Scielo RSS <![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas]]> vol. 10 num. 2 lang. es <![CDATA[SciELO Logo]]> <![CDATA[Carta do editor]]> <![CDATA[Variation in Tupi languages: Genealogy, language change, and typology]]> <![CDATA[Origins and demographic dynamics of Tupí expansion: a genetic tale]]> Abstract: Tupí linguistic groups display a wide geographical dispersion in South America, probably originated, as pointed by linguistic, from Madeira-Guaporé Region (MGR) in Brazil. The present study reviewed genetic data on Tupians for autosomal and uniparental (Y-chromosome and mtDNA) markers, using it to evaluate Tupians geographic origin as well as the demographic dynamics of their dispersion from a genetic point of view. Comparison of genetic variability and mtDNA haplogroups D frequencies suggests a scenario where MGR is the Tupí homeland. The relationship between five estimators of genetic variability (Thetas-S, -Pi, -m2, -H and -k) shows that Tupí groups from MGR and non-MGR experienced different patterns of demographic dynamics, with an ancient Tupí expansion in MGR, followed by dispersion to other South America regions, probably associated to depopulation/founder effect events. Furthermore, other recent depopulation events could also be detected in both regions. Finally, the dispersion seems to be related to patrilocality, as suggested by comparison of uniparental markers genetic differentiation. This genetic model of dispersion dynamics may have an important impact in the interpretation of archeological and linguistic data, allowing to test if female associated technologies, like ceramic, are more extensively shared between dispersed populations than those which are not female-exclusive.<hr/>Resumo: Grupos linguísticos Tupí exibem uma grande dispersão geográfica na América do Sul, provavelmente originadas, conforme apontada pela linguistica, na Região Madeira-Guaporé (MGR), Brasil. O presente estudo revisou dados geneticos de populacoes Tupí para marcadores autossomicos e uniparentais (Y-cromossomo and mtDNA), delineando abordagens para avaliar origem geográfica, bem como a dinâmica demográfica de sua dispersão, de um ponto de vista genético. Comparação da variabilidade genetica e das frequencias do haplogrupo D do mtDNA sugere um cenário onde MGR é o local de origem Tupí. A relação entre cinco estimadores de variabilidade genetica Thetas-S, -Pi, -m2, -H e -k) mostram que grupos Tupí da MGR não MGR experienciaram diferentes padrões de dinâmica demográfica, com uma antiga expansão Tupí em MGR, seguida de dispersão para outras regiões da América do Sul, provavelmente associada a eventos de depopulação/efeito fundador. Além disso, outros eventos recentes de depopulação também puderam ser detectados em ambas as regiões. Finalmente, a dispersão parece estar relacionada com práticas de patrilocalidade, como sugerido pela comparação de marcadores uniparentais. Este modelo genético de dinâmica de dispersão Tupí pode ter um impacto importante na interpretação dos dados arqueológicos e linguísticos, permitindo testar se tecnologias associadas ao sexo feminino, como a cerâmica, são mais amplamente compartilhadas entre populações dispersas do que tecnologias 1não exclusivas do sexo feminino. <![CDATA[Genealogical relations and lexical distances within the Tupian linguistic family]]> Abstract: In this paper we present the first results of the application of computational methods, inspired by the ideas in McMahon &amp; McMahon (2005), to a dataset collected from languages of every branch of the Tupian family (including all living non-Tupí-Guaraní languages) in order to produce a classification of the family based on lexical distance. We used both a Swadesh list (with historically stabler terms) and a list of animal and plant names for results comparison. In addition, we also selected more (HiHi) and less (LoLo) stable terms from the Swadesh list to form sublists for indepedent treatment. We compared the resulting NeighborNet networks and neighbor-joining cladograms and drew conclusions about their significance for the current understanding of the classification of Tupian languages. One important result is the lack of support for the currently discussed idea of an Eastern-Western division within Tupí.<hr/>Resumo: Neste trabalho, apresentamos os primeiros resultados da aplicação de métodos comparativos computacionais, inspirados nas ideias de McMahon &amp; McMahon (2005), a um conjunto de dados de línguas de todos os ramos da família Tupí (incluindo-se todas as línguas não-Tupí-Guaraní ainda vivas), com o intuito de produzir uma classificação da família com base em distância lexical. Usamos uma lista de Swadesh (composta por termos historicamente mais estáveis) e uma lista de nomes de plantas e animais para comparação de resultados. Além disso, também selecionamos os termos mais (HiHi) e menos (LoLo) estáveis da lista de Swadesh para formar sublistas para tratamento independente. Comparamos as redes NeighborNet e os cladogramas neighbor-joining resultantes, derivando conclusões sobre o seu impacto na compreensão atual da classificação das línguas Tupí. Um importante resultado é a falta de apoio para a ideia, atualmente em discussão, da existência de uma divisão leste-oeste dentro da família. <![CDATA[A summary reconstruction of proto-maweti-guarani segmental phonology]]> Abstract: This paper presents a succinct reconstruction of the segmental phonology of Proto-Maweti-Guarani, the hypothetical protolanguage from which modern Mawe, Aweti and the Tupi-Guarani branches of the Tupi linguistic family have evolved. Based on about 300 cognate sets from the authors' field data (for Mawe and Aweti) and from Mello's reconstruction (2000) for Proto-Tupi-Guarani (with additional information from other works; and with a few changes concerning certain doubtful features, such as the status of stem-final lenis consonants *r and *ß, and the distinction of *c and *č ), the consonants and vowels of Proto-Maweti-Guarani were reconstructed with the help of the traditional historical-comparative method. The development of the reconstructed segments is then traced from the protolanguage to each of the modern branches. A comparison with other claims made about Proto-Maweti-Guarani is given in the conclusion.<hr/>Resumo: Este artigo apresenta uma reconstrução resumida da fonologia segmental do Proto-Maweti-Guarani, a protolíngua hipotética intermediária, dentro da família linguística Tupi, da qual se desenvolveram o Mawé, o Aweti e as línguas Tupi-Guarani atuais. Baseando-se em cerca de 300 conjuntos de cognatos, provenientes dos dados de campo dos autores (Mawé e Aweti) e dos dados lexicais publicados por Mello (2000, Tupi-Guarani), em informações adicionais de outras fontes publicadas (com algumas modificações relativas a certos aspectos duvidosos das reconstruções atuais do Proto-Tupi-Guarani, como o status das consoantes lenes *r e *ß em fim de palavra, e a distinção entre *c e *č), reconstruímos as consoantes e vogais do Proto-Maweti-Guarani com o auxílio do método histórico-comparativo tradicional. Ao fim do artigo, traça-se o desenvolvimento dos segmentos reconstruídos desde a protolíngua até cada um dos três ramos modernos. Na conclusão, oferecemos uma comparação rápida com outras hipóteses sobre o Proto-Maweti-Guarani. <![CDATA[Subordination strategies in Tupian languages]]> Abstract: Assessing the internal coherence and constituency of language families often centers either around comparing certain form-meaning correspondences, or around identifying the presence or absence of linguistic features across the members of the family. The former approach is generally restricted to the lexicon. The latter approach focuses mostly on structural characteristics of language. In this paper we present an alternative approach to comparing grammatical systems between languages within a language family, which aims at bringing these two approaches and their results closer to each other. We look at subordination strategies in a sample of Tupian languages, taking constructions as the basic unit of comparison, treating them as form-meaning correspondences. The Tupian family offers an especially intriguing case for studying subordination strategies in the South American context, given its enormous geographical spread and the variety of contact situations involving its member languages. Major patterns of subordination strategies can be discerned across the family, e.g. strategies involving nominalization, verbal incorporation and other subtypes of verbal serialization, but there is also a great degree of variability between the different languages. By mapping the structural diversity onto the known genealogy and geographic distribution, we hope to shed more light on the history of the Tupian family and on the diffusability of subordination strategies.<hr/>Resumo: Avaliar a coerência interna e a composição de famílias de línguas, frequentemente, gira ou em torno de comparar certas correspondências de forma-significado, ou em torno de identificar a presença ou ausência de características linguísticas entre os membros da família. A primeira abordagem é geralmente restrita ao léxico. A última abordagem concentra-se principalmente nas características estruturais da língua. Neste artigo, apresentamos uma abordagem alternativa para comparar sistemas gramaticais entre línguas dentro de uma família linguística, que visa a aproximar essas duas abordagens e seus resultados. Nós investigamos estratégias de subordinação em uma amostra de línguas Tupi, tendo construções como a unidade básica de comparação e tratando-as como correspondências de forma-significado. A família Tupi oferece um caso especialmente interessante para estudar estratégias de subordinação no contexto sul-americano, dada a sua enorme dispersão geográfica e a variedade de situações de contato envolvendo as línguas da família. Padrões gerais de estratégias de subordinação podem ser identificados para a família, por exemplo, estratégias envolvendo nominalização, incorporação verbal e outros subtipos de serialização verbal, mas há também um grande grau de variabilidade entre as diferentes línguas. Ao mapear a diversidade estrutural na genealogia e distribuição geográfica conhecidas, esperamos lançar mais luz sobre a história da família Tupi e a difusibilidade de estratégias de subordinação. <![CDATA[A comparison of verbal person marking across Tupian languages]]> Abstract: This paper explores the diachrony of the verbal person marking system across the large and structurally diverse Tupian language family. I argue that the historical development of these different patterns are best informed by analyzing their synchronic distributions with regard to the current evolutionary hypotheses on the family. I apply a parsimony reconstruction model across the topology of two different classifications and compare the results with what is known from traditional historical linguistic work. This study is able to provide support for previous claims about the family and also generates a number of additional hypotheses about the intermediate stages of development of these patterns.<hr/>Resumo: Este artigo explora a diacronia dos sistemas de marcação verbal de pessoa entre as línguas da grande e estruturalmente diversa família linguística Tupí. Argumento que o melhor jeito para entender o desenvolvimento histórico dos padrões diferentes de marcação de pessoa é analisar suas distribuições sincrônicas em relação às hipóteses classificatórias desta família. Aplico um modelo de reconstrução com base em parcimônia à topologia de duas classificações diferentes e comparo os resultados com o que já sabemos através de trabalhos que utilizam o método histórico-comparativo tradicional. Os resultados deste estudo apoiam várias hipóteses anteriores sobre a família, e também geram algumas hipóteses adicionais sobre os estágios intermediários do desenvolvimento destes padrões. <![CDATA[When "You" and "I" mess around with the hierarchy: a comparative study of Tupi-Guarani hierarchical indexing systems]]> Abstract: This paper deals with the person indexing system of Tupi-Guarani languages. Past literature has claimed that the relative position of the arguments of a transitive verb on a supposed person hierarchy 1 &gt; 2 &gt; 3 determines what argument is marked on the verb and how. It is also commonly believed that the morphosyntax of individual Tupi-Guarani languages is very comparable. This paper surveys in detail the encoding of arguments on transitive verbs in 28 Tupi-Guarani languages. It shows that the prior assumptions about indexing in Tupi-Guarani languages either do not hold strongly, or need to be stated in more nuanced ways. The study also shows that these languages are not as similar morphosyntactically as is often assumed. Importantly, they display a great variation in the domain of local configurations (i.e., when the two speech act participants interact), the arguments of which are often encoded in a non-transparent manner. This leads us to reject the 1 &gt; 2 hierarchy as operative in governing indexing in all languages of the group.<hr/>Resumo: Este artigo trata do sistema de indexação da pessoa em línguas Tupi-Guarani. A literatura existente tem afirmado que a posição relativa dos argumentos de um verbo transitivo em uma suposta hierarquia da pessoa 1 &gt; 2 &gt; 3 determinaria qual argumento é marcado no verbo, e como. Também se acredita em geral que a morfossintaxe de línguas Tupi-Guarani individuais seja bastante semelhante. Este artigo estuda em detalhe a codificação de argumentos em 28 línguas Tupi-Guarani, mostrando que hipóteses anteriores sobre a indexação em línguas Tupi-Guarani ou não são tão válidas assim, ou têm que ser formuladas numa maneira mais matizada. O estudo também mostra que estas línguas não são morfossintaticamente tão semelhantes como se supõe muitas vezes. Um aspecto importante é que elas mostram uma variação grande de configurações locais (quer dizer, quando dois participantes do ato de fala interagem), nas quais os argumentos muitas vezes não são codificados em uma maneira transparente. Isto nos lida a rejeitar a hierarquia 1 &gt; 2 como válida para determinar a indexação nas línguas deste grupo todo. <![CDATA[Inflectional morphology restructuring in ache - discussing grammatical change and language contact in tupí-guaraní subgroup - 1]]> This paper deals with mechanisms of grammatical change in Ache, focusing on inflection. Ache contains restricted functional morphology when compared to most Tupí-Guaraní languages. Although erosion of inflection is attested in linear historical developments within this genetic context; the degree of inflectional erosion observed in Ache is exceptional. Ache lacks all TG prefixes, consequently, processes linked to person-number agreement, such as person hierarchy effects, are unattested. Ache enclitics for tense-aspect-mood marking (TAM) appear to be more similar to other TG languages. However, given closer examination, also for TAM considerable restructuring is revealed. Besides describing erosion and retention patterns of inflection, it is exemplified how Ache copes with the overall functional restructuring by generating innovative syntactic patterns and novel lexical items. Inspired by subclasses of inflection given in Roberts and Bresnan (2008), it becomes evident that inherent inflection (i.e. TAM) is far more stable in Ache than so-called contextual inflection (i.e. person, case); a characteristic result of contact induced grammar change. Thus, this study of inflectional restructuring contributes strong evidence for the long-standing hypothesis that Ache is a TG contact language (Dietrich, 1990; Rodrigues, 2000; Rößler, 2008).<hr/>Este artigo lida com mudanças gramaticais em achê, focando na morfologia de flexão. Achê contém paradigmas funcionais restritos quando comparado com outras línguas tupi-guarani. Embora a erosão de flexão seja atestada como desenvolvimento histórico linear neste contexto genético; o grau de erosão de flexão observada em achê é excepcional. Achê carece de todos os prefixos de línguas TG, consequentemente, os processos ligados ao concordância, como efeitos de hierarquia de pessoa, não são encontrados. Enclíticos do achê, principalmente a marcação de tempo-aspecto-modo (TAM) parecem ser mais semelhante a outras línguas TG. No entanto, a partir de estudos mais detalhados, encontra-se também reestruturações consideráveis nos sistema de TAM. Além de descrever padrões de erosão e de retenção de flexão, mostra-se como o achê lida com re-estruturações funcionais, gerando padrões sintáticos e itens lexicais novos. Inspirado pelas subclasses de flexão dada em Roberts e Bresnan (2008), torna-se evidente que flexão inerente (ou seja, TAM) é mais estável em achê do que flexão contextual (pessoa, caso); o que constata um resultado característico de mudança gramatical induzida por contato. Assim, este estudo sobre reestruturação flexional contribui novas evidência a favor da hipótese que Ache é uma lingua TG de contato (Dietrich, 1990; Rodrigues, 2000; Rößler, 2008). <![CDATA[Lexicología y fonología históricas del Aché]]> En este artículo se identifican unos 200 lexemas del aché (familia Tupí-Guaraní) con sus cognados en 20 de las demás lenguas de la familia. Este rastreo lexicológico no sólo muestra que la base del léxico aché es fundamentalmente tupí-guaraní (TG) - hasta ahora no se encontraron elementos de otra lengua no TG - sino que permite también elaborar aspectos de la fonología histórica del aché. Comparando la fonología del aché con la de las demás lenguas TG, se ve que las lenguas más cercanasson el mbyá y el xetá. Resulta de la comparación lexicológica y fonológica que el aché probablemente ha tenido en la historia de su formación contactos con varias lenguas TG como son el grupo siriono-yuki de Bolivia, el mbyá y/o xetá, el guaraní clásico y, en la actualidad, el guaraní paraguayo moderno.<hr/>In this contribution nearly 200 lexical items of Aché, an understudied Tupi-Guarani language of Paraguay, are identified as of Tupi-Guarani (TG) origin and compared with their cognates in 20 other TG languages. The comparison not only shows that the lexicon of Aché is basically TG - no other linguistic elements have been identified until now -, but also allows for establishing aspects of the historical phonology of Aché. Comparing the phonological system of Aché with that of other TG languages makes clear that the closest contact languages are Mbyá and Xetá. Lexical and phonological comparison, however, call for the hypothesis that Aché has in its history undergone more than one intense phase of linguistic contact, probably with the Yuki-Siriono cluster of Bolivia, with Mbyá, but also with classical and modern Paraguayan Guarani. <![CDATA[The rise of number agreement in Nheengatu]]> Abstract: Number agreement systems often present traces of older elements common to different languages of the same family; thus, their emergence is difficult to reconstruct. One possible origin of such systems is the grammaticalization of plural words into bound morphemes, which, as a result of a long process, develop into agreement markers and may become obligatory. Various investigations have provided evidence for this hypothesis. However, the complete process of change from a system with no number as grammatical category into a number agreement system in a single language has not been documented. This paper analyses documents covering different stages of the development of the Nheengatu language from Tupinambá in order to observe how the number agreement system emerged in modern Nheengatu. By doing so, this paper supports the idea that grammaticalization may have occurred rapidly in intense contact situations.<hr/>Resumo: Sistema de concordância de número frequentemente apresentam cognatos em diferentes línguas da mesma família, o que pode indicar que são muito antigos. Por isso, é muito difícil reconstruir a emergência desses sistemas. Uma possível origem para sistemas de concordância de número é a gramaticalização de palavras independentes com função de 'plural' em morfemas presos, que, como resultado de um longo processo, transformam-se em marcas de concordância, podendo inclusive se tornar obrigatórios. Várias pesquisas proveem evidências para essa hipótese. No entanto, o processo completo de transformação de uma língua sem a categoria gramatical de número em uma língua que apresenta concordância de número não foi ainda documentado. Este trabalho analisa documentos de diversas etapas de desenvolvimento do Tupinambá até o Nheengatu com o objetivo de observar como o sistema de concordância de número teria emergido em Nheengatu. Ao fazer isso, este trabalho dá suporte à ideia de que gramaticalização pode ocorrer mais rapidamente em situações de intenso contato linguístico. <![CDATA[News on the Jorá (Tupí-Guaraní): sociolinguistics, description, and classification]]> With 45 languages, the Tupí family is one of South America's largest families. However, several gaps still remain. Some languages are already extinct and there are others for which data can no longer be collected. The situation of Jorá has reached this point. This article aims to summarize all data concerning the Jorá people and their language, parts of which were collected by the anthropologists Hanke (1959) and Béghin (1980) and other parts by the authors. On the basis of sparse data from several sources of differing reliability we attempt to classify the Jorá language using the phoneme inventory, grammatical evidence and lexical comparison. Jorá is classified as Tupí-Guaraní, closely related to Siriono and Yuki.<hr/>Com 45 línguas, o Tupi é uma das maiores famílias lingüísticas de América do Sul. Contudo, várias lacunas ainda permanecem. Algumas línguas já são extintas e há outras para as quais já não podemos recolher dados. A situação de Jorá chegou neste ponto. Este artigo aspira a resumir todos os dados acerca do povo de Jorá e a sua língua, as partes da qual se recolheram pelos antropólogos Hanke (1959) e Béghin (1980) e outras partes pelos autores. Com base em dados escassos de várias fontes que tem confianças diferentes, tentamos classificar a língua Jorá usando o inventário de fonemas, evidência gramatical e a comparação lexical. Jorá classifica-se como Tupí-Guaraní, relacionado de perto a Siriono e Yuki. <![CDATA[Social cartography and political organization among remaining quilombos communities from Salvaterra, Marajó, Pará, Brazil]]> Resumo: As demandas das comunidades negras rurais, antes de 1988, estavam diluídas na agenda de lutas de categorias como a de trabalhadores rurais. Com a promulgação da Constituição, a emergência do termo "comunidade remanescentes de quilombos" faz também emergir uma pauta específica. Nesse quadro, o papel dos cientistas sociais na produção de laudos técnicos periciais e de trabalhos acadêmicos tornou-se um ponto central na discussão das percepções sobre o "quilombo". A partir disso, analisamos a relação entre os pesquisadores do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA) e as comunidades quilombolas de Salvaterra, Ilha do Marajó, Pará, participantes das oficinas de produção de mapas que geraram um fascículo intitulado: Quilombolas da Ilha de Marajó: Pará. Objetivamos investigar, a partir de levantamento de dados e de pesquisa de campo, como as relações entre os atores da cartografia converteram-se em ferramentas políticas na luta por direitos socioterritoriais das comunidades quilombolas. Apontamos que as relações sociais entre PNCSA e quilombolas configuram-se, de um lado, como formas de contestação das formas históricas de desrespeito e injustiça e como instrumento de politização do movimento quilombola e, de outro, como afirmação e consolidação acadêmica da prática de pesquisa do Projeto.<hr/>Abstract: Before 1988, the demands of Black rural communities were diluted in the agenda of social struggles of wider categories such as rural workers. With the promulgation of the Constitution, the emergence of the term "remaining Quilombo communities" gave rise to a specific set of demands. In this scenario, the role of social scientists in the production of expert reports and academic works became a central aspect in the discussion of perceptions about the term "Quilombo". Taking this into consideration, we analyze the experience of researchers from the New Social Cartography of the Amazon project (PNCSA, in portuguese) and their social relations with Salvaterra's Quilombo communities, Marajó Island, Pará, who participated in workshops for the production of maps which resulted in a booklet entitled Quilombolas da Ilha de Marajó: Pará. We aimed at investigating, based on data collection and field research, how the relations between the cartography actors became political tools in the struggle for the latter's social-territorial rights and their political organizing following the social cartography process. We point out that the social relations between the PNCSA and the Quilombo communities are characterized, on the one hand, as means for questioning the historical forms of disrespect and injustice and as mechanisms of politicizing the Quilombo social movement. On the other hand, as affirmation and academic consolidation of the Project's research practice. <![CDATA[Occupational stress markers, daily activities, environment and cultural choices: a discussion about different lifestyles in three coastal sambaquis in Rio de Janeiro]]> Durante décadas a definição de uma unidade antropofísica, baseada principalmente em estudos descritivos e comparativos de morfologia craniana e pós-craniana, norteou o conhecimento sobre a biologia dos grupos sambaquieiros do litoral sul-sudeste do Brasil. Este conceito influenciou também os paradigmas que nortearam a compreensão de aspectos socioculturais desses grupos, tendo como diretriz as perspectivas da Escola Norte Americana. Esta perspectiva generalista, no entanto, vem demonstrando inoperância para elevar o conhecimento sobre os grupos sambaquieiros a um nível mais detalhado, a partir da identificação de particularidades que naturalmente permeiam qualquer sistema sociocultural e são o resultado de escolhas, e não apenas respostas adaptativas. Buscando-se avançar sobre esta perspectiva, este trabalho tem como objetivo conjugar os dados sobre marcadores de estresse ocupacional (osteoartrose, trauma acidental, espondilólise, nódulo de Schmorl e exostose auditiva) já publicados para três sambaquis localizados no estado do Rio de Janeiro, a fim de se verificar a possibilidade de identificar particularidades no estilo de vida destes grupos.<hr/>Abstract: For decades the definition of a physical-anthropological unit, based primarily on descriptive and comparative studies of cranial and post-cranial morphology, oriented biological knowledge of sambaqui-dwelling groups in the south-southeastern coastal region of Brazil. This concept also influenced the paradigms that guided the understanding of socio-cultural aspects of these groups, taking as a guideline the perspectives of the North American School. This general perspective, however, has not been very effective in furthering knowledge about sambaqui-dwellers at a more detailed level, failing to identify characteristics that naturally permeate any socio-cultural system and are the result of choices, not just of adaptive responses. In an attempt to create progress in this perspective, this paper aims to combine previously published data on occupational stress markers (osteoarthrosis, accidental fractures, spondylolysis, Schmorl´s nodes and auditory exostoses) for three sambaquis located in the state of Rio de Janeiro, in order to identify possible particularities of the lifestyles of these groups. <![CDATA[Estudios bioarqueológicos en el sitio Los Tres Cerros 1 (Delta Superior del río Paraná, Entre Ríos, Argentina)]]> Resumen: En este trabajo se presentan los resultados de los estudios bioarqueológicos efectuados en la serie de esqueletos humanos del sitio Los Tres Cerros 1 (departamento de Victoria, Entre Ríos, Argentina), una estructura antropogénica monticular ocupada entre ca. 1227 y 560 años AP por cazadores, recolectores, pescadores y horticultores, asignados a la entidad arqueológica Goya-Malabrigo. Las investigaciones bioarqueológicas se enfocaron en determinar la estructura sexo-etaria de la muestra, estudiar las lesiones óseas y analizar las prácticas mortuorias. De acuerdo a estos estudios, en el sitio se enterraron al menos 16 individuos de distintos grupos etarios y ambos sexos. La variabilidad de modos de disponer a los muertos incluye entierros primarios, secundarios y elementos óseos dispersos. Algunos huesos presentaban termoalteración y ocre sobre la superficie. Se discuten estas evidencias a nivel regional con otros sitios del Delta del Paraná con presencia de esqueletos humanos asignados a la entidad Goya-Malabrigo.<hr/>Abstract: In this paper we present the results from bioarchaeological studies of human skeletal remains recovered at Los Tres Cerros 1 site (Victoria department, Entre Ríos, Argentina), an anthropogenic mound occupied between 1227 and 560 years BP by hunter-gatherer-fishers and horticulturist societies, ascribed to the archaeological entity Goya-Malabrigo. Bioarchaeological studies focused on determining the age and sex structure of the sample and on osseous lesions and the analysis of mortuary practices. Results show that 16 individuals of different age groups and both sexes were buried at the site. Variations in the treatment of the dead include primary and secondary burials and scattered bone remains. Some bones show signs of thermal alterations and ochre on their surface. Evidence presented here is discussed at a regional scale relative to other sites ascribed to the Goya-Malabrigo cultural entity in the Paraná Delta, with human skeletons. <![CDATA[The wind turns the lagoon into sea: an ethnoarchaeology of fishing on the north coast of RS]]> Resumo: Diversas comunidades de pescadores se encontram atualmente distribuídas ao longo do litoral gaúcho, demonstrando que a pesca tradicional-artesanal ainda possui grande importância na região. Entretanto, apesar da riqueza histórica e sociocultural dessas comunidades, praticamente inexistem pesquisas etnoarqueológicas sobre essas populações. Neste caso, entende-se que a etnoarqueologia é um campo de estudo que possibilita a compreensão da materialidade das populações vivas. Busca-se, através desta, o estudo da mobilidade, da sazonalidade e do uso dos espaços de pesca (pesqueiros) nessa comunidade. Para tanto, a sócio-antropologia da pesca fornece o aporte necessário para compreender a dinâmica sociocultural destes grupos. Diante disso, adota-se a proposta de Antonio Carlos Diegues de que a pesca é um elemento de coesão social e que, portanto, constrói sociedades. Entende-se, nesse sentido, que a pesca não se trata apenas de uma questão produtiva, mas também da relação de vida que os pescadores possuem com estes espaços, sendo estes construídos socialmente através do conhecimento tradicional. Por meio das observações de campo realizadas até então, foi possível estabelecer um modelo de utilização dos espaços de pesca (pesqueiros) para a região em dois períodos distintos: a cheia (outono e inverno) e a vazante (primavera e verão).<hr/>Abstract: Several fishing communities are currently distributed along the "gaúcho" coast, demonstrating that traditional artisanal fishing still has great importance in the region. However, despite the historical, social, and cultural richness of these communities, there is practically no ethnoarcheological research about these populations. This article is based on the notion of ethnoarcheology, which is a field of study of the material conditions of living populations. On this basis we address questions of mobility, seasonality and the use of space for fishing (fishery) in coastal communities of Rio Grande do Sul. Furthermore, the socio-anthropology of fishing provided what was necessary to understand the socio-cultural dynamic of these groups. Consequently, we adopt the proposal of Antonio Carlos Diegues that fishing is an element of social cohesion, i.e., it builds societies. Therefore, fishing is not only a question of production, but also the relationship of fishermen with their spatial environment. These spaces represent social constructs built through traditional knowledge. Through field observations it was possible to establish a model of utilization of the fishing spaces (fishery) for the region in two distinct periods: the flood period (fall and winter) and the drought period (spring and summer).