Scielo RSS <![CDATA[Trends in Psychiatry and Psychotherapy]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=2237-608920170002&lang=en vol. 39 num. 2 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[Computerized cognitive training in children and adolescents with attention deficit/hyperactivity disorder as add-on treatment to stimulants: feasibility study and protocol description]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-60892017000200065&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Background Cognitive training has received increasing attention as a non-pharmacological approach for the treatment of attention deficit/hyperactivity disorder (ADHD) in children and adolescents. Few studies have assessed cognitive training as add-on treatment to medication in randomized placebo controlled trials. The purpose of this preliminary study was to explore the feasibility of implementing a computerized cognitive training program for ADHD in our environment, describe its main characteristics and potential efficacy in a small pilot study. Methods Six ADHD patients aged 10-12-years old receiving stimulants and presenting residual symptoms were enrolled in a randomized clinical trial to either a standard cognitive training program or a controlled placebo condition for 12 weeks. The primary outcome was core ADHD symptoms measured using the Swanson, Nolan and Pelham Questionnaire (SNAP-IV scale). Results We faced higher resistance than expected to patient enrollment due to logistic issues to attend face-to-face sessions in the hospital and to fill the requirement of medication status and absence of some comorbidities. Both groups showed decrease in parent reported ADHD symptoms without statistical difference between them. In addition, improvements on neuropsychological tests were observed in both groups – mainly on trained tasks. Conclusions This protocol revealed the need for new strategies to better assess the effectiveness of cognitive training such as the need to implement the intervention in a school environment to have an assessment with more external validity. Given the small sample size of this pilot study, definitive conclusions on the effects of cognitive training as add-on treatment to stimulants would be premature.<hr/>Resumo Introdução O treinamento cognitivo tem recebido atenção especial como abordagem não medicamentosa para o tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em crianças e adolescentes. Poucos estudos avaliaram o treinamento cognitivo como abordagem complementar à medicação em ensaios clínicos randomizados controlados por placebo. O objetivo deste estudo foi explorar a viabilidade para a implementação de um programa de treinamento cognitivo computadorizado, descrever suas características principais e potencial eficácia em um pequeno estudo piloto. Métodos Seis pacientes com TDAH entre 10-12 anos de idade, em uso de psicoestimulantes e apresentando sintomas residuais, foram recrutados e randomizados para um dos dois grupos (treinamento cognitivo ou placebo) por 12 semanas. O desfecho principal foram os sintomas nucleares do TDAH avaliados através do Questionário de Swanson, Nolan e Pelham (SNAP-IV). Resultados Encontramos maior resistência do que a esperada no recrutamento dos pacientes em função de problemas logísticos para atender às sessões presenciais no hospital assim como para preencherem os critérios de status medicamentoso e ausência de algumas comorbidades. Ambos os grupos apresentaram diminuição nos escores dos sintomas de TDAH reportados pelos pais, mas sem diferença estatística entre eles. Além disso, foi observada melhora nos testes neuropsicológicos em ambos os grupos – principalmente nas tarefas treinadas pelo programa. Conclusão Este protocolo revelou a necessidade de novas estratégias para melhor avaliar a eficácia do treinamento cognitivo tal como a necessidade de implementar a intervenção no ambiente escolar a fim de obter uma avaliação com maior validade externa. Devido ao pequeno tamanho amostral deste estudo, conclusões definitivas sobre os efeitos do treinamento cognitivo como abordagem complementar aos psicoestimulantes seriam prematuras. <![CDATA[Perfectionism and negative/positive affect associations: the role of cognitive emotion regulation and perceived distress/coping]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-60892017000200077&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Objective To explore 1) if perfectionism, perceived distress/coping, and cognitive emotion regulation (CER) are associated with and predictive of negative/positive affect (NA/PA); and 2) if CER and perceived distress/coping are associated with perfectionism and if they mediate the perfectionism-NA/PA associations. There is a distinction between maladaptive and adaptive perfectionism in its association with NA/PA. CER and perceived distress/coping may mediate the maladaptive/adaptive perfectionism and NA/PA associations. Methods 344 students (68.4% girls) completed the Hewitt &amp; Flett and the Frost Multidimensional Perfectionism Scales, the Composite Multidimensional Perfectionism Scale, the Profile of Mood States, the Perceived Stress Scale, and the Cognitive Emotion Regulation Questionnaire. Results NA predictors were maladaptive/adaptive perfectionism, maladaptive CER and perceived distress (positively), positive reappraisal and planning, and perceived coping (negatively). PA predictors were maladaptive/adaptive perfectionism and perceived distress (negatively), positive reappraisal and planning, positive refocusing and perceived coping (positively). The association between maladaptive perfectionism and NA was mediated by maladaptive CER/low adaptive CER, perceived distress/low coping. Maladaptive perfectionism and low PA association was mediated by perceived distress. High PA was determined by low maladaptive perfectionism and this association was mediated by adaptive REC and coping. Adaptive perfectionism and NA association was mediated by maladaptive CER and perceived distress. Conclusion CER and perceived distress/coping are associated and mediate the perfectionism-NA/PA associations.<hr/>Resumo Objetivo Explorar 1) se o perfeccionismo, o estresse/copingpercebidos e a regulação emocional cognitiva (REC) estão associadas e predizem o afeto negativo/positivo (AN/AP); e 2) se a REC e o estresse/copingestão associados e mediam a relação perfeccionismo-AN/AP. Existe uma distinção entre o perfeccionismo mal-adaptativo/adaptativo na associação com o AN/AP. A REC e o estresse/copingpoderão mediar as associações entre o perfeccionismo mal-adaptativo/adaptativo-AN/AP. Métodos 344 estudantes (68.4% do sexo feminino) completaram as Escalas Multidimensionais do Perfeccionismo de Hewitt &amp; Flett e de Frost, a Escala Multidimensional de Perfeccionismo Compósita, o Perfil dos Estados de Humor, a Escala de Estresse Percebido e o Questionário da Regulação Emocional Cognitiva. Resultados Os preditores do AN foram o perfeccionismo adaptativo/mal-adaptativo, a REC mal-adaptativa e o estresse percebido (positivamente), a reavaliação positiva e planeamento e o coping(negativamente). Os preditores do AP foram o perfeccionismo adaptativo/mal-adaptativo e o estresse percebido (negativamente), a reavaliação positiva e planeamento, a refocalização positiva e o copingpercebido (positivamente). A associação entre o perfeccionismo mal-adaptativo e o AN foi mediada pela REC mal-adaptativa/baixa REC adaptativa, pelo estresse/baixo copingpercebidos. A associação entre o perfeccionismo mal-adaptativo/adaptativo e baixo AP foi mediada pelo estresse percebido. O elevado AP foi determinado pelo baixo perfeccionismo mal-adaptativo e esta associação foi mediada pela REC adaptativa e pelo coping. A associação entre o perfeccionismo adaptativo e o AN foi mediada pela REC mal-adaptativa e pelo estresse percebido. Conclusão A REC e o estresse/copingpercebidos estão associados e medeiam as associações entre o perfeccionismo e AN/AP. <![CDATA[Eclectic approach to anxiety disorders among rural children]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-60892017000200088&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Introduction Anxiety disorders in primary school-aged children negatively affect their mental health and psychological development. Available non-medical treatments for these conditions are time-consuming and expensive. In this context, eclectic therapy is a therapeutic approach that incorporates some therapeutic techniques and philosophies to create the ideal treatment. In this study, eclectic therapy consisted of art therapy and cognitive-behavioral therapy designed for children suffering from high level of anxiety in their middle childhood years. The therapy also included group guidance sessions for their mothers. The effectiveness of this intervention was examined in the study. Methods 61 students aged 9-12 years with high levels of anxiety participated in the study. Intervention A (n = 20) consisted of 9-hour eclectic therapy for children with 3-hour group guidance sessions for their mothers. Intervention B (n = 20) consisted of 9-hour eclectic therapy for children. There was also a control group (n = 21). Results Teacher ratings of children’s mental health difficulties and self-report ratings of anxiety disorders indicated a significant difference from pretest to posttest, revealing a large effect size between the two interventions. Higher levels of pretest scores significantly predicted higher posttest scores for all domains of anxiety and mental health difficulties. Furthermore, age, gender, mothers working a 15-hour day, mother’s educational level, parental divorce rates, parental death, and family monthly income predicted therapy outcomes. Conclusion Results provide support for the effectiveness of eclectic art and CBT to improve children’s mental health and reduce anxiety through changing thoughts, beliefs, emotions, and behaviors that may cause fear and anxiety.<hr/>Resumo Introdução Transtornos de ansiedade em escolares afetam sua saúde mental e seu desenvolvimento psicológico. Tratamentos alternativos disponíveis consomem tempo e são dispendiosos. Nesse contexto, a terapia eclética é uma abordagem terapêutica que incorpora algumas técnicas e filosofias terapêuticas para criar o tratamento ideal. Neste estudo, terapia eclética consistiu de terapia artística e terapia cognitivo-comportamental (TCC) planejada para escolares com altos níveis de ansiedade. A terapia também incluiu sessões de orientação em grupo para as mães. A eficácia da intervenção foi examinada. Métodos 61 escolares com idade de 9-12 anos e altos níveis de ansiedade participaram do estudo. A intervenção A (n = 20) consistiu de 9 horas de terapia eclética para crianças com sessões de 3 horas de orientação em grupo para as mães. A intervenção B (n = 20) consistiu de 9 horas de terapia eclética para crianças. Houve também um grupo controle (n = 21). Resultados Escores atribuídos pelos professores às dificuldades de saúde mental das crianças e escores de ansiedade autoaplicados indicaram diferenças significativas entre resultados pré-teste e pós-teste, revelando grande tamanho de efeito entre as duas intervenções. Escores pré-teste maiores foram preditores significativos de escores pós-teste mais altos para todos os domínios de ansiedade e dificuldades de saúde mental. Idade, gênero, mães trabalhando 15 horas/dia, nível educacional da mãe, índice de divórcio, morte de um dos pais e renda familiar mensal foram preditores de desfechos da terapia. Conclusão Os resultados sugerem a eficácia de arte eclética e TCC para melhorar a saúde mental de crianças e reduzir a ansiedade através de mudança em pensamentos, crenças, emoções e comportamentos que possam causar medo e ansiedade. <![CDATA[Social instigation and repeated aggressive confrontations in male Swiss mice: analysis of plasma corticosterone, CRF and BDNF levels in limbic brain areas]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-60892017000200098&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Introduction: Agonistic behaviors help to ensure survival, provide advantage in competition, and communicate social status. The resident-intruder paradigm, an animal model based on male intraspecific confrontations, can be an ethologically relevant tool to investigate the neurobiology of aggressive behavior. Objectives: To examine behavioral and neurobiological mechanisms of aggressive behavior in male Swiss mice exposed to repeated confrontations in the resident intruder paradigm. Methods: Behavioral analysis was performed in association with measurements of plasma corticosterone of mice repeatedly exposed to a potential rival nearby, but inaccessible (social instigation), or to 10 sessions of social instigation followed by direct aggressive encounters. Moreover, corticotropin-releasing factor (CRF) and brain-derived neurotrophic factor (BNDF) were measured in the brain of these animals. Control mice were exposed to neither social instigation nor aggressive confrontations. Results: Mice exposed to aggressive confrontations exhibited a similar pattern of species-typical aggressive and non-aggressive behaviors on the first and the last session. Moreover, in contrast to social instigation only, repeated aggressive confrontations promoted an increase in plasma corticosterone. After 10 aggressive confrontation sessions, mice presented a non-significant trend toward reducing hippocampal levels of CRF, which inversely correlated with plasma corticosterone levels. Conversely, repeated sessions of social instigation or aggressive confrontation did not alter BDNF concentrations at the prefrontal cortex and hippocampus. Conclusion: Exposure to repeated episodes of aggressive encounters did not promote habituation over time. Additionally, CRF seems to be involved in physiological responses to social stressors.<hr/>Resumo Introdução: Comportamentos agonísticos ajudam a garantir a sobrevivência, oferecem vantagem na competição e comunicam status social. O paradigma residente-intruso, modelo animal baseado em confrontos intraespecíficos entre machos, pode ser uma ferramenta etológica relevante para investigar a neurobiologia do comportamento agressivo. Objetivos: Analisar os mecanismos comportamentais e neurobiológicos do comportamento agressivo em camundongos Swiss machos expostos a confrontos repetidos no paradigma residente-intruso. Métodos: A análise comportamental foi realizada em associação com medidas de corticosterona plasmática em camundongos expostos repetidamente a um rival em potencial próximo, porém inacessível (instigação social), ou a 10 sessões de instigação social seguidas de encontros agressivos diretos. Além disso, o fator de liberação de corticotrofina (CRF) e o fator neurotrófico derivado do cérebro (BNDF) foram medidos no encéfalo desses animais. Camundongos controles não foram expostos à instigação social ou confrontos agressivos. Resultados: Os camundongos expostos a confrontos agressivos exibiram um padrão semelhante de comportamentos agressivos e não agressivos típicos da espécie na primeira e na última sessão. Em contraste com instigação social apenas, confrontos agressivos repetidos promoveram aumento na corticosterona plasmática. Após 10 sessões de confrontos agressivos, os camundongos apresentaram uma tendência não significativa de redução dos níveis de CRF no hipocampo, que se correlacionaram inversamente com os níveis plasmáticos de corticosterona. Por outro lado, sessões repetidas de instigação social ou confronto agressivo não alteraram as concentrações de BDNF no córtex pré-frontal e hipocampo. Conclusão: A exposição a episódios repetidos de encontros agressivos não promoveu habituação ao longo do tempo. Adicionalmente, o CRF parece estar envolvido nas respostas fisiológicas aos estressores sociais. <![CDATA[Sexual dysfunction in females with depression: a cross-sectional study]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-60892017000200106&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Introduction Female sexual dysfunction (FSD) in depression albeit common is strikingly understudied. The condition, if addressed properly, can be readily cured, improving the quality of life of the patient. Methods A consecutive sample of drug-naïve married female patients with depression was assessed. Depression was diagnosed using the Structured Clinical Interview for DSM-IV Axis I Disorders (SCID-I). Depression severity was assessed using the Hamilton Depression Rating Scale (HAM-D), and sexual dysfunction, the Female Sexual Function Index (FSFI). Results Sexual dysfunction was found in 90% of the patients in our study. Patients with medical comorbidities showed a significant decrease in the desire subset of the FSFI (Mann-Whitney U=11.0, p=0.009), however there was no significant association with other subsets. Patients who expressed passive death wishes had higher scores on all indicators of sexual function and a significantly higher score in the orgasm subset of the FSFI (Mann-Whitney U=11.0, p=0.009). Conclusion The study showed a high prevalence of FSD in depressed females regardless of type and severity of depression. Depression with medical comorbidities was associated with a significant decrease in desire. Patients who expressed passive death wishes showed improved sexual function and significantly better orgasm.<hr/>Resumo Introdução Disfunção sexual feminina (DSF) na depressão, apesar de comum, é pouco estudada. Se tratada adequadamente, a condição pode ser prontamente curada, aumentando a qualidade de vida da paciente. Métodos Foi avaliada uma amostra consecutiva de mulheres casadas, virgens de tratamento, com depressão. A depressão foi diagnosticada utilizando a Structured Clinical Interview for DSM-IV Axis I Disorders (SCID-I). A gravidade da depressão foi avaliada utilizando a Escala de Avaliação de Depressão de Hamilton (HAM-D), e a disfunção sexual, com o Índice da Função Sexual Feminina (Female Sexual Function Index, FSFI). Resultados Foi observada disfunção sexual em 90% das pacientes do estudo. As pacientes com comorbidades médicas mostraram uma diminuição significativa no subdomínio desejo da FSFI (Mann-Whitney U=11,0, p=0,009), porém não houve associação significativa com os outros subdomínios. Pacientes que expressaram desejos passivos de morte apresentaram escores mais altos em todos os indicadores de função sexual e um escore significativamente mais alto no subdomínio orgasmo da FSFI (Mann-Whitney U=11,0, p=0,009). Conclusão O estudo revelou uma alta prevalência de DSF em mulheres deprimidas, independentemente do tipo e da severidade da depressão. A depressão com comorbidades médicas foi associada a uma diminuição significativa do desejo. Pacientes que expressaram desejos passivos de morte mostraram função sexual melhor e orgasmo significativamente melhor. <![CDATA[Translation and cross-cultural adaptation of the Sexual Function Questionnaire (SFQ) into Brazilian Portuguese]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-60892017000200110&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Introduction Sexual dysfunction is common in patients with psychotic illness. This article describes the translation and cross-cultural adaptation of the Sexual Function Questionnaire (SFQ) into Brazilian Portuguese. Methods The translation and cross-cultural adaptation followed the guidelines for adapting self-report instruments proposed by the Task Force of the International Society for Pharmacoeconomics and Outcomes Research (ISPOR). Briefly, ISPOR steps include: preparation, forward translation, reconciliation, back-translation, back-translation review, harmonization, cognitive debriefing, review of cognitive debriefing and finalization, before proofreading and final version. The original authors authorized the translation and participated in the study. Results There was good agreement between translations and between the back-translation and the original English version of the SFQ. The final version was prepared with certificated evaluators in the original language and in Portuguese. Few changes were necessary to the new version in Portuguese. Conclusion The translated and adapted Brazilian Portuguese version of the SFQ is reliable and semantically equivalent to the original version. Studies on psychotropic-related sexual dysfunction may now test the validity of the instrument and can investigate sexual dysfunction in Portuguese-speaking patients.<hr/>Resumo Introdução A disfunção sexual é comum em pacientes com doença psicótica. Este artigo descreve a tradução e adaptação transcultural do Questionário de Função Sexual (SFQ) para o português do Brasil. Métodos A tradução e a adaptação transcultural seguiram as diretrizes para a adaptação de instrumentos de autorrelato propostas pela Força-Tarefa da Sociedade Internacional de Pesquisa Farmacológica e de Resultados (International Society for Pharmacoeconomics and Outcomes Research, ISPOR). As etapas da ISPOR incluem: preparação, primeiras traduções, reconciliação, retrotradução, revisão da retrotradução, harmonização, interrogatório cognitivo, revisão do interrogatório cognitivo e finalização, antes da revisão e versão final. Os autores originais autorizaram a tradução e participaram do estudo. Resultados Houve boa concordância entre as traduções e entre a retrotradução e a versão original em inglês do SFQ. A versão final foi preparada com avaliadores certificados na língua original e em português. Poucas mudanças foram necessárias para a nova versão em português. Conclusão A versão brasileira traduzida e adaptada do SFQ é confiável e semanticamente equivalente à versão original. Estudos sobre disfunção sexual relacionada a psicotrópicos podem agora testar a validade do instrumento e investigar a disfunção sexual em pacientes brasileiros. <![CDATA[Association between resilience and posttraumatic stress disorder among Brazilian victims of urban violence: a cross-sectional case-control study]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-60892017000200116&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Introduction This study investigated the association between resilience and posttraumatic stress disorder (PTSD) among Brazilian victims of urban violence. It also compared defense mechanisms, parental bonding, and childhood trauma between those who developed PTSD and those who did not. Methods This cross-sectional case-control study included 66 adult subjects exposed to recent urban violence in southern Brazil – 33 with PTSD and 33 healthy controls matched by sex and age – who were administered the Resilience Scale, Defense Style Questionnaire, Parental Bonding Instrument, and Childhood Trauma Questionnaire. The statistical tests used were the McNemar test for categorical variables, the Wilcoxon signed-rank test for continuous asymmetric variables, and the paired Student t-test for continuous symmetric variables. Results The PTSD group showed lower total Resilience Scale scores compared with controls (128.4±20.7 vs. 145.8±13.1, respectively; p = 0.01), along with a lower ability to solve situations and lower personal values that give meaning to life (p = 0.019). They also had lower rates of mature defense mechanisms (p &lt; 0.001) and higher rates of emotional (p = 0.001) and physical (p = 0.003) abuse during childhood. Conclusion Lower levels of resilience, especially the ability to solve situations and having personal values that give meaning to life, immature defense mechanisms, and emotional and physical abuse in childhood are associated with PTSD in adult Brazilian victims of urban violence.<hr/>Resumo Introdução Este estudo investigou a associação entre resiliência e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) entre vítimas brasileiras de violência urbana. Comparou os mecanismos de defesa, vínculos parentais e trauma infantil entre vítimas que desenvolveram TEPT e vítimas que não desenvolveram o transtorno. Métodos Estudo de caso-controle transversal que incluiu 66 sujeitos adultos expostos à violência urbana no sul do Brasil. Foram avaliados 33 pacientes com TEPT e 33 controles saudáveis pareados por sexo e idade, que responderam a Escala de Resiliência, Questionário do Estilo Defensivo, Instrumento de Ligação Parental e Questionário sobre Traumas Infantis. Os testes estatísticos utilizados foram o teste de McNemar para variáveis categóricas, teste Wilcoxon para variáveis assimétricas contínuas e teste tde Student pareado para variáveis simétricas contínuas. Resultados O grupo que desenvolveu TEPT apresentou escores totais da Escala de Resiliência mais baixos em relação aos controles (128,4±20,7 versus145,8±13,1, respectivamente; p = 0,01), juntamente com uma menor capacidade em resolver situações e menores índices de valores pessoais que dão sentido à vida (p = 0,019). Também apresentaram taxas mais baixas de uso de mecanismos de defesas maduros (p &lt; 0,001) e maiores taxas de abuso emocional (p = 0,001) e físico (p = 0,003) durante a infância. Conclusão Níveis mais baixos de resiliência, especialmente a capacidade de resolver situações e ter valores pessoais que dão sentido à vida, mecanismos imaturos de defesa e abuso físico e emocional na infância estão associados ao TEPT em adultos vítimas de violência urbana no Brasil. <![CDATA[Personality characteristics and bariatric surgery outcomes: a systematic review]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-60892017000200124&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Introduction: Numerous studies have focused on psychological assessment of bariatric surgery candidates, aiming to identify which psychological variables, including personality characteristics, are related to successful surgical prognosis. Objective: To analyze, by means of a systematic literature review, longitudinal studies that investigated personality traits and disorders as possible predictors of outcomes in bariatric surgery. Method: PsycInfo, PubMed, and Scopus databases were searched for studies published between 2005 and 2015, using the keywords “bariatric” AND “personality.” Quantitative longitudinal studies in English, Portuguese, or Spanish were selected for review if they assessed personality as an outcome predictor of BS in people aged 18 years or older. Results: Sixteen articles were analyzed. The results of this review suggest that externalizing dysfunctions might be associated with less weight reduction, while internalizing dysfunctions appear to be associated with somatic concerns and psychological distress. The persistence dimension (of temperament in Cloninger's model) was positively associated with greater weight loss, while neuroticism (Five Factor Model) and the occurrence of personality disorders were not predictive of weight loss. Furthermore, the results indicate a tendency towards a reduction in personality disorders and neuroticism scores, and an increase in extroversion scores, after BS. Conclusions: Assessment of personality characteristics, whether to identify their predictive power or to detect changes during the BS process, is important since it can provide grounds for estimating surgical prognosis and for development of interventions targeting this population.<hr/>Resumo Introdução: A avaliação psicológica de candidatos à cirurgia bariátrica (CB) tem sido foco de inúmeros estudos com a finalidade de identificar quais as variáveis psicológicas, entre elas as características de personalidade, que se relacionam ao prognóstico cirúrgico. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática através de estudos longitudinais que investigaram traços e transtornos de personalidade como possíveis preditores de resultados em CB. Método: Pesquisas nas bases de dados PsycInfo, PubMed e Scopus foram realizadas entre os anos de 2005 e 2015, considerando os descritores “bariatric” AND “personality”. Foram incluídos estudos longitudinais quantitativos, em inglês, português ou espanhol, que avaliaram personalidade como preditor de desfecho em CB em população com 18 anos ou mais. Resultados: Dezesseis artigos foram analisados. Os achados sugerem que alterações externalizantes podem estar associadas à menor perda de peso, enquanto que as alterações internalizantes a preocupações somáticas e distúrbios psicológicos; a dimensão persistência (temperamento no modelo de Cloninger) foi associada positivamente a maior perda de peso, enquanto que o fator neuroticismo (Modelo dos Cinco Fatores), e a existência de transtornos da personalidade não foram se mostraram preditivos de perda de peso. Ainda, os resultados indicam uma tendência à redução da prevalência de transtornos de personalidade e diminuição dos escores de neuroticismo e aumento dos escores de extroversão após a CB. Conclusões: A avaliação das características de personalidade, como poder preditivo ou em suas alterações ao longo do processo da CB, torna-se importante a medida que pode auxiliar no prognóstico cirúrgico e no planejamento de intervenções junto a essa população. <![CDATA[Posttraumatic stress disorder: a serious post-earthquake complication]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-60892017000200135&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Objectives Earthquakes are unpredictable and devastating natural disasters. They can cause massive destruction and loss of life and survivors may suffer psychological symptoms of severe intensity. Our goal in this article is to review studies published in the last 20 years to compile what is known about posttraumatic stress disorder (PTSD) occurring after earthquakes. The review also describes other psychiatric complications that can be associated with earthquakes, to provide readers with better overall understanding, and discusses several sociodemographic factors that can be associated with post-earthquake PTSD Method A search for literature was conducted on major databases such as MEDLINE, PubMed, EMBASE, and PsycINFO and in neurology and psychiatry journals, and many other medical journals. Terms used for electronic searches included, but were not limited to, posttraumatic stress disorder (PTSD), posttraumatic symptoms, anxiety, depression, major depressive disorder, earthquake, and natural disaster. The relevant information was then utilized to determine the relationships between earthquakes and posttraumatic stress symptoms. Results It was found that PTSD is the most commonly occurring mental health condition among earthquake survivors. Major depressive disorder, generalized anxiety disorder, obsessive compulsive disorder, social phobia, and specific phobias were also listed. Conclusion The PTSD prevalence rate varied widely. It was dependent on multiple risk factors in target populations and also on the interval of time that had elapsed between the exposure to the deadly incident and measurement. Females seemed to be the most widely-affected group, while elderly people and young children exhibit considerable psychosocial impact.<hr/>Resumo Objetivos Terremotos são desastres naturais imprevisíveis e devastadores. Eles podem causar destruição em massa e morte, e os sobreviventes podem apresentar sintomas psicológicos severos. O objetivo deste estudo foi revisar estudos publicados nos últimos 20 anos pra compilar o conhecimento disponível acerca da ocorrência de transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) após terremotos. A revisão também descreve outras complicações psiquiátricas que podem estar associadas a terremotos, oferecendo aos leitores um melhor entendimento geral sobre o assunto, e discute vários fatores sociodemográficos que podem estar associados com TEPT pós-terremoto. Métodos Foi realizada uma busca de literatura nas principais bases de dados, como MEDLINE, PubMed, EMBASE e PsycINFO, e também em revistas de neurologia e psiquiatria, e vários outros periódicos médicos. Os termos usados nas buscas eletrônicas incluíram, mas não se limitaram a, posttraumatic stress disorder (PTSD), posttraumatic symptoms, anxiety, depression, major depressive disorder, earthquake e natural disaster. As informações relevantes foram então utilizadas para determinar as relações entre terremotos e sintomas de estresse pós-traumático. Resultados A revisão revelou que o TEPT é a condição de saúde mental mais comum em sobreviventes de terremoto. Depressão maior, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo, fobia social e fobias específicas foram outras condições encontrados. Conclusão A prevalência de TEPT variou bastante. O transtorno foi dependente de múltiplos fatores de risco em populações-alvo e também do intervalo de tempo decorrido entre a exposição ao incidente fatal e a avaliação. As mulheres pareceram ser o grupo mais amplamente afetado, ao passo que idosos e crianças demonstração considerável impacto psicossocial. <![CDATA[Post-stroke psychosis: how long should we treat?]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2237-60892017000200144&lng=en&nrm=iso&tlng=en Abstract Objective: To describe a rare case of a patient who developed psychotic symptoms after a right stroke that disappeared with antipsychotic treatment, but appears to need low-dose maintenance antipsychotic therapy. Case description: A 65-year-old man presented at the psychiatric emergency service with a history of persistent delusional jealousy, visual illusions and agitation with onset about 1 month after a right posterior cerebral artery ischemic stroke. These symptoms only disappeared with therapeutic dosages of an antipsychotic drug (3 mg/day of risperidone). At 2-year follow-up, he no longer had delusional activity and the antipsychotic treatment was gradually discontinued over the following year. However, 1 week after full cessation, the patient once more became agitated and suspicious and was put back on risperidone at 0.25 mg/day, resulting in rapid clinical remission. One year after the return to low-dose risperidone, the patient's psychopathology is still under control and he is free from psychotic symptoms. Comments: Psychosis is a relatively rare complication after stroke. To our knowledge, no cases of post-stroke psychosis that apparently require continuous low-dose antipsychotic treatment have been reported to date. Our case suggests that low-dose maintenance antipsychotic therapy may be needed for certain patients with post-stroke psychosis, especially for those with risk factors and non-acute onset.<hr/>Resumo Objetivo: Descrever o caso raro de um paciente que desenvolveu sintomas psicóticos após um acidente vascular cerebral (AVC) no nível do hemisfério direito que remitiram com tratamento antipsicótico, mas parece precisar de uma terapêutica de manutenção com antipsicótico em baixa dosagem. Descrição de caso: Um homem de 65 anos apresentou-se no serviço de urgência psiquiátrica por um quadro persistente de delírio de ciúmes, ilusões visuais e agitação com início cerca de 1 mês após AVC isquêmico no nível da artéria cerebral posterior direita. Esses sintomas só desapareceram com doses terapêuticas de antipsicótico (risperidona 3 mg/dia). Após 2 anos de seguimento, o paciente não mais apresentava atividade delirante, e o tratamento antipsicótico foi progressivamente descontinuado durante o ano seguinte. No entanto, 1 semana após a suspensão total, o paciente começou a ficar agitado e desconfiado, tendo-se reiniciado a risperidona 0,25 mg/dia, com rápida remissão clínica. O paciente está medicado com esta baixa dose de antipsicótico há um ano, permanecendo psicopatologicamente compensado e sem sintomas psicóticos. Comentários: A psicose é uma complicação relativamente rara após AVC. Segundo nosso conhecimento, não há casos descritos até ao momento de psicose após AVC que, aparentemente, requerem uma dose baixa contínua de antipsicótico. Nosso caso sugere que uma terapêutica de manutenção com antipsicótico em baixa dosagem pode ser necessária para determinados pacientes com psicose após AVC, especialmente para aqueles com fatores de risco e início não agudo dos sintomas.