Scielo RSS <![CDATA[Organizações & Sociedade]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=1984-923020150002&lang=en vol. 22 num. 73 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Marxismo, Estudos Organizacionais e a luta contra o irracionalismo]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-92302015000200193&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[Organizational Theories and Historical Materialism]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-92302015000200199&lng=en&nrm=iso&tlng=en As teorias organizacionais aparecem frequentemente na literatura especializada como criações isoladas e autônomas dos seus autores, desarticuladas das demais dimensões da realidade. Este artigo, ao contrário, tem por objetivo apresentar essas teorias como integrantes dos diversos momentos do desenvolvimento do capitalismo no século XX. Entende-se que essas teorias procuram dar respostas que garantam o atendimento das necessidades do sistema a cada ciclo histórico. Buscam atender às determinações do capitalismo, oferecendo soluções, no nível da empresa, a cada desafio colocado. Enfim, são elas próprias uma história. Como método de conhecimento, trabalhamos com o materialismo histórico e dialético, considerando que as ideias são precedidas da materialidade, e esta materialidade se expressa no pensamento como um todo, contraditório e em permanente movimento, à semelhança da própria realidade. Como procedimento, percorremos as principais formulações teóricas e procuramos demonstrar suas relações com as condições econômicas e políticas dadas, expondo o diálogo que essas teorias travam com as outras dimensões do desenvolvimento capitalista. Adicionalmente, nos é dado perceber que, enquanto uma história, as teorias organizacionais são também uma expressão reduzida e subjacente do conflito de interesses entre patrões e empregados.<hr/>The organizational theories often appear in the literature as isolated and autonomous creations of their authors, disjointed from other dimensions of reality. This article, by contrast, aims to present these theories as constituents of various moments in the development of capitalism in the twentieth century. It is understood that these theories seek to answers that guarantee the fulfillment of the needs of the system, each historical cycle. Seek to meet the determinations of capitalism, offering solutions at the enterprise level, every challenge. Anyway, are themselves a story. As a method of knowledge, work with the historical and dialectical materialism, considering that ideas are preceded materiality, materiality, and this is expressed in thought as a whole, contradictory and in constant motion, like reality itself. As a procedure, we traverse the major theoretical formulations and try to demonstrate their relations with the economic and political conditions in hand, exposing the dialogue that these theories catch with the other dimensions of capitalist development. Additionally, we are given to understand that, as a history, organizational theories are also reduced expression and underlying conflict of interests between employers and employees. <![CDATA[Overcoming Dichotomies through Space: the Contribution of Dialectical Materialism to Organization Studies]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-92302015000200223&lng=en&nrm=iso&tlng=en One of the most debated choices in every social research design is the adoption of either a realist (objective) or an idealist (subjective) worldview of sociological problems. As argued in this paper, this dichotomy can be bridged by the dialectical approach of historical space production according to Marxist traditions in human geography. Therefore, this paper explores the philosophical grounds of this debate and previous attempts to conciliate the dichotomy and finally proposes a rejection of this dichotomy by adopting the categories of ‘space’ and ‘time’ as central in organizational analysis. Space is a historical production of social relations, and the same relations are defined in terms of their surrounding space. Thus, organization studies can benefit from a spatial view of organizations to overcome epistemological constraints by interpreting organizations as historically produced and producers of their spatial context.<hr/>Uma das escolhas mais debatidas na escolha da abordagem para pesquisas em ciências sociais é a adoção de um paradigma de pesquisa realista (objetivo) ou idealista (subjetivo) com o qual afrontar problemas sociológicos. Como defendido nesse artigo, essa dicotomia pode ser resolvida através da dialética da produção histórica do espaço, segundo a tradição Marxista da Geografia Humanista. Para demonstrar isso, esse artigo explora as bases filosóficas desse debate, as tentativas de conciliação dessa dicotomia, e finalmente propõe a sua rejeição através da adoção das categorias ‘espaço’ e ‘tempo’ como centrais na análise organizacional. O espaço se produz historicamente a partir de relações sociais, e as mesmas relações se definem a partir do espaço que as contém. Nesse sentido, os estudos organizacionais podem se beneficiar de uma leitura espacial de organizações para vencer barreiras epistemológicas, através da interpretação de organizações como historicamente produzidas e partes de um contexto espacial mais amplo. <![CDATA[Dos Antagonismos na Apropriação Capitalista da Água à sua Concepção como Bem Comum]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-92302015000200237&lng=en&nrm=iso&tlng=en O artigo defende que, para compreender a apropriação capitalista da água em suas diversas manifestações, é necessário considerá-las como momentos da produção de valor, uma dimensão socialmente construída que organiza o metabolismo entre seres humanos e natureza na dinâmica da luta de classes. Fundamentado em Marx, propõe uma interpretação para o tema da água a partir da ontologia do ser social e problematiza a construção histórico-conceitual dos consensos em torno da concepção hegemônica da água como bem econômico, analisando suas implicações para a organização da gestão e do acesso. Constata-se que, de modo funcional a essa organização, a apropriação da água é tratada de modo fragmentado e desarticulado. Por outro lado, nas lutas sociais pela defesa de meios de vida ameaçados, emergem concepções que se contrapõem aos consensos sobre a água e ao valor social capitalista, apontando na direção de uma concepção universal da água como bem comum.<hr/>The paper argues that in order to understand capitalist water appropriation in its diverse manifestations, its necessary to consider all of them as moments of the production of value, a socially constructed dimension that organizes metabolism between human beings and nature in a class struggle dynamics. Based on Marx, it proposes an interpretation of water issues from the perspective of the ontology of social being, discussing the historical and conceptual construction of consensus around the hegemonic conception of water as an economic good, and analyzing their implications for water management and access. One of its findings argues that the appropriation of water is approached in a fragmented and non-articulated way. On the other hand, in social struggles in defense of threatened livelihoods, conceptions that oppose the water consensus and the capitalist social value emerge, pointing towards a universal conception of water as a common good. <![CDATA[Merit, Social Reproduction And Social Stratification: notes and contributions to organizational studies]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-92302015000200251&lng=en&nrm=iso&tlng=en O artigo apresenta uma reflexão teórica sobre mérito, reprodução social e estratificação social, destacando algumas correntes teóricas sobre estratificação social, o modo como elas destacam (ou não) o mérito e esforço individual, e por fim apresentando contribuições para o debate e os estudos organizacionais. Em detalhe, são apresentadas as noções iniciais sobre estratificação social, destacando a prevalência de estudos e abordagens funcionalistas sobre o tema. A seguir, trata da leitura funcionalista da abordagem weberiana acerca da estratificação social, feita por Parsons e seguidores, que influenciou a teoria sociológica da modernização, e a própria elaboração de sua hipótese meritocrática, central nos estudos clássicos sobre estratificação social. Tal hipótese é questionada, tomando por base estudos de inspiração marxista, que veem, na estratificação social, um fenômeno de reprodução social. Adiante, são apresentados algumas considerações sobre diferentes maneiras de se mensurar a estratificação social, destacando as de inspiração weberiana e marxista. E por fim, o artigo busca indicar apontamentos e contribuições das reflexões sobre estratificação social para os estudos organizacionais.<hr/>The paper presents a theoretical reflection on merit, social reproduction and social stratification, highlighting some current theories on social stratification, the way they stand out (or not) the merit and individual effort, and finally presenting contributions to the debate and to the organizational studies. In detail, we present the initial notions about social stratification, highlighting the prevalence of functionalist approaches and studies on the subject. Then comes the reading that the functionalists done about Weberian approach on social stratification, made by Parsons and followers, which influenced the sociological theory of modernization, and the development of their own meritocratic hypothesis, central to classical studies on social stratification. This assumption is questioned, based on Marxists studies, who see in social stratification, a phenomenon of social reproduction. Below they are presented some considerations about different ways of measuring social stratification, especially those inspired by Weberian and Marxist studies. Finally, the article seeks to show notes and reflections on the contributions of social stratification for organizational studies. <![CDATA[Development and dependency in Brazil in the contradictions of the Growth Acceleration Program]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-92302015000200269&lng=en&nrm=iso&tlng=en Este ensaio busca desvelar o caráter contraditório do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal instrumento do modelo de desenvolvimento da última década no Brasil, que tenta combinar uma aparente autonomia nacional para as definições estratégicas com integração ao sistema econômico mundial. Entretanto, a retomada da iniciativa do planejamento da economia e do investimento público pelo Estado mantém o modelo de desenvolvimento baseado na apropriação da natureza e alimenta uma rede produtiva escassamente diversificada e dependente da inserção internacional como fornecedora de matérias-primas, e remete ao novo extrativismo progressista (GUDYNAS, 2009). Para compreender a integração da lógica do mercado aos interesses do Estado e o papel do management nessa construção, o texto busca referência na Teoria Marxista da Dependência (TMD), especialmente nas discussões de Marini (2005) e Osorio (2012a; 2012b), acerca da inserção subordinada das economias periféricas, articulada com os mecanismos de acumulação do capital e de exploração do trabalho. Outrossim, discute a colonialidade epistêmica na gestão do desenvolvimento, alçada à solução para a modernização e o desenvolvimento, mas que produz uma integração subordinada à economia global.<hr/>This essay seeks to reveal the contradictory character of the Growth Acceleration Program (PAC, in its acronym in Portuguese), the main instrument of the Brazilian development model of the last decade, which attempts to combine an apparent national autonomy for strategic settings, with adjustments of integration to the global economic system. However, the resumption of the initiative of economic planning and public investment by the State lead to a development model based on appropriation of nature, and generate a sparsely diverse productive network, dependent of international insertion that considers Brazil as a supplier of raw materials, leading to the new progressive extractivism as advanced by Gudynas (2009). To understand the integration of the market logic to the interests of the State and the role of management in this construction, the text drawn from the Marxist Theory of Dependence, especially as in Marini (2005) and Osorio’s (2012a, 2012b) discussions about the subordinated position of peripheral economies, combined with the mechanisms of capital accumulation and labor exploitation. Furthermore, it is discussed the epistemic coloniality for development management, taken as the solution for the modernization and development, to the extent that it produces a subordinated integration with the global economy.