Scielo RSS <![CDATA[Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=2176-457320170001&lang=en vol. 12 num. 1 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Editorial]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100002&lng=en&nrm=iso&tlng=en <![CDATA[The Concept of Border in Yuri Lotman's Semiotics]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100005&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O presente artigo1 tem por objetivo apresentar o conceito de fronteira na obra do semioticista russo Iúri Lotman (1922-1993), bem como o esquema de assimilação de textos alheios que ocorre justamente na zona fronteiriça. Com base nessas colocações teóricas abordamos as inter-relações culturais, como a presença da língua francesa no romance Guerra e paz de Liev Tolstói e o impacto da calça jeans na cultura soviética.<hr/>ABSTRACT This article4 aims to introduce the concept of semiotic border in the oeuvre of the Russian semiotician Yuri Lotman (1922-1993) as well as the process of assimilation of foreign texts that occurs precisely in the border area. Based on this theoretical approach, we analyze cultural interrelations, such as the presence of the French language in Leo Tolstoy's novel War and Peace and the impact of jeans in Soviet culture. <![CDATA[Forms of the Grotesque in <em>The Juniper Tree</em>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100021&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Este artigo defende a relevância multifacetada da noção bakhtiniana do grotesco para o conto A amoreira, dos Irmãos Grimm. A gravidez da mulher, descrita em relação ao ciclo natural de vida-e-morte, representa tanto o grotesco no corpo individual quanto no seu papel mais amplo de renascimento que ele antecipa. A mãe morre após dar a luz. O pai casa-se novamente com uma mulher agressiva que decapita e cozinha seu enteado num forno, e o pai o come sem saber. O conto destaca a canção carnavalesca "Minha mãe me matou, Meu pai me comeu", cantada por um pássaro nascido na árvore onde os ossos do filho são enterrados. As interpolações de prosa e verso no conto tornam-se centrais para sua descrição do desenvolvimento moral romântico. A canção funciona como um pregão de Paris, para criar um mercado público que faz o diálogo avançar. A performance ainda ilumina o grotesco e conduz a narrativa até que a justiça seja restaurada.<hr/>ABSTRACT This essay argues for the multifold relevance of the Bakhtinian grotesque to the Brothers Grimm tale The Juniper Tree. The woman's pregnancy, described in relation to nature's life-death cycle, represents both the grotesque on the individual body and its larger role in the rebirth that it advances. The mother dies after giving birth. The father remarries an abusive woman who decapitates and cooks his son in a stew, which the father unknowingly eats. The tale highlights the carnivalesque song, "My Mother Slew Me, My Father Ate Me," sung by a bird born from the tree where the son's bones are buried. The tale's interpolations of prose and verse become central to its depictions of Romantic moral development. The song functions as a cris de Paris to create a marketplace that advances dialogue. The performance further illuminates the grotesque and guides the narrative until justice is restored. <![CDATA[Ethical, Aesthetic and Political Formation in Workshops with Youngsters: Tensions, Transgressions and Concerns in Intervention Research]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100042&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Este artigo apresenta e discute acontecimentos que emergiram no decorrer de uma pesquisa-intervenção com jovens, visando problematizar as contribuições para a formação ética, estética e política tanto dos pesquisadores como dos participantes. Oficinas estéticas mediadas por linguagens artístico-visuais consistiram no modus operandi da pesquisa-intervenção, sendo os acontecimentos relativos à oficina de graffiti o foco das análises aqui apresentadas. Participaram dessa oficina entre 20 a 25 jovens matriculados em uma escola pública municipal de Florianópolis/SC, com idades entre 13 e 16 anos. As atividades foram coordenadas por bolsistas de IC e extensão, graduandos de psicologia, e um bolsista AT, grafiteiro. Os registros das atividades foram feitos via filmagens, fotografia e registros em diário de campo. As análises foram realizadas a partir de uma perspectiva dialógica, com foco na responsividade que conota as ações e pauta a condição alteritária da existência.<hr/>ABSTRACT This paper presents and discusses events that emerged in the course of research involving an intervention conducted with youngsters. The objective was to discuss contributions to ethical, aesthetic and political formation of both the researchers and participants. Aesthetic workshops mediated by artistic-visual languages consisted of the modus operandi of the intervention research, and the events related to a graffiti workshop were the focus of this analysis. From 20 to 25 youngsters, aged between 13 to 16 years old and enrolled in a city public school in Florianópolis, SC, Brazil participated. The activities were coordinated by undergraduate research assistants, senior psychology students, and one graffiti artist who received a Technical Support scholarship. The activities were filmed, photographed and recorded in a field diary. The analyses were conducted from a dialogic perspective focusing on responsiveness that connotes the actions and grounds the otherness nature of existence. <![CDATA[<em>Fondamenta degli incurabili</em>: (On Great Time)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100065&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Este artigo busca compreender e aprofundar a noção de grande tempo, um conceito antropológico relacional, como grande parte dos conceitos bakhtinianos. Segundo a obra de M. Bakhtin, aquilo que garante a nossa precária imortalidade é o caráter semiótico da memória, capaz de registrar marcas da alteridade, tanto virtuais como materiais, por meio de signos convencionais. Nesse sentido, a alma é também linguagem. Reunindo "estranhas coincidências", o texto coloca em diálogo autores de diferentes cronotopos, de Francisco Delicado a Cervantes, Sterne, Pushkin e Joseph Brodsky, destacando como, ao produzir esse encontro, o olhar do pesquisador pode conduzir a investigação científica no grande tempo bakhtiniano.<hr/>ABSTRACT This article aims to understand and to carefully study the notion of great time, which is a relational anthropological concept, just as most of Bakhtin's concepts. According to M. Bakhtin's oeuvre, our precarious immortality is assured by the semiotic nature of memory, which can register virtual or material marks of otherness through conventional signs. In this sense, the soul is also language. By collecting "odd coincidences," the article places in dialogue authors from different chronotopes, such as Francisco Delicado, Cervantes, Sterne, Pushkin, and Joseph Brodsky, and highlights that, as this dialogue is established, the researcher's perspective allows the scientific investigation to enter Bakhtin's great time.<hr/>RESUMEN Este artículo busca comprender y profundizar la noción de gran tiempo, un concepto antropológico relacional, como gran parte de los conceptos bakhtinianos. Según la obra de M. Bakhtin, lo que garantiza nuestra precaria inmortalidad es el carácter semiótico de la memoria, capaz de registrar marcas de la alteridad, tanto virtuales como materiales, por medio de signos convencionales. De esa manera, el alma es también lenguaje. Reuniendo "extrañas coincidencias", el texto coloca en diálogo autores de diferentes cronotopos, desde Francisco Delicado, hasta Cervantes, Sterne, Pushkin y Joseph Brodsky, destacando como, cuando se produce ese encuentro, la mirada del estudioso puede conducir a la investigación científica en el gran tiempo bakhtiniano. <![CDATA["Let's Defeat Traffic": A Verbal-Visual Analysis of the Meaning and Theme of a Word on a Cover of Época Magazine]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100076&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Este artigo apresenta uma análise verbo-visual da significação e do tema da palavra tráfico, tal como aparece em uma das capas da revista Época. Para isso, leva em conta a etimologia e as mudanças históricas de significação da palavra em determinados contextos concretos em que ela circulou com o intuito de verificar como sua polissemia contribui, de forma articulada com o visual da capa, para produzir certo impacto sobre o público leitor. A análise se baseia na teoria de significação e tema de Bakhtin/Volochínov e enfatiza a importância do contexto social e histórico no estudo do tema de signos ideológicos. Os resultados apontam como uma análise desse tipo pode esclarecer o propósito comunicativo do uso da palavra, bem como permitir uma compreensão histórico-crítica de determinado assunto.<hr/>ABSTRACT This article presents a verbal-visual analysis of the meaning and theme of the word "tráfico," such as it appears on one of the covers of Época magazine. In order to do so, it takes into account the etymology and the historical changes of the meaning of the word in certain concrete contexts in which it circulated, so as to verify how its polysemy contributes, in conjunction with the cover visuality, to produce a certain impact on the reading audience. The analysis is based on Vološinov's theory of meaning and theme, and emphasizes the importance of the social and historical context in the study of ideological signs. The results indicate how an analysis of this kind can clarify the communicative purpose of word usage and permit a historical and critical understanding of an issue. <![CDATA[Religious Word as a Variant of 'Authoritative Word' in Bakhtin]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100091&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Segundo Mikhail Bakhtin, a 'palavra monológica' não é realizada no diálogo; dela se depreende a 'palavra autoritária' que, como seu próprio nome indica, provém da autoridade, legal ou eclesiástica, do professor ou dos pais. Sua característica, como se escuta no discurso religioso, é a de não permitir a discussão; pede ser reconhecida e assimilada por nós. Entretanto, é possível que tal palavra, ainda que 'de outrem', seja convincente, incorporando-se ao nosso discurso com plena consciência; sendo assim, pode inclusive ser considerada 'palavra dialógica'. Para explicá-la melhor, a 'palavra autoritária' será vinculada a enunciados dogmáticos próprios das religiões, como o judaísmo e o islã, e, sobretudo, do cristianismo católico.<hr/>ABSTRACT According to Mihail Bakhtin, a 'monologic word' is not realized in dialogue; related to it, an 'authoritative word,' as its name implies, comes from authority, be it legal or ecclesiastical, from teachers or parents. As in religious discourse, it does not allow discussion; it asks to be recognized and assimilated. However, it may be that this word, coming from the 'discourse of the other,' is convincing, being incorporated into our discourse in full consciousness. Being so, it can even be considered a 'dialogical word.' To better explain it, the 'authoritative word' will be connected to dogmatic utterances of religions, such as Judaism or Islam, and especially the Catholic Christianity.<hr/>RESUMEN Según Mijaíl Bajtín, la 'palabra monológica' es una que no está en diálogo; a ella se vincula la 'palabra autoritaria' que, como su nombre lo indica, proviene de la autoridad, sea legal o eclesial, del maestro, de los padres. Su característica, como se escucha en el discurso religioso, es que no permite la discusión; pide ser reconocida y asimilada por nosotros. Sin embargo, puede ser que dicha palabra, aunque sea 'ajena', resulte convincente y se incorpore a nuestro discurso con plena conciencia; siendo así, puede, incluso, ser considerada 'palabra dialógica'. Para explicarla mejor, la 'palabra autoritaria' será analizada con algunos enunciados dogmáticos, propios de las religiones, como el judaísmo o el islam y, sobre todo, del cristianismo católico. <![CDATA[The Limits of Proofreading Literary Texts Based on the Concepts of Authorship and Style in Bakhtin]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100113&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Embora a relação dos escritores com os revisores seja tradicionalmente tensa, a revisão textual, sobretudo no texto literário, não se limita mais a aspectos normativos, como correção ortográfica ou de digitação, ampliando-se para a observação de aspectos como verossimilhança e encadeamento narrativo. Tais atribuições, porém, podem ampliar a tensão entre escritor e revisor à medida que coloca em jogo a autoria e o estilo, como ilustrado em obras como História do cerco de Lisboa. Este estudo trata exatamente dos limites para o revisor textual, buscando nos ensaios O autor e a personagem na atividade estética e O problema do conteúdo, do material e da forma na criação literária, de Mikhail Bakhtin, os conceitos de autoria e de estilo que possam contribuir para o entendimento do limite da intervenção do revisor. Tal limite se dá, como se verá, por ele jamais poder interferir diretamente no sentido básico do mundo e do "valor axiológico" expressos pelo objeto estético, sob pena de interferir no estilo e na autoria.<hr/>ABSTRACT Although the relationship between writers and proofreaders is traditionally tense, proofreading literary texts especially is no longer limited to regulatory aspects, such as spelling or typing correction. It expands to the observation of aspects, such as verisimilitude and narrative concatenation, which go beyond textual issues. Such tasks, however, can increase the tension between the writer and the proofreader as they bring authorship and style into play, which can be noticed in works, such as The History of the Siege of Lisbon. This study deals exactly with the limits of the proofreader, seeking, in Bakhtin's Author and Hero in Aesthetic Activity and The Problem of Content, Material, and Form in Verbal Art, the concepts of authorship and style that can contribute to the understanding of the limits of the proofreader's intervention. Such limits are set, as we will see, because the proofreader can never interfere directly in the basic sense of the world and of the "axiological value" expressed by the aesthetic object, under the risk of interfering with "style" and "authorship." <![CDATA[Bakhtin's Dialogism and Vossler's Stylistics]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100131&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO O objetivo deste artigo é discutir as relações possíveis entre duas vertentes teóricas do início do século XX: o dialogismo bakhtiniano e a estilística de Vossler. Embora na demonstração de sua prática pedagógica em sala de aula Bakhtin não mencione essa teoria de base, ela ali está presente com algumas variantes que resultam do diálogo tenso com ela estabelecido. Este trabalho objetiva analisar a teoria de Vossler, com o intuito de observar como Bakhtin dialoga com os conceitos vosslerianos no que diz respeito à concepção de língua, gramática e estilo e em que medida se apropria de alguns conceitos em suas anotações de aula.<hr/>ABSTRACT The purpose of this article is to discuss the possible relationships between two theoretical trends of the early 20th century: Bakhtin's dialogism and Vossler's stylistics. Despite not mentioning Vossler's theory in his grammar teaching notes, Bakhtin does include it in his classroom practice with some variations, which is a result of the dialogue between the two. Thus, this article aims to analyze Vossler's theory so as to observe how Bakhtin interacts with Vossler's concepts of grammar and style and to consider the extent to which some of these concepts are used in his classroom notes. <![CDATA[Authorship and Enunciative Responsibility in Reading Journals]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100150&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Neste artigo, estabelece-se uma relação entre o conceito de autoria trabalhado por Bakhtin e Possenti e o de responsabilidade enunciativa, proposto por Adam. Para aqueles, a inserção de vozes alheias e o distanciamento em relação à linguagem são aspectos característicos de um texto autoral; para este, a responsabilidade enunciativa é uma dimensão constitutiva do enunciado e se relaciona ao agenciamento de vozes e ao uso de marcadores de pontos de vista. Partindo dessa discussão, analisam-se diários de leitura de estudantes de Ensino Médio, observando como eles agenciam outras vozes e utilizam recursos de modalidades para constituir um discurso autoral. Os resultados apontam para a inserção de vozes alheias e utilização de lexemas afetivos, avaliativos e axiológicos nos diários, ora de forma mais elaborada e consciente, ora de forma mais simplória e carente de criticidade, do que se depreende a necessidade de atividades de retextualização para configuração de uma escrita autoral.<hr/>ABSTRACT In this article, we established a relationship between the concept of authorship studied by Bakthin and Possenti and that of enunciative responsibility, as proposed by Adam. For the first, the insertion of the voice of others and the outsideness in relation to language are characteristic features of an authorial text; for the latter, enunciative responsibility is a constitutive dimension of the utterance and is related to managing voices and utilizing markers of points of view. From that discussion, we analyzed reading journals of high school students, observing how they manage the voices of others and use modality resources to attain authorial speech. The results point to the insertion of the voices of others and the use of affective, evaluative and axiological lexemes in the journals in more elaborate and conscious ways, and in simpler, less critical ones, from which one can surmise the necessity of retextualization activities in order to achieve authorial writing. <![CDATA[FARACO, Carlos Alberto. <em>História sociopolítica da língua portuguesa</em> [<em>Sociopolitical History of the Portuguese Language</em>]. São Paulo: Parábola Editorial, 2016, 400 p.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100169&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Neste artigo, estabelece-se uma relação entre o conceito de autoria trabalhado por Bakhtin e Possenti e o de responsabilidade enunciativa, proposto por Adam. Para aqueles, a inserção de vozes alheias e o distanciamento em relação à linguagem são aspectos característicos de um texto autoral; para este, a responsabilidade enunciativa é uma dimensão constitutiva do enunciado e se relaciona ao agenciamento de vozes e ao uso de marcadores de pontos de vista. Partindo dessa discussão, analisam-se diários de leitura de estudantes de Ensino Médio, observando como eles agenciam outras vozes e utilizam recursos de modalidades para constituir um discurso autoral. Os resultados apontam para a inserção de vozes alheias e utilização de lexemas afetivos, avaliativos e axiológicos nos diários, ora de forma mais elaborada e consciente, ora de forma mais simplória e carente de criticidade, do que se depreende a necessidade de atividades de retextualização para configuração de uma escrita autoral.<hr/>ABSTRACT In this article, we established a relationship between the concept of authorship studied by Bakthin and Possenti and that of enunciative responsibility, as proposed by Adam. For the first, the insertion of the voice of others and the outsideness in relation to language are characteristic features of an authorial text; for the latter, enunciative responsibility is a constitutive dimension of the utterance and is related to managing voices and utilizing markers of points of view. From that discussion, we analyzed reading journals of high school students, observing how they manage the voices of others and use modality resources to attain authorial speech. The results point to the insertion of the voices of others and the use of affective, evaluative and axiological lexemes in the journals in more elaborate and conscious ways, and in simpler, less critical ones, from which one can surmise the necessity of retextualization activities in order to achieve authorial writing. <![CDATA[MACHADO, Ida Lúcia. <em>Parodie et Analyse du Discours</em> [Parody and Discourse Analysis]. Paris: L'Harmattan, 2013. 134p.]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2176-45732017000100180&lng=en&nrm=iso&tlng=en RESUMO Neste artigo, estabelece-se uma relação entre o conceito de autoria trabalhado por Bakhtin e Possenti e o de responsabilidade enunciativa, proposto por Adam. Para aqueles, a inserção de vozes alheias e o distanciamento em relação à linguagem são aspectos característicos de um texto autoral; para este, a responsabilidade enunciativa é uma dimensão constitutiva do enunciado e se relaciona ao agenciamento de vozes e ao uso de marcadores de pontos de vista. Partindo dessa discussão, analisam-se diários de leitura de estudantes de Ensino Médio, observando como eles agenciam outras vozes e utilizam recursos de modalidades para constituir um discurso autoral. Os resultados apontam para a inserção de vozes alheias e utilização de lexemas afetivos, avaliativos e axiológicos nos diários, ora de forma mais elaborada e consciente, ora de forma mais simplória e carente de criticidade, do que se depreende a necessidade de atividades de retextualização para configuração de uma escrita autoral.<hr/>ABSTRACT In this article, we established a relationship between the concept of authorship studied by Bakthin and Possenti and that of enunciative responsibility, as proposed by Adam. For the first, the insertion of the voice of others and the outsideness in relation to language are characteristic features of an authorial text; for the latter, enunciative responsibility is a constitutive dimension of the utterance and is related to managing voices and utilizing markers of points of view. From that discussion, we analyzed reading journals of high school students, observing how they manage the voices of others and use modality resources to attain authorial speech. The results point to the insertion of the voices of others and the use of affective, evaluative and axiological lexemes in the journals in more elaborate and conscious ways, and in simpler, less critical ones, from which one can surmise the necessity of retextualization activities in order to achieve authorial writing.