitive verbs take a different subject marking (set B proclitics). Semantically, verbs are classified into agentive and non-agentive. The semantic features of [agentivity] and [control] have an essential role in the assignment of verbos to subclasses. The data were collected during field research and the analysis is based on a functional-typological approach. <![CDATA[The Indians in the cartography of Lusitanian America]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300817&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Na cartografia realizada a partir da conquista colonial da América lusitana e da Amazônia, foram recorrentes as representações indígenas, como forma de reinventar e de localizar os povos nativos. Muitas vezes, essas representações eram pictóricas, com forte presença de elementos figurativos e de ornamentos, aspectos particulares ao período dos anos Quinhentos aos Setecentos. Contudo, na era pombalina (1750-1777), houve mudança nas representações cartográficas e nos valores estéticos relativos à simplicidade. Logo, a simetria na composição dos mapas passou a sobressair em detrimento da ornamentação. Os indígenas pouco apareciam na produção cartográfica, a não ser quando eram indicadas, nominalmente, as povoações e as aldeias estabelecidas dentro da nova configuração territorial resultante das reformas pombalinas, as quais fundaram administrativamente vilas, lugares, freguesias e povoações ou, economicamente, fazendas, engenhos, roças e terrenos. Essa nova ordem colonial intensificou os processos de desterritorialização e de reterritorialização das sociedades indígenas na Amazônia, que, de maneira diversa, se relacionaram às conquistas portuguesas (e espanholas). O objetivo deste artigo é discutir as representações indígenas no âmbito do espaço (chamado de concebido) da Amazônia colonial, por meio da investigação dos mapas coloniais, na perspectiva teórico-metodológica da cartografia histórica.<hr/>Abstract Indigenous representations in the cartography of the colonial conquest of Lusitanian America and the Amazon were used to reinvent and locate Indigenous peoples. Often these representations were pictorial, with strong presence of figurative elements and ornaments, particularly seen in the maps produced between the sixteenth and the eighteenth centuries. However, in the Pombaline period (1750 - 1777) there were changes in cartographic representations - aesthetic values related to simplicity and symmetry in the composition of the maps began to stand out in place of ornamentation. Indigenous people are not featured very frequently in the cartographic production of the time, except when represented within the territory administratively defined by Pombaline reforms such as villages, parishes, settlements, farms, mills and plantations. The new Pombaline order intensified the processes of de-territorialization and re-territorialization of Indigenous societies in the Amazon, which came to relate to the Portuguese (and Spanish) colonial conquests in a different way. In this sense, the objective of this article is to discuss indigenous representations within the scope of space representation (designed space) of colonial Amazonia, through the investigation of colonial maps within the theoretical-methodological perspective of historical cartography. <![CDATA[The experience of knowledge in Tim Ingold and the ethnosciences: some reflections based on an ethnoecological case study]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300839&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Neste artigo, tomamos como ponto de partida um estudo de caso etnoecológico, desenvolvido entre quilombolas, no Vale do Ribeira, São Paulo, para lançar algumas reflexões sobre como articular as proposições de Tim Ingold à pesquisa etnocientífica. A proposta teórica de Ingold conecta práxis, percepção e conhecimento do ambiente. Aqui, veremos que a proposta ingoldiana pode ser tomada como: (1) modelo interpretativo para padrões observados em repertórios etnobiológicos/etnoecológicos; (2) modelo hipotético passível de teste empírico; e (3) referencial teórico para análises dirigidas à gênese do conhecimento na práxis. Este último caso é particularmente significativo, pois nele o conhecimento é concebido fenomenologicamente, o que implica um registro qualitativo de sua manifestação, sendo mediado pelo método etnográfico. Por fim, ressaltamos o caráter incipiente do diálogo entre Ingold e o campo etnocientífico, que representa um desafio ainda maior no ambiente acadêmico brasileiro, onde as etnociências figuram mais como um ramo da biologia do que da antropologia, diferente de suas raízes históricas na Europa e nos EUA.<hr/>Abstract In this article, we present some analytical reflections involving the incorporation of Tim Ingold’s theoretical background in ethnosciences. To this end, we make use of an ethnoecological study that we have developed among quilombolas (Maroons) from Southeast Brazil. Ingold states in his approach that praxis, perception and human environmental knowledge cannot be treated as disconnected concepts. Here, we discuss three ways of incorporating the Ingoldian approach in ethnoscience: (1) as an explanatory model of the general patterns present in local repertories of knowledge; (2) as a hypothesis to be tested empirically; and (3) as a theoretical background to analyze the process of knowledge constitution in practice. In this respect, knowledge is conceptualized phenomenologically, which implies a qualitative-ethnographic record of its manifestation in the environmental experience of individuals. To conclude, we highlight the still incipient problematization of Ingoldian insights in ethnoscientific research, which can be difficult in Brazil, where ethnoscience is mainly a branch of biology, rather than of anthropology, as in Europe and the USA. <![CDATA[Ways of being, subjects and affection: the participation of plants in the composition of umbanda mediuns]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300855&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A partir de um trabalho de campo de caráter etnográfico realizado em um terreiro de umbanda da capital paulista, este artigo analisa o processo de ‘tornar-se médium’ através do engajamento, contato e contágio que os adeptos estabelecem com as plantas. A narrativa se constrói com relatos de membros iniciantes – chamados ‘médiuns em desenvolvimento’ –, mães e pais-de-santo e suas experiências de sentir, perceber e permitir a ação das plantas na composição de seus estados e modos de ser. Os relatos compartilhados nesta etnografia indicam que, ao passo que os umbandistas coletam, rezam e preparam as plantas para uso em suas práticas cotidianas, como forma também de se elaborarem (ou, numa linguagem mais próxima do terreiro, de ‘se desenvolverem’), as plantas igualmente se desenvolvem através dos homens: promovem encontros e construções a partir de suas próprias (e autônomas) habilidades. Neste processo, cabe aos humanos aceitar e ensinar aos mais novos certa percepção dos afetos promovidos pelas plantas na composição daquilo que são.<hr/>Abstract This article is based on ethnographic fieldwork, carried out in an Umbanda temple placed in São Paulo city (Brazil). It analyzes the process of ‘becoming religious’ through engagement, contact and contagion that Umbanda followers set up with plants. The argument is built on reports of beginners—called ‘developing mediums’—mães and pais-de-santo and their experiences of feeling, perceiving and allowing the action of plants in the composition of their states and ways of being. The reports shared in this ethnography seek to show that, while the Umbanda followers collect, pray and prepare their plants to be used in their daily practices, as a way of self-elaboration (or, closer to the Umbanda temple language, to ‘self-develop’), the plants also develop themselves through humans: they promote meetings and constructions from their own (and autonomous) skills. In this process, it is up to humans to accept and teach the younger people a certain education and perception of affection caused by plants in the composition of what they are. <![CDATA[The muiraquitã of the Boca do Rio pile dwelling, Santa Helena, State of Maranhão: archaeological and mineralogical analysis]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300869&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo O muiraquitã é um artefato arqueológico raro e característico das sociedades pré-coloniais do baixo Amazonas e de área circum-caribenha. Foi confeccionado por meio de diversos tipos de minerais, sendo os mais conhecidos os de pedra verde, sobretudo a nefrita. Embora sua função ainda seja desconhecida, a literatura etnográfica e arqueológica sugere que estes objetos conotavam símbolos de poder, haja vista a ampla rede de circulação em que estavam inseridos. Este artigo descreve um muiraquitã encontrado na estearia da Boca do Rio, região das estearias maranhenses. As análises foram feitas por MicroRaman, com auxílio do equipamento de bancada BWTEK, da GemExpert, difração de raios X (DRX), evidenciando que o artefato foi confeccionado em tremolita/actinolita, um mineral inexistente no Maranhão. Propõe-se uma possibilidade acerca da cadeia operatória do artefato e analisam-se as possíveis redes regionais de interação comercial e simbólica nas quais este muiraquitã esteve envolvido.<hr/>Abstract The muiraquitã is a rare and characteristic archaeological artifact of the Lower Amazon and Circum-Caribbean precolonial societies. It used to be made of various types of minerals, of which the best known are green stones, especially nephrite. Although its function is still unknown, ethnographic and archaeological literature suggests that these objects represented symbols of power, given the wide circulation network in which these artifacts were inserted. This article describes a muiraquitã found in the dwelling at Boca do Rio. The methods used in this analysis were MicroRaman together with BWTEK GemExpert and X-ray diffraction (XRD), which showed that the artifact was made of tremolite/actinolite, a mineral lacking in Maranhão. A possible operational sequence in the manufacture of the muiraquitã is proposed, as well as the possible regional networks to which it belonged. <![CDATA[In the shadow of big rocks: lithic industries from late precolonial occupations in the Diamantina region, Minas Gerais, Brazil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300895&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo As ocupações pré-coloniais do Holoceno Superior da região de Diamantina (na serra do Espinhaço, no Centro-Norte de Minas Gerais) são representadas por diversificada indústria lítica em variados sítios com abrigos. Neste artigo, busca-se construir um entendimento articulado, sistêmico, de um conjunto de sítios dessa área, a partir da disponibilidade de matérias-primas, das morfologias e das implantações dos sítios, da variabilidade artefatual presente neles e da associação deste aspecto com outros vestígios e estruturas. Para isso, articulam-se os conceitos de cadeia operatória e organização tecnológica com reflexões sobre o uso e a atribuição de sentido aos lugares. O estudo toma por objeto coleções geradas por um conjunto de intervenções realizadas em dez sítios, incluindo sondagens, escavações e diferentes métodos de coleta de superfície. Centrada nas indústrias líticas, a análise procura articulá-las a outros elementos das ocupações indígenas pré-coloniais recentes.<hr/>Abstract The recent pre-colonial settlements in Diamantina region (Espinhaço mountain range, Minas Gerais, Central Brazil) is represented by a significant and diverse lithic industry. This article tries to establish a systemic understanding of a group of sites in this area, considering lithic raw materials availability, sites landscape insertions and morphology, artifact variability and association with others remais and features. For that, the concepts of chaîne opératoire and technological organization are combined. This study focuses on the lithic assemblages found during fieldwork in ten archaeological sites. This article tries to relate the lithic assemblages to other elements of recent precolonial occupations. <![CDATA[The history of bioarchaeological research in Lagoa Santa, Minas Gerais, Brazil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300919&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A região de Lagoa Santa, Minas Gerais, apresenta uma história de pesquisas que cruza as fronteiras disciplinares da antropologia, arqueologia e biologia. Neste artigo, traçamos um panorama dos debates que permeiam 180 anos de pesquisa na região. As primeiras intervenções na área foram realizadas pelo naturalista Peter Lund, no século XIX. Desde então, intervenções nacionais, como as do Museu Nacional do Rio de Janeiro, e internacionais, como as das missões Americana e Francesa, aconteceram na região. Enfatizamos neste artigo o impacto produzido na pesquisa local pelas mudanças teóricas e pela intensidade de diálogo entre as disciplinas envolvidas. Por fim, destacamos a importância de manter as pesquisas na região centradas em questões científicas interdisciplinares.<hr/>Abstract The region of Lagoa Santa, Minas Gerais, presents a research history that crosses the disciplinary boundaries of anthropology, archaeology and biology. In this article, we outline the debates that went on during more than 180 years of research in the region. The first studies in the area were carried out by the naturalist Peter Lund in the 19th century. Since then, Brazilian interventions, such as the ones sponsored by the National Museum of Rio de Janeiro, and international ones, such as the American and French missions, have taken place in the region. We emphasize in this article the impact of the theoretical changes and the intensity of dialogue between disciplines involved in Lagoa Santa research. Finally, we highlight the importance of keeping research focused on interdisciplinary scientific issues. <![CDATA[The Mare Museum: between education, memories and identities]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300939&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Entrelaçando memória, espaços educativos não formais e identidade, a análise da dimensão educativa do Museu da Maré, no Rio de Janeiro, revela a possibilidade de fortalecimento identitário de grupos populares através da valorização e da ressignificação da história, bem como da construção das memórias locais. O Museu da Maré gera visões ‘de nós e dos outros’, estabelecendo um jogo sutil e constante entre identidades e alteridades em suas memórias construídas e em histórias narradas em um museu contra-hegemônico, segundo conceito de Boaventura de Souza Santos.<hr/>Abstract Interweaving memory, informal educational spaces and identity, analysis of the educational dimension of the Maré Museum in Rio de Janeiro shows that community identity may be strengthened through appreciation and reinterpretation of the history and construction of local memories. The Maré Museum generates visions ‘of ourselves and others’ by establishing a more subtle and constant dynamic between identities and their constructed memories and narrated stories in Boaventura de Souza Santos’ notion of a counter-hegemonic museum. <![CDATA[The saga of Payaré Akrãtikatêjê against the Brazilian State in the context of the construction of the Tucuruí hydroelectric dam]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300953&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este texto é fruto de pesquisa realizada durante o ano de 2011, construída com base na metodologia de história de vida, por via – principalmente – da história oral. O resultado desta pesquisa foi o meu trabalho de conclusão de curso de graduação, finalizado no mesmo ano, revisitado agora para contar a história de Payaré. Cacique Akrãtikatêjê, ele travou uma batalha judicial, por mais de trinta anos, contra o Estado brasileiro, para ver reparado um erro histórico da justiça brasileira, que negou a identidade indígena a ele e ao seu povo no contexto da construção da hidrelétrica de Tucuruí. Com a construção da barragem da hidrelétrica, as terras do povo Akrãtikatêjê foram inundadas, iniciando-se a saga de Payaré para garantir os direitos de sobrevivência de seu povo.<hr/>Abstract This article is the result of research that was conducted during the year 2011, based on the life history method, here mainly concerning oral history. The result of this research was presented in my graduation monograph, evaluated in the same year, and here revisited in order to tell the story of Payaré Akrãtikatêjê. Indigenous leader Akrãtikatêjê fought a judicial battle for more than thirty years against the Brazilian state to see repaired a historical error of Brazilian justice that denied the indigenous identity to him and his people in the context of the Tucuruí hydroelectric project. With the construction of the hydroelectric dam, the lands of the Akrãtikatêjê people were flooded and the Payaré saga to guarantee the survival rights of his people began. <![CDATA[Amazônia... A ira dos poderosos. Ricardo Smith, 2016]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300969&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este texto é fruto de pesquisa realizada durante o ano de 2011, construída com base na metodologia de história de vida, por via – principalmente – da história oral. O resultado desta pesquisa foi o meu trabalho de conclusão de curso de graduação, finalizado no mesmo ano, revisitado agora para contar a história de Payaré. Cacique Akrãtikatêjê, ele travou uma batalha judicial, por mais de trinta anos, contra o Estado brasileiro, para ver reparado um erro histórico da justiça brasileira, que negou a identidade indígena a ele e ao seu povo no contexto da construção da hidrelétrica de Tucuruí. Com a construção da barragem da hidrelétrica, as terras do povo Akrãtikatêjê foram inundadas, iniciando-se a saga de Payaré para garantir os direitos de sobrevivência de seu povo.<hr/>Abstract This article is the result of research that was conducted during the year 2011, based on the life history method, here mainly concerning oral history. The result of this research was presented in my graduation monograph, evaluated in the same year, and here revisited in order to tell the story of Payaré Akrãtikatêjê. Indigenous leader Akrãtikatêjê fought a judicial battle for more than thirty years against the Brazilian state to see repaired a historical error of Brazilian justice that denied the indigenous identity to him and his people in the context of the Tucuruí hydroelectric project. With the construction of the hydroelectric dam, the lands of the Akrãtikatêjê people were flooded and the Payaré saga to guarantee the survival rights of his people began. <![CDATA[História e saliva, ou como a história ambiental nos reconduz ao mundo]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222017000300973&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo Este texto é fruto de pesquisa realizada durante o ano de 2011, construída com base na metodologia de história de vida, por via – principalmente – da história oral. O resultado desta pesquisa foi o meu trabalho de conclusão de curso de graduação, finalizado no mesmo ano, revisitado agora para contar a história de Payaré. Cacique Akrãtikatêjê, ele travou uma batalha judicial, por mais de trinta anos, contra o Estado brasileiro, para ver reparado um erro histórico da justiça brasileira, que negou a identidade indígena a ele e ao seu povo no contexto da construção da hidrelétrica de Tucuruí. Com a construção da barragem da hidrelétrica, as terras do povo Akrãtikatêjê foram inundadas, iniciando-se a saga de Payaré para garantir os direitos de sobrevivência de seu povo.<hr/>Abstract This article is the result of research that was conducted during the year 2011, based on the life history method, here mainly concerning oral history. The result of this research was presented in my graduation monograph, evaluated in the same year, and here revisited in order to tell the story of Payaré Akrãtikatêjê. Indigenous leader Akrãtikatêjê fought a judicial battle for more than thirty years against the Brazilian state to see repaired a historical error of Brazilian justice that denied the indigenous identity to him and his people in the context of the Tucuruí hydroelectric project. With the construction of the hydroelectric dam, the lands of the Akrãtikatêjê people were flooded and the Payaré saga to guarantee the survival rights of his people began.