Scielo RSS <![CDATA[Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1981-812220120002&lang=en vol. 7 num. 2 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <link>http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200001&lng=en&nrm=iso&tlng=en</link> <description/> </item> <item> <title><![CDATA[<b>Agriculturas amazônicas</b>: <b>cultivando plantas, saberes, paisagens e ideias</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[<b>Jodï horticultural belief, knowledge and practice</b>: <b>incipient or integral cultivation?</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200003&lng=en&nrm=iso&tlng=en This paper describes the Jodï horticultural system, including belief, knowledge and practice aspects. The horticultural practices of the Jodï were previously characterized as 'incipient cultivation' but such practices were poorly described and documented. The antiquity of cultivation among this group is suggested by the prominence and significance of horticultural products and techniques in myth and ritual. Our field observations uncovered a fairly sophisticated system of plant management in swiddens, house gardens, trail gardens and natural forest gaps. An inventory of 67 cultivated plant species was documented, of which 36 are utilized for food, 20 for magical or medicinal purposes, and 11 for technology. The Jodï prolong the productive phase of their gardens for five years or more through successive planting-harvesting-replanting operations. Jodï swiddens display an elaborate polycultivated appearance and they possess at least five principal crops: plantain/banana, maize, yams, sweet potato, and sweet manioc. Another distinctive feature is the extensive use of natural gaps in the forest canopy as cultivation zones. The results of this study suggest that while Jodï horticultural practice is well integrated with a nomadic, foraging-dependent lifestyle, nevertheless this system does not deserve to be labeled as 'incipient' and instead is more integral than was recognized previously.<hr/>O artigo descreve o sistema hortícola Jodï, incluindo aspectos de conhecimento, crença e prática. As práticas hortícolas dos Jodï foram previamente caracterizadas como 'cultivo incipiente' por outros pesquisadores, mas essas práticas foram pouco descritas e documentadas. A antiguidade da agricultura nesse grupo é sugerida pela proeminência e significância de produtos e técnicas hortícolas em mitos e rituais. Nossas observações de campo mostram um sistema bastante sofisticado de manejo de plantas em roças, pomares, trilhas e clareiras naturais de floresta. Foi registrado um total de 67 espécies de plantas cultivadas, das quais 36 são utilizadas para a alimentação, 20 para fins mágicos ou medicinais e 11 para tecnologia. Os Jodï prolongam a fase produtiva de suas roças e jardins por cinco anos ou mais, por meio de sucessivos plantios-colheitas-replantios. As roças Jodï parecem ser policultivadas e possuem pelo menos cinco principais culturas: platano/banana, milho, inhame, batata doce e mandioca doce. Outra característica distintiva é o uso extensivo de clareiras naturais de floresta como zonas de cultivo. Os resultados deste estudo sugerem que, embora a prática hortícola Jodï seja bem integrada com um estilo de vida nômade e dependente da coleta, este sistema não merece ser rotulado como 'incipiente', pelo contrário, é mais integral do que foi reconhecido anteriormente. <![CDATA[<b>Beautiful gardens</b>: <b>agrobiodiversity Mebêngôkre-Kayapó in globalization times</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200004&lng=en&nrm=iso&tlng=en Na atualidade, as sociedades tradicionais da Amazônia experimentam fortes mudanças com efeitos diretos sobre os sistemas agrícolas tradicionais, como a tendência à homogeneização de espécies e técnicas juntamente com uma dependência maior do mercado. Porém, as agriculturas amazônicas continuam diversificadas e valorizando a diversidade. O artigo descreve particularidades da agricultura Mebêngôkre-Kayapó a partir de uma metodologia elaborada com ferramentas da antropologia, da geografia e da etnobotânica em aldeias indígenas do sul do Pará. O manejo atual da agrobiodiversidade é analisado por meio da organização das roças no espaço e no tempo, e a partir de levantamentos realizados com foco na diversidade em nível de espécies e variedades de cultivos. Os resultados mostram que um grande número de plantas continua sendo cultivado e confirmam a vitalidade dos conhecimentos indígenas associados à agrobiodiversidade, mesmo em tempos de forte mudança. Os princípios de repartição, conservação, reprodução e fabricação da biodiversidade Mebêngôkre estão associados ao conceito de 'beleza' (mex), que valoriza, muito além de paisagens e técnicas agrícolas, o bom estado das redes sociais de trocas dentro e fora da aldeia, assim como valores essenciais dos Mebêngôkre.<hr/>Nowadays, traditional societies of the Amazon experience strong changes that cause direct effects on traditional agricultural systems such as the trend toward homogenization of species and techniques along with a greater reliance on market. However, Amazonian agricultures still are diversified and valuing diversity. The article describes the particularities of Mebêngôkre-Kayapó agriculture from a methodology developed with tools from anthropology, geography and ethnobotany in Indian villages of southern Pará. The current management of agrobiodiversity is analyzed through the organization of the fields in space and time and from surveys conducted with a focus on diversity in the level of species and varieties of crops. The results show that a large number of plants is still cultivated and confirm the vitality of indigenous knowledge on agrobiodiversity, even in change time. The principles of partition, conservation, reproduction, and making of Mebêngôkre biodiversity are associated with the concept of 'beauty' (mex), that values, far beyond landscapes and agricultural techniques, the good condition of social networks within and outside the village, as well as essential Mebêngôkre values. <![CDATA[<b>Exchange, experimentation and preferences</b>: <b>a study on the dynamics of manioc diversity in the Middle Solimões, Amazonas</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200005&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este trabalho apresenta um estudo sobre a diversidade da mandioca na região do médio Solimões, enfocando principalmente comunidades localizadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no Amazonas. O estudo associa dados quantitativos e etnográficos. A análise de dados de monitoramento de 13 comunidades de várzea e de terra firme revelou o seguinte padrão de diversidade de manivas (mandioca): riqueza total de 54 variedades, com distribuição ampla de poucas variedades e ocorrência localizada da maioria; riqueza média de dez variedades por comunidade; e coleções familiares com três variedades em média. Uma análise temporal das coleções familiares mostrou a natureza dinâmica da diversidade regional. Ao longo de cinco anos, praticamente todas as 55 famílias acompanhadas alteraram a composição de variedades, mas mudaram pouco o tamanho de suas coleções. Para discutir essa dinâmica da diversidade, realizamos pesquisa qualitativa em três comunidades. Buscamos entender as condições sociais e ambientais que os agricultores enfrentam, as preferências por certas manivas e os padrões de manejo das roças. Mostramos que a diversidade de manivas é resultado de uma prática de experimentação ativa e que a dinâmica das coleções é definida por um conjunto de fatores que inclui o contexto das práticas econômicas, as condições ambientais e a relação histórica da população regional com a mandioca.<hr/>The paper presents a study on the manioc diversity in the Middle Solimões region, focusing largely on communities located in the Sustainable Development Reserves of Mamirauá and Amanã, state of Amazonas, Brazil. The study combines quantitative and ethnographic data. The analysis of survey data collected in 13 communities in the 'várzea' and in the 'terra firme' revealed the following pattern of manioc diversity: a total richness of 54 varieties, demonstrating a broad distribution of a small number of varieties and a local occurrence of the majority; an average richness of ten varieties per community; and an average of three varieties maintained per household. A temporal analysis of survey data collected at the household level illustrates the dynamic nature of this regional diversity. Over the course of five years, almost all the 55 accompanied families altered the composition of manioc varieties in their collections; however, the size of these collections showed little variation. To discuss the dynamics of diversity, we conducted qualitative research in three communities. This analysis sought to understand the social and environmental conditions with which farmers contend, patterns of manioc management, and the logic behind farmers' preferences for certain manioc varieties. The research demonstrates that maniva diversity is a result of active experimentation, and that collections of manivas maintained by farmers are dynamic and ever-changing. This dynamism is defined by a series of factors that include economic practices, environmental conditions, and the historical relationship of the regional population with manioc. <![CDATA[<b>Landscapes and ethno-knowledge in the Ticuna and Cocama agriculture at upper River Solimões, Amazonas, Brazil</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200006&lng=en&nrm=iso&tlng=en As unidades de paisagem na agricultura dos povos Ticuna e Cocama, no alto rio Solimões, são caracterizadas por arranjos produtivos e formas de gestão dos recursos naturais. Caracterizar essas práticas de base agroecológica, os resultados paisagísticos e as possibilidades de sua aplicabilidade regional foram os objetivos dessa pesquisa, realizada em duas localidades: Novo Paraíso, na ilha do Bom Intento, e Nova Aliança, ambas no município de Benjamin Constant, Amazonas. A organização social e econômica dos povos Ticuna e Cocama é fundada no parentesco e na apropriação comunal dos recursos naturais existentes, incluindo os espaços para o extrativismo. As unidades familiares, apesar da fraca vinculação com o mercado e suas regras, têm na lógica da reciprocidade a motivação para a produção, a transmissão e o manejo dos recursos e dos fatores de produção. As paisagens são reconstruídas por meio da produção de base agroecológica, derivada do etnoconhecimento, e correspondem aos mecanismos inerentes ao processo de manejo e conservação da flora e fauna. Esse processo permite a existência de complexa imbricação de paisagens em constante modificação, nas quais formas de produção são recriadas para a suficiência e a sustentabilidade.<hr/>The units of landscape in the Cocama and Ticuna agriculture, in the upper River Solimões, are characterized by production arrangements and management of natural resources. This paper aims to characterize these agro-ecological based practices, the landscaped results and its regional applicability. The survey was conducted in Novo Paraíso, at Bom Intento Island, and in Nova Aliança, both located in the municipality of Benjamin Constant, state of Amazonas, Brazil. The social and economic organization of Ticuna and Cocama Peoples is founded on kinship and communal ownership of natural resources, including spaces for gathering. Family units, despite their weak linkages with the market and its rules, have in the logic of reciprocity the motivation for the production, transmission and management of resources and factors of production. The landscapes are reconstructed by agro-ecological production derived from ethno-knowledge and correspond to the inherent processes of management and conservation of flora and fauna. This process allows the existence of complex imbrications of constantly changing landscapes in which forms of production are recreated for sufficiency and sustainability. <![CDATA[<b>Ticuna traditional knowledge on <i>chagra </i>agriculture and innovative mechanisms for its protection</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200007&lng=en&nrm=iso&tlng=en La vinculación de los pueblos indígenas al mercado global es una realidad y en ella se configuran estrategias de apropiación del conocimiento tradicional, sin que medie norma alguna que permita restituir los derechos que ostentan los poseedores de dichos conocimientos, en tanto que las poblaciones indígenas vienen solicitando un sistema sui generis para su protección y vinculación equitativa en dichos mercados. El artículo presenta los resultados de un proceso de investigación participativa desarrollada con comunidades Ticuna, en el sur de la Amazonia colombiana, territorio fronterizo que Colombia comparte con Brasil y Perú en el alto río Amazonas, y analiza cómo, a partir del conocimiento sobre los usos y manejos de las chagras indígenas, se estructura la cadena agroalimentaria de la yuca (Manihot esculenta Crantz), proceso que ha permitido adelantar la discusión sobre los derechos de propiedad intelectual con énfasis en las indicaciones geográficas y las marcas colectivas, como posibles mecanismos idóneos a ser utilizados por los productores indígenas para la protección de los conocimientos tradicionales asociados a la biodiversidad.<hr/>The relationship of indigenous peoples to the global market is a reality and it sets strategies of appropriation of traditional knowledge, without any rule mediating the restitution of rights that knowledge holders have, while indigenous people are asking a sui generis system for protection and equitable participation in these markets. The paper presents the results of a participatory research carried out with Ticuna communities of the south of the Colombian Amazon, in the border with Brazil and Peru, in the upper part of the Amazon River. From the knowledge about the use and management of chagra agriculture, the research analyzes how the productive chain of manioc (Manihot esculenta Crantz) is structured. It also explains how indigenous people discuss the intellectual property rights they have on it, and how the geographical indications and the collective trademarks can help to protect traditional knowledge associated to biodiversity. <![CDATA[<b>The 'special cassava flour'</b>: <b>perception and processing of a smallholder agriculture product in the Juruá River valley, Acre</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200008&lng=en&nrm=iso&tlng=en Os pequenos agricultores do vale do alto rio Juruá, no Acre, produzem farinha de mandioca para consumo e comércio. Este artigo descreve as práticas que produzem e identificam uma farinha 'especial' do ponto de vista dos produtores locais. Esses processos são tanto técnicos como conceituais e se aplicam às raízes de mandioca, aos objetos responsáveis pelo processamento e à farinha produzida, diferindo da avaliação de negociantes e órgãos governamentais. Esse conjunto prescritivo será confrontado com a percepção dos comerciantes e também com a dos serviços públicos, a qual atua no melhoramento dessa produção por considerá-la desvalorizada e com elevada variabilidade.<hr/>Smallholders from upper Juruá river valley, state of Acre, in Brazil, produce cassava flour (farinha de mandioca) for consumption and trade. This article describes the practices that produce and identify a 'special' cassava flour from the point of view of the local producers. These processes are both technical and conceptual, and they apply to the cassava roots, the objects associated to its processing and the cassava flour produced, differing from the assessment of traders and governmental institutions. This prescriptive set will be faced with the perception of traders and also with the public service, which operates in this production improvement considering it undervalued and with high variability. <![CDATA[<b>The Brazilian Seed Law and its impacts on agrobiodiversity and on local and traditional agricultural systems</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200009&lng=en&nrm=iso&tlng=en O artigo faz uma análise crítica dos impactos da Lei de Sementes brasileira (10.711/2003) sobre a biodiversidade agrícola e sobre a agricultura tradicional e local. A referida lei atende, principalmente, aos interesses e necessidades do sistema 'formal' de sementes e desconsidera o importante papel dos sistemas de sementes locais e tradicionais (chamados frequentemente de 'informais'), nos quais as atividades de produção, intercâmbio, melhoramento e conservação de sementes são realizadas pelos próprios agricultores por meio de suas redes sociais e segundo as normas locais. Os sistemas 'formais' de sementes estão voltados, principalmente, para as espécies agrícolas de grande valor comercial e de ampla utilização em ambientes homogêneos. Assim, não são capazes de oferecer sementes adaptadas a usos e condições locais específicas e de atender às necessidades dos agricultores tradicionais e locais, que dispõem de poucos recursos e vivem em regiões heterogêneas, ambiental e culturalmente.<hr/>The article makes a critical analysis of the impacts of the Brazilian Seed Law (10.711/2003) on agricultural biodiversity and on traditional and local agriculture. The above-mentioned law caters to the needs and interests of 'formal' seed systems, and does not consider the important role played by local and traditional seed systems (frequently called 'informal'), in which the production, exchange, breeding and conservation of seeds are carried out by the farmers themselves, through their social networks and according to local rules. 'Formal' seed systems tend to focus mainly on crops of commercial value, and widely used in homogeneous environments. Therefore, they are not interested in producing seeds that are adapted to specific local conditions and uses, nor in attending the needs of local and traditional farmers, which have limited resources and live in regions that are culturally and environmentally heterogeneous. <![CDATA[<b>Hunting practices among the Awá-Guajá</b>: <b>towards a long-term analysis of sustainability in an Amazonian indigenous community</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200010&lng=en&nrm=iso&tlng=en Indigenous Reserves have played an indispensable role in maintaining forest areas in the Neotropics. In the Amazon there is a clear correlation between these reserves and the presence of forest cover; however, the simple presence of uninterrupted vegetation is no guarantee for the conservation of biodiversity, especially where hunting is practiced. This study describes hunting practices among the Awá-Guajá people from 1993 through 1994, also identifying sociocultural, technological, and demographic changes that have influenced their resource acquisition strategies over the last two decades. The data was obtained through ethnographic fieldwork, recording 78 days of foraging returns, with follow-up visits through 2010. This work provides useful information for an effective diachronic analysis of hunting in this community, by revealing foraging patterns of the early to mid-1990s, and describing community transformations over the last two decades in this locale.<hr/>Reservas indígenas têm tido um papel imprescindível na manutenção de áreas florestais na região neotropical. Existe, na Amazônia, uma clara associação entre estas reservas e a presença de cobertura florestal; entretanto, a simples presença de uma vegetação contínua não é garantia de conservação da biodiversidade, sobretudo em contextos onde a caça está presente. Este estudo caracteriza as práticas de caça entre os índios Awá-Guajá (Maranhão, Brasil), vigentes entre 1993 e 1994, e identifica mudanças socioculturais, tecnológicas e demográficas em curso no local nas últimas duas décadas. Os dados foram obtidos pelo método etnográfico, com o registro de 78 dias de atividades de caça entre 1993 e 1994, e em visitas subsequentes até o ano de 2010. Ao retratar o padrão de caça no início dos anos 1990 e descrever as transformações pelas quais a comunidade tem passado desde então, este artigo disponibiliza informações úteis para que uma análise diacrônica da sustentabilidade de caça no local possa ser efetivada. <![CDATA[<b>Confronting death</b>: <b>Tuvaluan Islanders, in the South Pacific, and the rising sea level</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200011&lng=en&nrm=iso&tlng=en Localizado no Pacífico Sul, a cerca de 1.100 km ao norte das Fiji, o arquipélago Tuvalu é constituído por nove ilhas de coral. Soma meros 26 km² de superfície, onde residem cerca de 11.000 ilhéus, no geral, pescadores ou agricultores de subsistência, dedicados ao cultivo das nativas pulaka e taro, assim como fruta-pão e coco. O povo pertence ao grupo étnico polinésio, sendo a sua cultura e o tipo físico bastante homogêneos de ilha para ilha. Em fevereiro de 2010, o Instituto de Investigação Científica Tropical realizou uma missão científica ao atol de Funafuti, conhecido mundialmente pela sua vulnerabilidade às mudanças climáticas, devido à subida do nível das águas do mar. Os objetivos do projeto etnogeográfico foram dois: avaliar a percepção que os ilhéus têm das mudanças climáticas e, coerentemente, avaliar a sua percepção da morte. A amostra recolhida no atol foi composta por cinquenta e oito entrevistas semiestruturadas. Os resultados demonstraram que os ilhéus, majoritariamente cristãos, não temem a subida das águas do mar, assim como não temem a morte, devido ao fato de possuírem uma confiança inapelável na Divina Providência.<hr/>The Tuvalu Group is made of nine small low-lying coral atoll and reef islands, located in the South Pacific, about 1,100 km north of Fiji. With a total area of 26 km², it has about 11,000 residents, generally fishermen and breadfruit, taro, pulaka and coconut subsistence farmers. The people of Tuvalu are mostly of Polynesian origin, their culture and physical type being quite homogeneous. In order to develop an ethno-geographic study, during the month of February 2010, the Portuguese Tropical Research Institute has conducted a scientific mission to the atoll of Funafuti, widely known to be endangered due to the rising sea level. The objectives of the project were twofold: to evaluate the Pacific people's awareness to climate change and, consequently, to evaluate their perception of death. The survey consisted of fifty-eight semi-structured interviews. Results have shown that nearly two thirds of the remote islanders fear not the rising sea levels, as they are mostly Christians and therefore fearless of death. They emphatically trust that Divine Providence will bet on their survival. <![CDATA[<b><i>Kapiwayá</i></b><b> repertoire and its place in a Desana clan music-coreographic-ritual universe, upper Rio Negro, Amazonas</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200012&lng=en&nrm=iso&tlng=en O artigo apresenta a descrição de um repertório musical específico (Kapiwayá) e seu lugar no universo músico-coreográfico-ritual de um clã Desana. A pesquisa foi realizada em São Gabriel da Cachoeira (AM), por meio de entrevistas com o especialista em cantos - o bayá. O estudo aborda o aspecto da formação da humanidade e da construção da pessoa a partir das práticas musicais e rituais, tendo como ponto de partida o mito de criação do mundo e os repertórios musicais deste grupo indígena.<hr/>The paper presents a description of a specific musical repertoire (Kapiwayá) and its place in the Desana clan musical-choreographic ritual universe. The survey was conducted in São Gabriel da Cachoeira, state of Amazonas, Brazil, through dialogues with the bayá (chant specialist). The text introduces aspects of the humanity creation and the human being formation through performances and rites, taking as its starting point the myth of creation of the world and the musical repertoires of this indigenous group. <![CDATA[<b>Interpretative possibilities and limitations of Saxe/Goldstein hypothesis</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200013&lng=en&nrm=iso&tlng=en A Hipótese Saxe/Goldstein foi gerada no seio da arqueologia processual e, como tal, pretendia-se capaz de reconstruir as dimensões sociais das populações pretéritas a partir do estudo de suas práticas mortuárias. Em sua forma original, ela afirmava que a emergência de cemitérios formais seria resultado de um aumento na competição por recursos vitais; o que, por sua vez, levaria à formação de grupos corporativos de descendência cujo objetivo seria monopolizar o acesso a esses recursos; e esse monopólio seria legitimado invocando a descendência dos ancestrais. Posteriormente, uma nova versão foi proposta, na qual a ênfase era a relação entre a presença de cemitérios formais e os padrões de mobilidade dos grupos humanos. Neste trabalho, a elaboração dessa hipótese é revista de forma crítica, discutindo suas transformações ao longo dos últimos 40 anos e identificando contradições que, até então, haviam passado despercebidas. Por fim, os registros arqueológicos dos sambaquis brasileiros e dos abrigos da região de Lagoa Santa são usados para mostrar que a ausência de uma posição crítica em relação à Hipótese Saxe/Goldstein pode acarretar interpretações impróprias do registro arqueológico.<hr/>The Saxe/Goldstein Hypothesis was generated within the processual archaeology milieu and therefore it was supposed to allow reconstructing the social dimensions of past populations by studying their mortuary practices. In its original form stated that the emergency of formal cemeteries would be the result of an increase on the competition for vital resources. This would lead to the formation of corporate groups of descent whose main objectives were to monopolize the access to vital resources. Later, a reformulated version of this hypothesis was developed emphasizing the relationship between the presence of formal cemeteries and mobility pattern of human groups. In this contribution we present a critical review on the formation of this hypothesis and discuss its limitations. Finally, two examples taken from the Brazilian archaeological record are used to show how the lack of a critical posture in relation to the Saxe/Goldstein Hypothesis may lead to fragile interpretations of the archaeological record. <![CDATA[<b>Joseph Leidy between two paradigms of Paleontology</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200014&lng=en&nrm=iso&tlng=en Com a aceitação dos métodos e programas de pesquisa desenvolvidos por Georges Cuvier para o estudo dos fósseis, a Paleontologia teve seu primeiro paradigma kuhniano instalado. Joseph Leidy iniciou seus trabalhos sob esta orientação teórica e metodológica e praticou, no âmbito da Paleontologia, o que Thomas Kuhn denominou de ciência normal. Entretanto, com o acúmulo de dados provenientes de seus trabalhos taxonômicos, Leidy identificou algumas questões que não podiam ser respondidas sob a luz do paradigma cuvieriano. Somente o novo paradigma, o evolutivo, podia respondê-las e, desta forma, Leidy aderiu às teorias evolucionistas de Charles Darwin. Este processo de transição de um naturalista treinado sob uma orientação, e que passa a trabalhar sob uma nova, é analisado neste trabalho, levando-se em consideração as peculiaridades da aplicação da estrutura prevista por Kuhn em uma disciplina como a Paleontologia. Diferentemente do rompimento epistemológico previsto por Kuhn, na mudança de paradigma na Paleontologia, diversos paleontólogos continuaram a trabalhar orientados pelo velho paradigma, mas produzindo dados utilizáveis pelos evolucionistas. Leidy foi um deles, porém sua transição foi mais adiante, pois, a partir de 1859, gradualmente, ele começou a utilizar relações de ancestralidade e a seleção natural como explicações para as semelhanças morfológicas existentes entre as espécies que se sucederam ao longo da história da vida.<hr/>With the acceptance of the methods and research program developed by Georges Cuvier for the study of fossils, Paleontology had its first Kuhnian paradigm installed. Joseph Leidy began his works under this theoretical and methodological advice and practiced, within the scope of Paleontology, what Thomas Kuhn called normal science. However, with the accumulation of data from his taxonomic works, Leidy identified some issues that could not be answered in light of the cuvierian paradigm. Only the new paradigm, the evolutionism, could answer them, and thus Leidy joined the evolutionary theories of Charles Darwin. This transition process of a naturalist trained under one guidance, and that starts working under a new, is analyzed in this paper, taking into account the peculiarities of application of the framework provided by Kuhn, in a discipline such as Paleontology. Unlike the epistemological rupture predicted by Kuhn, in the paradigm shift in Paleontology many paleontologists have continued to work guided by the old paradigm, but producing usable data by evolutionists. Leidy was one of them, but his transition went further. From 1859, gradually, he began to use relationships of ancestry and natural selection as explanations for the morphological similarities between species that have taken place along the history of life. <![CDATA[<b>The legacy of Darrell Posey</b>: <b>from ethnobiological research among the Kayapó to the protection of indigenous knowledge</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200015&lng=en&nrm=iso&tlng=en Darrell Posey (1947-2001) efectuó sus principales estudios etnobiológicos entre los Mebêngôkre-Kayapó, pueblo de lengua Jê que habita territorios oficialmente reconocidos por el Estado brasileño en la región del alto y medio río Xingú. Con base en el análisis de la obra de Posey sobre los Kayapó, en investigación documental en el Archivo Guilherme de La Penha, del Museo Goeldi, y en testimonios de indígenas y de investigadores que fueron sus colegas en esta institución, este artículo aborda el legado científico y político de Posey, considerando sus aportes a la etnobiología y a las actuales discusiones sobre protección de los conocimientos tradicionales.<hr/>Darrell Posey (1947-2001) made his mayor ethnobiological studies between Mebêngôkre-Kayapó, a Jê speaking people who inhabits territories officially recognized by Brazilian State in the region of the upper and middle Xingú river. Based on the analysis of Posey's work on the Kayapó; on documentary research in the Guilherme de La Penha Archives, in the Goeldi Museum; and on testimonies of indigenous people and researchers who were his colleagues in this institution, the article discusses the scientific and political legacy of Posey, considering his contributions to ethnobiology and current discussions on the protection of traditional knowledge. <![CDATA[<b>Darrell Posey</b>: <b>an engaged researcher</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200016&lng=en&nrm=iso&tlng=en Scientifique visionnaire (idéaliste pour certains), citoyen engagé (activiste pour d'autres), Darrell Posey (1947-2001) a marqué de son empreinte son passage en territoire indigène. Il a eu le mérite d'ouvrir un débat indispensable à la frontière entre cultures, sciences et développement en associant les indiens Kayapó à ses réflexions et ses actions, et en leur permettant de faire entendre leurs voix et de défendre leurs droits sur un plan national et international.<hr/>Visionary scientist (idealistic for some), engaged citizen (activist for others), Darrell Posey (1947-2001) impacted for a long time with his passage in indigenous territory. He had the merit of opening a needed debate on the border between cultures, sciences and development involving the Kayapó Indian to his thoughts and actions. He also allowed them to make their voices heard and to defend their rights on a national and international stage. <![CDATA[<b>Nature and culture in Amazonian landscape</b>: <b>a photographic experience echoing Amerindian cosmology and historical ecology</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200017&lng=en&nrm=iso&tlng=en Enquanto experiência artística, o projeto fotográfico "Arborescência - fisionomia do vegetal na paisagem amazônica" proporciona ao autor uma série de descobertas: a paisagem como entrelaçamento de Natureza e Cultura (a presença indireta do homem; o face a face com 'sujeitos vegetais'); as relações de continuidade, indiferenciação e equivalência entre o 'natural' (heterogêneo, espontâneo, nativo, rural) e o 'cultural' (homogêneo, cultivado, exótico, urbano) na experiência da paisagem vegetal; a arborescência como "imagem cósmica" (Gaston Bachelard), onde o alto (céu, luz, galhos, água celeste) e o baixo (terra, sombra, raízes, água terrestre) são pólos equivalentes e reversíveis. Tal experiência encontra ressonâncias na eco-cosmologia das sociedades da floresta amazônica. A cosmologia ameríndia é uma "ecologia simbólica" (Philippe Descola), pois elabora "uma complexa dinâmica de trocas e transformações entre sujeitos humanos e não humanos, visíveis e invisíveis" (Bruce Albert); a ecologia ameríndia é uma "cosmologia posta em prática" (Kaj Århem), na qual animais caçados e plantas cultivadas são 'parentes' que é preciso seduzir ou coagir. Tal modelo constitui uma forma de "socialização da natureza" (Descola), de "humanização da floresta" (Evaristo Eduardo de Miranda) e de "antropização indireta" dos ecossistemas amazônicos (Descola), geradora de "matas culturais" (William Balée).<hr/>As an artistic experience, the photographic research "Arborescence - plant physiognomy in Amazonian landscape" conduces the author to discover landscape as an interpenetration of Nature and Culture (man's indirect presence; being face to face with vegetable subjects); continuity, undifferentiation and equivalence between the 'natural' (heterogeneous, spontaneous, native, rural) and the 'cultural' (homogeneous, cultivated, exotic, urban) in the experience of landscape; arborescence as a "cosmic image" (Gaston Bachelard), where the high (sky, light, branches, sky water) and the low (earth, shade, roots, land water) are equivalent and reversible poles. Such experience echoes the eco-cosmology of forest societies in Amazonia. The Amerindian cosmology is a "symbolic ecology" (Philippe Descola), that is, "a complex dynamics of social intercourse and transformations between humans and non-humans, visible and invisible subjects" (Bruce Albert); the Amerindian ecology is "a cosmology put into practice" (Kaj Århem), wherein hunted animals and cultivated plants are 'relatives' to be seduced or coerced. Such model appears to be a form of "socialization of nature" (Descola), "humanization of the forest" (Evaristo Eduardo de Miranda) and "indirect anthropization" of Amazonian ecosystems (Descola) which produces "cultural forests" (William Balée). <![CDATA[<b><i>Batida de pé</i></b><b>, différenciations et mélanges musico-chorégraphiques</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200018&lng=en&nrm=iso&tlng=en Enquanto experiência artística, o projeto fotográfico "Arborescência - fisionomia do vegetal na paisagem amazônica" proporciona ao autor uma série de descobertas: a paisagem como entrelaçamento de Natureza e Cultura (a presença indireta do homem; o face a face com 'sujeitos vegetais'); as relações de continuidade, indiferenciação e equivalência entre o 'natural' (heterogêneo, espontâneo, nativo, rural) e o 'cultural' (homogêneo, cultivado, exótico, urbano) na experiência da paisagem vegetal; a arborescência como "imagem cósmica" (Gaston Bachelard), onde o alto (céu, luz, galhos, água celeste) e o baixo (terra, sombra, raízes, água terrestre) são pólos equivalentes e reversíveis. Tal experiência encontra ressonâncias na eco-cosmologia das sociedades da floresta amazônica. A cosmologia ameríndia é uma "ecologia simbólica" (Philippe Descola), pois elabora "uma complexa dinâmica de trocas e transformações entre sujeitos humanos e não humanos, visíveis e invisíveis" (Bruce Albert); a ecologia ameríndia é uma "cosmologia posta em prática" (Kaj Århem), na qual animais caçados e plantas cultivadas são 'parentes' que é preciso seduzir ou coagir. Tal modelo constitui uma forma de "socialização da natureza" (Descola), de "humanização da floresta" (Evaristo Eduardo de Miranda) e de "antropização indireta" dos ecossistemas amazônicos (Descola), geradora de "matas culturais" (William Balée).<hr/>As an artistic experience, the photographic research "Arborescence - plant physiognomy in Amazonian landscape" conduces the author to discover landscape as an interpenetration of Nature and Culture (man's indirect presence; being face to face with vegetable subjects); continuity, undifferentiation and equivalence between the 'natural' (heterogeneous, spontaneous, native, rural) and the 'cultural' (homogeneous, cultivated, exotic, urban) in the experience of landscape; arborescence as a "cosmic image" (Gaston Bachelard), where the high (sky, light, branches, sky water) and the low (earth, shade, roots, land water) are equivalent and reversible poles. Such experience echoes the eco-cosmology of forest societies in Amazonia. The Amerindian cosmology is a "symbolic ecology" (Philippe Descola), that is, "a complex dynamics of social intercourse and transformations between humans and non-humans, visible and invisible subjects" (Bruce Albert); the Amerindian ecology is "a cosmology put into practice" (Kaj Århem), wherein hunted animals and cultivated plants are 'relatives' to be seduced or coerced. Such model appears to be a form of "socialization of nature" (Descola), "humanization of the forest" (Evaristo Eduardo de Miranda) and "indirect anthropization" of Amazonian ecosystems (Descola) which produces "cultural forests" (William Balée). <![CDATA[<b>Os Fulni-ô</b>: <b>múltiplos olhares em uma contribuição para o reconhecimento da sociodiversidade indígena no Brasil</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200019&lng=en&nrm=iso&tlng=en Enquanto experiência artística, o projeto fotográfico "Arborescência - fisionomia do vegetal na paisagem amazônica" proporciona ao autor uma série de descobertas: a paisagem como entrelaçamento de Natureza e Cultura (a presença indireta do homem; o face a face com 'sujeitos vegetais'); as relações de continuidade, indiferenciação e equivalência entre o 'natural' (heterogêneo, espontâneo, nativo, rural) e o 'cultural' (homogêneo, cultivado, exótico, urbano) na experiência da paisagem vegetal; a arborescência como "imagem cósmica" (Gaston Bachelard), onde o alto (céu, luz, galhos, água celeste) e o baixo (terra, sombra, raízes, água terrestre) são pólos equivalentes e reversíveis. Tal experiência encontra ressonâncias na eco-cosmologia das sociedades da floresta amazônica. A cosmologia ameríndia é uma "ecologia simbólica" (Philippe Descola), pois elabora "uma complexa dinâmica de trocas e transformações entre sujeitos humanos e não humanos, visíveis e invisíveis" (Bruce Albert); a ecologia ameríndia é uma "cosmologia posta em prática" (Kaj Århem), na qual animais caçados e plantas cultivadas são 'parentes' que é preciso seduzir ou coagir. Tal modelo constitui uma forma de "socialização da natureza" (Descola), de "humanização da floresta" (Evaristo Eduardo de Miranda) e de "antropização indireta" dos ecossistemas amazônicos (Descola), geradora de "matas culturais" (William Balée).<hr/>As an artistic experience, the photographic research "Arborescence - plant physiognomy in Amazonian landscape" conduces the author to discover landscape as an interpenetration of Nature and Culture (man's indirect presence; being face to face with vegetable subjects); continuity, undifferentiation and equivalence between the 'natural' (heterogeneous, spontaneous, native, rural) and the 'cultural' (homogeneous, cultivated, exotic, urban) in the experience of landscape; arborescence as a "cosmic image" (Gaston Bachelard), where the high (sky, light, branches, sky water) and the low (earth, shade, roots, land water) are equivalent and reversible poles. Such experience echoes the eco-cosmology of forest societies in Amazonia. The Amerindian cosmology is a "symbolic ecology" (Philippe Descola), that is, "a complex dynamics of social intercourse and transformations between humans and non-humans, visible and invisible subjects" (Bruce Albert); the Amerindian ecology is "a cosmology put into practice" (Kaj Århem), wherein hunted animals and cultivated plants are 'relatives' to be seduced or coerced. Such model appears to be a form of "socialization of nature" (Descola), "humanization of the forest" (Evaristo Eduardo de Miranda) and "indirect anthropization" of Amazonian ecosystems (Descola) which produces "cultural forests" (William Balée). <![CDATA[<b>A descoberta do ambiente biológico</b>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81222012000200020&lng=en&nrm=iso&tlng=en Enquanto experiência artística, o projeto fotográfico "Arborescência - fisionomia do vegetal na paisagem amazônica" proporciona ao autor uma série de descobertas: a paisagem como entrelaçamento de Natureza e Cultura (a presença indireta do homem; o face a face com 'sujeitos vegetais'); as relações de continuidade, indiferenciação e equivalência entre o 'natural' (heterogêneo, espontâneo, nativo, rural) e o 'cultural' (homogêneo, cultivado, exótico, urbano) na experiência da paisagem vegetal; a arborescência como "imagem cósmica" (Gaston Bachelard), onde o alto (céu, luz, galhos, água celeste) e o baixo (terra, sombra, raízes, água terrestre) são pólos equivalentes e reversíveis. Tal experiência encontra ressonâncias na eco-cosmologia das sociedades da floresta amazônica. A cosmologia ameríndia é uma "ecologia simbólica" (Philippe Descola), pois elabora "uma complexa dinâmica de trocas e transformações entre sujeitos humanos e não humanos, visíveis e invisíveis" (Bruce Albert); a ecologia ameríndia é uma "cosmologia posta em prática" (Kaj Århem), na qual animais caçados e plantas cultivadas são 'parentes' que é preciso seduzir ou coagir. Tal modelo constitui uma forma de "socialização da natureza" (Descola), de "humanização da floresta" (Evaristo Eduardo de Miranda) e de "antropização indireta" dos ecossistemas amazônicos (Descola), geradora de "matas culturais" (William Balée).<hr/>As an artistic experience, the photographic research "Arborescence - plant physiognomy in Amazonian landscape" conduces the author to discover landscape as an interpenetration of Nature and Culture (man's indirect presence; being face to face with vegetable subjects); continuity, undifferentiation and equivalence between the 'natural' (heterogeneous, spontaneous, native, rural) and the 'cultural' (homogeneous, cultivated, exotic, urban) in the experience of landscape; arborescence as a "cosmic image" (Gaston Bachelard), where the high (sky, light, branches, sky water) and the low (earth, shade, roots, land water) are equivalent and reversible poles. Such experience echoes the eco-cosmology of forest societies in Amazonia. The Amerindian cosmology is a "symbolic ecology" (Philippe Descola), that is, "a complex dynamics of social intercourse and transformations between humans and non-humans, visible and invisible subjects" (Bruce Albert); the Amerindian ecology is "a cosmology put into practice" (Kaj Århem), wherein hunted animals and cultivated plants are 'relatives' to be seduced or coerced. Such model appears to be a form of "socialization of nature" (Descola), "humanization of the forest" (Evaristo Eduardo de Miranda) and "indirect anthropization" of Amazonian ecosystems (Descola) which produces "cultural forests" (William Balée).